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UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI FACULDADE DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO FÍSICA Ana Letícia Guedes Rocha Barbosa SUCESSO ESCOLAR: Análise das Produções Científicas com Foco nas Avaliações das Escolas Públicas Brasileiras Diamantina, 2016

Ana Letícia Guedes Rocha Barbosa - Curso de Educação ... · LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação PIP – Programa de Intervenção Pedagógica PPP – Projeto Político

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    UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI

    FACULDADE DE CINCIAS BIOLGICAS E DA SADE

    DEPARTAMENTO DE EDUCAO FSICA

    Ana Letcia Guedes Rocha Barbosa

    SUCESSO ESCOLAR: Anlise das Produes Cientficas com Foco nas Avaliaes

    das Escolas Pblicas Brasileiras

    Diamantina, 2016

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    UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI

    FACULDADE DE CINCIAS BIOLGICAS E DA SADE

    DEPARTAMENTO DE EDUCAO FSICA

    Ana Letcia Guedes Rocha Barbosa

    SUCESSO ESCOLAR: Anlise das Produes Cientficas com Foco nas Avaliaes

    das Escolas Pblicas Brasileiras

    Trabalho de Concluso de Curso

    apresentado ao curso de Educao Fsica

    da UFVJM, como requisito parcial

    obteno do ttulo de licenciada em

    Educao Fsica. Orientador (a): Flvia

    Gonalves da Silva.

    DEPARTAMENTO DE EDUCAO FSICA

    Diamantina, 2016

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    SUCESSO ESCOLAR: Anlise das Produes Cientficas com Foco nas Avaliaes

    das Escolas Pblicas Brasileiras

    Ana Letcia Guedes Rocha Barbosa

    Orientadora: Flvia Gonalves da Silva

    Trabalho de Concluso de Curso

    apresentado ao Departamento de Educao

    Fsica, como parte dos requisitos exigidos

    para a concluso do curso.

    APROVADO em ... / ... / ...

    _________________________________________

    Prof. Fernanda Helena Marques UFVJM

    _________________________________________

    Prof. Mario Mariano Ruiz Cardoso UFVJM

    _________________________________________

    Prof. Flvia Gonalves da Silva UFVJM

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    Agradecimentos

    Agradeo a Deus pelo dom da vida, por sempre me guiar, proteger e iluminar

    durante toda minha vida, por me manter de p mesmo quando parecia no haver mais

    como continuar. Obrigada Senhor por me conduzir, e manter viva a minha f! Agradeo

    a Virgem Maria por passar na frente e abrir portas com sabedoria e paz.

    Agradeo a minha famlia: minha me por toda dedicao, carinho, amor,

    pacincia, confiana, apoio, exemplo; aos meus avs (que carinhosamente chamo de

    me e pai) pelo amor, honestidade e f; aos meus tios Hlcio e Jorginho por me ajudar

    em todas as horas que precisei (e no foram poucas); aos meus primos Jlio e Amanda

    pelos abraos e sorrisos a cada vinda para casa; a Tia Deca pela confiana, incentivo e

    fora; enfim, a todos familiares que de alguma forma me ajudaram nessa caminhada.

    E como no agradecer aos amigos? Aos que ouviram lamentos, reclamaes e

    sempre me apoiaram e me acolheram com palavras doces de incentivo, agradeo a todos

    vocs. Em especial Franciely, Priscila, Poliana e Joo Carlos que me acompanharam

    durante todo esse tempo, que a cada lamento me lembravam a importncia da f e

    almejam junto comigo o sucesso.

    Agradeo a minha orientadora Flvia por compartilhar comigo sua sabedoria,

    pela sua dedicao, pacincia, compreenso, por acreditar em mim e sempre me

    incentivar a querer mais, pelas palavras a cada orientao que me engrandeceram no s

    profissionalmente, sou sua f. A Cludia e Leandro Cordeiro pela oportunidade de

    participar do PIBID e pelas palavras dadas, isso tudo foi essencial para a minha

    formao profissional e pessoal. A todos os meus professores pelos ensinamentos que

    formaram a profissional que sou hoje.

    Enfim, a todos que me ajudaram, que me apoiaram e incentivaram a minha

    formao, meu muito obrigada! Serei eternamente grata!

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    LISTA DE SIGLAS

    CAPES Coordenao de Aperfeioamento Pessoal de Nvel Superior

    IDEB ndice de Desenvolvimento da Educao Bsica

    INEP Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas

    LDB Lei de Diretrizes e Bases da Educao

    PIP Programa de Interveno Pedaggica

    PPP Projeto Poltico Pedaggico

    PROALFA Programa de Avaliao da Alfabetizao

    PROEB Programa de Avaliao da Rede Pblica da Educao Bsica

    SAEB Sistema Nacional de Avaliao da Educao Bsica

    SAERJ - Sistema de Avaliao da Educao do Estado do Rio de Janeiro

    SIMAVE Sistema Mineiro de Avaliao da Educao Pblica

    SRE/MG - Superintendncia Regional de Ensino de Minas Gerais

  • 6

    SUMRIO DOS QUADROS

    QUADRO 1 Concepo de avaliao dos autores analisados ................................... 33

    QUADRO 2 Avaliao externa adotada pelos autores analisados ............................ 35

    QUADRO 3 Sujeitos diretamente envolvidos nas intervenes pedaggicas nas

    escolas alvo dos estudos ............................................................................................... 36

  • 7

    SUMRIO

    Introduo........................................................................................................... 09

    Reviso de literatura........................................................................................ 13

    Metodologia......................................................................................................... 20

    Resultados e Anlise........................................................................................ 21

    Consideraes finais............................................................................................ 40

    Referncias........................................................................................................... 42

  • 8

    Resumo

    Este estudo um trabalho de concluso de curso que teve como objetivo analisar por

    meio de dissertaes, os aspectos que possibilitaram sucesso escolar em algumas

    escolas pblicas do Brasil. Esse estudo se justifica tendo em vista a falta de discusses

    acerca do tema dentro do curso de graduao e a necessidade de se debater a qualidade

    da educao brasileira. A metodologia utilizada foi uma pesquisa bibliogrfica, em que

    foram analisadas 7 dissertaes que tinham foco no sucesso escolar de escolas pblicas

    brasileiras. A anlise foi feita aps a leitura destes trabalhos, destacando pontos

    relacionados a concepo de sucesso escolar, fundamentao terica dos estudos, as

    intervenes propostas, as formas de avaliao que usaram para chegar at as escolas e

    qual o impacto dos resultados das avaliaes externas na instituio escolar. Como

    resultado observamos que o sucesso escolar mensurado atravs de avaliaes

    classificatrias, e estas so norteadoras das prticas pedaggicas. A concepo de

    sucesso escolar, na maioria dos trabalhos tambm est relacionada as avaliaes

    externas classificatrias. Consideramos a importncia de se discutir sucesso escolar e

    avaliaes com professores, alunos, pais e comunidade escolar, e tambm a necessidade

    de estudos na rea da Educao Fsica sobre como avaliar.

    Palavras-Chaves: Sucesso Escolar, Avaliao, Escola.

  • 9

    1 Introduo

    A educao escolar um direito previsto na constituio. Mas o que

    observamos um cenrio catico, que nos faz questionar se o que est previsto em lei

    est realmente sendo cumprido. Isso porque apesar da garantia de acesso a ela, a

    permanncia e a qualidade da educao escolar nem sempre so preservados. A

    diferena na qualidade da educao escolar, normalmente est ligada a questes

    econmicas, que os brasileiros marginalizados historicamente ainda so os que menos

    possuem acesso ao ensino de qualidade o que contribui para manuteno da pobreza.

    Segundo Iosiof (2007, p. 19):

    O tratamento dado educao dos pobres no Brasil deixou um legado que

    pode ser verificado at hoje nos baixos ndices de aprendizagem do pas

    principalmente nas Regies Norte e Nordeste, regies mais pobres, e nas

    periferias dos grandes centros urbanos. Pode ser verificado tambm nas

    desigualdades educacionais e sociais entre ricos e pobres; brancos, negros e

    ndios. As estatsticas nacionais e internacionais apontam que os segundos

    grupos encontram-se em ampla desvantagem educacional e socioeconmica

    em relao aos primeiros, principalmente quando se fala de pobres no

    brancos.

    O Brasil tem avanado na quantidade de alunos que esto tendo acesso

    escola, e o nmero de pessoas analfabetas tm diminudo consideravelmente, mas o que

    encontramos no ambiente escolar so alunos matriculados no Ensino Fundamental II

    que no conseguem ler fluentemente, nem possuem uma escrita correta, e no sabem as

    quatro operaes bsicas. Essas habilidades e conhecimentos deveriam ser adquiridos

    ao longo do Ensino Fundamental I. A partir da, muitos buscam os culpados para

    explicar o insucesso escolar, sendo ora as polticas pblicas de educao, ora a famlia e

    tambm os professores e alunos. Os motivos que explicam o insucesso escolar

    ocasionada por esses culpados so os mais diversos: a falta de concentrao e

    interesse dos alunos, a falta de tempo dos pais para verificar a vida escolar dos filhos, as

    ms condies na qual a escola se encontra, os professores com mtodos de ensino

    defasados.

    No entanto poucos investigam quais os fatores influenciam para que a

    educao escolar pblica d oportunidade ao aluno de se apropriar do conhecimento, e

    tenha sucesso escolar, apesar de todos os problemas citados anteriormente que

    dificultam tal processo.

  • 10

    Os resultados publicados pelo IDEB (ndice de Desenvolvimento da Educao

    Bsica), Prova Brasil (Avaliao da Alfabetizao Infantil), PROEB (Avaliao da

    Rede Pblica de Educao Bsica) e SAEB (Sistema de Avaliao da Educao

    Bsica), como indicadores de qualidade da educao, possuem muitas vezes um

    satisfatrio mas a realidade escolar est distante destes. Portanto, necessrio pensar a

    educao de qualidade assegurando o desenvolvimento integral do indivduo, para que o

    direito a educao no seja superficial, somente acesso educao.

    O IDEB foi criado em 2007, com o intuito de monitorar a qualidade da

    educao do pas a partir de dois dados: taxa de rendimento escolar e as mdias das

    avaliaes aplicadas pelo INEP, sendo a Prova Brasil que avalia escolas e municpios e

    o SAEB para estados e pas. O IDEB tem como meta alcanar a mdia 6 at 2022 em

    todo pas, dado que corresponde a nota de pases desenvolvidos.

    O PROEB uma avaliao que tem a finalidade de monitorar a qualidade da

    educao no estado de Minas Gerais, os resultados so publicados por escola, ou seja,

    individualmente.

    Um dos fatores apontados como agravante do insucesso escolar o

    desinteresse dos alunos, o que dificulta com que entendam que eles so parte da escola.

