Mariene Francine Lima

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  • UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARAN

    MARIENE FRANCINE LIMA

    MARES E PESCADORES:MARES E PESCADORES:MARES E PESCADORES:MARES E PESCADORES:

    Narrativas e conversas Narrativas e conversas Narrativas e conversas Narrativas e conversas em em em em ItapoItapoItapoItapo

    CURITIBA 2011

  • MARIENE FRANCINE LIMA

    MARES E PESCADORES:MARES E PESCADORES:MARES E PESCADORES:MARES E PESCADORES:

    Narrativas e conversas Narrativas e conversas Narrativas e conversas Narrativas e conversas em em em em ItapoItapoItapoItapo

    Dissertao de mestrado apresentada ao Programa de Ps-Graduao em Educao da Universidade Federal do Paran, como requisito parcial para obteno do ttulo de Mestre em Educao Orientadora: Dra. Andreia A. Marin Linha de Pesquisa: Educao, Ambiente e Sociedade

    CURITIBA 2011

  • Catalogao na publicao Sirlei do Rocio Gdulla CRB 9/985

    Biblioteca de Cincias Humanas e Educao - UFPR

    Lima, Mariene Francine Mares e pescadores: narrativas e conversas em Itapo / Mariene Francine Lima. Curitiba, 2011. 109 f. Orientadora: Prof. Dr. Andreia Aparecida Marin Dissertao (Mestrado em Educao) - Setor de Educao, Universidade Federal do Paran.

    1. Itapo (SC) Histria. 2. Narrativas pessoais Pescado- res Itapo (SC). I. Titulo. CDD 981.64

  • v

    Aos pescadores e pescadoras, personagens destas histrias...

  • vi

    Agradeo

    Aos anjos que me rodeiam, protegem e iluminam o meu caminho.

    minha v Iracema sempre to zelosa e devotada emprestando-me seus

    anjos para auxiliar-me no trabalho. Precisei de muitos anjos!

    Aos meus pais, Nivia e Roque e as minhas irms Mircia, Maira e Marla, por

    serem uma super famlia. Em especial Maira pelo desprendimento e

    generosidade ao emprestar sua filmadora para a minha grande aventura.

    Brigado!

    Ao meu marido Thiago por sua infinita pacincia com meus sucessivos surtos.

    Ao seu amor, carinho e apoio durante todo o trabalho e pela ajuda nas

    filmagens.

    minha amiga e orientadora Andreia pelas conversas, compreenso e

    pacincia. Por me fazer ver o novo, ao longe e ao redor. Por acreditar

    sempre... Foste essencial!

    Ao Andr, Rose e Claudio pelas conversas e apoio.

    Ao der, morador de Itapo, por algumas indicaes e apresentaes aos

    pescadores.

    famlia Zagonel-Pereira: Tia Marina, Ana e Z... Valeu pelas infindveis

    edies, lanches, jantares, bate-papos, caronas e companhia.

    professora Solange Terezinha de Lima-Guimares, que comps a banca de

    defesa, trazendo sugestes e elogios. Obrigada pelas belssimas palavras.

    Ao professor Marcos Reigota, que assim como a professora Solange, tambm

    participou na avaliao do trabalho. Agradeo os elogios e as consideraes,

    que, embora muitas delas no estejam, em sua totalidade, expressas no corpo

    do trabalho, esto construindo reflexes na minha formao acadmica e

    profissional. Obrigada pelo apoio e ateno.

  • vii

    Ao seu Kalanga e dona Mariquinha, seu Lel e dona Anair, seu Manoel e dona

    Dulce, seu Zequinha e dona Helena, seu Joo e dona Amrica, seu Elias e dona

    Tereza... Obrigada por dividir comigo suas histrias.

    Ao CAPES/Reuni pela bolsa de mestrado.

  • viii

    O povo de Iemanj tem muito a contar. (...) Vinde ouvir essas histrias e essas canes. Vinde ouvir a histria da vida e do amor no mar. E se ela no vos parecer bela, a culpa no dos homens rudes que a narram. que a ouviste da boca de um homem da terra, e, dificilmente, um homem da terra entende o corao dos marinheiros. Mesmo quando esse homem ama essas histrias e essas canes e vai s festas de dona Janana, mesmo assim ele no conhece todos os segredos do mar. Pois o mar mistrio que nem os velhos marinheiros entendem.

