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HISTÓRIA e SIMBOLISMO DE JOGOS, BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS

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HISTÓRIA E SIMBOLISMO DE JOGOS, BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS UNIVERSAIS 2003 Cadernos do Nepsid N. 2 – História e Simbolismo de Jogos, Brinquedos e Brincadeiras Universais 1ª. Edição – 2003 Publicação do NEPSID – Núcleo de Estudos e Pesquisas em simbolismo, infância e desenvolvimento [email protected] 2

Text of HISTÓRIA e SIMBOLISMO DE JOGOS, BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS

  • HISTRIA E SIMBOLISMO

    DE

    JOGOS, BRINQUEDOS E

    BRINCADEIRAS UNIVERSAIS

    2003

  • 2

    Cadernos do Nepsid

    N. 2 Histria e Simbolismo de Jogos, Brinquedos e Brincadeiras Universais

    1. Edio 2003

    Publicao do NEPSID Ncleo de Estudos e Pesquisas em simbolismo, infncia

    e desenvolvimento

    [email protected]

  • 3

    INDICE

    Apresentao 5

    1 TRAOS HISTRICOS DE JOGOS E BRINQUEDOS Adriana

    Friedmann 7

    2 OS JOGOS DO MUNDO UNICEF 12

    3 ORIGEM DE ALGUNS JOGOS DE TABULEIRO Adriana Friedmann 17

    4 SACRALIDADE E SIMBOLISMO DO JOGO Adriana Friedmann 23

    5 BRINCADEIRAS REGIONAIS DO BRASIL Adriana Friedmann 29

    6 A CAMINHO DO SCULO XXI os quatro pilares da Educao

    Adriana Friedmann 47

  • 4

  • 5

    APRESENTAO

    O NEPSID Ncleo de Estudos e Pesquisas em Simbolismo, Infncia e

    Desenvolvimento surge em decorrncia da experincia e do trabalho

    desenvolvido desde 1994 na Escola Oficina Ldica formando profissionais das

    mais diversas reas, sobretudo no mbito da educao no formal. Foi

    interessante constatar, ao longo do tempo que as propostas de formao (que

    vo desde o trabalho com o jogo, passando pelo corpo, artes plsticas,

    expresso corporal, confeco de jogos e brinquedos, a importncia dos contos

    at tratamentos mais reflexivos e tericos relativos ao desenvolvimento do ser

    humano) interessam, no s aqueles que trabalham em ONGS, centros

    culturais e desportivos, brinquedotecas, hospitais peditricos, etc., mas

    tambm educadores das instituies de educao infantil, ensino elementar,

    mdio e superior.

    A presente srie de Cadernos do Nepsid constitui-se em um material

    de apoio que temos utilizado como base reflexiva das nossas aes

    educacionais baseadas na proposta do VIVENCIAR, SENTIR, REFLETIR,

    proposta esta que tem sido muito bem recebida pelo nosso pblico.

    No primeiro nmero, apresentamos os Segredos do mundo ldico, tema

    que tem sido o carro chefe das nossas propostas de formao.

    Neste segundo nmero Histria e Simbolismo de Jogos, Brinquedos e

    Brincadeiras Universais aprofundamos as reflexes mais especficas sobre

    esse maravilhoso universo universal do brincar.

    nosso desejo contribuir para um embasamento, debate e reflexes

    mais aprofundadas.

    Adriana Friedmann

  • 6

  • 7

    1 - O JOGO NUMA SOCIEDADE SEM FRONTEIRAS

    TRAOS HISTRICOS DOS JOGOS E BRINQUEDOS

    Adriana Friedmann

    A histria dos jogos e brinquedos to antiga quanto o homem.

    Ela no consta somente nos livros de histria mas so tambm seus

    testemunhos a arte, a antropologia, a arqueologia e a tradio oral.

    A seguir, uma breve sntese para ilustrar algumas das

    caractersticas mais conhecidas deste universo da ludicidade, cujos traos

    comuns so:

    - sua universalidade

    - sua eternidade

    - terem suas origens na criao coletiva

    - estarem, em sua maior parte, ligados com prticas religiosas

    - serem formas de linguagens

    - serem espelhos da cultura das diferentes sociedades

    - suas estruturas permanecerem imutveis e suas regras sofrerem

    transformaes atravs do tempo e das vrias regies

    - constiturem oportunidades de expresso, desenvolvimento e socializao

    OS PRIMRDIOS DO MUNDO

    O tempo era consagrado preservao da vida e no existia ainda a

    noo de tempo livre como o conhecemos hoje.

  • 8

    A CIVILIZAO EGPCIA

    Nos tmulos egpcios foi encontrado um grande nmero de bonecas. As

    crianas brincaram com sacos cheios de gros. Mais tarde recebiam bonecas

    pequenas e bichos de terra cozida.

    O cavalinho sobre rodas aparece entre eles.

    A CIVILIZAO GREGA

    As bonecas gregas eram encontradas nos quartos das crianas e eram

    feitas em argila cozida com membros articulados.

    O jogo dos ossinhos era muito popular tanto entre as crianas quanto

    entre os adultos. Eles serviam para adivinhar o futuro. Porm, este jogo

    provinha provavelmente do Oriente-mdio. No comeo esses ossinhos eram das

    patas de cordeiros e cabras. Mais tarde foram fabricados em cristal de roca

    ou em bronze, conservando a forma original.

    Os meninos brincavam com pipas.

