Desenhando a Superf­cie - Renata Rubim

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Livro sobre Design de Superfície de Renata Rubim.

Text of Desenhando a Superf­cie - Renata Rubim

  • .

    Rosdri

  • Coleo TextosDesign: desenhando idias e superficies

  • Desenhando a Superficie .

    Renata Rubim

    Rosari

  • O 2005 Renata Rubim

    Coleo TextosDesign Coordenao Claudio Ferlauto Reviso Beat riz de Freitas Moreira Tradutora de espanhol Snia Gabriela Petit Projeto grfico QU4TRO Arquitetos SP Maialu Burger Ferlauto, Mari Monserrat

    Dados internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) (Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

    Rubim, Renata Desenhando a superf cie I Renata Rubim So Paulo: Edies Rosari , 2004. (Coleo Textos Design)

    ISBN 8588343312

    Bibliografia

    1. Design 2.Superfcies Design I. Ttulo 11. Srie

    044085 CDD 745.4

    indice para catlogo sistemtico:

    1. Design de superfcie: Artes decorat ivas 745.4 2. Superfcies: Design: Artes decorativas 745.4

    [2005] Todos os direitos desta edio reservados a Edies Rosari Ltda. Rua Apeninos 930 s andar sala 51 04104 020 So Paulo SP Brasil Telefone/ Fax 11 5571 7704 edirosari@uol.com.br. www.rosari.com.br

  • Dedico este livrinho ao Pedro, Kau, Lucas e todas as crianas;

    Ao trabalho e perseverana das formigas;

    ~~~~ ~~~ ,~ Ao esprito empreendedor e colaborador das abelhas.

  • ndice .

    Apresentaes 11

    O meu fascnio por Design de Superfcie 15

    Design de Superfcie design superficia l? 17

    Conceitos 29

    Noes bsicas de representao 35

    Criao 41

    Aplicaes 47

    Cor 53

    Especializaes e marketing 57

    O que Design de Superfcie responsvel 61

    Imagens do design 65

    Outros textos 81

    Bibliografia 93

    ndice remissivo 95

    DESENHANDO A SUPERFICIE 9

  • Apresentaes

    Cores e formas fazem a diferena. Num mercado onde a concorrncia cada vez mais forte e

    competitiva- conseqncia da produo em srie c da inexis-tncia de diferenciao dos produtos -, preciso fazer mais.

    Acredito que o design ser um fator decisivo no novo cenrio globalizado, c atravs dele, poderemos agregar valor, desencadeando um processo de estmulos visuais que iro personalizar um produto ou uma empresa.

    Para Renata Rubim e para a Vista Alegre, o design nunca ser apenas uma caracterstica visual, mas sim um conceito. Conceito representado atravs das pesquisas de tendncias do mercado que se fundem, sempre buscando comunicar a lin-guagem de um determinado produto.

    grande minha satisfao em trabalhar com essa profis-sional de credibilidade, que s vem a somar para a Vista Alegre, e que me fez acreditar que a modelagem apenas "ver-bal" de um produto, no o faz ser diferente. O que o torna diferente so, exatamente, os valores conceituais a ele agrega-dos, ou seja, toda a sua essncia, representada grfica, visual e emocionalmente.

    Ricardo Bercht Empresrio - Diretor -Porcelanas Vista Alegn: do Bmsil Porto Alegre, R.S

    0ESENI~ANDO A SUPERFfCIE 11

  • O envolvimento de Renata Rubim com o ensino do design e com as questes relacionadas prtica da profisso decorre de sua atuao como designer, marcada por um comprometimento autntico com a pesquisa, com a metodologia do projeto, com a tica no relacionamento profissional e pessoal e com a conscincia essencial da importncia do design como instrumento de aperfeioamen-to social. Essas qualidades, agora enriquecidas por esta publi-cao, tm construdo o sucesso de sua carreira e tornado-a uma grande parceira no processo de educao e formao dos designers-cidados brasileiros.

    julio C. Caetano da Silva, arquiteto e designer Professor e coordenador do curso de D esign da UniRitter

    12 RENATA RUBIM

  • Na finalizao dos meus trabalhos de arquitetura t enho contado com a proveitosa participao da designer Renata Rubim. Essta participao se efetiva, en tre outros aspectos, na definio dos revestimentos de pisos e paredes e na escolha e combinao de cores em paredes c superfcies. So sempre pertinentes as escolhas que Renata faz dos elementos existentes para, a partir deles, definir as demais cores e texturas, bem integrando assim todos os compo-nentes arquitetnicos.

    Miguel 0/iven, arquiteto Porto Alegre, RS

    DESENHANDO A SUPERFICIE 13

  • Desenho de tapete feito por Renata Rubim aos 4 anos.

    14 RENATA RUBIM

  • O meu fascinio por Design de Superficie

    Aos quatro anos de idade, muitos dos desenhos que fiz no jardim-de-infncia eram tapetes de cho.

    Os trabalhos esto numa pasta guardada por meus pais com muito cuidado. Metade deles representando objetos importantes para uma criana dessa idade, como me, pai, irm, casa, bola, circo etc., a outra metade, na sua maioria,

    A1 " d " tapetes. gumas pare es e "chos" pintados.

