303O - A LINHA DO TEMPO) - ?· --- - A LINHA DO TEMPO A LINHA DO TEMPO 1111--- - Brasília, novembro…

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    17-Nov-2018

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    FICHAFICHAFICHAFICHA DE APROPRIAO DE APROPRIAO DE APROPRIAO DE APROPRIAO

    PEDAGGICOPEDAGGICOPEDAGGICOPEDAGGICO----METODOLGICA METODOLGICA METODOLGICA METODOLGICA

    ---- A LINHA DO TEMPO A LINHA DO TEMPO A LINHA DO TEMPO A LINHA DO TEMPO 1111---- Braslia, novembro de 2006

    A LINHA DO TEMPO (LT) um instrumento didtico que pode ser

    utilizado no estudo da Histria, para favorecer a visualizao da sucesso de fatos e processos histricos que se queira focalizar, assim como de sua extenso no tempo e, sobretudo, de sua concomitncia com outros fatos e processos que faam parte do contexto.

    1. A EXPERINCIA VIVENCIADA NO CURSO DA ENFOC

    Tanto no 1 como no 2 Mdulo do I Curso Centralizado da ENFOC

    experimentamos em vrias ocasies - o uso da Linha do Tempo: na retrospectiva do Movimento Sindical Brasileiro; no resgate da evoluo dos sistemas de sociedade; na reconstituio da luta dos jovens e das mulheres. Mesmo que tenham sido experincias bem modestas, sempre veio tona um conjunto importante de elementos que devem ser considerados na construo de uma Linha do Tempo: a relao entre texto e contexto, a periodizao, a sequncia dos fatos e processos, a leitura horizontal e transversal das informaes que nela aparecem.

    Ficou claro, por exemplo, que na histria da luta dos jovens o perodo da Ditadura Militar (1964-1984) evidenciou aspectos marcantes, bem distintos do perodo da redemocratizao (aps `85). Afinal, o contexto da Ditadura influenciou muito nas escolhas e nos debates realizados no meio juvenil.

    Este mtodo pode ajudar muito no registro, na anlise e na compreenso

    mais ampla de qualquer tipo de processo que se queira reconstruir. A seguir vamos tratar principalmente da criao e do uso da Linha do

    Tempo em funo da reconstituio histrica do Movimento Sindical Brasileiro, com foco na luta dos trabalhadores e das trabalhadoras rurais. 2. COMO SE PODE CONSTRUIR UMA LINHA DO TEMPO

    Pode-se utilizar uma longa faixa de papel, dividida horizontalmente em anos, dcadas e sculos. Para que esta diviso ajude efetivamente na compreenso das mudanas na caminhada do Movimento Sindical ao longo do tempo que est sendo estudado, ser necessrio:

    1 Esse texto foi elaborado por Domingos Corcione, a partir de um artigo publicado pelo mesmo autor, em conjunto com Maria Valria Rezende, na Revista Gaveta Aberta (1994 ), da Ecola de Formao Quilombo dos Palmares.

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    Estabelecer previamente uma periodizao. No estudo da Histria Geral,

    na Escola formal, aprendemos a falar de Idade Mdia, Histria Moderna, Histria Contempornea... Da mesma forma costumamos distinguir perodos em nossa histria pessoal: At 18 anos eu morava na roa; depois fui obrigado a viver na cidade grande. Assim possvel, tambm, criar perodos para a histria do MSTTR. Esta periodizao depender da compreenso que vier a ser amadurecida acerca da trajetria do Movimento e de sua relao com o contexto social mais amplo.

    Manter uma escala fixa; isso quer dizer que a um certo perodo de tempo

    (uma dcada, por exemplo), deve corresponder visualmente sempre um mesmo espao no papel. Verticalmente a faixa ser subdividida em faixas menores ou linhas, que

    possam explicitar as diversas dimenses ou nveis da realidade social que se queira evidenciar e analisar, tendo-se o cuidado de se eleger uma delas como foco, sempre articulada com as demais faixas. Afinal:

    Uma das pequenas faixas ser estudada enquanto TEXTO. As demais faixas assumiro a funo de CONTEXTO. com suas

    respectivas temticas.

