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ARENDT, Hannah. O Significado de Revolução. in Da Revolução

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Text of ARENDT, Hannah. O Significado de Revolução. in Da Revolução

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  • mostra no menos refutada pelos fatos do que a teoria da no-existncia"de uma Revoluo Americana. Pois o fato que nenhuma revoluo ja-;'mais foi feita em nome da cristandade antes da Idade Moderna, de tal sorteque o melhor que se pode dizer em favor dessa teoria que ela necessitoude modernidade para poder liberar os germes revolucionrios da f crist,

    , o que , obviamente, dar a questo como provada.H, porm, uma outra alegao que se aproxima mais do mago

    do problema. Temos enfatizado o elemento de inovao inerente .a to-das as revolues, e tem sido afirmado, com freqncia, que toda nos-sa noo de Histria, pois-que essa segue um desenvolvimento linear,

    acrist em sua origem. bvio que somente sob as condies de um con-ceito de tempo linear, fenmenos como inovao, sin.gularidade-de..ac-

  • .1

    ser prudente fazerinos uma pausa e refletirmos sobre um dos aspectos sobo qual a liberdade ento aparecia - pelo menos para evitar os mal-entendidos mais comuns e ter um primeiro vislumbre da prpria moder-.nidade da revoluo como tal.

    =: Pode ser um trusmo afirmar que libertao e liberdade no so amesma coisa; que libertao pode ser a condio de liberdade, mas queno leva automaticamente a ela; que a noo de liberdade implcita nalibertao s pode ser negativa, e que, portanto, a inteno ele libertar no idntica ao desejo de liberdade. Noob.stante, se esses trusmos so fre-qentemente.esquecidos, porque a libertao sem~ esentou Comnitidez, enquanto a liberdade foi sel!!.P.reiner!',..s.e no totalmente inti .lrn disso, a liberdade desempenhou um papel relevante e um tanto con-

    trovertido na histria do pensamento filosofico e religioso, e isso atravsdagueles sculos - desde o declnio do mundo antigo ao nascimento domoderno - em que no existia liberdade poltica, e em que, por razesque no nos interessa discutir aqui, os homens no se preocupavam comisso. Portanto, tornou-se iJase axiomtico mesmo em teoria oItica en-: .\)-l tender podibe,dade olft no umf~nmeno_ poli":?, m.. ao con"a- i.! .\

    ~. no, a gama maiS ou menos livre de atlvldades nao-J;l . m dete _I; ~--. ;'. , ".. .!:?mado corpo POhtlCQ pelJlUte-e..garante....aqueles-EI.uG-Q_CO.JlStltuem. \

    ~ ~~'" Liberdade, como fen~eno polti~~, foi con.tempornea das cidades-V .,'- _Estad?s g::egas. pesde .Herodoto~ ela_fOI e?t.endI~a Como uma f~r:na de~t'lorgamzaao polItlca em. que os cldadaos VIVIam Juntos em condloes de,&",- no:mandoc .,emurna di"ino entee govern~te, e govenado,". ~"a

    ,,,,, noao d~ nao-mando era exp""a pela palavra tsonomin; eUJa oaraete"'t~_1/ -"ca mais Importante, entre as formas de governo enumeradas pelos anti-I gos, era a de que a noo de mando (a "arquia", de apXElV, em rnonar-I .:__q~ia e olig"'quia, ou a "ecaem", de xpar,Tv, em de~occaeia) e,~ava in-I '/teIramente ausente dela. A polzs era suposta ser uma IsonomJa, nao UmaI ,'ldemocracia. A Pala~~9-A~.~e-~~~'-CL1.::!~.~ig!.1,f!~ay-ento..o.gQy.em9_q.maio.::..

    ria, foi cunh- orIginalmente por aqueles que se opunham isopQmi.i!,.::-e"qe-pietnim"dizer: -qlie'vocs "chamiii.--aeriao::mnCi-:"~a verda-de,-apena"s'-iri'a'tisPCie'depor;Pioi fanUa de governC);O 'do-

    ' . 12 ' . .\!Jlfmo"pdb'demos ..... '. .. . .;0~'"' ..'Dessaforina, a i~-udade gue ~~sinall1~.r:~~~~.:roc-.~---:-rregenteme~~ ,:omo um .p-mg.Q.~~~i6~rJ1'J.L.!. ..,~ra,... nginalmente,. ~as~ ess.a. Es~. gu~ld~d.~~::~,!.ei,.~.;ap~y!:a ZSOTIO~~ria, ~~~~.~~~::SI~0A:l~g.nd].~~~!_ embor essa

    ~~"e, at certo ponto, a eondio de toda a ativida

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    .r~------ ------t:)-, ---------.---- ~ ------ ----r~------- -- -~-~---- -..------- -_.--~. li'~ . ,,' I

    ~ governo a reparaao de injusnas: lt'nmClra rsmenoa uonStltuclOnal), pero~ que~ "~is;t~rica~ente, o direito d~ petio o ,~ir~ito ?rimr~~", e a inte~-

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    I,)'ri Mas essa dificuldade em se traan.uma fronteira entre libertao e..m' liberdade, num determinado qyadLO_de..circunstncias histricas, no sg-

