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Revolução Francesa

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Como aconteceu a Revolução. Quem fez parte dela. Quando terminou.

Text of Revolução Francesa

  • Revoluo Francesa

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    Revoluo Francesa

    Queda da Bastilha em 14 de julho de 1789.

    Participantes Sociedade francesa

    Localizao Frana

    Data 17891799

    Resultado Abolio e substituio da

    monarquia, aristocracia e da

    igreja por uma repblica

    democrtica secular radical,

    que, por sua vez, tornou-se

    mais autoritria, militarista e

    baseada na propriedade;

    Mudana social radical

    baseada no nacionalismo, na

    democracia, em princpios

    iluministas de cidadania e em

    direitos inalienveis;

    Ascenso de Napoleo

    Bonaparte;

    Conflitos armados com outros

    pases europeus.

    Revoluo Francesa (em francs: Rvolution Franaise, 1789-1799) foi um perodo de intensa

    agitao poltica e social na Frana, que teve um impacto duradouro na histria do pas e, mais

    amplamente, em todo o continente europeu. A monarquia absolutista que tinha governado a

    nao durante sculos entrou em colapso em apenas trs anos. A sociedade francesa passou por

  • uma transformao pica, quando privilgios feudais, aristocrticos e religiosos evaporaram-se

    sobre um ataque sustentado de grupos polticos radicais de esquerda, das massas nas ruas e de

    camponeses na regio rural do pas.1 Antigos ideais da tradio e da hierarquia de monarcas,

    aristocratas e da Igreja Catlica foram abruptamente derrubados pelos novos princpios de

    Libert, galit, Fraternit (em portugus: liberdade, igualdade e fraternidade). As casas reais da

    Europa ficaram aterrorizadas com a revoluo e iniciaram um movimento contrrio que at 1814

    tinha restaurado a antiga monarquia, mas muitas reformas importantes tornaram-se permanentes.

    O mesmo aconteceu com os antagonismos entre os partidrios e inimigos da revoluo, que

    lutaram politicamente ao longo dos prximos dois sculos.

    Em meio a uma crise fiscal, o povo francs estava cada vez mais irritado com a incompetncia

    do rei Lus XVI e com a indiferena contnua e a decadncia da aristocracia do pas. Esse

    ressentimento, aliado aos cada vez mais populares ideais iluministas, alimentaram sentimentos

    radicais e a revoluo comeou em 1789, com a convocao dos Estados Gerais em maio. O

    primeiro ano da revoluo foi marcado pela proclamao, por membros do Terceiro Estado, do

    Juramento do Jogo da Pla em junho, pela Tomada da Bastilha em julho, pela aprovao da

    Declarao dos Direitos do Homem e do Cidado em agosto e por uma pica marcha sobre

    Versalhes, que obrigou a corte real a voltar para Paris em outubro. Os anos seguintes foram

    dominados por lutas entre vrias assembleias liberais e de direita feitas por apoiantes da

    monarquia no sentido de travar grandes reformas no pas.

    A Primeira Repblica Francesa foi proclamada em setembro de 1792 e o rei Lus XVI foi

    executado no ano seguinte. As ameaas externas moldaram o curso da revoluo. As guerras

    revolucionrias francesas comearam em 1792 e, finalmente, apresentaram espetaculares vitrias

    que facilitaram a conquista da Pennsula Itlica, dos Pases Baixos e da maioria dos territrios a

    oeste do Reno pela Frana, feitos que os governos franceses anteriores nunca conseguiram

    realizar ao longo de sculos. Internamente, os sentimentos populares radicalizaram a revoluo

    significativamente, culminando com a ascenso de Maximilien Robespierre, dos jacobinos e de

    uma ditadura virtual imposta pelo Comit de Salvao Pblica, que estabeleceu o chamado

    Reino de Terror entre 1793 e 1794, perodo no qual entre 16 mil e 40 mil pessoas foram mortas.2

    Aps a queda dos jacobinos e a execuo de Robespierre, o Diretrio assumiu o controle do

    Estado francs em 1795 e manteve o poder at 1799, quando foi substitudo pelo Consulado em

    1799, sob o comando de Napoleo Bonaparte.

    A era moderna tem se desdobrado na sombra dos ideais conquistados pela Revoluo Francesa.

    O crescimento das repblicas e das democracias liberais ao redor do mundo, a difuso do

    secularismo, o desenvolvimento das ideologias modernas e a inveno da guerra total3 tiveram o

    seu nascimento durante a revoluo. Eventos subsequentes que podem ser rastreados com a

    revoluo incluem as Guerras Napolenicas, duas restauraes separadas da monarquia (a

    primeira em 1814 e a segunda, a Restaurao Bourbon, em 1815), e duas revolues adicionais

    (1830 e 1848) ajudaram a moldar a Frana moderna.

    ndice

    1 Antecedentes

    2 Causas

  • o 2.1 Sociais

    o 2.2 Econmicas

    o 2.3 Poltica

    3 A Revoluo

    4 A Assembleia Constituinte

    o 4.1 A Elaborao de uma Constituio

    5 A Constituio de 1791

    6 A Assembleia Legislativa (1791-1792)

    o 6.1 A Queda da Monarquia

    7 A Conveno (1792-1795)

    o 7.1 Repblica Jacobina

    o 7.2 Reao Termidoriana

    8 O Diretrio (1795-1799)

    o 8.1 Napoleo Bonaparte no Poder

    9 Datas e Fatos Essenciais

    10 Reaes e comentrios no estrangeiro

    o 10.1 Reino Unido

    11 Raymond Aron

    12 Referncias

    13 Ver tambm

    14 Ligaes externas

    Antecedentes

    Parte de uma srie sobre a

    Histria da Frana

    Pr-Histria[Expandir]

    Antiguidade[Expandir]

    Idade Mdia[Expandir]

  • Idade Moderna[Expandir]

    Sculo XIX[Expandir]

    Sculo XX[Expandir]

    Portal Frana

    v e

    A Frana tomada pelo Antigo Regime era um grande edifcio construdo por cinquenta geraes,

    por mais de quinhentos anos. As suas fundaes mais antigas e mais profundas eram obras da

    Igreja, estabelecidas durante mil e trezentos anos.

    A sociedade francesa do sculo XVIII mantinha a diviso em trs Ordens ou Estados tpica do

    Antigo Regime Clero ou Primeiro Estado, Nobreza ou Segundo Estado, e Povo ou Terceiro Estado

    4 cada qual regendo-se por leis prprias (privilgios), com um Rei absoluto (ou seja, um

    Rei que detinha um poder supremo independente) no topo da hierarquia dos Estados. O Rei fora

    antes de tudo o obreiro da unidade nacional atravs do seu poder independente das Ordens,

    significando que era ele quem tinha a ltima palavra sobre a justia, a economia, a diplomacia, a

    paz e a guerra, e quem se lhe opusesse teria como destino a priso da Bastilha. A Frana sofrera

    uma evoluo assinalvel nos ltimos anos: no havia censura, a tortura fora proibida em 1788,5

    e a representao do Terceiro Estado nos Estados Gerais acabava de ser duplicada para contrariar

    a Nobreza e o Clero que no queriam uma reforma dos impostos. Em 14 de julho de 1789,

    quando a Bastilha foi tomada pelos revolucionrios, albergava oito prisioneiros.

