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Lp7 4 bim_aluno_2013(4bimestre)

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    EDUARDO PAES PREFEITURA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

    CLAUDIA COSTIN

    SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAO

    REGINA HELENA DINIZ BOMENY SUBSECRETARIA DE ENSINO

    MARIA DE NAZARETH MACHADO DE BARROS VASCONCELLOS

    COORDENADORIA DE EDUCAO

    ELISABETE GOMES BARBOSA ALVES MARIA DE FTIMA CUNHA COORDENADORIA TCNICA

    GINA PAULA BERNARDINO CAPITO MOR

    ORGANIZAO

    FERNANDO AROSA ELABORAO

    LEILA CUNHA DE OLIVEIRA

    VAGNER LUCIO DE LIMA REVISO

    FBIO DA SILVA

    MARCELO ALVES COELHO JNIOR DESIGN GRFICO

    EDIOURO GRFICA E EDITORA LTDA.

    EDITORAO E IMPRESSO

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    AGRADECIMENTOS ESPECIAIS Professores Regentes

    Adriana Mendes Pereira Jeane S Santiago Solange Maia Sabino

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    A arte de ser feliz

    Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chal. Na ponta do chal brilhava um grande ovo de

    loua azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias lmpidos, quando o cu ficava da mesma

    cor do ovo de loua, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criana, achava essa iluso maravilhosa, e sentia-me

    completamente feliz.

    Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado

    de flores. Para onde iam aquelas flores? quem as comprava? em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam,

    na sua breve existncia? e que mos as tinham criado? e que pessoas iam sorrir de alegria ao receb-las? Eu no

    era mais criana, porm minha alma ficava completamente feliz.

    Houve um tempo em que a minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua

    copa redonda. sombra da rvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de

    crianas. E contava histrias. Eu no a podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, no a entenderia,

    porque isso foi muito longe, num idioma difcil. Mas as crianas tinham tal expresso no rosto, e s vezes faziam

    com as mos arabescos to compreensveis, que eu participava do auditrio, imaginava os assuntos e suas

    peripcias e me sentia completamente feliz.

    No caderno anterior, voc estudou o gnero textual crnicas. Vamos, ento, ler uma crnica literria e relembrar o que a faz ser classificada dessa forma.

    Ser feliz uma arte?

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    Mas quando falo dessas pequenas felicidades certas, que esto diante de cada janela, uns dizem que essas

    coisas no existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que preciso aprender a olhar, para poder

    v-las assim. MEIRELES, Ceclia. Escolha o seu sonho. Rio de Janeiro, Editora Record. 11 ed. s/d. FRAGMENTO.

    Houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela

    havia um pequeno jardim quase seco. Era numa poca de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto.

    Mas todas as manhs vinha um pobre homem com um balde e, em silncio, ia atirando com a mo umas gotas de

    gua sobre as plantas. No era uma rega: era uma espcie de asperso ritual, para que o jardim no morresse. E eu

    olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de gua que caam de seus dedos magros, e meu corao

    ficava completamente feliz.

    s vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianas

    que vo para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.

    Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Tudo est certo, no seu lugar, cumprindo o seu

    destino. E eu me sinto completamente feliz.

    A crnica literria traz, como trao marcante, o olhar para o cotidiano, traduzido em linguagem potica. A vivncia da cronista e suas observaes sobre a vida aparecem no trabalho com as palavras, usadas de forma artstica, intensificando emoes.

    Glossrio: asperso ato ou efeito de aspergir, borrifar ou respingar.

    Observe que o narrador fica feliz com as situaes e paisagens cotidianas.

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    1- No decorrer da crnica, percebe-se que o narrador apresenta os fatos, aqueles colhidos pelo olhar, em dois momentos distintos: passado e presente. Volte ao texto e sublinhe, com um trao, o momento que marca o passado e, com dois traos, o momento que marca o presente. __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2- H, em toda a crnica, um sentimento que permanece na percepo do narrador. Que sentimento esse? Justifique sua resposta com um trecho do texto. __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

    Vamos agora pensar um pouco sobre a pontuao. A pontuao de um texto nos d uma orientao da leitura que devemos fazer dele. Quem escreve, escolhe, segundo as regras de pontuao, o que quer dizer, ou seja, a pontuao pode trazer um significado, pode causar um efeito de sentido.

    Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? quem as comprava? em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existncia? e que mos as tinham criado? e que pessoas iam sorrir de alegria ao receb-las? Eu no era mais criana, porm minha alma ficava completamente feliz.

    Veja que o incio do trecho

    marcado por frases curtas.

    Voc percebeu que as palavras esto escritas em minsculo, mesmo vindo

    depois do ponto de interrogao?

    3- Observe a pontuao e responda:

    a) Retire do trecho um exemplo de uso de pontuao cuja finalidade perguntar algo. ___________________________________________________________________________________________ b) Por que as palavras aparecem em minsculo aps as interrogaes? ___________________________________________________________________________________________ c) Para garantir a sequncia das duas ltimas perguntas, uma palavra usada. Que palavra essa? ___________________________________________________________________________________________

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    ESTUDO DO TEXTO

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    5- Toda narrativa apresenta fatos que ocorrem em determinado tempo e lugar. Na crnica lida, os fatos ocorrem em lugares bem definidos. Aponte-os , completando o quadro abaixo. PARGRAFO TEMPO LUGAR (ES)

    1. pargrafo

    2. pargrafo

    3. pargrafo

    4. pargrafo

    Pequenas felicidades certas Na crnica, vimos que admirar um pombo branco que pousa num ovo de loua azul ou um barco carregado de flores trazia felicidade para a cronista desde a sua infncia. Pense em paisagens ou situaes que podem trazer pequenas felicidades certas para voc, em seu cotidiano. Se desejar, aproveite o ttulo colocado no incio da proposta. Ao terminar, mostre seu texto a um colega e compartilhe sua emoo. Ou, ento, combine com seu Professor e leia para a turma.

    ESPAOCRIAO

    4- Veja, agora, o ltimo pargrafo: Mas quando falo dessas pequenas felicidades certas, que esto diante de cada janela, uns dizem que essas coisas no existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que preciso aprender a olhar, para poder v-las assim. As palavras em destaque tm um sentido. Pode-se perceber que elas se referem a pessoas em geral. Essas pessoas apresentam opinies distintas sobre as felicidades certas. Retire, do texto, essas opinies. _________________________________________________________________________________________________

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    O que efeito de sentido? Quando queremos dizer algo, emitimos uma mensagem, um enunciado. Quando dizemos algo, ali que esto os sentidos, os significados. Por isso, quando escolhemos uma determinada palavra, um sinal de pontuao, entre outros recursos da lngua, estamos criando sentidos. Vamos observar outro trecho do texto de Ceclia Meireles e analisar a escolha das palavras:

    As palavras em destaque no foram escolhidas por acaso. Alm de evitar a repetio de vocbulos, a escolha delas traz ao texto uma riqueza de sentidos. Veja o verbete da palavra avistar: