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Relações Interpessoais Processos fundamentais da cognição social Fundamentalmente a partir da aprendizagem, o comportamento apresenta uma enorme complexidade e diversidade nas mais diferentes relações que se estabelece com o meio. As interacções sociais são aquilo que nos separam dos animais. Grande parte da nossa vida gira à volta de instituições sociais que orientam um novo comportamento. Para além disso, a maior parte das interacções sociais são orientadas por factores de ordem cognitiva, este factores de carácter cognitivo levam-nos a interpretar as situações e a organizar as respostas mais adequadas (página 152 texto 43). Cognição social conjunto de processos que estão adjacentes ao modo como encaramos os outros, a nós próprios e à forma como interagimos. A cognição social refere-se, assim, ao papel desempenhado por factores cognitivos no nosso comportamento social, procurando conhecer o modo como os nossos pensamentos são afectados pelo contexto social. Este processo é uma forma de conhecimento e de relação com o mundo dos outros. Como temos uma capacidade limitada de processos de informação relativa do mundo social, recorremos a esquemas que representam o nosso conhecimento sobre nos, sobre os outros e sobre o nosso papel no mundo. É a partir desses esquemas que processamos a informação sobre o mundo social e que formamos opiniões sobre nós e sobre os outros. Processos de cognição social: Impressões Expectativas Atitudes Representações sociais Impressões Este processo é o primeiro que temos no primeiro contacto com alguém que não conhecemos, construímos uma ideia/imagem, sobre essa pessoa a partir de algumas características. Isto também acontece com os objectos com que contactamos. Contudo, há diferenças assinaláveis quando se trata de pessoas: a produção da impressão é mútua (o outro também tem impressões); por outro lado, a minha impressão afecta o meu comportamento e por tanto, o seu comportamento para comigo.

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Relações Interpessoais

Processos fundamentais da cognição social

Fundamentalmente a partir da aprendizagem, o comportamento apresenta uma enorme

complexidade e diversidade nas mais diferentes relações que se estabelece com o meio. As

interacções sociais são aquilo que nos separam dos animais.

Grande parte da nossa vida gira à volta de instituições sociais que orientam um novo

comportamento. Para além disso, a maior parte das interacções sociais são orientadas por factores

de ordem cognitiva, este factores de carácter cognitivo levam-nos a interpretar as situações e a

organizar as respostas mais adequadas (página 152 texto 43).

Cognição social – conjunto de processos que estão adjacentes ao modo como encaramos os

outros, a nós próprios e à forma como interagimos.

A cognição social refere-se, assim, ao papel desempenhado por factores cognitivos no nosso

comportamento social, procurando conhecer o modo como os nossos pensamentos são afectados

pelo contexto social. Este processo é uma forma de conhecimento e de relação com o mundo dos

outros.

Como temos uma capacidade limitada de processos de informação relativa do mundo social,

recorremos a esquemas que representam o nosso conhecimento sobre nos, sobre os outros e sobre

o nosso papel no mundo. É a partir desses esquemas que processamos a informação sobre o mundo

social e que formamos opiniões sobre nós e sobre os outros.

Processos de cognição social:

Impressões

Expectativas

Atitudes

Representações sociais

Impressões

Este processo é o primeiro que temos no primeiro contacto com alguém que não

conhecemos, construímos uma ideia/imagem, sobre essa pessoa a partir de algumas características.

Isto também acontece com os objectos com que contactamos. Contudo, há diferenças assinaláveis

quando se trata de pessoas: a produção da impressão é mútua (o outro também tem impressões);

por outro lado, a minha impressão afecta o meu comportamento e por tanto, o seu comportamento

para comigo.

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Um dos aspectos mais importantes das impressões é a relação interpessoal que se

estabelecerá no futuro. Se, alguma das primeiras impressões for modificada, temos tendência a

rejeitar a nova informação, mantendo a que ficou no primeiro encontro.

