Subtrópicos n16

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Revista da Editora da UFSC

Text of Subtrópicos n16

  • O dia em que o filho da UFSC se aposentou O voo mentiroso

    de Birdman As janelas de Gregrio Rodrigo

    Bastos: Decoro e anacronismo Depois de 1945 Ns e enigmas de Salim Miguel

    Sistema literrio Fotografia:

    Eduardo Valente

    #16revista da editora da ufsc fevereiro 2015

  • 2UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINAReitora Roselane NeckelVice-Reitora Lcia Helena Martins Pacheco

    EDITORA DA UFSCDiretor Executivo Fbio Lopes da SilvaConselho EditorialFbio Lopes da Silva (Presidente)Ana Lice Brancher

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    Campus Universitrio TrindadeCaixa Postal 47688010-970 Florianpolis/SCFones: (48) 3721-9408, 3721-9605 e 3721-9686Fax: (48) 3721-9680editora@editora.ufsc.brwww.editora.ufsc.brwww.facebook.com/editora.ufsc

    Andria Guerini Cllia Maria de Mello CampigottoFernando Jacques AlthoffIda Mara FreireLuis Alberto GmezJoo Luiz Dornelles BastosMarilda Aparecida de Oliveira Effting

    Editor Dorva RezendePlanejamento grfico Ayrton CruzFoto da capa Ayrton CruzReviso Aline ValimGrfica RochaTiragem 1,5 mil exemplares

    Acesse a verso eletrnica da Subtrpicos no site da Editora da UFSC www.editora.ufsc.br

    #16revista da editora da ufsc fevereiro 2015

    pblica de comunicao para as universidades que se tornou referncia nacional por arran-car as assessorias dos gabinetes e devolv-las comunidade a que devem servir.

    No fcil reunir os itens dessa biografia singular, descrevendo com fidelidade a cole-o de prmios que conquistou, ou arrolan-do as funes ocupadas, que comprovam a atuao marcante no mbito das instituies universitrias e na organizao sindical da ca-tegoria dos jornalistas. Mais justo lanar uma plataforma narrativa in progress, aberta a todos os que quiserem contribuir com alguma cena dessa vida laboral. Ela comea em Itou-pavazinha, zona rural de Blumenau, carregan-do trato para as vacas, plantando e colhendo aipim, capinando terrenos ou vendendo lenha e frutas na estrada. Muito cedo foi iniciado na lavoura pelo av materno Bruno Bauler, des-cendente germnico que apanhou, foi preso e obrigado a tomar leo de rcino pela polcia do Estado Novo, como parte dos castigos apli-cados aos colonos falantes de alemo. Heris eternos, o av, j falecido, e a me Giltani, agricultora de subsistncia.

    Aos 15, um emprego no Jornal de Santa Catarina como office-boy levou o rapazote mirrado do trabalho rural para o urbano. Junto com o salrio mnimo vieram pesa-das obrigaes que se acumularam com os deveres de estudante. De tanto o garoto percorrer a redao servindo cafezinho, os colegas mais experientes comearam a soli-citar que passasse na sala da radioescuta e lhes trouxesse as ltimas notcias enviadas por telex pelas agncias nacionais e inter-nacionais. No caminho da sala at as mesas dos editores, ia lendo aquelas mensagens cifradas e corrigindo-as mentalmente. Logo tomou a caneta e a confiana dos editores, que o encarregaram da funo de pentear telex. No percurso desse jornalista feito na lida, formou-se o radioescuta, o operador de telefoto e radiofoto, depois o reprter,

    o redator e finalmente o editor. Tudo isso no percurso de apenas um ano.

    Estava ainda em Blumenau, de carona no fusca do diagramador, quando escutou no rdio seu nome na lista dos aprovados do ves-tibular da UFSC. Num dia de chuva de 1979, aportou na Rodoviria Rita Maria com um esla-que de reco costurado e uma bolsa de plstico contendo escova de dente, cueca e camiseta. O projeto era trabalhar na sucursal do Santa em Florianpolis e conciliar isso com a facul-dade de Cincias Sociais. Saltou do nibus e, depois de achar vaga em um hotelzinho sus-peito da Felipe Schmidt, caminhou ao longo da Beira-Mar procurando um lugar para comer antes de se apresentar na redao. Entrou no restaurante Telhado e pediu um ovo frito.

    Foi o ovo mais caro que comi na vida.Enquanto cursava a faculdade, ganhou

    o concurso do Conselho de Reitores das Uni-versidades Brasileiras (CRUB) com uma mo-nografia que resultou na publicao do livro Educao, Cidadania e Constituio. Jorna-lista profissionalizado, venceu cerca de 15 prmios, incluindo o Esso com uma srie de reportagens sobre as enchentes, duas edies do Prmio Fiesc, com matrias sobre o carvo e pequenas empresas, o Prmio de Ecologia da Fatma, o Prmio de Agricultura da Acaresc e duas vezes o Prmio Jernimo Coelho, da Assembleia Legislativa, com uma reportagem sobre a Assembleia Constituinte e uma espe-cial sobre o desaparecimento do deputado Paulo Wright. Na dcada de 1990, implantou, coordenou e editou o Caderno C do Jornal de Santa Catarina, eleito o melhor suplemento cultural do Estado pela Associao Catarinen-se de Escritores.

