PROGRAMA: GISELLE 2014

  • View
    227

  • Download
    1

Embed Size (px)

DESCRIPTION

GISELLE Georges Garcia coreografia, recriação e encenação segundo Jean Coralli, Jules Perrot, Marius Petipa e Théophile Gautier ∙ A. Adam música ∙ Ferruccio Villagrossi cenários ∙ Cristina Piedade desenho de luz ∙ Figurinos tradicionais, gentilmente oferecidos pela Fundação Calouste Gulbenkian Orquestra de Câmara Portuguesa interpretação musical ∙ Pedro Carneiro direção musical - http://www.cnb.pt/gca/?id=1117

Text of PROGRAMA: GISELLE 2014

  • DIREO ARTSTICALUSA TAVEIRA

    GISELLE

  • GISELLE Junhodias 27 e 28 s 21hdia 29 s 16h

    Julhodias 2, 3, 4 e 5 s 21hdia 6 s 16h

    Ensaio GeralSolidrio26 de junho s 21h

    ORQUESTRADE CMARAPORTUGUESAPedro Carneirodireo musical

    Georges Garciacoreografia segundoJean Coralli,Jules Perrote Marius Petipa

    Adolphe Adammsica

    Ferruccio Villagrossicenrios

    Guarda-roupatradicional figurinos gentilmente oferecidos pela Fundao Calouste Gulbenkian

    Cristina Piedadedesenho de luz

    Adeline CharpentierFtima BritoMaria PalmeirimFernando DuarteRui Alexandreensaiadores

    Leonel & Bicho, LdaReconstruoe Restauro de Cenrio

    Estreia absolutaParis, Teatro da AcademiaReal de Msica,28 de junho de 1841

    Estreia CNBLisboa, Teatro Nacionalde So Carlos,28 de outubro de 1987

  • A FUNDAO EDP

    MECENAS PRINCIPAL DA COMPANHIA NACIONAL DE BAILADO

    E MECENAS EXCLUSIVO DA DIGRESSO NACIONAL

  • ATO IA cena tem lugar em frente casa de Giselle, numa aldeia junto ao Reno. Giselle uma camponesa de compleio frgil que tem duas paixes na vida, uma danar e a outra o seu vizinho Loys. Giselle ignora, no entanto, que Loys na verdade o Duque da Silsia de nome Albrecht, e juntos danam e trocam palavras de amor. No se apercebem que esto a ser constan-temente vigiados por Hilarion, um caador que ama Giselle mas que por esta repudiado.Na aldeia festeja-se entretanto o final da estao das vindimas onde todos danam alegremente, incluindo Giselle e Albrecht. Berta, me de Giselle, lembra a filha que danar excessivamente s lhe trar fadiga, e conta a histria das wilis, espritos de raparigas que morre-ram solteiras e que, na escurido da noite, se vingam dos seus amados fazendo-os danar at morte. Mas Giselle no toma muita ateno advertncia da me e continua a danar. Ao ouvirem-se as trompas que anunciam a chegada dos caadores, Hilarion repara que Albrecht e o seu escudeiro se escondem na caba-na de Loys, facto que ele estranha. Vem mais tarde a descobrir, precisamente dentro da cabana (e que vir de resto a ser o seu trunfo para desmascarar Albrecht), uma espada com caractersticas tais que s pode per-tencer a um homem de elevada condio.Ao terminarem uma caada, o Duque da Curlndia, a sua filha Batilde e a respetiva comitiva visitam a al-deia onde vive Giselle. Esta fica impressionada com a beleza de Batilde que por sua vez lhe oferece um colar. Os camponeses continuam a danar, Giselle coroada rainha das vindimas e no auge destes festejos que Hilarion desmascara Albrecht, revelando a sua verda-deira identidade. Albrecht ajoelha-se perante Batilde

    GISELLE de quem na realidade est noivo e beija-lhe as mos. Giselle fica destroada e desmaia. Ao despertar e pe-rante tal infelicidade, perde a razo e dana tragica-mente, acabando por morrer.