Impressão e categorização

Para se simplificar o armazenamento de toda a informação, procedemos a um processo de

categorização, ou seja, reagrupamos os objectos, as pessoas, as situações, a partir daquilo que

consideramos serem as suas diferenças e semelhanças.

No caso das impressões classificamos a pessoa em categorias, esta ideia global vai orientar o

nosso comportamento, porque nos fornece um esboço psicológico da pessoa em questão. A

caracterização permite simplificar a complexidade do mundo social. Esta categorização contempla

três tipos de avaliação:

Afectiva

Moral

Instrumental

A categorização inerente à formação das impressões orienta o nosso comportamento. Ao

desenvolvermos expectativas sobre o comportamento dos outros a partir das impressões que

formamos, isso possibilita-nos planear as nossas acções, o que é um facilitador do processo das

interacções sociais.

A formação das impressões

Na base da formação das impressões está a interpretação. A maneira como formamos uma

impressão tem como base quatro indícios:

Físicos – aparência, expressões sociais e gestos. Ex: se a pessoa for magra posso associar a

uma personalidade irritável.

Verbais – exemplo: o modo como a pessoa fala, surge como um indicador de instrução

Não - verbais – exemplo: vestuário, o modo como a pessoa se senta ou gesticula enquanto

fala.

Comportamentais – conjunto de comportamentos. Ex: o modo como os comportamentos

são interpretados remete para as experiencias passadas. Daí que o mesmo comportamento

possa ter significados diferentes para diferentes pessoas.

Teoria implícita da personalidade

Todos nós a partir de poucas informações estamos preparados para inferir a personalidade

geral de uma pessoa, basta dar duas informações e deduzir algo da pessoa.

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O efeito das primeiras impressões

A primeira informação é a que tem maior influência sobre as nossas impressões. Por tanto, a

ordem com que conhecemos as características de uma pessoa não é indiferente para a formação de

impressões sobre ela.

Uma das características das primeiras impressões é a sua persistência, dado que, a partir de

algumas informações constituímos uma ideia geral sobre a pessoa, é muito difícil alterarmos a nossa

percepção, mesmo que, recebamos informações que contradizem a nossa impressão inicial. Á como

uma rejeição a entregar novas informações.

Efeito de Halo – se as primeiras impressões forem positivas, temos tendência a criar algo de

bom sobre a pessoa, a idealizar uma boa relação, sendo que o contrário também se verifica.

Todos nós tendemos a fazer perdurar no tempo as primeiras impressões que obtemos de alguém,

sendo que essas persistem no tempo, sendo que tendemos sempre a crer que novas informações

contraditórias sejam submetidas ao crivo (separação das primeiras impressões).

Expectativas

Podemos definir as expectativas como modos de categorizar as pessoas através dos indícios

e das informações, prevendo o seu comportamento e as suas atitudes. As expectativas são mútuas,

isto é, o outro com quem interagimos desenvolve também expectativas relativamente a nós.

Exemplo: ao entrar num tribunal vimos um homem de toga preta e deduzimos que seja um

advogado ou um juiz. Isto funciona como um indício que me permitiu incluí-lo numa determina da

categoria social.

Na categorização estão envolvidas duas operações básicas: indução e a dedução. É pela

indução que passamos da percepção da toga preta à inclusão daquela categoria. É pela dedução que,

a partir do momento em que reconhecemos a categoria a que uma pessoa pertence, passamos a

atribuir-lhe determinadas características. Podemos afirmar que, tal como outros processos de

cognição social, as expectativas formam-se no processo de socialização por influência da família, da

escola, do grupo de pares, da comunidade social. Estão, portanto, marcadas pelos valores, crenças,

atitudes e normas de um dado contexto social, bem como pela história pessoal.

O facto de não conhecermos o desconhecido leva-nos a construir esquemas interpretativos

que organizam a informação que captamos e que estão na base das impressões e das expectativas.

