CARLOS ROBERTO PIRES CAMPOS Carlos Roberto Pires Campos Supervis££o Editorial Marcelo Scabelo da Silva

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    AULA DE CAMPO PARA ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA:

    Práticas Pedagógicas Escolares

    CARLOS ROBERTO PIRES CAMPOS ORGANIZADOR

    Editora Ifes

    06 VOLUME

  • Aulas de campo para a alfabetização científica: práticas pedagógicas escolares

    Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo

    2015

    Volume 06

    Série Pesquisas em Educação em Ciências e Matemática

    Carlos Roberto Pires Campos (Organizador)

  • Comissão Científi ca Marcelo Borges da Rocha – CEFET-RJ Carlos Henrique Medeiros de Souza – UENF Maurício Compiani – UNICAMP Sâmia D’Angelo Alcuri Gobbo – IFES

    Coordenação Editorial Carlos Roberto Pires Campos

    Supervisão Editorial Marcelo Scabelo da Silva

    Revisão/Normalização Técnica Renata Lorencini Rizzi

    Capa Katy Kenyo Ribeiro

    Editoração Luiz Flávio von Rondow

    Impressão e Acabamento Gráfi ca e Encadernadora Sodré (27 3222-8844)

    Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática/Ifes Av. Vitória, 1729 – Prédio Administrativo – 3º andar Jucutuquara – Vitória – ES – CEP 29040-780

  • Editora Ifes 2015

    Aulas de campo para a alfabetização científica: práticas pedagógicas escolares

    Volume 06

    Série Pesquisas em Educação em Ciências e Matemática

    Carlos Roberto Pires Campos (Organizador)

  • A924 Aulas de campo para alfabetização científi ca: práticas pedagógicas escolares / organizador Carlos Roberto Pires Campos – Vitória: Ifes, 2015. 284p. : il. 15x21cm - (Série pesquisa em educação em ciências e matemática ; 6.)

    Inclui bibliografi as.

    ISBN 978-85-8263-092-1

    1. Professores - Formação. 2. Ciências - Estudo e Ensino. 3. Ciências (Ensino Fundamental). 4. Educação Ambiental. I. Título.

    CDD: 507

    FICHA CATALOGRÁFICA (Biblioteca Carlos Drummond de Andrade do Instituto Federal do Espírito Santo)

    Copyright © 2015 by Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo

    Depósito Legal na Biblioteca Nacional, conforme Decreto nº 1.825, de 20 de novembro de 1907.

    O conteúdo dos textos é de inteira responsabilidade dos respectivos autores.

    Qualquer parte desta publicação pode ser reproduzida, desde que citada a fonte.

    Realização:

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    Aulas de campo para a alfabetização científi ca

    Apresentação

    É mais difícil de esquecer aquilo que se vive junto e quando a vivência é plena de signifi cados, de boas experiências, sentimos vontade de partilhar o vivido. Foi isto que senti quando terminei de ler este livro organizado pelo professor Carlos Roberto Pires Campos. Fiquei também com a impressão de ter nas mãos a materialização de um grande mutirão feito para colher os frutos gerados por “práticas refl etidas” de aulas de campo. E todo mutirão é uma festa, seja pela convivência, seja pela ajuda desinteressada, seja pelo trabalho, princípio educativo e formador da pessoa que vai se humanizando através dele.

    O professor Carlos Roberto juntou aqui vivências que aconteceram em espaços diversifi cados e com objetivos diferenciados, no entanto temos um feixe amarrado com uma corda composta por vários fi os, fi os que perpassam todos estes os relatos. No meu entendimento o primeiro fi o desta corda que une todos os textos é a compreensão de espaços não formais de educação na esteira de Daniela Jacobucci (2008) quando conceitua espaço não formal como sendo “qualquer espaço diferente da escola onde pode ocorrer uma ação educativa”.

    O segundo fi o desta corda é o sentido de alfabetização científi ca. A alfabetização entendida como leitura de mundo que acontece antes mesmo da leitura da palavra conforme nos ensina Paulo Freire (1992). Sendo uma alfabetização científi ca o texto se apropria de Chassot (1993) que vê na ciência uma linguagem que facilita a leitura do mundo natural sendo este um caminho não só para entender a natureza, mas também como caminho para entendermos a nós mesmos.

