RETINOPATIA - Universidade NOVA de 2019-07-18¢  Na retinopatia diab£©tica n££o proliferativa os capilares

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  • RETINOPATIA DIABÉTICAESTEESPECIA

    L É D A IN T EI R A R ES

    P O N SA

    B IL ID A D E D O D EP

    A R T A M EN

    T O C O FI N A EV

    EN T O S

    Consciência A necessidade de consciencializar a população

    Rastreio A importância de diagnóstico precoce da diabetes

    ESPECIALRETINOPATIADIABÉTICA

  • “Ao longo dos últimos 30 ou 40 anos temos assistido, em Portugal, a uma progres- são assustadora do número de pessoas com diabetes, o que causou uma grande ad- miração a todos os epide- miologistas e, ainda hoje, não é suficientemente com- preendida por muitas áreas da medicina”, refere José Manuel Boavida, presidente da APDP – Associação Pro- tetora dos Diabéticos Portu- gueses.

    Recordou que a diabetes passou de uma prevalência de 3% nos anos 1980 para 13%, segundo um estudo de 2009 feito pela Direção-Ge- ral da Saúde. São 1,3 milhões de portugueses com a dia- betes tipo 2, dos quais 40% estão por diagnosticar. Os dados oficiais de 2017 refe- rem que afeta 10% da popu- lação portuguesa entre os 25 e os 74 anos, sobretudo os homens e os grupos etários com mais idade, 23,8% dos indivíduos entre os 65 e os 74 anos.

    Para José Manuel Boavida, médico endocrinologista, há uma mudança radical no

    paradigma das doenças na passagem dos anos 1980 para 1990. Várias doenças agudas, graças ao avanço da medicina, foram controla- das, e as doenças crónicas que são a mãe, em grande parte, dessas doenças agu- das, são hoje o grande desa- fio.

    Na opinião de José Manuel Boavida, esta mudança im- plica uma nova estruturação dos cuidados de saúde, que deviam deixar de estar foca- dos nos hospitais, e centra- rem-se nos cuidados de pro- ximidade. “Mas estes não podem ser considerados de segunda categoria, o que

    implicaria que os especialis- tas, como os diabetologistas, endocrinologistas, desces- sem aos cuidados de proxi- midade e trabalhassem em conjunto com os médicos de medicina geral e de família. Apoiarem-se em equipas multidisciplinares e que se abordassem as complica- ções da diabetes como as dos olhos, dos rins, do cora- ção”, refere José Manuel Boavida.

    “O que tem razão de ser são clínicas polivalentes de proximidade”, defende José Manuel Boavida. Recorda que “quando os centros de saúde foram criados havia

    ESPECIALRETINOPATIADIABÉTICA

    DIABETES UMA DOENÇA EM BUSCA DA VISIBILIDADE Hoje, 27 de junho éo dia internacional do diabético e, comoafirma JoséManuel Boavida, atualmente o grande desafio é dar visibilidade à diabetes, que é “a principal causa de cegueira, de amputações, de insuficiência renal, de enfarte em adultos jovens, e de risco de neuropatia emmais de 60 a 70%dos doentes”. Por: Filipe S. Fernandes

    200 pessoas, por dia, são diagnosticadas com diabetes

    500 pessoas, por dia, são internadas com diabetes

    12 pessoas morrem por dia, por causa da diabetes.

    30 pessoas com diabetes têm um AVC ou um enfarte do miocárdio, por dia.

    4 pessoas, por dia, são amputadas

    10 do Orçamento da Saúde são custos com a diabetes, sem contar com os custos indiretos como faltas ao trabalho, reformas antecipadas, baixa produtividade

    1,3 milhões de pessoas em Portugal têm diabetes

    Osnúmeros de uma doença silenciosa

    Foi o tema que reuniu em conversa, moderada por Eduardo Dâmaso, diretor da revista Sábado, José Ma- nuel Boavida, presidente da APDP – Associação Proteto- ra dos Diabéticos Portugueses, José Carlos Cardoso, op- tometrista, gerente do Centro Ótico Jardins da Parede e Gerente do Centro Ótico de Cascais, Maria Paula Mace- do, professora na Nova Medical School, Gabriela Silva, professora auxiliar e coordenadora do Laboratório de Terapia Génetica para retinopatias, da Nova Medical School, e Hugo Machado, informático e doente de reti- nopatia diabética. A conversa decorreu na manhã de 30 de maio de 2019, em Lisboa.

    “Retinopatia Diabética: Prevenir e Cuidar”

    II

  • oftalmologistas, pediatras, mé- dicos especializados. Cerca de 80% das pessoas que vão aos hospitais estão em ambulató- rio, portanto não têm necessi- dade nenhuma de se deslocar aos hospitais.”

    Não está na ordem do dia Hoje em dia o grande desa-

    fio é dar visibilidade à diabe- tes. “É uma doença extrema- mente incapacitante e das doenças que geram mais preocupações, pois a princi- pal causa de cegueira, de am- putações, de insuficiência re- nal de enfarte em adultos jo- vens, e de um risco de neuro- patia em mais de 60 a 70% dos doentes”, conclui José Manuel Boavida.

