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VICTOR HUGO DE OLIVEIRA MARQUES

CRISTIANISMO E FILOSOFIA NOS TRS PRIMEIROS SCULOS DA ERA CRIST: ANLISE DIALTICOHISTRICA

UNIVERSIDADE CATLICA DOM BOSCO CURSO DE FILOSOFIA CAMPO GRANDE MS 2006

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CRISTIANISMO E FILOSOFIA NOS TRS PRIMEIROS SCULOS DA ERA CRIST: ANLISE DIALTICOHISTRICA

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VICTOR HUGO DE OLIVEIRA MARQUES

CRISTIANISMO E FILOSOFIA NOS TRS PRIMEIROS SCULOS DA ERA CRIST: ANLISE DIALTICOHISTRICAMonografia apresentada como exigncia final para obteno do ttulo de licenciado em filosofia Banca Examinadora da Universidade Catlica Dom Bosco, sob a orientao do Prof. Mestre Carlos Augusto Ferreira de Oliveira .

UNIVERSIDADE CATLICA DOM BOSCO CURSO DE FILOSOFIA CAMPO GRANDE - MS 2006

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BANCA EXAMINADORA

_________________________________________________________ Orientador Prof. Ms. Carlos Augusto Ferreira de Oliveira

_________________________________________________________ Examinador Prof. Ms. Neimar Machado Sousa

_________________________________________________________ Examinador Prof. Dr. Josemar de Campos Maciel

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O amante da verdade, de todos os modos e acima da prpria vida, mesmo que seja ameaado de morte, deve estar sempre decidido a dizer e praticar a justia. (Justino de Roma, 100 165)

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Dedico ao mais amigo que orientador prof. Guto, que mediante sua viso futurista e progressista, incentivo e apoio, e principalmente sua confiana na minha pessoa, possibilitou a construo

daquilo que agora chamo de Sntese de Final de Curso.

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AGRADECIMENTOS

Ao contrrio do que se v nos demais agradecimentos, no quero iniciar este me referindo a Deus como gerador da vida e ademais adendos. Apesar de me considerar um Filsofo Cristo, e por ser, de fato, um devoto, que evito tal posicionamento, a fim de que, Deus, em absoluto, no se torne muito vaidoso com tantos agradecimentos em sua pessoa e perca sua condio de divindade. Com efeito, quero, sobretudo, agradecer Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, que me possibilitou a oportunidade de adentrar no mundo do saber filosfico. Universidade Catlica Dom Bosco, na pessoa do Coordenador do Curso de Filosofia, prof. Jose Moacir de Aquino, uma pessoa que sua maneira depositou crdito na potencialidade por mim manifestada. Aos professores que integram o corpo docente do Curso de Filosofia, por serem verdadeiros sustentculos na construo pessoal de meu conhecimento. Ao Grupo de Estudos: Filosofia, Cristianismo e Sociedade, por ter propiciado a possibilidade da pergunta na qual gerou este trabalho. Banca Examinadora. Ao meu amigo e orientador (espiritual) prof. Carlos Augusto Ferreira de Oliveira, que ao me apoiar, no mediu esforos para que a cada dia a esperana no morresse dentro de mim na luta pelo livre filosofar. Enfim, a todos e a todas que fizeram parte da construo deste trabalho, principalmente meus confrades que j no agentavam mais escutar minhas lamrias, meu muito obrigado.

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MARQUES, Victor Hugo de Oliveira. Cristianismo e Filosofia nos Trs Primeiros Sculos da Era Crist: Anlise Dialtico-Histrica. Monografia como trabalho de concluso de curso. Campo Grande: Universidade Catlica Dom Bosco, 2006.

RESUMO

O presente estudo tem por finalidade explicitar demonstrativamente, mediante a anlise dialtico-histrica hegeliana a possibilidade de se pensar o Cristianismo como uma filosofia, desvelando com tal proposta, a falncia da racionalidade contempornea em sua pretenso de anular todo e qualquer elemento metafsico. Para tanto se utiliza como elemento de anlise o recorte histrico da gestao do Cristianismo, isto , os trs primeiros sculos da era crist. A evoluo construtiva do pensamento cristo pode ser estruturada em trs grandes momentos de determinao histrica: a Tese da negao do Cristianismo como filosofia, caracterizada pelos dois primeiros sculos, tendo como destaques as figuras dos filsofos apologetas Justino de Roma (100 165) e Atengoras de Atenas (?) na luta pela defesa do ser-cristo; a Anti-tese da negao da negao do Cristianismo como filosofia, com a virada epistemolgica dos filsofos cristos do terceiro sculo efetuada pelos filsofos Clemente (150 217?) e Orgenes de Alexandria (185 254?), mediante a resignificao da categoria do ????? ?? ?como possibilidade inteligvel e transcendente da racionalidade na mediao das realidades sensveis e inteligveis - e da estrutura tica, como garantia de felicidade; e a Sntese com a configurao dos contedos e da forma constitutiva de uma filosofia crist, como crtica pretenso totalizante da razo, portanto autoritria, frente f e o questionamento do prprio conceito da filosofia. Palavras-chave : Cristianismo, filosofia, dialtica.