    ATO IIA cena tem lugar na floresta, no reino das wilis. Hilarion encontra-se aos ps do tmulo de Giselle, amargurado e arrependido. meia noite aparece Myrta, rainha das wi-lis, acompanhada por outras wilis, e juntas executam uma dana de acolhimento recm-falecida, Giselle. Hilarion sucumbe ao feitio destas sedutoras e perigosas criatu-ras, e estas arrastam-no para uma dana mortal. Surge Albrecht, com um ramo de lrios brancos, que deposita aos ps do corpo da sua amada. Giselle, agora uma wili, le-vanta-se do tmulo e dana com Albrecht, deixando-o com-pletamente enfeitiado. Cresce a intensidade dramtica. O jovem tenta resistir exausto e Giselle apela a Myr-ta que poupe o seu amado a to terrvel destino. Em vo porm... Giselle continua a danar com Albrecht at que o romper da madrugada faz desvanecer o encanto das noivas mortas, salvao de Albrecht. Giselle retorna sua tumba e lana um ltimo adeus ao seu amado.

  • O bailado romntico corresponde a um relativamente curto perodo de pouco mais de trinta anos que renovou para sempre a dana na Europa e no mundo. Inicia-se nos finais da segunda dcada do sculo XIX, em simul-tneo em Paris e em Londres, e considera-se terminado a partir dos incios da dcada de 1860, quando os seus contributos tcnicos e estticos fundamentais vm a ser absorvidos pelos desenvolvimentos subsequentes da dana clssica principalmente protagonizados por Marius Petipa. A conceo e a apresentao de Giselle ou As Wilis, em Paris, em 1841, j em plena Monarquia de Julho (1830-1848), durante a qual os ideais da nova gerao de escritores e artistas do Romantismo ganharam cres-cente favor junto das elites, situam-se, precisamente, no corao desse perodo de afirmao e desenvolvimento do bailado romntico. A simplicidade e a novidade do seu argumento, da autoria do libretista Vernoy de Saint Georges e do escritor Thophile Gauthier, baseado em passagens dos poetas romnticos Heinrich Heine e Vic-tor Hugo, a vivacidade e a beleza da msica de Adolphe Adam e, finalmente, a exemplaridade da coreografia de Jean Coralli e Jules Perrot asseguraram a permann-cia do bailado no reportrio das principais companhias de dana ao longo de mais de sculo e meio, no que acompanhado por francamente poucos dos muitos bai-lados criados na mesma era.O bailado foi estreado a 28 de junho de 1841 na Salle Le Pelletier, em Paris, tendo como protagonistas a famosa Carlotta Grisi e Lucien Petipa, irmo de Marius Petipa, e, ainda, Adle Dumiltre, no papel de Myrtha, com cen-rios de Pierre Ciceri e figurinos de Paul Lormier. Aqueles dois bailarinos danaram sempre os dois papis princi-pais at 1849. O bailado permaneceu no reportrio da pera de Paris at 1868. Marius Petipa fez uma nova verso em 1884, com retoques em 1903, e foi essa que foi apresentada em 1910, em Paris, pelos Ballets Russes de Sergei Diaghilev, com Nijinsky e Karsavina nos pro-tagonistas e cenrios e figurinos de Alexandre Benois.

