ETEL – ESCOLA DE TEOLOGIA PARA LEIGOS TEIXEIRA DE FREITAS - BA INTRODU‡ƒO € FILOSOFIA Do livro de Marilena Chaui Convite   Filosofia PE. ODESIO COSTA

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  • ETEL ESCOLA DE TEOLOGIA PARA LEIGOS TEIXEIRA DE FREITAS - BA INTRODUO FILOSOFIA Do livro de Marilena Chaui Convite Filosofia PE. ODESIO COSTA
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  • INTRODUO FILOSOFIA Introduo Para que Filosofia? As evidncias do cotidiano Em nossa vida cotidiana, afirmamos, negamos, desejamos, aceitamos ou recusamos coisas, pessoas, situaes. Fazemos perguntas como que horas so?, ou que dia hoje?. Dizemos frases como ele est sonhando , ou ela ficou maluca. Fazemos afirmaes como onde h fumaa, h fogo , ou no saia na chuva para no se resfriar. Avaliamos coisas e pessoas, dizendo, porexemplo, esta casa mais bonita do que a outra e Maria est mais jovem do que Glorinha.
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  • INTRODUO FILOSOFIA Quando fazemos tais perguntas acreditamos que o tempo existe, que ele passa, pode ser medido em horas e dias, que o que j passou diferente de agora e o que vir tambm h de ser diferente deste momento, que o passado pode ser lembrado ou esquecido, e o futuro, desejado ou temido. Assim, uma simples pergunta contm, silenciosamente, vrias crenas no questionadas por ns.
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  • INTRODUO FILOSOFIA Quando digo ele est sonhando , referindo- me a algum que diz ou pensa alguma coisa que julgo impossvel ou improvvel, tenho igualmente muitas crenas silenciosas: acredito que sonhar diferente de estar acordado, que, no sonho, o impossvel e o improvvel se apresentam como possvel e provvel, e tambm que o sonho se relaciona com o irreal, enquanto a viglia se relaciona com o que existe realmente.
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  • INTRODUO FILOSOFIA Acredito, portanto, que a realidade existe fora de mim, posso perceb-la e conhec-la tal como , sei diferenciar realidade de iluso.
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  • INTRODUO FILOSOFIA A frase ela ficou maluca contm essas mesmas crenas e mais uma: a de que sabemos diferenciar razo de loucura e maluca a pessoa que inventa uma realidade existente s para ela. Assim, ao acreditar que sei distinguir razo de loucura, acredito tambm que a razo se refere a uma realidade que a mesma para todos, ainda que no gostemos das mesmas coisas.
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  • INTRODUO FILOSOFIA Quando algum diz onde h fumaa, h fogo ou no saia na chuva para no se resfriar, afirma silenciosamente muitas crenas: acredita que existem relaes de causa e efeito entre as coisas, que onde houver uma coisa certamente houve uma causa para ela, ou que essa coisa causa de alguma outra (o fogo causa a fumaa como efeito, a chuva causa o resfriado como efeito). Acreditamos, assim, que a realidade feita de causalidades, que as coisas, os fatos, as situaes se encadeiam em relaes causais que podemos conhecer e, at mesmo, controlar para o uso de nossa vida.
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  • INTRODUO FILOSOFIA Quando avaliamos que uma casa mais bonita do que a outra, ou que Maria est mais jovem do que Glorinha, acreditamos que as coisas, as pessoas, as situaes, os fatos podem ser comparados e avaliados, julgados pela qualidade (bonito, feio, bom, ruim) ou pela quantidade (mais, menos, maior, menor). Julgamos, assim, que a qualidade e a quantidade existem, que podemos conhec- las e us-las em nossa vida.
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  • INTRODUO FILOSOFIA Achando bvio que todos os seres humanos seguem regras e normas de conduta, possuem valores morais, religiosos, polticos, artsticos, vivem na companhia de seus semelhantes e procuram distanciar-se dos diferentes dos quais discordam e com os quais entram em conflito, acreditamos que somos seres sociais, morais e racionais, pois regras, normas, valores, finalidades s podem ser estabelecidos por seres conscientes e dotados de raciocnio.
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  • INTRODUO FILOSOFIA Como se pode notar, nossa vida cotidiana toda feita de crenas silenciosas, da aceitao tcita de evidncias que nunca questionamos porque nos parecem naturais, bvias. Cremos no espao, no tempo, na realidade, na qualidade, na quantidade, na verdade, na diferena entre realidade e sonho ou loucura, entre verdade e mentira; cremos tambm na objetividade e na diferena entre ela e a subjetividade, na existncia da vontade, da liberdade, do bem e do mal, da moral, da sociedade.
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  • INTRODUO FILOSOFIA A atitude filosfica Imaginemos, agora, algum que tomasse uma deciso muito estranha e comeasse a fazer perguntas inesperadas. Em vez de que horas so? ou que dia hoje?, perguntasse: O que o tempo? Em vez de dizer est sonhando ou ficou maluca, quisesse saber: O que o sonho? A loucura? A razo?
