Click here to load reader

Apostila cordados

  • View
    56

  • Download
    2

Embed Size (px)

DESCRIPTION

cordados

Text of Apostila cordados

  • 1. 1 ESCOLA ESTADUAL JOO XXIII A Escola que a gente quer a Escola que a gente faz! NATUREZA DA ATIVIDADE: APOSTILA SOBRE CORDADOS DISCIPLINA: BIOLOGIA ASSUNTO: PEIXES, ANFBIOS, AVES, RPTEIS E MAMFEROS PROFESSOR(A): ALTINO, EVERTON, SHEILA ALUNO (A): _________________________________________________________________________ Peixes Educando para a Modernidade desde 1967 Os peixes representam a maior classe em nmero de espcies conhecidas entre os vertebrados. Acredita-se que os peixes tenham surgido por volta de 45 milhes de anos atrs. Mas como eles se distribuem pelo planeta? Os peixes ocupam as guas salgadas dos mares e oceanos e as guas doces dos rios, lagos e audes. Nesse grupo, existem cerca de 24 mil espcies, das quais mais da metade vive em gua salgada. O tamanho mdio dos peixes pode variar de um centmetro a at cerca de 18 metros. Provavelmente, foram os primeiros vertebrados a surgir na Terra, e eram pequenos, sem mandbula, tinham coluna vertebral cartilaginosa e uma carapaa revestindo seus corpos. Na evoluo, houve uma srie de adaptaes que representaram aos peixes melhores condies de sobrevivncia em seu habitat - no ter couraa pesada, ser nadadores velozes, ter mandbulas e poder morder. Antes limitados filtrao de partculas nutritivas suspensas na gua ou depositadas no fundo e sendo presas de alguns tipos de invertebrados, os peixes tornaram-se tambm eficientes predadores. Desde que surgiram, j ocupavam com sucesso os ambientes aquticos salgado e doce, e continuam assim at hoje. Caractersticas que favorecem a vida na gua Os peixes apresentam vrias caractersticas que favorecem o desempenho de suas atividades no ambiente em que vivem. Entre elas, destacam-se: corpo com formato, em geral, hidrodinmico, isto , achatado lateralmente e alongado, o que favorece seu deslocamento na gua; presena de nadadeiras, estruturas de locomoo que, quanto localizao, podem ser peitorais, ventrais, dorsais, caudais e anais; corpo geralmente recoberto por escamas lisas, cuja organizao diminui o atrito com a gua enquanto o animal se desloca; alm disso , a pele dotada de glndulas produtoras de muco, o que tambm contribui para diminuir o atrito com a gua; musculatura do tronco segmentada, o que permite a realizao de movimentos ondulatrios.
  • 2. 2 A temperatura corporal Os peixes so animais pecilotrmicos. Isso significa que a temperatura do seu corpo varia de acordo com a do ambiente. A temperatura do corpo dos peixes em geral mantm-se mais ou menos prxima temperatura ambiental. Respirao e circulao de sangue A maioria dos peixes respira por meio de brnquias, tambm conhecidas como guelras. A gua entra continuamente pela boca do peixe, banha as brnquias e sai pelas aberturas existentes de cada lado da cabea. Nas brnquias, onde existem muitos vasos sanguneos, o gs oxignio dissolvido na gua passa para o sangue. Ao mesmo tempo, o gs carbnico que se forma no organismo do animal e que est no sangue passa para a gua, sendo eliminado do corpo. O corao dos peixes tem duas cavidades um trio e um ventrculo - e por ele circula apenas sangue no-oxigenado. Depois de passar pelo corao, o sangue no oxigenado vai para uma artria e dai para as brnquias, onde recebe gs oxignio. A seguir, esse sangue, agora oxigenado, distribudo para todos os rgos do corpo do animal. Alimentao e digesto Alguns peixes so herbvoros, alimentando-se principalmente de algas. Outros so carnvoros, e alimentam-se de outros peixes e de animais diversos, como moluscos e crustceos. Nas zonas abissais - os grandes abismos ocenicos, destitudos de luz -, onde os seres fotossintetizantes no sobrevivem, h muitos peixes detritvoros, que se alimentam de restos orgnicos oriundos da superfcie iluminada, e tambm peixes carnvoros. O sistema digestrio dos peixes constitudo de boca, faringe, esfago, estmago e intestino, alm de glndulas anexas, como o fgado e o pncreas.
