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Anarquismo X Historia do Anarquismo Anarquismo (do grego ἀναρχος, transl. anarkhos, que significa "sem governantes", 1 2 ou "sem poder" 3 a partir do prefixo ἀν-, an-, "sem" + ἄρχή, arkhê, "soberania, reino, magistratura" 4 + o sufixo -ισμός, -ismós, da raiz verbal -ιζειν, -izein) é uma filosofia política que engloba teorias, métodos e ações que objetivam a eliminação total de todas as formas de governo compulsório e de Estado. 5 De um modo geral, anarquistas são contra qualquer tipo de ordemhierárquica que não seja livremente aceita 6 e, assim, preconizam os tipos de organizações libertárias baseadas na livre associação. Anarquia significa ausência de coerção e não a ausência de ordem. 7 A noção equivocada de que anarquia é sinônimo de caos se popularizou entre o fim do século XIX e o início do século XX, através dos meios de comunicação e de propaganda patronais, mantidos por instituições políticas e religiosas. Nesse período, em razão do grau elevado de organização dos segmentos operários, de fundo libertário, surgiram inúmeras campanhas antianarquistas. 8 Outro equívoco banal é se considerar anarquia como sendo a ausência de laços de solidariedade (indiferença) entre os homens, quando, em realidade, um dos laços mais valorizados pelos anarquistas é o auxílio mútuo. À ausência de ordem - ideia externa aos princípios anarquistas -, dá-se o nome de "anomia". 9 Há diversos tipos e tradições de anarquismo, os quais não são mutuamente exclusivas. 10 Cada vertente do anarquismo tem uma linha de compreensão, análise, ação e edificação política específica, embora todas vinculadas pelos ideais base do anarquismo. Correntes do anarquismo tem sido divididas emanarquismo social e anarquismo individualista, ou em classificações semelhantes.. 11 12 A maioria dos anarquistas se opõe a todas as formas de agressão, apoiando a autodefesa ou a não violência (anarcopacifismo) 13 14 ; outros, contudo, apoiam o uso de outros meios, como a revolução violenta. Outro conceito, a propaganda pelo ato, apesar de ter tido um início violento, hoje em dia incorporou diversos tipos de ações não violentas. 15 O anarquismo opõe-se ao comunismo porque não concebe que após uma revolução operária que ambos possam protagonizar seja implantado uma governação de um Estado por um partido político, mesmo que seja apenas numa primeira fase, mas

Anarquismo X Historia Do Anarquismo

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Resumo sobre a História do Anarquismo

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Anarquismo X Historia do Anarquismo

Anarquismo(dogrego,transl.anarkhos, que significa "sem governantes",12ou "sem poder"3a partir doprefixo-,an-, "sem" + ,arkh, "soberania, reino, magistratura"4+ osufixo-,-isms, daraizverbal-,-izein) umafilosofia polticaque englobateorias, mtodos e aes que objetivam a eliminao total de todas as formas degovernocompulsrio e deEstado.5De um modo geral, anarquistas so contra qualquer tipo de ordemhierrquicaque no seja livremente aceita6e, assim, preconizam os tipos de organizaeslibertriasbaseadas nalivre associao.

Anarquia significa ausncia decoeroe no a ausncia deordem.7A noo equivocada de que anarquia sinnimo decaosse popularizou entre o fim dosculo XIXe o incio dosculo XX, atravs dos meios de comunicao e de propaganda patronais, mantidos por instituies polticas e religiosas. Nesse perodo, em razo do grau elevado de organizao dos segmentos operrios, de fundo libertrio, surgiram inmeras campanhasantianarquistas.8Outro equvoco banal se considerar anarquia como sendo a ausncia de laos de solidariedade (indiferena) entre os homens, quando, em realidade, um dos laos mais valorizados pelos anarquistas oauxlio mtuo. ausncia de ordem - ideia externa aos princpios anarquistas -, d-se o nome de "anomia".9

H diversos tipos e tradies de anarquismo, os quais no so mutuamente exclusivas.10Cadavertente do anarquismotem uma linha de compreenso, anlise, ao e edificao poltica especfica, embora todas vinculadas pelos ideais base do anarquismo. Correntes do anarquismo tem sido divididas emanarquismo socialeanarquismo individualista, ou em classificaes semelhantes..1112

A maioria dos anarquistas se ope a todas as formas de agresso, apoiando aautodefesaou ano violncia(anarcopacifismo)1314; outros, contudo, apoiam o uso de outros meios, como arevoluoviolenta. Outro conceito, apropaganda pelo ato, apesar de ter tido um incio violento, hoje em dia incorporou diversos tipos de aes no violentas.15

O anarquismo ope-se aocomunismoporque no concebe que aps umarevoluo operriaque ambos possam protagonizar seja implantado uma governao de umEstadopor umpartido poltico, mesmo que seja apenas numa primeira fase, mas que este deveria ser simplesmente abolido, no imediato e no mais tarde, e toda a propriedade passe imediatamente a ser gerida por "comisses de trabalhadores"16.

Alguns consideram que temas anarquistas podem ser encontrados em trabalhos dos filsofostaostaLao Zi17eChuang-Tzu. O ltimo tem sido traduzido,"H uma coisa como deixar a humanidade sozinha; nunca houve tal coisa como governar a humanidade [com sucesso],"e"Um pequeno ladro colocado na cadeia. Um grande bandido torna-se o governante de uma nao".18Digenes de Snopee oscnicos, e o seu contemporneoZeno de Ctio, o fundador doestoicismo, tambm introduziram tpicos similares.1719

O anarquismo moderno, contudo veio do pensamento secular ou religioso doIluminismo, particularmente de argumentos deJean-Jacques Rousseaupara a centralidade moral da liberdade.20

William Godwindesenvolveu a primeira expresso do pensamento anarquista moderno.21Godwin foi, de acordo comPeter Kropotkin, "o primeiro a formular as concepes polticas e econmicas do anarquismo, mesmo que ele no tenha dado nome s ideias desenvolvidas em seu trabalho",17enquanto Godwin ligava suas ideias anarquistas aEdmund Burke.22Benjamin Tuckercreditava aJosiah Warren, um estado-unidense que promovia a ausncia do estado ecomunidades voluntriasonde todos os bens e servios soprivados, como sendo "o primeiro homem a expor e formular a doutrina agora conhecida como anarquismo."23O primeiro a descrever-se como um anarquista foiPierre-Joseph Proudhon,24um filsofo francs e poltico, que levou alguns a cham-lo de fundador da teoria anarquista moderna.25

O anarquismo desempenhou papis significativos nos grandes conflitos da primeira metade dosculo XX. Durante aRevoluo Russa de 1917,Nestor Makhnotenta implantar o anarquismo naUcrnia, com apoio de vriascomunidadescamponesas, mas que acabam derrotadas pelo EstadobolcheviquedeLnin.