    Com a exceo da nobreza rural, a riqueza das restantes classes sociais na Frana tinha crescido

    imensamente nas ltimas dcadas. O crescimento da indstria era notvel. No Norte e no Centro,

    havia uma metalurgia moderna (Le Cresot data de 1781); em Lyon havia sedas; em Rouen e em

    Mulhouse havia algodo; na Lorraine havia o ferro e o sal; havia lanifcios em Castres, Sedan,

    Abbeville e Elbeuf; em Marselha havia sabo; em Paris havia mobilirio, tanoaria e as indstrias

    de luxo, etc..

    Existia uma Bolsa de Valores, vrios bancos, e uma Caixa de Desconto com um capital de cem

    milhes que emitia notas. Segundo Jacques Necker, a Frana detinha, antes da Revoluo,

    metade do numerrio existente na Europa. Nobres e burgueses misturavam muitos capitais em

    investimentos. Antes da Revoluo, o maior problema da indstria francesa era a falta de mo de

    obra. Desde a morte do rei Lus XIV, o comrcio com o exterior tinha mais do que

    quadruplicado. Em 1788, eram 1,061 milhes de livres, um valor que s se voltar a verificar

  • depois de 1848. Os grandes portos, como Marselha, Bordus, Nantes, floresciam como grandes

    centros cosmopolitas. O comrcio interior seguia uma ascenso paralela.

    Sabendo-se que existia uma burguesia to enriquecida, muitos historiadores colocaram a hiptese

    de haver uma massa enorme de camponeses famintos. Na Frana, o imposto rural por excelncia

    era a "taille", um imposto recolhido com base nos sinais exteriores de riqueza, por colectores

    escolhidos pelos prprios camponeses. A servido dos campos, que ainda se mantinha em quase

    todos os pases da Europa, persistia apenas em zonas recnditas da Frana, e sob forma muito

    mitigada, no Jura e no Bourbonnais. Em 1779, o Rei tinha apagado os ltimos traos de servido

    nos seus domnios, tendo sido imitado por muitos senhores.

    Ao longo da Histria, a misria tem provocado muitos motins, mas em regra no provoca

    revolues. A situao da Frana, antes da Revoluo, era a de um Estado pobre num pas rico.6

    Causas

    Ver artigo principal: Causas da Revoluo Francesa

    Os sans-culottes eram artesos, trabalhadores e at pequenos proprietrios que viviam nos

    arredores de Paris. Recebiam esse nome porque no usavam os elegantes cales que a nobreza

    vestia, mas uma cala de algodo grosseira.

    As causas da revoluo francesa so remotas e imediatas. Entre as do primeiro grupo, h de

    considerar que a Frana passava por um perodo de crise financeira. A participao francesa na

    Guerra da Independncia dos Estados Unidos da Amrica, a participao (e derrota) na Guerra

    dos Sete Anos, os elevados custos da Corte de Lus XVI, tinham deixado as finanas do pas em

    mau estado.

    Os votos eram atribudos por ordem (1- clero, 2- nobreza, 3- Terceiro Estado) e no por cabea.

    Havia grandes injustias entre as antigas ordens e ficava sempre o Terceiro Estado prejudicado

    com a aprovao das leis.

  • Os chamados Privilegiados estavam isentos de impostos, e apenas uma ordem sustentava o pas,

    deixando obviamente a balana comercial negativa ante os elevados custos das sucessivas

    guerras, altos encargos pblicos e os suprfluos gastos da corte do rei Lus XVI.

    O rei Lus XVI acaba por convidar o Conde Turgot para gerir os destinos do pas como ministro

    e implementar profundas reformas sociais e econmicas.

    Sociais

    O Terceiro-Estado carregando o Primeiro e o Segundo Estados nas costas.

    A sociedade francesa da segunda metade do sculo XVIII possua dois grupos muito

    privilegiados:

    o Clero ou Primeiro Estado, composto pelo Alto Clero, que representava 0,5% da

    populao francesa, era identificado com a nobreza e negava reformas, e pelo Baixo

    Clero, identificado com o povo, e que as reclamava;

    a Nobreza, ou Segundo Estado, composta por uma camada palaciana ou cortes, que

    sobrevivia custa do Estado, por uma camada provincial, que se mantinha com as rendas

    dos feudos, e uma camada chamada Nobreza Togada, em que alguns juzes e altos

    funcionrios burgueses adquiriram os seus ttulos e cargos, transmissveis aos herdeiros.

    Aproximava-se de 1,5% dos habitantes.

    Esses dois grupos (ou Estados) oprimiam e exploravam o Terceiro Estado, constitudo por

    burgueses, camponeses sem terra e os "sans-culottes", uma camada heterognea composta por

    artesos, aprendizes e proletrios, que tinham este nome graas s calas simples que usavam,

    diferentes dos tecidos caros utilizados pelos nobres. Os impostos e contribuies para o Estado, o

    clero e a nobreza incidiam sobre o Terceiro Estado, uma vez que os dois ltimos no s tinham

    iseno tributria como ainda usufruam do tesouro real por meio de penses e cargos pblicos.

    A Frana ainda tinha grandes caractersticas feudais: 80% de sua economia era agrcola. Quando

    uma grande escassez de alimentos ocorreu devido a uma onda de frio na regio, a populao foi

    obrigada a mudar-se para as cidades e l, nas fbricas, era constantemente explorada e a cada ano

    tornava-se mais miservel. Vivia base de po preto e em casas de pssimas condies, sem

    saneamento bsico e vulnerveis a muitas doenas.

  • A reavaliao das bases jurdicas do Antigo Regime foi montada luz do pensamento Iluminista,

    representado por Voltaire, Diderot, Montesquieu, John Locke, Immanuel Kant etc. Eles

    forneceram pensamentos para criticar as estruturas polticas e sociais absolutistas e sugeriram a

    ideia de uma maneira de conduzir liberal burguesa. A situao social era to grave e o nvel de

    insatisfao popular to grande que o povo foi s ruas com o objetivo de tomar o poder e

    arrancar do governo a monarquia comandada pelo rei Lus XVI. O primeiro alvo dos

    revolucionrios foi a Bastilha. A Queda da Bastilha em 14 de Julho de 1789 marca o incio do

    processo revolucionrio, pois a priso poltica era o smbolo da monarquia francesa.

    Econmicas

    A causa mais forte de Revoluo foi a econmica, j que as causas sociais, como de costume,

    no conseguem ser ouvidas por si ss. Os historiadores sugerem o ano de 1789 como o incio da

    Revoluo Francesa. Mas esta, por uma das "ironias" da histria, comeou dois anos antes, com

    uma reao dos notveis franceses - clrigos e nobres - contra o absolutismo, tendo sido

    inspirada em ideias iluministas, e se pretendia reformar e para isso buscava limitar seus

    privilgios. Lus XVI convocou a nobreza e o clero para contriburem no pagamento de

    impostos, na altamente aristocrtica Assembleia dos Notveis (1787).

    No meio do caos econmico e do descontentamento geral, Lus XVI da Frana no conseguiu

    promover reformas tributrias, impedido pela nobreza e pelo clero, que no "queriam dar os

    anis para salvar os dedos". No percebendo que seus privilgios dependiam do Absolutismo, os

    notveis pediram ajuda burguesia para lutar contra o poder real - era a Revolta da Aristocracia

    ou dos Notveis (1787-1789). Eles iniciaram a revolta ao exigir a convocao dos Estados Gerais

    para votar o projeto de reformas.