    Apresentar os contedos de forma mais prxima da sua realidade pode acarretar em um

    empenho maior o que facilitaria a aprendizagem.

    J existem alguns estudos (ABRAMOVAY, 2003; VIERA, 2007; IOSF, 2007)

    que apontam fatores que influenciam para que uma escola seja bem-sucedida, e um dos

    fatores mais citados a abertura dos portes da escola para a comunidade escolar.

    Escolas em favelas ou complexos habitacionais (onde residem pessoas de maior

    vulnerabilidade social), por exemplo, sofrem com o vandalismo. Se os alunos e a

    comunidade compreendem que o que esto destruindo so espaos e objetos dos

    mesmos, muitos atos de vandalismo no existiria. Um episdio do documentrio

    Educao.doc, exibido em 2014 pelo canal Globo News, mostra a transformao da

    realidade na escola pblica Presidente Campos Salles localizada em Helipolis/SP. Na

    luta contra a violncia, a equipe pedaggica percebeu que a necessidade de integrar a

    comunidade na escola, e a forma encontrada, foi derrubando os muros da mesma. O

    resultado foi alunos interessados em aprender, a comunidade participando

  • 11

    democraticamente das decises da escola, inclusive as pedaggicas, e espaos para

    dilogos com o objetivo de facilitar a aprendizagem dos alunos.

    A escola bem-sucedida aquela capaz de desenvolver o aluno de forma

    integral, garantindo o acesso ao conhecimento e assim capacitando-o para que possa

    pensar seu cotidiano criticamente (SAVIANI, 2011). No uma tarefa simples, e muitas

    vezes deixada de lado. Tendo em vista discusses feitas dentro do curso de graduao

    seja nas aulas e por frequentar o ambiente escolar, possvel percebermos a necessidade

    de um estudo aprofundado no apenas sobre os fatores que influenciam fracasso escolar

    (que so muitos), mas tambm naqueles que favorecem o sucesso escolar, apesar das

    adversidades que a instituio e a equipe pedaggica enfrentam.

    Cada escola possui suas particularidades, mas aps um contato mesmo que

    curto com algumas instituies, possvel observarmos que muitos problemas

    apontados pela comunidade escolar so comuns entre elas como: indisciplina e

    desinteresse dos alunos, formao defasada dos professores, espao fsico em ms

    condies, falta de participao dos pais e responsveis. Assim, vemos que se os

    problemas se repetem, no entanto ocasionar algumas intervenes utilizadas por escolas

    que tiveram sucesso poderem ser aplicadas em outras, adaptando-as a cada dificuldade

    enfrentada de acordo com sua realidade.

    Assim, este trabalho teve como objetivo identificar os aspectos que

    possibilitaram sucesso escolar em algumas escolas pblicas do Brasil. Ressaltamos a

    importncia de estudos voltados qualidade da educao por profissionais da Educao

    Fsica, pois uma rea na qual possui um vasto acervo de possibilidade e muitas vezes

    fica estagnada, pois alm de aulas aparentemente pouco planejadas, h forte concepo

    esportiva, a valorizao do saber fazer em detrimento do saber pensar, precariedade

    na sistematizao dos contedos, o que contribui para o insucesso escolar.

    Sobre a importncia das avaliaes especificamente no mbito da Educao

    Fsica, ainda no tem autores prprios. Quando discute-se, a Educao Fsica se

    apropria dos autores da educao de modo geral. Por esse motivo, este estudo no se

    restringiu a autores da Educao Fsica. Ressalta-se a fragilidade da rea nas formas de

    avaliar, sendo diversas vezes criticada pela forma com que os alunos normalmente so

    avaliados. Empiricamente, percebemos que aquele que, tem mais destreza no esporte,

    obtm uma nota alta, sendo bem avaliado.

  • 12

    Entende-se que avaliao no deve ser entendida como o rendimento do aluno

    numa perspectiva produtiva, mas ela o processo que possibilita verificar se os

    objetivos da educao esto sendo alcanados. Logo, a Educao Fsica deve se

    apropriar e discutir tal processo.

  • 13

    2 Reviso de literatura

    Como sabemos, desde a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educao) 9394/96,

    todo cidado brasileiro tem direito a educao partindo pela garantia de acesso escola

    pblica. Assim, houve uma significativa mudana no mbito educacional a partir desse

    documento, no entanto a prioridade foi o aumento de vagas nas escolas, secundarizando

    a qualidade. comum ouvirmos dizer que a educao brasileira de m qualidade,

    apesar de alguns indicadores de qualidade apontarem sinais positivos.

    A ideia de sucesso escolar vem vinculada a

    [...] publicaes das listas de classificao das escolas, o sucesso escolar

    acaba designando o sucesso de um estabelecimento ou de um sistema escolar

    no seu conjunto; so considerados bem-sucedidos os estabelecimentos ou os

    sistemas que atingem seus objetivos ou que os atingem melhor que os outros.

    (PERRENOUD, 2003. p. 10)

    A partir da ltima LDB, convencionou-se avaliar o sucesso escolar por

    sistemas nacionais de avaliaes, entendidos como importantes para tentar dimensionar

    possveis problemas, bem como o ndice de aprendizagem (mensurado por nmeros que

    revelam a quantidade de acertos e erros) do aluno propiciado numa dada instituio

    escolar. Mas o que realmente acontece de fato que muitas vezes os alunos alcanam as

    metas nas avaliaes, que se restringem a indicadores numricos, apesar de no terem se

    apropriado dos contedos escolares.

    Ento, o que uma educao de qualidade? Diante de diferentes teorias

    pedaggicas, conceitos diferentes para a educao de qualidade, o sucesso escolar est

    ligado a diversos fatores como: apropriao do conhecimento, aprovao em

    vestibulares, boas notas nas avaliaes internas, conectar o conhecimento sistematizado

    da escola com o cotidiano, criticidade e discernimento com situaes que pode

    encontrar no dia-a-dia, entre outros.

    A maioria das pessoas certamente concorda com o fato de que uma escola

    boa aquela em que os alunos aprendem coisas essenciais para sua vida,

    como ler e escrever, resolver problemas matemticos, conviver com os

    colegas, respeitar regras, trabalhar em grupo. Mas quem pode definir bem e

    dar vida s orientaes gerais sobre qualidade na escola, de acordo com os

    contextos socioculturais locais, a prpria comunidade escolar. No existe

    um padro ou uma receita nica para uma escola de qualidade. Qualidade

    um conceito dinmico, reconstrudo constantemente. Cada escola tem

    autonomia para refletir, propor e agir na busca da qualidade da educao.

    (UNICEF, 2004. p. 5)

    Quando discute-se educao, uma das primeiras pautas a necessidade

    de mudanas no sistema educacional e nas escolas propriamente ditas. Se to ntida a

  • 14

    necessidade de tais mudanas h vrias dcadas, por que no acontecem? Na busca de

    culpados, h uma estagnao, um jogo de empurra. Se a escola enfrenta um problema,

    este deve ser resolvido por todos, mas o que acontece que, os alunos e pais culpam os

    professores, os professores culpam os alunos e o governo, os gestores culpam os

    professores e o governo, e o governo culpa os alunos. E nessa eterna busca de culpados,

    no se movem para que tal situao seja resolvida.

    Em todas as regies do pas, os problemas so semelhantes, mesmo cada escola

    tendo suas particularidades. Em uma srie de documentrios chamado Educao.doc,

    composta por cinco episdios, quatro mostraram a realidade de escolas pblicas

    brasileiras que compreenderam a importncia e papel de cada pessoa envolvida na

    escola, e procuraram solues para os problemas enfrentados pela instituio, e o quinto

    episdio apresentou uma discusso sobre a escola do futuro.

    O primeiro episdio retrata uma escola na Chapada Diamantina, na Bahia. O

    segredo apontado pelas duas escolas que participaram do documentrio sobre a

    melhora na educao foi a no interrupo dos projetos com as mudanas na poltica.

    O segundo episdio mostra a Escola Municipal de Presidente Campos Salles

    em Helipolis/SP, que era uma instituio que enfrentava muitos problemas

    relacionados a violncia e quanto mais aumentava seus muros, mais acontecimentos

    violentos ocorriam. Assim, os gestores resolveram quebrar, literalmente, os muros da

    escola e discutir os problemas democraticamente com alunos, professores, funcionrios

    e com toda comunidade, e atualmente tem obtido bons resultados, como a maior

    participao da comunidade escolar nas decises da instituio, aumento do

    envolvimento do aluno e do professor no processo pedaggico, entre outros.

    O destaque da Escola Municipal Santa Rita de Cssia (Foz do Iguau/PR) e a

    Escola Raimundo Pimentel Gomes (Sobral/CE) a no evaso dos alunos, como mostra

    o terceiro episdio do documentrio. O quarto episdio, exibe o orgulho da Escola

    Estadual Augustinho Brando (Cocal dos Alves/PI) com suas conquistas nas

    Olimpadas da Matemtica e Qumica, e como o Colgio Estadual Monsenhor Miguel

    Santa Maria Mochn (Padre Miguel/RJ) est inovando e tornando suas aulas mais

    atrativas. Todas elas mostram que foi possvel tais melhorias com o comprometimento

    do pblico escolar.

  • 15

    Como visto, as estratgias apontadas nas escolas apresentadas no documentrio

    como determinantes para a melhora na qualidade das escolas, so as mesmas apontadas

    por estudiosos que discutem educao. Ento por que no h tal mudana em todo

    cenrio educacional do pas?

    Segundo Abramovay (2013) em seu livro publicado com o objetivo de relatar

    uma srie de experincias que veem sendo realizadas em diversas escolas pblicas

    brasileiras, a mudana exige esforos de vrios sujeitos:

    Apesar de aparentemente simples, a realizao das prticas desenvolvidas por

    essas escolas depende de uma srie de disposies individuais e coletivos,

    internas e externas ao universo escolar que, observadas com foco no

    cotidiano, demonstram um enorme esforo em que aparecem envolvidos

    ministrios, governos estaduais, ONGs, associaes comunitrias,

    movimentos sociais [...] (ABRAMOVAY, 2013. p. 35)

    O sucesso escolar exige um trabalho rduo, e requer tempo. Mas, nem por isso,

    devemos nos deixar levar pelo conformismo. Cada escola possui seu perfil, de

    discentes, docentes, gestores, e a comunidade em torno da escola que tambm traa suas

    particularidades e exigncias. Citado por estudo Abramovay (2003), como uma das

    principais causas para o insucesso escolar, a falta de interesse dos alunos um fator

    preocupante. Estamos de frente a alunos do sculo XXI, com formatos de aula do sculo

    XX e salas do sculo XIX. Alunos com interesses ligados a tecnologia, com um vasto

    mundo nas mos, e a maioria das vezes no sabem usar esses meios de forma que possa

    contribuir para a sua prpria formao. O aluno no v o contedo escrito no quadro

    negro como parte do seu cotidiano, e infelizmente no compreende que todo

    conhecimento adquirido importante.