Ver artigo principal:Revoluo Ucraniana

Quinze anos depois, anarquistas organizados em torno de umaconfederaoanarcossindicalistaimpedem que umgolpe militarfascistaseja bem sucedido naCatalunha(Espanha), e so os primeiros a organizarmilciaspara impedir o avano destes na consequenteGuerra Civil Espanhola. Durante o curso dessaguerra civil, os anarquistas controlaram um grande territrio que compreendia aCatalunhaeArago, onde se inclua a regio maisindustrializadade Espanha, sendo que a maior parte daeconomiapassou a serautogestionada(autogerida).

Aps aSegunda Guerra Mundial, o movimento anarquista deixou de ser um movimento de massas, e perdeu a influncia que tinha no movimento operrio dos vrios paseseuropeus. Entretanto, continuaria a influenciar revoltas populares que se seguiram na segunda metade do sculo XX, como oMaio de 68naFrana, o movimento anti-Poll taxnoReino Unidoe os protestos contra a reunio daOMCemSeattle, nosEstados Unidos.

Anarquismo no Brasil[editar]

Talvez uma das primeiras experincias anarquistas do mundo tenha ocorrido nas margens daBaa de Babitonga, na cidade histrica deSo Francisco do Sul. Em1842o Dr.Benoit Jules Mure, inspirado na teorias deFourier, instala oFalanstrio do SaouColnia Industrial do Sa, reunindo oscolonosvindos deFrananoRio de Janeiroem1841. Houve dissidncias e um grupodissidente, frente do qual estavaMichel Derrion, constituiu outra colnia a algumaslguasdo Sa, num lugar chamado Palmital: aColnia do Palmital.

Mure conseguiu apoio do CoronelOliveira Camachoe do presidente daProvnciadeSanta Catarina,Antero Jos Ferreira de Brito. Este apoio foi-lhe fundamental para posteriormente conseguir a ajuda financeira do governo doImprio do Brasilpara seu projeto.

O anarquismo no Brasil ganhou fora com a grandeimigraodetrabalhadoreseuropeusentre fins dosculo XIXe incio dosculo XX. Em1889Giovani Rossitentou fundar emPalmeira, no interior doParan, uma comunidade baseada no trabalho, na vida e nanegaodo reconhecimento civil e religioso domatrimnio, (o que no significa, necessariamente, "amor livre"), denominadaColnia Ceclia. A experincia teve curta durao.

No incio dosculo XX, o anarquismo e oanarcossindicalismoeram tendncias majoritrias entre ooperariado, culminando com as grandesgreves operriasde1917, emSo Paulo, e1918-1919, noRio de Janeiro. Durante o mesmo perodo,escolas modernasforam abertas em vrias cidades brasileiras, muitas delas a partir da iniciativa de agremiaes operrias de inclinao anarquista.

Alguns acreditam que a decadncia do movimento anarquista se deveu ao fortalecimento dascorrentesdosocialismo autoritrio, ou estatal, i.e.,marxista-leninista, com a criao doPartido Comunista Brasileiro(PCB) em1922participada inclusivamente, por ex-integrantes do movimento anarquista que, influenciados pelo sucesso da revoluo Russa, decidem fundar umpartidosegundo osmoldesdo partidobolcheviquerusso.

Porm, esta posio, sustentada por muitoshistoriadores, vem sendocontestadadesde a dcada de 1970 porEdgar Rodrigues(anarquista portugus naturalizado no Brasil, pesquisador autodidata da histria do movimento anarquista no Brasil e em Portugal), e pelos recentesestudosdeAlexandre Samisque indicam que a influncia anarquista no movimento operrio cresceu mais durante este perodo do que no j fundado (PCB) e s a represso do governo deArtur Bernardes, viria diminuir a influncia das ideias anarquistas no seio do movimento grevista. Artur Bernardes foi responsvel por campos de concentrao e centros de tortura, nos quais morreram inmeros libertrios, sendo que o pior de tais campos foi o deClevelndia, localizado no Oiapoque.Edgar Rodriguesapresenta em vrias de suas obras as investidas de membros do PCB que, procurando transformar ossindicatos livresem sindicatos partidrios e conquistar devotos s ideiasleninistas, polemizavam em sindicatos e jornais, chegando a realizar atentados contra anarquistas que se destacavam no movimento operrio brasileiro, durante a dcada de 1920.

Provavelmente devido aos problemas decomunicaoresultantes datecnologiada poca, os anarquistas s tero compreendido arevoluo russade forma mais clara, a partir das notcias de clebres anarquistas, como aestadunidenseEmma Goldman, que denunciara asatrocidadescometidas na Rssia em nome da ditadura doproletariado. Seria a partir deste momento histrico que se definiria a posiotticado anarquismo perante os socialistas autoritrios no Brasil, separando a confuso ideolgica que reinava em torno da revoluo russa, identificada pelos anarquistas inicialmente como uma revoluo libertria. Esta ideia seria depois desmistificada pelos anarquistas, que acreditam no socialismo sem ditadura, defendendo a liberdade e a abolio do Estado.

Durante oRegime Militar(1964-1985), as principais expresses anarquistas no Brasil foram o Centro de Estudos ProfessorJos Oiticica, no Rio de Janeiro, o Centro de Cultura Social de So Paulo e o JornalO ProtestonoRio Grande do Sul. Todos foram fechados no final da dcada de 1960, mas seus militantes continuaram se encontrando clandestinamente, publicando livros e se correspondendo com libertrios de outros pases. Na dcada de 1970 surge na Bahia o jornalO Inimigo do Rei, impulsionando a formao de novos grupos anarquistas, atravs das editorias autogestionrias, em vrias partes do Brasil. No Rio Grande do Sul, nos anos oitenta, cria-se na cidade deCaxias do Sul, o Centro de Estudos em Pesquisa Social - CEPS, voltado para o trabalho social. No ano de 1986, na cidade deFlorianpolis, realizada a Primeira Jornada Libertaria com o lanamento das bases para a reorganizao da Confederao Operria Brasileira - COB/AIT e a organizao dos anarquistas.

Pode ser encontrado na Internet um livro deEdgard Leuenroth"Anarquismo roteiro da libertao social" publicado na dcada de 60 pela editora mundo livre feita pelo CEPJO.

Anarquismo em Portugal[editar]

No final dosculo XIXd-se o desenvolvimento de grupos anarquistas ligadas s ideias deJ. Proudhon, cuja obra poltica mais conhecida defendia a constituio de unies locais (mutualistas) de pequenos produtores independentes. Estes revolucionrios portugueses no procuravam romper com a ordem vigente, mas limitavam-se a denunciar a "escravido moderna" que ocorria nas fbricas, fruto daRevoluo Industrial, assim como a promover as associaes deapoio mtuoque tinham em vista minorar os problemas econmicos e sociais dos trabalhadores26.