Nós comportamo-nos de acordo com aquilo que pensamos que os outros pensam de nós.

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Expectativas, estatuto e papel

Um exemplo muito claro das expectativas na vida social é por exemplo uma relação entre

marido mulher, pais e filhos.

Ao exercer as funções respectivas, há um conjunto de expectativas mútuas que regulam as

relações.

A cada estatuto corresponde um papel, isto é, um conjunto de comportamentos que

esperados de um individuo com determinado estatuto. No caso de uma professora nós esperamos

que ela ensine bem. Existe, portanto, uma complementaridade entre estatuto e papel.

Numa sociedade, os papeis sociais prescrevem todos um conjunto de comportamentos,

possuem padrões de comportamentos próprios, de tal forma institucionalizados que os seus

membros sabem quais as reacções que um seu comportamento pode provocar – expectativa de

conduta.

Estas experiências (experiência do telefone) mostraram que as expectativas positivas geram

comportamentos positivos e as expectativas negativas geram comportamentos negativos.

O efeito das expectativas

Robert Rosenthal, para conhecer o efeito das expectativas dos docentes relativamente aos

seus alunos desenvolveu uma investigação sistemática recorrendo a várias experiências.

Texto 48 – segundo paragrafo importante.

Na experiência falada no texto 48 produz-se o que se designa por auto – realização das

profecias. É o que alguns autores designam por Efeito de Pigmalião, isto é, as consequências que

advêm do processo de profecia.

Entretanto, Rosenthal estudou as atitudes dos professores face às outras crianças,

analisando um subgrupo que apresentava sucesso escolar e desenvolvimento intelectual, mas que

não tinha sido previamente assinalado aos professores. Estes consideravam estas crianças menos

interessantes e menos adaptadas do que as outras. Isto é, os alunos que foram bem – sucedidos sem

que isso tenha sido previsto foram encarados de forma negativa pelos professores.

Uma outra área de pesquisa orientada por Rosenthal foi o efeito das expectativas dos

investigadores, chegando à conclusão de que, inadvertidamente, afectavam o resultado dos seus

estados – Experiência dos ratinhos página 162.

Rosenthal conclui que as expectativas interferem de facto nos resultados, reconhecendo,

contudo, que este processo que envolve investigadores e professores não é consciente.

Sem termos consciência ou intenção, as nossas atitudes e percepções influenciam os

comportamentos dos outros, que, por sua vez, influenciam os nossos. Movidos pela intuição,

afectados pelas nossas impressões, produzimos expectativas em relação aos outros, que, como um

espelho, devolvem impressões e expectativas.

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Atitudes

Uma atitude é uma tendência para responder a um objecto social – situação, pessoa, grupo,

acontecimento – de modo favorável ou desfavorável. A atitude não é, portanto, um comportamento

mas uma predisposição. É uma tomada de posição intencional de um indivíduo face a um objecto

social. As atitudes desempenham um papel importante no modo como processamos a informação do

mundo social em que estamos inseridos. Permitem-nos interpretar, organizar e processar as

informações. É este processo que explica que, face a uma mesma situação, diferentes pessoas a

interpretem de formas distintas.

Componentes das atitudes

Construídas ao longo da vida, mas com especial incidência na infância e na adolescência, as

atitudes envolvem diferentes componentes interligadas. Nas atitudes, podem distinguir-se três

componentes:

Componente cognitiva – é construída pelo conjunto de ideias, de informações, de

crenças que se têm sobre um dado objecto social. É o que consideramos como

verdadeiro acerca do objecto.

Componente afectiva - conjunto de valores e emoções, positivas ou negativas,

relativamente ao objecto social. Está ligada ao sistema de valores, sendo a sua direcção

emocional.

Componente comportamental – conjunto de reacções, de respostas, face ao objecto

social. Esta disposição para agir de determinada maneira depende das crenças e dos

valores que se têm relativamente ao objecto social.

