FILIAIS E AGÊNCIAS DO BNU - cgd.pt .Agrícola Pátria e Trabalho, Lda. louvava a filial do BNU pelo

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FILIAIS E AGNCIAS DO BNU A presena do BNU em Timor

Se existe uma agncia bancria que deve ser lembrada e louvada pela sua extensa e complexa

histria , sem dvida, a filial do Banco Nacional Ultramarino (BNU) de Dli, em Timor.

Ao longo da sua j longnqua histria, a instituio j resistiu aos mais variados contratempos, todos

eles de grandssima complexidade, sendo testemunha de verdadeiros dramas pessoais e

institucionais, como foram o caso da invaso nipnica do territrio em 1942 com o consequente

falecimento do gerente do BNU s mos das foras nipnicas e da invaso indonsia em 1975.

S a grande tenacidade de naes, instituies e indivduos, possibilitou que passados 103 anos, a

Caixa Geral de Depsitos (CGD) continuasse representada em Timor pela agncia bancria criada em

1902, sob a gide do BNU e que ficou conhecida para a posteridade, como a mais longnqua agncia

bancria inaugurada e existente no antigo imprio colonial portugus.

A sua histria remonta a 1902, quando o BNU, de acordo com os seus estatutos almejava inaugurar

uma agncia em Dli.

No entanto, por condicionantes vrias, a agncia no abriria em 1902, mas somente em abril de 1912

tendo sido a ltima agncia do BNU a ser instalada no vasto e distante imprio colonial portugus.

At data da edificao da sua filial em Dli, o BNU, assegurava a sua presena na ex-colnia,

atravs do seu representante, a Companhia de Timor.

No entanto, a necessidade de se cumprir os estatutos do BNU, que j remontavam a 1901 e a

imperiosidade de o banco assegurar em territrio timorense a gesto do Tesouro Pblico, vieram

finalmente acelerar e construo da filial.

Assim, foi solicitado pelo BNU, ao Governador de Timor, Celestino da Silva, um local para a edificao

do edifcio da agncia.

At ento, grande parte das transaes comerciais e diligncias oficiais para Timor, eram

concretizadas atravs da filial do BNU de Macau, at ento, a agncia bancria portuguesa mais

longnqua de Portugal e mais prxima de Timor.

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Um dos processos mais interessantes existentes no arquivo histrico do BNU sobre esta temtica, a

compra em 1909 da machina de escrever, The Oliver, pelo Consulado de Portugal em Hong Kong,

com destino ao Governador do Distrito Autnomo de Timor, atravs da agncia do BNU de Macau.

nestas circunstncias que parte para Timor, o ex-gerente da filial do BNU de Macau (1908 a 1910),

Antnio de Oliveira Manarte, com o objetivo de erguer e inaugurar a primeira agncia do BNU em

Timor.

Antnio Manarte parte de Lisboa em setembro de 1911, tendo chegado a Timor somente em

dezembro do mesmo ano.

A edificao da filial de Dli, veio preencher uma lacuna que j existia desde 1864, ano da inaugurao

do BNU, que foi a criao de uma instituio bancria portuguesa em Timor.

A primeira instalao da agncia seria

inaugurada em 4 de abril de 1912,

tendo as chaves do edifcio sido

remetidas nesta data pela Repartio

das Obras Pblicas de Timor, ao

agente do BNU, Antnio de Oliveira

Manarte.

A filial funcionou na sua primeira sede

at 1942, data em que teve de encerrar

as suas instalaes, devido invaso

da ilha pelas foras nipnicas na 2 Guerra Mundial.

At ao eclodir da guerra em pleno territrio timorense, a filial do BNU, teve um papel de relevo no

desenvolvimento econmico local, no apoio s medidas governamentais e do BNU delineadas para o

territrio. Destacam-se neste aspeto: o recebimento em 1912 pela filial de uma quantidade de notas

da Filial de Macau para constiturem meio de pagamento na colnia e os emprstimos

governamentais gizados pelo Governo de Portugal para a ex-colnia efetuados pelo BNU.

De entre estes destacam-se os dois emprstimos de 1922, que autorizavam a Junta de Crdito

Pblico a emitir ttulos da Dvida Pblica na importncia nominal de 1 217 000 patacas, que a ex-

colnia era autorizada a contratar, a fim de cobrir o deficit da gerncia de 1920-1921 e o oramental

de 1921-1922.

01 Filial do BNU em Dli. 1912

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Foi tambm com o seu apoio que em 1935, o governo da colnia de Timor determinava que no

territrio somente poderia circular a Pataca ou o Dlar Mexicano.

Em 20 de Fevereiro de 1942 os japoneses atacaram Timor e desembarcaram em Dli.

As primeiras instalaes da agncia seriam encerradas por falta de segurana de 30 de setembro de

1942 a 30 de setembro de 1945, embora o servio ao pblico s recomeasse em 1 de novembro

desse ano.