    Jacques Necker.

    Por sugesto do Ministro dos assuntos econmicos poca, Jacques Necker, o rei Lus XVI

    convocou a Assembleia dos Estados Gerais, instituio que no era reunida desde 1614. Os

    Estados Gerais reuniram-se em maio de 1789 no Palcio de Versalhes, com o objetivo de

    acalmar uma revoluo de que j falava a burguesia.

  • As causas econmicas tambm eram estruturais. As riquezas eram mal distribudas; a crise

    produtiva manufatureira estava ligada ao sistema corporativo, que fixava quantidade e condies

    de produtividade. Isso descontentou a burguesia.

    Outro fator econmico foi a crise agrcola, que ocorreu graas ao aumento populacional. Entre

    1715 e 1789, a populao francesa cresceu consideravelmente, entre 8 e 9 milhes de habitantes.

    Como a quantidade de alimentos produzida era insuficiente e as geadas abatiam a produo

    alimentcia, o fantasma da fome pairou sobre os franceses.

    Poltica

    Em fevereiro de 1787, o ministro das finanas, Lomnie de Brienne, submeteu a uma

    Assembleia de Notveis, escolhidos de entre a nobreza, clero, burguesia e burocracia, um projeto

    que inclua o lanamento de um novo imposto sobre a propriedade da nobreza e do clero. Esta

    Assembleia no aprovou o novo imposto, pedindo que o rei Lus XVI convocasse os Estados-

    Gerais.

    Em 8 de agosto, o rei concordou, convocando os Estados Gerais para maio de 1789. Fazendo

    parte dos trabalhos preparatrios da reunio dos Estados Gerais, comearam a ser escritos os

    tradicionais cahiers de dolances, onde se registraram as queixas das trs ordens.

    O Parlamento de Paris proclama ento que os Estados Gerais se deveriam reunir de acordo com

    as regras observadas na sua ltima reunio, em 1614. Aproveitando a lembrana, o Clube dos

    Trinta comea imediatamente a lanar panfletos defendendo o voto individual inorgnico - "um

    homem, um voto" - e a duplicao dos representantes do Terceiro Estado. Vrias reunies de

    Assembleias provinciais, como em Grenoble, j o haviam feito. Jacques Necker, de novo

    ministro das finanas, manifesta a sua concordncia com a duplicao dos representantes do

    Terceiro Estado, deixando para as reunies dos Estados a deciso quanto ao modo de votao orgnico (pelas ordens) ou inorgnico (por cabea). Sero eleitos 291 deputados para a reunio

    do Primeiro Estado (Clero), 270 para a do Segundo Estado (Nobreza), e 578 deputados para a

    reunio do Terceiro Estado (burguesia e pequenos proprietrios).

    Entretanto, multiplicam-se os panfletos, surgindo nobres como o conde d'Antraigues, e clrigos

    como o bispo Sieys, a defender que o Terceiro estado era todo o Estado. Escrevia o bispo

    Sieys, em janeiro de 1779: O que o terceiro estado? Tudo. O que que tem sido at agora na ordem poltica? Nada. O que que pede? Tornar-se alguma coisa.

    A reunio dos Estados Gerais, como previsto, vai iniciar-se em Versalhes no dia 5 de maio de

    1789.

    A Revoluo

    A Revoluo Francesa pode ser subdividida em quatro perodos: a Assembleia Constituinte, a

    Assembleia Legislativa, a Conveno e o Diretrio.

  • A Queda da Bastilha, smbolo mais radical e abrangente das revolues burguesas.

    O perodo da Assembleia Constituinte decorre de 9 de julho de 1789 a 30 de setembro de 1791.

    As primeiras aes dos revolucionrios deram-se quando, em 17 de junho, a reunio do Terceiro

    Estado se proclamou "Assembleia Nacional" e, pouco depois, "Assembleia Nacional

    Constituinte". Em 12 de julho, comeam os motins em Paris, culminando em 14 de julho com a

    tomada da priso da Bastilha, smbolo do poder real e depsito de armas. Sob proposta de dois

    aristocratas, o visconde de Noailles e do duque de Aiguillon, a Assembleia suprime todos os

    privilgios das comunidades e das pessoas, as imunidades provinciais e municipais, as

    banalidades, e os direitos feudais. Pouco depois, aprovava-se a solene "Declarao dos direitos

    do Homem e do Cidado", contudo a Declarao dos Direitos da Mulher e da Cidad, no foi

    aprovada pela mesma Assembleia e a idealizadora, Olympe de Gouges, foi executada. O lema

    dos revolucionrios era "Liberdade, Igualdade e Fraternidade", mas logo em 14 de junho de

    1791, se aprovou a Lei de Le Chapelier que proibia os sindicatos de trabalhadores e as greves,

    com penas que podiam ir at pena de morte. Em 19 de abril de 1791, o Estado nacionaliza e

    passa a administrar todos os bens da Igreja Catlica, sendo aprovada em julho a Constituio

    Civil do Clero, por intermdio da qual os padres catlicos passam a ser funcionrios pblicos.

    O perodo da Assembleia Legislativa decorre de 8 de outubro de 1791, quando se d a primeira

    reunio da Assembleia Legislativa, at aos massacres de 2 a 7 de setembro do ano seguinte.

    Sucedem-se os motins de Paris provocados pela fome; a Frana declara guerra ustria; d-se o

    ataque ao Palcio das Tulherias; a famlia real presa, e comeam as revoltas monrquicas na

    Bretanha, Vendeia e Delfinado.

    Entra o perodo da Conveno Nacional, de 20 de setembro de 1792 at 26 de outubro de 1795.

    A Conveno vem a ficar dominada pelos jacobinos (partido da pequena e mdia burguesia,

    liderado por Robespierre), criando-se o Comit de Salvao Pblica e o Comit de Segurana

    Geral iniciando-se o reino do Terror. A monarquia abolida e muitos nobres abandonam o pas,

    vindo a famlia de Lus XVI a ser guilhotinada em 1793.

    Vai seguir-se o perodo do Diretrio at 1799, tambm conhecido como o perodo da "Reao

    Termidoriana". Um golpe de Estado armado desencadeado pela alta burguesia financeira marca o

    fim de qualquer participao popular no movimento revolucionrio. Foi um perodo autoritrio

    assente no exrcito (ento restabelecido aps vitrias realizadas em campanhas externas).

    Elaborou-se uma nova Constituio, com o propsito de manter a alta burguesia (girondinos)

    livre de duas grandes ameaas: o jacobinismo e o ancien rgime.

    O golpe do 18 de Brumrio em 9 de novembro de 1799 pe fim ao Diretrio, iniciando-se a Era

    Napolenica sob a forma do Consulado, a que se segue a Ditadura e o Imprio.

  • A Revoluo Francesa semeou uma nova ideologia na Europa, conduziu a guerras, acabando por

    ser derrotada pela instalao do Imprio e, depois da derrota de Napoleo Bonaparte, pelo

    retorno a uma Monarquia na qual o rei Lus XVIII vai outorgar uma Carta Constitucional.

