Tecn Infor

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apostila técnico em informática aplicada

Text of Tecn Infor

  • Tcnicas da Informao

    e Comunicao

    Aplicadas Educao

    Ricardo Jorge de Lucena Lucas

    Felipe Lima Rodrigues

  • Copyright 2012. Todos os direitos reservados desta edio SECRETARIA DE APOIO S TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS (SATE/UECE). Nenhuma parte deste material poder ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrnico, por fotocpia e outros, sem a prvia autorizao, por escrito, dos autores.

    Presidente da RepblicaDilma Vana Rousseff

    Ministro da EducaoAloizio Mercadante

    Presidente da CAPESJorge Almeida GuimaresDiretor de Educao a Distncia da CAPESJoo Carlos Teatini de Souza Climaco

    Governador do Estado do CearCid Ferreira Gomes

    Reitor da Universidade Estadual do CearJos Jackson Coelho Sampaio

    Pr-Reitora de GraduaoMarclia Chagas Barreto

    Coordenador da SATE e UAB/UECEFrancisco Fbio Castelo Branco

    Coordenadora Adjunta UAB/UECEElosa Maia Vidal

    Coordenador da Licenciatura em Informtica

    Gerardo Valdsio Rodrigues Viana

    Coordenador de Tutoria e Docncia da Licenciatura em Informtica

    Maria Wilda Fernandes

    Coordenador EditorialElosa Maia Vidal

    Projeto Grfico e Capa

    Roberto Santos

    Editorao Eletrnica e Tratamento de imagensFrancisco Oliveira

    RevisoAna Cristina Callado Magno

    Catalogao na FonteGrfica...............

  • Sumrio

    Unidade 1 A informao

  • IntroduoTecnologia

    A capacidade de interveno na natureza um dos traos mais signifi-cativos que distinguem os seres humanos dos demais animais

    No filme 2001 uma odisseia no espao (1969), dirigido por Stanley Kubrick, vemos uma sequncia inicial que mostra um conjunto de antepas-sados do ser humano vivendo em tempos pr-histricos. Em dado momento, um deles descobre que um osso de animal pode ter uma utilidade at ento impensada: ser uma arma, que serve para abater outros animais, seja para co-m-los, seja para lutar contra eles. Na sequncia, esse ser pr-histrico joga o osso para cima e, numa das mais famosas elipses do cinema, experimen-tamos um salto no tempo da narrativa e chegamos ao futuro representado no filme (o ano de 2001, no caso), onde vemos uma nave no espao. Uma das coisas que Kubrick quer nos mostrar que essa nave fruto da interveno humana na natureza. Em outros termos: ela fruto da tecnologia.

    ATENO: importante fazer a distino (fundamental) entre tecnolo-gia e tcnica. Cronologicamente, a palavra tcnica mais antiga: deriva do grego, tekhn, que significava em sua origem arte ou ofcio (a Retrica, por exemplo, era considerada uma arte e tambm uma tekhn entre gregos e romanos antigos). Dentro de uma viso cientfica moderna, tcnica significa um tipo de construo ou de mtodo particular, que ajuda a promover a modi-ficao do real. J o termo tecnologia surge bem depois, por volta do sculo XVII, para designar um estudo sistemtico das artes ou a terminologia de uma arte em particular (WILLIAMS, 2000: 312), e provm do grego clssico, tekhnologia, e do latim moderno, technologia, que designam formas de trata-mento sistemtico de algo, ou ainda um sistema desses meios e mtodos. As-sim, tcnicas de informao e comunicao dizem respeito a tipos e mtodos particulares de sistematizao de informaes e de processos comunicativos; tecnologias de informao e de comunicao designam o sistema que faz uso dos meios e mtodos tcnicos.

    A lngua tambm uma forma de tecnologia. Como tal, necessita ser aprendida, seja uma lngua nativa, seja uma segunda lngua. E, por ser uma tecnologia, uma vez aprendida esquecemos que a aprendemos. Tal proces-so, do ponto de vista neurolgico e cognitivo, similar a aprender a tocar um instrumento ou a dirigir um carro; no incio, pensamos nas aes a serem exe-cutadas, depois apenas as executamos. Pensamos nas palavras que vamos usar apenas em situaes especficas e que consideramos importantes pelo fato de no serem rotineiras (uma entrevista de emprego, por exemplo); no

  • tendemos a ficar escolhendo palavras se vamos apenas dar um bom dia a algum conhecido.

    Por trs dessas situaes, est um estranho enigma: todos os seres humanos dispem (a princpio) de sistemas fisiolgico, respiratrio, digestivo e fonolgico com as mesmas caractersticas e funes; porm, quando se trata do sistema lingustico, quase que improvvel pensarmos no uso de uma mesma e nica lngua para todos os seres. A no existncia de um re-pertrio lingustico comum (uma mesma lngua, com as mesmas semntica e sintaxe) a todos os habitantes do planeta implica em vrios problemas, como as dificuldades de traduo ou a necessidade de conhecimento de uma ln-gua eventualmente morta diante de um documento cuja escrita no mais possvel decifrar. H estimativas de que o planeta Terra j tenha abrigado algo entre cinco e dez mil lnguas diferentes; locais como a ndia e a Papua Nova--Guin abrigam dezenas e centenas de dialetos e lnguas diferentes; na Itlia, certos habitantes locais costumam usar dialetos especficos para conversar entre si caso se sintam incomodados diante de estranhos e/ou estrangeiros; e mesmo dentro de uma mesma lngua podemos ter comunidades especfi-cas (profissionais, msicos, cientistas) que faam uso de jarges e grias que podem parecer intraduzveis aos ouvidos de um outro falante que esteja fora daquele universo cultural. Poderamos dizer: a linguagem no algo natural.