Aps a visita ao pas do geografo-anarquistaElise Reclus, em1886fundaram-se os primeiros grupos anarquistas editando o primeiro jornal de propaganda (A revoluo Social, em1887) e publicada a primeira traduo deKropotkine(A Anarquia na Evoluo Socialista, 1887)27.

Em1871,Antero de Quentale outros portugueses renem-se emLisboacom delegados daAssociao Internacional dos Trabalhadores(AIT) para apresentar essas ideias revolucionrias28.

Estes grupos contriburam para oderrube da monarquiaem1910. Com aPrimeira Repblicad-se uma grande expanso e fundada em1919aConfederao Geral do Trabalho, de tendnciasindicalista revolucionriaeanarco-sindicalista.

Consequentemente, com a instaurao daDitadura Militarem1926, e com aditadura de Salazarque se lhe seguiu, probe-se a actividade dos grupos anarquistas. Em1933acensura prvia legalmente instituda. Os vrios jornais anarquistas, incluindo A batalha, passam a serclandestinose a ser alvos deperseguies.

Em1939d-se o atentado, com o apoio dos activistas anrquicos, no qual se tentou assassinarSalazar29.

Com o25 de abril de 1974h um novo ressurgimento do movimento libertrio, embora com uma expresso reduzida.

Principais conceitos anarquistas[editar]

Este conceito anarquista, embora no constitua a didtica primria compreenso libertria, digno de uma abordagem rpida.

Os anarquistas acreditam no desenvolvimento heterodoxo do pensamento e do ideal libertrio como um todo, no idolatrando nem privilegiando qualquer escritor ou terico desta vertente de estudos.

Toda a posio do anarquismo completamente diferente de qualquer outro movimento socialista autoritrio. Ela tolera variaes e rejeita a ideia de gurus polticos ou religiosos. No existe um profeta fundador a quem todos devam seguir. Os anarquistas respeitam seus mestres, mas no os reverenciam, e o que distingue qualquer boa compilao que pretenda representar o pensamento anarquista a liberdade doutrinria com que os autores desenvolveram ideias prprias de forma original e desinibida.

George Woodcock30

Anarquismo no doutrina, no religio, portanto no reverencia nenhuma espcie de livros ou obras culturais, nem linhas metodolgicas rgidas, o que o definiria infantilmente enquanto cincia constituda. As obras concernentes ao anarquismo so, no mximo, fontes de experincias delimitadas histrica e conjunturalmente, passveis de infinitas adaptaes e interpretaes pessoais.

Em sntese, o anarquismo convencionado entre os libertrios como sendo a emergncia de um sentimento puro, sob o qual cada adepto deve desenvolver dentro de si mesmo o seu prprio instrumental intelectual para legitim-lo e, mais do que isso, potencializ-lo abstracional e concretamente.

A revoluo social[editar]

Na tica anarquista, arevoluo socialconsistiria na quebra drstica, rpida e efetiva doEstadoe de todas as estruturas, materiais e no-materiais, que o regiam ou a ele sustentavam. Este princpio primordial na diferenciao da vertente de pensamentos libertria em relao a qualquer outra corrente ideria. a diferena bsica entre osocialismo libertrioe osocialismo autoritrio.

Sob a tica domarxismo, seria necessria ainstrumentalizaodo Estado para a prossecuo planejada, detalhada e gradativa darevoluo, sendo instituda aditadura do proletariadopara o controle operrio dos meios de produo at a ecloso docomunismo. Sob o iderio anarquista, a revoluo deve ser imediata, para no permitir que os elementos revolucionrios possam ser corrompidos pela realidade estatal. De acordo com os libertrios, a ditadura do proletariado nada mais do que umaditadura"de fato", continuando a exercer coero,opressoeviolnciasobre a sociedade. Por isso, segundo os libertrios, a revoluo social deve ascender o mais rpido possvel sociedade anarquista, ao comunismo puro, para, atravs dos princpios da defesa da revoluo, no permitir a ressurreio do Estado.

Por fim, por intermdio do processo de destruio completa do Estado, sobre todas as suas formas, torna-se plenamente tangvel aliberdade, podendo o sujeito renovar de forma efetiva os seus princpios e preceitoshumanistas.

Humanismo[editar]

Nos meios anarquistas, de forma geral, rejeita-se a hiptese de que ogovernoou oEstadosejam necessrios ou mesmo inevitveis para a sociedade humana. Os grupos humanos seriam naturalmente capazes de se auto-organizarem de forma igualitria e no-hierrquica, mediante os progressos originados pela educao libertria. A presena de hierarquias baseadas na fora, ao invs de contriburem para a organizao social, antes acorrompem, por inibirem essa capacidade inata de auto-organizao e por dar origem desigualdade.

Desta forma, a partir daconscientizao, aceitao e internalizao da sua essncia humana, ideia suprimida anteriormente pelo Estado, segundo os anarquistas, emerge naturalmente na sociedade humana o anseio pela ascenso da ideia-base de qualquer forma de vida real: aLiberdade.

Liberdade[editar]

A Liberdade a base incontestvel de qualquer pensamento, formulao ou ao anarquista, representando o elo sublime que conjuga de forma plena todos os anarquistas. Assim, entre os anarquistas, a Liberdade deixa apenas o plano abstracional (do pensamento) para ganhar uma funcionalidade prtica, sendo o smbolo e a dinmica do desenvolvimento humano real. Em outras palavras, o princpio bsico para qualquer pensamento, ao ou sociedade ser definida como anarquista que esteja imersa, tanto abstracionalmente (ideologicamente), quanto pragmaticamente (no mbito das aes), no conceito de Liberdade. Liberdade fsica, de gnero, de pensamento, de ao, de expresso, de usufruto consciente dos recursos humanos, sociais e naturais, de negociao e interao, de apoio mtuo, de relacionamento e vinculao sentimental, de f e espiritualidade, de produo intelectual e material e de realizao coletiva e pessoal.

Para a encarnao da Liberdade, no entanto, necessria a erradicao completa de qualquer forma de autoridade.

Antiautoritarismo[editar]

O Antiautoritarismo consiste na repulsa e no combate total a qualquer tipo dehierarquiaimposta ou a qualquer domnio de uma pessoa sobre a(s) outra(s), defendendo uma organizao social baseada naigualdadee no valor supremo daliberdade. Tem como principais, mas no nicos, objetivos asupressodoEstado, daacumulaoderiquezaprpria docapitalismo(exceto osAnarco-capitalistas) e das hierarquiasreligiosas. O Anarquismo difere doMarxismopor rejeitar o uso instrumental do Estado para alcanar seus objetivos e por prever uma Revoluo Social de carter direto e incisivo, ao contrrio da progresso scio-poltica gradual - socialismo - rumo derrubada do Estado - comunismo - proposta por Karl Marx.