  • 3. 3 Os sentidos Os peixes tm vrios rgos dos sentidos Bolsa olfatria - So formadas por clulas localizadas nas narinas e associadas percepo de cheiros das substncias dissolvidas na gua. O sentido do olfato dos peixes geralmente muito aguado. O tubaro, por exemplo, pode "farejar" sangue fresco a dezenas de metros de distncia. Olhos - Permitem formar imagens ntidas a curta distncia. A distncias maiores, percebem apenas objetos em movimento na superfcie da gua. Alguns peixes tm percepo das cores e outros no. Os tubares e as raias (tambm conhecidas como arraias), por exemplo, no distinguem cores. Os olhos so geralmente grandes e no possuem plpebras nem glndulas lacrimais. Linha lateral - formada por uma fileira de poros situada de cada lado do corpo, com ramificaes na cabea. Os poros comunicam-se com um canal localizado sob as escamas, no qual existem clulas sensoriais. Por meio das clulas sensoriais, o peixe percebe as diferenas de presso da gua, que aumenta gradativamente com a profundidade. Percebe tambm correntes e vibraes na gua, detectando a presena de uma presa, de um predador ou os movimentos de outros peixes que esto nadando ao seu lado, o que muito importante para as viagens em cardumes. Percebe, ainda, a direo dos movimentos da gua, o que facilita sua locomoo na escurido ou em guas turvas. Classificao Existem duas classes de peixes: a classe dos condrictes (do grego khondros: 'cartilagem'; e ichthyes: 'peixe'), ou peixes cartilaginosos, e a classe dos ostectes (do grego osteon: 'osso'), ou peixes sseos. Os peixes sseos so os mais abundantes em nmero de espcies conhecidas, representando cerca de 95% do total dessas espcies. Existem vrias diferenas entre os peixes cartilaginosos e os sseos. Os peixes cartilaginosos Os peixes cartilaginosos, como o tubaro e a raia, vivem principalmente em gua salgada. Mas algumas espcies de raia vivem em gua doce. Entre as caractersticas dos peixes cartilaginosos, podemos considerar: esqueleto cartilaginoso e relativamente leve; presena de cinco pares de fendas branquiais e um orifcio chamado espirculo, por onde entra a gua e banha as brnquias; boca localizada ventralmente e intestino terminando em uma espcie de bolsa chamadacloaca - nela, convergem os dutos finais do sistema digestrio, urinrio e genital. Tubaro-Frade (Cetorhinus maximus) Os peixes sseos Os peixes sseos so abundantes tanto em gua salgada (tainhas, robalos, cavalos-marinhos, pescadas, etc.) como em gua doce (lambaris, dourados, pintados, pacus, acars-bandeiras, etc.). Vamos considerar algumas caractersticas dos peixes sseos: esqueleto predominantemente sseo; presena de quatro pares de fendas branquiais e ausncia de espirculo, brnquias protegidas por uma estrutura denominada oprculo; boca localizada na regio anterior e intestino terminado no nus, no h cloaca; presena, em muitas espcies, de uma vescula armazenadora de gases chamada bexiga natatria ou vescula gasosa.
  • 4. 4 Ausente nos peixes cartilaginosos, a bexiga natatria - que pode aumentar e diminuir de volume de acordo com a profundidade em que o peixe se encontra - favorece a flutuao e, com isso, permite ao animal economizar energia, j que ele pode permanecer mais ou menos estvel numa determinada profundidade sem que para isso necessite de grande esforo muscular para a natao. Reproduo dos peixes A maioria dos peixes sseos apresentafecundao externa: a fmea e o macho liberam seus gametas na gua. Aps a fecundao do vulo por um espermatozide, forma-se o zigoto. Em muitas espcies de peixes sseos, o desenvolvimento indireto, com larvas chamadas alevinos. Nos peixes cartilaginosos, a fecundao geralmente interna: o macho introduz seus espermatozides no corpo da fmea, onde os vulos so fecundados. O desenvolvimento direto: os ovos do origem a filhotes que j nascem com o aspecto geral de um adulto, apenas menores. Ao lado: O peixe Paulistinha na fase larval (acima) e na fase adulta (ao lado); espcie muito usada em pesquisa biomdica
  • 5. 5 Anfbios Nas proximidades de riachos, lagoas, audes, banhados e outras reas alagadas, voc pode escutar os sons dos anfbios - sapos, rs, pererecas. O que so anfbios, afinal? A palavra anfbio, de origem grega, significa "vida dupla", porque esses animais so capazes de viver no ambiente terrestre na fase adulta, mas dependem da gua para a reproduo. Na evoluo da vida no nosso planeta, os anfbios foram os primeiros vertebrados a ocupar o ambiente terrestre, embora no efetivamente. Alm de possurem uma pele muito fina que no protege da desidratao, eles colocam ovos sem casca, que ficam ressecados se permanecerem fora da gua ou de ambientes midos. Assim, esse grupo de animais, no independente da gua, j que pelo menos uma fase da vida, da maioria dos anfbios, acontece na gua e eles precisam dela para a reproduo. Cobertura e temperatura do corpo No possuem plos nem escamas externas. So incapazes de manter constante a temperatura de seu corpo, por isso so chamados animais de sangue frio (pecilotrmicos). A pele fina, rica em vasos sanguneos e glndulas, atravs da respirao, permite-lhes, a absoro de gua, que funciona como defesa orgnica. Quando esto com "sede", os anfbios encostam a regio ventral de seu corpo na gua e a absorvem pela pele. As glndulas em sua pele so de dois tipos: mucosas, que produzem muco, e serosas, que produzem veneno. Todo o anfbio produz substncias txicas. Existem espcies mais e menos txicas e os acidentes com humanos somente acontecero se essas substncias entrarem em contato com as mucosas ou sangue. Salamandra Respirao No estgio da vida aqutica, quando so larvas, os anfbios respiram por brnquias, como os peixes. Quando adultos, vivem em ambiente terrestre e realizam a respirao pulmonar. Como os seus pulmes so simples e tm pouca superfcie de contato para as trocas gasosas, a respirao pulmonar pouco eficiente, sendo importante a respirao cutnea - processo de trocas de gases com o meio ambiente atravs da pele. A pele deve, necessariamente, estar mida, pois os gases no se difundem em superfcies secas. As paredes finas das clulas superficiais da pele permitem a passagem do oxignio para o sangue. A pele dos anfbios bem vascularizada, isto , com muitos vasos sanguneos. Nutrio, digesto e excreo Na fase adulta, que ocorre no ambiente terrestre, os anfbios so carnvoros. Alimentam-se de minhocas, insetos, aranhas, e de outros vertebrados. A lngua, em algumas espcies de anfbios uma das suas caractersticas adaptativas mais importantes. Os sapos caam insetos em pleno vo, utilizando a lngua que presa na parte da frente da boca e no na parte mais interna. Quando esticada para fora da boca, a lngua desses animais alcana uma grande distncia, alm de ser pegajosa, outro fator facilitador na captura da presa. Possuem estmago bem desenvolvido, intestino que termina em uma cloaca, glndulas como fgado e pncreas. Seu sistema digestrio produz substncias capazes de digerir a "casca" de insetos. Os anfbios fazem a sua excreo atravs dos rins, e sua urina abundante e bem diluda, isto , h bastante gua na urina, em relao s outras substncias que a formam.
