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Arcadismo / Neoclassicismo - Roger · Maior lírico do Arcadismo. Escreveu Marília de Dirceu, poema dedicado à amada Maria Dorotéia Joaquina de Seixas. Pode ser considerado pré-romântico,

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Text of Arcadismo / Neoclassicismo - Roger · Maior lírico do Arcadismo. Escreveu Marília de Dirceu,...

Arcadismo / Neoclassicismo

Minas Gerais Vila Rica Sculo XVIII

Prof. Roger

Contexto sculo XVIII

Escravos garimpando - Debret

Inconfidncia Mineira Ciclo do Ouro

Revoluo Francesa

Progresso cientfico

Iluminismo

Razo como luz da Histria

A Liberdade guiando o povo, Delacroix

Prof. Roger

Caractersticas:

Retomada das caractersticas clssicas

razo, objetividade, equilbrio, harmonia, mitologia, etc.

Adoo do mito da Arcdia

Simplicidade

Bucolismo

Pastoralismo

Prof. Roger

Enquanto pasta alegre o manso gado,

Minha bela Marlia, nos sentemos

sombra deste cedro levantado.

Um pouco meditemos

Na regular beleza,

Que em tudo quanto vive, nos descobre

A sbia natureza.

(Gonzaga)

Inutilia truncat

(lema rcade): corte s coisas inteis

Fugere urbem: fugir da cidade.

Quem deixa o trato pastoril amado

Pela ingrata, civil correspondncia,

Ou desconhece o rosto da violncia,

Ou do retiro a paz no tem provado. (Cludio M. da Costa)

Locus amoenus: local aprazvel.

Num stio ameno Cheio de rosas, De brancos lrios, Murtas viosas;

Dos seus amores Na companhia Dirceu passava Alegre o dia. (Gonzaga)

Carpe diem: aproveite o dia.

Ah! enquanto os Destinos impiedoso

No voltam contra ns a face irada,

Faamos, sim faamos, doce amada,

Os nossos breves dias mais ditosos.

(Gonzaga)

Aurea mediocritas: mediania dourada

Tu no habitars palcios grandes,

Nem andars nos coches voadores;

Porm ters um Vate, que te preze,

Que cante os teus louvores.

(Gonzaga)

Prof. Roger

Observao: as outras artes em Minas

no sculo XVIII

Mesmo com o surgimento do Arcadismo na literatura, o Barroco continuou dominando a escultura de Antnio Francisco

Lisboa (Aleijadinho) e a pintura de Manuel da Costa Atade

(Mestre Atade). Na fotografia, Os Profetas, de Aleijadinho.

Prof. Roger

O Amor Galante ou Amor Corts

Quando apareces,

na madrugada,

mal embrulhada,

na roupa larga,

e desgrenhada,

sem fita ou flor;

ah! que ento brilha

a natureza!

Ento se mostra

tua beleza

inda maior. (Gonzaga)

bom, minha Marlia, bom ser dono

De um rebanho, que cubra monte, e

/prado;

Porm, gentil Pastora, o teu agrado

Vale mais qum rebanho, e mais qum

/trono.

Graas, Marlia bela,

Graas minha Estrela!

(Gonzaga)

Prof. Roger

Poetas Lricos:

1. Cludio Manuel da Costa (Glauceste Satrnio)

Inaugurou o Arcadismo poeta de transio

Influncia da lrica camoniana

Temas: sofrimento amoroso, paisagem natal, penhas, etc.

Sou pastor; no te nego; os meus montados

So esses, que a vs; vivo contente

Ao trazer entre a relva florescente

A doce companhia do meu gado.

Prof. Roger

(UFRGS)

Destes penhascos fez a natureza

O bero em que nasci: oh! Quem cuidara

Que entre penhas to duras se criara

Uma alma terna, um peito sem dureza!

Amor, que vence os tigres, por empresa

Tomou logo render-me; ele declara

Contra o meu corao guerra to rara,

Que no me foi bastante a fortaleza.

Por mais que eu mesmo conhecesse o dano,

A que dava ocasio minha brandura,

Nunca pude fugir ao cego engano:

Vs, que ostentais a condio mais dura,

Temei, penhas, temei, que Amor tirano

Onde h mais resistncia, mais se apura.

( ) Atravs da imagem bero (v. 2), o poeta celebra a sua terra natal, que representada em sintonia com os seus prprios sentimentos.