De acordo com a corrente de pensamentos libertria, a supresso da autoridade condicionada pela ao direta de cada indivduo livre, prescindindo-se completamente de qualquer intermedirio entre o seu objetivo, enquanto defensor da Liberdade, e a sua vontade. O anarquista entende que"enquanto houver autoridade, no haver liberdade".

Ao direta[editar]

Os anarquistas afirmam que no se deve delegar a soluo de problemas a terceiros, mas antes, atuar diretamente contra o problema em questo, ou, de forma mais resumida,"A luta no se delega aos heris". Sendo assim, rejeitam meiosindiretosde resoluo de problemas sociais, como a mediao porpolticose/ou pelo Estado, em favor de meios mais diretos como omutiro, aassembleia(ao direta quenoenvolveconflitofsico), agreve, oboicote, adesobedincia civil(ao direta que pode envolver conflito fsico), e, em situaes excepcionais asabotageme outros meios coercitivos (ao direta com potencialviolento).

No entanto, a Ao Direta, por si s, no garante a manuteno e a perpetuao das condies humanas bsicas, tanto em termos estruturais, quanto no aspecto intelectual, necessitando de uma extenso operacional extensa e organizada a fim de fazer, da fora humana global, uma s energia coletiva. Decerto, somente a solidariedade e o mutualismo mximos podem promover essa harmonia social.

Apoio mtuo[editar]

Os anarquistas acreditam que todas as sociedades, quer sejamhumanasouanimais, existem graas vantagem que o princpio da solidariedade garante a cadaindivduoque as compem. Esteconceitofoi exaustivamente exposto porPiotr Kropotkin, em sua famosa obra "Mutualismo: Um Fator de Evoluo". Da mesma forma, acreditam que a solidariedade a principal defesa dos indivduos contra o poder coercitivo do Estado e doCapital.

Mas, para que a solidariedade se torne uma virtude "de fato" necessria a erradicao de qualquer fator de segregao ou discriminao humanas. Com esse objetivo, o internacionalismo se firma enquanto o princpio proeminente da integrao sociolibertria.

Internacionalismo[editar]

Para os anarquistas, todo tipo de diviso da sociedade - em todos os aspectos - que no possua uma funcionalidade plena no campo humano deve ser completamente descartada, seja pelos antagonismos infundados que ela gera, seja pela burocracia contraproducente que ela encarna na organizao social, esterilizando-a. Logo, a ideia de "ptria" negada pelos anarquistas.

Os libertrios acreditam que as virtudes - bem como o exercer pleno delas - no devem possuir "fronteiras". Assim, acreditam que a natureza humana a mesma em qualquer lugar do mundo, exigindo, independentemente do universo material ou cultural onde o ente humano esteja inserido , uma gama infinita de necessidades e cuidados. Em outras palavras: se a fragilidade do homem no tem fronteiras, por que estabelecer empecilhos ao seu auxlio?

Vale lembrar que o conceito libertrio de internacionalismo se difere completamente do conceito que conhecemos - portanto, capitalista - de globalizao. Globalizao a ampliao a nvel mundial da difuso de produtos - ideolgicos, culturais e materiais - de determinados segmentos capitalistas, visando potencializao mxima da capacidade mercadolgica dos agentes operantes - na maioria das vezes, as empresas e as grandes corporaes -, sendo, para isso, desconsideradas parcial ou completamente todas as conseqncias humanas do processo, j que a doutrina do "lucro mximo" que rege essas operaes. Por outro lado, o internacionalismo, por se alijar completamente de todo o iderio capitalista, no possui nenhuma teno lucrativa, capitalista, e no permeado por estruturas privilegiadas de produo - como as indstrias capitalistas -, sendo regido pela solidariedade e mutualismo mximos.

Didaticamente, o internacionalismo pode ser definido como sendo a difuso global de "servios" humanos, e a globalizao como a difuso global de "hegemonias" mercadolgicas.

Socialismo Libertrio: uma tica socialista e anarquista[editar]

Os anarquistas auto-denominadossocialistas libertriosvem qualquer governo como a manuteno do domnio de umaclasse socialsobre outra. Compartilham da crtica socialista ao sistemacapitalistaem que o Estado mantm a desigualdade social atravs da fora, ao garantir a poucos apropriedade privadasobre osmeios de produo, mas estendem a crtica aos socialistas que advogam a permanncia de um Estado ps-revolucionrio para garantia e organizao da "nova sociedade". Tal Estado, ainda que proletrio, somente faria permanecer antigas estruturas de dominao de uma parcela da populao sobre a outra, agora sob nova orientao ideolgica.

Esta tica defende umsistemasocialistaem que os meios de produo sejam socializados e garantidos a todos os que nelatrabalham. Neste sistema, no haveria necessidade deautoridadesougovernosuma vez que a administrao da vida social, objetivando a garantia plena da liberdade, s poderia ser exercida por aqueles que a compem e a tornam efetiva, seja na agricultura, na indstria, no comrcio, na educao e outras esferas da sociedade.

A sociedade seria gerida porassociaesdemocrticas, formadas por todos, e agrupando-se livremente, ou seja, com entrada e sada livre, emcooperativase estas emfederaes.

Atradiosocialista libertria teve a sua origem entre os sculosXVIIIeXIX. Talvez o primeiro anarquista (embora no tenha usado o termo em nenhum momento) tenha sidoWilliam Godwin,ingls, que escreveu vriospanfletosdefendendo umaeducaosem a participao do Estado, observando que este tornava as pessoas menos propensas a ver a liberdade que lhes era retirada. O primeiro a se auto-intitular anarquista e a defender claramente uma viso socialista libertria, foiJoseph Proudhon.24Mikhail Bakunintambm foi um defensor do socialismo libertrio, polemizando comKarl MarxeFriedrich Engelsna primeiraAssociao Internacional de Trabalhadores(AIT). Mais tarde, apareceram importantes figuras do anarquismo, comolise Reclus,Piotr Kropotkin,Errico MalatestaeEmma Goldman, cujas ideias foram muito populares na primeira metade dosculo XX.

O incio daHistria do Anarquismono coincide com o surgimento e a positivao do termoanarquismo, muito anterior a ela, e implica uma srie de reflexes sobre entendimentos possveis das idias deindivduo,sociedadeeliberdade, realizadas em sociedades distintas, em diferentes momentos histricos.

