UM MODELO DE DECISƒO SOBRE A 0D/gp/v12n1/   S­lvio Roberto Ignacio Pires ... (Larra±aga,

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  • UM MODELO DE DECISO SOBRE A CONSIGNAO DE MATERIAL ESTRANGEIRO EM

    CADEIAS DE SUPRIMENTOS

    Cristiano Morini

    Faculdade de Gesto e Negcios, Universidade Metodista de Piracicaba,

    C.P. 68, CEP 13400-911, Piracicaba, SP, e-mail: cmorini@unimep.br

    Slvio Roberto Ignacio Pires

    Programa de Ps Graduao em Engenharia de Produo, Universidade Metodista de Piracicaba,

    CEP 13450-000, Santa Brbara DOeste, SP, e-mail: sripires@unimep.br

    Recebido em 28/5/2004 Aceito em 03/3/2005

    Resumo

    A globalizao dos negcios internacionais, o reduzido nmero de rotas de transporte internacional para o Brasil e a prpria burocracia aduaneira pressionam as empresas industriais operando no Brasil a buscarem alternativas para reduzirem os tempos de resposta (atendimento) aos seus clientes, sem prejuzos aos custos envolvidos. Nesse sentido, este trabalho prope um modelo de deciso voltado gesto da consignao de materiais estrangeiros em cadeias de suprimento. Para tal, a pesquisa aplicada apresenta estudos de caso. Um elemento-chave no modelo proposto a de-finio do seu conjunto de variveis de deciso. Assim, na primeira etapa de sua construo, o conjunto de variveis, inicialmente proposto, foi testado e ajustado com base na realidade de algumas empresas importadoras que utilizam regimes aduaneiros especiais. Posteriormente, o modelo proposto foi testado em duas empresas da regio de Campi-nas. Os dados obtidos mostraram ser viveis a utilizao do modelo em determinadas cadeias e para determinadas caractersticas de mercadorias, aproveitando-se da legislao aduaneira nacional como oportunidade de ganho de competitividade na gesto de cadeias de suprimentos com mbito global.

    Palavras-chave: gesto da cadeia de suprimentos, consignao, material estrangeiro.

    v.12, n.1, p.67-80, jan.-abr. 2005

    1. Introduo

    Nos ltimos anos, a gesto da cadeia de suprimentos (Supply Chain Management SCM) tem sido considera-da um novo limiar da competitividade empresarial num mundo que se globaliza em rpida velocidade. Em um pas como o Brasil, o impacto da globalizao tambm pode ser visualizado, devido ao fato de o pas ser geo-graficamente distante dos grandes centros fornecedores de produtos de alta tecnologia e, tambm, dos grandes centros consumidores de produtos manufaturados, tais como os Estados Unidos da Amrica, a Europa e o Leste Asitico.

    A insero de novos pases no cenrio concorrencial dos negcios internacionais, no setor industrial, foi alcan-ada por estratgias de reduo de custos de manufatura, enquanto novas dificuldades logsticas foram agregadas ao processo, tais como problemas ligados ao desembara-

    o aduaneiro de mercadorias e longos tempos de trnsito, com ciclos de fornecimento mais longos e conseqente reduo de flexibilidade (Larraaga, 2003).

    A baixa disponibilidade de rotas martimas e areas para a Amrica Latina faz com que o tempo de supri-mento e distribuio de materiais torne-se maior que a mdia mundial. Aliada a essa caracterstica, a tradio burocrtica do Estado brasileiro, de carter centralizador e controlador, faz com que trmites aduaneiros se tornem barreiras na dimenso tempo, com conseqente perda de competitividade.

    Nesse contexto, este trabalho busca contribuir com a proposio de um modelo gesto de cadeias de su-primentos, com enfoque na utilizao de regime adua-neiro especial de importao, visando diminuio do tempo de resposta ao cliente, com aumento de agilidade,

  • 68 Morini e Pires Um Modelo de Deciso sobre a Consignao de Material Estrangeiro em Cadeias de Suprimentos

    por tornar disponvel produtos para atender demanda dos clientes. O trabalho desenvolvido considera o tempo de resposta ao cliente sinnimo do tempo de suprimen-to, entendido como o processo de obteno do material, perodo que compreende desde a emisso do pedido de compra at o momento do efetivo recebimento.

    Diante do contexto visualizado, o trabalho apresenta o objetivo de propor um modelo que contribua para a redu-o do tempo de resposta em cadeias de suprimentos com mbito global, para determinadas situaes, utilizando-se da legislao aduaneira nacional que possibilita a consig-nao de mercadoria estrangeira no pas importador.

    O recorte do estudo envolve temas da cadeia de supri-mentos e logstica focados na obteno de materiais es-trangeiros, estoque e armazenagem, bem como na legis-lao aduaneira aplicvel a essas matrias. A associao do tema da SCM com a utilizao da legislao aduanei-ra, na maioria das vezes, no tem sido parte do foco dos trabalhos cientficos.

    2. Gesto da cadeia de suprimentos com mbito global

    O objetivo bsico na SCM o de maximizar a integra-o e o de tornar realidade as potenciais sinergias entre as partes da cadeia de suprimentos, de forma a atender o consumidor final mais eficientemente, tanto por meio de reduo de custos, quanto por meio da adio de valor aos produtos finais (Vollmann e Cordon, 1996).