É a partir de uma informação ou convicção a que se atribui um sentimento que desenvolvo

um conjunto de comportamentos.

Por exemplo, uma atitude negativa relativamente ao tabaco pode basear-se numa crença de

que há uma relação entre o tabaco e o cancro (componente cognitiva). A pessoa que partilha desta

crença não gosta do fumo e experimenta sentimentos desagradáveis em ambientes onde as pessoas

fumam (componente afectiva). A esta atitude estão, associados alguns destes comportamentos: a

pessoa não fuma, tenta convencer os outros a não fumar (componente comportamental).

Atitudes e comportamentos

As atitudes não são directamente observáveis: inferem-se dos comportamentos. Também é

possível, a partir de um comportamento, inferir a atitude que esteve na sua origem. Assim, se

soubermos que uma pessoa tem uma atitude negativa face ao tabaco, podemos prever a forma

como se comportará face a uma campanha anti – tabaco, ou como reagirá se fumarmos junto a ela.

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De igual modo, as reacções de uma pessoa face a uma situação podem permitir prever a atitude que

lhe está subjacente.

As atitudes são o suporte intencional de grande parte dos nossos comportamentos. (texto 50

– página 167).

Formação e mudança de atitudes

As atitudes não nascem connosco, formam-se e aprendem-se no processo de socialização.

São vários os agentes sociais responsáveis pela formação das atitudes: os pais e a família, a escola, o

grupo de amigos, a imprensa.

São sobretudo os pais que exercem um papel fundamental na formação das primeiras

atitudes nas crianças. A educação escolar desempenha, na nossa sociedade, um papel central na

formação das atitudes. Na adolescência, tem particular relevo o grupo de amigos.

Actualmente, os meios de comunicação, têm grande influência na formação de novas

atitudes ou no reforço das que já existem.

É através da observação, identificação e imitação dos modelos que se aprendem, que se

formam as atitudes. Esta aprendizagem ocorre ao longo da vida, mas tem particular prevalência na

infância e na adolescência. Há, contudo, uma tendência para a estabilidade das atitudes. (texto 51 –

página 168).

Apesar da relativa estabilidade das atitudes, estas podem mudar ao longo da vida. As

experiências vividas pelo próprio podem conduzir à alteração das atitudes. Por exemplo, uma pessoa

é a favor da pena de morte pode mudar de atitude porque viu um filme que a comoveu, um

documentário impressionante. Várias pesquisas levadas a cabo por psicólogos sociais nas últimas

décadas permitem identificar situações ou factores que favorecem a mudança de atitude.

Dissonância cognitiva

Leon Festinger, psicólogo social, levou a cabo uma investigação a partir da qual elaborou a

teoria da dissonância cognitiva.

Sempre que uma informação ou acontecimento contradiz o sistema de representações, as

convicções, a atitude de uma pessoa, gera-se um mal – estar e uma inquietação que têm de ser

resolvidos: ou se muda o sistema de crenças, ou se reinterpreta a informação que a contradiz, ou se

reformulam as crenças anteriores.

A dissonância cognitiva é um sentimento desagradável que pode ocorrer quando uma pessoa

sustenta duas atitudes que se opõem, quando estão presentes duas cognições que não se adequam

ou duas componentes de atitude que se contradizem. Por exemplo: a pessoa que gosta de fumar e

que sabe que o tabaco pode provocar cancro está perante uma dissonância cognitiva que lhe pode

provocar sentimentos de angústia de contradição ou inconsistência. Poderá atenuar a situação:

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Mudando as duas convicções;

Alterando a percepção da importância de uma delas;

Acrescentando uma outra informação;

Negando a relação entre as duas convicções/informações.

A opção por qualquer uma delas conduz a dissonância cognitiva.

Quanto mais fracas forem as razões para o comportamento discrepante, maior é o

sentimento de dissonância e maior a motivação para se modificar a atitude que provoca a

inconsistência.

