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UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU CURSO DE GRADUAÇÃO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS ENZO NOGUEIRA - 81813874 INGRID SOUZA MOCHE - 818121135 JOÃO ARTHUR M. FIGUEIREDO - 818116604 LUIZ HENRIQUE MORAES - 81819355 O IMPACTO ESG NO DESEMPENHO DAS EMPRESAS LISTADAS NO ÍNDICE BOVESPA: uma dinâmica quanto ao seu valor agregado. SÃO PAULO 2021

UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU CURSO DE GRADUAÇÃO DE

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2ENZO NOGUEIRA - 81813874
LUIZ HENRIQUE MORAES - 81819355
NO ÍNDICE BOVESPA: uma dinâmica quanto ao seu valor agregado.
SÃO PAULO
LUIZ HENRIQUE MORAES - 81819355
NO ÍNDICE BOVESPA: uma dinâmica quanto ao seu valor agregado.
SÃO PAULO
2021
Trabalho apresentado a Universidade São Judas Tadeu, Campus Mooca, como requisito para ob- tenção do título de Bacharel em Ciências Econô- micas. Orientador: Prof. Dr. Vladimir Sipriano Camilo
Orientador: Prof.______________________
O Impacto ESG no desempenho das empresas listadas no índice Bovespa: uma dinâmica quanto ao seu valor agregado / Enzo Nogueira... [et al.] – São Paulo, 2021 – 39 f.
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Ciências Econômicas) - Universidade São Judas Tadeu, Mooca, São Paulo, 2021 Orientador (a): Prof. Dr. Vladimir Sipriano Camilo. Notas
1. Ambiental. 2. Social. 3. Governamental. I. Ingrid Souza Moche. II. Jo- ão Arthur Machado Figueiredo. III. Luiz Henrique Moraes.
UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU
FOLHA DE APROVAÇÃO
ENZO NOGUEIRA - 81813874
LUIZ HENRIQUE MORAES - 81819355
NO ÍNDICE BOVESPA: uma dinâmica quanto ao seu valor agregado.
Aprovado em: 08 de dezembro de 2021.
Banca Examinadora
(Nome do orientador, sua titulação e Instituição a que pertence).
_______________________ (nome, titulação e instituição a que pertence).
Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Ciências Econômicas, pela Universidade São Judas Tadeu.
RESUMO
O tema se mostra relevante devido à atualidade de sua discussão e o impacto
que pode trazer para a sociedade como um todo. Empresas são formadas por
pessoas, sejam estas acionistas ou colaboradoras, que buscam, respectivamente,
lucros constantes e uma boa governança corporativa, e um bom ambiente de
trabalho que proporcione identificação e qualidade de vida. Todos são parte de uma
sociedade que, para se manter saudável, precisa controlar a emissão de poluentes
na atmosfera e ações prejudiciais aos ecossistemas e que podem diretamente
controlar estes dois pontos através das ações em que sua empresa trabalha. Todos
os caminhos das empresas que buscam se perpetuar levam ao ESG, que é cada
vez mais cobrado por consumidores e investidores nas empresas de sua
preferência. O objetivo, então, foi analisar as empresas Renner, Natura e WEG –
que têm importância representativa no uso do modelo ESG – de forma qualitativa,
aprofundar os conceitos do ESG, revisar bibliograficamente os principais autores
sobre o tema e analisar quantitativamente as informações financeiras destas
empresas.
ABSTRACT
The topic is relevant due to the current nature of its discussion and the impact
it can bring to society as a whole. Companies are made up of people, whether
shareholders or employees, who seek, respectively, constant profits and good corpo-
rate governance, and a good work environment that provides identification and quali-
ty of life. Everyone is part of a society that, to stay healthy, needs to control the
emission of pollutants into the atmosphere and actions that are harmful to ecosys-
tems and that can directly control these two points through the actions in which your
company works. All paths of companies seeking to perpetuate themselves lead to
ESG, which is increasingly charged by consumers and investors in the companies of
their choice. The objective of this work is to analyze the companies Renner, Natura
and WEG – which are of significant importance in the use of the ESG model – in a
qualitative way, deepen the concepts of ESG, bibliographically review the main
authors on the subject and quantitatively analyze the information of these companies.
Keywords: Environmental, social, governance, transparency, ESG.
LISTAS DE FIGURAS
FIGURA 1 - METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO DE SUSTENTABILIDADE CORPORATIVA (CSA) DA SAM
23
LISTAS DE TABELAS
TABELA 1 - OUTROS CONCEITOS SIMILARES AO DE INVESTIMENTO SUSTENTÁVEL E SUAS DEFINIÇÕES
08
FINANCIADORES 11
TABELA 3 - TOP 20 EMPRESAS DO ÍNDICE S&P/B3 BRASIL ESG 22
TABELA 4 - INFORMAÇÃO SOBRE AS EMPRESAS ANALISADAS 25
TABELA 5 - SÍNTESE DAS PRINCIPAIS AÇÕES DE CADA EMPRESA. 31
TABELA 6 - SÍNTESE DE ADERÊNCIA AO ESG 32
SUMÁRIO
1.1 – BASE TEÓRICA SOBRE ESG ........................................................................... 8
1.2 – BASE TEÓRICA SOBRE ESG: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ........................... 14
1.3 - ÍNDICE S&P/B3 BRASIL ESG .......................................................................... 21
CAPÍTULO 2 – ANÁLISE QUANTO AO ESG APLICADO PELAS EMPRESAS ....... 24
2.1 – QUESTÕES METODOLÓGICAS ..................................................................... 25
2.4 – LOJAS RENNER S.A. – QUESTÕES DE GOVERNANÇA .............................. 27
2.5 – NATURA &CO HOLDING S.A. – QUESTÕES AMBIENTAIS .......................... 28
2.6 – NATURA &CO HOLDING S.A. – QUESTÕES SOCIAIS.................................. 29
2.7 – NATURA &CO HOLDING S.A. - QUESTÕES DE GOVERNANÇA ................. 29
2.8 – WEG S.A. – QUESTÕES AMBIENTAIS ........................................................... 30
2.9 – WEG S.A. – QUESTÕES SOCIAIS .................................................................. 30
2.10 – WEG S.A.- QUESTÕES DE GOVERNANÇA ................................................. 31
3 - CONCLUSÃO ...................................................................................................... 32
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 35
Devido ao grande crescimento do tema mundialmente, principalmente
após a entrada do Joe Biden na presidência dos EUA, os critérios ambientais, soci-
ais e de governança (ESG) vêm se tornando mais um tipo de análise feita pelos in-
vestidores. É uma estrutura para analisar empresas e realmente avaliar o quão bem
elas se comparam a seus pares em termos de desempenho em relação a essas mé-
tricas. Os esforços realizados pelas empresas resultam em melhor imagem da em-
presa podendo desta forma atrair novos clientes. Nos últimos dois anos, principal-
mente, as empresas começaram a emitir dívidas para utilizar o dinheiro para investir
na infraestrutura ESG.
No primeiro capítulo desta pesquisa, foi verificado, primeiramente, os
conceitos, definições e objetivos do ESG, que trazem consigo os aspectos positivos
do ESG. Porém, é necessário sempre apontarmos diferentes pontos de vista e suas
argumentações e, por isso, além dos benefícios, analisamos artigos de críticos do
ESG, que mostraram suas perspectivas sobre o tema, argumentando de forma firma
estes critérios.