  • 6. 6 Circulao Os anfbios tm circulao fechada (o sangue circula dentro dos vasos). Como ocorre mistura de sangue venoso (rico em gs carbnico) e arterial (rico em oxignio) a circulao neste grupo de animais do tipo incompleta. O corao dos anfbios dividido em trs cavidades: dois trios ou aurculas e um ventrculo. Reproduo O lugar para a reproduo dos anfbios varia entre as espcies. Pode ser uma poa transitria formada aps uma chuva, um rio, lago ou um aude. H tambm os que procriam na terra, desde que seja bem mida. O acasalamento da maioria dos anfbios acontece na gua. O coaxar do sapo macho faz parte do ritual "pr-nupcial". A fmea no seu perodo frtil atrada pelo parceiro sexual por meio do seu canto e do seu coaxar. Esse canto varia de acordo com a espcie. A maioria das espcies possuem dois ou trs tipos de cantos diferentes. Alm do canto nupcial (que atrai as parceiras), h os cantos de advertncia com os quais o macho defende seu territrio da aproximao de outros machos. A fmea com o corpo cheio de vulos agarrada pelo macho com um forte "abrao". Esse "abrao" pode levar dias, at que a fmea lance os seus gametas (isto , os seus vulos) na gua. Ento o macho tambm lana os seus espermatozoides, que fecundam os vulos, cujo desenvolvimento ocorre na gua. O sapo, a r e a perereca realizam fecundao externa. A salamandra e a cobra-cega realizam fecundao interna. Nos numerosos ovos protegidos por uma grossa camada de substncias gelatinosa, que geralmente se prendem s plantas aquticas, as clulas vo se dividindo e formando embries. Os ovos fecundados eclodem e as larvas denominadas girinos, vivem e crescem na gua at realizarem a metamorfose para a vida adulta. Metamorfose A metamorfose envolve uma srie de transformaes e um processo bastante lento que transforma o anfbio jovem (girino) em adulto. Durante esse processo desaparecem as brnquias e desenvolvem-se os pulmes. E surgem tambm as patas no corpo do animal. Nessa fase, os girinos se alimentam primeiramente da prpria gelatina que os envolve e depois de algas e plantas aquticas microscpicas. Reproduzem-se atravs de ovos moles e sem casca, postos na gua ou em lugares encharcados, dando origem a uma larva e depois a um adulto atravs do processo de metamorfose. Existem excees a essa regra, alguns deles so vivparos. Em geral, no existe cuidado com a prole dentre os anfbios. So divididos em trs grupos: Anura: os sapos, as rs, as pererecas Caudata: as salamandras Apoda: as ceclias
  • 7. 7 Os grupos de anfbios Das cerca de 3.500 espcies de sapos, rs e pererecas catalogadas no mundo, mais de 600 ocorrem no Brasil. De acordo com a forma do corpo, os animais classificados como os anfbios esto ordenados da seguinte maneira: podes Ceclias As ceclias so anfbios, vermiformes, que no tm membros e que vivem enterradas. Em decorrncia, seus olhos so muito pequenos e usam receptores qumicos para detectar suas presas. Podem ser aquticas ou terrestres, mas todas respiram atravs de pulmes. Alimentam-se de presas alongadas como minhocas, vermes, larvas de insetos e provavelmente tambm de peixes pequenos. As ceclias so encontradas em regies tropicais. No Brasil existem espcies aquticas na Amaznia e terrestres por grande parte do territrio. So difceis de encontrar, pois vivem em locais midos, enterradas no solo. Os machos desse grupo possuem um rgo reprodutor chamado de falodeu, assim a fecundao nas ceclias interna. Algumas espcies de ceclias so ovparas e outras vivparas, no caso das ovparas as fmeas cuidam dos ovos at o nascimento. Anuros Sapos Os anuros so um grupo de anfbios que no possuem cauda e possuem estrutura de esqueleto adaptada para locomoo aos saltos. A diversidade de anuros enorme e este grupo est presente em todos os continentes. Existem anuros adaptados vida aqutica e terrestre. Todos so carnvoros, em geral utilizam a viso para a deteco da presa, portanto importante que haja movimento. Esses animais possuem uma grande variedade de estratgias reprodutivas, que vo desde o desenvolvimento direto dos girinos, que nascem aps dez dias, e que depois de uma srie de metamorfoses transformam-se em sapinhos. O sapo captura suas presas com a lngua gil. Ele fecha os olhos para engolir o alimento. Atitude que uma necessidade fisiolgica: os grandes olhos so forados para cavidade bucal a assim ajudam a empurrar os alimentos para a garganta abaixo. Os sapos so muito teis ao homem porque com seu grande apetite comem muitos vermes, lagartas e insetos nocivos de vrias espcies. A parte mais fascinante da reproduo dos anuros , entretanto a vocalizao do macho para atrair a fmea. Cada espcie produz um som diferente originando grande variedade de sons emitidos. So capazes de emitir tambm sons de agonia e de defesa de territrio. Rs As rs so popularmente conhecidas como anuros. So bastante ligadas gua e bons nadadores. No Brasil, ocorre apenas uma espcie de r verdadeira que encontrada na Amaznia. Seus membros posteriores so longos e adaptados natao e aos saltos. As rs "verdadeiras" possuem membranas entre os dedos dos membros posteriores (como num p de pato). Alimentam-se de caramujos, lesmas e insetos, apanhando-os com a lngua. O acasalamento dura 24 horas. A fmea pe 2.000 ou 3.000 ovos com cerca de 2 mm de dimetro. A carne da r bastante apreciada. Existem criadouros para explorao comercial.