    As polticas educacionais dotam as bibliotecas de livros, e entregam aos

    professores giz, e espera-se que a educao seja salva. Discusses pedaggicas com

    falas prontas e antigas so estratgias distantes do resultado esperado. Falas com

    propostas novas, sem um embasamento terico acabam no efetivando mudanas.

    Sabe-se que a escola, ao mesmo tempo que foi projetada para atender as

    necessidades e demandas da classe trabalhadora (a partir de movimentos sociais e luta

    intensa destes), tambm atende interesses da classe dominante. Nessa perspectiva, ao

    mesmo tempo em que a educao pode promover possibilidades de transformao

    social a partir dos contedos transmitidos pela escola, tambm tem o papel de formar o

    trabalhador conformado com a ideologia da classe dominante.

  • 16

    Desse modo, o trabalhador no se posicionar como um obstculo ao

    desenvolvimento do capital, nem desenvolver uma capacidade crtica que o

    leve a questionar a explorao sofrida em decorrncia do modo de produo

    capitalista. Sendo assim, podemos afirmar que do ponto de vista dos

    interesses da classe burguesa, a pedagogia capitalista est funcionando bem e

    a educao escolar nesses moldes tem cumprido o seu papel, ou funo

    social; determinante para a sustentao da sociedade capitalista.

    Esta constatao, no entanto, nos leva a ressaltar a necessidade de que a essa

    formao seja discutida no s entre os representantes do poder econmico,

    mas por representantes de todos os setores da sociedade, inclusive, os

    representantes da classe trabalhadora. E que a busca por uma proposta de

    formao de qualidade para as classes populares deve ter como base o

    enfrentamento e a superao das contradies sociais prprias das sociedades

    capitalistas. (SOUZA, CZERNISZ, 2009. p. 609)

    A educao bsica brasileira no pode ser somente transmisso de

    conhecimento. Se compreendermos o que est previsto na Constituio, a escola a

    instituio responsvel na construo do sujeito crtico e reflexivo. A partir das leituras

    feitas para este estudo, compreendemos que o sucesso escolar ento conseguir unir o

    saber fazer e o pensar para fazer, ocasionando a prxis (ao mesmo tempo que essa

    forma esta decorrente daquela). Ou seja, apropria-se do conhecimento a ponto de no

    somente reproduzi-lo mas ter propriedade para pensar criticamente sobre o assunto.

    Acredita-se que a metodologia empregada pode desfavorecer ou favorecer a

    aprendizagem, sendo necessrio uma teoria pedaggica a fim de superar os dficits

    educacionais e sociais, como ressalta Gasparin e Petenucci (2008):

    O educador, conhecendo a teoria que sustenta a sua prtica, pode suscitar

    transformaes na conscientizao dos educandos e demais colegas,

    chegando at aos condicionantes sociais, tornando o processo ensino-

    aprendizagem em algo realmente significativo, em prol de uma educao

    transformadora, que supere os dficits educacionais e sociais atuais.

    (GASPARIN e PETENUCCI, 2008. p. 3)

    Assim, a avaliao da aprendizagem tem um papel crucial, a fim de indicar,

    direcionar, sinalizar e apontar se o ensino est sendo ou no apropriado pelo aluno.

    Outro fator importante como o professor interpreta e intervm a partir dos resultados

    das avaliaes, o que feito com tais resultados? As avaliaes realmente foram

    capazes de detectar se o aluno tem os conhecimentos mnimos daquele contedo?

    A avaliao que temos atualmente na maioria das escolas brasileira ainda tem

    indcios de propostas pedaggicas h muito superadas na histria: a pedagogia jesutica,

    que aponta o momento da avaliao uma ocasio solene com rituais para as provas e

    exames; a pedagogia comeniana, que encara a avaliao como uma forma do professor

    deter a ateno dos alunos, em que o medo era uma forma de fazer com que os alunos se

  • 17

    dedicassem mais aos estudos; e a sociedade burguesa, tratava a educao como o

    mecanismo de controle (LUCKESI, 2011).

    Apesar da passagem do tempo, pouco se modificou o formato das avaliaes

    das instituies escolares nacionais. A nota ainda entendida como representao de

    sucesso do processo ensino-aprendizagem, o que faz com ela seja somente uma

    passagem para o aluno terminar o ano letivo aprovado.

    Estando a atual prtica da avaliao educacional escolar a servio de um

    entendimento terico conservador da sociedade e da educao, para propor o

    rompimento dos seus limites, que o que procuramos fazer, temos de

    necessariamente situ-la num outro contexto pedaggico, ou seja, temos de,

    opostamente, colocar a avaliao escolar a servio de uma pedagogia que

    entenda e esteja preocupada com a educao como mecanismo de

    transformao social. (LUCKESI, 2011. p. 28)

    A partir dos conceitos defendidos por Luckesi (2011. p. 35), a avaliao

    classificatria vem como instrumento esttico e frenador do processo de crescimento.

    Nesta, o professor avalia os alunos a partir do enquadramento que ele almeja. Aspectos

    relevantes e irrelevantes podem variar em uma avaliao especificamente na

    distribuio de pontos e elaborao das questes, como o humor do professor, a

    disciplina ou indisciplina da turma. Os bons alunos, dificilmente deixaro de ser bons,

    e os alunos ruins dificilmente deixaro de serem ruins. O autoritarismo que avaliao

    classificatria permite, faz com que a fidedignidade dos resultados seja duvidosa.

    A presso acerca da avaliao um fenmeno comum, a busca por

    resultados positivos torna-se um fetiche, cobiado pelo sistema, e pela sociedade.

    Ignora-se a trajetria para aquele resultado. Tendo em vista atitudes comuns nas escolas,

    Luckesi (2011) prope uma reflexo: o professor, infeliz pela indisciplina de uma

    turma, elabora uma prova com questes que considera difcil, pretendendo que na

    unidade posterior os alunos levaro o contedo e as aulas a srio e buscaro se dedicar

    mais. Em tal prova, os alunos tm notas extremamente baixas e ficam de recuperao, e

    nesta, vo bem (nota suficiente para serem aprovados), porm como era uma

    recuperao, a mdia aritmtica que lanada ao histrico. Analisemos ento o fato: a

    nota lanada no retrata a realidade do aluno. A primeira nota advm de uma prova na

    qual ele no estava preparado para fazer, mesmo que tenha estudado o contedo, como

    o professor elaborou a fim de punir, possivelmente no havia adquirido habilidades

    suficiente acerca do tema. J para a recuperao, o aluno procurou aprofundar-se no

    assunto e alavancou a apropriao do conhecimento. A mdia descrita no seu histrico

  • 18

    escolar no representa a dificuldade da primeira prova, nem mesmo o estudo

    aprofundado que fez para a segunda prova. Logo, observamos que a avaliao e seus

    respectivos resultados podem no representar a realidade do aluno. Este aluno seria

    classificado como mdio adquirindo a aprovao.

    A avaliao classificatria resguardar-se e atende uma lgica da sociedade

    capitalista, quanto menos educao de qualidade, capaz de fazer o aluno-cidado

    reflexivo e crtico, melhor para os segmentos dominantes:

    A avaliao educacional escolar assumida como classificatria torna-se desse

    modo, um instrumento autoritrio e frenador do desenvolvimento de todos os

    que passarem pelo ritual escolar, possibilitando a uns o acesso e

    aprofundamento no saber, a outros a estagnao ou a evaso dos meios do

    saber. Mantm-se assim a distribuio social. (LUCKESI, 2011. p. 37)

    A atual prtica de avaliao de aprendizagem no est a favor da

    democratizao do ensino. Apenas o acesso (matricula) na escola no garante educao

    sistematizada educacional de qualidade. Inmeros fatores como: evaso, qualidade do

    ensino ofertado e tambm as formas e interpretaes das avaliaes contribui para a

    manuteno da estagnao do cenrio educacional brasileiro.

    Discute-se ento que o primeiro passo para a mudana no cenrio educacional

    atual, seria a troca de avaliaes classificatrias para avaliaes diagnstica. Estas,

    segundo Luckesi (2011) constitui-se num momento dialtico do processo de avanar

    no desenvolvimento da ao, do crescimento para a autonomia, do crescimento para a

    competncia, etc.

    Para que a avaliao diagnstica seja possvel, preciso compreend-la e

    realiza-la comprometida com uma concepo de pedagogia. No caso,

    consideramos que ela deve estar comprometida com uma proposta

    pedaggica histrico-crtica, uma vez que esta concepo est preocupada

    com a perspectiva de que o educando dever apropriar-se criticamente de

    conhecimentos e habilidades necessrias realizao como sujeito crtico

    dentro desta sociedade que se caracteriza pelo modo capitalista de produo.

    A avaliao diagnstica no se prope e nem existe de uma forma solta e

    isolada. condio de sua existncia a articulao com uma concepo

    pedaggica progressista. (LUCKESI, 2011. p. 82)

    Aspirando as mudanas imprescindveis para a efetivao do sucesso escolar,

    necessrio um planejamento que seja corroborado com embasamento terico que vai ao

    encontro do objetivo e as peculiaridades do cenrio escolar.

    Vale ressaltar que a avaliao tem sua importncia no desenvolvimento da

    aprendizagem do indivduo. Porm, para que isso seja possvel, necessrio um cuidado

    em sua utilizao para que seja uma aliada ao processo educativo.

  • 19

    Quais seriam as condies para avaliar de forma que contribua para o

    desenvolvimento educacional do aluno? Uma dessas condies so os instrumentos de

    avaliao. Estes devem conter os contedos trabalhados e suas respectivas abordagens

    metodolgicas (LUCKESI, 2011). Os ndices de dificuldade e complexidade das

    questes devem ser variados (fceis, intermedirias e difceis), sem construir

    armadilhas, e sim exigncias de competncias e habilidades acerca de tal contedo.

    fundamental importncia zelar para que nos nossos instrumentos: (a)

    distingamos os que aprenderam dos que no aprenderam, sem armadilhas ou

    malabarismos externos aos contedos trabalhados (discriminao); (b)

    coletem os dados que devem coletar em relao aos contedos com os quais

    estamos trabalhando (validade), e (c) nos ofeream dados em que possamos

    confiar, de tal modo que nem ns, educadores, nem nossos educandos sejam

    enganados pela descrio por eles proporcionada (fidedignidade).

