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Caramujo Africano

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Este é um material que se dedica explicar a origem, cuidados e eliminação correta dos caramujos africanos!

Text of Caramujo Africano

INFORME TCNICO PARA O CONTROLE DO CARAMUJO AFRICANO (Achatina fulica, Bowdich 1822) EM GOIS

Exemplares do Caramujo Africano, Achatina fulica (pronuncia-se: acatina flica)

Goinia, setembro de 2005.

COELHO, Leila Morais. Informe tcnico para o controle do caramujo africano (Achatina fulica, Bowdch 1822 em Gois.Goinia:AGENCIARURAL,2005.12P. AGENCIA RURAL. Documento, 4 ).

ISSN 1677-2059 1.Caramujo africano(Achatina fulica, Bowdich 1822) Controle Estado de Gois. I. Ttulo. II. Serie.

CDU 593.32(817.3)

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Histrico O caramujo-africano um molusco terrestre, originrio do nordeste da frica, relatado pela primeira vez, fora de habitat natural, em 1803, na Ilha Maurcio, sendo disseminado para diversos pases como ndia, Ceilo, Malsia, Austrlia, Gana, Costa do Marfim, Japo, Estados Unidos, Indonsia, diversos pases insulares, inclusive o Hawa, e outros.

Por dados levantados o molusco foi introduzido ilegalmente no Brasil, em uma feira agropecuria realizada em Curitiba, entre 1988 e 1989, por empreendedores que visavam a concorrncia com o verdadeiro escargot (Helix aspersa), em funo de suas caractersticas biolgicas (alta taxa de reproduo, adapta-se a diferentes ambientes) e ausncia de predadores naturais. Sua presena foi constatada no Brasil, nos Estados do AM, BA, ES, GO, MA, MG, PA, PB, PR, PE, PI, RJ, RO, SC, SP e DF.

Em 1996, alguns produtores goianos tentaram a formao de uma cooperativa para criao de escargot, no entanto, fotos comprovaram que se tratava do caramujo-africano. Como no obtiveram xito, o insucesso comercial provocou desistncia na criao e a soltura inadequada do molusco no meio ambiente, facilitando sua disseminao. Concomitantemente, propensos criadores, inadvertidamente, coletaram indivduos ferais (asselvajados, em vida livre) com objetivo experimental e/ou comercial, originando o problema que se agravou mais, porque a espcie introduzida tem alto potencial invasor, sendo considerada uma das cem piores espcies da Lista na Unio para Conservao da Natureza (UICN).

Morfofisiologia

O caramujo adulto tem concha cnica, de 10 a 15 cm de comprimento, mosqueada de tom marrom claro e escuro que, aps morte, fica esmaecida (desbotada); podem pesar at 200 gramas e os indivduos jovens so menores, mas possuem as mesmas caractersticas de concha dos adultos. Essa espcie extremamente prolfera, principalmente na estao chuvosa, alcanando a maturidade sexual aos 4 - 5 meses; a fecundao ocorre cruzada (mutuamente), pois os indivduos so hermafroditas, realizando at 04 posturas anual, com 50 a 400 ovos, por postura, que medem de 5-6 mm de comprimento por 4-5 mm de largura, hibernam abaixo de 10

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C, seca e ao sol intenso.

Quanto aos hbitos alimentares, caracteriza-se por ser um herbvoro generalista/polfago (folhas, flores, frutos, casca caulinar etc), alm de alimentar de papel e at tinta de parede; tornam-se canibais, comendo ovos e jovens da mesma espcie, principalmente na falta de clcio; podem viver mais de 09 anos e, aps a morte, a concha fica, geralmente, virada para cima, podendo ficar cheia de gua da chuva e servir de criadouro para o Aedes aegypti e tambm outros mosquitos.

FIGURA 1 - Forma da postura do caramujo africano, detalhes dos seus ovos.

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FIGURA 2 - Detalhes e variabilidade do colorido das conchas do caramujo africano. A concha menor mede 07 cm e a maior 11cm de comprimento. OBS.: A concha menor conserva o aspecto nacarado (manchado), mostrando um brilho que nos outros j se perdeu.

FIGURA 3 Comparao entre o aspecto do caramujo africano Achatina fulica e alguns gneros de moluscos.

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FIGURA 4 Concha do caramujo africano em diferentes tamanhos e coloridos.

FIGURA 5 Conchas de diversas espcies de molusco.

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IMPACTOS DO CARAMUJO AFRICANO

SADE PBLICA

O caramujo-africano um hospedeiro intermedirio de duas espcies de nematides (Angiostrongylus costaricensis e A. cantonensis). O primeiro pode ocasionar a angiostrongilase abdominal, causando perfurao intestinal, peritonite e hemorragia, podendo resultar em bito ,caso no se tenha diagnstico e tratamento corretos, cujos sintomas so semelhantes a uma apendicite, mascarando a presena da doena nas estatsticas pblicas. Tem-se registro desta forma abdominal nos Estados do Rio Grande Sul, Santa Catarina, Paran So Paulo e Distrito Federal, mas neste caso sendo os hospedeiros intermedirios Phyllocaulis variegatus, lesma de grande distribuio geogrfica no Continente Sul-Americano, e outros moluscos como Limax maximus, L. flavus e Biomphallaria similaris.

