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Judas Tadeu

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Text of Judas Tadeu

  • Rio de Janeiro 2014

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  • Rio de Janeiro 2014

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  • sumrio

    Introduo6

    SimoRIES

    43

    Judas TadeuTOURO

    75

    MateusGMEOS

    117

    FilipeCNCER

    157

    Tiago MenorLEO

    201

    TomVIRGEM

    259

    JooLIBR A

    305

    Judas IscariotesESCOR PIO

    359

    PedroSAGITRIO

    429

    AndrCAPRICRNIO

    485

    Tiago MaiorAQURIO

    541

    BartolomeuPEIXES

    591

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  • INTRODUO

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    Este livro iria originalmente falar de mais assuntos, comentando a astrologia presente tambm na obra de Botticelli. Durante a confeco, a interpretao de A ltima Ceia foi se tornando extensa e insinuando merecer, por si s, um livro. Vale ento contar como tomei contato com sua interpretao.

    Em 1975 eu fazia yoga em uma academia de Copacabana onde s quartas-feiras tnhamos um encontro filosfico com seu dono, o prof. Vayuananda. Costumvamos ficar embeve-cidos com as histrias que ele to bem contava sobre mestres de yoga, meditao e sobre a ndia. ramos um pouco mais de uma centena de alunos fiis a esses encontros, nunca interrom-pidos depois de comeados. Todos chegavam cedo por respeito importncia do evento. Numa determinada quarta-feira, est-vamos em momento de mergulho espiritual quando algum bateu porta e, como a batida fosse decidida e diferente do usual, Vayuananda pediu assistente que abrisse a porta. Ao que entrou uma senhora de cabelos brancos, de cerca de setenta anos de idade, com um passo vacilante e olhos brilhantes e vivazes.

    Vayuananda nesse dia agiu de maneira indita. Nos meus nove anos de academia foi o nico dia em que me lembro de cena parecida. Ele se levantou do lugar onde estava com os olhos marejados e visivelmente emocionado, atravessou por entre os alunos e deu um abrao de alguns minutos na senhora. Os dis-cpulos fizeram um silncio de interrogao, ou de exclamao. Nunca havamos presenciado ou imaginado uma interrupo de satsang e ningum presumia quem era a senhora. Vayuananda trouxe-a pela mo at o seu lugar frente ao pblico e apresentou para todos a sua amiga Emma Costet de Mascheville, como uma pessoa particularmente querida e excepcional astrloga, que

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    havia convivido com ele em uma comunidade rural espiritual em Resende, da qual ele nos falava com frequncia.

    Ali mesmo, em pblico, ele perguntou por quanto tempo ela pretendia permanecer no Rio e imediatamente a convidou a dar um curso de astrologia para seus alunos. Dias depois eu que vorazmente frequentava todos os eventos da academia, fossem de quirologia, snscrito, filosofia indiana ou o que mais aconte-cesse, perguntei ao Vayuananda se a astrologia era algo srio e confivel. Ele me afirmou que no apenas era um instrumento importante no caminho do autoconhecimento, como conside-rava aquela a mais abalizada astrloga viva e que seu curso era uma oportunidade de ouro. As aulas durariam apenas seis dias, dois dedicados a cada um dos doze signos.

    Inscrito no curso, a surpresa e o deslumbramento foram ins-tantneos. Desde o primeiro momento dona Emma colocou A ltima Ceia de Da Vinci na parede e partiu dos apstolos para falar dos signos. Enquanto a escutava, comecei a ver ca-choeiras de luz saindo de suas metforas inspiradas e originais. Eu, que vinha de uma famlia crist e desde criana convivera com a Ceia de Leonardo na parede da sala de jantar, descobri haver uma riqueza inimaginvel de estudo do comportamento humano nela. Crescido em uma casa com muitos irmos e prdiga de primos e agregados, eu me abismava com a facilidade, encanto, preciso e generosidade com que ela descrevia meus parentes arianos, taurinos, geminianos e assim por diante. Do meu signo, Peixes, ela s falou na ltima aula, quando me vi radiografado e entendendo e transcendendo comportamentos de uma vida inteira, que nunca ningum havia me traduzido com clareza.

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    Eu me apaixonei instantaneamente pela astrologia e fiquei com sede de mais. Na semana seguinte ela se foi, mas nos deixou seus assistentes Bola e Carlos Asp dando aulas de clculos astro-lgicos. Nessas aulas, fiz o meu mapa e, com desespero exis-tencial, sa procurando todas as informaes possveis sobre os planetas. A astrologia, desde aquele momento, passou a ser um meio de entendimento precioso no apenas de mim mesmo, mas de tudo o que me rodeava. Pude compreender os motivos de pessoas ntimas minhas serem to diferentes entre si e passei a aceit-las melhor tais como eram. Comecei a entender atitudes de meus familiares em relao a mim, que vinham se traduzindo em atritos at ento.