  • 8. 8 Pererecas A perereca pertence famlia das Racofordeas. Existem cerca de 150 espcies. Sua pele mais lisa que as dos sapos. A perereca possui nas extremidades de cada dedo pequenas almofadas adesivas que servem para se prender aos galhos. Ela dotada de membranas elsticas estendidas entre os dedos, que formam uma espcie de pipa. Encurvando o trax e estendendo as pernas, as pererecas podem realizar vos de quase 2 metros. Quando vo botar seus ovos, escolhem uma rvore pendente sobre o pntano, esses ovos depositados nas folhas, so envolvidos por uma substncia pegajosa, muito parecida com claras batidas em neve. Quando nascem os girinos, fabricam uma substncia que os livra desta massa pegajosa caindo ento no pntano e s assim comea sua vida aqutica. As pererecas so comumente encontradas em banheiros de casas de chcaras e stios. Urodelos Salamandras-de-fogo As salamandras comuns so chamadas pelo nome cientfico de Salamandra terrestris. Habitam regies arborizadas. Vivem principalmente na Europa e no norte da frica e tm hbitos essencialmente noturnos. Normalmente elas hibernam. Elas diferem em tamanho e no jogo de cores das costas. Algumas medem cerca de 14 a 20 centmetros. Secretam um veneno que as protege de predadores. Esse veneno produzido por glndulas localizadas na parte de traz da cabea e muito forte. Um cachorro que tentar comer uma salamandra pode morrer. Ao contrrio de outros anfbios, a salamandra comum se acasala em terra firme. Os machos, que so muito ativos, correm de uma fenda a outra procura de fmeas. Depois da fecundao, os ovos se desenvolvem dentro do rgo genital da fmea. As larvas nascem da fmea numa corrente de gua. Sofrem metamorfose, tornam-se adultas e perdem a capacidade de viver dentro da gua. Salamandra terrestres
  • 9. 9 Rpteis Primeiros Vertebrados Bem-Sucedidos no Meio Terrestre Os rpteis foram os primeiros vertebrados a conquistar, com sucesso e definitivamente, o ambiente terrestre. Isto porque desenvolveram algumas caractersticas adaptativas, tais como: presena de casca calcria envolvendo o ovo e pele impermevel, seca, sem glndulas, revestida por escamas epidrmicas (nas cobras e lagartos), por placas crneas (nos crocodilos e jacars) ou ainda por placas sseas (nas tartarugas), formando uma carapaa que protege o animal contra a desidratao. A impermeabilizao da pele ocorreu graas intensa produo de uma molcula protica, a queratina, a grande novidade bioqumica produzida em grande quantidade pela epiderme dos rpteis, fato que se repetir tambm nas aves e nos mamferos. Na verdade, na pele dos anfbios, essa molcula j existe, s que em pequenssima quantidade, sendo incapaz de tornar a pele impermevel gua e aos gases da respirao. Essa adaptao permitiu aos rpteis a economia de gua, possibilitando a vida em habitat dos mais diversos, inclusive desrticos. Por outro lado, a falta de umidade da pele e a riqueza em queratina impedem as trocas gasosas que, assim, passam a ser executadas exclusivamente por pulmes. Os pulmes tm maior superfcie relativa e so mais eficientes que os anfbios, dispensando a pele da funo respiratria. A entrada e sada do ar tambm mais eficiente, devido ao auxlio dos msculos das costelas. At mesmo a excreo dos rpteis est adaptada mnima perda de gua possvel. O produto de excreo nitrogenado o cido rico, eliminado pela cloaca, juntamente com as fezes, na forma de uma pasta semi-slida. Fig. 1, escamas epidrmicas (presente nas cobras e lagartos); fig. 2, placas crneas (presente nos crocodilos e jacars); fig.3 placas sseas (presente nas tartarugas) Reproduo Outra adaptao importante vida no ambiente terrestre fecundao interna, independente da gua, na qual os gametas (vulos e espermatozides) ficam protegidos das influncias do meio externo. As fmeas so geralmente ovparas, isto , quando fecundadas pem ovos e os embries se desenvolvem dentro deles, portanto fora do corpo materno. O desenvolvimento embrionrio ocorre inteiramente no interior de um ovo dotado de casca protetora calcria porosa, que permite a ocorrncia de trocas gasosas. Uma bolsa cheia de lquido, a vescula amnitica, garante o desenvolvimento do embrio em meio aquoso. Uma vescula vitelnicarepleta de reservas alimentares, o vitelo, garante a sobrevivncia do embrio com alimentos provenientes do vulo. E, para completar a eficincia desse novo mtodo reprodutivo, uma bolsa excretora, o alantide, recolhe o cido rico e o imobiliza na forma de cristais que no interferem na vida do embrio. Aderido membrana da casca, encontra-se mais um anexo embrionrio, o crio, sob a forma de uma membrana ricamente vascularizada, que garante as trocas gasosas respiratrias com o sangue que encaminha o oxignio para as clulas embrionrias.