    A depender do nmero de temas ou aspectos que se pretenda aprofundar, poder se aumentar o nmero de faixas.

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    3. VARIAES NA CONSTRUO E NO USO DA LINHA DO TEMPO

    As variaes no formato e na modalidade de utilizao da LINHA DO TEMPO (LT) no devem depender do mero desejo de se fazer algo sempre diferente, mas da exigncia pedaggica de se adequar este instrumento didtico a diversos fatores:

    Ao processo que se pretende analisar. Aos objetivos (gerais e especficos) de cada experincia formativa

    que se deseja reconstituir. Ao perfil especfico de destinatrios e destinatrias (com sua

    cultura, linguagem, idade, grau de instruo, militncia, etc.).

    No lugar da faixa de papel e das linhas que acima sugerimos, pode-se desenhar um rio, com seu leito irregular, feito de altos e baixos, de trechos mais caudalosos e de outros mais transparentes e calmos...

    Uma alternativa poder ser o desenho de montanhas e plancies, simbolizando os momentos mais conflituosos ou mais tranquilos da histria que se deseja contar. Outra opo ainda: o trem, com seus trilhos, parando em vrias estaes...

    Afinal, a criatividade sugerir as mais variadas formas e smbolos, que melhor possam se adaptar retrospectiva histrica que estejamos fazendo.

    A seguir explicitaremos duas modalidades diferentes de utilizao da LT.

    Elas podem levar a outras, dependendo mais uma vez - da criatividade de cada educador e educadora. 1 : Exposio comentada, seguida de debate

    Este mtodo funciona melhor com grupos que no tenham elevado grau de informao sobre o assunto. Bastar preparar, anteriormente, uma LT em tamanho grande, com os fatos e processos mais significativos j registrados. Em seguida ser preciso fazer os preparativos para uma exposio de cada perodo (por exemplo: de 1848 at 1900; de 1900 at 1930; etc.), suscitando um debate, que oportunizar aprimoramentos e concluses.

    Para o bom xito deste mtodo, ser conveniente afixar a LT numa parede bem comprida; dessa forma os participantes tero uma viso abrangente da LT e ser mais fcil, nos debates, relacionar um perodo a outro, at chegar a uma viso gradativamente mais ampla.

    Durante a exposio ser importante valorizar ao mximo os conhecimentos que os participantes tenham sobre este ou aquele acontecimento. Por isso ser prefervel uma exposio dialogada. As novas contribuies dos participantes sero incorporadas na LT afixada na parede.

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    2: Construo Coletiva da LT

    Este mtodo funcionar, sobretudo, junto a grupos que tenham um bom grau de informao sobre o assunto. Nem sempre ser possvel a construo de toda a LT; mas se for possvel construir coletivamente pelo menos alguns perodos da mesma, isso ir se constituir numa rica experincia educativa, tanto para educadores e educadoras, como para todos os participantes.

    Nesse caso, o preenchimento anterior da LT em tamanho grande, conforme dizamos acima, s ser feito para aqueles perodos ou aspectos que no se queira construir coletivamente. Poderia - por exemplo se apresentar j preenchidos o Contexto Internacional e o Contexto Nacional; em seguida os participantes poderiam ser convidados a preencher em grupos um outro aspecto, isto , as Principais Lutas e Organizaes da Classe Trabalhadora. O inverso tambm seria vivel: preencher previamente a faixa sobre as Principais Lutas e solicitar dos grupos o preenchimento dos Contextos.

    Para assegurar uma boa construo coletiva de alguns perodos ou aspectos, bastar dividir o grupo em vrias equipes ou grupos. Cada uma das equipes ser encarregada de construir uma parte da LT, podendo utilizar textos, documentos ou outros subsdios relativos aos perodos ou aspectos a serem estudados. Dessa forma ser mais fcil que uma equipe d sua contribuio. Outro subsdio poderia ser o uso de uma LT em miniatura - num papel ofcio, com seus espaos vazios. As pessoas de cada grupo usariam esta miniatura para rascunho, durante seus trabalhos. Na medida em que vo reunindo os dados, os prprios grupos podero escrever com a ajuda de sua relatoria especfica - numa LT vazia afixada na parede. Uma vez que todos os grupos tiverem preenchido a LT vazia, poder ser feita uma leitura coletiva de toda a LT e ser implementado um debate que contribua para seu aprimoramento. No final seria feita a sntese das principais contribuies.