    A Assembleia Constituinte

    Sesso inaugural dos Estados Gerais, em Versalhes (1789).

    Os deputados dos trs estados eram unnimes em um ponto: desejavam limitar o poder real,

    semelhana do que se passava na vizinha Inglaterra e que igualmente tinha sido assegurado pelos

    norte-americanos nas suas constituies. No dia 5 de maio, o rei mandou abrir a sesso inaugural

    dos Estados Gerais e, em seu discurso, advertiu que no se deveria tratar de poltica, isto , da

    limitao do poder real, mas apenas da reorganizao financeira do reino e do sistema tributrio.

    O clero e a nobreza tentaram diversas manobras para conter o mpeto reformista do Terceiro

    Estado, cujos representantes comparecem Assembleia presentando as reclamaes do povo

    (materializadas nos "Cahiers de Dolances"). Os deputados da nobreza e do clero queriam que as

    eleies fossem por estado (clero, um voto; nobreza, um voto; povo, um voto), pois assim, j que

    clero e a nobreza comungavam os mesmos interesses, garantiriam seus privilgios.

    O terceiro estado queria que a votao fosse individual, por deputado, porque, contando com

    votos do baixo clero e da nobreza liberal, conseguiria reformar o sistema tributrio do reino.

    Ante a impossibilidade de conciliar tais interesses, Lus XVI tentou dissolver os Estados Gerais,

    impedindo a entrada dos deputados na sala das sesses. Os representantes do Terceiro Estado

    rebelaram-se e invadiram a sala do jogo da Pela (espcie de tnis em quadra coberta), em 15 de

    junho de 1789, e transformaram-se na Assembleia Nacional, jurando s se separar aps a votao

    de uma constituio para a Frana (Juramento da Sala do Jogo da Pela). Em 9 de julho de 1789,

    juntamente com muitos deputados do baixo clero, os Estados Gerais autoproclamaram-se

    Assembleia Nacional Constituinte.

  • O Juramento da Pela.

    Essa deciso levou o rei a tomar medidas mais drsticas, entre as quais a demisso do ministro

    Jacques Necker, conhecido por suas posies reformistas. Em razo disso, a populao de Paris

    se mobilizou e tomou as ruas da cidade. Os nimos mais exaltados conclamavam todos a tomar

    as armas.

    O rei decidiu reagir fechando a Assembleia, mas foi impedido por uma sublevao popular em

    Paris, reproduzida a seguir em outras cidades e no campo.

    O Conde de Artois (futuro Carlos X) e outros dirigentes reacionrios, defrontados a tais ameaas,

    fugiram do pas, transformando-se no grupo dos migrs. A burguesia parisiense, temendo que a

    populao da cidade aproveitasse a queda do antigo sistema de governo para recorrer ao

    direta, apressou-se a estabelecer um governo provisrio local, a Comuna. Este governo popular,

    em 13 de julho, organizou a Guarda Nacional, uma milcia burguesa para resistir tanto a um

    possvel retorno do rei, quanto a uma eventual mais violenta da populao civil, cujo comando

    coube ao deputado da Assembleia e heri da independncia dos Estados Unidos, Marie Joseph

    Motier, o Marqus de La Fayette.

    A bandeira dos Bourbons foi substituda por uma de cor Vermelha preta e branca que passou a

    ser a bandeira nacional. E, em toda a Frana, foram constitudas unidades da milcia e governos

    provisrios.

    A Tomada da Bastilha, de Jean-Pierre Louis Laurent Houel.

    Enquanto isso, os acontecimentos precipitaram-se e a agitao tomou conta das ruas: em 13 de

    julho constituram-se as Milcias de Paris, organizaes militares-populares. No dia 14 de julho,

    populares armados invadiram o Arsenal dos Invlidos, procura de munies e, em seguida,

    invadiram a Bastilha, uma fortaleza que fora transformada em priso poltica, mas que j no era

    a terrvel priso de outros tempos. Dentro da priso, estavam apenas sete condenados: quatro por

  • roubo, dois nobres por comportamento imoral, e um por assassinato. A inteno inicial dos

    rebeldes ao tomar a Bastilha era se apoderar da plvora l armazenada. Caiu assim um dos

    smbolos do Absolutismo. A Queda da Bastilha causou profunda emoo nas provncias e

    acelerou a queda dos intendentes. Organizaram-se novas municipalidades e guardas nacionais.

    A partir de ento, a revoluo estendeu-se ao campo, com maior violncia: os camponeses

    saquearam as propriedades feudais, invadiram e queimaram os castelos e cartrios, para destruir

    os ttulos de propriedade das terras (fase do Grande Medo). Temendo o radicalismo, na noite de

    4 de agosto, a Assembleia Nacional Constituinte aprovou a abolio dos direitos feudais,

    gradualmente e mediante amortizao, alm de as terras da Igreja haverem sido confiscadas. Da

    por diante, a igualdade jurdica seria a regra.

    A Elaborao de uma Constituio

    Declarao dos Direitos do Homem e do Cidado.

    A Assembleia Nacional Constituinte aprovou a legislao, pela qual era abolido o regime feudal

    e senhorial e suprimido o dzimo. Outras leis proibiram a venda de cargos pblicos e a iseno

    tributria das camadas privilegiadas. E, para dar continuidade ao trabalho, decidiu pela

    elaborao de uma Constituio. Na introduo, que seria denominada Declarao dos Direitos

    do Homem e do Cidado (Dclaration des Droits de l'Homme et du Citoyen), os delegados

    formularam os ideais da Revoluo, sintetizados em trs princpios: "Liberdade, Igualdade,

    Fraternidade" (Libert, Egalit, Fraternit). Inspirada na Declarao de Independncia dos

    Estados Unidos e divulgada em 26 de agosto, a primeira Declarao dos Direitos do Homem e

    do Cidado (a que no ter sido estranha a ao do ento embaixador dos EUA em Paris,

    Thomas Jefferson) foi sntese do pensamento iluminista liberal e burgus. Nesse documento, em

    que se pode ver claramente a influncia da Revoluo Americana, defendia-se o direito de todos

    liberdade, propriedade, igualdade - igualdade jurdica, e no social nem econmica - e de

    resistncia opresso. A desigualdade social e de riqueza continuavam existindo.

  • O nascimento, a tradio e o sangue j no podiam continuar a ser os nicos critrios utilizados

    para distinguir socialmente os homens. Na prtica, tais critrios foram substitudos pelo dinheiro

    e pela propriedade, que, a partir da, passam a garantir a seus detentores prestgio social.

    Palcio das Tulherias.

    Pressionado pela opinio pblica, Lus XVI deixou Versalhes, estabelecendo-se no Palcio das

    Tulherias, em Paris (outubro de 1789). Ali, o monarca era mais acessvel s massas parisienses.

    Fervilhavam os clubes: a imprensa tinha papel cada vez maior nos acontecimentos polticos.

    Jean-Paul Marat e Hbert escreviam artigos incendirios.

    A nobreza conservadora e o alto clero abandonaram a Frana, refugiando-se nos pases ainda

    absolutistas, de onde conspiravam contra a revoluo. Numa reao contra os privilgios do

    clero e buscando recursos para sanar o dficit pblico, o governo desapropriou os bens da Igreja,

    colocou-os venda e, com o produto, emitiu bnus do tesouro, os assignats, que valeram como

    papel-moeda, logo depreciado. As propriedades da Igreja passaram majoritariamente s mos da

    burguesia, restando aos camponeses as propriedades menores, que puderam ser adquiridas

    mediante facilitaes.

