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Contacto SVD

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Text of Contacto SVD

  • Diretor Antnio Leite

    Publicao bimestral

    Ano XXXVI | nmero 225

    janeiro - fevereiro 2018

    preo 0,50

    PENSAMENTOS. Jos Freinademetz

    Di-me no ser o missionrio que deveria ser Mas, no desanimo, procuro fazer o que posso, o resto deixo-o a Ele.

    p. 5 YIM TIN TSAI

    p. 8 JOVENS E A IGREJA MISSIONRIA

    p. 10 A CORAGEM DA CRIATIVIDADE

    p. 2 O MEU CRISTO NO CONDENA ABRAA

    p. 3NO MEIO DAS ADVERSIDADESUm bairro acentuadamente seculariza-do e sem espao para o culto. A Missa a ser celebrada numa barraca. O dio contra a religio transformado em for-mas diablicas. A histria de uma pa-rquia e de um santurio bem especial em Szczecin, Polnia.

    p. 6 e 7

    CAMPANHA MOS MISSIONRIAS 2018NO AMEMOS COM PALAVRAS, MAS COM OBRASO amor faz-se realidade em gestos e obras. neste sentido que a Campanha Mos Missionrias 2018 pretende oferecer caminhos onde os sinais do amor possam acontecer. So pedidos de irmos nossos que chegam at ns. So homens e mulheres que vivem o compromisso cristo nas mais diversas situaes. O alcance da resposta a dar est nas suas mos e no seu corao!

    p. 4MARCAS INESQUECVEISPassar por Tumbaya, bem ao norte da Argentina, na provncia de Jujuy, sen-tir a marca dos Missionrios do Verbo Divino e das Irms Missionrias Servas do Esprito Santo. Nomes, rostos, vidas que ao longo dos tempos disseram sim com a sua entrega.

    p. 9BBLIA E SUSTENTABILIDADEQue tipo de mundo queremos deixar a quem nos vai suceder?

    p. 5NMEROS QUE NOS ENVERGONHAMEm 2017, 815 milhes de pessoas passaram fome. Enquanto isto sucede, o Paris Saint-Germain, clube de futebol no campeonato francs, gasta cerca de 311 milhes de euros anuais em salrios com os seus jogadores.

    p. 12TRS DIAS NOS DIAS DA MINHA VIDA Trs momentos que marcaro para sempre a vida do Rafael Gomes: orde-nao presbiteral, missa nova e envio missionrio. Os dois primeiros j acon-teceram; o terceiro vai-se aproximando. Sem envio no h misso.

    p. 9

    PEREGRINAO NACIONAL DOS AMIGOS DO VERBO DIVINO

    FTIMA

    14 e 15 de abril 2018

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  • 2

    CONVERGNCIA

    Canidelo promete! Naquela locali-dade da diocese do Porto ir surgir uma nova igreja com elementos bem particulares que, no dizer do padre Marco Ivan Rupnik, j vai acontecen-do enquanto se fala do projeto. O P. Marco Rupnik um sacerdote jesuta da Eslovnia. artista pls-tico e membro de vrios organismos do Vaticano, entre os quais do Con-selho Pontifcio para a Cultura. Entre muitas outras ocupaes, tambm professor na Universidade Gregoria-na, em Roma, onde tive a alegria de ser seu aluno. Gostei de saber que ele vai colaborar nos interiores e mo-tivos litrgicos do interior do templo, em Canidelo.Em Portugal, o P. Marco Rupnik conhecido pela autoria do extenso painel, em mosaico, da Baslica da Santssima Trindade, em Ftima. Quando, nos incios deste ano, o P. Marco Rupnik esteve no Porto, a agncia Ecclesia conversou com ele sobre a sua participao neste projeto. Ao ver e ouvir excertos dessa conversa, parei num ele-mento que marca verdadeiramente o pensamento do P. Rupnik. Dizia ele que hoje estamos numa cultura do triunfo do indivduoeu fao. E continuou afirmando que, bem pelo contrrio, em Canidelo encontrou os arquitetos Miranda com disponibili-dade para o dilogo, para a procura em conjunto onde no emerge um indivduo, mas uma convergncia. Uma convergncia!A Congregao dos Missionrios do Verbo Divino est a viver tempos de preparao para o seu 18 Ca-ptulo Geral que, durante um ms ir acontecer no prximo vero, em Roma, com representantes de todos os pases onde est presente a Con-gregao. De convergncia falava o P. Marco Rupnik. Ser certamente esta convergncia que nos pedida nos diferentes lugares onde o Senhor da Misso nos vai enviando neste nosso tempo, tambm nos diversos lugares deste nosso pas.

    JOS [email protected]