( ) O emprego das palavras alma(v. 4), peito (v. 4) e corao (v. 7) funciona como disfarce para o artificialismo e a frieza dos sentimentos do poeta rcade.

( ) Nos versos 5 a 8, o amor, que vence o poeta, apresentado atravs de metforas que simbolizam aes de guerra.

( ) No final dos versos 9, 11 e 13,o emprego das palavras rimadas dano, engano e tirano refora o sofrimento e a incerteza inerentes experincia do amor.

( ) Nos versos 12 a 14, o poeta humaniza a natureza e dirige-se s penhas, alertando-as em relao fora irresistvel do amor.

Prof. Roger

2. Toms Antnio Gonzaga (Dirceu)

Maior lrico do Arcadismo.

Escreveu Marlia de Dirceu, poema dedicado amada Maria

Dorotia Joaquina de Seixas.

Pode ser considerado pr-romntico, tanto nas referncias

mulher amada quanto no sofrimento experimentado na priso.

A obra satrica Cartas Chilenas foi escrita sob o pseudnimo de

Critilo.

Critica os desmandos do ento governador de Minas, Lus da

Cunha Meneses.

As cartas circularam em forma de manuscrito em Vila Rica, no

final do sculo XVIII.

Prof. Roger

Fragmentos de Marlia de Dirceu

Lira I

Eu, Marlia, no sou algum vaqueiro,

Que viva de guardar alheio gado;

De tosco trato, dexpresses grosseiro,

Dos frios gelos, e dos sis queimado.

Tenho prprio casal, e nele assisto;

D-me vinho, legume, fruta, azeite;

Das brancas ovelhinhas tiro o leite,

E mais as finas ls, de que me visto.

Graas, Marlia bela,

Graas minha Estrela!

Prof. Roger

Lira V

Acaso so estes Os stios formosos. Aonde passava Os anos gostosos? So estes os prados, Aonde brincava, Enquanto passava O gordo rebanho, Que Alceu me deixou?

So estes os stios? So estes; mas eu O mesmo no sou. Marlia, tu chamas? Espera, que eu vou.

In Arcadia - Friedrich August Von Kaulbach

Prof. Roger

Lira XXVII

Alexandre, Marlia, qual o rio,

Que engrossando no inverno tudo

/arrasa,

Na frente das coortes

Cerca, vence, abrasa

As cidades mais fortes.

Foi na glria das armas o primeiro;

Morreu na flor dos anos, e j tinha

Vencido o mundo inteiro.

Mas este bom soldado, cujo nome

No h poder algum, que no abata,

Foi, Marlia, somente

Um ditoso pirata,

Um salteador valente.

Se no tem uma fama baixa, e escura,

Foi por se pr ao lado da injustia

A insolente ventura.

(...)

Eu que sou heri, Marlia bela,

Seguindo da virtude a honrosa

/estrada:

Ganhei, ganhei um trono,

Ah! no manchei a espada,

No roubei ao dono.

Ergui-o no teu peito, e nos teus

/braos:

E valem muito mais que o mundo

/inteiro

Uns to ditosos laos.

Prof. Roger

3. Silva Alvarenga (Alcindo Palmireno)

Escreveu Glaura, ronds e madrigais dedicados pastora de mesmo nome. Alguns crticos o colocam

como poeta de transio entre Arcadismo e

Romantismo pela tendncia sentimental que

aparece em seus poemas.

4. Alvarenga Peixoto

Completa o panorama do lirismo rcade, no

alcanando a importncia dos poetas

anteriores.

Prof. Roger

(UFRGS) Considere o texto e as

afirmaes correspondentes.

Lira III

Tu no vers, Marlia, cem cativos

Tirarem o cascalho e a rica terra,

Ou dos cercos dos rios caudalosos,

Ou da minada serra.

No vers separar ao hbil negro

Do pesado esmeril a grossa areia,

E j brilharem os granetes de ouro

No fundo da bateia.

No vers derrubar os virgens matos;

Queimar as capoeiras ainda novas;

Servir de adubo terra a frtil cinza;

Lanar os gros nas covas.

No vers enrolar negros pacotes

Das folhas secas do cheiroso fumo;

Nem espremer entre as dentadas rodas

Da doce cana o sumo.

Vers em cima da espaosa mesa

Altos volumes de enredados feitos:

Ver-me-s folhear os grandes livros,

E decidir os pleitos.