  • 10. 10 No h fase larval. Terminando o desenvolvimento, o jovem indivduo, com mas caractersticas do adulto, quebra a casca e sai do ovo. Alguns lagartos e cobras peonhentas podem ser ovovivparos (o ovo posto pela fmea depois de permanecer durante um certo tempo do desenvolvimento do embrio dentro do corpo da me) ouvivparos (o desenvolvimento do embrio ocorre totalmente dentro do organismo da fmea). Esqueleto O nome rpteis deriva do modo de locomoo: as quatro patas (ausentes nas cobras) situam-se no mesmo plano do corpo, determinando o rastejamento do ventre no solo (do latim reptare = rastejar). Para a realizao desses movimentos, apresentam msculos bem desenvolvidos. O esqueleto dos rpteis totalmente sseo. A Terra j conheceu formas gigantescas desses animais, como os dinossauros, que povoaram e dominaram nosso planeta durante anos, como indiscutvel superioridade. Digesto Alguns desses vertebrados apresentam dentes (cobras, crocodilos e jacars), sendo que certas cobras tm presas inoculadoras de veneno. Associadas presena de glndulas salivares modificadas em glndulas de veneno, essas presas caracterizam o que chamamos de cobras peonhentas. Se no possurem os dentes inoculadores, mesmo tendo glndulas de veneno na boca so conhecidas como no-peonhentas. As cobras so predadoras e ingerem suas presas inteiras, sem usar os dentes na mastigao. O aparelho digestivo completo, terminando em cloaca. A figura ao lado mostra as glndulas de veneno presentes nas cobras peonhentas. Circulao Como nos anfbios, o corao dos rpteis apresenta trs cavidades: um trio ou aurculas e um ventrculo. O corao dos rpteis crocodilianos apresenta quatro cavidades: dois trios e dois ventrculos (como o das aves e dos mamferos). No entanto, mesmo nos crocodilianos observa-se mistura dos tipos de sangue (venoso e arterial) que passam pelo corao, embora em proporo menor do que nos anfbios. Assim, podemos considerar a circulao dos rpteis dupla e incompleta. Em funo disso, os animais desse grupo so pecilodrmicos, isto , adaptam a temperatura do corpo a temperatura do ambiente. No ambiente terrestre, as variaes de temperatura so maiores do que no ambiente aqutico. Para manter a temperatura do corpo prximo do ambiente, os rpteis costumam recorrer a fontes externas de calor, como o sol ou a superfcie quente de uma rocha. comum ver rpteis expostos ao sol durante o dia. O termo lagartear aplicado s pessoa que preguiosamente se deitam ao sol, a maneira dos lagartos. Quando os rpteis sentem-se muito aquecidos, geralmente procuram locais de sombra. Com esse comportamento mantm a temperatura do corpo praticamente constante, em torno dos 37C.
  • 11. 11 Fosseta Loreal - orficio a frente do olho Muitas espcies de cobras e lagartos so teis ao ser humano, pois caam roedores e outros animais que prejudicam a agricultura e causam doenas ao homem. Entre as cobras, porm, h espcies cujo veneno pode ser fatal, causando a morte de um grande nmero de pessoas a cada ano. No Brasil, as cobras venenosas podem ser reconhecidas, geralmente, pela presena de um pequeno orifcio situado entre a narina e a boca: a fosseta loreal, um rgo sensorial sensvel ao calor. Com ele estas cobras detectam a presena de animais de sangue quente (aves e mamferos), suas presas preferidas. A fosseta loreal est ausente na coral-verdadeira, apesar de ser venenosa. Veja na tabela a seguir outras caractersticas utilizadas para diferenciar uma cobra venenosa de uma no-venenosa Caractersticas No-peonhenta Peonhenta Cauda Longa (afina lentamente) Curta (afina abruptamente) Cabea Arredondada Triangular achatada Olhos Com pupilas arredondadas Com pupilas em fenda vertical Escamas da cabea Grandes Pequenas Escamas do corpo Lisas Com nervuras Fosseta Loreal Ausente Presente Os critrios utilizados para a diferenciao entre os dois tipos de cobras apresentam excees, por isso no devem ser seguidos risca. Por exemplo: a cobra coral-verdadeira peonhenta, no entanto, no apresenta fosseta loreal e tem cabea arredondada. Para prevenir acidentes com cobras, muito importante: Usar botas e perneiras sempre que se estiver caminhando em ambientes propcios presena desses animais, uma vez que a maioria das picadas atinge as pernas, abaixo dos joelhos; Usar luvas de couro ao mexer em montes de lixo, folhas secas, palha ou buracos, para evitar picadas nas mos e antebraos; Ter cuidado ao mexer em