SEMIOLOGIA DA ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR ...· SEMIOLOGIA DA ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR

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  • SEMIOLOGIA DA ARTICULAO TEMPOROMANDIBULAR 450

    SEMIOLOGIA DA ARTICULAO TEMPOROMANDIBULAR

    TEMPOROMANDIBULAR JOINT SEMIOLOGY

    Marlia GERHARDT DE OLIVEIRA * Clvis MARZOLA **

    Paulo Srgio BATISTA *** Renata PITELLA-CANADO ****

    Rita Adriana PINHO-OLIVEIRA ***** Jos Rodrigo MEGA-ROCHA ***

    Emerson Chaves FURLANETO *** Ellyane Alexandra da ROCHA ***

    Daniel Humberto POZZA ****** __________________________________________ * Professora Titular do Programa de Ps-graduao em CTBMF da Faculdade de Odontologia da

    PUCRS, Bolsista por Produtividade CNPq. ** Professor Titular de Cirurgia da FOB-USP e aposentado. Professor dos Cursos de Especializao e

    Residncia em Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Facial da APCD Regional de Bauru e da Associao Hospitalar de Bauru.

    *** Mestres do Programa de Ps-Graduao em CTBMF-PUCRS. **** Mestre e Doutora do Programa de Ps-Graduao em CTBMF-PUCRS. ***** Mestra do Programa de Ps-Graduao em CTBMF-PUCRS. ****** Doutor pelo Programa de Ps-Graduao em Laser pela U Federal da Bahia.

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    RESUMO A base para o diagnstico de causa e efeito um entendimento da forma normal e sua relao com a funo. Pode-se considerar ainda que no se encontre um distrbio na funo, sem um correspondente grau de alterao na estrutura. Por isso, e pelo fato de que um conhecimento bsico do sistema estomatogntico comea com a articulao temporomandibular (ATM), fundamental o estudo estrutural e anatmico desta estrutura. A ATM um conjunto de estruturas anatmicas que, com a participao de grupos musculares especiais, possibilitam mandbula executar variados movimentos durante a mastigao. classificada na categoria sinovial biaxial complexa, tendo como componentes anatmicos as superfcies articulares, o disco articular, as cpsulas, os ligamentos, alm das membranas sinoviais. As superfcies articulares so formadas por uma superfcie da cabea da mandbula e por uma superfcie da parte articular do osso temporal. Sero apresentadas aqui todas as situaes que a ATM pode estar envolvida como a Anatomia, Fisiologia, Histologia, Patologia, Exames, Diagnstico, Diagnstico por Imagem, Distrbios, Trauma e o Tratamento.

    ABSTRACT The base for the diagnosis of cause and effect is an agreement of the normal form and its relation with the function. It can still be considered that if it does not find a riot in the function, without a corresponding degree of alteration in the structure. Therefore, and for the fact of that a basic knowledge of the sthomatognatic system starts with the joint to temporomandibular (TMJ), it is basic the structural and anatomical study of this structure. The TMJ is a set of anatomical structures that, with the participation of special muscular groups, they make possible to the mandible to execute varied movements during the chew. Biaxial complex is classified in the synovial category, having had as component anatomical the articulate surfaces, the articulate disc, the capsules, the ligaments, beyond the synovial membranes. The articulate surfaces are formed by a surface of the head of the mandible and by a surface of the articulate part of the temporal bone. The situations will be presented all here that the TMJ can be involved as the Anatomy, Physiology, Histology, Pathology, Examinations, Diagnosis, Diagnosis for image, Riots, Trauma and the Treatment. Unitermos: Semiologia; ATM; Anatomia; Fisiologia; Patologia; Exames;

    Diagnstico; Diagnstico por imagem; Distrbios, Trauma; Tratamento. Uniterms: Semiology; TMJ; Anatomy; Physiology; Pathology; Examinations;

    Diagnosis; Image Diagnosis; Disturbs; Trauma; Treatment.

    INTRODUO

    1. ANATOMIA A base para o diagnstico de causa e efeito um entendimento da forma normal e sua relao com a funo. Pode-se considerar ainda que no se encontre um distrbio na funo, sem um correspondente grau de alterao na