    Aparentemente, se todos falassem um nico idioma, uma nica lngua, grande parte dos nossos problemas estaria resolvida. No existiriam mais difi-culdades com tradues de obras, inclusive com aquelas que fazem um uso literrio incomum da linguagem (pensemos aqui em autores como Lewis Car-roll, James Joyce, Raymond Queneau, Groucho Marx ou Guimares Rosa, cujos textos verbais so marcados por palavras inventadas e/ou trocadilhos muitas vezes sem sentido fora da sua lngua nativa ou mesmo sem possibili-dades de traduo adequada); as poesias no perderiam parte de seu sentido original; tambm no seria necessrio fazer legendagens e dublagens nos filmes e animaes; documentos com destinao internacional no precisa-riam de tradues oficiais; e mesmo textos muitos antigos (estivessem eles escritos em papiros, pergaminhos, pedras ou cavernas) potencialmente te-riam grandes chances de serem ao menos lidos.

    Mas o virtual fato de falarmos uma nica lngua no eliminaria outros problemas. Isso ocorre porque a linguagem , em parte, condicionada pela cultura, ou seja: ela um sistema que se desenvolve socialmente. A lngua no apenas um conjunto de palavras de diferentes finalidades (substantivas, adjetivas, verbais etc.), mas tambm a possibilidade de uso de palavras para se referirem a realidades extralingsticas, realidades essas cuja percepo varia interculturalmente. Um exemplo simples: consta que os esquims con-

  • seguem perceber vrias dezenas de diferentes tons de branco. Do ponto de vista da informao, isso equivale ao bilogo que consegue distinguir diferen-tes tipos de plantas apenas das folhas (aparentemente iguais aos olhos de um leigo) ou ao msico que consegue distinguir entre diferentes gneros musicais (heavy metal, trash, punk, gtico, hard rock).

    Dissemos que a linguagem uma tecnologia e, como tal, deve ser aprendida. Pensemos num exemplo banal: levar um carro a uma oficina me-cnica por no saber identificar um dado defeito. O mecnico diz algo como: o problema num disjuntor de mdia tenso a vcuo. Se voc no entende o que ele diz, est diante de dois problemas: o defeito do carro e o desco-nhecimento do significado das palavras do mecnico. Diante de tal situao, h duas possibilidades: ou o carro fica par ao o conserto ou se busca uma segunda opinio...

    Um outro exemplo vai ilustrar melhor essa ideia da linguagem como tec-nologia. No filme Central do Brasil, de Walter Salles (1998), a atriz Fernanda Montenegro interpreta o papel de uma mulher que ganha a vida escrevendo cartas para analfabetos. Mas a sua prpria condio de analfabetos impede essas pessoas de verificarem se o que a personagem de Fernanda Montene-gro escreveu foi o que eles ditaram. Em suma: quando uma pessoa no do-mina uma dada tecnologia, ela potencialmente fica refm de quem domina essa mesma tecnologia.

    Percebe-se, assim, que a linguagem pode ser tambm uma forma de ex-cluso social. E essa noo deve ser estendida a outras formas de linguagem, como os quadrinhos, o cinema ou o teatro. Ou seja: existem vrias formas de linguagem que fazem uso de cdigos especficos (palavras, imagens e sons isolados ou combinados entre si), os quais pedem uma dada competncia do seu receptor. Por exemplo: para ler quadrinhos, necessrio anteriormen-te saber ler (pois a disposio dos quadros tende a seguir a orientao do sentido de leitura); para ler o cinema, preciso conhecer certas convenes (como o flashback); e mesmo para o teatro, preciso minimamente saber que se est diante de uma encenao (o que pode confundir certos espectadores diante de peas experimentais nas quais o ator desce do palco e se mistura platia: at onde vai a encenao?). Ou seja: o desconhecimento desses cdigos pode dificultar a compreenso de um dado texto.

    Como superar essas diferenas de domnio das linguagens? Como buscar evitar essa desigualdade entre pessoas, mesmo que elas dominem um mesmo idioma, uma mesma lngua? Essa desigualdade pode ser elimi-nada, se considerarmos que todas as pessoas detm pontos de vista dife-rentes sobre a realidade e sobre si prprias? Um dos modos de diminuir esse virtual abismo atravs de um movimento que considera:

  • Lucas, R. J. de L. e Rodrigues, F. L.8

    1) o fato de que todas as pessoas sabem algo sobre alguma coisa;

    2) o fato de que ningum conhece tudo;

    3) o fato de que todo mundo busca se expressar;

    4) o fato de que todo mundo busca saber algo sobre o outro; e

    5) o fato de que o ser humano um ser, acima de tudo, social.

    Os enunciados acima apontam para um duplo campo: de um lado, o campo da Educao, que visa a produo