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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO FACULDADE …§ões-Teses... · Para os solos argilosos os atributos areia grossa, areia média, diâmetro médio ponderado, diâmetro médio geométrico

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

FACULDADE DE AGRONOMIA, MEDICINA VETERINRIA E

ZOOTECNIA

Programa de Ps-graduao em Agricultura Tropical

CONDUTIVIDADE HIDRULICA EFETIVA E ERODIBILIDADE

ENTRESSULCOS DE SOLOS DA BACIA DO RIO DAS MORTES

EDWALDO DIAS BOCUTI

CUIAB MT

2016

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

FACULDADE DE AGRONOMIA, MEDICINA VETERINRIA E

ZOOTECNIA

Programa de Ps-graduao em Agricultura Tropical

CONDUTIVIDADE HIDRULICA EFETIVA E ERODIBILIDADE

ENTRESSULCOS DE SOLOS DA BACIA DO RIO DAS MORTES

EDWALDO DIAS BOCUTI

Engenheiro Agrnomo

Orientador: Prof. Dr. RICARDO SANTOS SILVA AMORIM

CUIAB MT

2016

Dissertao apresentada faculdade de Agronomia, Medicina Veterinria e Zootecnia da Universidade Federal de Mato Grosso, para obteno do ttulo de Mestre em Agricultura Tropical.

A minha amada av, Joana Antnia Dias, minha eterna rainha a quem eu

amarei por toda eternidade.

A meus pais, Ezuel domingas Dias Bocuti e Diro Bocuti, a quem admiro pelo

esforo com o qual me criaram e educaram.

E por toda compreenso, exemplo de dignidade e, principalmente, pelo apoio

incondicional ao longo de toda a minha vida. Ao meu irmo Eduardo Dias Bocuti

e Irm Nadja Maria Dias Bocuti e Amigos que sempre torceram por mim e me

apoiaram. E ainda por todo carinho, amizade e companheirismo.

Dedico

Ao meu orientador Prof. Dr. Ricardo Santos Silva Amorim e a professora

Dr. Oscarlina Lcia dos Santos Weber, pela confiana, estmulo, pacincia,

competncia, profissionalismo e principalmente pelas

sugestes, que contriburam de forma relevante para meu crescimento

profissional.

Ofereo

AGRADECIMENTOS

A Deus pela minha vida, sade e pelo amparo nas horas difceis.

Ao Programa de Ps-graduao em Agricultura Tropical da Universidade

Federal de Mato Grosso, seu corpo de direo, administrativo e docente, pela

oportunidade de poder dar continuidade em meus estudos.

Fundao de Amparo Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT),

pela concesso de bolsa de estudos, desta forma oportunizaram o meu crescimento

profissional e possibilitou minha permanncia na Universidade.

Ao professor Ricardo Santos Silva Amorim e Suzana S. Santos pela

colaborao imprescindvel e fundamental participao na realizao deste trabalho.

Aos amigos do CARBIOCIAL, representados aqui por Tulio Gonalves dos

Santos, e aos bolsistas de iniciao cientfica Dan Rocha, Weliton, Camila, Carolen

Piazza, Rodrigo Menezes, Wallas e Henrique Gomes, pelo trabalho em equipe e por

toda predisposio em ajudar sempre que solicitados.

Aos meus amigos e amigas do PPGAT, por todos os momentos bons e

difceis que passamos juntos, que fortaleceram os laos da amizade, num ambiente

fraterno e respeitoso. Por todo companheirismo e agradvel convivncia.

Por fim, a todas as pessoas que, de maneira direta ou indireta, contriburam

para a concretizao deste trabalho.

CONDUTIVIDADE HIDRULICA EFETIVA E EROBIBILIDADE ENTRESSULCOS

DE SOLOS DA BACIA DO RIO DAS MORTES

RESUMO Para calibrar e validar de modelos de predio de eroso hdrica nas reas do Cerrado mato-grossense de fundamental importncia o levamento de dados a campo. Desta forma, no presente trabalho, objetivou-se determinar a condutividade hidrulica efetiva (Ke) e a erodibilidade entressulcos (Ki) e suas correlaes com com as caractersticas fsicas e fsico-hdricas dos solos. Para tanto esta dissertao foi desenvolvida em dois captulos, sendo o primeiro intitulado intitulado Determinao a campo da condutividade hidrulica efetiva e da erobibilidade entressulcos de solos mato-grossenses, e o segundo intitulado Correlao da condutividade hidrulica efetiva e erodibilidade entressulcos com os atributos fsicos e fisico-hdricos de solos do Cerrrado. Este trabalho foi desenvolvido em seis reas contemplando usos: Pasto ponto 1 (Pp1), Pasto ponto 2 (Pp2), Agrcola ponto 1 (Ap1), Agrcola ponto 2 (Ap2), Cerrado1 (C1) e So Vicente1 (SV1), localizadas nos muncipios de Campo Verde e Santo Antnio de Leverger do estado de Mato Grosso. Para a determinao de Ki e Ke foram utilizados limitadores em chapa galvanizada para construo das parcelas testes e um simulador de chuva. As anlises de correlao foram realizadas inicialmente com todas as seis reas de estudo utilizando os seguintes atributos do solo: granulomtricos do solo, argila dispersa em gua, grau de floculao da argila, matria orgnica, porosidade total, micro e macroporosidade, ndices de avaliao de estabilidade de agregados, densidade do solo e relao silte/argila. A erodibilidade em entressulcos para as reas de estudo so iguais a 2,44x105, 1,32x106, 1,56x105, 2,47x105, 8,56x104, 5,93x105 kg.s.m-4 para Ap1, Ap2, Pp1, Pp2, C1 e SVp1 respectivamente. A condutividade hidrulica efetiva determinada, nas reas de estudo so iguais a 81,52; 109,94; 30,63; 24,49; 48,31; e 28,37 mm h-1 para Pp1; Pp2; Ap1, Ap2, C1 e SV1, respectivamente. A erodibilidade entressulcos foi diferente (p0.05)somente entre as reas Ap2 e C1. A condutividade hidrulica foi diferente (p0.05) somente entre Pp2 e Ap2 (p0.05). Os atributos areia total, matria orgnica e argila apresentaram correlao significativa com a condutividade hidrulica efetiva independente da classe textural do solo estudado, evidenciando-se, desta forma, que esses atributos podem ser bons preditores da condutividade hidrulica efetiva. No foi possvel a identificao de atributos preditores de erodibilidade entressulcos independente da textura do solo, ou seja, necessrio separao de grupo textural para tal identificao. Para solos arenosos os atributos areia grossa, areia muito fina e ndice de estabilidade de agregados apresentam maior potencial de predio da erodibilidade entressulco. Para os solos argilosos os atributos areia grossa, areia mdia, dimetro mdio ponderado, dimetro mdio geomtrico e ndice de estabilidade de agregados apresentaram maior potencial de predio da erodibilidade entressulco. Palavras-chave: Susceptibilidade a eroso, modelagem de eroso hdrica, Solos do

cerrado.