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    Aulas de campo para a alfabetização científi ca

    O terceiro fi o que compõe a corda da amarra de todo o texto é a pedagogia histórico-crítica de Dermeval Saviani (2011) que convida todo educador a partir sempre de uma prática social, que deve ser problematizada, passando pela instrumentalização, ou seja, pelo estudo aprofundado das possibilidades de resposta aos desafi os postos pela vida ou sociedade. Demonstra ainda a necessidade de se chegar à catarse enquanto passagem do momento egoísta-passional para o momento ético-político, como dizia já dizia Gramsci (1984).1 Demonstra ainda que é preciso voltar à prática social, mas agora alterada qualitativamente. Porém, esta pedagogia está articulada, com um fundamento psicológico que é a psicologia histórico-cultural de Vygotsky (2007), aquela que atua no campo educacional mediada pela pedagogia contribuindo para que os educandos internalizem os signos da cultura, chegando até a construir uma nova cultura, quando está em jogo a transformação da realidade vivida. E se e fi os que compõem a corda, citados até o momento, derem a impressão do peso racional da modernidade, temos um quarto fi o para fi nalizar, e dar mais leveza à trança desta corda. Trata-se do quarto fi o que é a teoria da complexidade de Edgar Morin (2003), entendida no campo da educação como “transdisciplinaridade”, em oposição aos modelos reducionistas e fragmentados da modernidade que departamentalizam o conhecimento em disciplinas, não contribuindo para o crescimento da pessoa e da sociedade como um todo.

    Ao olhar este feixe fortemente amarrado, cada leitor é convidado a destrinçar esta corda e a embarcar nesta leitura que nos levará a ambientes extremamente ricos de possibilidades educacionais. De volta às origens redescobrimos que as formas de educação não- escolar precederam historicamente à forma escolar, mas que hoje não compreendemos a educação sem a escola. Talvez seja baseado nisto que

    Apresentação

    1 GRAMSCI, A. Concepção Dialética da História. 5. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1984.

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    Aulas de campo para a alfabetização científi ca

    iremos notar, ao desarticular estes fi os, que a educação que acontece em espaços educativos não formais de certa forma dialoga com a educação que acontece em espaços formais.

    Não faltam em nossas escolas iniciativas, esforços, projetos que propõem a saída do ambiente escolar, em busca de ambientes que estão repletos de artefatos pedagógicos. Nem sempre, porém, se consegue explorar todas as potencialidades destes ambientes. Às vezes falta-nos o conhecimento de teorias que nos ajudem, seja como educador seja como educando a ler o mundo, de forma a crescermos como indivíduos conscientes, críticos, questionadores, enfi m pessoas que participam ativamente na produção da história do mundo, sendo guias de nós mesmos, deixando de aceitar passiva e servilmente, a marca da própria personalidade, como dizia Gramsci (1984).

    Confi o que a leitura aqui proposta irá nos impulsionar a sair em busca do conhecimento, organizando o pré campo de forma a aproveitar ao máximo da nossa vivência no campo a partir da observação, da análise e da refl exão sobre a cada vivência transformando os dados, construídos nas ações, em rico conhecimento. Neste sentido convido a todos e a todas a destrinçar a corda que amarra estes textos, embarcando em cada aula de campo que aqui é relatada, na esperança de continuarmos a crescer como cidadãs e cidadãos, que atuam na construção do conhecimento e da cultura, internalizando ou rejeitando valores numa constante recriação de nós mesmos e do ambiente onde vivemos e convivemos.

    Antonio Donizetti Sgarbi

    Apresentação

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    Aulas de campo para a alfabetização científi ca

    Prefácio: Aulas de campo como metodologia de ensino

    É com imensa satisfação que li o livro organizado pelo professor Carlos Roberto por tratar-se de aulas de campo extra muros dos edifícios escolares no entorno das escolas, nas cidades, em museus de ciências e históricos, em Parques Estaduais, nos mais variados ambientes, como o extenso ambiente costeiro do estado do Espírito Santo, em manguezais, em sítios arqueológicos de sambaqui etc. O livro compõe um conjunto de atividades pré-campo, campo e pós-campo se entrelaçando com atividades escolares e não escolares, confi gurando um conjunto de atividades de ensino formal e/ou não formal. Notam-se temáticas educacionais, pedagógicas que orientam as aulas de campo tais como a Educação Ambiental (EA), o enfoque Ciência/Tecnologia/Sociedade/ Ambiente (CTSA), a divulgação científi ca mais geral e uma experiência de educação patrimonial. Tudo isso compondo um conjunto organizado em 12 capítulos.

    A tônica principal do livro é valorizar, discutir e apresentar resultados da aula de campo como metodologia de ensino. Isso é de fundamental importância uma vez que aulas de campo, como metodologia de ensino ou como enfoque curricular, quase inexistem no ensino de ciências na escola brasileira. São muito pouco valoriza