    (LUCKESI, 2011. p. 350)

    Ento, a avaliao um momento importante para a aprendizagem, ela que

    vai nos apontar o que o aluno aprendeu ou no, se precisa ser redirecionado ou j se

    pode partir para outros contedos. O professor deve deixar de lado a viso punitiva,

    muitas vezes empregada avaliao. A postura deve ser amistosa, e ter discernimento

    do que est propondo ao aplicar aquele instrumento de avaliao.

  • 20

    3 Metodologia

    Para alcanar os objetivos propostos, a forma de pesquisa adotada foi a

    bibliogrfica. A base de dados para encontrar o material bibliogrfico foi o Banco de

    Dissertaes e Teses da Coordenao de Aperfeioamento de Pessoal de Nvel Superior

    (CAPES). A palavra-chave usada para encontrar as pesquisas foi sucesso escolar;

    depois, a leitura do ttulo e do resumo dos trabalhos possibilitou delimitar as pesquisas

    que atenderiam os objetivos propostos. Os critrios para tal definio foram: estudos

    que foram feitos em escolas do ensino regular e acesso a todo a pesquisa, e no apenas

    ao seu resumo. Assim foram selecionadas 9 dissertaes; 2 no foram encontradas

    disponveis online. Os autores dessas dissertaes foram contatados por e-mail, em que

    os objetivos do trabalho foram expostos e feita a solicitao do envio dos textos, no

    entanto, no houve retorno.

    Os estudos foram analisados a partir dos seguintes aspectos: objetivos da

    pesquisa; quais estratgias foram adotadas nas escolas para possibilitar o sucesso

    escolar; a efetividade das intervenes na realidade da instituio e a concepo de

    avaliao e sucesso escolar. Para possibilitar melhor compreenso dos estudos,

    inicialmente foi feita uma breve sntese de cada um deles, e posteriormente, as anlises.

  • 21

    4 Resultados e Anlise

    Com base nos estudos utilizados neste trabalho, segue as anlises, que sero

    feitas a partir da unio de dados das produes cientificas selecionadas, das quais

    discutiremos os fatores apontados que influenciam no sucesso escolar.

    Um fato que nos chama a ateno foi que as dissertaes presentes no estudo

    foram publicadas nos anos de 2011 e 2012. Na mesma base de dados, quando

    pesquisado fracasso escolar encontramos 12 trabalhos, sendo 8 deles publicados em

    2011, e outros 4 em 2012. E ao buscar insucesso escolar, foi encontrado apenas um

    estudo, publicado no ano de 2011. Tal observao deve ser levada em conta, tendo em

    vista que a aplicao da LDB atual, que trouxe uma nova proposta educao brasileira

    foi implantada em 1996. Estudos que permeiam os efeitos das novas implantaes

    demoraram a serem discutidos e problematizados, a fim de pensar, compreender,

    investir e refletir sobre o cenrio educacional atual.

    No intuito de facilitar a compreenso, listaremos horizontalmente, ou seja,

    estudando individualmente cada documento analisado e em seguida transversalmente,

    para identificar elementos comuns a fim de cumprir os objetivos deste estudo.

    O estudo feito por Ferreira (2012) com ttulo: Organizao do cotidiano

    escolar no Ensino Fundamental de uma escola bem sucedida no municpio de Curitiba,

    selecionou a escola Fnix, a partir dos dados disponibilizados pelo INEP nos anos de

    2005, 2007, e 2009. A referida escola apresentava maior variao positiva nos

    resultados dessas avaliaes externas. Foi feito um estudo de caso, com o intuito de

    investigar o cotidiano escolar de uma escola bem sucedida em Curitiba, com o objetivo

    de analisar as caractersticas do cotidiano escolar que favoreciam o trabalho de

    professores de uma escola considerada bem sucedida (segundo avaliaes do IDEB) da

    rede municipal de Curitiba. Ferreira (2012) buscou em seu estudo compreender a

    organizao escolar a partir de resultados crescentes no IDEB. Esta escola norteava as

    prticas pedaggicas a partir dos resultados da avaliao externa.

    A autora analisou tanto documentos oficiais, quanto discursos formais e

    informais feitos por todos os agentes escolares (professoras, coordenadora pedaggica,

    diretora, vice-diretora, pedagoga, secretria, inspetor e alunos), e teve a oportunidade de

    fazer observaes no dia-a-dia da escola.

  • 22

    A escola, que faz parte da rede municipal de ensino, alcanou um dos piores

    ndices do IDEB no estado no ano de 2005, o que fez toda a gesto repensar o Projeto

    Poltico Pedaggico tendo em vista que a equipe escolar almejava uma escola com

    qualidade. A partir disso, entenderam a avaliao como um processo que valoriza a

    escola e o colocaram presente no PPP sendo aplicada durante todo o ano e de diversas

    formas. Os resultados eram utilizados para nortear as decises pedaggicas, e foram

    disponibilizados aos pais e responsveis pelos alunos. Havia uma preocupao da

    equipe escolar sobre a permanncia dos alunos na escola, evidenciada no alto ndice de

    evaso. Para minimizar tal fato, traaram a estratgia de alertar os pais sobre a

    importncia da constncia dos filhos na escola, assim, a instituio ofertava por meio de

    festas, trabalhos e palestras meios de incentivar a comunidade a permanecer na escola.

    Outra estratgia adotada pela escola Fnix ao elaborar um novo PPP, foi a postura de

    no aceitar o regime de progresso continuada. A escola entendeu que a progresso no

    possibilita alcanar as finalidades da educao escolar que a transmisso de

    conhecimento.

    Ferreira (2012) durante seu estudo pode perceber que os profissionais estavam

    articulados e toda equipe pedaggica estava ciente das propostas. A escola era um

    ambiente muito bem organizado e todos cumpriam devidamente seus horrios (gestores,

    professores, faxineiras, alunos, todos). Observou-se tambm um ambiente democrtico,

    havendo um grau de consenso entre gestores e professores, e os pais conversando com

    os professores ao longo de todo ano letivo. Nos finais de semana, a escola Fnix abria

    para atividades integradas para toda comunidade, desempenhando seu papel

    socializador.

    Este estudo analisou o sucesso escolar a partir da variao da nota publicada

    pelo IDEB, e assim, ressaltou o quanto a gesto norteia suas prticas pedaggicas acerca

    dos resultados tanto do IDEB, quanto de uma avaliao que proposta pela rede

    municipal anualmente.

    Diante do estudo do cotidiano escolar de uma escola de sucesso, Ferreira

    (2012) conclui que:

    [...] a criao de uma escola de sucesso um processo coletivo demorado no

    sentido de superar e reinventar a organizao escolar, criando uma

    comunidade aprendente. O processo de busca de uma escola de sucesso no

    pode ser abrupto e nem rpido, pois todos precisam fazer parte da mudana

    pelo dilogo aberto.

  • 23

    Para ns, uma escola de sucesso significa gestores, pedagogos e funcionrios

    que agem no sentido de tornar seus alunos seres aprendentes. (FERREIRA, 2012. p. 178-179)

    Em um estudo feito por Menezes (2011), com ttulo Aprendizagem escolar:

    concepes docentes no cenrio dos indicadores de sucesso, o enfoque foi o vis da

    concepo docente em torno da aprendizagem escolar e sua relao com as polticas

    educacionais, com indagaes do cotidiano, buscando construir um conhecimento

    sistematizado. Menezes (2011) pesquisou as concepes docentes em torno da

    aprendizagem escolar e sua relao com as polticas educacionais. Questionou os

    professores sobre quais as aes da escola, as mudanas que foram feitas e as

    implicaes que a nota teve no que j era proposto pedagogicamente.

    Partimos da compreenso de que o momento atual incide em constantes e

    aceleradas mudanas frente ao complexo fenmeno do conhecimento

    humano. Novos olhares acerca do que aprender so postos em xeque

    sob a gide das orientaes e paradigmas circunscritos na perspectiva da

    qualidade e atravessados pelo vis dos indicadores de sucesso. (MENEZES,

    2011. p. 16)

    A partir de tais objetivos, foi feito um estudo de caso em duas escolas

    municipais de Sobral no estado do Cear: Escola de Ensino Fundamental Jos da Mata e

    Silva e a Escola Raimundo Santana. A escolha das escolas foi feita a partir dos dados

    disponibilizados pelo IDEB do ano de 2009, sendo representantes do maior e do menor

    ndices, respectivamente, no estado do Cear.

    A coleta de dados foi feita a partir de entrevista semiestruturada,

    posteriormente uma anlise documental, e os sujeitos participantes foram 5 professoras,

    regentes no 5 ano, das duas escolas investigadas.

    Diante dos desafios e novas demandas de aprendizagem, a formao

    continuada foi vista como um fator importante. Ela vem com o intuito de romper

    modelos pouco eficazes, preencher falhas, e a partir disso cumprir as demandas

    educacionais. Assim, o municpio de Sobral oferecia aos docentes da rede de ensino

    cursos e encontros que discutiam estratgias de ensino, metodologias.

    Ao ouvir os sujeitos pesquisados, Menezes (2011) deparou-se com discursos

    sobre as concepes de aprendizagem que estavam relacionadas ao vencer na vida. E

    assinalaram que resultados positivos eram vistos em provas. Apenas uma das

    professoras entrevistadas apontou trocas e descobertas, como concepo de

  • 24

    aprendizagem. A autora ressalta ento, uma vaga concepo sobre o aprender por parte

    das professoras pesquisadas de ambas escolas.

    Quando questionadas a citar fatores que interferem de modo positivo na

    aprendizagem, trs das cinco entrevistadas apontaram a participao familiar, e

    justificaram esse apontamento ressaltando que quando a famlia no se faz presente na

    vida do aluno, a escola assume este papel e assim perde a sua caracterstica funcional. A

    afetividade entre professor e aluno tambm foi destacado pelas professoras como um

    fator favorvel a aprendizagem. Uma professora sinalizou como fator desfavorvel a

    aprendizagem voltada as metas de avaliaes externas. A partir de tais relatos, Menezes

    (2011) pode perceber que:

    [...]os fatores tanto favorveis quanto desfavorveis esto pontuados, em sua

    maioria, a partir dos aspectos extrnsecos ao sujeito: famlia, prticas de

    reforo escolar, elogios, agrados e recompensas. Observamos que os

    fatores levantados pelas professoras revelam uma compreenso voltada s

    aes prticas do cotidiano escolar, sem articulao com os fatores

    intrnsecos ao prprio aprendiz. De acordo com Vigotski (2000), o que move

    o sujeito na direo do aprender so tambm os seus desejos, interesses e

    intencionalidades em direo ao mundo de significados culturais.

    (MENEZES, 2011. p. 102-103)

    Apesar disso, a maioria compactua que as avaliaes externas so medidores

    de competncia do trabalho realizado na escola.