Representações sociais

É através das representações que somos capazes de evocar uma pessoa, uma ideia e/ou

um objecto, na sua ausência. O conceito de representação foi alargado por Serge Moscovici, que o

caracterizou como um conhecimento que se distingue do conhecimento científico, elaborado a partir

de modelos sociais e culturais e que dão quadros de compreensão e de interpretação do real.

Assim, podemos definir as representações sociais como o conjunto das explicitações, das

crenças e das ideias que são partilhadas e aceites colectivamente numa sociedade e são produto das

interacções sociais. Correspondem a determinadas épocas, decorrendo de um conjunto de

circunstâncias socioeconómicas, políticas e culturais, podendo, assim, alterar-se.

A Elaboração das Representações Sociais

As representações são indispensáveis nas relações humanas, uma vez que fazem parte do

processo de interacção social. Moscovci identificou dois processos que estão na sua origem:

Objectivação – processo através do qual as representações complexas e abstractas se tornam

simples e concretas. Neste processo alguns elementos são excluídos/esquecidos e outros

valorizados/desenvolvidos, de forma a explicar a realidade de um modo mais simples. Envolve

também o reagrupamento das ideias e imagens.

Construção selectiva – os elementos do objecto de uma representação são seleccionados e

descontextualizados, sendo que apenas a parte mais importante da informação é mantida.

Esquematização figurativa – as informações seleccionadas são organizadas num “núcleo

figurativo”, ou seja, são convertidas num esquema figurativo simples.

Naturalização – a representação é materializada, o abstracto torna-se concreto.

Ancoragem – corresponde à assimilação das imagens criadas pela objectivação. As novas

representações juntam-se às anteriores formando o “universo de opiniões”.

Uma vez ancorada, uma representação social desempenha um papel de filtro cognitivo, isto é,

as informações novas são interpretadas segundo os quadros de representação preexistentes. Estão

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muito marcadas pela cultura e pela sociedade: a cada época, a cada sociedade correspondem

representações próprias.

Funções das Representações Sociais

Função de saber – as representações dão um sentido à realidade: servem para os indivíduos

explicarem, compreenderem e desenvolverem acções concretas sobre o real.

Função de orientação – são um guia dos comportamentos. Prescrevem práticas na medida em que

precedem o desenvolvimento de uma acção.

Função Identitária – permitem ao indivíduo construir uma identidade social, posicionando-se em

relação aos outros grupos sociais de pertença ou não-pertença.

Função de justificação – permitem explicar e justificar as opiniões e comportamentos dos indivíduos.

Influência Social

Pelo processo de socialização, integramos normas, valores, atitudes, comportamentos

considerados desejáveis na sociedade a que pertencemos. Todas as pessoas que vivem em sociedade

são influenciadas pelas outras, mesmo que não tenham consciência disso.

Página 183 – texto 58

Página 184 – texto 59

Podemos definir influência social como o processo pelo qual as pessoas modificam, afectam os

pensamentos, os sentimentos, as emoções e os comportamentos de outras pessoas. Este processo

decorre da própria interacção social, não tendo de ser intencional ou deliberado. Segundo o

psicólogo social W. Doise, influência é: “um conjunto de processos que modificam as percepções,

juízos, atitudes ou comportamentos de um indivíduo a partir do conhecimento das percepções,

juízos e atitudes dos outros.”

Processos de influência entre indivíduos

A influência social manifesta-se em três grandes processos que vamos analisar para

compreender o seu efeito no comportamento: normalização, conformismo, obediência.

Normalização

Através do processo de socialização, integramos um conjunto de regras, de normas vigentes na

sociedade em que estamos inseridos e que regulam os comportamentos, dos mais simples aos mais

complexos. As normas estruturam as interacções com os outros e são aprendidas nos vários

contextos sociais, na sua prática.