pilhas de lenha, milho ou cana e ao revirar cupinzeiros, pois as cobras gostam de se abrigar em locais quentes e midos; Fique atento ao calar sapatos e botas, pois animais peonhentos podem se abrigar dentro deles. Em casos de picadas de cobras, procure assistncia mdica imediata. A pessoa acidentada deve receber a dose adequada de soro antiofdico especfico, que contm anticorpos (antitoxinas) capazes de neutralizar o efeito txico do veneno. O membro atingido pela picada deve ser mantido em posio bem elevada e imvel, pois a locomoo facilita a absoro de veneno. No coloque no ferimento nenhum tipo de material (folhas, p-de-caf, terra, etc), pois estes podem causar infeco, agravando a situao. No corte o local da picada com canivetes ou outros objetos no desinfetados, pois estes podem causar infeco ou agravar o efeito hemorrgico de certos venenos. Algumas cobras temidas nem sequer so peonhentas. o caso da sucuri, que pode atingir at dez metros de comprimento e mata suas presas por estrangulamento. A jibia, que chega a ter at 3 metros, no peonhenta e no ataca o homem, fugindo quando provocada. A muurana uma cobra no venenosa que se alimenta principalmente de cobras venenosas. Entra as cobras peonhentas, podemos citar a jararaca, jararacuu, jararaca-ilhoa, a urutu, a cascavel, a surucucu, etc. A cobra-cip, a muurana e a falsa coral apresentam as presas inoculadoras de veneno localizadas na regio posterior da boca. Esta localizao dificulta a inoculao eficiente do veneno. Por isto, estas cobras no representam perigo para o homem, se puderem ser reconhecidas. Os jacars e crocodilos, assim como as cobras, tm sua pele utilizada na confeco de bolsas e sapatos. Por isso, no pantanal brasileiro, estes animais correm o risco de extino. O homem vem promovendo uma grande matana e a venda ilegal dessas peles pelos contrabandistas e comerciantes estrangeiros. Uma consequncia da diminuio do nmero de jacars no Pantanal j pode ser observada: multiplica-se a quantidade de piranhas, das quais o jacar predador. O aumento de piranhas constitui um grande problema para as pessoas da regio, que desenvolvem suas atividades na gua (lavar roupa, banhar-se, atravessar o rio com boiadas...). Alm dos rpteis j citados, so tambm exemplos de seres desse grupo o cgado, o jabuti, o camaleo, a iguana, a cobra de duas cabeas, a cobra de vidro e a lagartixa.
  • 12. 12 Aves - vertebrados homeotermos com corpo coberto por penas As aves (latim cientfico: Aves) constituem uma classe de animais vertebrados, tetrpodes,endotrmicos, ovparos, caracterizados principalmente por possurem penas, apndices locomotores anteriores modificados em asas, bico crneo e ossos pneumticos. So reconhecidas aproximadamente 9.000 espcies de aves no mundo. As aves conquistaram o meio terrestre de modo muito mais eficiente que os rpteis. A principal caracterstica que permitiu essa conquista foi, sem dvida, a homeotermia, a capacidade de manter a temperatura corporal relativamente constante custa de uma alta taxa metablica gerada pela intensa combusto de alimento energtico nas clulas. Essa caracterstica permitiu s aves, juntamente com os mamferos, a invaso de qualquer ambiente terrestre, inclusive os permanentemente gelados, at ento no ocupados pelos outros vertebrados. As aves variam muito em seu tamanho, dos minsculos beija-flores a espcies de grande porte como o avestruz e a ema. Note que todos os pssaros so aves, mas nem todas as aves so pssaros. Avestruz Os pssaros esto incluidos na ordem Passeriformes, constituindo a ordem mais rica, ou seja, com maior nmero de espcies dentro do grupo das aves. Enquanto a maioria das aves so caracterizadas pelo vo, as ratitas no podem voar ou apresentam vo limitado, uma caracterstica considerada secundria, ou seja, adquirida por espcies "novas" a partir de ancestrais que conseguiam voar. Muitas outras espcies, particularmente as insulares, tambm perderam essa habilidade. As espcies no-voadoras incluem o pinguim, avestruz, quivi, e o extinto dodo. Aves no-voadoras so especialmente vulnerveis extino por conta da ao antrpica direta (destruio e fragmentao do habitat, poluio etc.) ou indireta (introduo de animais/plantas exticos, mamferos em particular). Pinguin A circulao Uma caracterstica que favorece a homeotermia nas aves a existncia de um corao totalmente dividido em quatro cavidades: dois trios e dois ventrculos.