Segundo informao recolhida no relatrio da gerncia do BNU de Dli de 1946, a filial teria sido mais

tarde assaltada por chinos e rabes que durante a ocupao estrangeira da colnia assaltaram e

roubaram a casa forte da filial em 12 de Outubro de 1944.

O gerente de ento, Joo Jorge Duarte, foi preso pelos

japoneses em 10 de Julho de 1944, tendo morrido de

fome, na ilha de Alor, em 25 de Maro de 1945, pelos

maus tratos infligidos pelas tropas nipnicas.

Posteriormente, em Maro de 1955, em homenagem

conduta bravia do ex-gerente, o Banco iria erigir uma

jazida em seu tributo

02 Tmulo de Joo Jorge Duarte

A filial viria a reabrir em 1 de novembro de 1945 nas

instalaes da Sociedade Agrcola Ptria e Trabalho,

acomodada no edifcio desmantelado do antigo

colgio de Jos, na Avenida Marginal da destruda

cidade de Dli, tendo a companhia disponibilizado e

cedido ao BNU cinco divises para os servios da

sua filial.

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03 Filial do BNU de Dli. Anos 50 do Sc. XX

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J com a filial em atividade, chegavam os antigos empregados do BNU, que se tinham refugiado na

Austrlia fugindo da ocupao nipnica da ex-colnia portuguesa. A filial debateu-se com o

desaparecimento de todo o arquivo da filial e a consequente ausncia de cdigos telegrficos, que

invalidavam a correspondncia da agncia com os seus clientes.

Nessa altura, em Timor, a nica firma com endereo telegrfico conhecido, era precisamente o da

Sociedade Agrcola Ptria e Trabalho, Lda., da qual o BNU era um dos principais acionistas e onde o

banco estava provisoriamente instalado e o que muito facilitou a sua atividade. A partir desta data, o

BNU ficou acionista das principais empresas de Timor, promovendo desta forma o desenvolvimento

do territrio.

Contavam-se entre estas empresas, para alm da j referida Sociedade Agrcola Ptria e Trabalho,

Lda., a Empresa Agrcola Perseverana, Lda. e a Empresa Agrcola de Timor, Lda..

O relatrio balano e contas de 1956 da Sociedade

Agrcola Ptria e Trabalho, Lda. louvava a filial do

BNU pelo auxlio e cooperao dado Sociedade

na persecuo da atividade da instituio,

nomeadamente no progresso do comrcio do caf,

o principal produto e motor da economia

timorense.

04 Armazm de caf, no tempo da colheita. Sociedade

Agrcola Ptria e Trabalho

Uma dcada depois (1966), quando o Governador do BNU, Francisco Vieira Machado, visitou Timor,

constatou as deficincias das instalaes da filial do banco em Dli.

Nesta conformidade, a Administrao do BNU determinou

que fosse construdo o melhor edifcio da cidade, para

constituir a filial do banco.

05 Novo edifcio da Filial do BNU de Dli. 1968. Inaugurado em 1968

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Mais tarde, em 23 de novembro de 1968, dar-se-ia a inaugurao do novo edifcio da filial em Dli e

das novas moradias para o pessoal do BNU.

Na visita oficial dos quadros diretivos do BNU, tambm

tinha sido constatado que os empregados viviam em

condies precrias, tendo o Conselho de Administrao

do banco, mandado edificar moradias para os seus

funcionrios em Dli.

06 Moradias dos funcionrios do BNU. 1968

No relatrio da gerncia do BNU desse ano so louvados as melhores condies de trabalho das

novas instalaes da sede do banco em Timor, mas tambm o apreo do pessoal pelos novos

alojamentos e habitaes concedidas, juntamente com a edificao de um centro ldico, onde tanto

os empregados como as suas famlias podem recrear o esprito nas horas de cio.

A filial e as moradias dos funcionrios foram desenhadas pelo arquiteto Fernando Schiappa de

Campos, conhecido na poca pela sua inovadora e moderna arquitetura colonial e que ficou para a

posterioridade como um dos mais criativos e originais arquitetos da sua poca e da histria da

arquitetura portuguesa.

As suas edificaes em Timor ficaram para a posterioridade como uma das suas obras mais

significativas.

O edifcio, um dos mais eloquentes da cultura moderna do

perodo colonial, caracterizado por uma implantao

linear, com recurso a grelhas horizontais e verticais que

garantem o indispensvel ensombramento.

07 Esboceto de F. Schiappa para as habitaes do Pessoal do BNU de Dli. 1964

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Nas moradias dos funcionrios Schiappa recorreu aos seus conhecimentos sobre climas tropicais,

evitando na construo, a dependncia de ar condicionado, desenhando as residncias para que

pudessem contar unicamente com os seus dispositivos construtivos1.

At ao encerramento da filial em 1975, que sucedeu devido invaso indonsia do territrio

timorense, o BNU continuou a pautar a sua atividade com o apoio s atividades agrcolas ma