Já no segundo capítulo, foi verificado as percepções de desempenho das
empresas Renner, WEG e Natura. Foi demonstrado como cada empresa está atu-
ando nestas práticas e quais suas metas nas questões ambientais, sociais e de go-
vernança.
A metodologia adotada foi verificar de forma qualitativa o impacto gerado
em empresas aderentes ao ESG, demonstrando os resultados obtidos no longo pra-
zo, além de elencar o valor agregado gerado pela aplicabilidade das práticas pelas
empresas, com o apoio do Índice S&P/B3 Brasil ESG, código de negociação
SPBRESBP nos Estados Unidos e ESGB11 no Brasil, administrado e gerido pelo BTG
Pactual Asset Management, que mede a performance de títulos que cumprem critérios
de sustentabilidade, ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI.
8
1.1 – BASE TEÓRICA SOBRE ESG
ESG é a sigla para “Environmental, Social and Governance” ou “Melhores
práticas ambientais, sociais e de governança”. Os critérios agrupados nessa sigla
têm direcionado a forma de atuação de empresas e instituições financeiras com a
cobrança por ações de sustentabilidade. Não se trata, apenas, de conter danos a
natureza: o escopo do ESG é muito amplo e diz respeito às relações estabelecidas
com os colaboradores e os de empresas terceiras, assim como nas ações para de-
senvolvimento da sociedade, o tratamento e as oportunidades dados às minorias,
ações tomadas para promover a diversidade, além das medidas adotadas para
combater fraudes e corrupção. (BRAGHETTO, 2021)
A junção das palavras Environmental, Social e Governance formam a si-
gla ESG, e para entender seu conceito é importante aprofundar-se na definição de
cada uma das palavras e nas ações relacionadas à cada uma delas. Para a palavra
Environmental, no mundo de finanças, é possível classificar investimentos de acordo
com seus objetivos secundários, ou seja, demais fatores que não o retorno sobre o
investimento que balizam a tomada de decisão do investidor. No quadro abaixo, do
artigo PUC Rio – Certificação Digital Nº 1012710/CA, é possível identificar cada um
dos modelos de investimento relacionados ao ESG e sua descrição:
Tabela 1: Outros conceitos similares ao de investimento sustentável e suas
definições.
resolver desafios sociais e/ou ambientais e
gerar retornos financeiros.
considera critérios ambientais, sociais e de
governança corporativa para gerar retornos
financeiros competitivos de longo prazo e
impactos sociais positivos.
de investimento que considera os fatores
éticos ou ESG, em adição ao processo
convencional de seleção e gestão de inves-
timento.
quer tipo de processo de investimento que
combine os objetivos dos investidores com
as suas preocupações sobre as questões
ESG.
integra fatores ESG na análise de investi-
mento, seleção de carteira e atividades de
controle acionário.
Fonte: PUC Rio – Certificação Digital Nº 1012710/CA
O investimento baseado no modelo ESG visa a responsabilidade social e
governamental do impacto de seus resultados na sociedade e, ainda, a diminuição
dos riscos relacionados à desastres financeiros por crises políticas e ambientais,
como desafios hídricos e energéticos, já que estas empresas tendem a exercer suas
atividades sem maior prejuízo/dependência de uma única fonte desses recursos.
(RUDD, 1981; EUROPEAN SUSTAINABLE INVESTMENT FORUM, 2010). Ainda,
no outro extremo dos investidores que se baseiam no ESG para suas decisões, es-
tão as empresas que se tomam essas ações para condução de seus negócios e
que, voltados para a letra “E”, devem se preocupar, entre outros, com:
1. mudanças climáticas – evidenciação das emissões de GEE no pro-
cesso produtivo da empresa além de suas respectivas estratégias de redu-
ção;
cos tóxicos nos produtos fabricados pela empresa;
3. relatórios de sustentabilidade – implementação de relatórios com a
evidenciação global do desempenho ESG da empresa. (...)
(PUC Rio – Certificação Digital Nº 1012710/CA)
10
Em relação à letra “S”, de Social, se refere exclusivamente às ações que
a empresa toma que impactam a vida de seus colaboradores fora da empresa e a
sociedade como um todo ao seu redor, sendo direta ou indiretamente relacionados
com as atividades centrais de uma empresa em questão. Para esta definição, o arti-
go da BM&F BOVESPA “Novo valor – Sustentabilidade nas empresas”, lista as se-
guintes ações para critério de seu significado:
1. Atração e retenção de talentos;
2. Desenvolvimento de pessoas;
3. Melhoria da qualidade de vida;
4. Indução de boas práticas sociais junto à cadeia de valor e aos demais
públicos de relacionamento;
6. Incentivo ao voluntariado.
(PESSOLATO, 2016)
Por último tem-se a letra “G”, de Governance, que abrange todas as
ações empresariais que demonstram uma boa governança, contra suborno, corrup-
ção, descriminação, abuso de poderes dos executivos e demais conflitos de interes-
se entre a execução das atividades e o desempenho sadio da empresa. No mesmo
artigo da BM&F BOVESPA, encontra-se uma lista similar com o que deve ser consi-
derado como boas práticas de governança corporativa:
1. Promoção, indução e asseguração das boas práticas de transparên-
cia, prestação de contas e governança corporativa;
2. Garantia de gestão eficiente dos riscos;
3. Promoção da ação de códigos de conduta;
4. Adoção das melhores práticas de proteção aos direitos dos acionis-
tas;
5. Compromisso com a geração de valor para os acionistas.
(PESSOLATO, 2016)
É possível, ainda, acrescentar práticas preventivas para garantia do cumpri-
mento dos direitos trabalhistas e principais normas das convenções coletivas de um
11
grupo específico de trabalhadores, assim como a remuneração e diversidade dos
executivos, transparência tributária e políticas de denúncia e repreensão de práticas
discriminatórias por raça, religião, orientação sexual e outros (PUC Rio – Certifica-
ção Digital Nº 1012710/CA).
Para sumarizar, a tabela abaixo consolida todos os critérios ESG aplicados. É
possível encontrar todos os itens acima citados organizados por letra e por defini-
ção, auxiliando no entendimento simplificado dos critérios do ESG (Critérios e métri-
cas ESG para a indústria, FIRJAN, SENAI, SESI, IEL, CIRJ):
Tabela 2: Compilação de Critérios ESG - Investidores e Financiadores.
Ambiental Social Governança
• Incorporação de impactos
mônios culturais
de ativos
• Evasão fiscal
• Incorporação de fatores
ESG na gestão
• Segurança da Informação
Elaboração Firjan a partir de informações PRI, Princípios do Equador, BlackRock e Santander
As três dimensões do quadro acima, abordam os critérios ESG para investido-
res e financiadores: ambientalmente, socialmente e de governança. Atualmente, é
esperado das empresas que melhore a performance financeira, porém com profunda
12
preocupação com o meio ambiente, com impacto social positivo, crescimento sus-
tentável, com transparência de informações e grande crescimento.
Há uma cobrança cada vez maior pela transparência e atuação responsável
de organizações no que diz respeito ao seu envolvimento com a sua comunidade.