  • 13. 13 No ocorre mistura de sangues. A metade direita (trio e ventrculo direitos) trabalha exclusivamente com sangue pobre em oxignio, encaminhando-o aos pulmes para oxigenao. A metade esquerda trabalha apenas com sangue rico em oxignio. O ventrculo esquerdo, de parede musculosa, bombeia o sangue para a artria aorta. Assim, a todo o momento, os tecidos recebem sangue ricamente oxigenado, o que garante a manuteno constante de altas taxas metablicas. Esse fato, associado aos mecanismos de regulao trmica, favorece a sobrevivncia em qualquer tipo de ambiente. A circulao dupla e completa. A respirao: pulmes e sacos areos O sistema respiratrio tambm contribui para a manuteno da homeotermia. Embora os pulmes sejam pequenos, existem sacos areos, ramificaes pulmonares membranosas que penetram por entre algumas vsceras e mesmo no interior de cavidades de ossos longos. A movimentao constante de ar dos pulmes para os sacos areos e destes para os pulmes permite um suprimento renovado de oxignio para os tecidos, o que contribui para a manuteno de elevadas taxas metablicas. A pele das aves seca, no-dotada de glndulas e rica em queratina que, em alguns locais do corpo, se organiza na forma de placa, garras, bico crneo e constituinte fundamental das pernas. As aves no tm glndulas na pele. No entanto, h uma exceo: a glndula uropigial (ou uropigiana), localizada na poro dorsal da cauda e cuja secreo oleosa lubrificante espalhada pela ave, com o bico, nas penas. Essa adaptao impede o encharcamento das penas em aves aquticas e ajuda a entender por que as aves no se molham, mesmo que fiquem desprotegidas durante uma chuva. Exclusividade das aves: corpo coberto por penas Digesto e excreo em aves As aves consomem os mais variados tipos de alimentos: frutos, nctar, sementes, insetos, vermes, crustceos, moluscos, peixes e outros pequenos vertebrados. Elas possuem um sistema digestivo completo, composto de boca, faringe, esfago, papo, proventrculo, moela, intestino, cloaca e rgos anexos (fgado e pncreas). Ao serem engolidos os alimentos passam pela faringe, pelo esfago e vo para o papo, cuja funo armazenar e amolecer os alimentos. Da eles vo para o proventrculo, que o estmago qumico das aves, onde sofrem a ao de sucos digestivos e comeam a ser digeridos. Passam ento para a moela (estmago mecnico) que tem paredes grossas e musculosas, onde os alimentos so triturados. Finalmente atingem o intestino, onde as substncias nutritivas so absorvidas pelo organismo. Os restos no aproveitados transformam-se em fezes. As aves possuem uma bolsa nica, a cloaca, onde desembocam as partes finais do sistema digestivo, urinrio e reprodutor e que se abre para o exterior. Por essa bolsa eles eliminam as fezes e a urina e tambm pem os ovos.
  • 14. 14 Sistema Reprodutor Diferentes de seus parentes rpteis, que s vezes do luz a seus filhotes, todas as espcies de aves pem ovos. Apesar dos ovos parecerem bastante frgeis, seu formato oval oferece grande resistncia e eles podem suportar grandes presses sem quebrar. Como os ovos so pesados e incmodos de carregar, as fmeas colocam os ovos assim que so fertilizadas, quase sempre em um ninho construdo para proteger o ovo contra predadores e para mant-lo aquecido durante o desenvolvimento do embrio. Diferentes espcies de aves pem nmeros diferentes de ovos os pinguins normalmente pem um nico ovo, enquanto o chapim azul europeu pe entre 18 e 19 ovos. A construo de um ninho uma das grandes faanhas de design e engenharia do reino animal. Espcies diferentes mostram uma diversidade extraordinria na construo de seus ninhos. Algumas aves constroem ninhos minsculos to bem escondidos, que nem mesmo o caador mais determinado pode encontr-los, mas outras espcies constroem ninhos enormes, altamente visveis, que elas defendem corajosamente contra qualquer criatura que se aproxime. Os cisnes frequentemente constroem ninhos com vrios centmetros de dimetro, enquanto que o Scopus umbretta africano constri ninhos em forma de cpula, que podem pesar at 50 quilos, levando vrias semanas para serem construdos. Os pssaros usam uma grande variedade de materiais para construir seus ninhos. Algumas espcies usam apenas galhos e ramos para construir os tipos de ninhos normalmente vistos em jardins e cercas vivas. Outras usam um pouco de tudo: de folhas a penas, debarro a musgos, e at mesmo objetos feitos pelo homem, como papel laminado. O Collocalia maxima do sudeste da sia faz seus ninhos inteiramente de sua prpria saliva, e os constri nos tetos de cavernas. Nem todas as aves constroem ninhos. O cuco, em particular, usa o ninho de outras aves em vez de construir o seu. A fmea voa rapidamente para um ninho apropriado, retirando um dos ovos da hospedeira e coloca seu prprio ovo, normalmente do mesmo tamanho e forma do que ela retirou. O pinguim imperador sequer usa um ninho: ele coloca seu seu nico ovo diretamente sobre neve, e o incuba com a temperatura de seu corpo. Adaptaes ao vo No seu caminho evolutivo, as aves adquiriram vrias caractersticas essenciais que permitiram o vo ao animal. Entre estas podemos citar: 1. Endotermia 2. Desenvolvimento das penas 3. Aquisio de ossos pneumticos 4. Perda, atrofia ou fuso de ossos e rgos 5. Aquisio de um sistema de sacos areos. 6. Postura de ovos 7. Presena de quilha, expanso do osso esterno, na qual se prendem os msculos que movimentam as asas 8. Ausncia de bexiga urinria
  • 15. 15 As penas, consideradas como diagnstico das aves atuais, esto presentes em outros grupos de dinossauros, entre eles o prprioTyrannosaurus rex. Estudos apontam que a origem das penas se deu a partir de modificaes das escamas dos rpteis, tornando-se cada vez mais diferenciadas, complexas e, posteriormente, vieram a possibilitar os vos planado e batido. Acredita-se que as penas teriam sido preservados na evoluo por seu valor adaptativo, ao auxiliar no controle trmico dos dinossauros uma hiptese que aponta para o surgimento da endotermia j em grupos mais basais de Dinosauria (com relao s aves) e paralelamente com a aquisio da mesma caracterstica por rpteis Sinapsida, que deram origem aos mamferos. Os ossos pneumticos tambm so encontrados em outros grupos de rpteis. Apesar de serem ocos (um termo melhor seria "no-macios"), os ossos das aves so muito resistentes, pois preservam um sistema de trabculas sseas arranjadas piramidalmente em seu interior.
