Procurar luz ANT“NIO BORGES COELHO para ver .ANT“NIO BORGES COELHO Ant³nio Borges Coelho, cidad£o,

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as sombrasa luz

ANTNIO BORGES COELHO

Antnio Borges Coelho, cidado, historiador, professor, poeta,

escritor, conferencista um percurso intenso, generoso, verticalmente vivido,

a pulso, na contramo, a dar voz queles que, em baixo, fazem andar a Histria.

A sua obra germina nas circunstncias difceis e singulares de uma cela de priso reservada a

presos polticos. As suas primeiras obras so publicadas antes de concluir

a licenciatura. Proibidas, escorraadas, circulam, at clandestinamente. H uma preocupao e uma

vontade de raiz que ser perene e se desenha a traos fortes resgatar o lugar dos

sem voz na Histria, dos seus interesses, anseios, dores e alegrias.

Referncia fundamental da segunda gerao de historiadores marxistas, aberto indagao, ao dilogo

e polmica, construiu carreira acadmica brilhante afirmando convices e no cedendo a presses.

Investigador e professor, soube casar fecundamente a eroso solitria da investigao com o rasgo

luminoso da docncia, dentro e fora dos muros da Universidade.

Observador activo dos modos longos como se entrelaam os tempos ao ritmo do mundo

mudado. Voz telrica de combate e amor, de ternura e utopia, onde pulsam os murmrios,

as vozes e os gritos das multides.

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ANTNIO BORGES COELHO

Museu do Neo-realismo

CoordenadorDavid Santos

Conservao e investigaoDavid SantosLusa Duarte SantosSlvia de Arajo Igreja

inventariao e catalogaoLusa Duarte SantosSlvia de Arajo IgrejaLurdes PinaOdete BeloGraa Silva

servio EducativoMarta BorgesAna Anacleto

Comunicao e relaes pblicasFtima Faria RoqueRogrio Silva

Comunicao e edioDavid SantosFtima Faria RoqueRogrio SilvaLurdes Aleixo

registoLusa Duarte SantosSlvia de Arajo IgrejaGraa SilvaLurdes PinaOdete Belo

bibliotecaOdete Belo

secretariadoGabriela CandeiasEugnia Viana

recepcionistas-vigilantesMaria Guiomar AlvesVanda ArsnioRute OliveiraEugnia Viana

Exposio

organizaoCmara Municipal de Vila Franca de XiraMuseu do Neo-Realismo

CuradoriaJoo Madeira

assistncia de curadoriaSlvia de Arajo Igreja

investigao, seleco e org. documentalJoo Madeira

apoio pesquisaSlvia de Arajo IgrejaLurdes Pina

Concepo e museografiaJoo MadeiraDavid Santos

design da exposioIvnia Frasto

Coordenao de ProduoSlvia de Arajo Igreja

ProduoSlvia de Arajo IgrejaLurdes Aleixo

secretariadoGabriela CandeiasVanda Arsnio

Conservao e restauroSlvia de Arajo Igreja

MontagemJoo MadeiraSlvia de Arajo IgrejaLurdes PinaOdete BeloIvnia Frasto/GGIRPDOVSM/ DEFOG: carpintaria, pintura e electricidade

Planeamento e logsticaSlvia de Arajo IgrejaDavid SantosLurdes Aleixo

transportesCMVFXFeirexpo

segurosAllianz Seguros

ComunicaoFtima Faria RoqueRogrio SilvaGGIRPFilomena SerrazinaPrazeres Tavares

servio EducativoMarta BorgesAna Anacleto

Catlogo

EdioCmara Municipal de Vila Franca de Xira eMuseu do Neo-Realismo, Maro de 2010

organizao e coordenao editorialSlvia de Arajo Igreja

textosMaria da Luz RosinhaDavid SantosJoo MadeiraPedro BarrosSlvia de Arajo Igreja

ProduoSlvia de Arajo Igreja

apoio produoLurdes Aleixo

Pesquisa e organizao documentalJoo Madeira

apoio pesquisaSlvia de Arajo Igreja

CatalogaoSlvia de Arajo Igreja

design grficoJlio Miguel Rodrigues/GGIRP

Crditos FotogrficosFotografias de Antnio Borges Coelho/2010CMVFX/Ricardo Caetano

Fotografia e digitalizaoSlvia de Arajo IgrejaLurdes Pina

Produo grfica:Pr-impresso, Impresso e AcabamentoSoartes

revisoSlvia de Arajo IgrejaFtima Faria RoqueRogrio SilvaLurdes AleixoMaria Guiomar Alves

isbN978-989-96007-2-0

CoordenadasLatitude: 38 57 16,15 N Longitude: 8 59 22,79 W

depsito LegalXXXXXX

tiragem600 exemplares

Museu do Neo-RealismoRua Alves Redol, 452600-099 Vila Franca de Xiraneorealismo@cm-vfxirawww.museudoneorealismo.pt

Museu do Neo-Realismo Dos textos e das fotografias, os autores

agradecimentos

Antnio Borges CoelhoPedro BarrosZeferino Coelho, da CaminhoArquivo Distrital do PortoDireco-Geral de Arquivos Torre do TomboBiblioteca Nacional de PortugalReitoria da Universidade de LisboaFaculdade de Letras de LisboaCampo Arqueolgico de MrtolaSICConvento Franciscano de MontariolMuseu Nacional de Arqueologia