ERODIBILITY INTERRILL AND EFFECTIVE HYDRAULIC CONDUCTIVITY SOIL

THE BASIN OF THE RIO DAS MORTES

ABSTRACT For the calibration and validation of water erosion prediction models in the areas of Cerrado is of fundamental importance the data acquisition in field. The objective of this study was to determine the effective hydraulic conductivity (Ke) and rill erodibility (Ki) and their correlation with physical and physical-hydric characteristics the soil. This work was developed in two chapters, the first entitled "Determining in field of effective hydraulic conductivity and interrill erobibilidade of soil Mato Grosso," and the second "Correlation of effective hydraulic conductivity and erodibility interrill with the physical attributes and physico-hidric the Cerrrado soil". This study was conducted in six areas called Pasto ponto 1 (PP1), Pasto Ponto 2 (PP2), Agrcola ponto 1 (Ap1), Agricola ponto 2 (Ap2), Cerrado1 (C1) and So vicente1 (SV1), located in municipalities of Campo Verde and Santo Antnio do Leverger of Mato Grosso. For determination of Ki and Ke was used and a rain simulator. Correlation analyzes were initially performed with all six areas of study using the following soil properties: soil particle size, water clay dispersion, flocculation of clay, organic matter, total porosity, micro and macro porosity, evaluation index aggregate stability, bulk density and silt / clay ratio. The erodibility interrill are 2,44x105, 1,32x106, 1,56x105, 2,47x105, 8,56x104, 5,93x105 kg.s.m-4 to Ap1, Ap2, Pp1, Pp2, C1 and SVp1 respectively. The determined effective hydraulic conductivity are 81.52; 109.94; 30.63; 24.49; 48.31; and 28.37 mm h -1 for Pp1; Pp2; Ap1, Ap2, C1 and SV1, respectively. The rill erodibility was different (p0.05) between Ap2 and C1 areas. The hydraulic conductivity was different (p0.05) between Pp2 and Ap2 (p0.05). The attributes total sand, organic matter and percentage clay were significantly correlated with the independent effective hydraulic conductivity of the soil textural class of the study, showing that these attributes can be good predictors of effective hydraulic conductivity. For sandy soils attributes coarse sand, very fine sand and aggregate stability index present greater potential for predicting erodibility interrill. For clay soils attributes coarse sand, medium sand, average diameter, geometric mean diameter and aggregate stability index showed greater potential for predicting erodibility interrill.

Keywords: Susceptibility to erosion, water erosion modeling, Cerrado soils.

LISTA DE FIGURAS

Pgina

1 Ilustrao das reas de estudo localizadas em microbacias hidrogrfica

do Rio das Morte situadas no municpio de Campo Verde/MT - Pasto

(1A), Agrcola - (1B), Cerrado - (1C) e Santo Antnio de Leverger/MT

So Vicente - (1D)......................................................................................

31

2 Instalao dos limitadores de rea obedecendo maior declividade nas

reas testes................................................................................................

32

3 Instalao dos limitadores de parcela para realizao do teste de

condutividade hidrulica efetiva.................................................................

32

4 Simulador de chuva e sistema de abastecimento de gua para

realizao dos testes.................................................................................

34

5 Determinao da intensidade de precipitao mdia aplicada ao fim dos

testes de Ke................................................................................................

35

6 Coleta de escoamento superficial de 5 em 5 min ao longo do

teste............................................................................................................

36

7 Esquema da instalao da parcela para o teste de erodibilidade

entressulcos...............................................................................................

36

8 Determinao da intensidade de precipitao mdia aplicada ao fim dos

testes de Ki.................................................................................................

37

9 Sedimentos acumulado ao longo da calha - rea pasto (pontos 1 e 2)..... 38

10 Taxa de infiltrao de gua no solo em funo do tempo de aplicao

da chuva artificial e a representao da condutividade hidrulica efetiva

para as reas de estudadas Pasto ponto 1 (A); Pasto ponto 2 (B);

Agrcola ponto 1 (C); Agrcola ponto 2 (D); Mata nativa 1 (E) e So

Vicente ponto 1 (F).....................................................................................

40

11 Taxa de liberao de sedimentos (Di) e taxa de escoamento superficial

(Es0), em funo do tempo de aplicao de chuva artificial Pasto

ponto 1 (A); Pasto ponto 2 (B); Agrcola ponto 1 (C); Agrcola ponto 2

(D); Cerrado 1 (E) e So Vicente 1 (F).....................................................

44

12 Difratogramas raio-x minerais dos solos estudados Pasto ponto 1 (A);

Pasto ponto 2 (B); Agrcola ponto 1 (C); Agrcola ponto 2 (D); Cerrado 1

(E) e So Vicente 1 (F); (q-Quartzo, g-Gibbsita, c-Caulinita, G-

Goethita,)....................................................................................................

64

LISTA DE TABELAS

Pgina

I Caractersticas fsicas e fsico-hdricas das reas..................................... 33

II Condutividade hidrulica efetiva para diferentes reas de

estudo.........................................................................................................

42

III Erodibilidade entressulcos para as diferentes reas de estudo................ 47

IV Valores mdios da condutividade hidrulica efetiva e erodibilidade

entressulco................................................................................................

54

V Atributos fsicos e fsico-hdricos dos solos estudados............................. 62

VI Coeficientes de correlaes da condutividade hidrulica efetiva (Ke) e da

erodibilidade entressulco (Ki) e os atributos fsicos e fsicos-hdricos dos

solos estudados.........................................................................................

63

VII Coeficientes de correlaes da condutividade hidrulica efetiva (Ke) e da

erodibilidade entressulco (Ki) e os atributos fsicos e fsicos-hdricos dos

solos estudados, para dois subgrupamento de solos................................

67

LISTA DE QUADROS

Pgina

I Identificao e localizao das unidades pedolgicas (1) Pasto ponto

1; (2) Pato ponto 2; (3) Agrcola ponto 1; (4) Agrcola ponto 2; (5)

Cerrado 1; (6) So Vicente 1; (7) Municpio de Campo Verde; (8)

Municpio de Santo Antnio de Leverger; (9) Declividade local; (10)

Informaes adicionais...............................................................................

30

SUMRIO

1. INTRODUO GERAL ......................................................................................... 14

2. REVISO DE LITERATURA ................................................................................. 16

2.1. Perdas de solo em reas de explorao agrcolas do Brasil .......................... 16

2.2. Condutividade hidrulica efetiva do solo (Ke) ................................................. 17

2.3. Eroso hdrica e eroso entressulcos ............................................................. 19

2.4. Erodibilidade entressulco (Ki) ......................................................................... 19

2.5. Referncias bibliogrficas ............................................................................... 21

3. DETERMINAO A CAMPO DA CONDUTIVIDADE HIDRULICA EFETIVA E

DA EROBIBILIDADE ENTRESSULCOS DE SOLOS MATO-GROSSENSES .......... 25

3.1. Introduo ....................................................................................................... 28

3.2. Material e mtodos ......................................................................................... 29

3.2.1. Localizao e caracterizao da rea de estudo ..................................... 29

3.2.2. Determinao da condutividade hidrulica efetiva (Ke) ............................ 31

3.2.3. Determinao da erodibilidade entressulcos (Ki)...................................... 35

3.3. Resultados e discusso .................................................................................. 39

3.3.1. Condutividade hidrulica efetiva (Ke) ........................................................ 39

3.3.2. Erodibilidade entressulcos (Ki) ................................................................. 42

3.4. Concluso ....................................................................................................... 47

3.5. Referncias bibliogrficas ............................................................................... 47

4. CORRELAO DA CONDUTIVIDADE HIDRULICA EFETIVA E

ERODIBILIDADE ENTRESSULCOS COM OS ATRIBUTOS FSICOS E FISICO-

HDRICOS DE SOLOS DO CERRRADO .................................................................. 52

4.1. Introduo ....................................................................................................... 52

4.2. Material e mtodos ......................................................................................... 53

4.2.1. Localizao e caracterizao da rea de estudo ..................................... 53

4.2.2. Anlise granulomtrica ............................................................................. 54

4.2.3. Anlise mineralgica ................................................................................ 55

4.2.4. Anlise de Carbono Orgnico Total (COT) ............................................... 56

4.2.5. Argila dispersa em gua e grau de floculao .......................................... 56

4.2.6. Fracionamento da areia ............................................................................ 57

4.2.7. Percentagem de agregados ..................................................................... 57

4.2.8. Porosidade total (Pt), microporosidade (Mi), macroporosidade (Ma) e

densidade do solo (Ds) ...................................................................................... 59

4.2.9 Tratamento das informaes ..................................................................... 60

4.3. Resultados e discusso .................................................................................. 60

4.4. Concluso ....................................................................................................... 68

4.5. Referncias bibliogrficas ............................................................................... 69

5. CONSIDERAES FINAIS................................................................................... 72

6. CONCLUSES GERAIS ....................................................................................... 73

APNDICE I........................................................................................................... 74

APNDICE II.......................................................................................................... 75

14

1. INTRODUO GERAL

O estado de Mato Grosso, nos ltimos anos, vem se consolidando como

maior produtor de gros do Pas, entretanto para conquistar seu timo desempenho

no ramo agropecurio o cerrado mato-grossense sofreu intenso processo de

converso em reas de explorao agrcola. Todavia, poucos estudos foram

realizados nessas reas, com intuito de avaliar os impactos da agricultura sobre o

processo de produo de escoamento e de sedimentos.