    A integrao entre gesto e docentes, e estes entre si foi atribudo ao resultado

    obtido pelas escolas, tanto positivo quanto negativo. A presso de resultados e metas de

    cada escola descentralizada e cada uma tem sua responsabilidade sobre aquele fruto.

    Na escola com resultados negativos, as notas foram compreendidas pelos professores

    como algo que os desmotiva e os rotulam como culpados; j na escola com resultados

    positivos, os professores sentem-se indiferentes a eles.

    Assim, Menezes (2011) ressalva:

    Sob esse enfoque as palavras que melhor definem Sucesso Escolar a partir

    dos discursos das professoras so: aprendizagem, bons resultados,

    competio, premiao. Quanto s caractersticas levantadas pelas docentes

    podemos inferir uma interpretao subjetiva. O pluralismo dos termos

    descritos esto associados ao sucesso de um aprendizado desejado, sendo

    estes produzidos em contextos socialmente situados. (MENEZES, 2011. p.

    111)

    Diante do estudo, a autora busca ento uma reflexo em torno da viso dos

    resultados da avaliao do IDEB, como so vistas e usadas pela escola. No negar os

  • 25

    resultados obtidos, mas repensar sobre sua devida importncia, bem como rever os

    cursos e discusses da formao continuada e o conceito de aprendizagem.

    A partir de indagaes retiradas de um resultado positivo crescente nos anos de

    2009 e 2011, obtido por uma escola estadual no Estado do Rio de Janeiro, Neves

    (2012), desenvolveu uma pesquisa com ttulo: IDEB: O caso de sucesso de uma escola

    do interior do Estado do Rio de Janeiro com o objetivo de identificar os fatores que

    conduziram ao resultado, para, posteriormente sistematiza-los e registrar as boas

    prticas [...]. As estratgias apontadas pela gesto para a aquisio desse sucesso so

    peculiares, procuraram mobilizar toda comunidade escolar para juntos trabalharem a

    busca de melhores notas no IDEB e do SAERJ (Sistema de Avaliao da Educao do

    Estado do Rio de Janeiro).

    A escola pesquisada, aps o receber o resultado do IDEB de 2007 com uma

    nota abaixo do esperado, comeou a conduzir as prticas pedaggicas voltadas a elevar

    a nota. Comprometeram-se a discutir e identificar as fragilidades do processo ensino-

    aprendizagem dos alunos, para aumentar as notas no IDEB.

    Os seguintes pontos foram apontados, nessa ordem, pelo gestor: a) a

    desmotivao dos alunos do terceiro turno; b) a participao muito tmida de

    alunos nas atividades propostas pela escola; c) a rotina de pais que s

    compareciam escola para ouvirem reclamaes sobre seus filhos ou para

    reclamar da educao ofertada pela escola; d) a falta de um currculo por

    disciplina por srie ou ano de escolaridade; e) a inexistncia de colegiados

    fortes na escola, que pudessem ser representantes dos diversos atores. Cada

    um desses elementos recebeu ateno por parte de toda a equipe gestora

    (diretor, diretora adjunta, coordenadora pedaggica), bem como foram, ao

    longo do processo, identificados outros fatores que mereciam ateno.

    (NEVES, 2012. P. 46)

    Desse modo, a escola direcionou todos os agentes para resolver estas

    questes. Outro aspecto relevante foi a ao da escola em inserir simulados e questes

    de mltipla escolha para que os alunos se familiarizassem com as avaliaes de larga

    escala. A escola incentivou, apesar de no ser um projeto institucionalizado, os

    professores de Lngua Portuguesa e Matemtica a prtica de aulas extras em datas

    prximas as provas no contra turno escolar para alunos com dificuldades nos contedos.

    J os outros professores das reas que no so avaliadas reforavam trabalhos de leitura

    e interpretao em suas reas de atuao.

    No ano de 2009, em reunio entre os professores e a direo, tomaram uma

    deciso conjunta de adotar um Plano de Curso. Anteriormente a este acordo, os

    professores faziam o planejamento de forma individual, depois passaram a faz-lo em

  • 26

    conjunto de modo que o contedo era o mesmo para os anos escolares iguais, porm

    como ia ser trabalhado de acordo com as caractersticas de cada turma, ficava a cargo do

    professor as adaptaes necessrias.

    A criao do Grmio Estudantil na escola visou aumentar a participao dos

    alunos em eventos promovidos pelos mesmos e pela instituio, assim, os pais tambm

    comearam a ter uma participao efetiva nos eventos, e no s em reunies para

    reclamaes.

    A evaso dos alunos do terceiro turno muitas vezes se dava por estes serem

    agricultores e tinham a necessidade de buscar uma remunerao, assim, no perodo da

    colheita no se faziam presentes nas aulas. A partir dessa particularidade e devido ao

    nmero de alunos que tinham essa necessidade ser considervel, a gesto dialogou e

    tratou esses alunos de forma diferenciada, que foi uma flexibilidade nos prazos dos

    trabalhos a serem entregues.

    Neves (2012) constatou que as aes da escola estimulavam almejo de notas

    elevadas nas avaliaes externas. As aes pedaggicas da escola eram formuladas a

    partir das publicaes dos resultados destas avaliaes. Como forma de incentivar os

    alunos, ofertaram premiao; aos pais, sorteavam cestas bsicas aos que estavam

    presentes nas reunies. Mais que o contentamento de uma boa nota, eram oferecidos

    propostas e premiaes individuais.

    A escola ofereceu um bnus aos trs alunos com as melhores mdias na

    soma da nota das disciplinas. A instituio tambm ofereceu a estes uma viagem com

    transporte e alimentao paga pela mesma, e a Secretaria de Educao do Rio de

    Janeiro, premiou aos melhores resultados do estado em Lngua Portuguesa e

    Matemtica com laptops.

    Se nas avaliaes internas as atribuies acerca do erro j trazem incomodo aos

    alunos, como o medo e a ansiedade, estratgias que classificam os que erraram menos e

    obtiveram melhor nota s potencializam este efeito. O erro um fator importante na

    progresso da aprendizagem, ele um dado. Se o aluno errou uma questo da avaliao

    proposta, o professor precisa atentar-se o que propiciou este erro: metodologia do

    ensino, abordagem da questo proposta, falta de habilidades e competncias sobre a

    apropriao do conhecimento pelo aluno, desateno.

  • 27

    Neves (2012) constatou que a Secretaria Estadual de Educao do Estado do Rio

    de Janeiro, junto ao Instituto de Desenvolvimento Gerencial, desenvolveu um plano de

    ao visando que as escolas do Rio de Janeiro atingissem as metas, para o estado ficar

    entre os cinco melhores em nota no IDEB de 2014. Isso refora ainda mais a

    importncia da avaliao externa e seus resultados, tendo em vista que a escola trabalha

    de acordo com eles. Mais uma vez, as avaliaes externas no so vistas como

    indicadores e sim como norteadores das prticas pedaggicas.

    A gesto democrtica tambm foi sinalizada como fator crucial para a melhora

    nos resultados da escola. A participao ativa do grmio, dos professores, e de toda

    comunidade escolar aliado a gesto fez com que o trabalho fosse mais eficaz para o

    aumento da nota no IDEB.

    Maia (2012) investigou em duas escolas pblicas da rede estadual da

    Superintendncia Regional de Ensino de Montes Claros a contribuio dos

    reagrupamentos temporrios enquanto estratgia de interveno para a promoo da

    aprendizagem, em turmas de alfabetizao do 3 ano de escolaridade, destacando o

    papel da gesto na conduo da poltica. A seleo das escolas foi feita a partir de um

    resultado satisfatrio no PROALFA (Avaliao da Rede Pblica de Educao Bsica)

    aps a interveno.

    A interveno foi feita a partir de um pacto entre a SRE/MG (Superintendncia

    Regional de Ensino de Minas Gerais) e as duas escolas, assim deveriam elaborar um

    plano de interveno que melhorasse os resultados apresentados no PROALFA em

    2009, tendo em vista que foi apontado que 10 ou mais alunos apresentaram nvel de

    alfabetizao baixo ou intermedirio.

    Os reagrupamentos temporrios se constituem em novas maneiras de se

    organizar os tempos e espaos escolares:

    Uma das alternativas mais valorizadas e incorporadas pelas escolas, face

    s dificuldades sinalizadas na anlise dos resultados das avaliaes, tem

    consistido no reagrupamento temporrio dos alunos, como uma

    importante estratgia de organizao do trabalho pedaggico. Nesse

    sentido, a sala de aula pode ser concebida como um espao dinmico e

    produtivo, onde a diversidade, longe de ser um entrave, entendida como

    oportunidade de enriquecimento e aprendizagem. Os reagrupamentos

    temporrios so, portanto, novas maneiras de se organizar os tempos e

    espaos escolares, agrupando de diversas formas os alunos que no

    consolidaram as capacidades previstas de leitura e escrita, em

    determinado ano de escolaridade, com atendimento e currculo

    diferenciados. (MAIA, 2012. p. 16)

  • 28

    A escola possua trs turmas no 3 ano, e a partir do segundo semestre

    de 2010 a diretora optou pela adoo dos reagrupamentos temporrios.

    Anteriormente, as trs turmas eram heterogneas, ou seja, apresentavam alunos com

    dificuldade de aprendizagem. Conforme os registros analisados as turmas foram

    reagrupadas de acordo com seu nvel de desempenho (nota). Foram divididas em trs

    turmas, sendo com alto ndice, intermedirio e baixo ndice de desempenho.

    Os dados encontrados demonstram que o papel do diretor na conduo da

    poltica fundamental, tendo em vista a dimenso pedaggica da gesto, junto a

    participao das famlias. As reunies com os pais ou responsveis passaram a ter um

    cronograma, entregue previamente aos mesmos, tornando mais efetivo a participao,

    haja vista que anteriormente eram raros os encontros com os pais e poucos

    participavam.

    Durante a interveno foi feita uma proposta aos gestores, professores e

    supervisores: a incluso de tecnologias. O intuito desse desafio foi articular tais escolas

    a outros espaos produtores de conhecimento.

    Com bases nos elementos encontrados, Maia (2012) percebeu a necessidade de

    todos os responsveis pela alfabetizao assumirem um compromisso, e formularem

    juntos a proposta pedaggica. Concluiu tambm que os reagrupamentos temporrios,

    apesar de serem uma boa proposta poltica, ainda pouco utilizada pelas escolas da

    Superintendncia Regional de Ensino de Montes Claros, e estas instituies ainda tem

    dificuldade em compreender e assim, de implant-la.