A outra espcie, Angiostrongylus cantonensis, pode transmitir o nematide causador da angiostrongilase meningoenceflica ao homem (meningite ou meningoencefalite eosinoflica), apresentando estados clnicos muito variveis, embora, poucas vezes fatal, os sintomas podem se arrastar por meses, ocorrendo casos de leses oculares permanentes (cegueira). Parece ser contrada pelo homem por meio da ingesto de larvas de terceiro estdio (L3) deste nematide, ou de moluscos infectados pelo verme. Como as larvas so encontradas no muco produzido pelo molusco e, por serem vidos por verduras, legumes e frutas como fonte alimentar, provvel que o consumo humano desses vegetais seja a maneira mais comum de contaminao (presena de muco - elicina) do patgeno.

O conhecimento do ciclo vital de Angiostrongylus, apesar de incompleto, mostra uma complexidade de situaes nas quais o homem, provavelmente, aparece como hospedeiro eventual. O molusco hospedeiro intermedirio e so os pequenos roedores urbanos e silvestres os hospedeiros definitivos, bem como reservatrios do nematide. Grande nmero de outras espcies de moluscos experimentalmente susceptvel infeco pelo nematide. No contexto epidemiolgico atual, a angiostrongilase meningoenceflica permanece ausente na rea

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continental americana. Outros caramujos participam como hospedeiros intermedirios, como Bradybaena similaris e Subulina octona, alm de espcies dos gneros Veronicella, Limax e Deroceras. At mesmo o prosobrnquio dulccola Pomacea canaliculata. Cabe lembrar que ainda no existem casos confirmados no Brasil de Angiostrongylus costaricensis e A. cantonensis transmitidos pelo caramujo africano. Por medida de segurana lavar bem as frutas , hortalias, verduras e legumes e fazer a desinfeco com hipoclorito de sdio ( colocar em imerso em uma colher de ch de gua sanitria para um litro de gua, de 15 30 minutos), antes de consumir esses alimentos.

AGRICULTURA

Devido as suas caractersticas morfofisiolgicas e o hbito alimentar, uma espcie voraz, podendo se alimentar de cerca de 500 tipos de plantas, variando desde de abboras, alface, almeiro, batata-doce, feijes, mandioca, pepino, rami, tomate, a frutferas como acerola, guaran, mamo, morango e ornamentais, camaro-vermelho, hibiscos, jibia, (orqudeas etc), plantas ruderais* (jambu, pico-branco), nativas (mandacaru etc) e florestas implantadas.

Em pases onde o caramujo africano foi introduzido, tornou-se praga agrcola e este fato, per si, e sua ocorrncia provoca uma situao de alerta e de mobilizao no Estado de Gois, carecendo de um controle eficiente por parte das instituiespblicas.. * Termo Botnico: Diz-se da planta que habita as cercanias das construes humanas: ruas, terrenos baldios, runas, etc. (Como tal ambiente, em geral, relativamente rico em protenas, as plantas ruderais so nitrfilas).

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FIGURA 6 - Presena do caramujo africano em diferentes habitats.

MEIO AMBIENTE

Os moluscos participam no equilbrio do ecossistema como importantes agentes na reciclagem de nutrientes, principalmente de clcio. As espcies invasoras alteram esse equilbrio, pelo acelerado aumento populacional, diminuindo a disponibilidade de alimento para a malacofauna (fauna de moluscos) nativa terrestre. Em laboratrio, indivduos do molusco gigante brasileiro aru-do-mato (Megalobulimus cf. oblongus) na presena do caramujo africano, ficam inibidos, e inativos, entram em letargia e morrem em poucos dias, podendo o mesmo ocorrer em ambientes naturais e ameaar sobrevivncia dos nativos.

A utilizao do caramujo africano, tambm como isca em pesque-pagues, pode gerar um enorme impacto nos recursos hdricos.

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MEDIDAS DE CONTROLE

1) Ocorrendo o molusco, certifique se realmente o Caramujo Africano; em caso de dvida, colete exemplares (pelo menos uns 5 ou 6), utilizando luvas ou sacos plsticos, coloque em soluo alcolica 70%. Em seguida, coloque uma etiqueta contendo data, local, nome de quem coletou e envie este material para identificao ao IBAMA, universidades ou centros de pesquisa. A concha vazia e uma boa foto tambm podem servir para identificao.

2) Aprenda a diferenci-lo dos moluscos nativos, (vide figuras anteriores) para que estes sejam preservados. No caso da possvel presena do Caramujo Africano, informe s autoridades municipais (Secretaria Municipal de Sade, Vigilncia Sanitria, IBAMA, etc). 3) Em residncias (jardins, hortas, pomares) ou bairros, colete os caramujos e os ovos manualmente, utilizando uma luva de borracha ou similar ou mesmo uma p e coloque-os em sacos plsticos dentro de um recipiente adequado (tambores, lixeiras com tampas ou sacos plsticos de alta resistncia). Em caso de contato acidental, basta apenas lavar as mos com gua e sabo. Os melhores horrios para o procedimento de coleta so pela manh ou no final da tarde. 4) Organize coletas peridicas, durante todo o ano, procurando eliminar locais de ocorrncia do animal como lixos (pneus, latas, entulhos, plsticos, tijolos, telhas, madeiras, etc) dos quintais e lotes baldios, tentando evitar tambm ratos, baratas, escorpies, aranhas, moscas e mosquitos. 5)Para o descarte No local utilizado pelo Municpio, para a disposio do lixo domiciliar, cave previamente uma vala com um metro e meio de profundidade; a largura e

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