A eroso hdrica e consequente perda de solo nas reas agrcolas do estado de

Mato Grosso tm alcanado propores alarmantes, evidenciando a necessidade de

aumentar os esforos de pesquisa visando a avaliao quantitativa dessas perdas.

Para isso deve-se atentar susceptibilidade de um solo ao processo erosivo que

representado pela sua erodibilidade.

Pesquisas realizados no Brasil utilizando o modelo de predio WEPP

(Projeto de Predio de Eroso Hdrica), tem indicado que o modelo estima a

condutividade hidrulica efetiva (ke) e a erodibilidade entressulcos (Ki) de forma

pouco precisa para as condies edafoclimticas tropicais. O modelo WEPP foi

desenvolvido para condies edafoclimticas diferentes daquelas encontradas no

cerrado mato-grossense, sendo assim antes de expandir sua utilizao necessrio

que o mesmo passe pelo processo de parametrizao, calibrao, validao e

avaliao.

A escassez de valores dos atributos Ke e Ki para os solos do cerrado mato-

grossense aliado falta de adequao das equaes utilizadas pelo modelo WEPP

na estimativa desses atributos para unidades pedolgicas do Brasil, inviabiliza a

15

utilizao dessa poderosa ferramenta para condies edafoclimticas de Mato

Grosso.

Diante do exposto, objetivou-se com o presente trabalho determinar os valores

dos parmetros condutividade hidrulica efetiva e erodibilidade entressulcos para

solos do cerrado mato-grossense, bem como indicar atributos do solo com potencial

de serem utilizados em funes de pedotrnsferencias para a estimativa de tais

parmetros.

Este trabalho est apresentado em dois captulos, sendo o primeiro intitulado

Determinao a campo da erobibilidade entressulcos e condutividade hidrulica

efetiva de solos mato-grossenses e o segundo intitulado Correlao da

condutividade hidrulica efetiva e erodibilidade entressulcos com os atributos fsicos

e fisico-hdricos de solos do Cerrado.

2. REVISO DE LITERATURA

2.1. Perdas de solo em reas de explorao agrcolas do Brasil

A eroso hdrica a principal causa de perdas de solos no Brasil, pois a ao

conjunta do impacto das gotas de chuva e da enxurrada, arrasta as partculas de

solo em suspenso, transporta nutrientes, matria orgnica e defensivos agrcolas,

causando prejuzos atividade agrcola (BERTOL et al., 2007). No Brasil so

perdidas, a cada ano, aproximadamente 600 milhes de toneladas de solo agrcola

por causa da eroso (BAHIA et al.,1992).

No Estado do Paran, pesquisas evidenciaram perdas de solo entre 15 a 20 t

ha-1 ano-1, em reas intensivamente mecanizadas (PARAN, 1989). No Estado de

So Paulo, a perda anual devido eroso de aproximadamente 194 milhes de

toneladas de terras frteis, dos quais 48,5 milhes de toneladas chegam aos

mananciais em forma de sedimentos transportados, causando seu assoreamento e

poluio (TAPIA-VARGAS et al., 2001).

reas de cerrado ocupadas por extensas pastagens em situao de

degradao, nas microbacias dos Crrgos dos Peixes e Crrgo Buriti dos Bois,

localizado no municpio do Prata/MG, sofrem altas perdas de solo, as quais

ultrapassam 12 t.ha.ano-1, sendo que as microbacias possuem aproximadamente

50% de suas reas com problemas srios de eroso laminar, (ROSA, 2001).

Leite et al. (2009) verificou que, no estado de Mato Grosso, para 1 kg de algodo

produzido em cultivo morro abaixo so perdidos 7,0 kg de solo. A produo de

algodo em Mato Grosso na safra 2014/2015 foi de 274,08 arrobas por hectare

(IMEA, 2015). Desta forma, as projees de perda de solo no Estado podem

alcanar 29 toneladas por hectare-safra de algodo. Entretanto para fins de

17

produo so aceitveis perdas de 12 t ha-1ano-1 (BERTONI e LOMBARDI NETO,

1990).

2.2. Condutividade hidrulica efetiva do solo (Ke)

A propriedade denominada condutividade hidrulica expressa a facilidade

com que a gua se movimenta no solo, sendo de grande importncia ao uso

agrcola e, consequentemente, produo das culturas e preservao do solo e

do ambiente (GONALVES e LIBARDI, 2013). A condutividade hidrulica do solo

de extrema relevncia para estudos que envolvem a quantificao da eroso

(MESQUITA, 2001).

A condutividade hidrulica efetiva do solo aquela determinada a campo, em

condies onde o solo no se encontra saturado. Esse atributo do solo estimado

internamente no WEPP (Projeto de Predio de Eroso hdrica) em funo do tipo

de solo, do seu teor de umidade e da densidade (ALBERTS et al., 1995). A

condutividade hidrulica efetiva o parmetro fundamental na determinao da

taxa de infiltrao deste modelo, sendo utilizada para tal determinao a equao

de Green-Ampt (GONALVES, 2008). As equaes utilizadas pelo WEPP para

estimar a condutividade hidrulica efetiva do solo, no se mostrou adequada para

as condies edficas brasileiras (AMORIM, 2004).

O atendimento da demanda hdrica das culturas e a dinmica dos elementos

qumicos que interferem nos processos de formao e evoluo das unidades

pedolgicas, assim como na disponibilidade de nutrientes para as plantas, so

controladas pelo movimento da gua no solo, sendo que esse movimento depende,

diretamente, das caractersticas fsicas do solo, especialmente da textura e da

estrutura, entretanto para qualquer estudo que envolva o movimento da gua no

solo torna-se necessrio o conhecimento da sua condutividade hidrulica

(BERNARDES, 2005).

Klein (2002), estudando um Latossolo roxo no saturado, verificou que as

alteraes causadas na estrutura do solo, seguido do aumento da sua densidade,

reduo da porosidade total e alterao na distribuio do dimetro dos poros do

solo, diminuem a condutividade hidrulica.

Moreti (2006), ao avaliar a condutividade hidrulica em um LATOSSOLO

VERMELHO Distrfico argiloso, A moderado (LVd), submetido a dois sistemas de

cultivos, sendo a rea condicionada a semeadura direto por mais de 15 anos e ao

18

sistema convencional com preparo da rea realizado com trs gradagens, sendo

uma aradora e duas niveladoras, percebeu que a condutividade hidrulica do solo foi

maior no sistema convencional.

Em solos de textura mais grosseiras a condutividade hidrulica maior, ou

seja, os solos mais arenosos quando comparados a solos de textura mais finas

apresentam maiores taxas de infiltrao de gua, no entanto os solos formados sob

condies de clima tropical, so mais intemperizados, e so caracterizados pela

presena predominante de xido de ferro e alumnio em relao as argilas

silicatadas, como o caso dos solos do cerrado brasileiro, esses solos, devido a

presena de materiais cimentantes, representados principalmente pelo xido de

ferro, condiciona o alto desenvolvimento da estrutura do solo, apresentando altas

taxas de infiltrao e condutividade hidrulica (BRANDO, 2002).

Dias (2012) verificou que solos granulares apresentam canais de fluxo

maiores tendendo a drenar a gua mais rapidamente, acarretando em uma queda

mais acentuada no valor da condutividade, contudo em solos finos, os microporos

retm gua por fora de capilaridade mantendo o fluxo contnuo nestes pequenos

canais, resultando em uma queda mais suave no valor de condutividade hidrulica

nos solos no saturado.