Essas discussões são presentes nos mercados europeus e estadunidense, porém
vem ganhando grande relevância no Brasil a partir de acontecimentos que coloca-
ram em xeque as práticas das companhias, como os incêndios na Amazônia e va-
zamento de óleo na costa brasileira. Com as empresas cada vez mais cobradas pela
sociedade a adotar práticas de ESG, instituições financeiras também têm olhado
para o assunto com maior interesse e atenção, buscando introduzir os critérios em
suas análises e em seus produtos. Para uma empresa ser considerada classificável
dentro da pauta ESG, é necessário ter um desempenho operacional de eliminação
ou mitigação de impactos negativos da natureza, respeitar os direitos humanos em
todos seu processo produtivo, regime de auditoria e transparência, garantia de direi-
to dos acionistas e políticas anticorrupção (DIEZ; SUTORRÍO, 2018).
Não existe um conceito específico que determina a transformação dos inves-
timentos em algo realmente ESG, devido a sua subjetividade e as particularidades
de cada empresa, porém a nomenclatura segue os 10 princípios do pacto global: “as
empresas devem apoiar e respeitar a proteção de direitos humanos reconhecidos
internacionalmente; garantia de que a empresa não participa da violação dos direitos
humanos; apoio a liberdade de associação e o reconhecimento à negociação coleti-
va; eliminação completa e absoluta do trabalho forçado ou compulsório; abolição do
trabalho infantil; eliminação da discriminação no trabalho; apoio preventivo aos desa-
fios ambientais; desenvolvimento de iniciativas para promover maior responsabilida-
de social; incentivo às tecnologias ambientalmente amigáveis; combate à corrupção
em todas as suas formas.” (PACTO GLOBAL, 2018)
Os relatórios ESG são conhecidos por muitos nomes, incluindo relatórios
com objetivos, relatórios de sustentabilidade, relatórios de responsabilidade social
corporativa e relatórios de riscos e oportunidades ESG. O fornecendo dessas infor-
mações pode aprimorar a reputação de uma empresa, enquanto reter informações
ESG pode prejudicar a avaliação de uma empresa, o acesso ao capital ou a reputa-
ção de sua marca no mercado.
13
Desenvolver um conjunto de informações relevantes e dados confiáveis so-
bre os aspectos ESG da organização aumenta a confiança de investidores,
consumidores e demais stakeholders nas empresas e mercados. Para que
isso aconteça, porém, é preciso que os relatórios ESG sejam transparentes,
acessíveis, baseados em dados de alta qualidade e desenvolvidos a partir
de processos confiáveis (ERNST YOUNG, 2021).
Em resumo, o relatório ESG é a divulgação de riscos e oportunidades re-
levantes relacionadas à meio ambiente, sociedade e governança, tanto de caráter
qualitativo quanto perspectiva quantitativa, incluindo a o detalhamento de como e
onde esses riscos e oportunidades ESG afetarão a estratégia de negócios da em-
presa. As mensagens ESG qualitativas devem reforçar a postura da empresa decla-
rando propósito, enquanto as métricas fornecem os fatos quantitativos que trazem
esse propósito para vida e ajudam as empresas a medir seu progresso em direção
às metas. As métricas ambientais, sociais e governamentais do ESG são amplamen-
te divulgadas e ajudam investidores a comparar empresas e indústrias, e se concen-
tram no estado atual das instituições e no caminho para atingir os objetivos de longo
prazo, que devem ser monitorados pelo conselho. (ERNST YOUNG, 2021)
À medida que o conselho e a liderança procuram melhorar o valor de lon-
go prazo da empresa em conjunto com as equipes de gestão, a necessidade de um
plano estratégico que aproveita as oportunidades de mercado e aborda os riscos
materiais é inerente, e é essa materialidade que serve como critério para decidir em
quais métricas focar e divulgar quando atingidas. Em sua função de supervisão, o
conselho é responsável por garantir que a estratégia da empresa seja apropriada e
fornecerá resultados, e supervisionar os riscos materiais associados. Alguns direto-
res podem não fazer a conexão imediata com as questões ESG ao considerar a es-
tratégia corporativa e pensar no componente ESG como um complemento, em vez
de uma necessidade, e essa pode ser a diferença no longo prazo entre criar ou des-
truir valores de uma empresa.
Diante da crescente regulamentação, muitos bancos passaram a ter mode-
los de negócios simplificados e concentraram-se cada vez mais nos princí-
pios básicos de ética e confiança do cliente. Grande parte dessa mudança
14
estratégica teve início na diretoria, demonstrando a ênfase dos investidores
em uma governança corporativa eficiente. A cultura bancária continua a ser
um dos principais itens das agendas das diretorias e o estabelecimento de
regimes de incentivos eficazes é cada vez mais visto como uma forma de
alinhar as atitudes de investidores profissionais e os comportamentos aos
interesses em longo prazo dos acionistas e da sociedade como um todo
(THE SUSTAINABILITY YEARBOOK, 2020).
Por exemplo, uma empresa de consumo pode olhar para embalagens susten-
táveis como uma oportunidade de responder às preocupações do consumidor, ou
uma empresa de manufatura pode enfatizar a segurança ou qualidade do produto
como parte de suas obrigações sociais, mesmo que sacrifique lucros de curto prazo.
1.2 – BASE TEÓRICA SOBRE ESG: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
O Banco Central (Bacen), principal órgão regulador das transações finan-
ceiras no Brasil, também está levando o ESG como uma agenda de extrema impor-
tância e relevância junto aos Ministérios da Agricultura e da Economia. Recentemen-
te o Bacen enviou à público a consulta pública 82/2021 com uma série de propostas
abordando as práticas de sustentabilidade das instituições financeiras brasileiras e
em setembro de 2021 publicou a resolução CMN n° 4.943 que dispõe sobre os ris-
cos e oportunidades de crédito e ambientais. Este parece ser um passo importante e
concreto na agenda do Banco Central para regularização de questões climáticas e
ambientais que ameaçam a sustentabilidade e continuidade das operações financei-
ras em um futuro não tão distante. (BANCO CENTRAL, 2021)
O presidente do Banco Central, Roberto C. Neto (2021), em entrevista ao
site Capital Reset, apontou as seguintes preocupações acerca do clima: “Ondas de
calor, geadas, secas e outros eventos têm afetado os preços de alimentos e energia,
com impactos significativos sobre a inflação brasileira. No longo prazo, esses cho-
ques podem ter efeitos duradouros: afetam a produtividade, o crescimento econômi-
co de longo prazo e a taxa de juros neutra.”. Como entende-se que o clima é agres-
sor direto do crescimento econômico do país e da estabilidade de preços, a nova
resolução visa regular a gestão de riscos e oportunidades ambientais, anteriormente
15
opcional, e a cessão de crédito rural para empresas com atividade focada no agro-
negócio. O Bacen obrigará bancos e demais instituições financeiras a realizar simu-
lações de estresse para entender os riscos ambientais de possíveis alterações cli-
máticas relacionadas à suas atividades e determinar de maneira mais direta do que
as regulações de 2014 as possíveis perdas com fatores socioambientais e climáti-
cos. No âmbito do agronegócio, a cessão de crédito para empresas rurais continuará
passando pelas mesmas etapas de aprovação já existente, mas o Banco Central
unificou todas as disposições e regulações em um único normativo facilitando o en-
tendimento dos envolvidos, e automatizando o sistema Sicor (Sistema de Operações
de Crédito Rural) para maior identificação de irregularidades que passem desaper-
cebidas pelos credores.