Sociedades sem governo e a pr-histria[editar]

De acordo comHarold Barclayantes do anarquismo ter surgido como uma perspectiva distinta, seres humanos viveram milhares de anos em sociedades sem governo.1Anarcoprimitivistastambm acreditam que, por um longo perodo antes da histria escrita, as sociedades humanas foram organizadas por princpios anrquicos. No entanto, existe um debate sobre as evidnciasantropolgicasnas quais esta afirmao se fundamenta. Foi somente depois do surgimento das sociedades hierrquicas que as idias anarquistas foram formuladas como uma resposta crtica e rejeio a toda forma de instituio poltica coercitiva baseada em relaes sociais hierrquicas.

Muitos anarquistas no primitivistas consideram equivocada as especulaes dos primitivistas, uma vez que a limitao dos registros e as analogias com as sociedades autctones contemporneas possuem claras limitaes de contexto. Outros consideram ainda que a crena primitivista de uma pr-histria libertria tem seu fundamento em um arcabouo mitolgico ocidental que remete a era de ouro da antiguidade grega em que "homens e animais viviam em harmonia", e ao jardim do den cristo "antes do pecado original"; mas tambm em mitos modernos decorrentes de leituras enviesadas da prpria filosofia ocidental como o "bom selvagem" deJean Jacques Rousseau.

Filosofia crata na Grcia da Antiguidade[editar]

A utilizao das palavras "anarchia" e "anarchos", ambas significando "sem governantes", podem ser traadas at asIladasdeHomero2e asHistriasdeHerodotus.3O primeiro uso poltico conhecido da palavraanarquiaaparece na peaSete Contra TebasdeAeschylus, datada de467 a.C.. Nela,Antigonase recusa abertamente a aceitar o decreto dos governantes a abandonar o corpo de seu irmoPolyneicesno sepultado, como punio por sua participao no ataque aTebas, diante do decreto ela diz "mesmo se ningum quiser participar comigo, sozinha correrei o risco em sepultar meu prprio irmo. terei eu que agir em oposio desafiadora aos governantes da cidade (ekhous apiston tnd anarkhian polei)".

Aristipo de Cirene, um dos maiores discpulos deSocrates, grande estudioso das questes ticas, certa vez afirmou que os sbios no deveriam abrir mo de suasliberdadesem prol do estado.[1]. No entanto, nenhum de seus escritos sobreviveu ao tempo e tudo que se conhece sobre suas reflexes est baseado nas obras de seus comentadores.

A Grcia Antiga tambm viu florescer a primeira instncia do anarquismo enquanto ideal filosfico. OsCnicosDigenes de SnopeeCrates de Tebasadvogaram por formas anrquicas de sociedade, mas pouco resta de seus escritos.4O filsofoZeno de Ctioo fundador doEstoicismo, muito influenciado pelos Cnicos, descreveu sua viso de uma sociedade horizontal em torno de 300 a.C.5ARepblica de Zenose baseava em uma forma de anarquismo onde no existia necessidade de estruturas estatais. Zeno era, de acordo comKropotkin, "O maior expoente da filosofia anarquista na Grcia Antiga". Como resumido por Kropotkin,Zeno"repudiava a onipotncia do estado, sua interveno e regimentao, e proclamava a soberania da lei moral do indivduo". Na filosofia grega, a viso de Zeno de comunidade livre sem governo oposta a utopia pr-estatal daRepblica de Plato. Em oposio aPlato, Zeno argumentava que a razo poderia substituir a autoridade na administrao dos assuntos humanos. Sua defesa da anarquia se baseava na premissa de que o instinto de auto-preservao necessariamente levaria os humanos aoegosmo, no entanto, a natureza teria suprido o homem com um corretivo para esse aspecto, um outro instinto desociabilidade. Como muitos anarquistas modernos, ele acreditava que se fosse permitido aos povos seguissem seus instintos, no precisariam de leis, cortes ou polcia, nem detemplosou espaos de adorao pblica, no utilizariam dinheiro e formas deeconomia do domtomariam seu lugar nas trocas. As reflexes de Zeno s chegaram at contemporneidade na forma de trechos fragmentados.[2]

mAtenas, o ano404 a.C.foi comumente conhecido como "o ano da anarquia". De acordo com o historiadoXenofonte, trata-se de fato de um perodo em que Atenas foi governada pela oligarquia dos "Trinta", instalada pelos espartanos aps sua vitria na segunda guerra do Peloponeso, e devido ao fato de que existia umArconteno governo, nomeado pelos oligarcas, na pessoa de Pythodorus, os atenienses se recusaram a aplicar na ocasio seu costume de chamar o ano pelo nome do arconte, preferindo cham-lo de 'ano da anarquia'".

Os filsofos gregosPlatoeAristotelesutilizaram o termo anarquia em seu sentido negativo, em associao com a idia dedemocraciaa qual acreditavam ser inerentemente vulnervel e passvel de deteriorar em tirania. Plato acreditava que a corrupo criada pela democracia propiciava a hierarquia "natural" entre classes sociais, gneros e grupos de idade, para sua ampliao "anarquia encontra um caminho nas casas privadas, e termina por chegar at os animais e infect-los". ('Repblica', livro 8). Aristoteles diz em seu livro sei das 'Polticas' quando discute revolues, que as classes superiores podem ser motivadas a levar a cabo um grupo em suas contendas para prevenir a "desordem e anarquia (ataxias kai anarkhias) nos assuntos do estado. Este filsofo tambm associou a anarquia com a democracia quando afirmou existirem traos "democrticos" nas tiranias, denominou a anarquia uma licena possvel entre escravos (anarkhia te douln)" bem como entre mulheres e crianas. "Uma constituio deste tipo", concluiu, "ter um amplo nmero de apoiadores j que viver desordenadamente (zn atakts) mais prazeroso s massas que levar uma vida sbria".

Filosofia crata na China da Antiguidade[editar]

NaChinaem 600 AC, o pensadortaostaLao Zifoi o principal responsvel pelo desenvolvimento do princpio de "no-comando" noTao Te Ching, importante texto do taosmo filosfico. Com base neste princpio muitos taostas passaram a viver nos conformes com um modo de vida muito semelhante quele chamado de "anarquista" na modernidade.

Em 300 AC, tambm o filsofoBao Jingyanadvogaria abertamente por uma sociedade que no estivesse baseada na existncia de senhores ou servos.6

Movimentos e idias cratas no medievo[editar]

Existiram variedades de movimentos anrquicos religiosos naEuropadurante aIdade Mdia, incluindo aIrmandade do Esprito Livre, osKlompdraggers, osHussitas,Adamitase os primeirosAnabaptistas.7Sobre estes ltimosBertrand Russellafirmaria em suaHistria da Filosofia Ocidentalque os Anabaptistas "repudiaram todas as leis, desde que consideravam que o bom homem seria guiado a todo instante pelo Esprito Santo por essa premissa eles chegaram ao comunismo".

