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Web - Revista SOCIODIALETO Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos - NUPESDD Laboratório Sociolinguístico de Línguas Não-Indo-europeias e Multilinguismo - LALIMU ISSN: 2178-1486 Volume 6 Número 18 Maio 2016 Edição Especial Homenageada MARIA CECÍLIA MOLLICA Web-Revista SOCIODIALETO NUPESDD / LALIMU, v. 6, nº 18, mai./2016 412 EFEITOS DISCURSIVOS NA EXPRESSÃO VARIÁVEL DO SUJEITO DE PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR EM BLOGS DE VIAGEM 1 Vera Lúcia Paredes Silva (UFRJ) 2 [email protected] Yalis Duarte Rodrigues Lima (UFRJ) 3 [email protected] RESUMO: Tomando como base a Sociolinguística Laboviana (cf. Labov, 2008[1972]) e o Funcionalismo, este trabalho tem como objetivo investigar o fenômeno variável de primeira pessoa do singular sob a perspectiva da função discursiva das variantes. A fim de cumprir o objetivo proposto, será discutido o efeito da variável conexão discursiva (cf. Paredes Silva, 1988) em dados de escrita digital. A associação dos pressupostos teóricos da Teoria Variacionista, às hipóteses de natureza discursiva com bases funcionalistas, mostra-se proveitosa, conforme demonstram trabalhos já realizados (cf. Paredes Silva, 1988, 2003, 2007). PALAVRAS-CHAVE: Sociolinguística Laboviana; Variação Pronominal; Variável discursiva. ABSTRACT: Based on Sociolinguistics (cf. Labov, 2008 [1972]) and the functionalist perspective, this study aims to investigate the variable phenomenon of the first person singular from the perspective of the discursive function of the variants. In order to achieve the proposed objective, the effect of conexão discursiva (cf. Paredes Silva, 1988) in digital writing data, will be discussed. The combination of the theoretical assumptions of Variationist Theory, and the hypotheses of discursive nature with functionalists bases, shows itself to be profitable, as shown by previous works (cf. Paredes Silva, 1988, 2003, 2007). KEYWORDS: Sociolinguistics; Pronominal Variation; Discursive Variable. 1. Introdução A expressão variável dos sujeitos pronominais no português brasileiro (doravante PB) tem sido foco de diversas investigações ao longo dos últimos 30 anos, a partir de diferentes orientações teóricas, seja na modalidade oral (cf. Lira, 1982; Duarte, 1 Apresentamos aqui um recorte do trabalho de Lima (2014), em que foi analisada a influência de diversas variáveis baseadas em hipóteses de natureza discursiva. 2 Doutora em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Docente da Graduação e do Programa de Pós-Graduação em Linguística da mesma Universidade. 3 Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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    Laboratrio Sociolingustico de Lnguas No-Indo-europeias e Multilinguismo - LALIMU

    ISSN: 2178-1486 Volume 6 Nmero 18 Maio 2016

    Edio Especial Homenageada MARIA CECLIA MOLLICA

    Web-Revista SOCIODIALETO NUPESDD / LALIMU, v. 6, n 18, mai./2016 412

    EFEITOS DISCURSIVOS NA EXPRESSO VARIVEL DO

    SUJEITO DE PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR EM BLOGS DE

    VIAGEM1

    Vera Lcia Paredes Silva (UFRJ)2

    [email protected]

    Yalis Duarte Rodrigues Lima (UFRJ)3

    [email protected]

    RESUMO: Tomando como base a Sociolingustica Laboviana (cf. Labov, 2008[1972]) e o Funcionalismo, este trabalho tem como objetivo investigar o fenmeno varivel de primeira pessoa do

    singular sob a perspectiva da funo discursiva das variantes. A fim de cumprir o objetivo proposto, ser

    discutido o efeito da varivel conexo discursiva (cf. Paredes Silva, 1988) em dados de escrita digital. A

    associao dos pressupostos tericos da Teoria Variacionista, s hipteses de natureza discursiva com

    bases funcionalistas, mostra-se proveitosa, conforme demonstram trabalhos j realizados (cf. Paredes

    Silva, 1988, 2003, 2007).

    PALAVRAS-CHAVE: Sociolingustica Laboviana; Variao Pronominal; Varivel discursiva.

