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  • Retinopatia Diabtica

    Lusa Matias De Freitas 1

    1. Introduo

    A apresentao deste trabalho est integrada no projecto curricular proposto

    para o curso de Mestrado em Optometria em Cincias da Viso. Visa-se

    complementar a formao cientfica de base, reforando-a com uma formao mais

    especfica, atravs da aquisio de conhecimentos, capacidades e atitudes que

    assentem o carcter humanstico e a dimenso tica do exerccio profissional, e,

    conferindo um grau de competncia cada vez mais adaptado ao modelo profissional.

    Apesar de muito grata instituio Hospital Particular do Algarve pela sua

    postura positiva para com este projecto, foi na clnica Leite&Leite, sob orientao e

    apoio do Prof. Doutor Eugnio Leite, a quem desde j expresso o meu sincero

    agradecimento, que encontrei a possibilidade de ver concretizada esta fase do meu

    percurso.

    Desta forma, aps escolha do tema a abordar, pude fazer o acompanhamento de

    alguns casos, para melhor entender a doena e a patologia ocular, quer a nvel de

    exposio, seguimento, consulta e realizao de exames complementares de

    diagnstico.

    Sob orientao do Prof. Doutor Leite foram eleitos dois casos, em distintos

    estgios da doena ocular, que passaro a exposio e discusso neste documento.

    Pretendeu-se investigar a doena sobre aquilo que j adquirido, bem como a

    investigao e tratamentos em curso, avaliar casos reais, para assim melhor conhecer

    a realidade dos doentes, assentando nas suas queixas, comportamentos e teraputicas,

    visando avaliar e complementar protocolos de consulta para, desta forma, por em

    prtica um exerccio profissional cada vez mais focado e direccionado para o

    combate desta patologia.

  • Retinopatia Diabtica

    Lusa Matias De Freitas 2

    1.1. Introduo Temtica: Diabetes Mellitus & Retinopatia

    Diabtica

    DIABETES MELLITUS: UMA EPIDEMIA MUNDIAL. Estima-se que existam, no mundo,

    por volta de 170 milhes de pessoas afectadas por Diabetes Mellitus, e que este

    nmero poderia aumentar para 360 milhes at 2030, e isso afectaria principalmente

    a populao economicamente activa dos pases emergentes. Nos Estados Unidos

    estima-se que 6,3% da populao tem diabetes. Estudos tm demonstrado que a

    diabetes tipo II pode ser prevenida com uma dieta e actividade fsica, j as pessoas

    com alto risco (intolerncia glicose) podem ser tratadas com medicamentos, o que

    reduz o alto risco de perda visual causada por Retinopatia Diabtica. No existem

    resultados similares na preveno da diabetes tipo I.

    A Retinopatia Diabtica a causa mais frequente de cegueira em muitos pases

    industrializados e a Organizao Mundial da Sade estima que isso afecta j quase

    5% dos 37 milhes de cegos no mundo. Mais de 75% dos diabticos com mais de 20

    anos de evoluo, sofrem alguma forma de retinopatia, de acordo com o estudo

    epidemiolgico de Wisconsin. Tambm ficou demonstrado que 13% dos diabticos

    com 5 anos de evoluo apresentam algum grau de retinopatia, que aumenta para

    90% com 15 anos de evoluo, quando a diabetes se diagnostica antes dos 30 anos.

    Se o diagnstico feito depois dos 30 anos, presume-se ser do tipo II, e 40% dos

    dependentes de insulina e 24% com outros tratamentos apresentam retinopatia aos

    cinco anos, que aumenta para 84% nos insulino-dependentes e para 53% com outro

    tratamento quando a durao da diabetes de 15 a 20 anos. Entre os dependentes de

    insulina com mais de 20 anos de tratamento, 60% deles sofrem de retinopatia

    proliferativa, bem como aqueles com mais de 30 anos, sendo 12% cegos. Se todos os

    pacientes com retinopatia proliferativa tivessem sido tratados precocemente, a

    incidncia de cegueira poderia diminuir de 50% para 5%, reduzindo em 90% os

    casos de perda visual e de cegueira.

    Esforos so constantemente frustrados pelos resultados obtidos, frutos de

    contingncias diversas, entre elas, o contexto socioeconmico no qual esto inseridos

  • Retinopatia Diabtica

    Lusa Matias De Freitas 3

    os pacientes. Mas no podemos ignorar o impacto social e econmico da diabetes na

    sociedade. Os custos envolvidos no processo de educao e tratamento do paciente

    diabtico e a nossa poltica de sade colocam o controlo glicmico como um ideal

    quase inatingvel.

    Apesar do empenho de investigadores em todo o mundo, at ao momento, no

    h nenhuma evidncia de que algum tipo de tratamento farmacolgico seguro e

    eficaz possa prevenir, retardar ou reverter esta complicao que, quando culmina em

    cegueira, pode ser considerada a mais trgica delas. Um avano ocorrido mais

    recentemente, e utilizado nalguns centros com sucesso, o acetato de triancinolona,

    feito atravs de injeco intravtrea nos casos de edema macular no responsivo

    fotocoagulao.