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As normas são regras sociais básicas que estabelecem o que as pessoas podem ou não podem

fazer em determinadas situações que implicam o seu cumprimento. As normas são uma expressão

de influência social. A sua interiorização progressiva ao longo do processo de socialização torna-as

tão naturais que não nos apercebemos da forma como influenciam os nossos pensamentos e

comportamentos.

As normas, que regulam as relações interpessoais e que reflectem o que é socialmente

desejável, orientam o comportamento. Definem o que é ou não é desejável, o que é conveniente

num dado grupo social, apresentando modelos de conduta.

É graças ao conjunto de normas que os comportamentos dos indivíduos de um dado grupo

social são uniformizados (toda a gente lava os dentes de manha; toda a gente usa talheres para

comer, etc), o que é uma vantagem, porque sabemos o que podemos esperar dos outros e o que os

outros esperam de nós (prever o comportamento dos outros).

Página 185 – texto 60

As normas traduzem os valores dominantes de uma sociedade ou de um grupo, constituindo

elementos de coesão grupal, dado que estabelecem um sistema de referência comum: atitudes e

padrões de comportamentos. As normas são facilitadoras do processo de adaptação, pois mantêm-

se estáveis no tempo, asseguram ao grupo uma identidade.

Na ausência de normas explícitas, reconhecidas colectivamente, os indivíduos que constituem

um grupo tentam elaborá-las influenciando-se uns aos outros. A este processo dá-se o nome de

normalização. Esta necessidade decorre do facto de a ausência de normas ser geradora de

desorientação e angústia nos membros do grupo. A vida em sociedade seria impossível se não

houvesse normas: as interacções sociais seriam imprevisíveis, o que comprometeria a vida social. É

pelas normas que prevemos o comportamento dos outros e que orientamos o nosso

comportamento. São as normas que asseguram a estabilidade do nosso viver social.

A falta de cumprimento das normas leva a sanções/castigos, que são aplicados da sociedade

ao individuo.

Página 186 – texto 61

Conformismo

O conformismo é uma forma de influência social que resulta do facto de uma pessoa mudar o

seu comportamento ou as suas atitudes por efeito da pressão do grupo (ex. da escolha do

restaurante).

A experiência mais conhecida, que estou este aspecto, é a experiência de Asch (ex. Rita Real)

Nesta experiência, 8 sujeitos foram colocados diante de um quadro com varias cartolinas. Cada

cartolina continha do lado esquerdo um linha vertical (figura de base) e à direita três linhas verticais

de comprimentos diferentes, numeradas de 1 a 3, uma das quais representava a linha de base.

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No grupo experimental, apenas um dos sujeitos é o verdadeiro sujeito experimental, e por

isso é o sujeito ingénuo, enquanto os restantes 7, são comparsas do experimentador. Cada um dos

sujeitos dá a avaliação em voz alta, sendo que os comparsas dão doze respostas erradas em dezoito

ensaios experimentais. Estes respondem antes do sujeito. Deste modo, o sujeito ingénuo encontra-se

numa posição minoritária e, apesar de não existir qualquer tipo de pressão explícita por parte do

grupo, este chega a cometer erros que atingem os 5 cm.

Página 188 – texto 62 (experiência de Asch)

Existem factos que influenciam e explicam o conformismo:

A unanimidade do grupo – o conformismo é maior nos grupos em que há unanimidade. Basta

haver no grupo um aliado que partilhe uma opinião diferente (pode ser igual à nossa ou não!), para

os efeitos do conformismo serem menores. Na experiência de Asch, bastava um dos indivíduos

respondesse correctamente, que o nível de conformismo baixa de forma significativa.

A natureza da resposta – o conformismo aumenta quando a resposta é dada publicamente: a

resistência à aceitação da opinião da maioria é maior quando a privacidade é assegurada (ex. mesas

de voto).

A ambiguidade da situação – a pressão de grupo aumenta quando não estamos certos do

que é correcto. Por isso, é maior o conformismo quando as tarefas ou as questões são ambíguas, não

sendo clara e inequívoca a opção (ex. nos testes quando não sabemos a resposta, metemos o que

nos disserem, mesmo que discordes parcialmente).