    Vida profissional e atuao poltico-sindical nunca se separaram. Agredido pela Polcia Mili-tar na cobertura da Novembrada, foi internado com leses na regio dos rins provocadas por chutes e cassetetes. Alm de censurar a repor-tagem, o Santa publicou uma declarao de

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    s vsperas do Carnaval, enquanto as gavetas das reparties se esvaziavam, ele se aposentou silenciosamente, como o fazem aqueles que so mais raros, na medida em que no se convencem de sua importncia para o mundo. Jubilou-se depois de 40 anos de jor-nalismo, 35 de universidade, mais cinco como trabalhador rural, afora o tempo de boia fria e servente de pedreiro na infncia. Desde os seis anos, quando comeou a ajudar a me a sustentar a famlia nos perodos de desempre-go do pai, Moacir Loth s conheceu a vida dos que precisam trabalhar e servir. Sorrir e fazer graa sempre, mesmo em misses srias: o bom humor compensa o tempo de brincar que o trabalho sequestrou.

    Embora sob suspeita, escrevo com iseno a respeito do companheiro de 28 anos de vida e dois filhos compartilhados. Nem o conhecia pessoalmente quando fui trabalhar como es-tagiria de jornalismo na antiga Assessoria de Comunicao da UFSC e j ouvia falar dos fei-tos lendrios do reprter destemido, que dava rasteiras na ditadura e nos patres dos vecu-los estaduais com suas reportagens investiga-tivas surpreendentes. Nada do que se escreva sobre o seu currculo pode revelar mais do que o convvio com essa existncia absoluta-mente generosa, espirituosa e realizadora. S ela pode falar de um modo ao mesmo tempo rigoroso e criativo de fazer jornalismo. E do empenho dirio em defesa de uma poltica

    Uma homenagem a Moacir Loth, aps todos os anos de servios prestados verdade e ao jornalismo

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  • 3w Comea no dia 9 de maro a Feira de Livros da Editora da UFSC. O evento acontece na Galeria de Arte do Centro de Convivn-cia, no campus Trindade.

    w Livros do catlogo sero vendidos com descontos de at 70%. Obras de outros selos importantes tambm estaro disponveis a bons preos. A feira segue at o dia 8 de abril.

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    A Estrutura do Conto de Magiaorganizadores: aurora Fornoni Bernardini e s.i. neklidov

    Nos anos 1960, a formao da Folclorstica Es-trutural estava relacionada a transformaes ideolgicas radicais no campo das Humanida-des. Naquela poca, na Unio Sovitica, surgia uma nova orientao de pesquisa, que propunha mtodos exatos nas Cincias Sociais. A isso se dedicaram as Escolas de Vero de Trtu, co-ordenadas por I.M. Ltman. Como se sabe, as tradies orais, por sua especificidade, podem ser compreendidas particularmente pelas pes-quisas semitico-estruturais. Da o fato de que, nos programas das Escolas de Vero, o folclore, representado no incio de modo bem tmido, tenha passado a ocupar um espao cada vez maior. Uma das abordagens dessas pesquisas foi o desenvolvimento das ideias de V.I. Propp em Morfologia do conto maravilhoso (1928). A combinao de princpios dos nveis de anlise sintagmtico/paradigmtico e sincrnico/diacr-nico trao caracterstico dos trabalhos de E. M. Meletnski e da sua escola.

    De Tcnico e de Humano: Questes Contemporneasautor: Walter antonio Bazzo

    Nesta coletnea de textos, o professor de En-genharia Mecnica, fundador e coordenador do Ncleo de Estudos e Pesquisas em Educao Tecnolgica (NEPET) da UFSC, analisa a relao entre a tecnologia e a sociedade e o processo civilizatrio. Entre os textos publicados em jor-nais, revistas tcnicas e sites, destacam-se os que saram pela revista Clnica Internacional Journal of Brazilian Dentistry e para a pgina da OEI na web. Muitos deles aplicados em sala de aula, trazem opinies, dicas de livros e outros textos correlatos que podem ajudar em algumas reflexes contemporneas sobre o comporta-mento da sociedade tecnolgica.

    Tecnologia de Fabricao de Revestimentos Cermicosautores: antonio pedro novaes de oliveira e dachamir Hotza

    Este livro, em sua segunda edio, apresenta princpios cientficos e tecnolgicos da fabrica-o de revestimentos cermicos, com nfase no processamento por via mida. Representa uma contribuio para o aprimoramento e atualiza-o dos que atuam na rea e um incentivo para que outros profissionais possam se interessar por esse setor, carente de livros tcnicos especiali-zados em lngua portuguesa.

    que a ao da PM havia sido exemplar. Mas o jornalista no se deixou acuar. Com ajuda dos amigos, emplacou a cobertura em jornais na-cionais,