    Os pies eram muito populares. H muitas representaes que mostram

    como os adultos tambm brincavam. Eram jogos voltados para os ricos.

    O jogo de bola era muito vivo.

    Homero contava como o filho de um rei brincava uma partida de jogo de

    paume.

    Na Grcia era dada muita ateno ao desenvolvimento do corpo pelo que

    o jogo e o esporte eram to importantes quanto o estudo: marchar, correr ou

    nadar; exerccios de ginstica ou corridas de 100 metros a 158 metros.

    A CIVILIZAO ROMANA

    As brincadeiras eram muito similares s dos gregos. Os romanos eram

    muito atrados pelo jogo de bolinhas, que datava de vrios sculos, com a forma

    melhorada. As bolinhas antigas eram muito rudimentares, enquanto que as da

    poca romana eram muito mais lisas e coloridas.

  • 9

    No Foro Romano em Roma descobriram as mais antigas gravuras do jogo

    de amarelinha, muito brincado nos pavilhes de mrmore e nas vias romanas.

    A IDADE MDIA

    Nesta poca a vida reduziu-se ao trabalho e ao combate, pelo que os

    exerccios de combate tornaram-se muito importantes. Somente nos sculos 13

    e 14 esses torneios sanguinolentos tornaram-se concursos esportivos.

    A luta era muito popular. O tiro ao alvo com arco ocupava muito tempo a

    partir de uma necessidade militar.

    No inverno, os exerccios eram feitos sob teto.

    O milenar jogo de bola tornou-se popular. Era considerada uma ocupao

    ftil.

    A criana no era considerada como hoje em dia. Ter brinquedo e

    brincar dependia da classe scio econmica dos pais. As crianas da burguesia

    tinham belos e caros brinquedos e tempo para brincar. O Bilboqu era um

    exerccio muito popular na corte do rei Henrique III de Frana.

    J os filhos dos operrios tinham que ajudar no sustento da famlia e no

    pouco tempo livre que lhes sobrava, recebiam brinquedos fabricados pelos pais,

    sempre relacionado ao trabalho dos mesmos.

    Os ceramistas fabricavam pequenas figuras de cacalecios em argila

    branca.

    As bonecas e os brinquedos eram vendidos pelos mercadores ambulantes

    nas quermesses ou outras festas. Haviam bonecas comuns e bolas feitas de

    linha. O princpio das bonecas articuladas nasceu, provavelmente, na religio:

    tanto na Igreja Bizantina quanto na Igreja Ocidental, h esttuas de Santos

    com os membros articulados.

    SCULOS 16 e 17

    Na poca do Renascimento eram dadas casas de bonecas como presentes

    de casamento. Eram mais peas de enfeite do que para brincar.

  • 10

    Do ponto de vista histrico essas casinhas so muito interessantes, pois

    refletem a arrumao interior.

    Os habitantes de Nuremberg eram conhecidos como os fabricantes de

    bonecas. Eles fabricavam tambm as casinhas de bonecas. A semelhana das

    mesmas com as casas reais eram conscientemente usadas para preparar as

    jovens de 12 a 14 anos.

    Em gravuras do Sculo 17 pode-se ver pela primeira vez, crianas que

    andavam sobre cavalinhos de madeira. A presena do cavalo de madeira entre

    os brancos nos tempos passados, mostra a importncia do cavalo naquela poca,

    tanto quanto o carro hoje.

    SCULO 18

    O diabol, de origem chinesa, entra na Europa nesse perodo: Na

    Inglaterra, Frana e pases nrdicos. O IoI chega tambm na China. Muitos

    jogos tiveram altos e baixos, mas esses dois ficaram muito populares.

    Nessa poca apareceram cada vez mais os brinquedos automticos. Na

    antiguidade, j Nero d'Alexandria construiu brinquedos engenhosos que

    mexiam e faziam barulho com a utilizao de gotas d'gua.

    Por volta de 1850 esses objetos foram construdos em grande escala e

    uma das causas deve ter sido a descoberta do ferro branco.

    No final do Sculo 18, a criana no era mais considerada um adulto. As

    concepes dos educadores e escritores romnticos como Rousseau, tiveram

    um papel muito importante. A Froebel devemos a prtica de tais teorias. Ele

    queria estimular as crianas antes da idade escolar a fazer atividades criativas

    atravs de jogos semi-artsticos. Com esse objetivo foram inventadas as caixas

    de construo com formas sbrias: retngulos, cubos, esferas e cilindros.

    Ao lado das casas de bonecas completas, havia agora um interesse pelos

    detalhes: foram fabricados separadamente a cozinha, o banheiro, a sala, os

    fornos e todo o mobilirio completo. A pequena casa do operrio era uma das

    causas pelo que no havia espao suficiente para colocar casas de bonecas "em

    massa". O acabamento minucioso de todos os brinquedos diminuiu muito. Tudo

    era fabricado, cada vez mais na fbrica e um verdadeiro artesanato no era

    mais exigido.

  • 11

    SCULO 19

    A revoluo industrial fez com que a indstria domiciliar declinasse e os

    pais foram trabalhar fora. Foi o comeo dos jardins e pr-escolas. No eram

    obrigatrias. Nas primeiras escolinhas havia maior interesse pelos jogos

    seculares, como o jogo dos ossinhos e o jogo de bolinhas, o que certamente

    contribuiu para a preservao dos mesmos.

    O trabalho das crianas manifesta-se cada vez mais, o que no fato

    novo, pois j na idade mdia a criana era integrada s tarefas dom