    "i I:; nifica que libertaao e liberdade se'am a mesma coisa, ou que aquelas li- ," ..u, f?eWa es que' oram conquistadas em conseq.n.cia-daJibertao nos contem

    .1,\ ~ toda a lustna aa-lleroIe, mesmo q.ll..e-a.qJlelesq:ue tentaram conguWra.ambas freqentemente no distinguissem,,-C.QnLmui~a.dareza, essas q~-~ Os homens das revolues do sculo XVIII tinham o perfeito direitoa essa falta de discernirnento; era ela prpria natureza de seu empreendi-mento que eles descobrissem sua prpria capacidade e desejo pelos "en-cantos da liberdade", como JohnJ ay certa vez assim qualificou, no prprioato da libertao. Pois os atos e feitos que a libertao deles exigia, lanaram-nos na atividade pblica, onde, iitencionalmente ou muitas vezes inespe-radamente, comearam a construir aquele espao onde a liberdade poderevelar os seus encantos e tornar-se. uma realidade visvel e tangvel. Da-do que eles no estavam, de forma alguma, preparados para esses encan-tos, dificilmente poder-se-ia esperar que tivessem plena conscincia do novofenmeno. No era outra coisa seno o peso de toda a tradio crist queos impedia de admitir o fato evidente de que gostavam daquilo que fa-ziam, para alm das imposies do dever. ..

    Quaisquer que fossem os mritos das exigncias expressas da Revo:-'\luo merlCan-:=--nenh'ma TXo-';~~---l:ep-;~~~-~ta-o'-=~--eIa"cerfa-':Irrlenteii"ati;~Cm"flmde-ses--erici1-fs. Er-'iirg-completamnte 1

    ~feren~~-~c.~~~E~~~~~a?o~~_~~~~~,~S?~_~!~_~~9~,-~_~~~~_~~_~~ ,',~_-~_r.~t~~r \ ': .r,:.~_~_~_~_~!~Q.er--!,!_s"_.~T.dle}ao,e,,.a,per:suasao,_e._tudo_omals,qll~_s~}azta \2J~necessrio para levar essa reivindicao sua concluso lgica; governOjindependenteea criao de. uIT.l.!?()Y9corpo ,pol(tico, Fcii-~'ti~vesde'ssasexperincias que aqueles que, .naspalavrade J ohn Adarns, tinham sido~~1::~:~~~;,~e~:::f~~c~~~i~:~~:~~~~l~~:e:;~~ft:t~D~~~~~~:'~~~s,~~'~'-'--"CY'qu-ea'-revoll:i'a'tr'Oux'e luz -fressa'exprlllia'd-ser-lvre, e

    essa foi uma experincia nova, embora no na Histria do mundo ociden-tal - foi bastante comum na Antiguidade greco-romana -, mas em rela-o aos sculos que separam a queda do Imprio Romano do advento daIdade Moderna, E essa experincia relativamente nova, pelo menos paraaqueles que a viveram, foi, ao mesmo tempo, a experincia da capacidadedo homem para iniciar alguma coisa nova. Essas duas coisas juntas - umanova experincia que revelava ~apacjdade do homem para a n_?vi.da~e._ esto na base do enorme~~):jue encontramos tanto na RevoluoAmericana como na France~s'a sempre reiterada insistncia d~ quenada comparvel em grandeza e relevncia jamais acontecera antes emtoda a Histria documentada da humanidade, e que, se tivssemos de avali-Ia em termos de reivindicao bem-sucedida de direitos civis, pareceriainteiramente descabido.

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    Todos esses fenmenos tm em comum com a revoluo o fato de~ que foram concretizadosatravs da violncia, e essa a razo pela qual.(-'lesso, com tanta freqncia, confundidos com ela, Mas a violncia no

    mais adequada para de~~rever o fenmeno das revoluesdqmu=aana;sornente-OndeO~r~~n~-sen'tdode umnovo prJne15'fO,3?nd.f'a viOl~Ii~J.~-=-f()f.~!m~_~.~Pl.E~~tuirumJor.ma.de~gveinQ-com-plGJamente_difer~ntf!,pal'a dar origem formao d.~...lI}JLQy',.9!:P.

  • benfica que era capaz de conceber. Em outras palavras, o pathos especifi-camente revolucionrio do absolutamentenovo, de ummio"qe,3u~tjfi-cass~coii~ar:critr'o-tempo a prtraOeverit~ revolucionrio, era-lhe

  • tar nossas prprias experincias luz dos acontecimentos deflagrados pe-las lutas civis que assolaram as cidades-Estados italianas, no foram essasto radicais que viessem a sugerir, aos que delas participaram ou foramtestemunhas, a necessidade de uma nova palavra, ou a reinterpretao deuma mais antiga. (A nova palavra que Maquiavel introduziu na teoriapoltica e que tinha sido usada mesmo antes dele, foi a palavra Estado,/0 stati4. A despeito de seus constantes apelos glria de Roma e reitera-das referncias histria romana, sentiu claramente que uma Itlia unifi-cada deveria constituir um corpo poltico to diferente