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O arcadismo

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Text of O arcadismo

1. O Iluminismo A sada do homem de sua menoridade de que ele prprio culpado. Menoridade: a incapacidade de se servir do entendimento sem a orientao de outrem. 2. Criticar toda crena ou conhecimento. Usar o conhecimento a fim de melhorar a vida dos homens. 3. O excesso de desejo sobre nossas capacidades a medida da infelicidade. Racionalismo: a valorizao da razo como instrumento de libertao do homem. Enciclopedismo: a sntese e difuso do conhecimento. 4. Os filsofos John Locke > o empirismo - o conceito de tbula rasa. Voltaire > Se Deus no existisse, seria necessrio invent-lo. Rousseau: "A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miservel." 5. O Culto da Simplicidade. A Busca pelo Belo Perfeio Verdade. O resgate dos valores clssicos. O Fingimento potico. O Pastoralismo e o Bucolismo. 6. Sou pastor; no te nego; os meus montados So esses, que a vs; vivo contente Ao trazer entre a relva florescente A doce companhia dos meus gados; 7. Torno a ver-vos, montes; o destino Aqui me torna a por nestes oiteiros; Onde um tempo os gabes deixei grosseiros Pelo traje da Corte rico, e fino. Aqui estou entre Almendro, entre Corino, Os meus fiis, meus doces companheiros, Vendo correr os mseros vaqueiros Atrs de seu cansado desatino. 8. Se o bem desta choupana pode tanto, Que chega a ter mais preo, e mais valia, Que da cidade o lisonjeiro encanto; Aqui descanse a louca fantasia; E o que t agora se tornava em pranto, Se converta em afetos de alegria. 9. Enquanto pasta alegre o manso gado, Minha bela Marlia, nos sentemos sombra deste cedro levantado, Um pouco medimos Na regular beleza, Que em tudo quanto vive, nos descobre A sbia natureza. 10. Ah! enquanto os Destinos impiedosos No voltam contra ns a face irada, Faamos, sim faamos, doce amada, Os nossos breves dias mais ditosos. Que havemos desperar, Marlia bela? Que vo passando os florescentes dias? As glrias que vm tarde, j vm frias; E pode enfim mudar-se a nossa estrela. Ah! no, minha Marlia, Aproveite-se o tempo, antes que se faa O estrago de roubar ao corpo as foras, E ao semblante a graa. 11. Algum h de cuidar que frase inchada, Daquela que l se usa entre essa gente, Que julga que diz muito e no diz nada. O nosso humilde gnio no consente, Que outra coisa se diga, mais que aquilo Que s convm ao esprito inocente. 12. Quem deixa o trato pastoril amado Pela ingrata, civil correspondncia, Ou desconhece o rosto da violncia, Ou do retiro a paz no tem provado. Que bem ver nos campos transladado No gnio do pastor, o da inocncia! E que mal no trato, e na aparncia Ver sempre o corteso dissimulado! 13. Toms Antnio Gonzaga Liras Marlia de Dirceu A fase do namoro Confisses amorosas. Cenrio de Minas. Projeto de vida pastoril. Descries de Marlia. O tom de felicidade. O convencionalismo rcade. 14. Eu, Marlia, no sou algum vaqueiro Que viva de guardar alheio gado, de tosco trato, de expresses grosseiro, dos frios gelos e dos sis queimado. Tenho prprio casal e nele assisto; d-me vinho, legume, fruta, azeite; das brancas ovelhinhas tiro o leite e mais as finas ls de que me visto. Graas, Marlia bela graas minha Estrela! 15. Eu vi o meu semblante numa fonte dos anos inda no est cortado; os pastores que habitam este monte, respeitam o poder do meu cajado. Com tal destreza toco a sanfoninha, que inveja at me tem o prprio Alceste: ao som dela conserto a voz celeste, nem canto letra que no seja minha. Graas, Marlia bela, graas a minha Estrela! 16. Lira I Os teus olhos espalham luz divina, a quem a luz do sol em vo se atreve; papoila ou rosa delicada e fina, te cobre as faces que so cor de neve. Os teus cabelos so como fios douro; teu lindo corpo blsamo vapora. Ah! No, no fez o cu, gentil pastora, para glria de Amor, igual tesouro. 17. Lira II Os seus compridos cabelos, Que sobre as costas ondeiam, So que os de Apolo mais belos; Mas de loura cor no so. Tm a cor da negra noite; E com o branco do rosto Fazem, Marlia, um composto Da mais formosa unio. 18. Irs a divertir-te na floresta, Sustentada, Marlia, no meu brao; Ali descansarei a quente sesta, Dormindo um leve sono em teu regao: Enquanto a luta jogam os Pastores, E emparelhados correm nas campinas, Toucarei teus cabelos de boninas, Nos troncos gravarei os teus louvores. Graas, Marlia bela, Graas minha Estrela! 19. A Fase da Priso A fragilidade fsica e moral. O distanciamento amoroso. O sofrimento e a incerteza. O tom confessional (pr- romntico). 20. Eu, Marlia, no fui nenhum Vaqueiro, Fui honrado Pastor da tua Aldeia; Vestia finas ls e tinha sempre A minha choa do preciso cheia. Tiraram-me o casal e o manso gado, Nem tenho, a que me encoste, um s cajado. Se no tivermos ls, e peles finas, Podem mui bem cobrir as carnes nossas As peles dos cordeiros mal curtidas, E os panos feitos com as ls mais grossas. Mas ao menos ser o teu vestido Por mos de amor, por minhas mo cosido. 21. Nas noites de sero nos sentaremos Cos filhos, se os tivermos, fogueira; Entre as falsas histrias, que contares, Lhes contars a minha verdadeira. Pasmados te ouviro; eu entretanto Ainda o rosto banharei de pranto.