De acordo com o diretor de regulação do Bacen, Damasso (2021), um
dos principais objetivos destas resoluções é aprimorar os controles e informações
sobre mudanças climáticas e se tornar uma segunda linha de defesa para eventuais
operações: “As instituições financeiras já têm que observar isso, mas, se por algum
motivo passar, o próprio sistema vai reconhecer o risco, alertar os bancos e em al-
guns casos impedir mesmo a operação”. Como os bancos e instituições financeiras
precisarão repassar as informações auditadas ao Bacen, acredita-se que um “efeito
cascata” pode ser iniciado com a solicitação das mesmas informações demandadas
dos bancos aos parceiros e fornecedores dos próprios bancos, espalhando as me-
lhores práticas e obrigações por outros setores da economia nacional que não so-
mente a financeira.
No Brasil, o debate no âmbito dos órgãos reguladores vem ganhando ca-
da vez mais relevância, o que é muito positivo para o mercado. O B3 participa ati-
vamente com reguladores e demais atores do mercado nas discussões pertinentes
ao avanço da agenda ESG no país por meio do Laboratório de Inovação Financeira
(LAB) da CVM. Em 2020, como coordenador do subgrupo transparência do LAB, a
B3 revisou a Instrução CVM nº 480/2009, em consulta pública, com o objetivo de
aprimorar a prestação de informações relacionadas a questões ESG para atender à
crescente demanda dos investidores pelo tema e introduzir alterações nos itens do
Formulário de Referência de forma a reduzir os custos de conformidade regulatória.
A revisão foi submetida a audiência pública no primeiro trimestre de 2021, e o ins-
trumento normativo passará por alterações até 2022. (BERWANGER, 2021)
16
Na base teórica com o tema “ESG”, temos alguns autores críticos como C.
Hope, S. J. Fowler, Aswath Damodaran e Bradford Cornell, entre outros. Os pontos
principais que os críticos apontam são: falta de congruência entre a métricas e o pe-
so de cada uma delas; conflito de interesse entre agências reguladoras e instituições
financeiras; aumento no orçamento das empresas para o custo adicional que o con-
ceito ESG traz, variação das classificações entre indústrias e; falta de clareza e con-
senso, pois medidas como impacto social, ambiental e de governança são qualitati-
vas.
A relação de risco e retorno das carteiras ESG em comparação as demais
carteiras nos países desenvolvidos e nos países emergentes selecionados para aná-
lise. Assim, embora de relevância fundamental dentro de Socially Responsible Inves-
timent (SRI), as medidas ESG realmente têm uma importância significativa para a
avaliação de negócios e a tomada de decisões de investimento, especialmente no
contexto de desempenho em longo prazo e avaliação de risco. Neste sentido, os
investimentos em empresas ESG apresentam desempenho financeiro no longo pra-
zo superior às demais, tanto para países emergentes quanto para os desenvolvidos,
com a exceção dos Estados Unidos da América. O resultado pode ser justificado por
conta que as empresas ESG. (DERWALL, J., 2017). O retorno superior nos países
emergentes pode ser justificado tanto por uma menor eficiência de mercado quanto
pela importância que as empresas ESG representam para economia ao prover de
forma consistente necessidades de infraestrutura, saúde, educação entre outros."
(FERNANDES; LINHARES, 2018)
De acordo com FOWLER e HOPE, a academia é carente de trabalhos
que testam as questões ESG no longo prazo, até o momento foram poucos os traba-
lhos acadêmicos que realizaram conclusões relevantes sobre o desempenho dos
índices de ESG, dado que o tema é relativamente novo e que os estudos de curto
prazo não podem concretizar que irão se manter, o motivo a qual levou ao autor a
estudar mais sobre o tema. Provavelmente, conforme o avanço da atuação das em-
presas e o aumento da disseminação das informações relatórios emitidos pelas em-
presas será possível auferir conclusões com maior assertividade.
17
Em ambos os casos, a maioria dos estudos concluiu que os retornos dos
veículos de investimento socialmente responsáveis tiveram um desempe-
nho inferior ou não superou os índices de mercado comparáveis. Embora o
impacto dos índices sustentáveis até o momento tenha sido limitado, o re-
cente lançamento de índices sustentáveis pela Dow Jones e FTSE sugere
que mais atenção está sendo dada ao assunto por mercados financeiros,
investidores e empresas (FOWLER E HOPE, 2007).
No cenário atual, o avanço das empresas brasileiras na agenda ESG po-
derá colocar o Brasil afrente de suas empresas, principalmente as empresas expor-
tadoras, que é uma grande atividade no país, desta forma auxiliando na colaboração
de um comercio internacional mais verde e com governança socioambiental, por
meio de uma relação de benefício a todo o planeta. Quando do momento em que
diversos países se conscientizarem para tratar as questões ESG como seus princí-
pios, se conquista uma construção econômica e proteção ambiental, promovendo
um crescimento próspero. Essas atitudes podem levar anos para se consolidarem e
enfim diversificar suas cadeias de suprimentos e muitas vezes elas não podem ser
alteradas rapidamente devido ao seu modelo de negócio. No entanto, existem ações
simples que podem ser tomadas agora para começar a se mover na direção certa.
(DENNY, BURNQUIST, PENELUPPI e BULLA, 2021)
Do ponto de vista da interação entre China e Brasil, a sustentabilidade as-
sume características peculiares. Em termos de comércio exterior, ambos
têm enfrentado novas barreiras ao acesso a mercados, justificadas por
questões sociais e ambientais. A busca por produzir mais com menos, es-
pecialmente em termos de biomassa para fomentar bioeconomia (energia,
fibras, ração e comida produzidos de forma sustentável) tem sido importante
para ambos os países. Ao desenvolver o agronegócio, essa finalidade se
exemplifica tanto com o objetivo de aumentar a exportação obedecendo os
preceitos do Código Florestal, no caso brasileiro, quanto para aumentar a
produção local por razões de segurança alimentar, no caso chinês (DENNY,
BURNQUIST, PENELUPPI, BULLA, 2021).
18
No artigo “Valuing ESG: Doing Good or Sounding Good?” onde foi cons-
truído uma estrutura para valor que permitiu examinar como ser socialmente respon-
sável pode se manifestar nos ingredientes tangíveis de valor de uma companhia e
analisar as evidências se essa dinâmica está criando riqueza para empresas e in-
vestidores, autor se posiciona de forma muito cética em relação a interação entre
ESG e os critérios para investimento e valor, sinalizando dois pontos que atualmente
são um desafio para as métricas ESG.
The first is that much of social impact is qualitative and developing a numeri-
cal value for that impact is difficult to do. The second is even trickier, which is
that there is little consensus on what social impacts to measure, and the
weights to assign to them (DAMODARAN, 2020).
Ainda, acrescenta:
If your counter is that there are multiple services now that measure ESG at
companies, you are right, but the lack of clarity and consensus results in the
companies being ranked very differently by different services
(DAMODARAM, 2020).
O autor assume que existem diversos serviços que mensuram ESG nas
empresas, porém, a falta de clareza e consenso acaba resultando em empresas
sendo classificadas de forma muito diferente por diferentes serviços, pois medidas
como impacto social são qualitativas e desenvolver uma abordagem numérica se
torna muito difícil. Adicionalmente, não há congruência entre as métricas que devem
ser utilizadas para mensuração e o peso de deve ser dado a cada uma delas. O au-
tor resume suas considerações nas seguintes pontuações:
The evidence that socially responsible firms have lower discount rates, and
thereby investors have lower expected returns, is stronger than the evidence
that socially responsible firms deliver higher profits or growth. There are
clearly firms that benefit from being socially responsible, but there are just as
clearly firms where being socially responsible creates costs with no offsetting
benefits. Telling firms that being socially responsible will deliver higher
19
growth, profits and value is false advertising. In addition, many of the firms
that promote ESG are successful for other reasons. (DAMODARAN, 2020).