O contedo de gua no solo um dos fatores que se destaca quanto a

influencia na condutividade hidrulica (LIBARDI e MELO FILHO, 2006). Durante o

processo de perda de agua do solo, ou seja, quando ele est secando, o ar substitui

a gua contida nos poros, podendo ocorrer assim uma retrao dos poros,

diminuindo a sua condutividade hidrulica (SOTO,1999).

Ao estudar um mesmo solo, a condutividade hidrulica ser maior quando

este encontra-se saturado, devido quando no saturado, existirem bolsas de ar

remanescentes aps a percolao, em virtude da tenso superficial da gua, que

constitui obstculos ao seu fluxo, desta forma, alguns poros, devido preenchimento

com ar, diminui a rea de conduo de gua, e consequentemente, reduz a

condutividade hidrulica, entretanto quando o solo est saturado os poros esto

preenchidos com gua e a conduzem continuamente promovendo assim a mxima

condutividade hidrulica (DIAS, 2012).

19

2.3. Eroso hdrica e eroso entressulcos

A evoluo na agricultura tem exigido uma demanda por informaes rpidas

e detalhadas sobre os atributos e, especialmente, sobre o potencial de eroso dos

solos (ROCKSTROM et al., 2009; QUINTON et al., 2010). Pois o conhecimento do

processo erosivo permite a avaliao dos impactos das atividades humana sobre os

solos e a compreenso da evoluo do relevo (PARSONS et al., 2010).

Existe uma grande quantidade de fatores que atuam de forma direta e de

forma indireta no processo de eroso hdrica (GUERRA e MENDONA, 2004).

Dentre os fatores climticos, a chuva comparece como determinante neste

processo, entretanto os solos, atravs das suas caractersticas fsicas e qumicas,

atribuem maior ou menor resistncia ao das guas, (BERTONI e LOMBARDI

NETO, 1999). Desta forma, conhecer as caractersticas do solo e da chuva de uma

regio, e as relaes paisagsticas de grande relevncia para o entendimento do

processo erosivo (ALMEIDA, 2009).

A perda da capacidade produtiva dos solos agrcolas pode ser causada pelo

processo de eroso hdrica, gerando consequentemente aumento de custos com

sade e alimentao, alm da poluio e assoreamento dos cursos dgua (NUNES

e CASSOL, 2008). Segundo Mayer (1979), este processo pode ocorrer em

entressulcos ou em sulcos. Entretanto a eroso em entressulcos em sua essncia

independente da eroso em sulcos, ocorrendo em reas relativamente curtas e

geralmente orientadas segundo o microrelevo superficial (FRANCO et al., 2012).

Na eroso em entressulcos a desagregao das partculas de solo ocorre

devido ao impacto das gotas de chuva e seu transporte pelo escoamento laminar,

aumentado pela turbulncia produzida pelo impacto das gotas de chuva,

suspendendo e mantendo suspensas as partculas de solo (FOSTER et al., 1985). A

eroso entressulcos caracteriza-se pela retirada de camadas delgadas da superfcie

do solo pela ao de pequena lmina de escoamento superficial, sendo por isso

menos percebvel (GONALVES, 2008).

2.4. Erodibilidade entressulco (Ki)

A erodibilidade foi definida por Wischmeier (1969), como sendo a

susceptibilidade do solo erodir em diferentes taxas, devido excepcionalmente s

caractersticas intrnsecas dadas por suas propriedades fsicas, qumicas e

mineralgicas. Para Gonalves (2008) deve-se adicionar aos fatores intrnsecos dos

20

solos suas propriedades biolgicas. A erodibilidade entressulcos caracterizada

como sendo a resistncia do solo a desagregao das suas partculas pelos

impactos das gotas de chuva e a averso ao transporte pelo escoamento laminar

(FOSTER et al., 1985).

Estudos desenvolvidos em solos com alto grau de intemperismo indicam que

menores valores do fator erodibilidade so encontrados em solos com maiores

teores de, argila total, carbono orgnico e o de xidos de ferro, por isso, esses

atributos podem ser utilizados para estimar a erodibilidade em entressulcos

(REICHERT e NORTON, 2013 NUNES e CASSOL 2008; FRANCO 2012; NUNES e

CASSOL, 2011; BEZERRA et al., 2006; PANACHUKi et al., 2006; LIMA e

ANDRADE, 2001; ALBUQUERQUE et al., 2000; BRAIDA e CASSOL, 1996).

Considerando ainda, uma mesma intensidade de chuva solos com agregados

mais estveis sofrer menor desagregao, pois desta forma menor quantidade de

material estar disponvel para ser transportado pelo fluxo superficial, ou seja, solos

com alta estabilidade de agregados apresentam maior resistncia ao impacto das

gotas das chuvas, sendo que, solos intemperizados so mais estveis resultando

em menor erodibilidade do solo em entressulco (ALBUQUERQUE et al., 2000).

Os solos que apresentam maior microporosidade e maior volume total de poros

tende a sofrer a diminuio da sua erodibilidade, entretanto quando aumenta o

nmero de poros bloqueados na macroporosidade, seguido de solos com

densidades mais elevadas observa-se aumento da sua susceptibilidade a eroso

(LIMA e ANDRADE, 2001).

A erodibilidade entressulcos pode ser mensurada por meio de experimentos

campo utilizando chuva artificial ou natural, ou de forma indireta, estimando K i a

partir de propriedades do solo pelo uso de equaes provenientes de regresso,

porm a quantificao da erodibilidade, campo, bastante demorada e muito

dispendiosa, uma vez que este fator depende da deliberao de outras propriedades

do solo (DANTAS, 2014).

Vrios modelos de predio da eroso hdrica do solo, desenvolvidos

recentemente est baseada em processos e interaes entre variveis do solo

(FRANCO, 2010). Dentre esses modelos, o WEPP um dos mais relevantes

(FLANAGAN e NEARINNG, 1995). Este modelo considera a erodibilidade

entressulcos como um de seus parmetros de entrada, o qual representado pelo

21

fator Ki. Entretanto o modelo WEPP no se mostrou adequado ao estimar a

erodibilidade entressulcos para as condies edficas brasileiras (AMORIM, 2004).

2.5. Referncias bibliogrficas

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3. DETERMINAO A CAMPO DA CONDUTIVIDADE HIDRULICA EFETIVA E

DA EROBIBILIDADE ENTRESSULCOS DE SOLOS MATO-GROSSENSES

RESUMO - A erodibilidade entressulco (Ki) e a condutividade hidrulica efetiva (Ke) so atributos do solo de grande importncia para para entender e modelar a dinmica da gua no solo e o processo de eroso hdrica. Porm, devido grande extenso territorial e a diversidade pedolgica do Brasil, a obteno e caracterizao destes atributos so muitos morosos e caros. Sendo assim, objetivou-se com este trabalho determinar a campo os valores de erodibilidade entressulcos (Ki), e condutividade hidrulica efetiva (Ke) para seis reas de estudo localizados na bacia do Rio das Mortes, dessas, cinco localizadas no municpio de Campo Verde e uma em Santo Antnio de Leverger, ambos em Mato Grosso. As reas so caracterizadas pelo uso intensivo do solo sendo contemplados os seguintes tipos de uso: vegetao nativa, pastagem, cultivo anual de soja e milho no sistema de sucesso de culturas e algodo (Pasto ponto 1- Pp1; Pasto ponto 2- Pp2; Agrcola ponto 1- Ap1; Agrcola ponto 2- Ap2, Cerrado 1- C1 e So Vicente 1- SVp1). A principal caracterstica que diferencia as reas estudadas so as classes de solos, as quais se dividem em Neossolos e Latossolos. Para cada ponto de determinao de Ki e Ke foram instaladas parcelas delimitadas por chapas galvanizadas e submetidas a chuva simulada at o momento em que o escoamento se tornou estvel. Para cada ponto foram realizadas trs repeties por parmetro. A erodibilidade em entressulcos para as reas de estudo so iguais a 2,44x105, 1,32x106, 1,56x105, 2,47x105, 8,56x104, 5,93x105 kg.s.m-4 para Ap1, Ap2, Pp1, Pp2, C1 e SVp1 respectivamente. A condutividade hidrulica efetiva nas reas de estudo so iguais a 81,52; 109,94; 30,63; 24,49; 48,31; e 28,37 mm h-1 para Pp1; Pp2; Ap1, Ap2, C1 e SV1, respectivamente. A erodibilidade em entressulcos foi diferente (p0.05)somente entre as reas Ap2 e C1. A condutividade hidrulica foi diferente (p0.05) somente entre Pp2 e Ap2 (p0.05).