Cmara Municipalde Vila Franca de Xira

Cmara Municipalde Vila Franca de Xira

Apoios:

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Antnio Borges Coelho na enfermaria de Caxias, anos 60 (Cat. 11)

Um historiador com histriaMaria da Luz RosinhaPresidente da Cmara Municipal de Vila Franca de Xira

A vida de Antnio Borges Coelho , ela prpria, uma histria que merece no s registo, como reconhecimento. Emrito historiador do nosso pas, Borges Coelho uma das maiores personalidades da cultura portuguesa no domnio da investigao e da docncia universitria. Por outro lado, destacou-se desde muito jovem como oposicionista ao Estado Novo. O seu combate contra o regime custou-lhe, na verdade, vrios anos de crcere, da Fortaleza de Peniche Cadeia do Aljube. A decidiu dedicar a sua vida historiografia, reavaliando sistematicamente o passado de Portugal. Na verdade, a sua leitura sobre a presena rabe no nosso territrio ajudou a desmistificar algumas das lies do patriotismo conservador. Progressista por natureza e formao poltica, Antnio Borges Coelho constitui hoje uma referncia decisiva para todos ns tambm ao nvel de uma viso humanista do fazer da histria e das cincias humanas.Deste modo, o Municpio de Vila Franca de Xira e o Museu do Neo-Realismo tm a honra de homenagear o Professor Antnio Borges Coelho, dedicando-lhe uma exposio biobibliogrfica num dos espaos privilegiados do nosso Museu, a sala de exposies de literatura contempornea. A podemos encontrar um conjunto significativo de documentos que nos ajudam a compreender o percurso de um homem singular que muito contribuiu para uma viso plural da cultura portuguesa e do ofcio do historiador. Esta mostra biogrfica de teor retrospectivo, superiormente comissariada pelo historiador Joo Madeira, nosso convidado, apresenta-se assim, no apenas como merecida homenagem a Antnio Borges Coelho, como ainda enquanto momento de reflexo acerca dos valores que forjam a aco de um homem que viveu na pele os condicionalismos de um regime poltico opressor. Mas Borges Coelho nunca fez dessa marca de vida um lamento sem esperana, mas uma vontade de aco e liberdade que o ajudou a viver o 25 de Abril com a intensidade da libertao e, mais tarde, um reconhecimento acadmico que o converteu num dos grandes historiadores do nosso pas. Foi, inclusive, agraciado com a Gr-Cruz da Ordem de Santiago e recebeu o Prmio da Fundao Internacional Racionalista. Procurar a luz para ver as sombras , por isso, uma exposio que vem enriquecer o programa cultural e museolgico do Museu do Neo-Realismo, que assim prossegue o seu desgnio de reavaliar e dar a conhecer no s o movimento neo-realista portugus, como o percurso daqueles que, de algum modo, com ele se cruzaram.

Antnio Borges Coelho, anos 60

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ApresentaoDavid SantosCoordenador do Museu do Neo-Realismo

Apelidado pelos seus pares de historiador dos sem histria, numa referncia ao cariz social e poltico da sua interveno cientfica, Antnio Borges Coelho desde h muito uma figura incontornvel no apenas da historiografia, como da cultura portuguesa. Do ensasmo poesia, da traduo ao jornalismo, Borges Coelho construiu ao longo dos ltimos sessenta anos uma participao cvica e cultural de destaque inquestionvel e de onde se revela, na sua integridade, um homem singular e sereno para quem o humanismo no se define apenas como conceito, mas sobretudo como imperativo tico e moral.Antnio Borges Coelho disse um dia que o trabalho intelectual, enquanto possvel, a forma mais perfeita de estar ligado vida. Pois bem, ainda hoje o historiador cumpre quotidianamente este princpio, ligando-o com naturalidade no s subterrnea aco do investigador, como ao pulsar da liberdade, da qual nunca abdicou, mesmo perante as maiores dificuldades, projectando assim um sentido crtico, mas responsvel, na observao do nosso pas e do mundo. A exposio biobibliogrfica que agora o Museu do Neo-Realismo lhe dedica, comis-sa ria da pelo tambm historiador Joo Madeira, constitui, por isso, uma pequena mas merecida homenagem a quem dedicou a sua vida a revisitar a Histria de Portugal para lhe encontrar novos caminhos e leituras. Nessa medida, Procurar a luz para ver as sombras no apenas o ttulo de uma exposio ou a frase emblemtica de um homem que procurou sempre o menos bvio. Representa tambm a matriz essencial de um percurso orientado pelo sentido das coisas incomuns mas preciosas, esquecidas pelo crepsculo do tempo. Imbudo de um particular sentido de justia perante o passado, Antnio Borges Coelho perscrutou quase sempre personagens olvidadas pela narrativa historiogrfica da a paixo pelo perodo rabe da nossa histria , acentuando os desfavores que a disciplina e os seus protagonistas projectaram sobre figuras, na verdade, imprescindveis ao perfil da nossa identidade comum. Por certo que esse sentimento de justia humanista encontra ainda a sua raiz na recluso a que se viu obrigado pela perseguio poltica que o salazarismo lhe instaurou, apenas por pensar de modo diferente e agir em conformidade. o prprio quem nos recorda ou confirma

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A N T N I O B O R G E S C O E L H O - P R O C U R A R A L U Z P A R A V E R