caramujo africano

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Text of caramujo africano

VOL III

CARAMUJO GIGANTE AFRICANO Achatina fulica (Bowdich 1822)

-Julho 2006-

MINISTRIO DO MEIO AMBIENTE INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAI S RENOVVEIS Ministra MARIA OSMARINA MARINA DA SILVA VAZ DE LIMA Presidente MARCUS LUIZ BARROSO BARROS Diretor de Fauna e dos Recursos Pesqueiros RMULO JOS FERNANDES BARRETO MELLO Coordenador Geral de Fauna RICARDO JOS SOAVINSKI

Documento baseado no Plano de Ao para o controle de Achatina fulica, elaborado por Fbio Faraco. [email protected]

Organizado por: Andr Jean Deberdt Diretoria de Fauna e Recursos Pesqueiros DIFAP Coordenao Geral de Fauna - CGFAU SCEN L4, Trecho 2, Ed. Sede do Ibama, Bloco B Cx.P 9870, CEP 70800-200, Braslia, DF Fone: (61) 3316-1654; FAX: (61) 3316-1067 [email protected]

Imagens: Andr J. Deberdt

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Este documento est em constante atualizao. Crticas e informaes complementares so bem-vindas e podem ser enviadas para o endereo: [email protected]

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SUMRIO

CLASSIFICAO TAXONMICA ............................................................................................................ 5 CARACTERSTICAS GERAIS ................................................................................................................. 5 PARASITOLOGIA ................................................................................................................................... 7 PROCEDIMENTOS PARA O CONTROLE ............................................................................................... 8IDENTIFICAO DO CAR AMUJO.........................................................................................................................................................8 CONTROLE DO CARAMUJO-GIGANTE-AFRICANO EM RESIDNCIAS (JARDINS, HORTAS, POMARES) OU BAIRROS..............8 ROTEIRO GERENCIAL PA RA O PROGRAMA DE CONTROLE DE (ACHATINA FULICA) EM BAIRROS E MUNICPIOS. ................9

BASE LEGAL PARA O CONTROLE DE ACHATINA FULICA ...................................................................11 FONTES ...............................................................................................................................................12 ANEXO I ...............................................................................................................................................13PROGRAMA PILOTO PARA O CONTROLE DO CARAM UJO GIGANTE AFRICANO........................................................................13

ANEXO II ..............................................................................................................................................18ESTRATGIAS DE COMUNICAO NO COMBATE AO CARAMUJO AFRICANO ...........................................................................18

ANEXO III .............................................................................................................................................20ESTRATGIA DE COMUNICAO PARA O PROGRAM DE CONTROLE DO CAR A AMUJO AFRICANO .......................................20

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Achatina fulica (Bowdich, 1822)

CLASSIFICAO TAXONMICANome Comum: caramujo gigante africano, caracol gigante da frica, caracol gigante, rainha da frica. Filo: Mollusca Classe: Gastropoda Subclasse: Pulmonata Ordem: Stylommatophora Famlia: Achatinidae Gnero: Achatina Espcie: Achatina fulica

CARACTERSTICAS GERAISO caramujo-gigante-africano um molusco terrestre, nativo do nordeste da frica, foi introduzido ilegalmente no Brasil na dcada de 80, como uma alternativa para a criao de escargot. Fugas acidentais e o abandono dos animais em decorrncia da insatisfao de muitos criadores contriburam para a disperso do molusco, que hoje ocorre em quase todos os estados brasileiros, inclusive no Distrito Federal. Considerado uma praga em diversos pases, dentre eles ndia, Madagascar, EUA, Austrlia, e em pases do Sudeste Asitico, o caramujo-gigante-africano vem causando srios prejuzos em culturas agrcolas, sade humana, como potencial transmissor de doenas parasitrias e ao meio ambiente, competindo diretamente com as espcies de caramujos nativos. Apesar dos resultados ainda no conclusivos, alguns experimentos realizados em laboratrio demonstraram efeitos negativos do caramujo invasor sobre algumas espcies nativas. O caramujo Achatina fulica classificado pela Unio Internacional para a Conservao da Natureza (IUCN, na sigla em ingls) como uma das 100 piores espcies exticas invasoras no mundo.

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DADOS BIOLGICOS DA ESPCIE: Tamanho da concha (adulto): cnica com 10 a 15 cm de comprimento. Colorao da concha: mosqueada com tons de marrom claro e marrom escuro. Aps a

morte do caramujo a concha passa a apresentar uma colorao esmaecida. Hbito alimentar: herbvoro generalista (folhas, flores e frutos de diversas espcies). Em

situaes extremas pode se alimentar de outros caramujos como fonte de clcio. Caracteres reprodutivos: hermafrodita com fecundao cruzada (dois indivduos so

necessrios). Maturidade sexual: 4 a 5 meses. Postura de ovos: at 4 posturas por ano, com 50 a 400 ovos por postura. Tamanho do ovo: 5-6 mm de comprimento por 4-5 mm de largura Ocorrncia: bordas de mata, margens de brejos, capoeiras, hortas e pomares,

plantaes abandonadas, terrenos baldios urbanos, quintais e jardins. Parcialmente arborcola, tambm pode ser encontrado em rvores e muros. Tolerncia ambiental: resistente a frio (hiberna a temperaturas abaixo de 10 C), secao

e ao sol intenso. A populao prolifera muito na estao chuvosa.