    m o s f r t e i s

    O OLHAR DO Z DA FONTE

    Encontrou-me quando passava ao lado do caixote do lixo onde algum o tinha jogado. Chamou-me baixinho pedindo ajuda para sair dali, j que o resto do lixo lhe dificultava os movimentos, pois j estava decapitado e maneta do brao direito. Era uma triste mas ao mesmo tempo terna figura. Peguei-o, com jeito, no fosse ficar sem o brao que lhe restava. Agradeceu-me. No me perguntem como, mas eu percebi naquela figura talvez meio grotesca um agradecimento...Continuei a fazer-lhe perguntas sobre o como tinha chegado ali e o que lhe acontecera para se encontrar naquele estado de abandono que at j o consideravam lixo... as respostas dele no as reproduzo por pudor. Foram muito in-teressantes e carregadas de compreenso e com-paixo, com uma suave pitada de misericrdia, por aqueles que chama-mos pecadores.Caminhmos, mas antes foi necessrio libertar as pernas que estavam pregadas numa tosca cruz de madeira. Meio trpego l me acompanhou se-reno e calmo disposto a acompanhar-me o resto da vida caso quisesse eu. E quis! Depois foram anos e anos de companhia inseparvel, fosse para onde fosse ele sempre me acompanhava feliz e amigo e a partir de um certo momento descubro que ele que vai dando sentido minha vida e a vai orientando nos momentos mais conseguidos, os outros so s da minha inteira responsabilidade como costuma dizer-se.Um dos episdios que melhor lembro um dos mui- tos que vm narrados num livro chamado bblia. Vem- -me com esta: devemos amar os nossos inimigos. Essa foi de mais. Tentei cham-lo razo, que isso no podia ser, que no era justo... teimosinho continuou com a dele e eu depois de muito pensar acabei por ver que no era assim to despropositado e passei a acreditar que o amor no pode ter limites, ser truncado pelos nossos conceitos de justia ou por outra conveno qualquer. Hoje, ainda com alguma dificuldade, reconheo que ele tem razo.

    Quando nos chateamos ele vem terno e manso tentar ajudar-me a compreender melhor as coisas e eu enver-gonhado acabo por cair na real e descobrir que ele tem sempre razo.Outra vez, caminhvamos devagarinho por uma es-trada secundria deste vale de lgrimas, mas tambm de alegrias, que o mundo. Comeou a contar-me o que era verdadeiramente importante na vida assim de uma maneira de quem no quer a coisa. Amar dar e sobretudo dar-se e o que se d sempre uma maneira de dizer que s se d o corao. Disse-me dar de comer a quem tem fome. Mas h muita gente que passa fome

    porque quer retorqui eu, sabiamente; dar de be-ber a quem tem sede, com a falta de gua que por a vai at que nem est mal, respondi. Vestir os nus, eu costumo dar muita roupa usada para ajudar os pobres, disse orgulhoso do meu com-portamento. Depois ain-da falou em dar pousada aos peregrinos, visitar os presos e os enfermos e at enterrar os mortos.Andei anos a meditar nas palavras dele e nas minhas respostas. A di-ferena entre o que ele

    disse e o que eu consegui fazer abissal porque sou um nscio que ponho a minha segurana naqueles que acho que tm sucesso em vez de olhar para ele e ver que a minha desumanidade j lhe partiu o outro brao. Hoje j s tem tronco e pernas.Mas as conversas com ele no so sempre srias. Por vezes, posso dizer, so mesmo um pouco parvas e desconexas... porque eu no o consigo acompanhar e compreender a paixo desmesurada que ele tem pelo gnero humano. Eu, s vezes, at penso que isso que o torna deus ou divino ou seja l o que seja.A srio: quando olho para ele e na forma como os artistas o representam emociono-me... Que raa de homem este cuja proposta o maior desafio colocado hu-manidade que somos e formamos os humanos e cujo caminho a nica forma de chegar luz... admirvel que ele mesmo?

    meditao

    ANTNIO AUGUSTO LEITESuperior Provincial

    O meu Cristo no condena... abraa!

    Ilust

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  • 3janeiro | fevereiro 2018

    IGREJA E MISSO

    Roma e FtimaPerante tamanho dio, em 2005, o P. Marek Maciek peregrinou ao tmulo de Joo Paulo II e a Ftima. Nessa altura levou uma imagem de Nossa Senhora de Ftima, benzida durante as celebraes do dia 13 de outubro desse ano. No dia se-guinte, durante a Missa celebrada na Capelinha das Aparies, o P. Marek tocou com aquela ima- gem na milagrosa imagem de Nossa Senhora que est no lugar das aparies.

    Imagem de Nossa Senhora de FtimaA imagem foi oficialmente intro-duzida na parquia no dia 21 de outubro de 2005. A partir daquele dia, a comunidade comeou com a orao diria do Tero e com viglias noturnas at s 6 hs da manh. A 13 de maio de 2006, comearam as celebraes solenes das aparies de Ftima. Outros passos foram sendo dados, mas as hostilidades continuavam. Foi intensificada a orao e feito um tempo de jejum durante quarenta dias, sendo que o fim do jejum seria assinalado com a coroao da imagem de Nossa Senhora e a colocao do rosrio na imagem. Essa celebrao acon-

    NO MEIO DAS ADVERSIDADESNo dia 9 de setembro de 2017, Andrzej Drzazga, Arcebispo de Szczecin-Kamie, Polnia, consagrou o primeiro santurio no mundo dedicado aos Pastorinhos de Ftima, Santa Jacinta e So Francisco Marto. O projeto foi idealizado pelo P. Marek Maciek. Foi um longo e rduo trabalho, no esprito de Ftima e como rplica da Capelinha das Aparies. A histria da parquia situada em Osiedle Kasztanowe, Szczecin, Polnia, e da fundao do santurio dos Pastorinhos de Ftima, est marcada por uma confluncia excecional da Providncia divina. Era um bairro muito secularizado e sem espao para o culto. Os primeiros tempos foram muito duros. A Missa era celebrada numa barraca; as adversidades logo surgiram. As madeiras compradas para iniciar a construo do templo foram queimadas e os insultos ao Padre aumentavam de volume. O dio contra a religio adquiria formas diablicas.

    teceu no dia 3 de outubro de 2009. Aqueles passos marcaram de tal maneira a comunidade que o tempo forte de orao e jejum continua a manter-se antes de cada aniversrio da coroao. Assim, durante sete anos, mais de duas mil