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    estrutura (DAWSON, 1993). Por isso, e pelo fato de que um conhecimento bsico do sistema estomatogntico comea com a articulao temporomandibular (ATM), fundamental o estudo estrutural e anatmico desta estrutura. A ATM um conjunto de estruturas anatmicas que, com a participao de grupos musculares especiais, possibilitam mandbula executar variados movimentos durante a mastigao (FIGN; GARINO, 1989). classificada na categoria sinovial biaxial complexa, tendo como componentes anatmicos as superfcies articulares, o disco articular, as cpsulas, os ligamentos, alm das membranas sinoviais (FIGN; GARINO, 1989 e OLIVEIRA, 1994). As superfcies articulares so formadas por uma superfcie da cabea da mandbula e por uma superfcie da parte articular do osso temporal (FIGN; GARINO, 1989). Os processos articulares podem ser definidos como duas salincias elipsides situadas nos ngulos pstero-superiores aos ramos da mandbula e, cujo eixo maior, orientado obliquamente, dorso-medialmente, mede aproximadamente 20 a 22 mm. Pode-se acrescentar ainda que estas estruturas estejam assentadas sobre um estreito colo mandibular (SICHER; DU BRUL, 1991). So convexas, sagital e frontalmente, amplas lateralmente e, estreitas, medialmente. Seus plos laterais so speros e, com freqncia, pontiagudos. Une-se ao ramo por um seguimento estreito, levemente inclinado para frente, o colo da mandbula, que possui uma depresso ntero-medial denominada fvea pterigide local onde se insere o msculo pterigideo lateral. Parte da cabea do processo articular da mandbula est coberta por tecido fibrocartilaginoso. Esta parte seria composta por sua vertente anterior, mais o extremo superior da vertente posterior, que formam efetivamente a superfcie articular, que entrar em contato com a superfcie ou face articular do osso temporal. A eminncia articular seria o tubrculo articular (FIGN; GARINO, 1989), entretanto alguns autores so unnimes em considerar que o tubrculo articular uma salincia na terminao externa da raiz anterior do processo zigomtico do osso temporal e, portanto no articulado, servindo de insero para os ligamentos capsulares (SICHER; DU BRUL, 1991 e DAWSON, 1993). A eminncia articular seria uma barra ssea transversal que forma a raiz anterior do zigoma, sendo ela a superfcie articular. A fossa mandibular uma depresso de profundidade varivel que, em sentido ventro-dorsal, estende-se desde a eminncia articular at o segmento anterior do meato acstico externo. Em sentido transversal, desce da base do arco zigomtico at a espinha do esfenide, porm, somente a poro mais anterior articular, enquanto a posterior compe a parede anterior do meato acstico externo. Devem-se considerar como nicos elementos ativos participantes da dinmica articular, as eminncias articulares e a mandbula, convexas no plano sagital e lateral (FIGN; GARINO, 1989). A superfcie articular do osso temporal tambm est coberta por tecido fibroso com escassas clulas cartilaginosas, isento de vasos e nervos que os impossibilita de desenvolver processos inflamatrios ou cicatriciais. Sua nutrio acontece por embebio dos lquidos sinoviais, contudo, dependente dos movimentos e, em casos de imobilizao, poder ocorrer a degenerao deste tecido. A cobertura da fossa mandibular, separando-a da fossa cranial mdia, sempre delgada e translcida, permitindo concluir que no uma parte de presso funcional, certificando-se que a presso funcional est entre a cabea da mandbula, o disco articular e entre o disco e a eminncia articular.

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    O disco articular uma pequena placa fibrocartilaginosa de forma elptica com perfil em S itlico nos cortes sagitais, pois cncavo frente, relacionando-se com a eminncia e, convexo atrs, em contato com a fossa mandibular do osso temporal, sendo orientado para baixo e para frente. Microscopicamente, o disco apresenta fascculos conjuntivos entrecruzados em todas as direes, mesclado com escassas fibras elsticas e clulas conjuntivas. Em suas faces articulares encontram-se clulas cartilaginosas irregularmente disseminadas. Em crianas menores de 16 anos, o disco composto somente de tecido fibroso e, em indivduos de maior idade o tecido central fibrocartilaginoso (SICHER; DU BRUL, 1991). Esta ltima informao pde ser confirmada aps concluso de estudo comparativo atravs anlises histolgicas de grupos de seres humanos em diferentes etapas da vida, variando da fase de feto velhice (MIRANELLI; LIBERTI, 1997). Concluram estes autores que, nos mais idosos, as clulas cartilaginosas eram encontradas em todas as partes do disco articular e, que as fibras elsticas, numerosas no grupo dos mais jovens, tendiam a diminuir em nmero com o aumento da idade. A poro mais central do disco desprovida de vasos, sendo aquela que suporta as presses mais elevadas. A poro perifrica recoberta pela membrana sinovial, ricamente vascularizada (SICHER; DU BRUL, 1991). O disco pouco compressvel, espesso em toda sua borda, especialmente volumoso em seu permetro posterior e consideravelmente estreito em sua poro central. A sua espessura em sua poro anterior est em torno de 2,0 mm, o seguimento central podendo apresentar 1 mm e posteriormente 3 mm, sendo este ltimo a margem posterior do disco. O disco articular est fixado na cpsula articular e, nos plos lateral e medial da cabea da mandbula, por fortes alas fibrosas. A poro anterior do disco ligada cpsula por uma projeo anterior do prprio disco, o que no acontece posteriormente, onde h uma extenso amortecedora malevel com duas camadas separadas de fibras, colocando-se entre a estrutura de vasos sangneos e nervos. Seu formato em sela, em sua poro superior, para o ajuste ao contorno craniano e concavidade, em sua parte inferior, para acomodar-se junto ao processo articular da mandbula. Algumas das fibras colgenas desviam-se ntero-medialmente, em direo ao ligamento superio