Infeco por pox vrus e Aspergillus fumigatus em Bubo ... por pox vrus e Aspergillus fumigatus em Bubo virginianus (coruja jacurutu). A ave, ... mlia Poxviridae. Trata-se de uma doena

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  • Pesq. Vet. Bras. 36(7):630-633, julho 2016DOI: 10.1590/S0100-736X2016000700012

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    RESUMO.- Este trabalho descreve um caso de infeco mis-ta por pox vrus e Aspergillus fumigatus em Bubo virginianus (coruja jacurutu). A ave, um macho adulto, foi encaminhada ao Ncleo de Reabilitao da Fauna Silvestre do Instituto

    de Biologia da Universidade Federal de Pelotas (NURFS/CETAS/UFPEL). Apresentava bom estado corporal, estava ativa, porm com incapacidade de voo. Aps trs dias apre-sentou leses crostosas e de aspecto verrucoso na super-fcie dorsal das patas. Havia, tambm, ndulos de mesmo aspecto na plpebra esquerda e na cera. A ave morreu aps 15 dias de sua chegada ao NURFS e foi necropsiada no La-boratrio Regional de Diagnstico da Faculdade de Veteri-nria da Universidade Federal de Pelotas (LRD/UFPel). His-tologicamente, as leses verrucosas caracterizavam-se por hiperplasia do epitlio e nas clulas das camadas basal, es-pinhosa, granular e crnea havia corpsculos de incluso in-tracitoplasmticos do tipo Bollinger. Na microscopia eletr-nica foram visualizadas partculas virais caractersticas de

    Infeco por pox vrus e Aspergillus fumigatus em Bubo virginianus (Coruja jacurutu)1

    Joanna V.Z. Echenique2, Paulo M. Bandarra3, Rodrigo K. Brauner3, Mauro P. Soares4*, Marco A.A. Coimbra3 e Ana Lucia Schild4

    ABSTRACT.- Echenique J.V.Z., Bandarra P.M., Brauner R.K., Soares M.P., Coimbra M.A.A. & Schild A.L. 2016. [Avipoxvirus infecction in Bubo virginianus (great horned owl).] In-feco por pox vrus e Aspergillus fumigatus em Bubo virginianus (Coruja jacurutu). Pes-quisa Veterinria Brasileira 36(7):630-633. Laboratrio Regional de Diagnstico, Faculdade de Veterinria, Universidade Federal de Pelotas, Campus Capo do Leo s/n, Pelotas, RS 96010-900, Brazil. E-mail: gmpsoares@gmail.com

    This paper describes a case of mixed infection by pox virus and Aspergillus fumigatus in Bubo virginianus (Owl Jacurutu). An adult male Bubo virginianus was referred to the N-cleo de Reabilitao da Fauna Silvestre, Instituto de Biologia, Universidade Federal de Pelotas (NURFS/CETAS/UFPEL). The owl was active and had a good body condition but with flight disability. After three days of their admission at NURFS the owl developed crusty and ver-rucous lesions at the dorsal surface of their feet. Also it had nodes on the left eyelid and cera with the same aspect. The owl died 15 days after its arrival. Necropsy and histopatological examination were carried out. The warty lesions had hyperplasia of the epithelium and intracytoplasmic Bollinger-like inclusion bodies in the basal, spinal, granulosa layer and cornea. Viral particles characteristic of pox viruses were shown by electron microscopy. This case includes Bubo virginianus as a host of the avipoxvirus. There were also a mononu-clear inflammatory cell infiltrate and bacterial colonies in the dermis. In the lugs, there was congestion and presence of granulomas with intralesional fungal hyphae. With the Grocott stain those structures showed dichotomous branching which was later identified in myco-logical culture as characteristic for A. fumigates. The diagnosis of avipoxvirus infection can contribute to studies related to the occurrence of this disease in free-living populations and as auxiliary information for the management and conservation of this raptor species. It is also suggested to include the use of X-rays in rehabilitation center protocols as screening test to diagnose aspergillosis in birds of prey with good body condition but inability to fly.INDEX TERMS: Avipoxvirus, fowlpox, Aspergillus fumigatus, aspergillosis, Bubo virginianus, great horned owl.

    1 Recebido em 18 de fevereiro de 2016.Aceito em 5 de abril de 2016.

    2 Graduanda da Faculdade de Veterinria, Universidade Federal de Pe-lotas (UFPel), Campus Capo do Leo s/n, Pelotas, RS 96010-900, Brasil. Bolsista de IC FAPERGS.

    3 Ncleo de Reabilitao da Fauna Silvestre, UFPel, Campus Capo do Leo s/n, Pelotas, RS 96010-900.

    4 Laboratrio Regional de Diagnstico, Faculdade de Veterinria, UFPel, Campus Capo do Leo s/n, Pelotas, RS 96010-900. *Autor para corres-pondncia: gmpsoares@gmail.com

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    631Infeco por pox vrus e Aspergillus fumigatus em Bubo virginianus (Coruja jacurutu)

    pox vrus, incluindo Bubo virginianus como um hospedeiro do vrus. Havia, ainda, infiltrado inflamatrio de clulas mo-nonucleares e focos de colnias bacterianas na derme. Nos pulmes havia congesto e presena de granulomas com hifas fngicas, que pela tcnica de Grocott, apresentaram ramificao dicotmica compatvel com Aspergillus spp., identificado na cultura como A. fumigatus. O diagnstico de infeco por avipoxvirus pode contribuir para estudos rela-cionados com a ocorrncia desta doena nas populaes de vida livre e como informao auxiliar para o manejo e con-servao desta espcie. Sugere-se, ainda, a incluso do uso de raios-X nos protocolos de centros de reabilitao como o diagnostico de aspergilose em aves rapinantes com bom estado corporal, porm incapazes de voar.TERMOS DE INDEXAO: Pox vrus avirio, bouba aviria, Asper-gillus fumigatus, aspergilose, Bubo virginianus, coruja jacurutu.

