Humberto Betinho G³es disserta§£o 2008

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GOÉS JUNIOR, José Humberto de. Da pedagogia do oprimido ao direito do oprimido: uma noção de direitos humanos na obra de Paulo Freire. 2008. Dissertação (Mestrado em Ciências Jurídicas) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2008, 189 p.

Text of Humberto Betinho G³es disserta§£o 2008

  • UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARABA

    CENTRO DE CINCIAS JURDICAS

    PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM CINCIAS

    JURDICAS

    JOS HUMBERTO DE GES JUNIOR

    DA PEDAGOGIA DO OPRIMIDO AO DIREITO DO

    OPRIMIDO: UMA NOO DE DIREITOS HUMANOS

    NA OBRA DE PAULO FREIRE

    JOO PESSOA

    2008

  • JOS HUMBERTO DE GES JUNIOR

    DA PEDAGOGIA DO OPRIMIDO AO DIREITO DO

    OPRIMIDO: UMA NOO DE DIREITOS HUMANOS

    NA OBRA DE PAULO FREIRE

    Dissertao apresentada Universidade Federal da Paraba

    como pr-requisito para obteno do ttulo de Mestre em

    Cincias Jurdicas, rea de concentrao em Direitos

    Humanos.

    NARBAL DE MARSILLAC

    ELIANA MONTEIRO MOREIRA

    JOO PESSOA

    2008

  • JOS HUMBERTO DE GES JUNIOR

    DA PEDAGOGIA DO OPRIMIDO AO DIREITO DO OPRIMIDO: UMA

    NOO DE DIREITOS HUMANOS NA OBRA DE PAULO FREIRE

    Dissertao apresentada como exigncia parcial para a

    obteno do ttulo de Mestre em Cincias Jurdicas, rea

    de concentrao em Direitos Humanos, comisso

    julgadora da Universidade Federal da Paraba.

    Aprovada em 08/07/2008

    BANCA EXAMINADORA

    ________________________________________________________________________

    Narbal de Marsillac

    Universidade Federal da Paraba

    ________________________________________________________________________

    Eliana Monteiro Moreira

    Universidade Federal da Paraba

    ________________________________________________________________________

    Jos Geraldo de Sousa Jnior

    Universidade Nacional de Braslia

    _________________________________________________________________________

    Cleonice Camino

    Universidade Federal da Paraba

  • A todas aquelas e a todos aqueles que, vtimas da

    ignorncia e da desigualdade, vem apagado o brilho de

    seus olhos, a fora de sua palavra, a alegria de sua vida.

    A todas as crianas e adolescentes cujo passado, presente e

    futuro sucumbem diante da mo pesada que lhes usurpa o

    sorriso, que lhes rouba a alma, que lhes tira o direito de

    aprender amorosamente com sua presena no mundo.

    A todas aquelas e a todos aqueles que, organizados,

    assumem-se mais do que sem-teto, sem-terra, meninos e

    meninas de rua, trabalhadora, trabalhador, prostituta,

    homossexual, idoso, idosa, mulher, negro, negra, indgena.

    So cidads e cidados em plenitude de direitos.

    A todas aquelas e a todos aqueles cujo compromisso

    intenso com a humanidade, cuja briga por direitos

    humanos, cuja luta cotidiana por sobrevivncia com

    dignidade contribui para tornar possvel o sonho da

    justia.

    A todas aquelas e a todos aqueles que entregaram suas

    vidas para a construo da autntica liberdade.

  • AGRADECIMENTOS

    Depois de dois anos sem poder interagir inteiramente com o mundo e com as pessoas,

    dedicado a vivenciar a solitria intensidade de que me encharquei, enquanto conhecia e

    refletia sobre os escritos apaixonantes de Paulo Freire para escrever este trabalho, por um

    momento comecei a acreditar que estivesse vazio de sentimentos, vazio do amor e da ternura

    que incitam o meu caminhar utpico pela vida. Parecia que toda a minha energia estava presa

    nas linhas que compunham o meu dilogo com Paulo Freire sobre os direitos humanos,

    tornando-me, contraditoriamente ao propsito que me moveu durante todo o processo de

    escrita, incapaz de amar. Combatia o desencantamento da cincia e dos cientistas tradicionais,

    mas, eu mesmo parecia desencantado ao final de tudo. No sei se pela exausto mental e pelo

    sentimento de que o trabalho poderia estar incompleto. No sei se pela luta que travei dentro

    de mim contra a crena de que poderia no ser digno de falar de Paulo Freire. No sei se pela

    distncia que tomei da vida mesma... no me sentia pleno para agradecer.

    Depois de algumas reflexes, de novo, deixei-me povoar das pessoas, dos momentos, dos

    encontros de vida, que me fazem ser-estar-sendo, que me fazem caador de sonhos, caador

    de amigos, caador de transformaes, caador de nuvens.

    Lembrava das nuvens como smbolo da poesia, do amor, dos encontros que, embora, em

    alguns instantes rpidos, fazem, na sua intensidade, brotar novas vidas; que, s vezes,

    tempestuosos, imprimem-se radicais em suas transformaes; que, intermitentes, renovam-se

    em cada novo cruzar de olhos, mentes e coraes; que, perenes, fazem-se constantes, s vezes,

    intenso, s vezes, como chuva fina, s vezes, distantes como a nuvem solitria que viaja

    sozinha pelo cu, s vezes, como tempestades, s vezes, como uma nvoa, s vezes, como

  • orvalho, s vezes, como geada, s vezes, como se as nuvens dessem lugar a um cu azul

    inabalvel.