    ABSTRACT: Based on Sociolinguistics (cf. Labov, 2008 [1972]) and the functionalist perspective, this study aims to investigate the variable phenomenon of the first person singular from the perspective of

    the discursive function of the variants. In order to achieve the proposed objective, the effect of conexo

    discursiva (cf. Paredes Silva, 1988) in digital writing data, will be discussed. The combination of the

    theoretical assumptions of Variationist Theory, and the hypotheses of discursive nature with functionalists

    bases, shows itself to be profitable, as shown by previous works (cf. Paredes Silva, 1988, 2003, 2007).

    KEYWORDS: Sociolinguistics; Pronominal Variation; Discursive Variable.

    1. Introduo

    A expresso varivel dos sujeitos pronominais no portugus brasileiro

    (doravante PB) tem sido foco de diversas investigaes ao longo dos ltimos 30 anos, a

    partir de diferentes orientaes tericas, seja na modalidade oral (cf. Lira, 1982; Duarte,

    1Apresentamos aqui um recorte do trabalho de Lima (2014), em que foi analisada a influncia de diversas

    variveis baseadas em hipteses de natureza discursiva. 2 Doutora em Lingustica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Docente da Graduao e do

    Programa de Ps-Graduao em Lingustica da mesma Universidade. 3 Mestranda do Programa de Ps-Graduao em Lingustica da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    mailto:[email protected]:[email protected]

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    1995; Paredes Silva 2003) seja na escrita(cf. Paredes Silva, 1988, 2003a, 2003b; Duarte,

    1993).O fato de os estudos de variao focalizarem, principalmente, a modalidade oral

    em estilos menos monitorados, tem trazido tona a alta frequncia com que os

    pronomes sujeito vem sendo empregados. Tais fatos tm levado alguns pesquisadores,

    inclusive, a pensar numa eventual mudana de parmetro do portugus, que deixaria de

    ser uma lngua de sujeito nulo para tornar-se lngua de sujeito obrigatrio (cf.

    Duarte,1993; 1995).

    Ao apresentarmos uma anlise de natureza emprica, como a

    variacionistalaboviana aqui adotada, preciso que se observem atentamente as

    circunstncias de uso desses sujeitos, levando em conta, alm dos fatores sociais

    convencionais, outros aspectos, tais como modalidade (oral versus escrita), gnero

    discursivo-textual, e, embutido nos anteriores, mas vetor da anlise, a questo da pessoa

    gramatical em foco. Como destaca Benveniste (1973), apenas a primeira e a segunda

    pessoa so as verdadeiras pessoas do discurso. A terceira pessoa a no-pessoa, o

    no-participante do jogo dialogal .Assim, em termos de variao, se no caso das duas

    primeiras temos uma alternncia presena-ausncia de pronome, no caso da terceira a

    escolha pode-se dar entre nome, pronome e anfora zero,configurando uma variao

    ternria. Tal distino em si j seria motivo para o tratamento separado da terceira

    pessoa.

    No que se refere primeira e segunda pessoa, sua alternncia vai depender,

    naturalmente, do gnero discursivo-textual envolvido. Em muitos gneros presentes no

    nosso cotidiano4, nota-se, de um modo geral, forte predomnio da primeira pessoa: o

    discurso humano tende a ser egocntrico (cf. Givn, 1995). Assim, so oraes em

    primeira pessoa que predominam em entrevistas sociolingusticas, em cartas pessoais e

    em blogs. Ultimamente, o meio eletrnico (ou o suporte web) tem propiciado o

    4Exclumos desse rol os gneros de domnios como o acadmico, o jurdico, o religioso e outros

    associados a campos mais especficos da atividade humana.

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    surgimento de uma srie de novos gneros, tais como chats, blogs, whatsapp, twitter5.

    Pode-se dizer que as chamadas redes sociais so uma forma de comunicao bastante

    eficiente no mundo contemporneo. Os novos gneros pem-nos diante de uma srie de

    questionamentos quanto ao prprio meio: a expresso escrita, mas a concepo oral

    (cf. Marcuschi, 2008). Nesse sentido, o relato no blog, fonte de nossa anlise de

    sujeitos, se aproxima da carta pessoal.

    Este artigo foi concebido do seguinte modo: depois desta introduo, em que

    apresentamos algumas questes gerais que subjazem discusso, segue-se a descrio

    do corpus aqui investigado. Na terceira seo, apresentamos a varivel que mais se

    destacou entre as postuladas nesta anlise e justificamos sua pertinncia. Em seguida

    apresentamos os resultados da anlise e tecemos algumas consideraes finais.