    (Mar Morto, Jorge Amado)

  • ix

    Resumo Narrativas e conversas a beira mar. Olhos avistam ao longe a baa. Mudanas no lugar, mudanas na vida. Trajetrias traadas pela pesca e desejos litorneos. Homens e mulheres do mar cujo sustento e modos de vida so influenciados pela lua, mars e tormentas. V-los, ouvi-los para conhecer um pouco do lugar, um pouco de uma Itapo j to transformada e modificada. Mares que encantam e atormentam; so fascinantes e perigosos; tiram vidas e do o provimento. Vidas comuns e to singulares retratadas em histrias cotidianas. VISIBILIDADE... sobre o que trata esse trabalho. Ver e tornar visveis sutilezas que passariam despercebidas, materialidades que do testemunha do lugar, de mobilidades, mudanas ocorridas, subjetividades desenhadas no ritmo das mars. Contos dos antigos que revisitam lendas, crendices ou apenas vivncias que j no existem mais. Composies narrativas criadas atravs dos relatos dos personagens reais que deram vida a este trabalho. Eis ento que fica o convite: Vinde ouvir suas histrias, olhar o lugar atravs dos seus olhos e sentimentos. Palavras-chave: narrativas, conversas, pescadores, mar, visibilidade

  • x

    Abstract

    Narratives and talks in front of the sea. The eyes sight the Bay far way. Changes in the place, changes in the life. Trajectories traced by the fishery and coastal desires. Men and women from the sea whose livelihood are influenced by the moon, tides and storms. See them, hear them to know a little bit about the place, about a so transformed and changed Itapo. Seas that delight and torment; are fascinating and dangerous; take out lives and give supply. Ordinary and particular lives portrayed in daily stories. VISIBILITY ... It is about what such work. See and make visible subtleties that go unnoticed, materiality that give witness of the place, mobility, changes, subjectivities in the rhythm of the tides. Tales of ancient that revisit legends, beliefs or just experiences that do not exist anymore. Narratives compositions created through the reports of real characters who gave life to this work. Here then is the invitation: Come listen to them stories, look to the place through their eyes and feelings. Key-words: narratives, talks, fishermen, sea, visibility.

  • xi

    Lista de figuras

    Figura 1 Mapa com a localizao do municpio de Itapo 17

    Figura 2 Vista area do municpio de Itapo 18

    Figura 3

    Figura 4

    Figura 5

    Figura 6

    Figura 7

    Figura 8

    Figura 9

    Vista area do Porto de Itapo em construo

    Vista area do Porto de Itapo

    Chega de noite tem uma ardentia no mar

    Foto da estante

    Barraco do seu Kalanga e as canoas de um pau s

    Peixaria do seu Lel

    Trs momentos do Lutador

    23

    23

    34

    41

    57

    58

    62

    Figura 10 A canoa e o cargueiro 105

  • xii

    Sumrio

    Onde tudo comea... 13

    Apresentao 14

    Itapo: A pedra que surge 15

    Nos tempos de outrora e as mudanas de hoje em dia... Pesca e paisagem

    18

    Personagens 24

    Parte 1. Narrativas 30

    Noites de ardentia, caes a reboque 31

    Dias de mar arruinado 34

    Surra da Miraguaia 38

    Mulheres que puxam redes 41

    Filha da baa 43

    Contos dos Antigos 45

    Parte 2. Conversas 52

    Mirrada pescaria 53

    Materialidades 58

    A pesca vicia 65

    Conversando com Hemingway 67

    Parte 3. Poticas da vida no mar 73

    Encanto das guas 81

    Olhos e corao de pescador 86

    As mulheres e o mar 94

    Conhecimento que vitalmente se adquire: os velhos e o mar 100

    Ao final da trajetria 103

    Referncias Bibliogrficas 106

    Anexo 109

  • 13

    Onde tudo comea...

    Realidades comuns, porm nicas... Em histrias contadas beira-mar.

    Misturam-se a fantasias e detalhes de cenas que nos instigam a sonhar e

    vivenciar a vida de homens e mulheres, cujo dia a dia est ligado ao mar e a

    pesca.

    O desejo: querer ver mais, conhecer mais sobre um cenrio que me

    traz memrias de lugares nicos. Mares... Intensos. Mgicos? Ou de uma

    concretude dura, cruel?

    No sou pescadora... Tampouco meus pais o so... Mas sinto as ondas

    como foras irresistveis. O mar sempre esteve em mim... Saturada de

    maresias imaginrias, quis conhecer mais sua materialidade, as concretudes

    daqueles que nele vivem e imergem seu dia a dia... Torn-las visveis.

    VISIBILIDADE... Ver: o outro; pelo outro, o lugar; pelo lugar, os

    desejos... Vises, de revisitaes de passados a imagens do futuro.

    VISIBILIDADE... sobre o que trata esse trabalho. Ver e tornar visveis

    sutilezas que passariam despercebidas, materialidades que do testemunha

    do lugar, de mobilidades, mudanas ocorridas, subjetividades desenhadas no

    ritmo das mars.

    Dois segundos e a questo ecoando de corredores secos, estticos:

    para que, afinal? Voc tem um objetivo? Est dito, penso. E socorre-me, dos

    cantos fluidos, ao embalo da brisa marinha, a voz decidida de Seu Lel:

    - No me importa se isso vai dar em alguma coisa, s de vir aqui e se

    interessar em conhecer as minhas histrias, j estou muito satisfeito.

    Eu, acolhida com minha mala de devaneios. Eles(as) com seus olhares

    momentaneamente indecisos, mas rapidamente sinceros e acolhedores:

  • 14

    - Que legal a moa querer ouvir a gente, as nossas histrias... Vir at

    aqui nos escutar. Ajuda Seu Joo.

    Ganho nimos. Sento