    Outro fator que interfere na adoo da poltica est relacionado gesto

    escolar. Pude observar que nas escolas onde o perfil de liderana do diretor

    est associado dimenso pedaggica da gesto, os resultados do

    desempenho dos alunos tendem a ser melhores. Assim, o papel do diretor na

    conduo dos reagrupamentos determinante para o sucesso da poltica na

    escola. Por outro lado, no se pode atribuir a responsabilidade do fracasso

    escolar ao diretor. (MAIA, 2012. p. 104)

    Logo, a estratgia dos reagrupamentos temporrios foi decisiva para a melhora

    nos resultados do PROALFA. A mesma autora ressalta a importncia do planejamento e

    de aes pedaggicas para que seja possvel concretizar o aprendizado.

    Marques (2012), em sua pesquisa titulada Escolas bem-sucedidas: como so?

    Um estudo de caso de duas escolas pblicas do Distrito Federal teve como objetivo

    identificar, descrever e analisar as caractersticas das escolas que apresentam alto

  • 29

    desempenho do IDEB e analisar o impacto que a gesto, os docentes e a dinmica

    organizacional apresentam no rendimento dos estudantes. As escolas foram

    selecionadas a partir da mdia aritmtica das notas do IDEB de 2007 e 2009, e assim as

    duas maiores mdias foram escolhidas para serem alvos do estudo. Os gestores, os

    professores de portugus e matemtica, e os alunos, foram os sujeitos da pesquisa,

    respondendo questionrios, e dando entrevistas.

    A partir dos dados coletados, a autora fez uma caracterizao das escolas

    (contendo localizao e perfil dos alunos), e apesar das escolas serem localizadas em

    locais distintos e possurem alunos com perfil econmico diferentes, pode-se observar

    que no havia muita diferena na organizao escolar e a viso dos alunos sobre a

    instituio. Ambas as escolas e os alunos apontaram um bom conceito sobre ela.

    Marques (2012) constatou em falas dos diretores investigados que no eram

    adotados nenhuma tendncia pedaggica fixa, defendendo que todas possuem um lado

    positivo e outro negativo. Os diretores disseram que procuravam atender os alunos da

    melhor forma possvel. Porm, [...] a metodologia utilizada nas escolas contribui muito

    para o sucesso ou fracasso do processo ensino-aprendizagem (GASPARIN e

    PETENUCCI, 2008. P. 2). Em outras palavras, entender a importncias das tendncias

    pedaggicas e adot-las necessrio para a educao sistematizada. So nas tendncias

    que gestores e professores devero se apoiar e orientar. Logo, no adotar nenhuma

    tendncia implica em uma prtica baseada no empirismo. No entanto, adotar vrias, no

    orienta o professor no processo pedaggico de modo coerente, se considerar a relao

    teoria e mtodo, bem como as caractersticas dos alunos. As teorias pedaggicas

    apresentam algumas delas, diferentes concepes de aprendizagem, s vezes

    divergentes. Nisso, implica no uso de procedimentos metodolgicos que podem no

    condizer com a concepo de aprendizagem, buscando a prtica pedaggica sem

    fundamento slido.

    Toda populao pesquisada (alunos, professores e gestores) sinalizavam que o

    principal fator que contribuiu para o sucesso das escolas foram os professores. Os

    professores utilizavam de diversas tcnicas pedaggicas e avaliavam os alunos

    diariamente a cada contedo trabalhado. Outro fator apontado pelas duas escolas foram

    o tempo de gesto, em uma delas j estava ativa h seis anos e a outra escola h nove

    anos, e de acordo com alunos e professores, as equipes eram aprovadas, dedicadas s

  • 30

    escolas e carismtica, o que foi confirmado pela observao da autora, percebendo a

    gesto presente.

    O clima de segurana da escola e a disciplina foram fatores citados pela

    populao pesquisada. Inclusive os alunos relataram no ser comum presenciar brigas

    em sala de aula e nem mesmo no ptio. Marques (2012) ressalta que observando os

    intervalos percebeu uma diferena, tendo em vista outras escolas. Os alunos, no

    momento do intervalo, formavam-se pequenos grupos, conversavam, jogavam jogos

    eletrnicos, ouviam msica, o que evidenciou o clima amistoso.

    Ambas as escolas apresentavam um espao fsico precrio, uma delas no havia

    quadra para as aulas de educao fsica e a outra possua uma pequena.

    Foi explicitado que o grau de escolaridade dos pais e o interesse na vida escolar

    dos filhos foi outro fator de suma importncia para que as escolas fossem bem-

    sucedidas, os alunos relataram que maioria dos pais cursaram Ensino Mdio completo, e

    muitos o Ensino Superior. Os professores apontaram ausncia dos pais na escola, porm

    relataram que os pais acompanhavam as atividades escolares dos filhos, e havia

    vigilncia.

    A autora afirma que as escolas no somente apresentavam um alto ndice no

    IDEB, mas tambm atuavam preocupadas com o desenvolvimento integral do aluno, e a

    apropriao do conhecimento.

    As escolas pesquisadas apresentam boas prticas pedaggicas, so

    organizadas e primam pela disciplina. Tais escolas so consideradas bem-

    sucedidas, no s pelos ndices conquistados no IDEB, tendo em vista que

    este indicador serviu como parmetro para encontrar escolas que se destacam

    na rede, e sim por suas prticas e principalmente pelo esforo e

    comprometimento dos seus docentes e gestores. A partir do incio da coleta

    de dados, tal ndice foi esquecido e a ideia era imergir no cotidiano da escola

    e verificar qualitativamente o que elas possuam de diferencial e se mereciam

    tal mrito conquistado. (MARQUES, 2012. p. 94.)

    Com base nos dados disponveis pela SRE/MG sobre os resultados do

    PROALFA e do PROEB, Schattner (2012) identificou um problema na educao

    mineira: apesar dos alunos apresentarem bons resultados na prova do PROALFA

    (realizado no 3 ano), no apresentavam uma melhora significativa nas habilidades de

    leitura, quando avaliados com o PROEB (realizada no 5 ano). Assim, iniciou um

    trabalho na Superintendncia Regional de Ensino de Governador Valadares, analisando

    os resultados das escolas da rede. A escolha da escola foi feita por apesar de apresentar

  • 31

    baixos resultados no PROALFA (2007 e 2008), conseguiu uma melhora significativa no

    PROEB (2009 e 2010), o que vai na contramo aos resultados a nvel estadual.

    O estudo foi titulado Avaliao em dois momentos nos anos iniciais do

    Ensino Fundamental: estudo de caso de uma escola eficaz. O objetivo da pesquisa foi

    identificar o que foi feito para que a escola mudasse os resultados, e como as notas das

    avaliaes externas norteavam a gesto.

    Os sujeitos e os instrumentos de pesquisa foram: entrevista semiestruturada

    junto ao diretor, aplicao de questionrio aos professores, participao da autora em

    uma reunio para a divulgao da pesquisa aos docentes e anlise documental.

    Nas entrevistas, Stchattner (2012) identificou que a diretora j estava no cargo

    desde o ano de 2002, e atribuiu o sucesso nas avaliaes aos professores, disse que tinha

    uma equipe competente, compreendiam que o planejamento era de responsabilidade de

    todos. Quanto ao planejamento, afirmou que no esperavam os resultados das

    avaliaes externas para que fizessem intervenes. Quando um grupo de alunos no

    conseguia adquirir as habilidades de algum contedo, os professores faziam um

    agrupamento temporrio na qual os alunos que apresentavam dificuldade ficavam em

    aula at conseguir alcanar a outra parte da turma.

    A partir dos dados encontrados no questionrio, reforados nas afirmaes da

    diretora, houve uma mobilizao e preocupao com o planejamento dos contedos que

    seriam trabalhados e aos alunos que apresentavam defasagem de aprendizagem.

    Observou-se que a articulao entre a equipe gestora e a equipe docente era presente na

    escola, o que facilitava as aes.

    A anlise documental foi feita para que pudesse identificar se os alunos que

    fizeram a prova do PROALFA eram os mesmos alunos que realizaram a prova do

    PROEB. Em 2007 o 3 ano tinha 77 alunos avaliados pelo PROALFA, desses 47

    estavam no 5 ano em 2009, dos 75 alunos foram que avaliados pelo PROEB.

    Stchattner (2012), conclui que a dinmica da escola pesquisada prioriza o

    planejamento, e havia preocupao com a aprendizagem dos alunos e isso contribuiu

    para o sucesso da escola nos resultados frente as avaliaes externas.

    Portanto, diante desta anlise da pesquisa de campo, confirma-se o que os

    dados demonstram: a Escola Estadual Israel Pinheiro vem fazendo a

    diferena na vida de seus alunos, e para tanto no so aes que demandam

  • 32

    grandes recursos, tcnicos ou financeiros, e sim atitudes dirias, j

    incorporadas ao cotidiano escolar. E o papel da gesto escolar tem sido

    fundamental nestas atitudes, principalmente no que diz respeito a coordenar o

    planejamento e garantir que as aes planejadas sejam de fato

    implementadas. O docente confia na gesto desta escola e se sente seguro em

    planejar, uma vez que pode confiar no apoio recebido. Alm das expectativas

    positivas que a escola tem em relao ao aluno, uma vez que coloca o

    problema da no aprendizagem na forma ineficaz de ensinar, mudando a

    metodologia, tem-se aprendizagem, portanto os alunos aprendem na medida

    em que so criadas diversas estratgias de aprendizagem. (STCHATTNER,

    2012. p. 64)

    Ao final do estudo, de acordo com o que foi observado, a autora prope um

    Plano de Ao Educacional, sugerindo um Guia de Planejamento a fim de subsidiar

    aes escolares buscando a eficincia encontrada na Escola Estadual Israel Pinheiro.

    Galvo (2012) em uma pesquisa com ttulo As aes de gesto escolar que

    garantem o sucesso na implementao de uma poltica pblica e impactam no

    desempenho dos alunos: experincias de escolas mineiras teve como objetivo analisar

    como a gesto escolar de duas escolas pblicas do Estado de Minas Gerais/Brasil, que

    alcanaram bons resultados nas avaliaes externas (GALVO, 2012. p. 8). O enfoque

    foi em como a gesto influenciou na implementao do Programa de Interveno

    Pedaggica (PIP) e o impacto deste no desempenho dos alunos.

    A escolha das escolas investigadas foi feita atravs dos resultados do

    PROALFA/SIMAVE/2010 e IDEB/2009, sendo escolhidas duas escolas que

    apresentavam melhores resultados. A princpio a autora iria estudar somente uma

    escola, mas com o intuito de confirmar as informaes encontradas, optou por

    investigar outra escola com perfil socioeconmico similar.