Em diversos círculos o ESG está sendo classificado não somente benéfi-
co para a sociedade como também para as empresas e investidores. Entretanto, na
visão do autor a moda ESG ultrapassou a realidade de ambos, do que se trata e o
que ele pode entregar. O potencial de ganhar dinheiro com ESG tem atraído a aten-
ção de grupos de interesse como, por exemplo, consultores e gestores de investi-
mento que se tornaram evangelistas do conceito baseados em pesquisas ambíguas
e inconclusivas quando não inconsistentes.
O artigo “ESG Rating Disagreement and Stock Returns” onde foi realizado
uma pesquisa usando as notas de ESG fornecidas por sete empresas diferentes en-
tre 2010 e 2017. Foi analisada a relação entre discordâncias nas notas dentro do
ESG e o retorno das ações e evidenciou uma correlação com empresas que estão
em desacordo com as classificações ESG, sugerindo um prêmio de risco para essas
empresas.
Os autores também sinalizaram a falta de consenso entre os serviços de
certificações nas agências. Um grande exemplo é a montadora de carros elétricos
Tesla. MSCI a ranqueia como uma excelente empresa e com a indústria alinhada
aos critérios ESG de sustentabilidade, enquanto a FTSE ranqueia a Tesla como a
pior produtora global de carros, Sustainalytics a classifica em meio termo. Além da
falta de consenso o estudo também dá um passo à frente em relação a um melhor
entendido do conceito ESG e as reais consequências de as empresas estarem em
desacordo com as métricas. Mais especificamente encontraram que os retornos das
ações estão positivamente relacionados com desacordo aos critérios.
Em termos práticos Rajna Gibson Brandon, Philipp Krueger e Peter S. Schmidt fa-
zem a seguinte pontuação.
Our results have important practical consequences. First, our analysis shows
that financial analysts who value the equity of firms should incorporate the
effects of ESG rating disagreement and adjust their equity cost of capital es-
20
timates upwards. Second, CFOs deciding about the allocation of capital ex-
penditures should also consider ESG rating disagreement in their capital
budgeting decisions as it raises the investment threshold for firms subject to
high total (and environmental) rating disagreement. Thirdly, our evidence
that ESG rating disagreement varies across industries is also an important
insight for financial analysts, who often focus on specific industries
(BRANDON, KRUEGER E SCHMIDT, 2021).
Os autores enfatizam três importantes considerações, sendo elas, a ne-
cessidade de os analistas incorporarem os efeitos da discordância com os critérios
ESG e ajustar o custo de capital próprio das empresas para maiores estimativas.
Ademais, os gestores das empresas vão precisar considerar um aumento em seus
orçamentos para o custo adicional que o conceito ESG traz. Por último, há também
a consideração da variação das classificações entre indústrias.
O artigo “Environmental, Social, and Governance Disclosure, Ownership
Structure and Cost of Capital: Evidence from the UAE” apresenta um estudo dos po-
tenciais impactos da adesão ao conceito ESG no custo de capital de das empresas
listadas no mercado financeiro de Dubai durante o período de 2010-2019. a decisão
da estrutura de capital da empresa faz parte das decisões financeiras mais vitais das
corporações, que consiste em determinar a combinação ideal entre recursos de ter-
ceiros e próprios para seu financiamento. Os dados evidenciam uma tendência das
diferentes companhias em publicações não financeiras. Além disso, as publicações
ambientais e de governança ajudam na estruturação da empresa, decorrente da
transparência e confiança transmitidas ao mercado.
Este artigo demonstra o forte papel desempenhado pelas publicações
ESG e estrutura societária na redução do custo de capital para as companhias. Es-
ses resultados ajudariam as empresas a implementarem as melhores práticas de
publicações não financeiras e regulamentação dos mecanismos de governança cor-
porativa, os autores finalizam os estudos com as seguintes considerações.
The empirical results reveal that the non-financial disclosure reduces the
overall cost of capital as well the cost of equity and the cost of debt, sepa-
rately. The compliance of the corporation with the best practices of the ESG
21
disclosure and the consideration of the environmental, social, and govern-
ance dimensions in the annual reports indicate the assurance of the compa-
nies in improving their transparency, reducing the information asymmetry, as
well as decreasing the cost of their capital. This result suggests that the
stockholders and creditors are not only concerned about the financial re-
ports, but also the non-financial information including the environmental, so-
cial, and corporate governance matters (ELLILI, 2020).
Neste parágrafo Daoud Ellili (2020), demonstra que, as publicações ESG
não só contribuem para o aumento da transparência e conformidade como também
uma redução do custo total de capital sendo ele recursos de terceiros ou recursos
dos sócios separadamente. A adesão das empresas as publicações indicam uma
maior segurança e comprometimento da companhia em eliminar as assimetrias de
informações.
Os índices que integram dados ambientais, sociais e de governança
(ESG) estão se movendo das margens para o pensamento natural das pessoas, à
medida que os investidores procuram alinhar seus valores aos seus investimentos.
Neste sentido, o Índice S&P/B3 Brasil ESG procura proporcionar aos investidores a
exposição ao mercado de ações de empresas brasileiras de melhores classificações
ESG, cujo código de negociação é o SPBRESBP nos Estados Unidos e ESGB11 no
Brasil Trata-se de um índice amplo que procura medir a performance de títulos que
cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG das
agências avaliadoras S&P DJSI ESG Score e Sustainalytics Score. Este índice retira
as ações embasando em nas atividades da empresa (fabricantes de armas e fumo),
em sua performance em comparação com o Pacto Global estabelecido pela ONU e
de acordo com as empresas sem pontuação ESG da S&P DJI. A carteira do Índice
S&P/B3 Brasil ESG é composta por 89 empresas, 96 ações e 11 setores, que repre-
sentam R $ 3,3 trilhões em valor de mercado. A Composição majoritária do índice
está em 20% Bancos, 17% Consumo, 13% Elétricas e 11% Energia. Abaixo as em-
presas que possuem maiores pesos percentuais no índice.
22
Tabela 3: Top 20 empresas do Índice S&P/B3 Brasil ESG.
APLICAÇÕES TICKER ESPÉCIE PERCENTUAL NO ÍNDICE
S&P/B3 Brasil ESG
Itausa Investimentos Itaú S.A. ITSA4 PN 6,70%
Banco do Brasil S.A. BBSA3 ON 6,50%
Embraer S.A. EMBR3 ON 5,60%
Natura&Co Holding S.A. NTCO3 ON 5,50%
Cielo S.A. CIEL3 ON 5,00%
Itaú Unibanco Holding S.A. ITUB3 PN 5,00%
Cia Energética de Minas Gerais CMIG4 PN 3,80%
Weg S.A. WEGE3 ON 3,40%
TIM S.A. TIMS3 ON 3,20%
Klabin S.A. KLBN11 Unit 2,90%
B3 S.A. Brasil Bolsa Balcão B3SA3 ON 2,70%
MRV Engenharia e Participações MRVE3 ON 2,20%
Rumo S.A. RUMO3 ON 2,20%
Localiza Rent A Car S.A. RENT3 ON 2,00%
Ultrapar Participações S.A. UGPA3 ON 2,00%
SUL AMERICA S.A. SULA11 Unit 1,80%
Braskem S.A. BRKM5 PNA 1,70%
Ecorodovias Infra. e Logística ECOR3 ON 1,60%
Banco Santander (Brasil) S.A. SANB11 Unit 1,60%
Fonte: Índice S&P/B3 Brasil ESG.