Enquanto revolver os meus consultos,

Tu me fars gostosa companhia,

Lendo os fastos da sbia mestra histria,

E os cantos da poesia.

Lers em alta voz a imagem bela,

E eu, vendo que lhe ds o justo apreo,

Gostoso tornarei a ler de novo

O cansado processo. (...)

Prof. Roger

Prof. Roger

Considere as afirmativas seguintes.

I O poeta critica Marlia por no enxergar as

atividades produtivas que provem o sustento e a

riqueza do casal, mas elogia o senso esttico da

amada, capaz de discernir entre boa e m poesia.

II Em estrofes de quatro versos, todas elas com

rimas entre o segundo e o quarto versos, o poeta

contrasta a paisagem externa com o ambiente

domstico em que ele e Marlia dividem tarefas.

III A cena domstica descrita pelo poeta demonstra a

harmonia entre o casal que se dedica a atividades

intelectuais, sendo que Marlia complementa e suaviza

o cotidiano do marido.

O Uraguai

de

Baslio da Gama

(1769)

Prof. Roger

Tratado de

Tordesilhas

(1494)

Prof. Roger

Prof. Roger

Colnia de Sacramento

Territrio espanhol ocupado pelos

portugueses, no Rio da Prata, em frente a

Buenos Aires.

Prof. Roger

As Misses

territrio espanhol

jesutas + guaranis

grande desenvolvimento

(exportao)

ameaa para Portugal e

Espanha

Prof. Roger

Tratado de Madri 1750 Prof. Roger

Prof. Roger

Baslio da Gama

(1741-1795)

Nascido em Minas, Baslio da Gama

estudou com os jesutas, mas foi expulso

da ordem. Estudou em Coimbra, mas teve

de fugir para Lisboa e depois para Roma,

por suspeita de ligao com os jesutas,

perseguidos pelo Marqus de Pombal.

Para salvar-se do desterro ao que seria

condenado, escreve versos em

homenagem ao Marqus e sua famlia.

Prof. Roger

Personagens

General Gomes Freire de Andrade (chefe das

tropas portuguesas);

Catneo (chefe das tropas espanholas);

Cacambo (chefe indgena);

Cep (guerreiro ndio);

Balda (jesuta administrador de Sete Povos das

Misses);

Caitutu (guerreiro indgena, irmo de Lindia);

Lindia (esposa de Cacambo);

Tanajura (indgena feiticeira).

O Uraguai 1769

CANTO I: O poeta apresenta o campo de batalha coberto

de cadveres. Voltando no tempo, apresenta o exrcito

luso-espanhol.

Fumam ainda nas desertas praias

Lagos de sangue tpidos e impuros

Em que ondeiam cadveres despidos,

Pasto de corvos. Dura inda nos vales

O rouco som da irada artilheria.

Musa, honremos o Heri que o povo rude

Subjugou do Uraguai, e no seu sangue

Dos decretos reais lavou a afronta.

Prof. Roger

Portugal + Espanha Prof. Roger

E o cerro de Castilhos o mar lava

Ao monte mais vizinho, e que as vertentes

Os termos do domnio assinalassem.

Vossa fica a Colnia, e ficam nossos

Sete povos, que os Brbaros habitam

Naquela oriental vasta campina

Que o frtil Uraguai discorre e banha.

O nosso ltimo rei e o rei de Espanha

Determinaram, por cortar de um golpe,

Como sabeis, neste ngulo da terra,

As desordens de povos confinantes,

Que mais certos sinais nos dividissem

Tirando a linha de onde a estril costa,

CANTO II: D-se o encontro entre os chefes ndios

Sep e Cacambo com Gomes Freire de Andrada. Os

ndios so vencidos e Sep morre na batalha.

Fala de Cacambo:

Volta, senhor, no passes adiante.

Que mais queres de ns? No nos obrigues

A resistir-te em campo aberto. Pode

Custar-te muito sangue o dar um passo.

No queiras ver se cortam nossas frechas.

V que o nome dos reis no nos assusta.

O teu est muito longe; e ns os ndios

No temos outro rei mais do que os padres.

Prof. Roger

Fala de Gomes Freire de Andrada, governador do Rio de

Janeiro, chefe da expedio luso-espanhola:

O rei vosso pai: quer-vos felizes.

Sois livres, como eu sou; e sereis livres.

No sendo aqui, em qualquer outra parte.

Mas deveis entregar-nos estas terras.