A importância do grupo – quanto mais atractivo for o grupo para a pessoa maior é a

probabilidade de ela se conformar. A necessidade de pertença ao grupo implica, por parte do

individuo, a adopção de comportamentos, normas e valores do grupo.

A auto-estima – as pessoas com um nível mais elevado de auto-estima são mais

independentes do que as que têm uma auto-estima mais baixa.

O conformismo está ligado às normas do grupo, pois o individuo conforma-se em relação às

normas do grupo.

As razoes que leva uma pessoa a conformar-se são as mesmas que a levam a fazer parte de

grupos: a necessidade de ser aceite, de interagir com os outros, e de o fazer de forma a terem

sentido.

Ceder ao conformismo

(Ler no livro – é só um exemplo e um texto ---- página 190)

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Obediência

Stanley Milgram realizou uma experiência no âmbito da influência social: a submissão à

autoridade.

(para não gastar folhas/papel/dinheiro - ler página 191 e 192 – Experiência de Milgram)

Factores que influenciam a obediência:

A partir das experiências de Milgram, vários investigadores estudaram as condições que

favorecem o comportamento obediente:

1. Proximidade da vítima – Quanto mais próximo estiver da vítima, menor é a obediência:

Se a vítima só podia ser ouvida, 65% dos sujeitos iam até ao limite.

Se houvesse contacto visual a percentagem baixava. Contudo, mesmo quando os

sujeitos eram eles próprios a manter a mão do aprendiz sobre uma placa metálica, 30% iam

até aos 450 volts.

2. Proximidade da figura de autoridade - Quanto mais próxima estiver a figura de autoridade,

maior é a obediência: as pessoas sentem-se mais intimidades e obedecem mais:

Quando o experimentador dava as instruções pelo telefone só 20.5% continuavam a

obedecer;

3. Legitimidade da autoridade – quanto mais reconhecida for a autoridade, maior é a

obediência (é por isso que os policias e os médicos tem roupas próprias):

Quando a experiência era conduzida num edifício normal de escritórios a obediência

caiu para 48%;

4. Influências sociais – pressão de grupo:

Se estivesse presente um segundo sujeito que obedecia, a obediência chegava aos

92%. Se o outro recusava, somente 10% dos sujeitos chega aos 450V.

“A essência da obediência é que uma pessoa passa a ver-se como o instrumento para executar

os desejos de outra pessoa e, portanto, não se considera responsável pelas suas acções.”

Milgram

Inconformismo e Inovação

As revoluções cientificas levadas a cabo por Copérnico, Darwin e Freud foram fruto do

inconformismo destes homens face às teorias da altura.

“Todo o mundo é composto de mudança” (alguém). E na base da mudança está, muitas vezes,

o inconformismo, a capacidade de pensar e fazer diferente.

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Podemos definir inconformismo como a adopção de concepções, atitudes e comportamentos

que não respondem às expectativas do grupo. As pessoas em que a pertença ao grupo constitui uma

parte importante do seu autoconceito têm mais probabilidade de se conformarem devido à

influência normativa; se a pertença ao grupo não tiver essa importância, é menos provável

submeterem-se às normas do grupo.

As pessoas que adoptam atitudes inconformistas são, frequentemente, objecto de critica

social (sarcasmo, marginalização, sanções, etc.)

O efeito da minoria

Moscovici pertendia conhecer a influência da minoria que é geradora de inovação, para isso

realizou experiencias inspiradas na experiência de Asch.

(ler página 195 – experiência e conclusões de Moscovici)

Em conclusão: a influência da minoria depende da consistência das suas posições, fundadas na

firmeza da sua defesa e na convicção, segurança e autoconfiança de quem as defende. As suas

posições devem traduzir-se de forma clara, serem consistentes e firmemente sustentadas, apesar

das pressões de grupo.