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SUMRIO

INTRODUO 1 AMBIENTE HISTRICO-FILOSFICO NOS TRS PRIMEIROS SCULOS CRISTOS 1.1 O MUNDO GRECO-ROMANO 1.1.1 O HELENISMO 1.1.2 CORRENTES FILOSFICAS NA DECADNCIA DA ANTIGUIDADE 1.2 O MUNDO JUDAICO 1.2.1 DISPORA JUDAICA E AS INFLUNCIAS DO H ELENISMO 1.2.2 F LVIO JOSEFO 1.2.3 F ILON DE ALEXANDRIA 2 TESE: FORMAO DO PENSAMENTO CRISTO

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18 18 19 22 34 34 36 39 45

2.1 O FENMENO CRISTO 46 2.1.1 ABERTURA DO CRISTIANISMO AO MUNDO GREGO: O NASCIMENTO DE UMA FILOSOFIA COMPLEXA 48 2.2 FILOSOFIA DO CONTRA-ATAQUE 52 2.2.1 A N ECESSIDADE DA DEFESA: UMA FILOSOFIA INCIPIENTE 56 2.2.2 JUSTINO DE R OMA 57 2.2.3 ATENGORAS DE ATENAS 63 2.3 INFLUNCIAS DA FILOSOFIA GRECO-ROMANA NO PENSAMENTO CRISTO71 3 ANTI-TESE: O CRISTIANISMO COMO FILOSOFIA 3.1 A ESCOLA DE ALEXANDRIA 3.1.1 CLEMENTE DE ALEXANDRIA 3.1.2 ORGENES DE ALEXANDRIA 3.2 RUPTURA OU CONTINUIDADE? SNTESE: CONSIDERAES FINAIS REFERNCIAS 79 79 81 92 101 107 117

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INTRODUO

Segundo Kant (1983, p. 25), os problemas inevitveis da prpria razo pura so Deus, liberdade e imortalidade. Se no contraditrio dizer que tais temas, provindos do meio religioso, sejam tratados no mbito da racionalidade humana, logo, estes pertencem ao horizonte filosfico. Contudo, no se restringem apenas ao apriorismo kantiano, mas tambm so objetos de outras cincias como a Teodicia e a Filosofia da Religio, mesmo que, em perspectivas diferenciadas. Tomando como ponto de partida esta ltima, que tem por objeto o fenmeno religioso por completo nos alicerces ontolgicos (ZILLES, 1991, p. 10), tem-se neste saber, a condio de possibilidade, de modo suficiente, para se abordar tais temticas. A questo religiosa, abordada por tal rea filosfica, encontra sua relevncia e sua pertinncia na atualidade contrariando o projeto da modernidade que preconizava uma civilizao racional livre dos ditames da religio com o alvorecer da religiosidade popular da segunda metade do sculo XX. Isto tem como fator estrutural o fim da hegemonia da razo. A anlise fenomenolgica feita por Boff (1981, p.19) mostra que, hoje, mais do nunca, a maioria das sociedades vive uma crise marcada pelo vazio, solido, medo, ansiedade, agressividade, sem objetivos, numa palavra, insatisfao generalizada. Estes sintomas tm como raz ontolgica o surgimento da burguesia,

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que na busca de manter sua hegemonia poltico-econmica, se proveu de uma razo analtico-instrumental que cortou as relaes do ? ? ? ? ? 1, como simpatia, o do ? ? ? ? ? , como comunho fraterna e a ternura. Nesta relao, o homem se tornou cada vez mais insatisfeito e infeliz, o que acarretou na percepo de uma irracionalidade da prpria razo, como props Heidegger (1998), ao postular como um dos elementos da estrutura formal do ????? 3, o discurso de encobrimento do ente. A isto se denota uma insondvel perverso do pensamento (DELACAMPGNE, 1997, p. 11), a que se deduz o fracasso do projeto da modernidade. Agregado a este fator, est a fatdica morte da metafsica, anunciada por Nietzsche (1974) em sua obra: Assim Falava Zaratustra. Com a morte de Deus e a propagao do niilismo, os ltimos sustentculos da verdade, como algo absoluto, caem como as colunas do Imprio Romano, aos ataques dos brbaros, sobre os escombros de uma cultura em runa. Para solucionar este impasse, o homem volta a se perguntar por um sentido, haja vista, as diversas propostas de sentido da vida como , por exemplo, Erich Fromm (1977). Esta busca faz com que este mesmo homem resgate no fundo de seu ??? ? ? a tradio religiosa do mistrio e do sagrado, como alternativa crise existencial da racionalidade e da moral. Assim, alam vos cincias como: sociologia da religio, cincias da religio, psicologia da religio, teologias (de todas as confessionalidades) e a Filosofia da Religio entre outras, como propostas de anlise de tal fenmeno. H de

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Termo grego que neste sentido est significando emoo, sentimento ou mesmo afeto (ABBAGNANO, 2000, p. 739). 2 Termo grego que significa amor. (ABBAGNANO, 2000, p. 38). 3 Aqui Heidegger traduz o termo grego ? ? ? ? ?, num sentido literal discurso, criticando as demais tradues dadas ao termo durante a histria da filosofia. (HEIDEGGER, 1998, p. 62). 4 Termo grego que se refere ao hbito ou costume do ser (ABBAGNANO, 2000, p. 494).

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ver, a temtica da revista MicroMega na apresentao do nmero (2/2000): Filosofia e Religione della centralit del discorso religioso anche in campo culturale e filosofico [...] la vera novit 5, comprova tal preocupao. No meio deste bojo todo, velhos problemas paradigmticos so levantados, a luz de uma modernidade que ainda te nta se auto-sustentar. Estes se configuram como problemticas do tipo: a existncia ou no de Deus, a validade da f, a existncia ou no de milagres, a existncia ou no da vida depois da morte, entre outros problemas outrora trabalhados. Dentro deste contexto, v-se emergir a velha temtica da Racionalidade da F, isto , o embate entre F e Razo. Como prova desse interesse tem-se na primeira metade do sculo XX, entre os anos 20 e 30, a discusso pblica da possibilidade de uma filosofia crist na Societ Franaise de Philosophie6 entre E. Brhier e L. Brunschvicg (ne

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