  • 16. 16 Mamferos As aves e os mamferos so os nicos homeotermos da Terra atual e os nicos a apresentar glndulas mamrias. A capacidade de manter a temperatura do corpo elevada e constante foi o principal fator adaptativo dos representantes desse grupo praticamente qualquer ambiente terrestre. Muitos mamferos voltaram para o meio aqutico (baleias, foca, golfinho, peixe-boi) e outros adaptaram-se ao vo (morcego) e compartilham o meio areo com as aves e os insetos. As caractersticas dos mamferos Algumas caractersticas diferenciam os mamferos de todos os outros vertebrados: glndulas mamrias produtoras de leite com substncias nutritivas para alimentao dos recm-nascidos; corpo coberto por pelos, estruturas de origem epidrmica, ricas em queratina, e elaboradas por folculos pilosos; artria aorta voltada para o lado esquerdo do corao (nas aves, a aorta voltada para o lado direito do corao); pele contendo glndulas sebceas, cuja secreo oleosa lubrifica os pelos e a prpria pele, e glndulas sudorparas, produtoras de suor (na verdade, um filtro de gua, sais e ureias), recurso de manuteno da homeotermia e via de eliminao de excretas. Ambas as glndulas tm origem epidrmica; msculo diafragma, localizado entre o trax e o abdmen, utilizado na ventilao pulmonar; placenta, rgo que regula as trocas de alimento entre o sangue materno e o sangue fetal, presente na maioria dos mamferos chamados placentrios. Feto humano e de golfinho envoltos pela placenta Respirao, excreo e circulao em mamferos As trocas gasosas respiratrias ocorremexclusivamente nos pulmes, cuja superfcie ampliada por alvolos ricamente vascularizados. Os movimentos respiratrios de inspirao e expirao ocorrem graas ao de msculos localizados entre as costelas (musculatura intercostal) e, tambm, pela ao do diafragma, importante msculo estriado que separa o trax do abdmen. Nos mamferos, o principal produto de excreo nitrogenada a ureia, substncia sintetizada no fgado e filtrada no rim. O corao dos mamferos, a exemplo das aves, possui quatro cavidades: dois trios e dois ventrculos. No h misturas de sangues. A diferena em relao ao corao das aves que a artria aorta, que encaminha o sangue oxigenado para o corpo, curvada para o lado esquerdo do corao. A circulao dupla e completa.
  • 17. 17 Os dentes Os mamferos apresentam uma grande variedade de dentes com funes especficas. Os incisivos so planos e servem para cortar; os caninos so pontiagudos e so usados para estraalhar a carne. Os molares so largos e com protuberncias e servem para mastigar. O nmero e o tipo de dentes variam de acordo com a alimentao de cada espcie. Os carnvoros possuem os caninos e os molares muito desenvolvidos; os herbvoros no tm caninos, j que no precisam deles para cortar o pasto. Sistema nervoso O crebro dos mamferos possui muitas circunvolues ou dobras, que aumentam a superfcie do rgo e o nmero de clulas nervosas. Por esta razo, os mamferos desenvolveram um comportamento complexo, que pode ser percebido em atitudes como as estratgias de caa, o cuidado com os filhotes, a adaptao a qualquer ambiente e os diferentes sistemas de comunicao estabelecidos entre os indivduos da mesma espcie. A reproduo: surge a placenta Os sexos so separados. O dimorfismo sexual acentuado, isto , as fmeas possuem caractersticas externas que as diferenciam dos machos e vice-versa. A fecundao interna. Na grande maioria, o desenvolvimento embrionrio ocorre no interior do corpo materno, em um rgo musculoso chamado tero. Surge um rgo de trocas metablicas, a placenta organizada por tecidos maternos e tecidos do embrio. Alimentos, oxignio, anticorpos e hormnios so passados do sangue materno para o embrionrio que, em troca, transfere para a me excretas e gs carbnico. A vescula amnitica, muito desenvolvida, desempenha importante papel protetor ao amortecer choques que incidem contra a parede abdominal da fmea e tambm ao possibilitar um meio aqutico para o desenvolvimento embrionrio. A vescula vitelnica e alantide perdem sua funo, que passa a ser desempenhada pela placenta. Classificao dos mamferos Na Terra atual existem trs subclasses de mamferos: monotremados. So mamferos primitivos cuja boca possui bico crneo e que se reproduzem por meio da postura de ovos. Os representantes atuais, os ornitorrincos e as equidnas restringem-se regio australiana (Austrlia e Nova Guin); Ornitorrinco marsupiais. Esse grupo inclui representantes da fauna australiana, como os cangurus e os coalas, e representantes norte-americanos e sul-americanos, como os nossos gambs e cucas. Aps curta fase de desenvolvimento em uma dobra da pele do abdmen da me, com aspecto de bolsa, o marspio; Ogato-tigre, Dasyurus maculatus, um dos maiores marsupiais carnvoros da Austrlia. placentrios. Inclui a maioria dos mamferos, separados em ordens como a dos carnvoros, roedores, ungulados, cetceos, quirpteros e a dos primatas, qual pertence a espcie humana. Nesses animais, tero e placenta so bem desenvolvidos, o que permite o desenvolvimento no interior do organismo materno.