Indivíduos e Grupos

Nas relações interpessoais, não existe indiferença, como nos diz Max Pagé:

“O ser humano está em face do outro em estado permanente de não indiferença, de

disponibilidade ou de receptividade.”

Processos de relação entre indivíduos e grupos.

Atracção

A psicologia social procura compreender o que está na base destes processos que explicam a

atracção interpessoal (não é atracção erótica). É um tema importante porque, compreender-se a

atracção interpessoal, é compreender também o funcionamento dos grupos sociais: como se

originam, desenvolvem, evoluem e rompem as relações interpessoais no interior dos grupos.

Podemos definir atracção interpessoal como a avaliação cognitiva e efectiva que fazemos dos

outros e que nos leva a procurar a sua companhia. Manifesta-se pela preferência que temos por

determinadas pessoas que nos levam a gostar de estar com elas, a partilhar confortavelmente a sua

presença.

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Factores que influenciam a atracção (além da história pessoal):

1. Proximidade – a proximidade geográfica é um factor poderoso na medida em que são as

pessoas mais próximas aquelas por quem poderemos sentir-nos mais atraídas (também são aquelas

com quem poderemos ter mais conflitos)

2. Familiaridade – relaciona-se também com a proximidade; a atracção relativamente a uma

pessoa pode aumentar se estivermos frequentemente com ela. São as pessoas com quem lidamos

com mais frequência que nos são mais acessíveis.

3. Atracção física – as pessoas fisicamente mais bonitas (segundo os padrões culturais) causam

melhores impressões iniciais, o que incentiva a atracção por essa pessoa.

4. Semelhanças interpessoais – sentimo-nos atraídos por pessoas que têm sentimentos,

comportamentos, atitudes, opiniões, interesses e valores semelhantes aos nossos

5. Qualidades positivas - gostamos mais de pessoas que apresentam características que

consideramos agradáveis do que com características que consideramos desagradáveis.

6. Complementaridade – Há autores que consideram que, embora, numa primeira fase, as

semelhanças interindividuais sejam um factor de aproximação, no desenvolvimento de uma relação,

as pessoas são atraídas por características que elas não possuem; são as assimetrias das

características que tornam o outro atraente, na medida em que se complementam.

7. Reciprocidade – gostamos de pessoas que nos apreciam, que gostam de nós: simpatizamos

mais com quem simpatiza connosco.

Existem muitos factores que influenciam a atracção interpessoal, existem outros factores que

se interligam com os anteriores e entre si:

Respeito – quando valorizamos a competência, capacidade ou talento do outro

Aceitação – pela compreensão e disponibilidade demonstrada pelo outro

Estima – a simpática da outra pessoa aumenta a atracção que sinto por ela.

Gratidão – pelo bem que o outro propicia.

Agressão

(está tudo por tópicos no livro – página 204 e 205)

A origem da agressividade

(ler página 206-207)

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Apreciação critica

Actualmente, advoga-se que a presença da agressividade nos mamíferos terá um valor para a

sobrevivência das espécies que só se expressaria quando essencial para a sua preservação, isto é,

existem no ser humano estruturas relacionadas com a agressividade (processos fisiológicos), mas isso

não quer dizer que o ser humano esteja programado para a agressão.

Página 208 – texto 69

A agressividade está muito dependente do contexto social, isto é, a predisposição para a

agressividade pode ser estimulada ou inibida: assim se explicam as diferenças na sua expressão em

diferentes épocas, entre diferentes culturas e entre diferentes pessoas que fazem parte da mesma

cultura.

Factores que induzem à agressão

Hormonas (ex. testosterona)

Álcool

Cultura

Familiaridade com que se exibem

armas

Notícias frequentes sobre violência

Falta de realismo ao retratar o

sofrimento das vítimas

Filmes e series em que a

agressividade é o centro da acção

Características agressivas dos heróis

Frustração

Provocações

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