    Nesses dias, fiquei amigo de Carlos Asp, que me convidou para ir ao Rio Grande do Sul aprofundar estudos com dona Emma. Pouco tempo depois, eu estava em Porto Alegre, na casa de Asp, que carinhosamente no apenas me acolheu, mas tambm, em conversas noturnas descontradas, me passava informaes preciosas para mim at hoje de astrologia.

    No dia seguinte minha chegada, Asp me levou casa de dona Emma, onde assisti a uma aula avanada. Me senti como a menina-personagem de Clarice Lispector em Felicidade Clandestina, quando consegue ter o primeiro e desejado livro de verdade em suas mos: transtornado. Eu entendi pouca coisa. Falava-se de planetas em casas, de aspectos entre planetas e me faltava cultura astrolgica para acompanhar, mas eu ia vendo como as palavras dela me encantavam sempre e como existia uma ele-tricidade, um magnetismo na maneira com que ela falava, no timbre da voz.

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    Em vez de desanimar fiquei ainda mais desejoso pela astro-logia. No final da aula, todos os alunos se foram e eu e Asp ficamos por ltimo. Conversei alguns minutos com ela, que depois me acompanhou at a rua. Fui descendo a ladeira de sua casa aos poucos e depois de vinte passos olhei para trs e a per-cebi parada, no lugar onde havia me deixado, olhando, como que cuidando de mim. Ela e o seu generoso sorriso. Dei mais trs passos, olhei para trs e ela ainda estava sorrindo, mais cinco passos e ela l sorrindo... Aquela noite foi inesquecvel para mim por muitas razes particulares. Nessa poca eu era o tpico cabeludo que fazia artesanato e viajava o Brasil ven dendo-o nas ruas. No ltimo ano, por opo existencial, eu vinha morando em casas abandonadas e por vezes dormindo na rua, e me acos-tumara a ser marginalizado por pessoas mais velhas. Em plena ditadura militar, era comum a polcia me parar e reter pelo simples fato de eu ter cabelos compridos, assim como era comum a polcia entrar em casas abandonadas, prender os hippies e sol-t-los dali a dois dias aps alguns maus-tratos e humilhaes. No era o meu costume ser olhado sem preconceito e com com-paixo e amor explcitos por uma pessoa de mais de cinquenta anos, menos ainda por uma septuagenria.

    Dona Emma significou para mim naquele momento um elo de integrao com a vida dos normais. Um leno de trgua no conflito entre geraes. Depois, a prpria astrologia foi o instru-mento de minha ressocializao.

    Mais tarde, fui saber pela prpria dona Emma que seu marido, Albert Costet de Mascheville, havia escrito um artigo sobre astrologia para a revista O Cruzeiro dcadas antes, anun-ciando que o primeiro sinal importante da entrada da Era de Aqurio surgiria na Califrnia com uma gerao de cabeludos

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    que andaria de roupas coloridas e comportamento solto, comuni-cando-se atravs da msica. Dona Emma me contou que, quando apareceu o primeiro hippie em sua casa, ela abriu a porta e sen-tenciou: Entre, filho, h quase cinquenta anos espero por voc.

    Dona Emma foi um exemplo para mim de que a busca pelo autoconhecimento podia ser profunda e doce ao mesmo tempo. Ela era me de seus alunos. Embora eu tenha sido um aluno breve, pude sentir e gravar bem a intensidade do afeto que ela generosamente dedicava a todos os seus aprendizes.

    Em 2004, Bola me chamou para organizar com ele um evento em homenagem ao centenrio de nascimento de dona Emma. Sentamo-nos em um fim de tarde na beira da praia em Copacabana e, entre sucos de laranja, desenhamos o evento sendo aberto com a leitura astrolgica de A ltima Ceia, feita por vrios ex-alunos. No dia do evento fiquei impressionado como foi difcil para todos falar embora a maioria fosse composta de palestrantes renomados pela carga emocional que bro-tava nos olhos e vozes ao lembrar uma Mestra to querida. To Mestra. Alguns marejaram os olhos, outros chegaram a chorar durante suas palestras e depoimentos. E at mesmo o sempre seguro Bola foi trado pela voz embargada em meio aos olhos midos e comovidos quando, ao falar, tocou no nome da Mestra.

    A DESCOBERTA DA ASTROLOGIA NA LTIMA CEIA

    Emma Costet de Mascheville foi que se saiba a primeira pessoa nos tempos modernos a analisar os personagens da Ceia de Da Vinci como representantes dos signos astrolgicos.

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  • 12

    Nascida na Alemanha, em um lar incomum, frequentado por pessoas como Herman Hesse e Carl Jung, Emma era filha de um proeminente telogo, participante de uma organizao dedicada a refugiados nos primrdios da primeira grande guerra. Ainda adolescente, ela trabalhou como voluntria desse grupo, mos-trando uma forte vocao humanitria.

    Em 1925, aos vinte e dois anos de idade, ela migrou para o Brasil com o pai. Apenas alguns dias aps sua chegada, andando pelas ruas de Curitiba, Emma conheceu aquele que viria a ser o

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