    2. O corpus investigado

    O corpus formado por relatos de blogs de viagem, em que os autores

    compartilham suas experincias pessoais, fato que contribui para o uso da 1 pessoa do

    singular (cf. Lima, 2014). A constituio do corpus foi motivada pelo carter subjetivo

    de tais relatos, j que, de uma maneira geral, os textos so centralizados na primeira

    pessoa do singular. Foram reunidos 37 relatos publicados em 10 blogs de viagem, no

    perodo entre 2009 e 20146.Os textos no tm limite previamente estabelecido e, por

    isso, alguns possuem maior extenso que outros. Para que no houvesse desequilbrio

    dos dados, estabelecemos um nmero limite de 1000 palavras para cada texto.

    5 Observe-se que a maioria das designaes se faz em ingls.

    6Os textos foram retirados dos seguintes blogs: Aprendiz de Viajante, Cadernos de Viagem, Ensaios de

    Viagem, Gaby pelo mundo, Idas e Vindas, Mikix, Preciso Viajar, Saia pelo Mundo, Viaje na Viagem,

    Vou contigo. Na seo Anexo, disponibilizamos os links dos textos investigados em Lima (2014).

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    Seguindo Bakhtin (2003)7 e reconhecendo o carter dialgico do discurso,

    consideramos os relatos de viagens analisados um subgnero do gnero blog8, uma vez

    que esto relacionados a um campo de utilizao da lngua, servindo a um propsito

    comunicativo. Para o autor, aprender a falar significa aprender a construir enunciados

    (porque falamos por enunciados e no por oraes isoladas e, evidentemente, no por

    palavras isoladas). (Bakhtin, 2003, p. 283). Os enunciados iro, por sua vez,

    apresentar no s um contedo temtico e um estilo de linguagem, mas tambm uma

    estrutura composicional. Esses trs elementos constituem os enunciados que pertencem

    aos diversos campos de utilizao da lngua_ os gneros do discurso. Estes so

    apresentados como relativamente estveis: sua estabilidade relativa pois, ao mesmo

    tempo em que so reconhecidos pelos membros da sociedade, eles se modificam com o

    passar do tempo, atendendo s necessidades comunicativas dos usurios, inseridos numa

    sociedade que sofre mudanas constantes.

    Relacionada ao conceito de gneros est a noo de sequncia textual, entendida

    como constituinte do aspecto composicional dos vrios gneros. As sequncias textuais

    podem ser identificadas a partir de marcas formais (cf. Paredes Silva, 1997) e, ao

    contrrio dos gneros discursivo-textuais, que so incontveis, constituem uma lista

    fechada, tendo em vista a possibilidade de descrev-las a partir de um conjunto de

    propriedades estruturais.

    No que diz respeito a sua composicionalidade, os relatos se apresentam de

    maneira heterognea, no sentido de que podem ser constitudos por mais de uma

    sequncia. Apesar dessa heterogeneidade tipolgica, observa-se a predominncia das

    sequncias narrativa e descritiva nos relatos analisados (cf. Lima, 2014).

    7Faz-se referncia data de publicao da edio brasileira.

    8 Alguns autores (cf. Miller, 2012; Oliveira, 2014) consideram o blog um gnero. No entanto, dentro dos

    blogs existem subgneros como, por exemplo, os relatos de viagem.

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    3. A proposta escalar da conexo discursiva

    Seguindo a linha de pesquisas anteriores, relacionamos o fenmeno em questo

    varivel conexo discursiva, que consiste em uma escala que avalia a maior ou menor

    previsibilidade dos referentes levando em considerao a organizao do discurso.

    Ao aplicar a varivel mudana de referncia a um corpus de cartas pessoais,

    Paredes Silva (1988) observou que, por se restringir ao mbito oracional e mera

    identificao ou no do referente de uma orao com o da orao anterior, esta varivel

    no permitia que se levassem em conta aspectos da organizao discursiva que pareciam

    relevantes para a escolha pronominal. A fim de apreender tais aspectos e relacion-los

    ao uso dos pronomes, a autora props uma varivel escalar que verifica a interferncia

    de fatores contextuais e como esses fatores podem influenciar a escolha entre sujeito

    expresso ou no expresso.

