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Revista Latino-Americana de História Julho de 2016 © by ... · PDF filedesenvolvimento da disciplina e o processo de formação e atuação do professor de História (mediador) para

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  • Revista Latino-Americana de Histria

    Vol. 5, n. 15 Julho de 2016

    by PPGH-UNISINOS

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    AS TICS NO ENSINO DE HISTRIA A EDUCAO EM CONFORMIDADE

    COM O MERCADO

    THE ICTS IN HISTORY TEACHING THE EDUCATION IN ACCORDANCE

    WITH THE MARKET

    Kaique Moreira Lo Lopes

    Rafael Brito Monteiro

    Resumo: o artigo destaca algumas recentes mudanas estruturais na educao a fim de

    entender o louvor contemporneo ao incremento das Tecnologias de Informao e

    Comunicao (TICS) na Educao. E, ainda, discute e prope, a guisa de algumas diretrizes

    didtico-pedaggicas, qual seria o papel do computador (ferramenta) e do professor

    (mediador) na construo e no ensino/aprendizagem do conhecimento histrico.

    Palavras-chave: Ensino de Histria. TICs. Sociologia da Educao.

    Abstract: this work discusses some structural changes suffered on education in recent

    times to think the contemporary praise on the increment of the Information and

    Communication Technologies (ICT) in Education. And, also, discusses and proposes, the

    way of a possible didactic, which woud be computer's paper (tool) and the teachers paper

    (mediator) on teaching and learning of knowledge historic.

    Keywords: History Teaching. Teaching Practice. Socioly of Education.

    Figura 1. A Evoluo Humana Tecnolgica1

    Graduando em Histria pela Universidade Estadual de Santa Cruz. Email: [email protected] Graduando em Histria pela Universidade Estadual de Santa Cruz e pertencente ao projeto de ensino As

    Fontes Histricas no Ensino da Formao Social e Econmica do Sul da Bahia. Email:

    [email protected] 1 Disponvel em: Acesso em 28/03/2016.

    http://www.planetaescuro.com/evolucao-humana-com-a-vida-digital

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    Introduo: dificuldades e questionamentos

    no dia-a-dia em sala de aula que percebemos o quanto a prtica docente

    necessria para empreendemos os conhecimentos adquiridos na formao universitria;

    mas, mesmo assim, no so poucas as vezes em que nos vemos em apuros diante de uma

    situao em que sequer tenhamos experimentado ou inferido anteriormente na academia.

    Foi numa dessas, a propsito, que detectamos que a construo e o ensino do conhecimento

    histrico nos moldes tradicionais no se encaixam cabalmente num presente de tanto

    pragmatismo e rapidez de informao, marcado pela sombra do onisciente Google. Nesse

    momento, preciso ser gil, abrir mo da vaidade e pedir auxlio: por que no s

    Tecnologias de Informao e Comunicao (TICs)? possvel agreg-las de forma eficaz

    na construo e no ensino/aprendizagem do conhecimento histrico? Como deveria agir o

    professor de Histria frente a esta tendncia? Seria a ora de darmos adeus ao quadro negro,

    o giz e ao livro didtico?

    O frentico sculo XXI, onde o novo nasce precocemente envelhecido, emergiu sob

    a gide das novas tecnologias, do processo de globalizao, de qualidade total, do colapso

    das utopias, da crise dos paradigmas, do desenvolvimento da cincia, da ps-modernidade,

    na era da informao (BONATO, 2004, p. 85-86). Estamos diante, portanto, da sociedade

    da informao, surgida [...] a partir de dois fatores que so a computao e a

    comunicao e essas tecnologias mudaram a quantidade, qualidade e velocidade das

    informaes dos dias atuais (SALGADO, 2002 p. 15). E, embora seja dada grande nfase

    a utilizao das TICs na educao, h, no entanto, poucas pesquisas cientficas que

    abordam as possveis contribuies do uso desses recursos no processo de construo e de

    ensino/aprendizagem do conhecimento histrico.

    Inclusive, de incio, importante definirmos claramente o que se compreende aqui

    como TICs. Segundo assinala a Unio Europeia (UE), so

    [...] uma ampla diversidade de servios tipos de equipamentos e de

    programas informticos, e que s vezes so transmitidos por meio das

    redes de telecomunicaes [...]; [isto , os] procedimentos, mtodos e

    equipamentos para processar informaes e comunicar (In:

    FERNANDES, 2012, p. 22).

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    Em [...] sentido amplo, toda tcnica ou recurso utilizado para realizar alguma operao ou

    processamento sobre algum tipo de informao configura uma tecnologia de informao

    (FERNANDES, 2012, p. 22). Isto posto, identificamos no computador a sntese de tudo

    isso.