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PARASITOLOGIADo ponto de vista mdico, Achatina fulica tem sua importncia por tratar-se de uma espcie envolvida na transmisso da angiostrongilase meningoenceflica ao homem, doena tambm denominada meningite (ou meningoencefalite) eosinoflica, causada pelo nematdeo Angiostrongylus cantonensis (Chen, 1935). Do ciclo de A. cantonensis participam como hospedeiros intermedirios, alm de A. fulica, outros caramujos, como Bradybaena similaris Frussac, 1821 e Subulina octona Bruguire, 1789, alm de lesmas dos gneros Veronicella, Limax e Deroceras. At mesmo o caramujo prosobrnquio dulccola Pomacea canaliculata (Lamarck, 1822) anotado como hospedeiro intermedirio. A angiostrongilase meningoenceflica apresenta clnica muito varivel. Embora poucas vezes fatal, os sintomas podem se arrastar por meses, ocorrendo casos de leses oculares permanentes. Parece ser contrada pelo homem por meio da ingesto de larvas de terceiro estdio (L3) de A. cantonensis, ou de moluscos infectados pelo verme. Como as larvas so encontradas no muco produzido pelo molusco, e por estes ltimos serem vidos por verduras, legumes e frutas como fonte alimentar, provvel que o consumo humano desses vegetais seja a maneira mais comum de contaminao. O conhecimento do ciclo vital de Angiostrongylus, apesar de incompleto, mostra uma complexidade de situaes nas quais o homem provavelmente aparece como hospedeiro eventual. O molusco o hospedeiro intermedirio de pequenos roedores urbanos e silvestres so os hospedeiros definitivos e reservatrios da verminose. Um g rande nmero de outras espcies de moluscos so experimentalmente susceptveis infeco pelo nematide. No contexto epidemiolgico atual, a angiostrongilase meningoenceflica permanece ausente na rea continental americana. Outra doena que pode ser transmitida pelo A. fulica, a angiostrongilase abdominal, causada pelo nematdeo Angiostrongylus costaricensis (Morera e Cspedes, 1971), possui os mesmos hospedeiros intermedirios e o mesmo ciclo de vida do A. cantonensis, caracterizada pelo comprometimento de rgos abdominais. Sua distribuio nas Amricas vai dos EUA ao Norte da Argentina, apresenta sintomas muitos semelhantes a uma apendicite, o que pode mascarar a presena da doena nas estatsticas pblicas de sua presena. No Brasil, a forma abdominal incide nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paran, So Paulo e no Distrito Federal, e tem por hospedeiro intermedirio Phyllocaulis variegatus (Semper, 1885), lesma de grande distribuio geogrfica no continente sul-americano e outros moluscos, como Limax maximus (Linnaeus, 1758), L. flavus (Linnaeus, 1758) e Biomphallaria similaris. Ainda no existem casos confirmados no Brasil de angiostrongilase transmitida pelo caramujo-gigante-africano Achatina fulica. A utilizao de luvas nas aes de controle possui carter preventivo.

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PROCEDIMENTOS PARA O CONTROLEIDENTIFICAO DO CARAMUJO 1) Ao ser informado da presena do caramujo-gigante-africano, certifique-se inicialmente se realmente o molusco em questo. Em caso de dvida envie o material para identificao ao Ibama, universidades ou centros de pesquisa, observando o seguinte: a) Colete os exemplares utilizando luvas ou sacos plsticos (pelo menos uns 5 ou 6) e coloque em soluo alcolica de 70 %. A concha vazia ou uma boa foto tambm servem para identificao. b)Coloque junto ao recipiente contendo os exemplares no lcool uma etiqueta de papel escrita a lpis contendo: data de coleta, local e quem coletou. 2) Verifique se h outros exemplares na rea da ocorrncia e converse com os moradores para saber h quanto tempo estes animais so encontrados no local. A concha vazia ou uma boa foto tambm servem para identificao. 3) Uma vez confirmado (identificado) o caramujo-gigante-africano, entre em contato com as autoridades municipais (Secretaria Municipal de Sade, Vigilncia Sanitria, Ibama, etc), para comunicar a sua ocorrncia. IMPORTANTE no h motivo p ara pnico, uma vez que a presena do caramujo no implica em riscos de epidemias ou doenas graves. At o momento, no existe nenhum caso confirmado de doena transmitida por esse animal.

CONTROLE DO CARAMUJO-GIGANTE-AFRICANO EM RESIDNCIAS (JARDINS, HORTAS, POMARES) OU BAIRROS. 1) Colete os caramujos manualmente, utilizando uma luva de borracha ou similar, em um recipiente adequado (balde ou saco). Os melhores ho

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