Palavras-chave: Modelagem para eroso, GeoWEPP, Solos tropicais.

DETERMINING THE FIELD EROBIBILIDADE INTERRILL AND EFFECTIVE HYDRAULIC CONDUCTIVITY IN THE SOIL MATO-GROSSENSE

ABSTRACT The determination of erodibility interrill (Ki) and effective hydraulic

conductivity (Ke) the field is expensive and time consuming in Brazil, due to the

large territory and pedological diversity of the country. The objective of this study

was to determine in field Ki and Ke values, for six study areas located in the basin

of the Rio das Mortes, located in the municipality of Campo Verde and Santo

Antnio do Leverger, both in Mato Grosso. The study areas are characterized by

intensive land use, and included the following types of use: native vegetation,

pasture, annual crops of soybeans and corn (Pasto ponto 1- Pp1; Pasto ponto 2-

Pp2; Agricultural ponto 1 - Ap1, Agricultural ponto 2 - Ap2, Cerrado 1 - C1 and So

Vincente 1 - SVp1). The main feature that differentiates the studied areas are soil

classes, which are divided into Neossolos and Latossolos. For the determination Ki

and Ke were prepared plots of 0.7 x 1.0 m and subjected to simulated rain until the

moment when the flow has stabilized. In each study area were three replicates per

parameter. The erodibility interril for the study areas are equal to 2,44x105, 1,32x106,

1,56x105, 2,47x105, 8,56x104, 5,93x105 kg.sm-4 to Ap1, Ap2, Pp1, Pp2, C1 and

SVp1 respectively. The effective hydraulic conductivity in the study areas are equal

to 81.52; 109.94; 30.63; 24.49; 48.31; and 28.37 mm h -1 for Pp1; Pp2; Ap1, Ap2,

C1 and SV1, respectively. The erodibility interrill in the study areas was different

(p0.05) between Ap2 and C1. The effective hydraulic conductivity in the study

areas was different (p0.05) between PP2 and Ap2 (p0.05).

Keywords: Modeling for erosion, GeoWEPP, tropical soils .

28

3.1. Introduo

A erodibilidade uma caracterstica intrnseca do solo que representa a

susceptibilidade do solo eroso hdrica, que influenciada por inmeros fatores

fsicos, qumicos, mecnicos e biolgicos. Devido essa realidade, ele se torna um

parmetro muito complexo de ser pesquisado (BASTOS, 1999).

A erodibilidade do solo representa sua suscetibilidade de erodir em diferentes

taxas, devido exclusivamente s caractersticas intrnsecas do solo dadas por suas

propriedades fsicas, qumicas, biolgicas e mineralgicas (FOSTER, 1982). Devido

essa realidade, ela se torna um parmetro muito complexo de ser pesquisado

(BASTOS, 1999). A erodibilidade pode ser classificada em erodibilidade

entressulcos (Ki) que representa a suscetibilidade do solo ao desprendimento pelo

impacto das gotas de chuva e ao transporte pelo escoamento laminar; e em

erodibilidade no sulco (Kr) que representa a suscetibilidade do solo ao

desprendimento e transporte das partculas pelo escoamento concentrado (Alberts

et al., 1995)

A erodibilidade do solo pode ser determinada em condies de campo, sob

chuva natural ou chuva simulada; ou estimada por meio de funes de

pedotransferncia. A determinao a campo (chuva natural ou simulada)

considerada metodologia padro, todavia so onerosas e demoradas. As funes de

pedotransferncias so mtodos mais simplificados de obteno da erodibilidade, no

entanto menos precisos. Estas pedofunes usam das correlaes existentes entre

os atributos morfolgicos, fsicos, qumicos e mineralgicos do solo com a

erodibilidade por meio de regresses (SILVA, 2000)

De acordo com Agassi (1999), a qualidade dos resultados da erodibilidade do

solo, utilizando o simulador de chuva, depende tambm, de condies

experimentais, como as caractersticas do simulador de chuvas, a qualidade da gua

utilizada no teste, o tamanho da parcela experimental e a variabilidade espacial das

propriedades do solo. Sendo assim, a erodibilidade constitui-se no parmetro de

elevado custo e moroso para determinao, devido a extenso do territrio e a

diversidade pedolgica existente no Brasil (DENARDIN,1990).

Franco (2012), estudando equaes matemticas para estimar erodibilidade

entressulco (Ki), num ARGISSOLO VERMELHO, no estado do Rio Grande do Sul,

verificou que o uso do teor de areia muito fina no adequado, pois superestima o

28

valor de Ki, quando comparado ao obtido experimentalmente, a estimativa deste

parmetro se aproxima mais dos resultados determinados a campo quando

considerado o teor de argila e de xidos de ferro contidos no solo. Em estudo

semelhante, Dantas (2014), utilizou valor e croma da cor do solo quantificados por

meio de espectroscopia de reflectncia difusa, o que possibilitou verificar que estes

podem ser utilizados para predizer a erodibilidade de Argissolos coesos.

A condutividade hidrulica efetiva (Ke) representa a permeabilidade do solo

em condies de campo (no saturao), sendo o seu conhecimento de suma

importncia para r estudos que envolva a dinmica da gua no solo (SILVA, 2012).

Porm, no diferente de KI, o parmetro Ke tambm bastante influenciado por

diversas caractersticas do solo.

Segundo Dias (2012), as propriedades fsicas do solo influenciam no valor da

condutividade hidrulica de forma diferente, dependendo do seu estado inicial, pois

o ndice de vazios e a textura imprimem ao solo comportamento diferente, se

comparado quando saturado e no saturado, sendo que na condio saturada, um

grande ndice de vazios e a presena de poros largos garantem alta condutividade

hidrulica, entretanto em condio no saturada, quanto maior o ndice de vazios e o

tamanho dos poros, mais facilmente estes so drenados, promovendo assim a

entrada de ar no sistema e reduzindo o fluxo contnuo, ou seja, diminuindo a sua

condutividade hidrulica.

Lacerda (2005) verificou que, em condio de no saturao, o decrscimo

de contedo de gua no solo promove a diminuio da condutividade hidrulica. A

relao entre condutividade e o contedo de gua no solo apresenta elevada

correlao, de tal modo que uma variao percentual de uma a duas unidades no

contedo de gua pode influenciar a condutividade em valores superiores a 170 %

(FALLEIROS et al., 1998).

Existem variadas metodologias para determinar a condutividade hidrulica do

solo, podendo ser realizada a campo ou em laboratrio (JUNIOR et al., 2013).

Quando determinada a campo com auxlio de simulador de chuva ou chuva natural,

a condutividade hidrulica do solo denominada de condutividade hidrulica efetiva

do solo. A determinao da condutividade hidrulica a campo quando comparada a

desenvolvida em laboratrio, apresenta valores mais precisos (CARVALHO et al.

2007). Porm, a determinao no campo deste atributo difcil de controlar,

29

entretanto, apresenta vantagem de estimar esta propriedade hidrulica in situ, o que

relevante para o uso da informao hidrulica (MUBARAK et al., 2010).