EmGargantua e Pantagruel(1532-52),Franois Rabelaisescreveu no Abby deThelema(palavra grega que significa "vontade" ou "desejo"), um utopia imaginria onde seu princpio era "Faa Como Queira", lugar no qual no havia governantes ou governados. Graas a esta contribuio literria, bem como aos seus questionamentos crticos de fundo tico atravs da stira aos governantes de seu tempo, Rabelais considerado por alguns anarquistas, entre elesVoltairine de Cleyre, um importante precursor do pensamento crata no final do medievo.89Quase na mesma poca, um estudante francs de Direito,tienne de La Botieescreveu seuDiscurso sobre a Servido Voluntria, no qual ele argumentava que a tirania resultado da submisso voluntria, e deveria ser abolida pelas pessoas atravs da recusa a obdecer as autoridades que acreditavam estar acima delas.

Anarquismo e a modernidade[editar]

Do sculo XVI ao XVII[editar]

ParaLeo Tolstoi, oAnarquismo Cristotem como um dos seus mais importantes expoentes emGerrard Winstanley, que fazia parte dos movimento dosDiggersna Inglaterra durante aGuerra Civil Inglesa. Em seus escritos, Winstanley afirmava que as "benos da terra" deveriam "ser comuns a todos e nenhum senhor sobre os demais."6Em um de seus panfletos em meio ao sculo XVII, Winstanley defendia a criao de pequenas comunas agrrias de propriedade coletiva economia socialmente organizada, que entrariam para a histria como os agrarianos.

Sculo XVIII[editar]

No entanto, naera modernao primeiro a empregar o termo "Anarquia" com um sentido outro que no o caos foiLouis-Armand, Baro de Lahontan, em sua obra Novas viagens da Amrica Setentrional (Nouveaux voyages dans l'Amrique septentrionale) (1703) onde descreveu ospovos indgenashabitantes originais dasAmricascomo sociedades sem estado, leis, prises, padres ou propriedade privada, seres em anarquia.10

EmUma defesa da Sociedade Natural(A Vindication of Natural Society) (1756),Edmund Burkedefendeu a abolio do governo, posteriormente afirmaria que a obra era para ser um trabalho satrico. Trs dcadas depoisWilliam Godwincomentaria os escritos de Burke e seu tratado afirmando que neste "os males das instituies polticas existentes foram revelados com uma fora de razo e capacidade de eloqncia incomparveis, enquanto a inteno do autor era mostrar que esses males deveriam ser considerados trivialidades."

Thomas Jeffersontambm manifestou sua opinio sobre a sociedade sem governo.11

A base dos nossos governos a opinio do povo, o mais fundamental dos objetivos deveria ser manter esse direito; e se fosse deixado para mim decidir se deveramos ter um governo sem imprensa ou imprensa sem um governo, eu no hesitaria um momento em optar pelo o ltimo. Mas o que quero dizer que cada homem deve receber esses jornais e ser capaz de l-los. Estou convencido que aquelas sociedades (como as dos ndios) que vivem sem governo contam em sua maior parte com um grau infinitamente maior de felicidade que aqueles que vivem sob os governos europeus. Entre os primeiros, a opinio pblica substitui a lei e cria freios morais mais poderosos do que as leis jamais sero onde quer que existam. Entre os ltimos, sob a desculpa de governar, eles dividem suas naes em duas classes, os lobos e as ovelhas. No estou exagerando. Esta uma descrio verdica da Europa.

Piotr Kropotkinconsidera queWilliam Godwinatravs de sua obraInqurito acerca da justia polticade1793, foi o "primeiro a formular as concepes polticas e econmicas do Anarquismo defendendo explicitamente a abolio de todas as formas de governo.12No entanto, neste texto Godwin no utilizou a palavraanarquismopor considerar a poca um termo pejorativo, uma forma de insulto comum a todo pensamento e ao progressistas e revolucionrios. Nesta obra Godwin defendeu a abolio do governo atravs de um processo gradual de reforma e esclarecimento. Por suas idias Godwin considerado nos dias de hoje um dos fundadores do "Anarquismo filosficoe um dos antecessores doutilitarismo."[3]

Existiram diversas correntes cratas e libertrias durante aRevoluo Francesa, com alguns revolucionrios empregando o termo "anarchiste" em um prisma positivo como no incio de setembro de1793.13OsEnragsse opuseram a um governo revolucionrio como uma contradio em termos. Denunciando a ditaduraJacobina,Jean Varletescreveu em1794que "governo e revoluo eram incompatveis, a menos que o povo deseje estabelecer autoridades constitudas em permanente insurreio contra elas prprias. "[4]Em seu "Manifesto dos Iguais,"Sylvain Marchaldefendeu o desaparecimento, de uma vez por todas da "distino revoltante entre ricos e pobres, grandes e piquenos, mestres e servos, governantes e governados."[5]

Sculo XIX[editar]

Em1825nosEstados Unidos,Josiah Warrenparticipou dacomunidade experimentalpensada poRobert OwenchamadaNew Harmony, que desapareceu alguns poucos anos depois devido a conflitos internos. Em1827, comNew Harmonydesintegrada, ele retornou aCincinnati. ComoKenneth Rexrothescreveu, "quase todos os crticos de New Harmony disseram que ela havia falhado pela falta de uma liderana forte, disciplina e comprometimento. Warren chegou a concluso exatamente oposta."14Warren condenou a falta de soberania individual da comunidade como o motivo principal do fracasso da experincia. Ele se esforaria ainda para organizar outras comunidades anarquistas como aUtopiae aModern Times.

Reunindocolonosvindos deFrananoRio de Janeirono ano anterior, inspirado na teorias deFourier, em1842o Dr.Benoit Jules Murese dirige margens daBaa de Babitonga, perto da cidade histrica deSo Francisco do Sulcom o objetivo de iniciar aquela que ficaria conhecida como a primeira experincia libertria do hemisfrio sul, oFalanstrio do Saou Colnia Industrial do Sa. A experincia duraria poucos anos devido ao despreparo de seus componentes e incapacidade de coeso que resultou em um grupo frente do qual estavaMichel Derrion. Este constituiria outra colnia a algumaslguasdo Sa, num lugar chamado Palmital: aColnia do Palmital. No entanto, ambas experincias no prevaleceriam.

Mais de quarenta anos depois, em1889um grupo articulado por esforo doagrnomo-veterinrioGiovanni Rossise engajaria em uma nova experincia de comunalismo experimental. No municipalidade dePalmeira, no interior doParaneles dariam forma a uma comunidade baseada nos princpios libertrios docooperativismo, doanticlericalismoe na negao de outras instituies tradicionais como ahierarquia, omatrimnioe afamlia nuclear: esta fora denominadaColnia Cecliaem referncia a um dos romances previamente escritos por Rossi. Apesar desta experincia tambm ter sido de curta durao, seu impacto no imaginrio foi tremendo tanto noBrasilcomo naItlia. Canes e livros foram escritos inspirados nesta experincia que seria rememorada por mais de cem anos entre os anarquistas.