    Um dos pontos de partida para essa proposta foi o trabalho de Li & Thompson

    (1979), que se dedica ocorrncia de sujeitos de 3 pessoa do singular em narrativas

    chinesas. Os autores demonstram que, no chins, no existem marcas formais que

    possam indicar ou prever a interpretao do referente da anfora zero. Torna-se

    necessria, portanto, a busca por evidncias discursivas e pragmticas, para que haja

    uma compreenso efetiva das categorias vazias na lngua chinesa.

    A distribuio escalar da conexo se faz em graus, que vo do mais contnuo

    (grau 1, considerado timo) at o menos contnuo (grau 6), levando em conta a relao

    de um elemento com sua meno anterior no discurso: se h ou no elementos

    intervenientes, e de que natureza, entre o referente em anlise e a sua ltima meno.

    A figura a seguir ilustra a tendncia observada de que quanto mais forte for a

    conexo, maior a proximidade entre os sujeitos e, portanto, menor a necessidade de

    expresso. Por outro lado, a medida em que so inseridos outros elementos entre o

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    sujeito analisado e a meno precedente, a conexo se enfraquece e a expresso do

    sujeito tende a tornar-se necessria.

    Nos exemplos apresentados os sujeitos em anlise esto em negrito e suas

    menes anteriores encontram-se sublinhadas.

    O grau 1 diz respeito ao grau mais forte de conexo e a tendncia que a

    omisso do sujeito seja quase categrica, tendo em vista que h uma sequncia de aes

    em torno do mesmo participante. Dessa forma, o referente/tpico/sujeito da primeira

    orao se mantm como tpico das oraes subsequentes. Alm da manuteno do

    sujeito, h tambm manuteno de tempo, aspecto e modo verbal, conforme mostra o

    exemplo (1):

    (1) 244GM3 - A segurana que deixou a desejar n, gente. Vocs viram... Eu cheguei, SUBI o elevador, ENTREI, VOLTEI, DORMI e ainda

    TOMEI caf da manh.

    O grau 2 difere do grau 1 por haver mudana no tempo, modo ou aspecto verbal.

    Tal mudana ocasionada pela passagem de figura a fundo, de um fato real para irreal

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    ou de um fato para um comentrio avaliativo. Entretanto, mantm-se alguns aspectos do

    grau 1, como a manuteno do sujeito e do tpico discursivo. Vejamos o exemplo:

    (2) 322IV3 - Tenho conscincia de que a minha decepo foi bem mais

    intensa porque EU ESTAVA CHEGANDO de uma estada absolutamente

    perfeita no Renaissance Phuket em Mai Khao.

    No exemplo (2), embora haja a manuteno do sujeito, h mudana de tempo e

    aspecto verbal, critrio suficiente para representar certo enfraquecimento na escala.

    Ao contrrio dos graus anteriores, no grau 3 o sujeito em questo diferente do

    sujeito da orao anterior. Os sujeitos voltam, portanto, depois de uma breve

    interferncia que pode se dar por oraes curtas e com sujeito impessoal. No entanto,

    no h um corte na sequncia do discurso e no entra em cena nenhum concorrente

    mesma funo.

    (3) 63CV1 - No Castelo de Buda, funcionam alguns museus de belas

    artes e de histria, mas eu decidino visit-los. Estava um dia bonito, e PREFERI

    passear por fora, aproveitando a vista da cidade, especialmente bonita a partir

    do Bastio dos Pescadores.

    No exemplo (3) h manuteno do tema e no h nenhum concorrente funo

    de sujeito. Alm disso, a interferncia representada pela orao impessoal9 entre o

    sujeito em anlise e sua meno anterior.

    No grau 4, temos os casos em que o referente teve sua ltima meno em outra

    funo sinttica. Nesses casos, o referente j foi introduzido atravs dos pronomes

    oblquo ou possessivo. Como o foco do relato costuma ser a 1 pessoa, a introduo do

    referente em outra funo sinttica que no a de sujeito costuma ser pouco frequente.

    (4) 553VV 1 - Conforme prometido, este o fidibeque da minha viagem Esccia. COMPREI a passagem British Airways, Rio de Janeiro Londres,

    Londres Edimburgo e Edimburgo Rio de Janeiro (escala em Londres).