De modo geral, os mtodos existentes para a determinao das propriedades

fsico-hdricas dos solos so demorados e onerosos, e so tcnicas complexas,

sendo assim, dificultam sua frequente utilizao (MESQUITA e MORAES, 2004).

Avanos nos estudos de mtodos para a determinao da condutividade

hidrulica tm surgido, especialmente aqueles fundamentadas em outras

caractersticas fsicas do solo, particularmente os que utilizam dados obtidos a partir

da curva de reteno de gua no solo (TEIXEIRA et al., 2005).

A utilizao de modelos para predio de eroso hdrica e que estimam as

propriedades fsico-hdricas do solo esto sendo utilizadas de forma extensiva,

contudo antes de serem utilizados, deve-se passar por um processo de

parametrizao, calibrao e validao para condies edafoclimticas brasileiras,

pois estes foram elaborados para condies diferentes das encontradas no Brasil

(AMORIM et al., 2010).

Reichert e Norton (2013), estudando o parmetro erodibilidade do solo do

modelo WEPP, para trs tipos de solos, em Queensland, estado australiano,

localizado no nordeste do pas, clima subtropical, verificaram que existe a

necessidade de determinar a campo esses atributos para obter valores confiveis,

posteriormente estabelecer equaes para estimar tais valores com base nas

propriedades do solo.

Os modelos de predio de eroso hdrica, so ferramentas poderosas nos

estudos relativos a conservao de solos e gua, entretanto, necessrio elaborar

um banco de dados confivel, com informaes quantitativas determinadas a

campo, possibilitando a parametrizao desses modelos para os biomas brasileiros.

Sendo assim, objetivou-se com este trabalho determinar a campo os valores da

condutividade hidrulica efetiva (Ke) e da erodibilidade entressulcos (Ki), para solos

do cerrado mato-grossense na bacia do Rio das Mortes.

3.2. Material e mtodos

3.2.1. Localizao e caracterizao da rea de estudo

Este trabalho foi desenvolvido em seis reas, sendo cinco localizadas no

municpio de Campo Verde e uma no municpio de Santo Antnio do Leverger,

estado de MT (QUADRO I). Essas reas so caracterizadas pelo uso intensivo do

30

solo para a agricultura e pecuria, sendo contemplados os seguintes tipos de uso:

vegetao nativa, pastagem, cultivo anual de soja e milho no sistema de sucesso

de culturas e algodo (FIGURA 1).

O estudo foi realizado em duas etapas: a primeira refere caracterizao

fsica e fsico-hdrica das reas de estudo (Tabela I). A segunda referente

determinao da condutividade hidrulica efetiva (Ke) e da erodibilidade entressulco

(Ki).

Para os ensaios de Ki e Ke, foi delimitada uma rea com dimenses 10x10m,

a qual foi capinada, seguida da remoo dos resduos vegetais e do preparo

convencional do solo com auxlio de enxadas, para reproduzir o mesmo feito de uma

arao com arado de discos na profundidade de 0,20 m e duas gradagens. Todas as

operaes foram realizadas respeitando o sentido da maior declividade do terreno

(FIGURA 2).

Utilizou-se a metodologia de determinao de Ke e Ki proposta pelo Servio

de Pesquisas Agrcolas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos

(ARS/USDA) (ELLIOT et al., 1989).

QUADRO I. Identificao e localizao das unidades pedolgicas (1) Pasto ponto 1; (2) Pato ponto 2; (3) Agrcola ponto 1; (4) Agrcola ponto 2; (5) Cerrado 1; (6) So Vicente 1; (7) Municpio de Campo Verde; (8) Municpio de Santo Antnio de Leverger; (9) Declividade local; (10) Informaes adicionais.

reas Localizao Vegetao S. loc. (9) Informaes A. (10)

Pp1(1)

S 15 48.527 W 5520.052

M.CV(7) Pasto degradado

13,6% Presena de cascalho

Pp2(2)

S 15 48.493 W 55 19.793

M.CV 3,70% Ausncia de cascalho

Ap1(3) S 15 44.484 W 5521.797

M.CV Transio 5,33%

Cerrado/forrageira nativa

Ap2(4)

S 15 44.865 W 55 2.278

M.CV Milho 1,6% Milho recm colhido

C1(5)

S 15 47.628 W 55 20.300

M.CV Cerrado 5,55% Muitas razes grossas

SV1(6)

S 15 50.600 W 55 20.400

M.StL(8) Milho 6,7% Milho recm colhido

31

3.2.2. Determinao da condutividade hidrulica efetiva (Ke)

A condutividade hidrulica efetiva do solo foi determinada nas seis reas de

estudo com trs repeties para cada rea. Em cada uma delas foram delimitadas

trs parcelas experimentais com dimenses de 0,70 x 1,00 m, com a maior

dimenso no sentido do declive natural do solo (FIGURA 3).

Figura 1. Ilustrao das reas de estudo localizadas em microbacias hidrogrfica do Rio das Morte situadas no municpio de Campo Verde/MT - Pasto (1A), Agrcola - (1B), Cerrado - (1C) e Santo Antnio de Leverger/MT So Vicente - (1D).

A

D

C

B

32

(Fonte: Bocuti 2016).

FIGURA 2. Instalao dos limitadores de rea obedecendo maior declividade nas

reas testes. (Fonte: Bocuti 2016).

FIGURA 3. Instalao dos limitadores de parcela para realizao do teste de

condutividade hidrulica efetiva. (Fonte: Amorim 2004.)

33

Tabela I. Caractersticas fsicas e fsico-hdricas das reas

rea

Prof

Arg (1)

Sil (2)

AG (3)

Ag (4)

Am (5)

Af (6)

AF (7)

PT (8)

Ma (9)

Mi (10)

ADA (11)

IEA (12)

S/A (13)

Mineralogia Cs -ST

(15)

(cm) % u.a

Pp1 0 -10 3,00 3,35 12,2 7,9 15,6 46,8 11,1 40,72 27,88 12,84

1,69 78,31 1,12 Gibbisita

Quartzo

Neossolo Muito

Arenosa 10 -20 3,10 5,80 6,9 5,7 16,9 48,8 12,9 39,73 26,84 12,89 1,87

Pp2 0 -10 3,56 1,41 2,1 8,1 23,8 51,4 9,7 45,07 22,06 23,01

1,21 26,59 0,40 Gibbisita

Quartzo

Neossolo. Muito

arenosa 10 -20 2,81 2,65 1,9 10,3 26,6 50,4 5,3 42,32 27,35 14,97 0,94

Ap1 0 -10 51,42 19,34 0,5 3,4 8,6 12,9 3,8 59,19 10,35 48,84

14,00 93,46 0,38 Gibbisita

Quartzo Caulinita

Latossolo. Argilosa 10 -20 52,34 17,09 0,7 4,1 9,3 12,7 3,7 54,67 10,72 43,94 0,32

Ap2 0 -10 46,63 16,81 0,9 4,0 10,0 16,0 5,7 63,92 22,22 41,70

18,27 86,94 0,36 Gibbisita

Quartzo Caulinita

Latossolo Argilosa 10 -20 57,75 8,27 0,8 3,6 9,0 15,7 4,8 59,43 24,24 35,19 0,14

C1 0 -10 13,58 10,15 2,8 5,5 18,4 38,3 11,2 53,79 29,31 24,48

6,48 96,06 0,75 Gibbisita

Quartzo Goethita

Neossolo. Mdia

arenosa 10 -20 14,38 11,22 1,5 3,8 13,9 42,2 13,1 49,33 24,88 24,45 0,78

SV1 0 -10 54,22 12,96 0,7 4,1 9,4 13,2 5,3 61,85 21,46 40,39

2,05 93,99 0,24 Gibbisita

Quartzo Caulinita

Latossolo. Argilosa

10 -20 60,20 11,01 0,5 3,1 8,1 12,2 4,9 59,05 18,85 40,20 0,18

(1) Argila; (2) Silte; (3) Areia muito grossa; (4) Areia Grossa; (5)Areia mdia; (6)Areia fina; (7)Areia muito fina; (8) Porosidade total; (9) Macroporosidade 60; (10) Microporosidade 60; (11) Macroporosidade 100; (12) Microporosidade 100; (13) Argila dispersa em gua; (14)ndice de estabilidade de agregados; (15) Relao silte/argila; (16) Classe do solo-Subgrupamento textural /segundo Sociedade Brasileira de Cincias do Solo; Pp1-Pasto ponto 1; Pp2-Pasto ponto 2; Ap1-Agrcola ponto 1; Ap2-Agrcola ponto 2; C1-Cerrado, SV1-So Vicente 1; Prof. -profundidade;