    INTRODUOA bouba aviria causada por um avipoxvirus (APV) da fa-mlia Poxviridae. Trata-se de uma doena altamente conta-giosa conhecida por epitelioma contagioso das aves. Apre-senta duas formas clnicas, sendo a mais diagnosticada a forma cutnea, que caracterizada por leses crostosas e nodulares no epitlio, principalmente onde no existem penas, como a cera, plpebras, crista, barbela e patas. A for-ma visceral, tambm conhecida por wetpox, acomete a mu-cosa da boca, esfago e trato respiratrio superior causan-do a formao de placas fibrinonecrticas que dificultam a alimentao e a respirao (Tripathy & Redd 2008).

    A doena tem ocorrncia mundial (Van Riper & For-rester 2007) e a contaminao facilitada em virtude de o vrus permanecer muito tempo no ambiente e por ser re-sistente a desinfetantes comuns (Tripathy & Redd 2008). Leses na pele causadas por vetores como mosquitos e pio-lhos hematfagos so porta de entrada para a contamina-o com o vrus (Proctor & Owens 2000). Outra condio que favorece a disseminao do vrus a superpopulao (Wheeldon et al. 1985, Tripathy & Redd 2008).

    A doena j foi descrita em mais de 20 famlias de aves. No Brasil descrita em passeriformes silvestres de criao do-mstica, como Cyanoloxia brissonii (azulo), Sicalis flaveola (canrio-da-terra-verdadeiro) (Van Riper & Forrester 2007) e em algumas espcies de aves de vida livre como Tyto alba (coruja de igreja) (Vargas et al. 2011) e Dendrocygna autum-nalis (marreca-cabocla) (Pereira et al. 2014). Dados relativos incidncia e distribuio desta doena nas populaes de aves silvestres ainda so escassos, especialmente na ordem Strigiformes que engloba as corujas (Vargas et al. 2011).

    Por sua vez a aspergilose uma micose oportunista que em aves causa pneumonia granulomatosa e aerossaculite, podendo se disseminar por todo organismo (Orosz 2000). A espcie mais comumente isolada de Aspergillus em aves silvestres A. fumigattus, porm outras espcies como A. flavus, A. niger, A. glaucus, A. nidulans podem causar a doen-a (Joseph 2000, Orosz 2000). Esta doena tem uma maior prevalncia em aves que esto em centros de recuperao, provavelmente devido a imunossupresso do cativeiro (Xa-vier et al. 2006). Por ser um organismo ubquo no ambiente

    sua erradicao torna-se difcil. Logo, esta doena normal-mente no acontece de forma isolada e sua associao com outras enfermidades comum (Greenacre et al. 1992).

    MATERIAL E MTODOSUm espcime macho, adulto de Bubo virginianus foi encaminhado pelo 2 Peloto de Rio Grande do Policiamento Ambiental ao N-cleo de Reabilitao da Fauna Silvestre (NURFS-CETAS/UFPEL) em dezembro de 2014. Foi realizado o exame clnico e tratamento de suporte. A coruja morreu 15 dias aps sua entrada, sendo ne-cropsiada logo aps a morte. Amostras de todos os rgos foram coletadas, fixadas em formalina tamponada a 10%, processadas rotineiramente e coradas por hematoxilina e eosina para anli-se histolgica. Pequenas pores de pele da plpebra inferior direita e das patas foram fixados em glutaraldedo a 2% com pa-raformaldedo a 2%, em 0,4 M de soluo tampo de cacodilato (pH 7,4). Os blocos foram ps-fixados em 1% tetrxido de smio tamponado em cacodilato de sdio 0,4 M (pH 7,4) e embebidos em Epon 812. Lminas com cortes semifinos foram coradas com azul de metileno. As sees ultrafinas foram coradas com citrato de chumbo e acetato de uranila e examinadas ao microscpio ele-trnico (EM 109 Zeiss).

    Amostras de fgado, saco areo e pulmo foram encaminha-das ao laboratrio de microbiologia do LRD/UFPEL e semeados em gar Sabouraud e gar Malte a 37C por sete dias, acrescidos de cloranfenicol, para possvel isolamento de fungos. Os isolados foram repicados em gar Czapeck a 25C por sete dias e o exame direto da colnia foi realizado utilizando o corante lactofenol azul algodo. Fragmentos de rim, fgado e pulmo foram submetidos colorao de Grocott.

    RESULTADOSAo dar entrada no NURFS, a coruja estava alerta, porm com incapacidade de voo, sendo colocada em um recinto com serragem de Pinus spp., poleiros de dimetros variados e ali-mentao vontade. Depois de trs dias de sua entrada no referido centro, a ave comeou a apresentar hiperquerato-se nas patas, evoluindo para leses constitudas de massas firmes de aspecto crostoso e verrucoso, de colorao amar-ronzada que sobressaiam na superfcie dorsal dos mem-bros inferiores, estendendo-se at a articulao tibiotarso--tarsometatrsica (Fig.1). Em decorrncia destas leses a coruja comeou a apresentar claudicao e dificuldade de locomoo. Desenvolveu, tambm, formaes verrucosas na plpebra inferior esquerda e na cera (Fig.2). As leses das patas foram tratadas com soluo tpica de Thuya occiden-talis associada com fenol e cido acetil saliclico, sendo estas limpas duas ve