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Mais Preza - 15-03

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Correio do Povo

Text of Mais Preza - 15-03

  • 3 5#

    Saiba maisAlm dos festivais e megaeventos, o Brasil ainda

    est em fase de preparao para recepcionar a sua segunda Copa do Mundo, o que ir demandar um nvel alto de profissionais do ramo

    Para o professor Luis Cludio, faltam profissionais que saibam detalhes prticos da produo em si, no

    existe uma faculdade que ensine quantos banheiros voc precisa para um evento que tenha bebida alcolica, diz

    Porto Alegre est ganhando fora com o entretenimento, explica Luis Cludio, e tem um pblico jovem e com condies para pagar por isso

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    Desmontagem do palco do Rio Vero Festival deste ano, que aconteceu no Estdio do Engenho, no Rio de Janeiro

    c o m p o r t a m e n t o m s i c a c u l t u r a i n t e r n e t c a r r e i r a c i n e m a m o d a a g i t o

    PORTO ALEGRE,SEXTA-FEIRA,16 de marode 2012

    J pensou em ser advogado, jornalista, ou at mesmo engenheiro e trabalhar por trs dos palcos dos maiores festivais e eventos do mundo? A pergunta parece sair de uma pea publicitria sem cabimento, mas tem todo fundamento no mercado de trabalho atual. A carreira de produ-tor de eventos, antigamente exclusiva a poucos interessados que se tornaram grandes nomes do show business, hoje precisa de mais. Mais flego, mais mo de obra qualificada.

    Somente em 2011, o Brasil, que nos ltimos anos saiu de um sono profundo e voltou a acor-dar para o entretenimento, abrigou grandes sho-ws e festivais como o prprio Rock in Rio (RiR), que voltou capital carioca. Em Porto Alegre, no foi diferente. Se at pouco tempo atrs imaginar a cidade como um destino para grandes apresen-taes era um delrio, hoje j percebida como roteiro natural de megaespetculos. Citando apenas eventos internacionais, as trs principais produtoras da Capital contabilizaram cerca de 60 apresentaes ano passado. Uma chegou a ter apenas trs shows internacionais em 2010, con-tra 12 em 2011.

    Segundo o produtor executivo e professor Luis Cludio Duarte, que soma 30 anos de expe-rincia em superprodues como o Rock in Rio, Rock in Rio Lisboa e U2, esse despertar do en-tretenimento no percebido s no Sul. O pas inteiro est com uma situao muito mais favo-rvel do que h dez anos. Hoje, o brasileiro tem poder aquisitivo para pagar R$ 100 para ir a um show. Em 2001, no pagava R$ 70 para encher o Rock in Rio, o que obrigou o festival a ir para ou-tros lugares do mundo, conta.

    Mas falta preencher esse espao com equipe especializada. O professor, que desembarca em Porto Alegre na prxima segunda-feira, 19, para ministrar um curso de produo de eventos, cujo contedo ele mesmo desenvolveu, sente na pele o vazio de profissionais no mercado. No Rock in Rio, por exemplo, cem produtores que trabalha-vam no evento eram alunos ou ex-alunos meus, revela. E quando esta matria, l na primeira li-nha, mencionava profisses tradicionais atradas pelo mercado de eventos, estava sugerindo com a propriedade de quem vive isso no dia a dia. To-das as profisses se encaixam dentro dos even-tos. difcil uma pessoa de comunicao no se adequar. No RiR eu fao quase 2 mil contratos, preciso de um advogado. Imagina, ento, quan-tos assessores de imprensa, destaca Luis Cludio, que tem o diploma de engenheiro civil.

    Mesmo que Porto Alegre ainda no esteja na mira dos festivais, os grandes centros esto a todo vapor. Alm dos tradicionais SWU e Pla-neta Terra, que acontecem anualmente em So Paulo, este ano a capital paulista tambm recebe a primeira edio brasileira do megaevento de msica Lollapalooza, alm de outros que esto sendo negociados. Isso sem contar os de menor proporo e os grandes espetculos que tambm requerem um bom investimento em produo, como o caso de Roger Waters, que se apresen-ta em Porto Alegre dia 25 de maro. Exemplos de um mercado que, se ainda no o cenrio ideal, est se encaminhando para chegar l em pouco tempo. E pra quem pilhou em fazer o curso, mais informaes pelo telefone (51) 7815-5453.

    levadoa srio

    Entretenimento

  • 2 S e x t a - f e i r a , 1 6 d e m a r o d e 2 0 1 2D

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    Rudolf Piper assina a marca da casa noturna Kiss & Fly aqui no Brasil, que inaugurou recentemente no Jockey Club, em Porto Alegre

    O bon vivantRudolf Piper

    E aqueles pagodes, hein?

    Onde foi que erramos? Essa culpa tem de ser dividida entre todos os pagodeiros de planto, como eu. Sim, caro leitor, este rapaz que de vez em quando escreve coisas inteligentes e, na maioria das vezes, parece um cara legal, ouve pagode. Isso no me torna uma pessoa pior, certo? Enfim, voltemos a questo principal. Por que as pessoas que amavam pagode nos anos 90 hoje em dia no gostam mais? A primeira resposta que me vem a cabea : as bandas eram melhores antigamente. Concordo, mas na verdade o som era diferente, mais roots, mais puro, mais maroto. Hoje, com toda a tecnologia que se tem, as msicas andam muito fabricadas, mas temos ainda timos msicos e boas bandas.