34

Para este estudo as parcelas tiveram declividade mdia de 6,10% em um

nico sentido. As precipitaes, com intensidade de aproximadamente 65 mm h-1,

exceto na rea do pasto, onde a intensidade mdia de precipitaes foram de

aproximadamente 145 mm h-1, aplicadas com o simulador de chuvas. Em todas as

reas foi utilizado um simulador de chuvas desenvolvido por Alves Sobrinho (1997),

equipado com bocais tipo Veejet 80.100, distanciados 2,30 m do solo, com uma

presso de trabalho, na sada dos bicos, ajustada para 0,33 kgf cm-2 (FIGURA 4).

A intensidade de precipitao mdia aplicada foi avaliada logo aps o trmino

de cada teste, por meio da interceptao da chuva artificial por um perodo de 15

minutos com a utilizao de 20 copos de capacidade de 400 mL e de rea de coleta

aproximadamente de 58,05 cm2 (FIGURA 5).

Figura 4. Simulador de chuva e sistema de abastecimento de gua para realizao

dos testes. ( Fonte: Bocuti 2016)

O volume coletado foi obtido com o auxlio de uma proveta de 250 mL com

preciso de 2 mL. Para determinar a precipitao, o volume encontrado em cada

copo, em mL foi convertido em mm.h-1. No fim de cada teste tambm foi medida a

uniformidade da precipitao por meio do coeficiente de uniformidade de

Christiansen (1942).

35

FIGURA 5. Determinao da intensidade de precipitao mdia aplicada ao fim dos

testes de Ke. (Fonte: Bocuti 2016.)

A durao do teste foi at o momento em que o volume de escoamento se

mantivesse aproximadamente constante, equivalendo a 129 minutos, em mdia por

repetio. A coleta foi realizada a cada intervalo de cinco minutos por meio de

medio direta feita em uma calha coletora construda especialmente para tal

finalidade (FIGURA 6).

A condutividade hidrulica efetiva foi calculada em funo da diferena entre

a intensidade mdia de aplicao de chuva artificial e a taxa de escoamento

superficial.

3.2.3. Determinao da erodibilidade entressulcos (Ki)

A erodibilidade em entressulcos, em cada rea, foi determinada em trs

parcelas experimentais demarcadas com chapas galvanizadas, de dimenses 0,70 x

1,00 m, com a maior dimenso no sentido do declive, em solo descoberto e

recentemente trabalhado, sendo as mesmas preparadas na forma de duas encostas

com inclinao lateral de aproximadamente 30% como mostra a Figura 7, seguindo

a metodologia proposta por Elliot et al. (1989).

36

FIGURA 6. Coleta de escoamento superficial de 5 em 5 min ao longo do teste

(Fonte: Bocuti 2016).

.

.

FIGURA 7. Esquema da instalao da parcela para o teste de erodibilidade

entressulcos (Fonte: Amorim 2004).

Na parcela experimental, foi aplicada chuva artificial, com intensidade de

aproximadamente 65 mm h-1. A durao mnima de uma repetio foi de 120 min e

durao mxima foi de 190 min.

37

A intensidade de precipitao mdia aplicada foi avaliada logo aps o trmino

de cada teste, por meio da interceptao da chuva artificial por um perodo de 15

minutos, utilizando-se 20 copos de capacidade 400 mL e de rea de coleta

aproximadamente de 58,05 cm2 (FIGURA 8).

O volume coletado foi obtido com o auxlio de uma proveta de 250 mL com

preciso de 2 mL. Para determinar a precipitao o volume encontrado em cada

copo, em mL foi convertido em mm.h-1. No fim de cada teste tambm foi medida a

uniformidade da precipitao por meio do coeficiente de uniformidade de

Christiansen.

FIGURA 8. Determinao da intensidade de precipitao mdia aplicada ao fim dos

testes de Ki. (Fonte: Bocuti 2016)

A quantidade de sedimento transportado pelo escoamento superficial foi

determinada pelo mtodo direto, coletando o volume de escoamento e sedimentos

carreados, por um perodo de 30 segundos, a cada intervalo de cinco minutos.

Como o escoamento nas reas 1 e 2, na regio do pasto, foi insuficiente para

transportar o sedimento carreado, nessas repeties ao fim de cada cinco minutos

realizou-se a lavagem do canal (FIGURA 9) para coleta de sedimentos acumulados,

com aproximadamente 200 mL de gua, obtendo assim o total de sedimentos

acumulados a cada cinco minutos no canal de direcionamento do escoamento.

38

FIGURA 9: Sedimentos acumulado ao longo da calha - rea pasto (pontos 1 e 2).

( Fonte: Bocuti 2016)

Para coleta do sedimento carreado foi utilizado inicialmente um pote plstico

com tampa, o qual foi levado ao laboratrio e passado por filtro de papel poroso,

previamente pesado e identificado com o nmero correspondente coleta. Os filtros

de papel foram.

Aps a filtragem completa de todo lquido coletado, o filtro com solo foi levado

estufa a 60C, por 48 horas, para posterior determinao da massa seca a 60C.

Os solos contidos nos filtros das trs ultimas coletas, de cada repetio, foram

retiradas do filtro adicionadas em recipientes adequados e levados para estufa a

105C por 24 h, para determinao da umidade residual.

A quantificao dos slidos que passaram pelo material filtrante foi utilizado o

mtodo da pipeta, que consistiu da retirada de uma alquota de 50 mL do volume de

escoamento superficial que passou pelo filtro. A alquota coletada foi colocada em

recipiente, previamente pesado e identificado, e levado estufa a 105C, por

aproximadamente 48 horas, sendo que nas primeiras seis horas a estufa estava

semiaberta, para evitar excesso de vapor dgua na estufa.

Com base no volume total escoado foi determinada a massa de solo seco

total que passou pelo material filtrante. A massa total de solo seco foi obtida pela

soma do solo retido no material filtrante e do solo em suspenso na soluo que

passou pelo filtro. A taxa de liberao de sedimentos nas reas foi utilizada para

calcular a erodibilidade entressulco a partir da equao proposta por Foster (1982),

utilizada no WEPP (EQUAO 1).

39

em que:

Ki = erodibilidade do solo entressulcos, proposta por Foster (1982), kg s m-4;

Di = taxa de liberao de sedimentos nas reas entressulcos, kg s-1 m-2;

IP = intensidade de precipitao, m s-1;

Sf = fator de ajuste relativo declividade, adimensional; e

Ci = parmetro que considera o efeito da cobertura vegetal na eroso

entressulcos e igual a unidade para solo descoberto, adimensional.

Em que, = inclinao em graus.

Para as condies do presente estudo, em que a inclinao lateral das

parcelas foi igual a 30%, o valor de Sf utilizado foi de 0,78.

3.3. Resultados e discusso

3.3.1. Condutividade hidrulica efetiva (Ke)

As curvas de ajuste (Figura 10) representam a taxa de infiltrao de gua no

solo em funo do tempo de aplicao da chuva simulada, para as reas

estudadas. Cada ponto representa a mdia de trs repeties (APNDICE I).