    9A orao impessoal est destacada em itlico.

    http://www.idasevindas.com.br/2013/10/21/dias-34-a-37-27-a-3001-mai-khao-phuket/http://www.idasevindas.com.br/2013/10/21/dias-34-a-37-27-a-3001-mai-khao-phuket/http://www.marriott.com/hotels/travel/hktbr-renaissance-phuket-resort-and-spa/

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    No grau 5, a volta do discurso ao mbito da pessoa analisada tida como uma

    retomada e outros participantes que podem concorrer funo de sujeito entram em

    cena. o caso do exemplo a seguir:

    (5) 77CV1 - Fui a uma na Vaciutca, a Prshz, onde o vendedor explicou vrios detalhes sobre a escala de doura dos vinhos, seu processo de fabricao

    e ainda PROVEI algumas variedades infelizmente, era de manh cedo, e nem pude

    aproveitar muito! Tambm anotei a referncia da Bortrsasg, mas no cheguei a visitar

    a loja.

    No exemplo (5) a entrada do referente de terceira pessoa expresso por um

    sintagma nominal (o vendedor) representa um afrouxamento na conexo, sendo a volta

    do discurso ao mbito da primeira pessoa uma retomada.

    As ocorrncias includas no grau 6, dizem respeito aos casos em que h uma

    quebra na sequncia discursiva representada pela mudana de tpico discursivo

    (assunto) ou digresses. No exemplo (6), h uma digresso entre o sujeito em anlise e

    sua ltima meno.

    (6) 108CV2 - Escolhi fazer essa viagem usando o trem de alta velocidade SAPSAN o que evita ter de se deslocar para um dos aeroportos de

    Moscou. A viagem foi tima, num trem confortvel, com direito a wi-fi durante todo o

    trajeto. A parte de venda de bilhetes no site das ferrovias russas no est traduzida

    para o ingls, mas isso no problema na hora de fazer a compra, pois algumas almas

    caridosas que frequentam o frum da Rssia no TripAdvisor fizeram tutoriais que

    permitem entender todos os passos da transao (e o Google Chrome tambm ajuda

    nessa hora). Mas EU NO CONSEGUI comprar a passagem com o meu carto de

    crdito brasileiro, provavelmente por ele no ter a tecnologia Verified by Visa.

    Na seo seguinte apresentamos os resultados estatsticos obtidos atravs do

    programa Goldvarb.

    4. Anlise dos resultados

    O primeiro aspecto a ser observado na distribuio geral dos dados o alto

    ndice de ausncia pronominal, ilustrado no grfico a seguir:

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    Alm do conservadorismo inerente modalidade, a alta incidncia de pronomes

    zero pode ser explicada pelo fato de os textos terem um carter subjetivo, havendo

    pouca necessidade de explicitar o sujeito. A porcentagem de sujeitos nulos neste

    trabalho exatamente a mesma encontrada por Paredes Silva (1988), em anlise

    tambm de escrita informal em cartas pessoais. Isso demonstra, portanto, que a escrita,

    mesmo que digital e informal se mantm conservadora no que diz respeito ao fenmeno

    da presena e ausncia do pronome sujeito de primeira pessoa do singular.

    Com relao ao efeito da conexo discursiva, faz-se necessrio explicitar

    algumas decises metodolgicas. Conforme dito anteriormente, os casos de grau 4 so

    aqueles em que os referentes so introduzidos em outra funo sinttica, que no a de

    sujeito. Portanto, natural que esses casos sejam em pouca quantidade nos relatos de

    viagem, gnero que se caracteriza pelo papel central do eu. Dessa forma, a primeira

    pessoa mais frequente na posio de sujeito. Devido ao baixo nmero de ocorrncias,

    optamos por amalgamar os graus 3 e 4.

    Podemos observar na tabela a seguir uma queda gradativa dos pesos relativos,

    confirmando as tendncias da escala da conexo discursiva: o grau 1, que representa a

    continuidade mxima, favorece altamente o apagamento do sujeito com um peso

    relativo de .84. No grau 2, h uma queda no uso dos sujeitos nulos (.55) que se propaga

    nos graus 3 e 4 (.47), no grau 5 (.35) e no grau 6 (.31).

    77%

    22%

    0%

    50%

    100%

    %

    Sujeitos Zeros Sujeitos Expressos

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    Influncia da conexo discursiva na ausncia do pronome de 1 pessoa do singular

    Portanto, conforme a escala vai avanando, o peso relativo diminui, indicando a

    menor possibilidade de ausncia do sujeito nos graus onde a descontinuidade mxima.

    A ttulo de confronto, apresentamos os resultados para a mesma varivel

    encontrados em Paredes Silva (1988) ratificados neste trabalho10

    :

    Influncia da conexo discursiva na ausncia do pronome de 1 pessoa do singular (Cf. Paredes Silva,

    1988)

    10

    Na anlise de Paredes Silva (1988) os 6 graus da conexo foram mantidos separados.