Ao bem pblico cede o bem privado.

O sossego da Europa assim o pede.

Assim manda o rei. Vs sois rebeldes,

Se no obedeceis; mas os rebeldes

Eu sei que no sois vs - so os bons padres,

Que vos dizem a todos que sois livres,

E se servem de vs como escravos.

Armados de oraes vos pem no campo

Contra o fero trovo da artilheria,

Que os muros arrebata; e se contentam

De ver de longe a guerra: sacrificam,

Avarentos do seu, o vosso sangue.

Prof. Roger

Fala de Sep Tiaraju:

(...) General, eu te agradeo

As setas que me ds e te prometo

Mandar-tas bem depressa uma por uma

Entre nuvens de ps no ardor da guerra.

Tu as conhecers pelas feridas,

Ou porque rompem com mais fora os ares.

Prof. Roger

Descrio de Baldetta:

Gentil mancebo presumido e nscio,

A quem a popular lisonja engana,

Vaidoso pelo campo discorria,

Fazendo ostentao dos seus penachos.

Impertinente e de famlia escura,

Mas que tinha o favor dos santos padres,

Contam, no sei se certo, que o tivera

A estril me por oraes de Balda.

Chamaram-no Baldetta por memria.

Prof. Roger

A Guerra

Fez proezas Sep naquele dia.

Conhecido de todos, no perigo

Mostrava descoberto o rosto e o peito

Forando os seus co exemplo e coas palavras.

J tinha despejado a aljava toda,

E destro em atirar, e irado e forte

Quantas setas da mo voar fazia

Tantas na nossa gente ensangentava.

Prof. Roger

CANTO III: O acampamento das tropas

ibricas incendiado por obra de Cacambo,

que morre, assassinado por Balda.

O sonho de Cacambo:

Era noite alta, e carrancudo e triste

Negava o cu envolto em pobre manto

A luz ao mundo, e murmurar se ouvia

Ao longe o rio, e menear-se o vento.

Respirava descanso a natureza.

S na outra margem no podia entanto

O inquieto Cacambo achar sossego.

No perturbado interrompido sono

(Talvez fosse iluso) se lhe apresenta

A triste imagem de Sep despido,

Pintado o rosto do temor da morte,

Banhado em negro sangue, que corria

Do peito aberto, e nos pisados braos

Inda os sinais da msera cada.

Prof. Roger

A trama do Pe. Balda:

(...) No consente O cauteloso Balda que Lindia Chegue a falar ao seu esposo; e manda Que uma escura priso o esconda e aparte Da luz do sol. Nem os reais parentes, Nem dos amigos a piedade, e o pranto Da enternecida esposa abranda o peito Do obstinado juiz: at que fora De desgostos, de mgoa e de saudade, Por meio de um licor desconhecido, Que lhe deu compassivo o santo padre, Jaz o ilustre Cacambo - entre os gentios nico que na paz e em dura guerra De virtude e valor deu claro exemplo.

Prof. Roger

CANTO IV: As foras luso-espanholas aproximam-se

da aldeia. Lindia, viva de Cacambo, forada a

casar com Baldeta, filho de Balda, mas a ndia

prefere morrer a trair a memria de seu marido e de

seu povo. Os ndios, diante do ataque que se

prepara, acabam incendiando a aldeia e fugindo.

Este lugar delicioso e triste,

Cansada de viver, tinha escolhido

Para morrer a msera Lindia.

L reclinada, como que dormia,

Na branda relva e nas mimosas flores,

Tinha a face na mo, e a mo no tronco

De um fnebre cipreste, que espalhava

Melanclica sombra. (...)

Prof. Roger

(...) Mais de perto

Descobrem que se enrola no seu corpo

Verde serpente, e lhe passeia, e cinge

Pescoo e braos, e lhe lambe o seio.

Fogem de a ver assim, sobressaltados,

E param cheios de amor ao longe;

E nem se atrevem a cham-la, e temem

Que desperte assustada, e irrite o monstro,

E fuja, e apresse no fugir a morte.

Porm o destro Caitutu, que treme

Do perigo da irm, sem mais demora

Dobrou as pontas do arco, e quis trs vezes

Soltar o tiro, e vacilou trs vezes

Entre a ira e o temor. Enfim sacode

O arco e faz voar a aguda seta,

Que toca o peito de Lindia, e fere

A serpente na testa, e a boca e os dentes

Deixou cravado no vizinho tronco.