    O estudo da LT no deve necessariamente comear pela primeira ou pela

    segunda faixa (= contexto internacional - contexto nacional); pelo contrrio, mais pedaggico comear com a terceira faixa (= Fatos e Lutas da Classe Trabalhadora), em cada perodo: nessa faixa o principal desafio ser o de caracterizar bem os atores sociais, os protagonistas de todo o processo histrico que se pretenda reconstruir. Afinal, os trs aspectos no devem ser considerados ou tratados em p de igualdade: os primeiros dois esto a servio do terceiro, pois buscam contextualizar os fatos e as lutas da classe trabalhadora. Neste sentido, conveniente que se tenha tambm o cuidado de selecionar bem os fatos e processos que possam de fato ajudar a contextualizar bem a terceira faixa, evitando o risco de um amontoado de informaes e de um debate que acabe ocupando mais tempo que a reflexo sobre a faixa principal.

    Da mesma forma, no se deve necessariamente comear pelo primeiro perodo (1848-1900). Algumas experincias revelam que iniciar pelo perodo mais

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    recente (por exemplo: de 1996 at 2006), faz com que os participantes se descubram mais facilmente enquanto FAZEDORES DA HISTRIA e se sintam mais motivados para estudar o passado a partir das interrogaes que o momento atual levanta. Partir de HOJE, ir ao PASSADO, voltar novamente ao HOJE, parece o mtodo mais educativo, capaz de contribuir para a superao de certas periodizaes mecanicista e anti-dialticas... 3. ORIENTAES PARA OS DEBATES Tanto na primeira modalidade como noutra, os debates assumiro uma particular importncia pedaggica. Por isso apresentaremos algumas orientaes:

    Ajudar a identificar a feio da classe trabalhadora e como a mesma foi sofrendo mudanas no decorrer da histria: mudanas na composio, nas formas de organizao e luta, na correlao de foras com as classes dominantes.

    Favorecer uma melhor compreenso da relao entre o passado e o presente: estimular a leitura das lutas e das contradies do movimento atual, luz do passado; ao estudar o passado, ajudar a identificar sua relao com o presente: os vestgios que permanecem at hoje e as lies que possam ser extradas para os desafios atuais.

    Problematizar as grandes mudanas que cada perodo encerra, ajudando a compreender a ligao entre fatos e processos; identificar a relao entre um fato e outro, entre um perodo e outro, entre uma concepo e outra...

    Contribuir na educao para a pacincia histrica: a histria mais comprida que nossa vida; somos, ao mesmo tempo, herdeiros e continuadores desse processo...

    Caber aos educadores e educadoras a conduo dos debates de forma tal que o grupo possa refletir, aprofundar e adquirir uma viso crtica da histria passada e atual. Para isso lembramos que:

    No basta uma leitura horizontal da LT, isto , de cada ano, dcada ou perodo em que ela foi subdividida.

    preciso fazer tambm uma leitura vertical ou transversal, relacionando os fatos de uma faixa com os fatos das demais faixas. Por exemplo, preciso relacionar a fundao do PC no Brasil com a Revoluo Russa, no contexto internacional; relacionar o Estado Novo com o nazi-fascismo na Europa...

    Dessa forma ficar claro que a distino entre perodos e entre faixas apenas didtica. Ser mais fcil, tambm, ajudar a perceber que:

    Um perodo pode ser compreendido melhor luz do anterior. O contexto oferece explicaes importantes para uma leitura mais

    adequada do texto. Afinal, a relao entre texto e contexto deve ser permanente.

    Uma leitura verdadeiramente dialtica tenta relacionar todas as dimenses da realidade: tudo se relaciona.