    Conexo Discursiva Apl/Total % Peso Relativo

    Grau 1 90/93 96% .84

    Grau 2 172/212 81% .55

    Graus 3 e 4 117/147 79% .47

    Grau 5 75/115 65% .35

    Grau 6 105/153 68% .31

    Total 559/720 77%

    Conexo Discursiva Apl/Total % Peso Relativo

    Grau 1 209/212 99% .94

    Grau 2 336/395 85% .59

    Grau 3 143/178 80% .47

    Grau 4 55/78 70% .34

    Grau 5 262/410 64% .25

    Grau 6 266/377 70% .23

    Total 1271/1650 77%

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    Laboratrio Sociolingustico de Lnguas No-Indo-europeias e Multilinguismo - LALIMU

    ISSN: 2178-1486 Volume 6 Nmero 18 Maio 2016

    Edio Especial Homenageada MARIA CECLIA MOLLICA

    Web-Revista SOCIODIALETO NUPESDD / LALIMU, v. 6, n 18, mai./2016 422

    Consideraes finais

    De acordo com as discusses acima, os resultados apresentados refletem a

    tendncia da proposta escalar de Paredes Silva (1988). A aplicao da conexo

    discursiva, que representa uma concepo mais minuciosa da varivel mudana de

    referncia, oferece uma apreenso mais detalhada do comportamento dos sujeitos,

    revelando aspectos sutis no uso dos pronomes, j que busca no discurso pistas e

    motivaes para a ausncia ou presena pronominal, motivaes essas que no seriam

    captadas numa anlise estritamente morfossinttica. Portanto, a incluso do contexto

    discursivo na anlise de um fenmeno varivel que aparentemente apenas do mbito

    da gramtica proporciona um ganho terico significativo nas investigaes lingusticas.

    Referncias:

    BAKHTIN, M. Os Gneros do discurso. In: ______. Esttica da Criao Verbal. So

    Paulo: Martins Fontes, 2003.

    BENVENISTE, E. La naturaleza de los pronombres. In: Problemas de Lingustica

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    BRAGA, M. L. & MOLLICA, M.C. Introduo sociolingustica: o tratamento da

    variao. 3ed. So Paulo: Contexto, 2007, p. 101 116.

    BRAGA, M. L. & MOLLICA, M.C. Introduo sociolingustica: o tratamento da

    variao. 3ed. So Paulo: Contexto, 2007.

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    Doutorado. UNICAMP, 1993.

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    LIRA, S.A.Nominal, pronominal and zero subject in Brazilian Portuguese. Univ. of

    Pennsylvannia, P.H.D.Dissertation, 1982.

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    Tese de Doutorado, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1988.

    ______; Por trs das frequncias. Organon, UFGRS, Porto Alegre, v5, n18, 1991, p. 23

    -36.

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    portugus falado no Rio de Janeiro. In: REBOLLO COUTO, L. & LOPES, C.R. As

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    conversacionais. Niteri, Editora da UFF, 2011, p. 263 287.

    ______; Gneros e tipos de texto: aproximaes e distines. Revista Diacrtica:

    Revista do Centro de Estudos Humansticos. 24/1. Universidade do Minho. Braga,

    Portugal, 2010.

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    teoria da mudana lingustica. So Paulo: Parbola Editorial, 2006 [1968].

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    ANEXO

    http://www.aprendizdeviajante.com/index.php/2013/09/22/canion-itaimbezinho/

    http://www.aprendizdeviajante.com/index.php/2011/03/27/um-dia-em-honfleur-na-

    normandia/

    http://www.aprendizdeviajante.com/index.php/2013/05/04/direto-da-africa-do-sul-os-2-

    primeiros-dias-em-joanesburgo/

    http://www.aprendizdeviajante.com/index.php/2013/02/17/um-dia-em-bratislava/

    http://cadernosdeviagem.wordpress.com/2013/01/23/budapeste-roteiro-de-3-dias/

    http://cadernosdeviagem.wordpress.com/2012/11/03/dicas-praticas-para-uma-viagem-a-

    russia/

    http://ensaiosdeviagem.com/swiss-pass-uma-forma-inteligente-para-se-locomover-na-

