O suic­dio ³tica tomista/kotora

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O suicídio ótica tomista/kotora

Text of O suic­dio ³tica tomista/kotora

FAJOPA FACULDADE JOO PAULO II CURSO DE FILOSOFIA

Altair Leandro de Souza

Thiago Carlos dos SantosTrabalho da disciplina tica II

Orientador: Prof. Mestra Selma BassoliMarlia 2013

O SUICDIO TICA DE TOMS DE AQUINO E DA IGREJA CATLICA

A desarmonia entre religio popular e cristianismo oficial duraria at os albores do sculo XVI visto que a criao dos Tribunais da Inquisio para a manuteno da ortodoxia da f. De modo que diante da fragilidade da prtica religiosa , o Conclio de Latro IV celebrado em 1215 decretou prescrever aos fiis cristos a assistncia dominical missa sob pena de transgresso contra a Igreja, bem do mesmo feitio a confisso e a comunho anual. Logo, a a origem dos denotados mandamentos da igreja.

Sendo Assim, desde o comeo da Idade Mdia sob influncia de Aurlio Agostinho, um dos maiores pensadores catlicos , existiu uma valorizao da doutrina da graa divina, entrementes simultaneamente tomou incremento a concepo negativa a respeito do corpo e da sexualidade humana. Assim, dentro dessa tica, o Conclio de Elvira, celebrado na Espanha em 305 , decretou o celibato para os clrigos medida oficializada posteriormente para toda a Igreja. Existiu ainda grande promoo do monaquismo a ordem de Bento de Nrsia , fixada em abadias rurais , teve grande difuso nos primeiros sculos da formao da Europa. Logo, a partir do sculo XIII as ordens mendicantes , como a fundada por Francisco de Assis, difundiram-se rapidamente.

Logo, mais no sculo IX, os monges de Cluny, de inspirao beneditina, passaram a dedicar-se preservao do patrimnio cultural clssico, copiando deveras documentos antigos. De modo que no sculo XIII, a suntuosa contribuio cultural da Igreja foi a fundao das primeiras universidades , nas quais se sobressai Toms de Aquino e Alberto Magno, da ordem dominicana. Visto que a viso religiosa de mundo comeou a ser indagada a partir do sculo XV com as nperas descobertas, produto da desenvoluo cientfica, cuja origem estava adida ao movimento das cruzadas, expedies religiosas que levaram os prncipes cristos ao fixaram o comrcio com o Oriente.Sendo assim, Toms de Aquino nasceu em 1224 ou 1225 perto da cidade de Aquino no reino da Siclia (hoje parte da Itlia). Sua famlia era proprietria dum pequenssimo feudo e adida politicamente ao imperador Frederico II. Toms foi levado ainda criana para o monastrio de Monte Cassino (monastrio beneditino), com o objetivo de seguir carreira religiosa. Nove anos depois devido a uma altercao entre o imperador e o papa ele foi tirado do monastrio e enviado para a Universidade de Npoles, onde teve contato com a obra de Aristteles. Decidiu juntar-se ordem mendicante dos frades dominicanos. Quando seus superiores o enviaram para a Universidade de Paris, os pais do novio chegaram a sequestr-lo. Apesar de ter ficado um ano proibido de sair da propriedade da famlia, o querer de Toms prevaleceu e ele se mudou para Paris.Logo, o resto de sua vida se ressuntou atividade acadmica, com uma interrupo de alguns anos para trabalhar como conselheiro da Cria Papal, em Roma. J perto do fim da vida, Toms voltou Universidade de Npoles, para dar aula. Sua passagem pela Universidade de Paris foi marcada por polmicas com outros pensadores. Faleceu em 1274, na abadia de Fossanova (hoje centro da Itlia). Foi canonizado em 1323 e nomeado "doutor da Igreja" em 1567.Toms de Aquino um signo nobre de seu perodo na medida em que representou como ningum a tenso entre a tradio crist medieval e a cultura que se formava no interior duma nova sociedade. Foi uma das respostas da Igreja a uma necessidade crescente de abertura para o mundo real foi a criao das ordens mendicantes, que, sem bens, vivem da caridade, ao mesmo tempo que se voltam para o socorro dos doentes e miserveis. As duas ordens mendicantes surgidas na poca foram a dos franciscanos, fundada por So Francisco de Assis (1181/2-1226), e a dos dominicanos, por So Domingos de Gusmo (1170-1221). Aquino se filiou aos dominicanos. Outra caracterstica dessa fase histrica foi o nascimento das universidades, que se tornaram o centro das discusses teolgico-filosficas, em particular na Universidade de Paris, onde o pensador estudou e lecionou. Portanto, o ensino nessas instituies se firmava na diviso de disciplinas entre trivium e quadrivium, sistema que remonta Antigidade clssica. As altercaes do perodo, entretanto levariam a uma indagao dos conceitos cientficos vigentes.Pois bem, a moral tradicional se ocupou com o suicdio direto compreendido tal como o ato pelo qual a pessoa se d diretamente a morte , com liberdade e deveras conhecimento de causa. Logo, a moral e a disciplina cannica da Igreja Catlica Apostlica Romana esto inspiradas essencialmente na revelao bblica segundo a qual toda vida humana , sem exceo, dom do Deus Criador (na filosofia tomista o Ser Subsistente.) e objeto de notvel predileo do Logos. Isso denota que o homem jamais proprietrio radical de sua vida, e deveras to-somente um fiel e zeloso administrador sendo que dever prestar contas a este Ser Subsistente.Logo, quando os cristos adentraram na histria da humanidade fizeram-no dentro duma cultura que tinha o suicdio como algo bom , chegando ao ponto at de aconselh-lo como ato de herosmo. Tal conjuntura se explanava admitindo que, por um lado, o homem no era considerado vinculado ao Ser Subsistente, e sim, ao Estado. Ademais o suicdio era recomendado em vista duma asseverao d autonomia cabal do homem, seja diante das misrias da vida , seja as despontaes orgulhosas da auto-suficincia humana. Destarte, essa era a mentalidade de variegados e notveis pensadores da Grcia e de Roma, quando os cristos irromperam na histria.