Ele premia as empresas com melhores notas ESG atribuindo a elas pesos
maiores, mas não exclui as ações que tenham notas ESG mais baixas, cri-
ando um incentivo para que as empresas adotem melhores políticas e práti-
cas de sustentabilidade e aumentem seu peso no Índice ao longo do tempo.
Ele é abrangente e bastante representativo do mercado - com uma carteira
inicial de 96 ações - criando oportunidade para empresas de médio porte se
tornarem relevantes no Índice, respeitando critérios de liquidez (BTG
PACTUAL, 2021).
A metodologia do índice em documento emitindo pela S&P Dow Jones In-
dices, utiliza uma abordagem baseada em regras para definir componentes elegíveis
23
e um processo de ponderação dos componentes baseado no desempenho ESG das
companhias segundo a Avaliação de Sustentabilidade Corporativa (CSA) da SAM. A
pontuação ESG de uma companhia pode ser calculada a partir dos dados recebidos
diretamente quando uma companhia preenche a avaliação completa (junto com os
documentos de apoio), ou, em falta dela, a partir das informações disponíveis publi-
camente. (S&P DOW JONES INDICES, 2019).
Figura 1: Metodologia de Avaliação de Sustentabilidade Corporativa (CSA) da
SAM
Conforme definido na documentação metodologia do Índice S&P/B3 Brasil
ESG disponibilizado pela S&P Dow Jones Indices: “A pontuação ESG total de uma
empresa é à média ponderada de todas as pontuações de critérios e seus pesos
respectivos. A pontuação de cada dimensão ESG (por exemplo, a pontuação “E” de
uma companhia) corresponde à média ponderada de todas as pontuações de crité-
rios e pesos dentro de uma dimensão ESG específica. As pontuações ESG totais
vão de 0 até 100, valor que representa o melhor desempenho.”. Desta forma, pelo
índice se basear em questões ponderadas se torna mais assertiva uma vez que
classifica uma determinada empresa pelas questões mais importantes do ESG.
24
CAPÍTULO 2 – ANÁLISE QUANTO AO ESG APLICADO PELAS EMPRESAS
Neste capítulo será aplicado a avalição das ações referente a questões ESG
realizadas pelas empresas Lojas Renner S.A., Natura&Co Holdings S.A. e Weg S.A.,
os indicadores que serão verificados de maneira qualitativas as questões ambientes,
sociais e de governança realizadas pelas empresas. O modelo ESG define que para
uma empresa ser considerada aderente as normas ESG, ela precisará estar alinha-
da com as questões ambientes, sociais e de governança, de acordo com John
Elkington (2014):
1. Proteger os recursos naturais por ela consumido ou gerado;
2. Realizar a diminuição da emissão de CO2;
3. Possuir uma gestão eficiente das matérias primas utilizadas; e
4. Ter práticas sustentáveis do manejo do lixo gerado visando diminuição do
descarte.
2. Promoção da inclusão e diversidade dos funcionários;
3. Melhora das condições do trabalho;
4. Rever suas parceiras de modo a não se relacionar com empresas e práticas
análogas à escravidão e a exploração do trabalho infantil; e
5. Cuidar da segurança e saúde de seus funcionários.
Para as questões de governança a empresa precisará:
1. Possuir a independência do conselho;
2. Ter transparência das informações;
3. Possuir a remuneração dos executivos de forma racional e sustentável;
4. Diversidade no conselho; e
5. Não se envolver em corrupção, escândalos e suborno.
A fim de demostrar as percepções de desempenho das empresas que se
encontram presentes no ESG, foram selecionadas as empresas LOJAS RENNER
S.A., NATURA & CO HOLDINGS S.A. e WEG S.A., selecionadas entre as de maio-
25
res destaques listadas na bolsa de valores brasileira e que possuem maior peso no
índice S&P/B3 Brasil ESG.
Tabela 4: Informação sobre as empresas analisadas.
EMPRESA SETOR FUNCIO-
WEG Equipamentos
Elétricos 31.800 137 bi 9º
Importante ressaltar que o índice S&P/B3 não divide a classificação das
empresas de acordo com cada uma das letras, o que não possibilita a análise con-
solidada dividida entre ambiental, social e governamental. Para esta análise, foram
identificadas as principais ações necessárias para aderência aos pré-requisitos do
ESG e a busca individualizada das realizações de cada uma das empresas estuda-
das.
2.1 – QUESTÕES METODOLÓGICAS
A metodologia adotada foi verificar de forma qualitativa o impacto gerado
em empresas aderentes ao ESG, demonstrando os resultados obtidos no longo pra-
zo, além de elencar o valor agregado gerado pela aplicabilidade das práticas pelas
empresas, com o apoio do Índice S&P/B3 Brasil ESG, código de negociação
SPBRESBP nos Estados Unidos e ESGB11 no Brasil, administrado e gerido pelo
BTG Pactual Asset Management, que mede a performance de títulos que cumprem
critérios de sustentabilidade, ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI.
2.2 – LOJAS RENNER S.A. – QUESTÕES AMBIENTAIS
Em 2008 a empresa começa a ter ações voltados ao ESG mesmo em um
cenário onde não se via sustentabilidade como meta para muitas empresas, imple-
26
mentando o Comitê de Sustentabilidade e a criação do Instituto Lojas Renner. Em
2013 passa a considerar a Sustentabilidade como valor corporativo para a compa-
nhia. Em 2016 a empresa elabora diretrizes estratégicas de moda responsável, con-
templando 100% das emissões neutralizadas e logística reversa vestuário. Em 2020,
a Renner utilizou o ESG atrelado à remuneração dos executivos, afirmando desta
forma a todos os colaboradores e acionistas o seu compromisso com as questões
ESG. (RELATÓRIO ANUAL SUSTENTABILIDADE - RENNER, 2020)
O setor de varejo de vestuário tem como matéria-prima para a produção
de seus produtos o algodão e do couro. Que são materiais associados a impactos
ambientais de alto consumo de água e potencial desmatamento. Neste sentido, a
Renner possui produtos e serviços sustentáveis, contendo em suas principais inicia-
tivas a jornada de transição para economia circular, criando o “Selo Re” que trata de
peças de roupa e acessórios feitas com matérias primas e processos menos impac-
tantes como algodão certificado, reciclado, agroecológico ou orgânico, viscose certi-
ficada, jeans desfibrado, poliamida biodegradável, poliéster reciclado, entre outros. E
conta com o Coletor ECOESTILO que por meio do serviço de logística reserva ofe-
rece o recolhimento e destinação correta de roupas em desuso e frascos e perfuma-
ria, que são destinadas para aterro, reciclagem, por meio do processo de desfibra-
rem, ou ainda para reutilização ou doação, esses programas que já alcançou 54 to-
neladas de embalagens coletadas e 2,4 toneladas de roupas reunidas. De acordo
com o relatório anual de sustentabilidade de 2020, publicado pela Renner, estes fo-
ram os principais resultados relacionados às questões ambientes:
1. Aumento de 80% em produtos menos impactantes, sendo 100% de algodão
certificado;
2. 100% da cadeia de revenda com certificação socioambiental;
3. 75% do consumo de energia corporativo será de fontes de energia renováveis
de baixo impacto, como PCHs, solar, eólica e biomassa; e
4. 20% da redução das emissões absolutas de CO2 frente ao inventário de
2017.