    suica/

    http://ensaiosdeviagem.com/grand-canyon-bike-bate-e-volta-las-vegas/

    http://ensaiosdeviagem.com/a-fantastica-fabrica-de-chocolates-uma-visita-a-cailler-of-

    switzerland/

    http://ensaiosdeviagem.com/islandia-planejando-a-viagem/

    http://gabypelomundo.blogspot.com.br/2013/09/boston-minhas-impressoes.html

    http://www.gabypelomundo.blogspot.com.br/2013/10/new-york-uma-tarde-no-museu-e-

    cidade.html

    http://gabypelomundo.blogspot.com.br/2013/10/new-york-o-dia-que-dormi-em-hotel-e-

    nao.html

    http://gabypelomundo.blogspot.com.br/2014/03/carnaval-em-ouro-preto-como-e.html

    http://www.idasevindas.com.br/2013/09/24/um-dia-em-san-diego/

    http://www.idasevindas.com.br/2009/09/27/dicas-do-chile-do-atacama-aos-lagos-

    andinos/

    http://www.idasevindas.com.br/2014/01/26/the-beach-resort-koh-phi-phi/

    http://www.idasevindas.com.br/2013/09/09/fundo-do-bau-miami/

    http://www.aprendizdeviajante.com/index.php/2013/09/22/canion-itaimbezinho/http://www.aprendizdeviajante.com/index.php/2011/03/27/um-dia-em-honfleur-na-normandia/http://www.aprendizdeviajante.com/index.php/2011/03/27/um-dia-em-honfleur-na-normandia/http://www.aprendizdeviajante.com/index.php/2013/05/04/direto-da-africa-do-sul-os-2-primeiros-dias-em-joanesburgo/http://www.aprendizdeviajante.com/index.php/2013/05/04/direto-da-africa-do-sul-os-2-primeiros-dias-em-joanesburgo/http://www.aprendizdeviajante.com/index.php/2013/02/17/um-dia-em-bratislava/http://cadernosdeviagem.wordpress.com/2013/01/23/budapeste-roteiro-de-3-dias/http://cadernosdeviagem.wordpress.com/2012/11/03/dicas-praticas-para-uma-viagem-a-russia/http://cadernosdeviagem.wordpress.com/2012/11/03/dicas-praticas-para-uma-viagem-a-russia/http://ensaiosdeviagem.com/swiss-pass-uma-forma-inteligente-para-se-locomover-na-suica/http://ensaiosdeviagem.com/swiss-pass-uma-forma-inteligente-para-se-locomover-na-suica/http://ensaiosdeviagem.com/grand-canyon-bike-bate-e-volta-las-vegas/http://ensaiosdeviagem.com/a-fantastica-fabrica-de-chocolates-uma-visita-a-cailler-of-switzerland/http://ensaiosdeviagem.com/a-fantastica-fabrica-de-chocolates-uma-visita-a-cailler-of-switzerland/http://ensaiosdeviagem.com/islandia-planejando-a-viagem/http://gabypelomundo.blogspot.com.br/2013/09/boston-minhas-impressoes.htmlhttp://www.gabypelomundo.blogspot.com.br/2013/10/new-york-uma-tarde-no-museu-e-cidade.htmlhttp://www.gabypelomundo.blogspot.com.br/2013/10/new-york-uma-tarde-no-museu-e-cidade.htmlhttp://gabypelomundo.blogspot.com.br/2013/10/new-york-o-dia-que-dormi-em-hotel-e-nao.htmlhttp://gabypelomundo.blogspot.com.br/2013/10/new-york-o-dia-que-dormi-em-hotel-e-nao.htmlhttp://gabypelomundo.blogspot.com.br/2014/03/carnaval-em-ouro-preto-como-e.htmlhttp://www.idasevindas.com.br/2013/09/24/um-dia-em-san-diego/http://www.idasevindas.com.br/2009/09/27/dicas-do-chile-do-atacama-aos-lagos-andinos/http://www.idasevindas.com.br/2009/09/27/dicas-do-chile-do-atacama-aos-lagos-andinos/http://www.idasevindas.com.br/2014/01/26/the-beach-resort-koh-phi-phi/http://www.idasevindas.com.br/2013/09/09/fundo-do-bau-miami/