O primeiro anarquista autoproclamado[editar]

Pierre-Joseph Proudhon considerado o primeiro anarquistaauto-intitulado, uma classificao que ele adotou em sua primeira obraO que a Propriedade?, publicada em1840. Por essa razo alguns consideram Proudhon como o fundador da teoria anarquista moderna.15Ele o autor da teoria doordenamento espontneona sociedade, onde a organizao emerge sem um coordenador central para impor suas prprias idias de ordem contrra as vontades de indivduos agindo em seus prprios interesses; seu famoso mote sobre esta questo , "Liberdade a me, no a filha, da ordem."

Em "O que a Propriedade?" Proudhon responde a questo seu famoso mote em tom de denncia "Propriedade um roubo". Nesse trabalho, ele se ope a instituio da "propriedade" (proprit), em que os donos possuem direitos plenos de "usar e abusar" de sua propriedade da forma como desejarem.16Em contraste ele defende o que chama de "possesso", ou propriedade limitada de recursos e bens apenas quando em utilizao mais ou menos continuada. Posteriormente, no entanto, Proudhon afirmaria que "Propriedade Liberdade", e argumentaria que ela a nica proteo contra o poder do estado.17

Sua oposio ao estado, religio instucionalizada, e certas prticas capitalistas inspiraram libertrios que vieram depois dele, transformando-o em um dos principais e mais influentes pensadores de seu tempo.

Enquanto ele se opunha ao comunismo, a poltica de aluguis e aos favorecimentos na remunerao por trabalho, tambm se ops aescravido do salriocapitalista(i.e. lucrar em cima do trabalho de outrem).18

Proudhon defendia como sistema econmico alternativo omutualismo, chamandoo os trabalhadores a se auto-organizarem em sociedades democrticas, com condies igualitrias para todos os seus membros, em prol do colapso do feudalismo". Sob o capitalismo, argumentava, os empregados so "subordinados, explorados" e a "condio permanente daquele que obedece, a escravido".

As idias de Proudhon tiveram grande influncia nos movimentos da classe operria francesa, e seus seguidores foram ativos narevoluo de 1848naFranabem como durante aComuna de Parisem1871. No entanto, nas duas ocasies havia outros grupos de anarquistas ativos que ora concordavam, ora faziam frente aos seguidores de Proudhon. Entre os anarquistas que participaram da Revoluo de 1848 na Frana esto includosAnselme Bellegarrigue,Ernest CoeurderoyeJoseph Djacque, este ltimo foi a primeira pessoa a se autodeclarar um "libertrio". Djacque foi tambm um crtico do antifeminismo de Proudhon e de seu mutualismo, adotando uma posioanarco-comunista.19

Outrosanarco-comunistas, comoKropotkin, posteriormente tambm discordariam de Proudhon por sua defesa da "propriedade privada" na produo do trabalho (i.e. trabalhos, ou "remunerao pelo trabalho feito") ao invs da livre distribuio de produtos do labor.20

Anarcoindividualismo[editar]

A partir da influncia da obraO nico e sua propriedadeescrita porMax Stirnere publicada emLeipzignaAlemanhaem1844surge uma nova vertente libertria conhecida comoanarquismo individualistaou abreviadamenteanarcoindividualismo. Neste livro Stirner lana uma crtica radical pr-indivduo e antiautoritria sobre sociedade prussiana contempornea e por extenso toda sociedade ocidental. O livro proclama que todas as formas de religio e ideologias, assim como o estado, a legislao e os sistemas educacionais so ilegtimos por repousarem em conceitos vazios que buscam limitar os indivduos atravs da sobreposio da autoridade de uns sobre a individualidade de outros.

Os argumentos apresentados por Stirner com base no criticismo hegeliano, questionavam muitas das ideologias que a poca eram populares entre elas onacionalismo, oestadismo, oliberalismo, osocialismo, ocomunismoe ohumanismo.

Socialismo libertrio[editar]

Na segunda metade dosculo XIXo socialismo libertrio ouanarquismo comunistaganharia corpo a partir dos escritos de tericos comoMikhail BakuninePiotr Kropotkinem dilogo com a criticamarxistado capitalismo, mas sintetizando tambm um outro conjunto de crticas proposta "estadista revolucionria" (ditadura do proletariado) defendida por Marx e Engels para a superao do capitalismo, enfatizando a importncia de uma perspectiva comunal para manuteno da liberdade individual num contexto social. Nesse sentido a alcunhaSocialismo libertriose contrape a perspectiva doSocialismo autoritriodefendido por Marx, Engels e outros autores identificados com seus escritos.

Bakuninviu a necessidade de defender a classe trabalhadora contra a opresso e a dominao da classe dominante como um meio de dissolver o estado.Kropotkinpor sua vez baseado em estudos dezoologiaeevoluo biolgicaconcluiu que a cooperao superava de longe a competio em sua importncia para sobrevivncia das espcies. Em1902ele publicaria suas concluses e suas crticas s idias emergentes deDarwinismo socialem seu livroMutualismo: Um Fator de Evoluo.

Anarquismo ilegalista e Niilismo[editar]

Tendo suas bases na filosofiaanarcoindividualistaem um contexto de grande perseguio eviolnciapor parte dos estados nacionais para com os libertrios oanarco-ilegalismoganhou fora no final dosculo XIXna forma de ciclos de retaliao, vingana, sabotagem e assassinatos orquestrados entre estadistas (reis,generaisepresidentes) e os ilegalistas, minoritrios entre os libertrios, em sua maioria adeptos da chamadapropaganda pelo Ato.

Acreditavam os ilegalistas que atravs de atos de violncia e assassnios de figuras chave do capitalismo seria possvel alcanar um momento revolucionrio onde o estado e a dominao capitalista seriam abolidos. Sua forma mais radical surgiu na Rssia onde na luta contra o estado e diante de um alto grau de represso, diversos revolucionrios em sua guerra contra o poder consideravam que os poderes do estado deveriam ser derrubados fosse qual fosse o custo. Este movimento ficou conhecido comoNiilismoe teve entre suas principais figuras o revolucionrioSergey Nechayev.

Tais aes na medida em que serviam de base parapropaganda antianarquistabem como justificativa para amplas perseguies a grupos libertrios sem qualquer envolvimento, foram amplamente refutadas por muitos outros anarquistas que as consideravam ineficientes, nocivas e contra produtivas.