    O retorno de Lus XVI a Paris aps sua desastrada fuga.

    Em agosto de 1790, foi votada a Constituio Civil do Clero, separando Igreja e Estado e

    transformando os clrigos em assalariados do governo, a quem deviam obedincia. Determinava

    tambm que os bispos e padres de parquia seriam eleitos por todos os eleitores,

    independentemente de filiao religiosa. O papa ops-se a isso. Os clrigos deveriam jurar a

    nova Constituio. Os que o fizeram ficaram conhecidos como juramentados; os que se

    recusaram passaram a ser chamados de refratrios e engrossaram o campo da contra-revoluo.

  • Procurando frear o movimento popular, a Assembleia Nacional Constituinte, pela Lei de Le

    Chapelier, proibiu associaes e coalizes profissionais (sindicatos), sob pena de morte.

    No palcio real, conspirava-se abertamente. O rei, a rainha, seus conselheiros, os embaixadores

    da ustria e da Prssia eram os principais nomes de tal conspirao. A ustria e a Prssia, pases

    absolutistas, invadiram a Frana, que foi derrotada porque oficiais ligados nobreza permitiram

    o malogro do exrcito francs. Denunciou-se a traio na Assembleia. Em junho de 1791 a

    famlia real tentou fugir para a ustria. O rei foi descoberto na fronteira, em Varennes, e

    obrigado a voltar. A Assembleia Nacional, contudo, acabou por absolver Lus XVI, mantendo a

    monarquia. Para justificar essa deciso, alegou que o rei, ao invs de fugir, fora sequestrado. A

    Guarda Nacional, comandada por La Fayette, reprimiu violentamente a multido que queria a

    deposio do rei.

    A Constituio de 1791

    Ver artigo principal: Constituio francesa de 1791

    Proclamao da Constituio francesa de 1791.

    Em setembro de 1791, foi promulgada a primeira Constituio da Frana que resumia as

    realizaes da Revoluo.

    Foi implantada uma monarquia constitucional, isto , o rei perdeu seus poderes absolutos e criou-

    se uma efetiva separao entre os poderes Legislativo, Executivo e Judicirio. Alm disso, foram

    concedidos direitos civis completos aos cidados.

    A populao foi dividida em cidados ativos e passivos. Somente os cidados ativos, que

    pagavam impostos e possuam dinheiro ou propriedades, participavam da vida poltica. Era o

    voto censitrio. Os passivos eram os no-votantes, como mulheres, trabalhadores desempregados

    e outros.

    Apesar de ter limitado os poderes do rei, este tinha ainda o direito de designar seus ministros.

    De mais, a constituio aboliu o feudalismo, nacionalizava os bens eclesisticos e reconhecia a

    igualdade civil e jurdica entre os cidados.

  • Em sntese, a Constituio de 1791 estabeleceu na Frana as linhas gerais para o surgimento de

    uma sociedade burguesa e capitalista em lugar da anterior, feudal e aristocrtica.

    Apesar disso, este projeto no teve muita sustentao. Alguns setores urbanos queriam continuar

    com o processo revolucionrio, enquanto nobres fugiam e se refugiavam no exterior, planejando

    distncia organizar violentamente uma vingana armada. Os emigrados tinham apoio de

    Estados Absolutistas como ustria e Prssia, que viam o resultado do movimento revolucionrio

    francs como perigoso para os seus domnios.

    Em agosto de 1791, aps a tentativa frustrada de fuga da famlia real para a ustria, os pases

    que at ento apoiavam a Frana lanaram a Declarao de Pillnitz, que afirmava (e apoiava) a

    restaurao da monarquia francesa como um projeto de interesse comum a todos os Estados

    europeus. A populao francesa ficou enfurecida, pois enxergava esta ao como uma

    intromisso direta aos assuntos do pas.

    A Assembleia Legislativa (1791-1792)

    Moeda francesa de 1791. No anverso aparece o rei Lus XVI com o epgrafe: Lus XVI rei dos

    franceses. No reverso aparecem o fascio e o barrete frgio, ambos smbolos prprios da

    Assembleia Nacional Constitunte, finalmente associados completamente com a Repblica

    francesa.

    Em 1791, iniciou-se a fase denominada Monarquia Constitucional. Nas eleies de outubro de

    1791, as cadeiras da Assembleia Legislativa foram ocupadas predominantemente por elementos

    da burguesia. A Assembleia Legislativa, que iniciou suas sesses em 1 de outubro, era formada

    por 750 membros, sem experincia poltica.

    Embora a burguesia tivesse de enfrentar, dentro da Assembleia, a oposio da aristocracia, cujos

    deputados ocupavam o lado direito de quem entrava no recinto de reunies, e tambm dos

    democratas, que ocupavam o lado esquerdo, as maiores dificuldades estavam fora da

    Assembleia.

    extrema direita, o rei e a aristocracia se recusavam a aceitar qualquer compromisso. extrema

    esquerda, a pequena e mdia burguesia sentiam-se lesadas e enganadas.

  • Os camponeses, desesperados, porque tinham de pagar pela extino dos direitos feudais,

    retomaram a violncia.

    O confisco dos bens da Igreja e a Constituio do Clero, que faziam com que os religiosos

    rompessem com o papado, levaram a maior parte do clero para o campo da Contra-Revoluo.

    Apesar de todas as dificuldades, a alta burguesia se mantinha no poder.

    A Queda da Monarquia

    Os emigrados buscavam apoio externo para restaurar o Estado absoluto. As vizinhas potncias

    absolutistas apoiavam esses movimentos, pois temiam a irradiao das ideias revolucionrias

    francesas para seus pases. Os emigrados e as monarquias absolutistas formaram uma aliana

    destinada a restaurar, na Frana, os poderes absolutos de Lus XVI. Alegando a necessidade de

    se restaurar a dignidade real da Frana, na Declarao de Pillnitz (1791) esses pases

    ameaaram a Frana de uma interveno.

    Em 1792, a Assembleia Legislativa aprovou uma declarao de guerra contra a ustria.

    interessante salientar que a burguesia e a aristocracia queriam a guerra por motivos diferentes.

    Enquanto para a burguesia a guerra seria breve e vitoriosa, para o rei e a aristocracia seria a

    esperana de retorno ao velho regime. Palavras de Lus XVI: "Em lugar de uma guerra civil,

    esta ser uma guerra poltica" e da rainha Maria Antonieta: "Os imbecis [referia-se a burguesia]!

    No veem que nos servem". Portanto, o rei e a aristocracia no vacilaram em trair a Frana

    revolucionria.

    Diante da aproximao dos exrcitos coligados estrangeiros, formaram-se por toda a Frana

    batalhes de voluntrios.

    Lus XVI e Maria Antonieta foram presos, acusados de traio ao pas por colaborarem com os

    invasores.

    A Batalha de Valmy.