    O aumento da prevalncia da diabetes e o aumento da expectativa de vida

    exigem o desenvolvimento de estratgias para detectar e tratar a retinopatia diabtica,

    evitando a perda visual que pode chegar cegueira. necessrio organizar um

    sistema de sade ocular para o manejo da retinopatia que esteja dentro de um

    programa nacional de tratamento da diabetes mellitus.

    Enquanto aguardamos novas opes, devemos unir esforos para assegurar um

    protocolo para a preveno e a deteco precoce da Retinopatia Diabtica.

  • Retinopatia Diabtica

    Lusa Matias De Freitas 4

    Retinopatia diabtica uma complicao da diabetes, e acontece quando

    vasos sanguneos minsculos dentro da retina (tecido fotossensvel), situados na

    parte posterior do globo ocular, so danificados. Os vasos sanguneos danificados

    podem derramar lquido ou sangrar, provocando inchao retiniano e diminuio da

    acuidade visual. medida que a doena progride, estes vasos frgeis que crescem na

    superfcie da retina, podem romper-se, libertando sangue no humor vtreo, ou

    causando descolamento da retina. comum, ainda, o crescimento de vasos

    sanguneos anormais na ris, causando glaucoma, e o aparecimento de cataratas.

    QUAIS OS SINTOMAS?

    A princpio, as mudanas na viso podem ser imperceptveis, pois a retinopatia

    diabtica nunca dolorosa. Ocasionalmente, se houver reteno de lquidos, a viso

    pode tornar-se, gradualmente, desfocada, e se houver hemorragia podem surgir

    pontos ou manchas escuras na viso. Com o passar do tempo, a retinopatia diabtica

    pode deteriorar a viso, podendo levar sua perda total. A retinopatia diabtica

    afecta, normalmente, ambos os olhos. As trs formas bsicas de retinopatia diabtica,

    que podem ter como consequncia perda de viso, so a retinopatia diabtica

    proliferativa, o edema macular diabtico e a isqumia da mcula.

    A retinopatia diabtica tem quatro fases:

    1. No proliferativa (inicial) - Nesta

    fase mais prematura, acontecem os

    microaneurismas (pequenas reas de

    dilatao dos minsculos vasos

    sanguneos da retina).

    2. No proliferativa (moderada) - Com

    o avanar da doena, alguns vasos

    sanguneos que nutrem a retina so

    bloqueados- isqumia- e a mcula deixa

    de receber sangue em quantidade

    suficiente.

  • Retinopatia Diabtica

    Lusa Matias De Freitas 5

    3. No proliferativa (severa) Bloqueio de vasos sanguneos e privao das

    vrias reas da retina da chegada do sangue; com isto, estas reas no so

    oxigenadas. Estas reas da retina enviam sinais ao "corpo" para cultivar vasos

    sanguneos novos para sua respectiva nutrio. Com isto, teremos os vasos

    neoformados (neovascularizao). Gordura e protena podem acumular-se, em placas

    na retina, conhecidas como exsudatos.

    4. Retinopatia proliferativa - a fase avanada da doena. Os sinais enviados

    pela retina solicitando melhor nutrio causam o crescimento de vasos sanguneos

    anmalos (neovascularizao) e frgeis. Estes crescem ao longo da retina e ao longo

    da superfcie do humor vtreo. A presena destes vasos sanguneos no causa

    sintomas ou perda de viso. No entanto, eles tm paredes bastante frgeis,

    susceptveis de romper, espalhando sangue pela cavidade vtrea, que poder resultar

    em perda de viso.

    Durante as primeiras trs fases da retinopatia diabtica, no h necessidade de

    nenhum tratamento, a menos que exista edema macular- o endotlio vascular

    retiniano tem junes estanques que formam a barreira retiniana interna, e os

    microaneurismas tm permeabilidade aumentada devido a esta barreira insuficiente,

    deixando, por isso, passar lquido intravascular para dentro do tecido retiniano; o

    lquido pode acumular-se na rea da fvea, levando a reduo na acuidade visual, em

    alternativa, esta reduo pode resultar de isqumia ou de falta de perfuso at

    fvea-. Para prevenir a progresso da retinopatia diabtica, as pessoas com diabetes

    devem controlar os nveis do acar no sangue (glicemia), a presso arterial e o

    colesterol.

    O controlo metablico tem efeito benfico. A teraputica farmacolgica no

    tem ainda tratamento comprovado. Existem frmacos em estudo tais como:

    dobesilato de clcio, inibidores da aldose reductase (sorbitol) e inibidores eca.

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    Lusa Matias De Freitas 6

    Fundo do olho normal

    Fundo do olho normal

    Fundo de olho afectado

    Fundo de olho afectado

    Viso normal

    Viso afectada

  • Retinopatia Di