    “O grande desafio hoje em dia é como combater as doenças crónicas, mas os po- líticos vão por aquilo que tem mais impacto e mais visibili- dade”, acentua José Manuel Boavida. Gabriela Silva, pro- fessora e investigadora na Nova Medical School, defen- de que “devia haver um maior desenvolvimento de grupos de doentes para fazer pressão junto de decisores políticos. Todos os que fazem

    investigação, o acompanha- mento de pessoas com diabe- tes, podem falar, mas, na ver- dade, acho que a voz de quem tem de viver diaria- mente com estas situações poderá ter muito mais impac- to e mais força”.

    “A diabetes não é uma doença na ordem do dia. Há quem compare a diabetes aos incêndios florestais. É um ris-

    co de perigo máximo”, refere José Manuel Boavida. Adianta que “do ponto de vista da re- presentação social não existe visibilidade da doença da

    diabetes. Tem um grande im- pacto e não mostra tendência para diminuir, tanto mais que a obesidade infantil, que é a fonte, não tende para dimi- nuição e vai continuar a aquecer este clima diabeto- génico. Como dar visibilidade a esta situação?”, pergunta. Refere que há 10 anos havia mais de cem fármacos em in- vestigação para a diabetolo- gia, praticamente todos foram abandonados. A cardiologia tem previstos cerca de dezoi- to novos medicamentos e o cancro cerca de duzentos.

    O papel autárquico Para o presidente da APDP,

    as pessoas com diabetes têm de participar porque são elas que gerem a sua própria si- tuação. É este o trabalho que Associação Protetora dos Diabéticos Portugueses tem vindo a desenvolver, tanto do ponto de vista de formação e de educação das pessoas com diabetes, como da formação e educação dos profissionais de saúde, e da integração em equipas multidisciplinares.

    Neste momento, “o grande desafio da Associação é sair das barreiras dos centros de

    saúde e dos hospitais, porque as pessoas com diabetes estão na comunidade, e é na comu- nidade que tentamos encon- trar grupos onde se pode pro- mover a educação, a auto- ajuda, a atividade física, a me- lhoria da alimentação. Isto necessita de um apoio funda- mental que são as autarquias”, sublinha José Manuel Boavida.

    Considera que o envolvimen- to das autarquias é uma verten- te fundamental na luta contra a diabetes. “Nessa altura fecha- mos um círculo e percebemos que é a nível do bairro, da fre- guesia que podemos encontrar as forças para resolver muitas destas questões. Não é uma questão de prescrição, de ras- treio, é depois, é fazer o acom- panhamento, motivar estas pessoas para a luta, que é extre- mamente dura para viver 30, 40, 50 anos com a diabetes”, conclui José Manuel Boavida.

    A diabetes de tipo 1 surge empessoasmaisjovenseé caracterizada por uma destruiçãoautoimunedas célulasnopâncreas,oque conduz a uma deficiência grave de insulina. Em ter- mosdevisão,aestesporta- dores da doença deve ser feitaumavigilânciaatenta navertenteisquémica.Po- dem ter uma acuidade vi- sual,comumamáculasau- dável, sem edema, mas comalteraçõesproliferati- vas muito marcadas na suaretinaperiférica.

    Na diabetes de tipo 2, os portadores da doença são mais idosos, têmumaver- tente edomatosa mais agressivadoqueascompli- cações proliferativas, que também podem aparecer masque,deumaformage- ral,nãosãotãoagressivas.

    Avisão e a diabetes

    III

    José Manuel Boavida, Presidente, APDP - Associação Protetora dos Diabéticos Portugueses

  • A retinopatia diabética é uma das principais consequências da diabetes e pode levar à perda de visão de forma irreversível. O principal problema para os doentes é que é uma doença progressiva e que, quando não é vigiada, apenas é sentida quan- do a perda de visão já se encon- tra num grau avançado. Quando a perda de visão é já avançada, é irreversível e não existe uma cura, apenas existem terapêuti- cas, o que tem consequências graves para o doente.

    A duração da diabetes é o fator de risco mais importante para o aparecimento de retinopatia diabética. O controlo metabólico da glicemia é o fator chave para a prevenção e controlo da reti- nopatia diabética. O controlo da hipertensão arterial e da dislipi- demia reduzem a progressão da doença, uma vez instalada.

    Retinopatia diabética designa os problemas de retina causa- dos pelo diabetes, que podem ser do tipo não proliferativo, que é o mais comum, e o proli- ferativo.

    Na retinopatia diabética não proliferativa os capilares (pe- quenos vasos sanguíneos) na parte de trás do olho incham e formam bolsas e que progride de grau ligeiro para moderado, grave e avançado se não for de- tetada e tratada em tempo útil. Pode provocar o edema macu- lar, a visão embaça e pode ser totalmente perdida, pelo que

    deve ser tratada para uma recu- peração da visão.

    Na retinopatia diabética proli- ferativo os vasos sanguíneos fi- cam totalmente obstruídos e não levam oxigênio à retina. A sua evolução po