    A partir das nuvens, exercito a poesia, para lembrar, para amar e re-amar as pessoas e os

    lugares que, mesmo no estando do lado ou no sendo o cenrio intercomunicativo direto para

    a minha vida, so parte de mim, so parte do penso e do que fao.

    Antes de tudo, devo advertir que, sendo feito de encontros, no possvel ser breve. Deixar de

    falar sobre certas pessoas como no valorizar a beleza dos encontros que a vida em

    proporcionou.

    Por no ser breve, posso ser trado pelo cansao que ainda est em mim, apesar da

    recuperao da poesia. Por isso, desde j, peo desculpas quelas pessoas que no tenham

    seus nomes entre aqueles que esto nestes agradecimentos. Viver manifestar os encontros.

    carregar em si um pouco de cada um e cada uma que (re)conhecemos. Sou o que aprendemos

    juntos, vivo o ser que construmos juntos. Deixar de citar algum no tira essa pessoa do ser

    que existe hoje. (Re)conhecer deixar-se povoar do outro, que fica em ns ainda que no

    percebamos.

    Nesse sentido, pensava se agradeceria a Deus. Hoje, as dvidas so maiores do que a crena

    de que possa existir. Porm, se no acredito, no posso esquecer que, em algum momento da

    minha vida, o encontro que tive com Deus, ainda que sob uma viso particularista, contribuiu

    para quem sou hoje. Portanto, agradeo a Deus por se encontrar comigo, por me deixar

    interpret-lo como ser que se faz amar e ama sem punies, sem ser dono de destinos, sem ser

    moralista ou exigente de obrigaes. Agradeo ao ser que no se reveste de formas pr-

    definidas; que, ante a inexistncia de conhecimento capaz de decifr-lo, faz-se impossvel de

    ser lido ou dito. Agradeo ao ser que se mostra na maravilha dos encontros com o mundo e

    com as pessoas; ao ser que est nos olhos, nos abraos, nos sorrisos, no cheiro, no amor e na

    amizade das pessoas com quem convivo. Agradeo ao ser que me deixa encontr-lo atravs da

  • coragem de todos os dias ser um ser novo, em transformao; que se encontra comigo atravs

    das andanas pelo mundo; que se encontra comigo nas lutas por justia.

    Feito de encontros, agradeo a minha me (Lilian) e a meu pai (Ges) a possibilidade de, em

    meio a nossa convivncia, interpretar a vida com o olhar almejante de uma nova realidade, de

    buscar a fora necessria para superar todos os problemas, de no seguir lgicas injustas e

    desonestas, de me deixar cativar pelo mundo, de enfrentar todos os obstculos para seguir

    meus caminhos, de dotar minha vida de buscas pela liberdade, de me fazer amar

    profundamente as pessoas sem querer apossar-me delas, de me fazer andarilho, de no ter

    medo da separao fsica, de acreditar que posso ser mais.

    Feito de encontros, agradeo a meus irmos, Diego e Fabola; aos meus sobrinhos Lucas e

    Luiza, hoje, fontes de minhas maiores alegrias; aos meus avs, mesmo aqueles que esto no

    mundo apenas pela lembrana e pela presena na vida de quem os conheceu; aos meus tios e

    primos, cujo olhar me ensinou a ser perseverante em mudar de vida.

    Feito de encontros, agradeo a professora Maria de Lourdes Veiga que, consciente ou

    inconscientemente, fez-se freireana e me despertou para compreender a vida, para analisar

    criticamente as desigualdades histricas e para lutar por justia; que abriu os caminhos,

    atravs de seus ensinamentos de geografia, para que o encontro que tive posteriormente com

    os escritos de Paulo Freire no passassem despercebidos.

    Feito de encontros, agradeo a Paulo Freire, por sua generosidade em deixar para o mundo a

    Pedagogia do Oprimido, que, h quarenta anos inspira lutadoras e lutadores em todas as

    partes do planeta; por fazer parte da minha vida h dez anos, como motivador da minha ao

    consciente de luta em favor dos oprimidos; por me incitar a criar o Servio de Auxlio

    Jurdico Universitrio, da Universidade Federal de Sergipe (UFS); por me apresentar pessoas

    dedicadas luta pelos direitos humanos em muitas partes do Brasil; por me aproximar de

    Sindicatos e Movimentos Sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o

  • Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, a Central de Movimentos Populares, o

    Movimento Popular de Sade, o Movimento Estudantil, seja como militante do Centro

    Acadmico Slvio Romero, da Universidade Federal de Sergipe, seja como advogado dos

    Diretrios Centrais dos Estudantes das Universidades Tiradentes e Federal de Sergipe; por me

    encharcar de novos e queridos amigos oriundos da Assessoria Jurdica Popular; por, nos

    momentos de dvida quanto a ser digno de estud-lo e de segui-lo, lembrar-me que no

    precisa de discpulos que o repitam, mas que compreendam o ato de viver como ato de

    construir novos rumos, como ato de ser-estar-sendo; por ser inspirao para minha vida e para

    este tra