A despeito dos anarcoilegalistas e niilistas serem muito poucos se comparados s demais vertentes, fundamentados em seus atos os propagandistas doanti-anarquismotrabalharam durante muito tempo com o intuito de associar o anarquismo as imagens da bomba, do punhal, assim como ao caos. Como em muitos casos, mais tarde outros grupos anarquistas adotariam tais imagens como seus prprios smbolos.

Sobre os liberais[editar]

Osliberaisforam frequentemente rotulados de "anarquistas" pormonarquistas, mesmo quando no defendiam a abolio da hierarquia. Ainda assim, eles promoveram ideais limitados de igualdade, atravs da defesa de direitos individuais, e da responsabilidade dos povos de julgar seus governantes, providenciando uma base para o desenvolvimento do pensamento anarquista. Desenvolvida com base nos preceitos liberais a sociedade poltica estadunidense possui diversos pensadores cuja obra considerada tanto pelos liberais quanto pelos anarquistas, o caso deHenry David Thoreaue sua obraDesobedincia civil. Como ele, outros liberais clssicos considerados radicais entre seus pares acabaram por ser associados com a tradio do socialismo libertrio.

Anarcocapitalismosurgiria bem mais tarde quando grupos de liberais defendendo ideologias de livre-mercado ao ponto de negarem a necessidade do estado, aspecto no qual se assemelharam ao anarquismo. Outros anarquistas argumentam que o capitalismo um sistema hierrquico que viola os princpios de no-hierarquia da filosofia anarquista. Anarcocapitalistas e anarquistas (anticapitalistas) geralmente concordam que o anarcocapitalismo parte da tradio liberal clssica da escola libertariana de pensamento ao invs de estar afiliado ao anarquismo "clssico".

Sculo XX[editar]

Por todo osculo XX, os anarquistas atuaram politicamente junto aos movimentos operrio, campons e feminista. Muitos libertrios tambm dedicaram suas vidas luta contra o autoritarismo, o racismo e o fascismo. A influncia destas lutas sobre algumas vertentes anarquista notvel.

Os anarquistas assumiram importantes papis em diversas revoltas e revolues no final dosculo XIXe incio dosculo XX, como o levante do exrcito negro na Ucrnia, tambm conhecido como movimentomakhnovistacontra as forassovietesque chegaram ao poder com aRevoluo Russaem1917.

No Brasil e na Amrica do Sul junto com as levas de imigrantes vindos da Europa desde a segunda metade do sculo XIX, o Anarquismo se fez conhecer, inicialmente atravs de diversas publicaes nas principais cidades. Logo floresceram centenas de sindicatos anarquistas, centros culturais e escolas libertrias, a maioria delas de orientao anarco-sindicalista. Pelo menos duas greves gerais ocorreram na dcada de1910e esta mesma dcada terminaria com uma insurreio anarquista no ano de 1919 paralisando a capital do pas.

Neste contexto no Brasil destacam-se as atuaes de diversos ativistas entre elesEdgard Leuenroth,Djalma Fettermann,Domingos Passos,Jos Oiticica,Maria Lacerda de Moura,Neno VascoOreste Ristori,Gigi Damiani,Zenon de Almeida,Fbio Luz,Florentino de Carvalho,Avelino Fscoloentre outros.

Nos Estados Unidos, muitos dos imigrantes vindos da Europa no incio deste sculo tambm eram anarquistas. Grupos de libertrios italianos se organizariam em diversas atividades, algumas delas de cunho ilegalista na luta por melhores condies de trabalho e contra a misria a que estavam submetidos. Notvel tambm foi a atuao dos anarquistas judeus vindos daRssiaeEuropa Orientaldesde a segunda metade do sculo XIX. Estes fundaram diversos jornais que circulavam por redes internacionais de informao e solidariedade.

Tambm no contexto estadunidense do incio do sculo XIX foi especialmente marcante os episdios referentes ao julgamento e condenao deSacco e Vanzettique por todo mundo mobilizaram milhares de trabalhadores a tomarem as ruas em solidariedade e exigindo justia. Muitos sindicatos e organizaes operrias norte-americanas de orientao anarco-sindicalista desempenharam um papel importante na formao do espectro poltico daquele pas. Entre eles destacam-se a atuao histrica dos ativistas daIndustrial Workers of the World.

Merecem destaque no contexto estadunidense a atuao deAlexander Berkman,Emma Goldman,Johann Most,Kate Austin,Lucy Parsons,Luigi Galleani,Voltairine de Cleyre,Rudolf Rockerentre muitos outros.

NaEuropa, no primeiro quarto do sculo XX, os movimentos anarquistas alcanaram xitos relativos, ainda que breve, e acabaram por ser violentamente reprimidos. No entanto, nas dcadas de 1920 e 1930, o conflito entre o anarquismo e o estado foi em grande medida eclipsado pelo conflito entre ocapitalismoe ocomunismo- entre suas vertentes oLiberalismo, oFascismo, e oStalinismo- que terminou com a derrota do Fascismo Europeu naSegunda Guerra Mundial. Durante aGuerra Civil Espanhola- que muitos consideram um preludio da Segunda Guerra - um amplo movimento anarquista popular organizado em milcias e organizaes operrias se estabeleceu naCatalunhaem1936e1937ecoletivizoua terra e a indstria. Com o tempo e o crescimento dos aparatos de controle stalinistas na Repblica, os anarquistas foram primeiro colocados de lado para depois serem esmagados. A ao stalinista beneficiaria a chegada ao poder do regime franquista de orientao fascista, do qual os stalinista oficialmente fizeram oposio.

Ao fim da Segunda Grande Guerra, a Europa estava dividida entre a regio capitalista sob a influncia do liberalismo estadunidense, e a regio comunista sob o controle da Unio Sovitica, estabelecendo as bases geogrficas para a dicotomia poltica entre o comunismo e o capitalismo que se espalharia pelo globo na forma de golpes, insurreies, invases e guerrilhas. No entanto, a influncia filosfica do anarquismo permaneceria latente at ressurgir na dcada de 1960.

Um ressurgimento do interesse popular no anarquismo se deu durante as dcadas de 1960 e 1970. NoReino Unidoele esteve associado com o movimentoPunk; a bandaCrass celebrada por suas ideias pacifistas e anarquistas. NaDinamarca, aCidade Livre de Christiania fundada no subrbio deCopenhagen. A crise de emprego e habitao na maior parte do leste europeu leva a formao do movimento decomunaseokupasque permanece vigoroso em diversas partes da Europa, principalmente naEspanhaeAlemanha.

Em1980novas vertentes do anarquismo ganham corpo nas reflexes e prticas de grupos libertrios que se distanciam do anarquismo clssico. De um lado o ecologismo radical, rejeio da tecnologia moderna, e a crtica civilizao tornam-se as bases doAnarcoprimitivismodefendido nas reflexes de tericos comoJohn Zerzane nas prticas de ativistas comoTheodore Kaczynski(o Unabomber).