    GISELLEOU A APOTEOSE DOBAILADO ROMNTICO Fernando Antnio Baptista Pereira, junho 2014

  • Aps a sua estreia, coroada de xito, Giselle tornou-se rapidamente numa perfeita ilustrao da quinta-essn-cia do bailado romntico que, por sua vez, desenvolvera, nas dcadas anteriores, uma nova tcnica da dana em pontas, que ento dava os seus primeiros passos, proje-tando uma nova imagem da ballerina, etrea, floral e flu-tuante, figura que passaria a dominar a cena da dana, em contraste com o que acontecera no perodo anterior. Esse novo papel concedido mulher, sublinhado pelo famoso tutu romntico, feito de sucessivas camadas de tule que acentuam a dimenso de leveza e o carcter de sobrenatural em que muitas das cenas se desen-rolam, alarga-se igualmente ao corpo de baile, que, envergando tutus idnticos, amplia e faz ecoar essa nova imagem de mulher, que pode ser bela e amorosa mas tambm cruel e vingativa, tpicos que se tornam, assim, o fulcro de todos os argumentos e o verdadeiro centro da dana. Mas foi sobretudo o desabrochar de um novo continente temtico, assente em mitologias nrdicas, clticas ou germnicas, que substituram o favor quase exclusivo at ento concedido mitologia clssica greco-latina, que estabeleceu a diferena do novo bailado romntico face ao tipo de dana que o antecedera. Nesse renova-do fundo mitolgico, quase sempre situado numa Idade Mdia revisitada, abundam as fadas e os espritos do ar (silfos e slfides), os espectros, os cemitrios e os bosques misteriosos, ou seja, um universo em que a Histria, o Quotidiano e o Sobrenatural se entrelaam para dar a conhecer a verdade sobre as Paixes Huma-nas que a era romntica proclama.Ao pr fim sociedade do Antigo Regime, desigual e baseada no privilgio, a sociedade burguesa romntica, ao mesmo tempo que instalou as bases de um estado de direito, que ainda est longe de abranger toda a Hu-manidade, criou novas utopias da igualdade entre os homens, tendo como pontos de partida o amor incondi-cional e a Paixo que o alimenta, almejando ultrapas-sar as mais diversas barreiras.

    Giselle no foge regra e ilustra a quase (im)possibili-dade do amor interclassista, uma vez que a unio dos dois amantes apenas se torna possvel numa dimenso sobrenatural, que finalmente se revela algo mais igua-litria e at justiceira do que o mundo em que vivemos. Para terminar, acompanhemos, no desenrolar cnico do argumento, as vicissitudes do par amoroso e o modo como encenam as aproximaes, os afastamentos e as reconciliaes de dois seres que partem de mundos muito diferentes e neles permanecem tambm no fim. Logo no 1 Ato, ao abrir-se a cena, surpreendemos um dia de outono na Rennia, durante a Idade Mdia, em tempo de vindimas. O duque Albrecht da Silsia, um jo-vem nobre, participa numa caada antes do casamento com a princesa Bathilde e, ao observar uma jovem tmi-da e bonita da aldeia, Giselle, disfara-se de campons para a poder cortejar, desconhecendo ela a verdadeira identidade do prncipe.Contudo, Hilarion, um guarda-caa que tambm est apaixonado por Giselle mas no correspondido, ten-ta convenc-la de que no pode confiar em Albrecht, mas a jovem ignora as suas advertncias. A prpria me de Giselle, Berthe, aludindo ao corao fraco da filha e sua sade delicada, no que uma premonio do que poder acontecer, tenta desencorajar, em vo, uma relao entre Giselle e Albrecht, lembrando que muitas jovens morreram depois de danarem na noite de npcias e se tornaram Wilis, fantasmas brancos que assombram a floresta nas noites de luar.Entretanto, o grupo de nobres que participa na caada chega aldeia, o que faz Albrecht correr para longe, para no ser reconhecido pela sua prometida noiva Bathilde. Os aldees acolhem os nobres em festa e executam vrias danas. Bathilde fica encantada com a natureza de Giselle e oferece-lhe um colar de presente. Hilarion, porm, interrompe a festa. Na altercao que antes travara com Albrecht, este denunciara-se num gesto de puxar a espada (sinal da sua condio social), o que leva o guarda-caa a descobri-la e a denunciar o

  • embuste do prncipe. Todos esto chocados com a re-velao, mas Giselle fica inconsolvel quando descobre o engano em que assentara o seu amor. Consciente da barreira social i