    Verdun, ltima defesa de Paris, foi sitiada pelos prussianos. O povo, chamado a defender a

    revoluo, saiu s ruas e massacrou muitos partidrios do Antigo Regime. Sob o comando de

    Danton, Robespierre e Marat, foram distribudas armas ao povo e foi organizada a Comuna

    Insurrecional de Paris. As palavras de Danton ressoaram de forma marcante nos coraes dos

  • revolucionrios. Disse ele: "Para vencer os inimigos, necessitamos de audcia, cada vez mais

    audcia, e ento a Frana estar salva".

    O povo, entre o pnico e o rancor, responsabiliza os inimigos internos pela situao. Entre 2 e 6

    de setembro de 1792, so massacrados os padres refratrios, os suspeitos de atividades contra-

    revolucionrias e os presos de delito comum das prises de Paris. A matana dura vrios dias

    sem que as autoridades administrativas ousem intervir. Os chamados massacres de Setembro, que chocam a opinio pblica, marcam uma pgina importante da Revoluo.

    Em 20 de setembro aconteceu aquilo que parecia impossvel: as tropas revolucionrias, famintas,

    mal vestidas, mas alimentadas por seus ideais, derrotaram, ao som da Marselhesa (o hino da

    revoluo), a coligao anti-francesa na Batalha de Valmy.

    A Conveno (1792-1795)

    Ver artigo principal: Conveno (Revoluo Francesa)

    Georges Jacques Danton.

    Aps o trmino das deliberaes da Assembleia Constituinte em 1791, a burguesia passou a uma

    posio conservadora, por entender que as principais mudanas j haviam sido implementadas na

    sociedade francesa. A situao do povo mais pobre, porm, pouco tinha mudado. Os camponeses

    continuavam sem terra e nas cidades a situao tornava-se cada vez mais desesperadora.

    Em agosto de 1792, uma intensa mobilizao popular destronou o rei, e depois de elaborar a

    Carta Magna francesa, a Assembleia Nacional Constituinte dissolveu-se. A Assembleia

    Legislativa substituiu a Constituinte. Ameaa de interveno externa, crise econmica e inflao.

    abril de 1792: Declarao de guerra ustria e Prssia; exrcitos inimigos chegam a ameaar a

    cidade de Paris; ala radical proclama a ptria em perigo e distribui armas populao parisiense.Comuna de Paris assume o poder e exige da Assembleia o afastamento do rei. 10 de

    agosto de 1792: Parisienses atacam o palcio real, detm o soberano e exigem que o Legislativo

    suspenda-o de suas funes.Esvaziada de seu poder, a Assembleia convoca a eleio de uma

    Conveno Nacional. A revoluo entrou numa fase radical. As primeiras medidas tomadas pela

    Conveno foram a Proclamao da Repblica e a promulgao de uma nova Constituio (21

    de setembro de 1792). Eleita sem a diviso dos eleitores em passivos e ativos, a alta burguesia

  • monarquista foi derrotada. A Conveno contava com o predomnio dos representantes da

    burguesia.

    Maximilien de Robespierre.

    Entre os revolucionrios de 1789, houve diviso. A grande burguesia no queria aprofundar a

    revoluo, temendo o radicalismo popular. Aliada aos setores da nobreza liberal e do baixo clero,

    formou o Clube dos Girondinos. O nome "girondino" (do francs girondin) deve-se ao fato de

    Brissot, principal lder dessa fao, representar o departamento da Gironda e de seus principais

    lderes serem provenientes de l. Eles ocupavam os bancos inferiores no salo das sesses. Os

    jacobinos (do francs jacobin) assim chamados porque se reuniam no convento de Saint Jacques queriam aprofundar a revoluo, aumentando os direitos do povo; eram liderados pela pequena burguesia e apoiados pelos sans-culottes, as massas populares de Paris. Ocupavam

    os assentos superiores no salo das sesses, recebendo o nome de montanha. Seus principais

    lderes foram Danton, Marat e Robespierre. Sua fao mais radical era representada pelos

    raivosos, liderados por Jacques Hbert, que queriam o povo no poder. Havia ainda um grupo de

    deputados sem opinies muito firmes, que votavam na proposta que tinha mais chances de

    vencer. Eram chamados de plancie ou pntano. Havia ainda os cordeliers (camadas mais

    baixas) e os feuillants (a burguesia financeira).

    Jean Paul Marat.

    As modernas designaes polticas de direita, centro e esquerda surgem neste momento: com

    relao mesa da presidncia identificavam-se direita os girondinos, que desejavam consolidar

  • as conquistas burguesas, estancar a revoluo e evitar a radicalizao; ao centro, a Plancie ou

    Pntano, grupo de burgueses sem posio poltica definida; e esquerda, a Montanha, composta

    pela pequena burguesia jacobina que liderava os sans-culottes, e que defendia o aprofundamento

    da revoluo.

    Dirigida inicialmente pelos girondinos, a conveno realizava uma poltica contraditria: era

    revolucionria na poltica externa ao combater os pases absolutistas mas conservadora na interna ao procurar se acomodar com a nobreza, tentar salvar a vida do rei e combater os revolucionrios mais radicais. Nesse primeiro perodo, foram descobertos documentos secretos

    de Lus XVI, no Palcio das Tulherias, que provaram o seu comprometimento com o rei da

    ustria. O fato acelerou as presses para que o rei fosse julgado como traidor. Na Conveno, a

    Gironda dividiu-se: alguns optaram por um indulto, outros pela pena de morte. Os jacobinos,

    reforados pelas manifestaes populares, exigiam a execuo do rei, indicando o fim da

    supremacia girondina na Revoluo.

    Repblica Jacobina

    A grande guilhotina desce sobre a cabea de Lus XVI, que exibida ao povo, como se

    costumava fazer com todos os executados.

    Os jacobinos, com apoio dos sans-culottes e da Comuna de Paris (designao que foi dada ao

    novo governo local da cidade), assumiram o poder no momento crtico da Revoluo.

    A Conveno reconheceu a existncia do Ser Supremo e da imortalidade da alma. A virtude

    seria o elemento essencial da Repblica.

    Em 21 de janeiro de 1793, Lus XVI foi executado na guilhotina na praa da Revoluo. Vrios

    pases europeus, como a ustria, Prssia, Holanda, Espanha e Inglaterra, indignados e temendo

    que o exemplo francs se refletisse em seus territrios, formaram a Primeira Coligao contra a

    Frana. Encabeando a Coligao, a Inglaterra financiava os grandes exrcitos continentais para

    conter a ascenso burguesa da Frana, seu potencial concorrente nos negcios europeus.

  • Louis Antoine Lon de Saint-Just.

    No departamento de Vendeia, no oeste da Frana, camponeses contra-revolucionrios, instigados

    pela Igreja, pela nobreza e pelos ingleses, tomaram o poder. Os girondinos tentaram frear a

    proposta de mobilizao geral do povo francs, temendo a perda do poder e a radicalizao da

    revoluo, que ameaaria suas propriedades e bens. Em resposta, em 2 de Junho de 1793, a

    populao de Paris, agitada pelos partidrios de Hbert, cercou o prdio da conveno, pedindo a

    priso dos deputados girondinos. Os membros da Gironda foram expulsos da conveno

    deixando uma triste herana: inflao, carestia e avano da contra-revoluo, tudo isso agravado

    pela guerra no plano externo. Marat, Hbert, Danton, Saint-Just e Robespierre assumiram o

    poder, dando incio ao perodo da Conveno Montanhesa.