    O PIP um programa criado a partir da necessidade de intervenes pelas

    notas divulgadas pelo SIMAVE (Sistema de Avaliao da Educao Bsica), que o

    sistema de avaliao do Estado de Minas Gerais. Entretanto, o PIP necessita da

    coordenao da gesto para ser presente nas escolas, evidenciando a importncia do

    diretor.

    De acordo com os dados coletados, Galvo (2012) concluiu que a presena

    ativa do diretor frente as propostas da escola eram de suma importncia, tendo em vista

    que ele tem a funo de liderar, mediar o dilogo e impulsionar os profissionais

    envolvidos. O dilogo, conhecer a prtica dos envolvidos e influenciar positivamente

    neste processo, funo do gestor. Galvo (2012) ressalta ainda, que a gesto

  • 33

    democrtica uma das dimenses responsveis pelo bom desempenho dos alunos e

    das escolas pesquisadas (GALVO, 2012. p. 105).

    A partir da sntese dos estudos acima, iremos sistematizar e refletir sobre o

    sucesso escolar. Todos os estudos chegaram s suas respectivas escolas alvo de estudo

    por meio da divulgao dos resultados de avaliaes externas.

    Sabe-se que tais provas foram criadas a fim de diagnosticar a situao da

    educao no Brasil, porm, o formato e a tomada de deciso a partir delas faz com que

    seja uma avaliao apenas classificatria, que rotula as escolas por meio das mdias

    alcanadas. Essas notas ficam expostas na entrada das escolas bem avaliadas. Nenhum

    dos estudos citados adotaram como referncia no mbito da avaliao o mesmo autor

    que nos apropriamos neste estudo, porm alguns deles compactuam com determinados

    aspectos de avaliar apontadas por Luckesi (2011).

    QUADRO 1 Concepo de avaliao dos autores analisados

    Concepo de avaliao Autores

    Sem concepo explicita Galvo (2012)

    Avaliaes classificatrias Neves (2012), Marques (2012), Maia (2012)

    Avaliaes diagnsticas Ferreira (2012), Schatnner (2012), Menezes (2011)

    Como podemos observar no quadro acima, trs autoras compactuam com as

    avaliaes classificatrias e adota tal concepo em seus estudos, outras trs autoras

    seguiram a concepo das avaliaes diagnsticas. Apenas uma autora no explicitou

    uma linha de concepo de avaliao (Galvo, 2012), no entanto, o parmetro para ela

    do bom desempenho foi as avaliaes externas, e a partir delas as intervenes foram

    construdas. Dessa forma, as avaliaes externas passam a ser as diretrizes das aes

    pedaggicas, logo, podemos afirmar que tal concepo se aproxima da avaliao

    classificatria. Nesses casos, crucial a percepo da gesto escolar sobre as notas das

    avaliaes externas. O modo na qual a gesto explicita e age tendo em vista as notas da

    escola, pode contribuir para as futuras aes.

    Neves (2012) evidencia a melhora na eficcia das escolas brasileira atravs de

    dados publicados pelo IDEB, o que compe o ideal de avaliaes classificatrias.

    A instituio das avaliaes nas redes, em especial estaduais, fez com que

    muitas escolas pudessem observar o prprio desempenho atravs de padres

  • 34

    generalizveis. As avaliaes permitem ainda que se analisem os resultados

    ao longo dos tempos: assim, a escola pode acompanhar o prprio

    desenvolvimento. (NEVES, 2012. p. 23)

    Marques (2012) segue que, para uma escola ser eficaz, necessita atender as

    expectativas da sociedade, logo, precisa cumprir as metas das avaliaes externas, ter

    um alto ndice de aprovao em vestibulares. Dessa forma, vai ao encontro das

    avaliaes classificatrias.

    Para Maia (2012) a eficcia se manifestava a partir das avaliaes externas.

    Desse modo, as aes das escolas foram feitas a partir de ndices apontados pelo

    PROALFA, o que compactua com a ideia das avaliaes classificatrias. Utilizando

    desse parmetro, a escola se prope a uma anlise superficial da aprendizagem dos

    alunos, que adotado pela Secretaria de Educao.

    A escola eficaz deve monitorar aes cotidianas, essa a concepo adotada

    por Schatnner (2012). Entende-se que a avaliao um processo contnuo, que exige

    planejamento.

    No funo do monitoramento e avaliao, de forma alguma, ser utilizado

    como forma de constrangimento ao docente e ou aluno, a funo principal

    acompanhar como as aes esto sendo executados e se esto sendo

    eficientes (SCHATNNER, 2012. p. 79)

    Observa-se semelhana na concepo de avaliao diagnstica de Luckesi

    (2011), que a avaliao necessita ser discutida e precisa ser instrumento facilitador que

    visa melhorar a aprendizagem.

    Ferreira (2012) vai ao encontro da ideia que para mensurar a qualidade e

    eficcia de uma escola no depende somente de uma avaliao externa, e sim de

    avaliaes externas articuladas s avaliaes internas do cotidiano escolar. Logo,

    compreende-se que avaliao externa no pode ser a nica para mensurar se a escola

    de qualidade, nem tomada como nico parmetro para identificar a aprendizagem dos

    alunos.

    Assim, as avaliaes em larga escala devem ser compreendidas como meio

    pela qual as escolas demonstram seus esforos para melhorar a qualidade da

    educao e no como uma via para melhorar os resultados de provas e

    rendimentos dos educandos. (FERREIRA, 2012. p. 97)

    Menezes (2011) ressalta a contradio presente no sistema educacional brasileiro.

    Diante das polticas educacionais, que defendem que o professor deve ser o mediador do

    conhecimento, considera que as prticas pedaggicas no so neutras e que as

    avaliaes no consideram tais fatos. O modelo atual das avaliaes externas no

    considera o processo de aprendizagem, o que importa somente o produto final, e assim

    publica-se se as escolas so boas ou ruins.

  • 35

    O ensino que, por sua vez, se baseia na estruturao de recursos externos

    como principais promotores de aprendizagem, coaduna com um vis

    tecnicista em que os resultados e comportamentos devem ser claramente

    observveis e medidos para promover a eficincia. Essa prtica induz uma

    conotao positivista cujo foco passa a ser a quantidade e o produto,

    verificados ao final de um processo. Se formos interpelados pela noo de

    que avaliar apenas atribuir valor, a mudana que se opera em torno da

    aprendizagem no se d apenas num aspecto material, mas num plano

    simblico permeado de atribuies e significados que conduziro os

    processos educativos. Nesse sentido, a concentrao maior se volta aos

    instrumentos e s medidas, respaldadas em representaes quantificadas

    inerentes ao processo de aprender. (MENEZES, 2011. p. 80)

    Como vimos, o foco principal fica sendo um mesmo tipo de instrumento de

    avaliao, o que sobretudo no deixa de ser um fator importante, porm este no deve

    ser considerado o nico meio de avaliao da aprendizagem. A autora converge com a

    avaliao diagnstica, como instrumento para detectar possveis falhas na

    aprendizagem, sem ser punitiva.

    As formas de encontrar as escolas a serem estudadas foram anlogas (atravs

    de resultados publicados de avaliaes externas), apesar disso as formas na qual as

    autoras abordaram o assunto foi diferente.

    Luckesi (2011) compreende que os instrumentos de avaliao devem ser

    construdos a partir das metodologias na qual os contedos foram apresentados aos

    alunos. Deve-se levar em conta se a complexidade das habilidades e competncias

    foram realmente proporcionadas aos alunos. As avaliaes externas so de larga escala,

    e como j dito, superficiais, um dos motivos no qual faz ter essas caractersticas e serem

    to distantes dos contedos presentes nas escolas. Apesar da existncia dos Parmetros

    Curriculares Nacionais, sabe-se que nem sempre os alunos tm a possibilidade de ter

    contato com todas as unidades presentes.

    A partir do exposto observamos a unanimidade na adoo das avaliaes

    externas, porm h variao em quais delas foram utilizadas. Dos sete estudos

    analisados, quatro deles utilizaram dos dados disponibilizados pelo IDEB.

    QUADRO 2 Avaliao externa adotada pelos autores analisados

    Avaliao Autores

    IDEB Marques (2012), Ferreira (2012), Menezes (2011) Neves

    (2012).

    Avaliaes estaduais Neves (2012), Galvo (2012)

    PROEB e PROALFA Schattner (2012), Maia (2012).

  • 36

    Quando analisamos os planos de interveno que as escolas sinalizaram como

    fator importante para os resultados obtidos, percebemos o quanto as notas das

    avaliaes internas so impostas e no compreendidas como indicadores.

    QUADRO 3 Sujeitos diretamente envolvidos nas intervenes pedaggicas nas escolas alvo

    dos estudos.

    Sujeitos participantes das

    intervenes Autores

    Gesto Schattner (2012); Marques (2012); Maia (2012);

    Galvo (2012), Ferreira (2012).

    Professores Schattner (2012); Marques (2012); Ferreira (2012);

    Galvo (2012); Neves (2012), Maia (2012).

    Pais Ferreira (2012); Neves (2012).

    Alunos Maia (2012); Galvo (2012); Ferreira (2012).

    Nos estudos, de modo geral, acredita-se na fidedignidade da nota para descrever

    a real aprendizagem dos alunos. Nas duas escolas investigadas por Marques (2012) e a

    instituio analisada por Schattner (2012) sinalizam que as aes pedaggicas so

    discutidas entre a gesto e os professores, e so norteadas a partir das peculiaridades de

    desenvolvimento da aprendizagem das turmas. Ambos os estudos observaram que as

    escolas sinalizam preocupar com o planejamento, dilogo e apropriao do

    conhecimento.

    A escola investigada por Ferreira (2012) direciona, aps uma nota insatisfatria

    em uma avaliao externa, professores, pais e alunos empenhar-se em uma proposta de

    interveno a fim de modificar esta realidade. Nessa perspectiva, ser que era necessria

    uma avaliao externa para apontar que a escola apresentava srios problemas? Foi

    necessrio um rtulo negativo para que se empenhassem em almejar mudanas. Dessa

    forma, no se apropria do resultado como apenas um indicador, e sim como um ditador

    de aes, alm de ser um agente externo.

    Maia (2012) analisou a melhora dos resultados em duas escolas a partir de um

    plano de interveno proposto pela Superintendncia Regional de Ensino, e executado

    pelas equipes gestoras. A interveno foi que reagrupasse os alunos em tempos e

    espaos diferentes, de forma que aqueles com defasagem de leitura e escrita pudessem

  • 37

    ser remanejados para currculos diferenciados. Tais estratgias foram adotadas a partir

    do Programa de Interveno Pedaggica (PIP)/ Alfabetizao no Tempo Certo. Diante

    do programa, as escolas com menores ndices de desempenho no PROALFA foram

    escolhidas para a implantao da proposta. Embora apresente orientaes gerais, cada

    escola tinha autonomia para adaptar a sua realidade.