    Com o aprofundamento da bibliografia referente ao tema (sobretudo Valente 1993 e

    1999), optamos em fazer esta anlise em duas frentes. Primeiramente, discutiremos a

    mudana na sociedade e, conseguintemente, na Educao; a influncia que o Capital exerce

    moldando-a conforme os anseios do mercado. Assim, poderemos compreender a

    emergncia das TICs no bojo dos Planos Polticos Pedaggicos Nacionais e a destinao de

    recursos pblicos para se aparamentar as escolas para tanto. Na segunda parte, refletiremos

    sobre a insero das TICs na construo e no ensino/aprendizagem do conhecimento

    histrico, tendo em perspectiva perceber o papel do computador (ferramenta) no

    desenvolvimento da disciplina e o processo de formao e atuao do professor de Histria

    (mediador) para acompanhar esta tendncia, de modo que tencionaremos propor algumas

    diretrizes didtico-pedaggicas construtivas e possveis.

    O uso dessas ferramentas, salientamos, controverso e desafiante, mas se extrado

    seu potencial, tudo conflui a melhorar o desempenho do professor em sala de aula. Porque,

    afinal, a prtica de uma didtica morosa, arcaica, impositiva e alheia s Tecnologias de

    Informao e Comunicao est fadada ao fracasso, pois segue a contra corrente do ritmo

    da vida moderna. Contudo, preciso atentar as suas implicaes macroestruturais,

    porquanto nossa [...] presena no mundo no a de quem a ele se adapta, mas a de quem

    nele se insere. posio de quem luta para no ser apenas objeto, mas sujeito tambm da

    Histria (FREIRE, 2000, p. 60).

    O fator Capital na Educao

    Com o fim das Grandes Guerras, um turbilho de mudanas fora acionado em ritmo

    contnuo, a causar grandes transformaes na sociedade; e, com efeito, no fora diferente

    no mbito da Educao. As informaes so diversas, oriundas do mundo todo, vive-se

    atualmente o apogeu da sociedade do espetculo (JAPPE, 1999, p. 46). No obstante,

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    preciso ter calma: Ginzburg nos adverte que [...] a revoluo tecnolgica que est

    ocorrendo perante nossos olhos, e que modificou profundamente nossa existncia, [...] deve

    ser analisada em suas implicaes (apud COSTA, 2013, p. 163).

    Como qualquer outro servio, a Educao tambm sofre e se conforma s

    concepes paradigmticas presentes na sociedade, passando pelas mesmas transformaes

    que acometem outros segmentos (VALENTE, 1999d, p. 29). A evoluo da educao,

    destarte, acompanha, inevitavelmente, a variao estrutural do capital. patente que a

    Escola, instituio supostamente responsvel pela perpetuao dos saberes necessrios ao

    gozo da cidadania plena, , sobretudo, matriz de insero do individuo no mercado de

    trabalho. No que se refere logstica inerente, aos livros didticos, aos contedos

    explanados, didtica ou estrutura fsica da escola, tudo est de certa forma ligado aos

    ditames da macroestrutura socioeconmica e a seu servio, por onde se [...] prevalece a

    busca pela produtividade guiada pelo princpio de racionalidade, que se traduz no empenho

    em se atingir o mximo de resultados com o mnimo de dispndio (SAVIANI, 2002, p.

    23).

    Como prova clara dessa afirmao, basta ver que ao passo que a produo fabril

    dominou a sociedade, tornou-se necessrio formar mo de obra especializada em alguns

    saberes, massificar o ensino mesmo, de modo mais barato e padronizado. Conforme

    Valente (1999d, p. 32), a sada para isso foi a adoo dos princpios do modelo Fordista de

    produo, no qual a educao [...] base[ia-se] no empurrar a informao [...], como uma

    linha de montagem, em que o aluno o produto que est sendo educado ou montado e os

    professores so os montadores, que adicionam informao ao produto. Em sntese, o

    papel do professor nesse sistema cumprir o protocolo predisposto e se certificar se o

    contedo foi absorvido positivamente e na mesma proporo para cada aluno da classe o

    livro didtico nessa relao no o trampolim ou a guia, mas, sim, a regra e a exceo para

    lograr o conhecimento. Na outra ponta da esteira, espera-se que o aluno seja apto a

    completar e transformar em conhecimento aplicvel na resoluo de problemas do mundo

    real as informaes amealhadas durante a elaborao das disciplinas ao longo do ano.

    No entanto, a formao integral nesse modelo no se restringe ao crivo do professor

    somente, tambm seguido de perto pelo setor de controle: diretores e supervisores que

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    inspecionam o resultado preliminar, de modo a perceber se o planejamento da produo,

    traduzida em mtodos, currculos e disciplinas, fora observado a contento. Espera-se ao fim

    do processo lograr bons produtos, caso contrrio, existem as aes corretoras, como