    A contra-revoluo camponesa da Vendeia e a ameaa externa colocavam a revoluo beira do

    abismo. Para combater essa situao, os jacobinos organizaram os comits, cujos objetivos eram

    controlar o governo, combater os contra-revolucionrios e mobilizar a Frana para uma guerra

    total em defesa da revoluo.

    A Morte de Marat (1793), tela do pintor francs Jacques-Louis David (Museus Reais de Belas-

    Artes, Bruxelas).

    Devido ao predomnio da atuao popular, esse perodo caracterizou-se por ser o mais radical de

    toda a Revoluo. O governo jacobino dirigia o pas por meio do Comit de Salvao Pblica,

  • responsvel pela administrao e defesa externa do pas, de incio comandado por Danton, seu

    criador. Abaixo, vinha o Comit de Segurana Geral, que cuidava da segurana interna, e a

    seguir o Tribunal Revolucionrio, que julgava os opositores da revoluo em julgamentos

    sumrios.

    Decretada a mobilizao geral, criou-se uma economia de guerra, com o racionamento das

    mercadorias e o combate aos especuladores, que, aproveitando-se da situao, escondiam os

    produtos para aumentar os preos.

    Os jornais populares utilizavam-se de linguagem grosseira para caracterizar os aristocratas e

    inimigos da revoluo. Ao mesmo tempo em que pediam que fossem punidos, pregavam as

    virtudes revolucionrias, o patriotismo e a defesa intransigente da revoluo. O mais importante

    desses jornais era O amigo do povo (L'Ami du Peuple), dirigido pelo jacobino Marat.

    Interior de um comit revolucionrio durante o terror.

    Quando, em julho, Marat foi assassinado pela jovem Charlotte Corday, os nimos se exaltaram.

    Considerado excessivamente moderado, Danton foi substitudo por Robespierre e expulso do

    partido. O Comit de Salvao Pblica, liderado por Robespierre, assumiu plenos poderes. Tinha

    incio o Grande Terror, Terror Jacobino ou, simplesmente, Terror. Milhares de pessoas a ex-rainha Maria Antonieta, o qumico Antoine Lavoisier (considerado o criador da Qumica

    moderna), aristocratas, clrigos, girondinos, especuladores, inimigos reais ou presumidos da

    revoluo foram detidas, julgadas sumariamente e guilhotinadas. Os direitos individuais foram suspensos e, diariamente, realizavam-se, sob aplausos populares, execues pblicas e em

    massa. O lder jacobino Robespierre, sancionando as execues sumrias, anunciara que a

    Frana no necessitava de juzes, mas de mais guilhotinas. O resultado foi a condenao morte

    de 35 mil a 40 mil pessoas. A revolta camponesa da Vendeia foi esmagada. O exrcito francs

    comeou a ganhar terreno nos campos de batalha em 1794 e a coalizo antifrancesa foi

    derrotada.

    Cansada do terror, execues, congelamento de preos e dos excessos revolucionrios, a

    burguesia queria paz para seus negcios. Essa posio era defendida pelos jacobinos liderados

    por Danton. Os sans-culottes que eram a plebe urbana pretendiam radicalizar mais a revoluo, posio defendida pelos raivosos. A falta de habilidade poltica de Robespierre ficou

    evidente quando, declarando a "ptria em perigo", tomou uma srie de medidas impopulares para

    evitar as radicalizaes os partidrios e polticos mais radicais, como a ala esquerda, dos

  • partidrios de Hbert, e da ala direita, que tinha como lder Danton, foram executados. A faco

    de centro, liderada por Robespierre e Saint-Just, triunfou, porm ficou isolada.

    Reao Termidoriana

    Os eventos da noite de 9 Termidor.

    Muitos girondinos que sobreviveram ao Terror, aliados aos deputados da plancie, articularam

    um golpe. Em 27 de julho (9 Termidor, de acordo com o calendrio revolucionrio francs) a

    Conveno, numa rpida manobra, derrubou Robespierre e seus partidrios. Robespierre apelou

    para que as massas populares sassem em sua defesa. Mas os que podiam mobiliz-las como os raivosos estavam mortos, e os sans-culottes no atenderam ao chamado. Robespierre e os dirigentes jacobinos foram guilhotinados sumariamente. A Comuna de Paris e o partido jacobino

    deixaram de existir. Era o golpe de 9 Termidor, que marcou a queda da pequena burguesia

    jacobina e a volta da grande burguesia girondina ao poder. O movimento popular entrou em

    franca decadncia.

    A Conveno Termidoriana (1794-1795) foi curta, mas permitiu a reativao do projeto

    poltico burgus com a anulao de vrias decises montanhesas, como a Lei do Preo Mximo

    (congelamento da economia) e o encerramento da supremacia da Junta de Salvao Pblica.

    Foram extintas as prises arbitrrias e os julgamentos sumrios. Todos os clubes polticos foram

    dissolvidos e os jacobinos passaram a ser perseguidos.

    Em 1795, a Conveno elaborou uma nova constituio - a Constituio do Ano III -,

    suprimindo o sufrgio universal e resgatando o voto censitrio para as eleies legislativas,

    marginalizando, assim, grande parcela da populao. A carta reservava o poder burguesia. No

    final de 1795, de acordo com a nova Constituio, a Conveno cedeu lugar ao Diretrio,

    formado por cinco membros eleitos pelos deputados. Iniciou-se, assim, a Repblica do

    Diretrio.

    O Diretrio (1795-1799)

    Ver artigo principal: Diretrio

  • O Diretrio (1794 a 1799) foi uma fase conservadora, marcada pelo retorno da Alta Burguesia ao

    poder e pelo aumento do prestgio do Exrcito apoiado nas vitrias obtidas nas Campanhas

    externas.

    Uma nova constituio entregou o Poder Executivo ao Diretrio, uma comisso constituda de

    cinco diretores eleitos por cinco anos. Esta carta previa o direito de voto masculino aos

    alfabetizados. O poder legislativo era exercido por duas cmaras, o Conselho dos Ancios e o

    Conselho dos Quinhentos.

    Graco Babeuf, lder da Conjurao dos Iguais.

    Era a repblica dos proprietrios que enfrentavam uma grave crise financeira. Registra-se uma

    oposio interna ao governo devido crise econmica e anulao das conquistas sociais

    jacobinas. Tentativas de golpe direita (monarquistas ou realistas) e esquerda (jacobinos)

    ocorreram neste perodo.

    As aes contra o novo governo se sucediam. Em 1795, um golpe realista foi abortado em Paris.

    Aproveitando o descontentamento dos sans-culottes, os remanescentes jacobinos tentaram

    organizar em 1796 a chamada Conjurao ou Conspirao dos Iguais, liderada por Franois

    Nol Babeuf (mais conhecido como Graco Babeuf). Os seguidores desse movimento popular,

    com algumas pinceladas socialistas, desejavam no apenas igualdades de direitos (igualdade

    perante a lei), mas tambm igualdade nas condies de vida. Babeuf achava que a nica maneira

    de alcanar a igualdade era com a abolio da propriedade privada. A insurreio foi denunciada

    antes mesmo de se iniciar e seus lderes, Graco Babeuf e Buonarroti, foram condenados

    guilhotina. As ideias de Babeuf, entretanto, serviram de base para a luta da classe operria no

    sculo XIX.