Conforme Eduardo Ferlauto, gerente geral de sustentabilidade da Renner, em
entrevista à XP Investimentos, afirma que: “Chegamos a um total de 130 milhões de
peças com alguma matéria-prima menos impactante, 75 milhões delas em 2020”.
27
Em 2020, o consumo de energia provenientes de fontes renováveis chegou a ser de
65% do total utilizado. Quanto as emissões de CO2 forma reduzidas em 36,75%,
impulsionada pela mudança no padrão energético da empresa.
2.3 – LOJAS RENNER S.A. – QUESTÕES SOCIAIS
Em destaque estão as ações realizadas durante a pandemia do COVID-
19, contemplando a atenção aos fornecedores em um momento com as lojas fecha-
das, firmando o compromisso de manter o faturamento dessas empresas que em
sua maioria são de médio porte com quantidade elevada de funcionários. Ainda, rea-
lizou a arrecadação de mais de R$20 milhões destinados aos projetos relacionados
as questões sociais e ao empoderamento de mais de 20 mil mulheres, doando cerca
de R$5 milhões destinados a hospitais, secretarias de saúde e assistências sociais e
com a confecção e distribuição de EPIs hospitalares, doação de cestas básicas e
máscaras. (RELATÓRIO ANUAL DE SUSTENTABILIDADE - RENNER, 2020)
2.4 – LOJAS RENNER S.A. – QUESTÕES DE GOVERNANÇA
A governança corporativa da Renner, considerada vetor do ESG, une e
intensifica as questões ambientais, sociais e de transparência em geral, como as-
suntos relacionados à suas políticas internas e de mercado, cultura dos colaborado-
res, diretoria, fornecedores e consumidores. A empresa possui cerca de 128,400
acionistas, divididos em cerda de 1.000 estrangeiros, 125,300 pessoas físicas e
2,100 pessoa jurídicas. Em julho de 2005 a Lojas Renner valia R$ 900 milhões e em
dezembro de 2020 cerca de R$ 34,5 bi, distribuindo, no período, R$ 3,3 bi em divi-
dendos. De acordo com o relatório anual de sustentabilidade de 2020, publicado pe-
la Renner, estes foram os principais resultados relacionados às questões de gover-
nança:
1. O conselho de Administração experiente e atuando conta com 8 membros,
sendo 7 independentes (88%), sendo 25% mulheres.
28
2. Ocorre 4 comitês de assessoramento: Comitê de Pessoas, Comitê de Sus-
tentabilidade, Comitê de Auditoria e Gestão de Riscos e Comitê estratégi-
co.
3. Adesão ao Woman on Board (WOB), permanência média no cargo de 7
anos e com a remuneração da Diretoria ligada à fatores ESG em sua avali-
ação.
2.5 – NATURA &CO HOLDING S.A. – QUESTÕES AMBIENTAIS
A Natura desde 2007 se tornou 100% carbono neutro, desde o impacto da
extração dos ingredientes, passando pelo descarte, considerando também as via-
gens e atividades das fábricas. O foco da empresa é reduzir as emissões diretas e
indiretas em toda sua cadeia e, para as emissões que não podem ser evitadas, há
compensação com a compra de créditos de carbono de projetos que geram benefí-
cios sociais e ambientais. Desta foram já foram reduzidas cerca de 908 mil tonela-
das de CO2, que é o equivalente à poluição gerada em 156 mil voltas de carro na
Terra.
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Natura visam melhorar
seu desempenho por meio do desenvolvimento de uma 'Visão de Desenvolvimento
Sustentável 2050', que visa reduzir as emissões públicas. A empresa, com base nos
"Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2050", inevitavelmente pagará por suas
emissões de gases de efeito estufa com a compra de créditos de carbono e continu-
ará na busca de novas tecnologias e tipos que ajudem a reduzir as emissões. Tam-
bém existe a preocupação de reduzir o desperdício em toda a linha de produtos,
com a Natura. Em 2015, a Natura tentou novamente reduzir o impacto ambiental, ao
invés de fazer seu próprio perfume, para produzir melhor leite e vegetais, passou a
usar álcool natural, substituindo assim a origem fóssil por fontes renováveis, que
contém cerca 83% de suas fontes assim definidas. Com base no relatório anual de
sustentabilidade de 2020, publicado pela Natura, as ações ambientais abaixo:
1. A empresa utiliza apenas os ingredientes que são considerados seguros
pela ciência internacional; e
riscos ambientais ou à saúde humana;
2.6 – NATURA &CO HOLDING S.A. – QUESTÕES SOCIAIS
Para as questões sociais, há grandes ações relacionadas à diversidade,
somadas ao modelo da empresa em ter diversos revendedores, impactando milha-
res de pessoas e família e a sólida gestão do fluxo de fornecedores para proporcio-
nar alta qualidade em seus produtos. Contando com uma rede de mais de 8 milhões
de consultoras distribuídos por todo o mundo, em especial na américa latina, poten-
cializando financeiramente a sociedade e criando uma rede social entre os colabo-
radores que se auxiliam nas vendas e na divisão de estoque. A Natura realiza o mo-
nitoramento do IDH de suas consultoras desde 2014 e os resultados obtidos pela
empresa é que há mudanças consideráveis que podem melhorar na vida profissional
e pessoal das representantes, impulsionado pelo Natura Pay que trouxe as consulto-
ras a redução da baixa bancarização. Ainda, contemplou-as com convênio em medi-
camentos e consultas para a sua rede e seus familiares. As principais ações relacio-
nadas as questões sociais realizadas pela Natura foram: (RELATÓRIO ANUAL DE
SUSTENTABILIDADE – NATURA, 2020)
1. Com o propósito de garantir a segurança foi desenvolvido a tecnologia Pele
3D onde são realizados os testes, não havendo mais o uso de testes em
animais; e
2. Durante o período da pandemia do COVID-19, os líderes seniores da em-
presa se comprometeram a doar 20% de seus salários durante os primei-
ros meses críticos da crise.
2.7 – NATURA &CO HOLDING S.A. - QUESTÕES DE GOVERNANÇA
Atualmente a remuneração da diretoria e colaboradores diretos é parte fi-
xa e a outra variável atrelada a metas individuais e da companhia. Além disso, toda
a alta liderança tem metas ligadas às iniciativas ESG. A Natura percorre o caminho
de aumento da sua representatividade no seu quadro de colaboradores, diretores e
conselheiros. As metas definidas até 2030 é de aumento a diversidade na compa-
30
nhia. Um dos pontos negativos na governa é a ausência do comitê independente de
remuneração, de acordo com o publicado no relatório anual de sustentabilidade da
companhia.