    Consigo listar aqui cinco grandes bandas que todo mundo amava: Raa Negra, S Pra Contrariar, Negritude Jr., Molejo e Katinguel. Quantas so unanimidades hoje? Uma, Exalta! Eu tenho a impresso de que antigamente era tudo mais de verdade. Os caras que sabiam mesmo tocar tinham um bom cantor (das bandas que citei acima apenas o Anderson Leonardo Molejo no fez carreira solo), as msicas vinham com refro bom e sem Internet pra divulgar. Vejo muita gente dizendo ai, os pagodes hoje em dia so tudo dor de cotovelo. mesmo? E Essa tal liberdade, do SPC? E Quando te encontrei, do Raa Negra? Tinha de tudo. Os pagodinhos engraados do Molejo (quem a nunca danou a Dana da Vassoura numa festa?), o swing do Negritude (Cohab City uma das maiores obras do pagode brasileiro) e os pagodinhos clssicos do Katinguel (Inara Inara Inarai).

    Mas e a, onde foi que erramos? Eu tenho um palpite. Foi na onda do pagode universitrio. Teve uma novela que tinha um bar de samba/pagode, a partir daquele momento o pagode deu um boom no pas inteiro. Surgiu esse novo movimento e o pagode tomou conta de lugares que antes no tinha vez. E no soube se comportar. E falo isso com toda propriedade, pois participei do movimento aqui no Rio Grande do Sul, fazendo parte do Na Moral (a primeira banda de pagode a tocar na Argentina, inclusive). Perdemos a pureza e a alegria do pagodo! Entrou a tirao de onda. Entrou a vaidade. Os grupos comearam a se preocupar em vender, em fazer um som comercial, em fazer clipes com referncias que no eram as verdadeiras. A roupa do artista comeou a ter um valor maior do que a arte.

    Enfim, o mais triste que no tem mais volta. Quem viveu, viu , danou, escutou e se divertiu com essas bandas ao vivo, vai ter que se contentar com os registros antigos ou com aquelas velhas rodas de pagode que rolam nos churrascos e algum grita toca aquela, das antigas. No tem mais espao para este tipo de msica nos dias de hoje? Estranho, o mercado no permite, mas esse parece ser o desejo das pessoas. Turma pagodeira, faam um som de verdade, sejam honestos com vocs mesmos, o pagode a cara do nosso pas e, quem sabe, um dia todo mundo assuma (sem vergonha) que gosta de pagode mesmo!

    Falamos.

    Esse texto foi originalmente publicado no blog de Guilherme Alf (guilhermealf.com.br) e o seu contedo de responsabilidade do autor.

    Guilherme [email protected]

    O criador da marca da casa noturna de luxo Kiss & Fly esteve em Porto Alegre recentemente para a inaugurao do club. No meio da correria, a jornalista Bibiana Bolsson bateu um papo com Rudolf Piper, que contou sobre a sua trajetria nos vrios clubs Premium que comanda mundo afora. E que o Mais Preza traz aqui, nesta pgina!

    Ele fez parte de uma gerao movida pelo hedonismo, regada a lcool e disposta a rasgar muitos dlares em troca de diverso. Na trajetria profissional, Rudolf Piper atuou como designer, arquiteto, diretor de promoes, gerente e consultor. E, indiscutivelmente, adquiriu o know how no que diz respeito a entretenimento.

    Em 2005, durante um jantar ao lado do amigo Jeffrey Jah, Piper, por dominar o portugus, fez a gentileza de me-diar uma negociao por telefone. Na poca, Jah negociava o ingresso da conhecida casa de Nova Iorque, Lotus, em So Paulo. O que ocorreu foi suficiente para que Piper passas-se de tradutor improvisado a scio da empreitada. Nascia uma nova ocupao: licenciar brands de casas noturnas j consagradas em outros pases no Brasil.

    Com o crescimento da economia brasileira e a ascen-so de novos ricos, o pas se tornou um prato cheio para esse negcio. O comportamento observado em clubs de Nova Iorque, Paris, Londres e Ibiza ingressou no cotidiano brasileiro e, neste processo, abriu-se um mercado especia-lizado em luxo. Iniciou a era champanhe com fogos.

    A Lotus tornou-se a filha mais velha de Piper, depois vieram outras licenas, incluindo a Kiss & Fly, inaugurada recentemente em Porto Alegre. At final de 2012, o plano que pelo menos 17 cidades recebam a marca e ele garante ser apenas o comeo. Ns estamos trazendo um conceito novo para a cidade, um misto entre o luxo e o retr. uma festa fixa, mas por trs existe uma esttica e uma ideologia de no s preencher as expectativas do pblico, como tam-bm proporcionar o inusitado. Nos Estados Unidos, muitos falam sobre a importncia social dos clubes no desenvolvi-mento das cidades, uma cidade sem vida noturna no ser-ve. No s museu, precisa um club diferenciado, conta.

    Nesses argumentos, remanescem as experincias que consagraram Piper. Foi no final dos anos 70, quando o

    mundo inteiro falava sobre o Studio 54 (a discoteca loca-lizada em Manhattan), que ele no pensou duas vezes e partiu do Brasil, onde residia na poca, para Nova Iorque. O Studio 54 virou um hot spot e marcou o incio de uma nova fase caracterizada pela liberdade de expresso. Por l pas-saram nomes como M