Quando notamos a histria averiguamos a dupla avaliao a respeito do suicdio. De modo que os estoicos emitiam em certas conjunturas o juzo positivo. Sneca condenava o suicdio cometido to-somente pelo desejo de morrer ao passo que aprovava quando se tratava duma atitude de dignidade e coragem. Sneca no de sua vida redige a seguinte carta (fim da carta Sobre a Providncia Divina, em que ele d voz a um deus que se volta aos seres humanos, instruindo-os):Mas acontecem muitos sobressaltos tristes, horrveis, duros de se aguentar. Como no podia afastar-vos deles, armei vossos espritos contra todos: suportai bravamente. Nisto vs estais frente de um deus: ele est margem do sofrimento dos males; vs, acima do sofrimento. Desprezai a pobreza: ningum vive to pobre quanto nasceu. Desprezai a dor: ou ela ter um fim ou vos dar um. Desprezai a morte: a qual vos finda ou vos transfere. Desprezai o destino: no dei a ele nenhuma lana com que ferisse o esprito. Antes de tudo, tomei precaues para que ningum vos retivesse contra a vontade; a porta est aberta: se no quiserdes lutar, lcito fugir. Por isso, de todas as coisas que desejei que fossem inevitveis para vs, nenhuma fiz mais fcil do que morrer. Coloquei a vida num declive: basta um empurrozinho. Prestai um pouco de ateno e vereis como breve e ligeiro o caminho que leva liberdade. [...] A isso que se chama morrer, esse instante em que a alma se separa do corpo breve demais para que se possa perceber to grande velocidade: ou o n apertou a garganta, ou a gua impediu a respirao, ou a dureza do cho arrebentou os que caram de cabea, ou a suco de fogo interrompeu o respirar; seja o que for, voa. Por acaso enrubesceis? Passa rpido o que temestes tanto tempo! (CARLOS, 2006, no paginado).Logo, contrapartida a Sneca e deveras aos estoicos, foram opostos ao suicdio na antiguidade Plato que via nele o ato de insubordinao e insulto contra a divindade no dialogo o Fdon e Aristteles em sua tica a Nicmaco aclara expondo que admitia o ato vil, oposto ao bem social. Assim, o sujeito que se suicidava era visto por Aristteles como algum fraco. Para Aristteles o homem que deveras bom e sbio deve resistir com dignidade todas s contingncias da vida , buscando tirar sempre o maior proveito das conjunturas, tal como um bom general que realiza o melhor uso possvel do exrcito sob o seu comando. Visto que conforme a compreenso de Aristteles o homem deveria ser formado para resistir s contingncias da vida e aguardar sua morte, e no produzi-la.Aurlio Agostinho chega a denotar de loucos os que trabalhavam com a possibilidade do suicdio com fins de proteger a virgindade e outras virtudes ticas. O suicdio no pode ser admitido ato de fortaleza crist, e em verdade, uma deformidade da mesma. De modo que quando a pessoa se suicida porque justamente falta-lhe a base moral para e da fortaleza. Sendo assim, quando toca na questo do suicdio, Aurlio Agostinho faz aluso ao mesmo no primeiro livro da De Civitate Dei entrementes durante o perodo da perseguio, certas mulheres jogavam-se s guas com o propsito de serem arrastadas pelas ondas e afogarem-se, e assim, preservar sua castidade ameaada por perseguidores. Ademais apesar delas abrirem mo de suas vidas conscientemente mesmo assim elas receberam uma grande diferenciao como mrtires da Igreja Catlica.

Este um tema sobre o qual eu no ouso emitir um julgamento esclarecedor. Porque, eu sei sem objeo que a Igreja era divinamente autorizada por meio de revelaes confiveis a honrar deste feitio a memria destes. Pode ser que seja este o caso. Entrementes pode do mesmo feitio ser que no que elas agiram deste modo, no por capricho humano, contudo sob o comando de um Ser Subsistente, no erroneamente, todavia por meio da obedincia, da mesma forma que supomos ocorreu com Sanso? Quando, no entanto, o Ser Subsiste e dentro da ordem natural d um comando e o faz de forma clara, quem atribuiria a esta obedincia o ttulo de crime ou condenaria esta devoo e servio de boa vontade? (BLZQUEZ, 1985).De modo que para falar sobre a posio da Igreja Catlica Apostlica Roma e Toms de Aquino foi-nos necessrio conhecermos um pouco do contexto-histrico e outros pensadores adidos e citados nas obras de Aquino, agora a tica filosfica-teologica de Toms de Aquino que a