Prof. Roger

Aouta o campo coa ligeira cauda

O irado monstro, e em tortuosos giros

Se enrosca no cipreste, e verte envolto

Em negro sangue o lvido veneno.

Leva nos braos a infeliz Lindia

O desgraado irmo, que ao despert-la

Conhece, com que dor! No frio rosto

Os sinais do veneno, e v ferido

Pelo dente sutil o brando peito.

Prof. Roger

CANTO V: O autor encerra a narrativa louvando o heri Gomes Freire de Andrada, justificando as razes dos ndios e indicando que os nicos viles da histria so os jesutas.

Entra no povo e ao templo se encaminha

O invicto Andrade; e generoso, entanto,

Reprime a militar licena, e a todos

Coa grande sombra ampara: alegre e brando

No meio da vitria. Em roda o cercam

(Nem se enganaram) procurando abrigo

Chorosas mes, e filhos inocentes,

E curvos pais e tmidas donzelas.

Prof. Roger

Final

Sers lido, Uraguai. Cubra os meus olhos

Embora um dia a escura noite eterna.

Portugueses ( + Espanhis) Gomes Freire de Andrada

ndios guaranis:

-Sep Tiaraju

-Cacambo

-Lindia

Jesutas: Pe. Loureno de Balda (+ Baldetta)

Prof. Roger

Arcadismo = Pr-Romantismo

Indianismo valorizao das figuras indgenas

(o bom selvagem)

Morte por amor a morte de Lindia

Estrofao livre e versos decasslabos brancos

Prof. Roger

(UFRGS) O Uraguai - Baslio da Gama

Canto II

Prosseguia talvez; mas o interrompe

Sep, que entra no meio, e diz: - "Cacambo

Fez mais do que devia; e todos sabem

Que estas terras, que pisas, o cu livres

Deu aos nossos avs; ns tambm livres

As recebemos dos antepassados.

Livres as ho de herdar os nossos filhos.

Desconhecemos, detestamos jugo

Que no seja o do cu, por mo dos padres.

As frechas partiro nossas contendas

Dentro de pouco tempo; e o vosso Mundo,

Se nele um resto houver de humanidade,

Julgar entre ns: se defendemos

- Tu a injustia, e ns o Deus e a Ptria. -

Enfim quereis a guerra, e tereis guerra."

Lhe torna o General. - "Podeis partir-vos,

Que tendes livre o passo." (....)

Prof. Roger

1. Sobre o discurso de Sep, correto afirmar que nele se percebe

A. o esprito conciliatrio de quem busca estabelecer a paz.

B. a hostilidade de quem considera inevitvel a guerra.

C. a arrogncia de quem afirma estar mais bem armado do que o inimigo.

D. a indulgncia com que sero tratados os prisioneiros de guerra.

E. a simpatia votada causa do inimigo que defende Deus e Ptria.

Prof. Roger

2. Segundo Sep, em O Uraguai,

A. os ndios receberam a liberdade do cu e de seus antepassados para que se associassem ao empreendimento colonial de Portugal e Espanha.

B. os ndios recusam-se a lutar pelos padres cujo domnio causou as hostilidades com as coroas portuguesa e espanhola.

C. os ndios pretendem legar aos filhos as terras livres que receberam de seus avs, os quais as receberam do cu.

D. os ndios protestam contra o jugo do cu cujos representantes na terra so os padres responsveis pela converso e catequese.

E. pretendem lutar aguerridamente contra a injustia representada pelo Deus e pela Ptria dos adversrios.

Prof. Roger

3. (UFRGS) Assinale a alternativa incorreta em relao obra O Uraguai, de Baslio da Gama.

A. O poema narra a expedio de Gomes Freire de Andrade, Governador do Rio de Janeiro, s misses jesuticas espanholas da banda oriental do Rio Uruguai.

B. O Uraguai segue os padres estticos dos poemas picos da tradio ocidental, como a Odissia, a Eneida, e Os Lusadas.

C. Baslio da Gama expressa uma viso europia em relao aos indgenas, acentuando seu carter brbaro, incapaz de sentimentos nobres e humanitrios.

D. Nas figuras de Cacambo e Sep Tiaraju est representado o povo autctone que defende o solo natal.

E. Lindia, nica figura feminina do poema, morre de amor aps o desaparecimento de seu amado Cacambo.

Prof. Roger