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  • INTRODUO FILOSOFIA Se essa pessoa fosse substituindo sucessivamente suas perguntas, suas afirmaes por outras: Onde h fumaa, h fogo, ou no saia na chuva para no ficar resfriado, por: O que causa? O que efeito?; seja objetivo , ou eles so muito subjetivos, por: O que a objetividade? O que a subjetividade?; Esta casa mais bonita do que a outra, por: O que mais? O que menos? O que o belo?
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  • INTRODUO FILOSOFIA Algum que tomasse essa deciso, estaria tomando distncia da vida cotidiana e de si mesmo, teria passado a indagar o que so as crenas e os sentimentos que alimentam, silenciosamente, nossa existncia.
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  • INTRODUO FILOSOFIA Ao tomar essa distncia, estaria interrogando a si mesmo, desejando conhecer por que cremos no que cremos, por que sentimos o que sentimos e o que so nossas crenas e nossos sentimentos. Esse algum estaria comeando a adotar o que chamamos de atitude filosfica.
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  • INTRODUO FILOSOFIA Assim, uma primeira resposta pergunta O que Filosofia? poderia ser: A deciso de no aceitar como bvias e evidentes as coisas, as idias, os fatos, as situaes, os valores, os comportamentos de nossa existncia cotidiana; jamais aceit-los sem antes hav-los investigado e compreendido. Perguntaram, certa vez, a um filsofo: Para que Filosofia?. E ele respondeu: Para no darmos nossa aceitao imediata s coisas, sem maiores consideraes.
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  • INTRODUO FILOSOFIA A atitude crtica A primeira caracterstica da atitude filosfica negativa, isto , um dizer no ao senso comum, aos pr-conceitos, aos pr-juzos, aos fatos e s idias da experincia cotidiana, ao que todo mundo diz e pensa, ao estabelecido.
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  • INTRODUO FILOSOFIA A segunda caracterstica da atitude filosfica positiva, isto , uma interrogao sobre o que so as coisas, as idias, os fatos, as situaes, os comportamentos, os valores, ns mesmos. tambm uma interrogao sobre o porqu disso tudo e de ns, e uma interrogao sobre como tudo isso assim e no de outra maneira. O que ? Por que ? Como ? Essas so as indagaes fundamentais da atitude filosfica.
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  • INTRODUO FILOSOFIA A Filosofia comea dizendo no s crenas e aos preconceitos do senso comum e, portanto, comea dizendo que no sabemos o que imaginvamos saber; por isso, o patrono da Filosofia, o grego Scrates, afirmava que a primeira e fundamental verdade filosfica dizer: Sei que nada sei. Para o discpulo de Scrates, o filsofo grego Plato, a Filosofia comea com a admirao; j o discpulo de Plato, o filsofo Aristteles, acreditava que a Filosofia comea com o espanto.
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  • INTRODUO FILOSOFIA Admirao e espanto significam: tomamos distncia do nosso mundo costumeiro, atravs de nosso pensamento, olhando-o como se nunca o tivssemos visto antes, como se no tivssemos tido famlia, amigos, professores, livros e outros meios de comunicao que nos tivessem dito o que o mundo ; como se estivssemos acabando de nascer para o mundo e para ns mesmos e precisssemos perguntar o que , por que e como o mundo, e precisssemos perguntar tambm o que somos, por que somos e como somos.
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  • INTRODUO FILOSOFIA Para que Filosofia? Em geral, essa pergunta costuma receber uma resposta irnica, conhecida dos estudantes de Filosofia: A Filosofia uma cincia com a qual e sem a qual o mundo permanece tal e qual. Ou seja, a Filosofia no serve para nada. Por isso, se costuma chamar de filsofo algum sempre distrado, com a cabea no mundo da lua, pensando e dizendo coisas que ningum entende e que so perfeitamente inteis. Essa pergunta, Para que Filosofia?, tem a sua razo de ser.
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  • INTRODUO FILOSOFIA Em nossa cultura e em nossa sociedade, costumamos considerar que alguma coisa s tem o direito de existir se tiver alguma finalidade prtica, muito visvel e de utilidade imediata.
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  • INTRODUO FILOSOFIA A reflexo filosfica Reflexo significa movimento de volta sobre si mesmo ou movimento de retorno a si mesmo. A reflexo o movimento pelo qual o pensamento volta-se para si mesmo, interrogando a si mesmo.
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  • INTRODUO FILOSOFIA A reflexo filosfica radical porque um movimento de volta do pensamento sobre si mesmo para conhecer-se a si mesmo, para indagar como possvel o prprio pensamento.
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  • INTRODUO FILOSOFIA No somos, porm, somente seres pensantes. Somos tambm seres que agem no mundo, que se relacionam com os outros seres humanos, com os animais, as plantas, as coisas, os fatos e acontecimentos, e exprimimos essas relaes tanto por meio da linguagem quanto por meio de gestos e aes.
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  • INTRODUO FILOSOFIA A reflexo filosfica tambm se volta para essas relaes que mantemos com a realidade circundante, para o que dizemos e para as aes que realizamos nessas relaes. A reflexo filosfica organiza-se em torno de trs grandes conjuntos de perguntas ou questes:
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