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    http://www.mikix.com/dias-no-japao/

    http://www.mikix.com/delta-do-parnaiba-piaui/

    http://www.mikix.com/pedras-de-stonehenge/

    http://www.mikix.com/pequim-um-dia-do-jeitinho-que-eu-gosto/

    http://www.precisoviajar.com/2013/09/onde-ficar-na-cidade-do-mexico.html

    http://www.precisoviajar.com/2013/09/onde-ficar-em-cancun.html

    www.precisoviajar.com/2013/11/waikiki-beach-marriot-resort-spa-review.html 2/7

    http://www.precisoviajar.com/2014/01/bangkok-grand-palace-emerald-buddha.html

    http://viajeaqui.abril.com.br/blog/saia-pelo-mundo/2013/04/como-sobreviver-sozinha-a-

    marrakech-em-cinco-passos/

    http://viajeaqui.abril.com.br/blog/saia-pelo-mundo/2013/04/meu-caso-de-amor-com-o-

    kruger/

    http://viajeaqui.abril.com.br/blog/saia-pelo-mundo/2013/04/day-tour-pela-cidade-do-

    panama-bom-tambem-para-quem-faz-conexao-na-cidade/

    http://viajeaqui.abril.com.br/blog/saia-pelo-mundo/2013/02/sozinha-no-egito-como-foi/

    http://www.viajenaviagem.com/2013/08/roteiro-londres-edimburgo-highlands/

    http://www.viajenaviagem.com/2011/04/budapeste-viena-praga-use-a-receita-da-

    wanessa/

    http://www.viajenaviagem.com/2014/03/santiago-mendoza-buenos-aires-roteiro/

    http://voucontigo.com.br/index.php/2014/03/roteiro-pela-india/

    http://voucontigo.com.br/index.php/2014/02/old-custom-bangkok/

    http://voucontigo.com.br/index.php/2014/03/taj-mahal/

    http://voucontigo.com.br/index.php/2013/08/club-med-marrakech/

    Recebido Para Publicao em 21 de maio de 2016.

    Aprovado Para Publicao em 29 de agosto de 2016.

    http://www.mikix.com/dias-no-japao/http://www.mikix.com/delta-do-parnaiba-piaui/http://www.mikix.com/pedras-de-stonehenge/http://www.mikix.com/pequim-um-dia-do-jeitinho-que-eu-gosto/http://www.precisoviajar.com/2013/09/onde-ficar-na-cidade-do-mexico.htmlhttp://www.precisoviajar.com/2013/09/onde-ficar-em-cancun.htmlfile:///C:/Users/Yalis/Desktop/Documentos/Iniciao%20Cientfica/Monografia/www.precisoviajar.com/2013/11/waikiki-beach-marriot-resort-spa-review.html%202/7http://www.precisoviajar.com/2014/01/bangkok-grand-palace-emerald-buddha.htmlhttp://viajeaqui.abril.com.br/blog/saia-pelo-mundo/2013/04/como-sobreviver-sozinha-a-marrakech-em-cinco-passos/http://viajeaqui.abril.com.br/blog/saia-pelo-mundo/2013/04/como-sobreviver-sozinha-a-marrakech-em-cinco-passos/http://viajeaqui.abril.com.br/blog/saia-pelo-mundo/2013/04/meu-caso-de-amor-com-o-kruger/http://viajeaqui.abril.com.br/blog/saia-pelo-mundo/2013/04/meu-caso-de-amor-com-o-kruger/http://viajeaqui.abril.com.br/blog/saia-pelo-mundo/2013/04/day-tour-pela-cidade-do-panama-bom-tambem-para-quem-faz-conexao-na-cidade/http://viajeaqui.abril.com.br/blog/saia-pelo-mundo/2013/04/day-tour-pela-cidade-do-panama-bom-tambem-para-quem-faz-conexao-na-cidade/http://viajeaqui.abril.com.br/blog/saia-pelo-mundo/2013/02/sozinha-no-egito-como-foi/http://www.viajenaviagem.com/2013/08/roteiro-londres-edimburgo-highlands/http://www.viajenaviagem.com/2011/04/budapeste-viena-praga-use-a-receita-da-wanessa/http://www.viajenaviagem.com/2011/04/budapeste-viena-praga-use-a-receita-da-wanessa/http://www.viajenaviagem.com/2014/03/santiago-mendoza-buenos-aires-roteiro/http://voucontigo.com.br/index.php/2014/03/roteiro-pela-india/http://voucontigo.com.br/index.php/2014/02/old-custom-bangkok/http://voucontigo.com.br/index.php/2014/03/taj-mahal/http://voucontigo.com.br/index.php/2013/08/club-med-marrakech/