    Externamente, entretanto, o exrcito acumulava vitrias contra as foras absolutistas de Espanha,

    Holanda, Prssia e reinos da Itlia, que, em 1799, formaram a Segunda Coligao contra a

    Frana revolucionria.

    Napoleo Bonaparte no Poder

    Ver artigo principal: 18 de Brumrio

  • Destacando-se no assdio de Toulon, em 1793, Napoleo Bonaparte tornou-se general. Em 1796,

    Bonaparte esmagou uma insurreio monarquista.

    O governo no era respeitado pelas outras camadas sociais. Os burgueses mais lcidos e

    influentes perceberam que com o Diretrio no teriam condio de resistir aos inimigos externos

    e internos e manter o poder. Eles acreditavam na necessidade de uma ditadura militar, uma

    espada salvadora, para manter a ordem, a paz, o poder e os lucros.

    A figura que sobressai no fim do perodo a de Napoleo Bonaparte. Ele era o general francs

    mais popular e famoso da poca. Quando estourou a revoluo, era apenas um simples tenente e,

    como os oficiais oriundos da nobreza abandonaram o exrcito revolucionrio ou dele foram

    demitidos, fez uma carreira rpida. Aos 24 anos j era general de brigada. Aps um breve

    perodo de entusiasmo pelos jacobinos, chegando at mesmo a ser amigo dos familiares de

    Robespierre, afastou-se deles quando estavam sendo depostos. Lutou na Revoluo contra os

    pases absolutistas que invadiram a Frana e foi responsvel pelo sufocamento do golpe de 1795.

    Enviado ao Egito para tentar interferir nos negcios do imprio ingls, o exrcito de Napoleo

    foi cercado pela marinha britnica nesse pas, ento sobre tutela inglesa. Napoleo abandonou

    seus soldados e, com alguns generais fiis, retornou Frana, onde, com apoio de dois diretores

    e de toda a grande burguesia, suprimiu o Diretrio e instaurou o Consulado, dando incio ao

    perodo napolenico em 18 de brumrio (9 de novembro de 1799).

    O Consulado era representado por trs elementos: Napoleo, o abade Sieys e Roger Ducos. Na

    realidade o poder concentrou-se nas mos de Napoleo, que ajudou a consolidar as conquistas

    burguesas da Revoluo.

    Datas e Fatos Essenciais

    1787: Revolta dos Notveis

    1789: Revolta do Terceiro Estado; 14 de julho: Tomada da Bastilha; 26 de agosto:

    Declarao dos Direitos do Homem e do Cidado.

    1790: Confisco dos bens do Clero.

  • 1791: Constituio que estabeleceu a Monarquia Constitucional.

    1791: Tentativa de fuga e priso do rei Lus XVI.

    1792: Invaso da Frana pela ustria e Prssia. Decisiva vitria francesa na batalha de

    Valmy7 .

    1793: Oficializao da Repblica e morte do Rei Lus XVI; 2 Constituio.

    1793: Terror contra os inimigos da revoluo.

    1794: Deposio de Robespierre.

    1795: Regime do Diretrio 3 Constituio. 1799: Golpe do 18 de brumrio (9 de novembro) de Napoleo.

    Reaes e comentrios no estrangeiro

    Reino Unido

    Entre os britnicos que acolheram (inicialmente) a Revoluo Francesa como um acontecimento

    positivo conta-se Dugald Stewart. Stewart seguiu os acontecimentos em Paris nesse vero

    dramtico de 1789. Ele acreditava nos princpios pelos quais a revoluo se batia. Sentiu-se

    repelido quando leu os comentrios de Edmund Burke no seu "Reflections on the Revolution in

    France". Burke previu acertadamente que a Revoluo Francesa acabaria na perdio, terror,

    morte e ditadura. Um aluno de Stewart, James Mackintosh, escreveu em resposta uma

    apaixonada defesa da causa francesa. Nos anos seguintes, Stewart defendeu ainda a Revoluo,

    apesar de o terror e o caos serem evidentes. Em novembro de 1791, Dugald Stewart escreve a um

    amigo: "As pequenas desordens que podem ocorrer num pas onde as coisas em geral correm to

    bem so de menor importncia".

    J no ano seguinte ver-se-ia que Burke tinha razo. Edmund Burke faleceu em 1797, convicto de

    que a Revoluo Francesa acabaria por terminar na ditadura. Napoleo veio dar-lhe razo. Burke

    ganhou na sociedade britnica uma reputao de um homem clarividente e perspicaz.

    Em forte contraste, Dugald Stewart perdeu o respeito dos seus concidados e foi ostracizado em

    Edimburgo, onde vivia. James Mackintosh pediu desculpas publicamente por criticar Burke e

    tornou-se um forte crtico do regime francs e das revolues em geral.

    Raymond Aron

    O socilogo do sculo XX Raymond Aron (1905 1983) escreve em O pio dos intelectuais o seguinte, a propsito da revoluo francesa, comparando-a com a evoluo da Inglaterra:

    A passagem do Ancien Rgime para a sociedade moderna consumada na Frana com

    uma ruptura e uma brutalidade nicas. Do outro lado do Canal da Mancha, na

    Inglaterra, o regime constitucional foi instaurado progressivamente, as instituies

    representativas advm do parlamento, cujas origens remontam aos costumes medievais.

    No sculo XVIII e XIX, a legitimidade democrtica se substitui legitimidade

    monrquica sem a eliminar totalmente, a igualdade dos cidados apagou pouco a pouco

    a distino dos "Estados" (Nobreza, clero e povo). As ideias que a revoluo francesa

  • lana em tempestade atravs da Europa: soberania do povo, exerccio da autoridade

    conforme a regras, assembleias eleitas e soberanas, supresso de diferenas de estatutos

    pessoais, foram realizadas em Inglaterra, por vezes mais cedo do que em Frana, sem

    que o povo, em sobressalto de Prometeu, sacudisse as suas correntes. A

    "democratizao" foi ali (em Inglaterra) a obra de partidos rivais.

    (...) O Ancien Rgime desmoronou-se (na Frana) a um s golpe, quase sem defesa. E a

    Frana precisou de um sculo para encontrar outro regime que fosse aceito pela grande

    maioria da nao.

    Referncias

    1.

    French Revolution.

    Donald Greer, The Incidence of the Terror during the French Revolution: A Statistical Interpretation (1935).

    BELL, David Avrom. The First Total War: Napoleon's Europe and the birth of warfare as we know it. New York: Houghton Mifflin Harcourt, 2007. p. 51. ISBN 0-618-34965-0

    SPIELVOGEL, Jackson. Western Civilization: A Brief History, Volume II: Since 1500 (em ingls). 8 ed. Stamford, CT: Cengage Learning, 2013. p. 421. ISBN 1133607934

    KLOSE, Fabian. Human Rights in the Shadow of Colonial Violence: The Wars of Independence in Kenya and Algeria (em ingls). Filadlfia, PA: University of Pennsylvania

    Press, 2013. p. 172. ISBN 0812244958

    Pierre Gaxotte (da Academia Francesa), La Rvolution Franaise, Paris, Librairie Arthme Fayard, 1957, pp. 31-54.

    7. Como Tudo Funciona