    As turmas anteriormente a interveno eram heterogneas, ou seja,

    apresentavam alunos com baixo, intermedirio e alto desempenho. Assim, foi elaborado

    uma prova, a partir do PROALFA para reagrupar os alunos, e dessa forma o

    subdividiram. Os alunos eram reagrupados durante duas vezes por semana, por um

    semestre durante o horrio regular. Ao final da proposta de interveno, os alunos

    alcanaram as metas proposta na PROALFA, sendo interpretado esse resultado como

    melhora na leitura e na escrita. Depois do alcance das metas, as turmas retomaram

    regulares. Essa diviso dos alunos de separar os habilidosos dos no habilidosos,

    potencializa a ideia de classificao, na qual os alunos so agrupados de acordo com sua

    nota a partir de uma avaliao.

    Considerando os objetivos da anlise de Menezes (2011), no foi descrito

    planos de interveno. Diante dos dados, se percebe que o planejamento da escola

    ocorreu atravs das publicaes dos resultados das avaliaes externas. A autora,

    considerando as falas das professoras entrevistadas, percebeu o quanto so apontadas

    como responsveis pelo sucesso e pelo fracasso, e o quanto isso influenciava nas aes

    pedaggicas. Como j citamos, as avaliaes externas foram criadas a fim de ser

    indicadoras de qualidade, porm, se so percebidas como resultados mais ou menos

    precisos e inicia-se uma busca por culpados, deixa de ser indicador e passa a ser rtulo.

    O peso da culpa na gesto, professores e alunos potencializa a ideia classificatria j

    existente em tais avaliaes. No ajudando no desenvolvimento da aprendizagem.

    Galvo (2012) analisou escolas mineiras que haviam implantado o Programa

    de Interveno Pedaggica iniciado em 2007, e que tinha como objetivo alfabetizar

    crianas at os 8 anos de idade. As aes do PIP eram direcionado pelas notas do

    PROALFA, logo, atuava-se para os contedos que ainda no haviam sido aprendidos

    eram o foco da aprendizagem. A autora ento partiu do pressuposto de verificar os

    resultados desta interveno, que posteriormente evidenciou um aumento nas notas

    obtidas nas avaliaes externas.

  • 38

    Neves (2012) apontou que a abordagem das aes pedaggicas foram aplicao

    de provas de mltipla escolha para que os alunos se familiarizassem com este tipo de

    avaliao que parecido com as avaliaes externas, premiao aos alunos que

    apresentassem maiores notas, sorteios de cestas bsicas nas reunies para incentivo da

    participao dos pais. Tais intervenes tinham o objetivo de aumentar a mdia da

    escola diante da publicao do IDEB. O que foge da ideia de que a avaliao uma

    forma de diagnosticar a aprendizagem e passa ser ainda mais classificatria, levando em

    conta que so premiados de acordo com o ranking.

    Fazer com que a premiao seja a precursora e motivadora s boas notas,

    condena ainda mais o erro.

    A partir do erro, na prtica escolar, desenvolve-se e refora-se no educando

    uma compreenso culposa da vida, pois, alm de ser castigado por outros,

    muitas vezes ele sofre ainda a autopunio. Ao ser reiteradamente lembrado

    da culpa, o educando no apenar sofre os castigos impostos de fora, mas

    tambm aprende mecanismos de autopunio, por supostos erros que atribui

    a si mesmo. (LUCKESI, 2011. p. 51)

    Os fatores apontados pelos estudos so anlogos, e estes podem sim contribuir

    muito para que uma escola seja bem sucedida, construindo um aluno-cidado,

    propiciando apropriao do conhecimento. O planejamento e a gesto receberam

    destaque como fatores que influenciaram no sucesso, sendo de fato, essenciais para uma

    escola bem sucedida.

    No entanto, fundamental ter polticas pblicas que favoream o sucesso

    escolar. Por mais que gesto, professores, pais e alunos estejam envolvidos, o poder

    pblico necessita dar condies para que os demais atores da educao realizem de

    forma a alcanar suas finalidades. Sabe-se, porm, que o atual formato da escola, o

    caos encontrado, atende a classe dominante, como historicamente a escola pblica e

    laica possibilitou no Brasil. possvel perceber o quanto enraizado esto as ideias de

    dominao contornando o cenrio educacional at hoje.

    Entre as dcadas de 1930 e 1960, a educao no Brasil sofreu vrias alteraes

    devido a polarizao de interesses dos projetos de nao:

    A educao, por exemplo, foi palco de manifestaes ideolgicas acirradas,

    pois, desde 1932, interesses opostos vinham disputando espao no cenrio

    nacional: de um lado, a Igreja Catlica e setores conservadores pretendendo

    manter a hegemonia que mantinham historicamente na conduo da poltica

    nacional de educao; de outro, setores liberais, progressistas e at mesmo de

    esquerda, aderindo ao iderio da Escola Nova, propunham uma escola

  • 39

    pblica para todas as crianas e adolescentes dos sete aos 15 anos de idade.

    (BITTAR e BITTAR, 2012. p. 158)

    Diversas reformas no cenrio educacional foram propostas, porm, o que se

    observa que mesmo diante de tantos projetos e programas com intuito de modificar o

    sistema educacional, ainda encontramos a precariedade das escolas pblicas do pas. A

    superficialidade de apresentao dos contedos e das formas de avaliao garantem a

    manuteno da precariedade educacional no Brasil. O incentivo e leis que garantem o

    acesso educao, no conseguem garantir uma educao sistematizada efetiva. Assim,

    o sucesso escolar compreendido como o desenvolvimento e a apropriao do

    conhecimento distancia-se da realidade das escolas.

    Como diagnosticar o sucesso? As avaliaes externas so construdas a partir

    dos currculos nacionais, porm sabe-se que h escolas em que estes so distantes da

    realidade. Vimos que no discurso, so os currculos que eles devem nortear os

    professores na sua prtica pedaggica, e que cabe a estes adapt-los para a realidade

    escolar na qual frequentam. Paradoxo, tendo em vista que as avaliaes so construdas

    a partir de um currculo geral comum a todos, logo este, no trata-se de um norteador

    e sim imposio.

    Como visto, algumas autoras (FERREIRA 2012, MARQUES 2012, GALVO

    2012) sinalizaram encontrar nas escolas pesquisadas, situaes que contriburam para a

    efetivao do desenvolvimento da aprendizagem dos alunos, gestes democrticas, pais

    presentes, alunos e professores dedicados e o clima escolar favorvel. De fato, esses

    fatores no so nada extraordinrios, porm no esto presentes em todas as escolas do

    territrio nacional. H uma dificuldade de compreender que as mudanas pretendidas no

    mbito educacional brasileiro dependem de cada sujeito participante, que num coletivo

    faam aes conjuntas. Sabe-se que o espao fsico adequado de extrema importncia

    para que seja possvel todos os outros fatores, porm, somente um espao fsico de

    qualidade no far uma efetiva melhora no desenvolvimento da aprendizagem. Alm

    disso e do envolvimento de toda a comunidade escolar, fundamental polticas pblicas

    que de fato tenham a educao como processo na formao de indivduo.

  • 40

    5 Consideraes finais

    Diante dos dados explicitados neste estudo, conclumos que os objetivos foram

    alcanados pois analisamos e discutimos o sucesso escolar de algumas escolas pblicas

    brasileiras. Identificamos que o sucesso mensurado por avaliaes externas, e diante

    delas os autores alocavam as escolas em suas pesquisas. Observamos como as

    avaliaes externas so ainda muito utilizadas como parmetro e norteador das aes

    pedaggicas, e isso acarreta em aprendizagem superficial e falhas no processo

    pedaggico dos alunos.

    Compreendemos a importncia das avaliaes como parte do processo

    educativo dos indivduos. Assim, a forma de avaliar e seus resultados nortearo as aes

    pedaggicas no sentido de promover situaes que superem as dificuldades dos alunos e

    professores, logo a avaliao ajuda no processo, ou somente evidencie a dificuldade do

    aluno sem propor algo para que tenha oportunidade de melhorar. As avaliaes externas

    so classificatrias, com um objetivo de ranquear as escolas, tomar os resultados como

    condutoras das aes pedaggicas, negligencia as reais dificuldades dos alunos e dos

    professores.

    A prtica docente complexa, e detectar falhas na aprendizagem vai alm de

    uma avaliao classificatria. Dessa forma, como vimos nos estudos, a gesto tem papel

    crucial ao explicitar os resultados publicados nas avaliaes externas. Logo para

    alcanar o sucesso escolar, a gesto deve sempre nortear as aes, conduzir as prticas

    pedaggicas de acordo com os objetivos que deveria ser de formar indivduos a partir do

    conhecimento historicamente produzido e acumulado, adequar as avaliaes aos

    contedos, evidenciar a importncia das avaliaes para diagnosticar se o que est

    sendo proposto, como est sendo proposto foi aprendido pelos alunos.

    Diante das experincias como discente na escola bsica, como estagiria

    durante a graduao de um curso de Licenciatura em Educao Fsica, percebe-se o

    quanto ainda negligenciado a importncia da avaliao especialmente nas aulas de

    Educao Fsica. Tais avaliaes, normalmente so feitas a partir de critrios pouco

    precisos, sendo por participao da aula, execuo de alguma habilidade esportiva, o

    que muitas vezes consente a manuteno da vantagem dos mais habilidosos em

    detrimento dos menos habilidosos, alm de no explicitar muitas vezes, quais so os

    critrios de avaliao, muito menos os objetivos do prprio processo pedaggico.

  • 41

    A Educao Fsica uma rea do conhecimento que permite uma ampla

    variedade de formas de aprendizagem considerando os conhecimentos procedimentais,

    conceituais, atitudinais. Se faz necessrio avaliaes que permitem ponderar sobre estes

    conhecimentos, no entanto, apesar disso, no h autores especficos que discutem a

    avaliao na Educao Fsica. Aps este estudo, foi possvel compreender a importncia

    dela e como ela pode nortear, facilitar, ampliar e conduzir a prtica docente.

    A educao um direito, garantido por lei para todo cidado brasileiro, sendo

    crucial para a formao dos indivduos. Como j visto, garantir o acesso nem sempre

    assegura tambm uma formao ampla que possibilite o indivduo conhecer melhor a si

    e ao mundo. Por isso, as avaliaes se fazem como parte constitutiva da aprendizagem,

    a fim de diagnosticar se ela foi efetiva.

  • 42

    Referncias

    ABRAMOVAY, Miriam. Escolas inovadoras: experincias bem-sucedidas em escolas

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    BITTAR, Marisa; BITTAR, Mariluce. Histria da Educao no Brasil: a escola pblica

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