    Nesse sentido, a cadeia de suprimento deve ser visu-alizada como um todo, como uma entidade nica, e no como algo fragmentado em grupos (Gentry, 1996). Em outras palavras, ela pode ser entendida como uma unida-de de negcios formada virtualmente pelas empresas distintas e independentes que a compem (Pires, 1998). Assim, cada unidade dessa virtual unidade de negcios deve se preocupar com a competitividade do produto pe-rante o consumidor final e com o desempenho da cadeia como um todo, exigindo, portanto, a gesto integrada da cadeia (Pires, 2004).

    Por sua vez, Zinn (1996) afirma que a reduo de custo , tipicamente, o melhor argumento para justificar investi-mentos em logstica. No entanto, para Larraaga (2003), cada vez mais as organizaes esto percebendo que devem competir com base no tempo. Larraaga (2003) afirma que a reduo do tempo requerido para fornecer produtos e servios ao cliente final uma das maiores foras que estimulam a reviso do ciclo do pedido que, no caso de componentes importados, bem maior que o de componentes nacionais.

    A seguir, so apresentados os temas da gesto de es-toque e indicadores de desempenho, como oportunidade para reviso de processos em empresas com operaes globais.

    2.1 Gesto de estoquePequenos nveis de estoque podem acarretar riscos por

    falta de itens e custos altos na obteno de itens faltantes. Estoque grande pode implicar em investimentos adicio-nais por armazenagem e seu custo de manuteno, redu-o da disponibilidade para aplicao em outros negcios ou necessidades, e perda por obsolescncia ou deteriora-o (Carretoni, 2000).

    Na gesto de cadeias de suprimentos com mbito glo-bal, a incerteza de demanda e os entraves dos sistemas aduaneiros, na maioria dos casos, fazem com que haja a necessidade de estoques de segurana, adicionado ao fato de que o tempo de ressuprimento depende diretamente da disponibilidade de rotas martimas e areas.

    Dornier et al. (2000, p. 383) afirmam que as entregas de produtos que cruzam as fronteiras nacionais esto su-jeitas a complicaes e atrasos imprevisveis devido aos procedimentos aduaneiros burocrticos. Christopher e Towill (2002) afirmam que a reduo do tempo de res-posta significa a habilidade da cadeia de suprimentos em reagir rapidamente s variaes de demanda no mercado, sejam essas em volume ou variedade.

    2.2 Medidas de desempenhoA partir da reviso de literatura realizada quanto aos

    indicadores de desempenho, foram levantados os se-guintes autores: Fisher (1997), Pagh e Cooper (1998), Naylor et al. (1999), Shin et al. (2000), Childerhouse et al. (2002) e Larraaga (2003). A Tabela 1 identifica algu-mas contribuies da literatura, de forma resumida, para a identificao de variveis.

    Tabela 1. Indicadores de desempenho identificados na literatura de SCM.

    Autores Algumas Variveis CitadasFisher (1997) Imprevisibilidade de demanda

    Custos de obsolescnciaCiclo de vida do produto

    Pagh e Cooper (1998)

    Ciclo de vida do produtoValor do produtoIncerteza de demandaEconomia de escala

    Naylor et al. (1999) Lead timeEstabilidade de demanda

    Shin et al. (2000) Base de fornecedoresLead time de fornecimentoDurabilidade do produtoConfiabilidade de entrega

    Childerhouse et al. (2002)

    Ciclo de vida do produtoVariabilidade de demanda

    Larraaga (2003) Velocidade para colocar produtos no mercado, velocidade para atingir os volu-mes de produo exigidos e rapidez das organizaes de gerar lucros

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    3. Gesto de estoque e armazenagem e a legislao aduaneira nacional

    Esta seo apresenta a questo da localizao do esto-que e a gesto de armazenagem e seus relacionamentos com o fornecimento de itens oriundos de outros pases, com nfase na cadeia de suprimentos de indstrias de manufatura.

    3.1 O estoque e sua localizao a servio da cadeia de suprimentos

    A localizao do componente estrangeiro na cadeia de suprimentos internacional, com foco no abastecimento, pode apresentar ganhos com aumento de agilidade e di-minuio do tempo de resposta.

    A SCM, utilizando os regimes aduaneiros especiais, pode adicionar mais valor que custo, pela localizao do estoque e pela maior agilidade na resposta s variaes de demanda.

    Em determinados regimes aduaneiros especiais, a en-trada de bens estrangeiros no pas ocorre por meio de ad-misso, e no importao propriamente dita. Na admisso do bem, o solicitante do item no Brasil no se apresenta, ainda, no papel do comprador (importador), pois o bem admitido sem ser feito o pagamento por ele ao seu for-necedor, ou seja, em consignao. Essa modalidade, na linguagem aduaneira, denominada de sem cobertura cambial. Com isto, a mercadoria admitida sem cober-tura cambial entrepostada em um armazm autorizado como permissionrio de um porto seco, sob controle da Secretaria da Receita Federal, aplicando um dos regimes aduaneiros especiais, os quais so comentados adiante.

    A empresa permissionri