1. Possui 70% de seus conselheiros de maneira independente;
2. Aproximadamente 32% de mulheres nas posições de diretoria;
3. Em 2020 foi consolidado o Comitê de Ecodesign composto por colaborado-
res das áreas de design, meio ambiente, desenvolvimento de embalagens,
experiência do consumidor e sustentabilidade, com reuniões quinzenais
2.8 – WEG S.A. – QUESTÕES AMBIENTAIS
A WEG está continuamente em processos que reduzam impactos ambi-
entais, pautando as atividades em medidas preventivas de proteção ao meio ambi-
ente, como por exemplo na conservação de recursos naturais e gestão da geração
de emissões e resíduos, no investimento em tecnologias e em melhorias constantes
de processos, através do estabelecimento de objetivos e metas ambientais. Como
relatado no relatório anual de sustentabilidade da empresa.
1. Tem como política assegurar o menor grau de impacto ambiental de seus
produtos e processos produtivos, buscando:
2. Melhoria contínua através do estabelecimento de objetivos e metas ambi-
entais;
3. Atuar de forma preventiva, visando à proteção do meio ambiente no qual
está inserido; e
5. Apostar nas principais tendências relacionadas com as energias renová-
veis, eficiência energética, eletricidade gerada a partir da incineração de
resíduos, mobilidade elétrica e Indústria 4.0.
2.9 – WEG S.A. – QUESTÕES SOCIAIS
As questões sociais da WEG são de grande importância, apesar de seus
clientes diretos serem as indústrias, que por sua parte observam mais a qualidade e
31
preço dos produtos, há diversos programas dentro da empresa para que seja um
destaque positivo frente a suas concorrentes, ligadas principalmente a gestão da
mão de obra e saúde e segurança. Por ser uma empresa de bens de capital há uma
grande dependência da uma força de trabalho relativamente grande, desta forma, há
planos de benefícios com o objetivo de melhorar à gestão do trabalho que são fun-
damentais. Conforme descrito no relatório anual de sustentabilidade da WEG.
1. A companhia realiza em projetos de saúde, educação, cultura e inclusão
social. Desta forma os investimentos cooperaram ao desenvolvimento das
comunidades em que são mantidas as operações.
2. A empresa possui em Santa Catarina um centro de treinamento aos jovens
a partir de 16 anos e todos os formados no treinamento recebem a oportu-
nidade de trabalhar na empresa, neste modelo a empresa empregou mais
de 4 mil pessoas.
2.10 – WEG S.A.- QUESTÕES DE GOVERNANÇA
Assim como foi mencionado nas outras duas análises (Lojas Renner e
Natura) a governança corporativa é fundamental as empresas, independentemente
do seu tamanho e setor de atuação. As boas práticas de governança corporativa
apoiam as questões de sustentabilidade e social, tanto no curto quanto no longo
prazo de uma companhia, trazendo o equilíbrio entre os interesses econômicos e
sociais das partes relacionadas, o que não difere no caso WEG.S.A. de bens de ca-
pital. Está presente no Novo Mercado da B3, o que traz maiores informações aos
seus acionistas quanto aos dados da empresa e esclarece de maneira mais transpa-
rente as evoluções e desafios que a empresa vem a passar. Por se tratar de uma
empresa com relacionamento global, ela segue as melhores práticas internacionais
de governança corporativa. (RELATÓRIO ANUAL DE SUSTENTABILIDADE DA
WEG, 2020)
ENVIRONMENTAL SOCIAL GOVERNANCE
RENNER
- Redução de 20% em emissão de CO2. - 100% da cadeia de re- venda com certificação socioambiental
- 100% da cadeia de re- venda com certificação socioambiental. - 20MM destinados a pro- jetos sociais.
- Adesão ao Woman on Board (WOB). - Diversidade de pessoas na gestão.
WEG
- Processos e produtos ecoeficiente, preservando os recursos naturais. - Menor emissão de CO2 do segmento. - 40% da sua mata de área preservada.
- Projetos de saúde, edu- cação, cultura e inclusão social - Programa de profissiona- lização para jovens.
- Comprometida com prin- cípios de transparência, equidade e prestação de contas aos acionistas. - Presente no novo mer- cado B3
NATURA
- Redução da emissão de CO2 - Substituição dos ingredi- entes para não agresso- res ao meio ambiente ou à saúde humana.
- Busca paridade de gêne- ro e igualdade salarial. - Contra testes em ani- mais.
- 48% do conselho com- posto por mulheres. - Metas ESG na alta lide- rança.
Fonte: Relatórios Anual de Sustentabilidade das empresas Renner, Weg e Natura
De acordo com as ações apresentadas pelas empresas em seus relatórios de
sustentabilidade, elas seguem as medidas previstas pelo Pacto Global da ONU. As
questões de redução de 20% em emissão de CO2, 20 milhões destinados a projetos
sociais e diversidade de pessoas na gestão da Renner; 40% da mata de área reser-
vada, programa de profissionalização para jovens, comprometimento com princípios
de transparência da Natura e; redução da emissão de CO2, contrariedade aos testes
em animais, 48% do conselho composto por mulheres na WEG, afirmam sua classi-
ficação ESG, além de sua posição relevante no Índice S&P/B3 Brasil ESG.
3 - CONCLUSÃO
O estudo desse trabalho analisou o impacto do conceito ESG no desempenho
das empresas com uma ótica para a dinâmica de valor agregado. O conceito de
ESG foi desmembrado, para que pudesse ser compreendido profundamente, além
de considerar autores favoráveis e críticos destas práticas ambientais, sociais e de
governança, e seus argumentos provenientes de seus estudos.
33
Com base nisso, foi analisado o desempenho financeiro-econômico das em-
presas juntamente a mensuração de seu valor de capitalização, através do método
de pesquisas documentais, considerando a realização do tratamento analítico de
documentos de fonte primária publicados pelas empresas analisadas, assim como a
contextualização social, ambiental e econômica do grupo de empresas abordadas,
de forma qualitativa.
QUESTÕES ESG RENNER NATURA WEG
A M
B IE
N T
A L
Realizar a diminuição da
S O
C IA
sidade dos funcionários. Sim Sim Não
G O
V E
R N
A N
Ç A
Remuneração dos executivos
racional e sustentável. Sim Sim Sim
Fonte: Relatórios Anual de Sustentabilidade das empresas Renner, Weg e Natura
No quadro acima estão os resultados coletados dos relatórios de sustentabili-
dade emitidos pelas empresas estudadas nesta pesquisa. Os resultados observados
não permitem concluir que a aderência aos conceitos ESG por parte das companhi-
as se traduz em um melhor desempenho financeiro-econômico ou em uma maior
capitalização. Dessa forma, embora o conceito tenha grande impacto na sociedade
e nos mercados, não é possível estabelecer uma relação de causalidade entre a
adoção dos conceitos e a melhora nos resultados.
34
Apesar da correlação, há diversas razões que podem explicar a tendência dos
números. Entre elas, um aumento no mercado dessas empesas, um ganho de pro-
dutividade oriundo da compra de novas tecnologias ou variáveis macroeconômicas
como o aumento de crédito na praça. Outra possível justificativa é o fato de que o
conceito ESG passou a receber maior atenção no mercado brasileiro apenas nos
últimos anos, sendo ainda um ponto de assimetria de informação.
Desse modo, esse trabalho espera ter agregado para o debate e análises do
tema. É um assunto amplo e cria profusas ocasiões para estudo futuro. Como su-
gestão, propõem-se analisar se as empresas brasileiras aderentes aos conceitos
ESG encontram maior incomplexidade para a tomada de linhas de crédito, signifi-
cando uma maior vantagem competitiva.
35
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