    DESENHANDO A SUPERFICIE 15

  • Depois disso fui desenhando menos, e a criatividade foi sendo reprimida ao longo do perodo escolar, fruto de didti-cas equivocadas. Mas nunca perdi o sonho de desenhar; para ser feliz, eu devia desenhar para superfcies em geral: tecidos, porcelanas, tapetes, azulejos e todas os tipos de papis.

    Lembro-me muito bem de uma visita que fiz a uma pes-soa da relao de minha famlia, no Rio de Janeiro, com nove anos de idade. Ao entrar no seu apartamento vislumbrei fascinada, num canto do apartamento, uma prancheta com um projeto ainda por terminar. Subi no banquinho e pergun-tei dona da casa o que era aquilo e fiquei maravilhada com a resposta: - tratava-se de uma estampa para decorao. Algum tempo depois, andando pelas caladas do Leblon, em companhia de minha me, tive um impacto! A estampa daquela prancheta estava reproduzida em trs verses de cores, em tecidos expostos numa vitrine! A emoo foi tamanha que no tive dvida de que o sinnimo de felicidade para mim era criar e projetar para superfcies de produtos e que eles pudessem ser adquiridos pelo pblico em geral.

    16 RENATA RUBIM

  • Design de Superfcie design superficial? .

    O que um tapete para voc? "" E design de produto, design

    txtil, arte ou no nada disso? Ou trata-se apenas de uma pea decorativa sem qualquer preocupao maior de contedo? A questo pode parecer bvia para muitos, mas h poucos anos, num concurso nacional de design, ela foi levantada quando uma das inscries, classificada como Design de Superfcie, foi rejeitada por um dos integrantes

    DESENHANDO A SUPERF(CIE 17

  • da comisso de seleo, sob o argumento que Design de Superfcie no se trata uma categoria do design.

    O que , ento, Design de Superfcie ou Surface Design? Trata-se apenas do tratamento cosmtico que se d a alguns produtos? E se for o caso, trata-se sempre algo superficial, descartvel, sem importncia e sem qualquer conotao esttica ou projetual mais profunda?

    Vamos por partes. A questo levantada naquele concurso se referia inscrio de um cobertor de l na categoria de Design de Superfcie. Portanto, tratava-se de um produto industrial com expectativas mercadolgicas e comerciais, prprias de qualquer outro produto industrial. Os autores do projeto da estampa do cobertor consideravam-se designers txteis ou de superfcie, e explicitaram isso na ficha de inscrio. Eles no estavam apresentando, no meu entender, uma iluso. Era algo concreto, visvel e fruto de uma ampla pesquisa. Por que ento ocorreu a rejeio?

    18 RENATA RUBIM

  • Acima, tecido algodo estampado Doves,

    1935, pg. 29 do livro N"""lty Fabrirs.

    Ao lado, cermicas de Claricc Cliff, 1930,

    p:g. 96 do livro A WomnnS Touch

    de lsabcllc Anscombe.

    i DESENHANDO A SUPERFfciE 19

  • 20 RENATA RUSIM

    Acima, garrafa trmica TcrmoJar, dcsign de J, Bornancini e N, Pctzold, superfcie c cores Renata Rubim, 2001.

    Ao lado, papel de tmsente de P Nas h, 1925, capa do livro Pntlernsfor Pnpers.

  • Aqui comea a minha reflexo. Entendo que, como de / costume, diante de alguma coisa desconhecida a primeira reao de negao. No Brasil, o Design de Superfcie ou Surface Design praticamente desconhecido. Essa desig-nao amplamente utilizada nos Estados Unidos para definir todo projeto elaborado por um designer, no que diz respeito ao tratamento e cor utilizados numa superfcie, industrial, ou no. Essa denominao foi introduzida por mim no Brasil na dcada de 80, retornando de l , aps um perodo de estudos, por consider-la a melhor definio que existe. Esse conceito to arraigado na cultura local a ponto de existir a Surface Design Association, com scios no mundo inteiro e que, alm de publicar quatro revistas e qua-tro jornais anuais, promove congressos bienais com assuntos e questionamentos de interesses variados para atender a todos os tipos de Surface Design.

    Por ser a responsvel pela introduo do termo no voca-bulrio brasileiro, passei por situaes interessantes. Na aula inaugural de um dos cursos anuais que ministro, um aluno oriundo de uma faculdade gacha de design, se manifestou

    DESENHANDO A SUPERFCIE 21

  • informando que um dos seus professores tinha como certo que eu inventara a expresso!

    No, infelizmente no sou autora de to brilhante soluo!

    O Design de Superfcie abrange o Design Txtil (em todas as especialidades), o de papis (idem), o cermico, o de plsticos, de emborrachados, desenhos e/ou cores sobre utilitrios (por exemplo, loua). Tambm pode ser um pre-cioso complemento ao Design Grfico quando participa de uma ilustrao, ou como fundo de uma pea grfica, ou em Web-Design. Na rea da Arquitetura, entendo interessante o questionamento: quando um designer projeta pisos ou pare-des diferenciados, isso no pode ser considerado Design de Superfcie? Como devem ser classificadas as maravilhosas superfcies projetadas pelo genial Gaud?

    Parece, ento, que o D esign de Superfcie sempre bi-dimensional e "decorativo" ou "artstico"? Bem, a entramos

    22 RENATA RUBIM

  • Estampa de Maija Isola para Marimckko