Devido s caractersticas do solo de cada rea estudada, o tempo de teste

(tempo de empoamento somado ao tempo de coleta) foram distintos,

correspondendo em mdia de 114, 118, 115, 98, 204 e 126 minutos por repetio,

para as reas, Pasto ponto 1 (Pp1), Pasto ponto 2 (Pp2), Agrcola ponto 1 (Ap1),

Agrcola ponto 2 (Ap2), Cerrado 1 (C1) e So Vicente 1 (SV1), respectivamente.

---------------------------------------------------------------------(Equao 1)

----------------------------------------------------------(Equao 2)

40

FIGURA 10: Taxa de infiltrao de gua no solo em funo do tempo de aplicao da chuva artificial e a representao da condutividade hidrulica efetiva para as reas de estudadas Pasto ponto 1 (A); Pasto ponto 2 (B); Agrcola ponto 1 (C); Agrcola ponto 2 (D); Mata nativa 1 (E) e So Vicente ponto 1 (F).

O tempo de empoamento (Temp) e de incio de escoamento superficial (Es0)

foram menores em Pp1 e Pp2, nessas reas de estudo a intensidade de

precipitao utilizada foi em mdia de 145 mm.h-1, enquanto nas demais reas foi

de aproximadamente 65 mm.h-1. O acrscimo da intensidade de precipitao gerou

aumento da energia cintica de impacto das gotas de chuva no solo e maior

desagregao dos microagregados da superfcie, promovendo o decrscimo em

Tempo de aplicao de chuva artificial, t (min.)

Ta

xa

de

in

filtra

o

, T

i (m

m.h

-1)

41

Temp e Es0. A reduo do Temp tambm est associada ao tempo em que a

capacidade de infiltrao torna-se menor do que a intensidade de preciptao.

Essas observaes so semelhantes s de Alves e Cabeda (1999),

estudando efeitos no comportamento dos Temp e Es0, num Podzlico Vermelho-

Escuro, quando submetido a duas intensidades de chuva, onde o Temp e Es0

decresceram com o aumento da intensidade de precipitao. Esses mesmos

autores verificaram que o decrscimo do Temp e Es0 foi maior quando o solo tinha

passado por preparo convencional, devido menor proteo da superfcie do solo.

O Cerrado 1 teve maior tempo de empoamento (FIGURA 11). Pois nessa

rea a precipitao mdia foi de 65 mm.h-1, entretanto devido ter mais de 75% de

areia e a sua macroporosidade ser maior que as das reas Ap1, Ap2 e SV1, o

maior tempo para ocorrer o incio do escoamento superficial era esperado. Outro

fator que possivelmente contribuiu foi a presena de grande nmero de razes

encontradas nos primeiros 20 cm de profundidade do solo, as quais formam

caminhos preferncias para gua.

A condutividade hidrulica efetiva foi determinada quando a taxa de

infiltrao se tornou estvel, o que correspondeu a 81,52; 109,94; 30,63; 24,49;

48,31; e 28,37 mm h-1 para Pp1, Pp2, Ap1, Ap2, C1 e SV1, respectivamente.

Nota-se que em Pp1 e Pp2 a variao na taxa de infiltrao de gua no solo

no incio dos testes mais acentuada em comparao com as demais reas, para

um mesmo intervalo de tempo de coleta, e que a taxa de infiltrao estvel foi maior

(Figuras 10A e 10B). Isto pode ser explicado pelo maior teor de areia, ou seja, alta

macroporosidade, que favorece maior velocidade da frente de umidecimento e,

consequentemente, a taxa de infiltrao torna-se estvel em menos tempo e

aumenta a permeabilidade. VIEIRA et al (2013) observaram que solos que tem

maior velocidade de infiltrao o fato pode ser explicado pelo maior volume de

macroporos. O mesmo foi observado por Bertol et al. (2001).

As reas Ap1, Ap2 e SV1 (Figuras 10C, 10D e 10F), devido ao maior teor de

argila tiveram maior percentual de microporos, o que reduziu a sua capacidade de

infiltrao. Dessa forma, os solos com maiores teores de argila apresentaram

menores valores absolutos de taxa de infiltrao estvel, isto , menor Ke quando

comparado aos de textura mais arenosa, representados por Pp1 e Pp2.

Pelo teste de Kruskal-Wallis (p0,05), verificou-se que h diferena

significativa da condutividade hidrulica efetiva nas reas estudadas (TABELA II).

42

Essa diferena foi observada somente entre as reas Ap2 e Pp2, sendo que a

condutividade hidrulica efetiva para a rea Pp2 foi maior. A principal caracterstica

que diferencia essas reas de estudo a textura, sendo que, o contedo de argila

em Ap2 aproximadamente 10 vezes maior que a Pp2, isso distingue de forma

relevante a quantidade dos poros dessas reas.

Na rea Pp2 a macroporosidade permitiu a infiltrao e percolao rpida da

gua, resultando assim em valores mais elevados da condutividade hidrulica

efetiva. Brando (2002), afirma que a textura uma das caractersticas que

influencia de forma expressiva na movimentao da gua no solo, uma vez que

determina a sua macroporosidade, que um fator de extrema relevncia na

condutividade hidrulica do solo, e ainda afirma que solos de classe textural

arenosa apresentam maiores taxas de infiltrao e condutividade hidrulica.

TABELA II: Condutividade hidrulica efetiva para diferentes reas de estudo.

Tratamento

(reas)

Condutividade hidrulica efetiva (Mdia)

(mm.h-1)

Pasto ponto 1 (Pp1) 81,52 (15,8) ab

Pasto ponto 2 (Pp2) 109,94 (19,34) b

Agrcola ponto 1 (Ap1) 30,63 (6,76) ab

Agrcola ponto 2 (Ap2) 24,49 (3,12) a

Cerrado (C1) 48,31(13,41) ab

So Vicente 1 (SV1) 28,37(4,76) ab

Mdias seguidas de letras iguais minsculas na coluna no diferem entre si estatisticamente no nvel de 5% de probabilidade pelo teste de KRUSKAL-WALLIS; valores entre parnteses representam o desvio padro.

3.3.2. Erodibilidade entressulcos (Ki)

Na Figura 11 esto apresentadas as taxas instantneas de escoamento

superficial e as taxas de liberao de sedimentos em funo do tempo de aplicao

da chuva simulada, sendo que cada ponto das curvas representa o valor mdio de

trs repeties (APNDICE II). Nota-se que o comportamento da taxa de

escoamento ao longo do tempo de aplicao da chuva simulada, no foram

semelhantes em todas reas.

No Pasto ponto 1 e Pasto ponto 2 (FIGURAS 11A e 11B), ocorreu pequena

variao nas taxas de escoamento ao longo do teste. Nessas reas a condutividade

43

hidrulica efetiva do solo correspondeu, em mdia, a 81,52 e 109,94 mm.h-1 para

Pp1 e Pp2, respectivamente. Entretanto, a precipitao mdia da chuva artificial

utilizado para determinao da erodibilidade entressulco foi em mdia de 65 mm.h-1.

Desta forma, o escoamento coletado estava em funo das gotas de chuva que

caiam diretamente na calha central da parcela experimental. Nessas reas, tambm

no ocorreu a formao de lminas delgadas de gua na superfcie das parcelas,

pois a macroporosidade do solo permitia a infiltrao e percolao de toda

precipitao.

A finalizao de cada teste foi realizada quando as taxas instantneas de

escoamento superficial coletadas se apresentavam estveis, sendo observadas as

taxas mdias de escoamento superficial de 3,280; 3,451; 42,263; 35,749; 11,486 e

31,66 mmh-1 para Pp1, Pp2, Ap1, Ap2, C1 e SV1, respectivamente.

Foi verificado que o tempo mnimo de durao do teste foi 120 minutos,

porm aps uma hora de teste para Pp1, Pp2 e Ap2 (Figuras 11A, 11B e 11D) a

taxa mdia de escoamento superficial estava estvel, todavia, apenas 31,10% de

C1 e 47,74% de Ap1 estavam estabelecidas nesse momento.

Pode-se afirmar que na rea Ap1 as taxas de escoamento foram crescentes

durante praticamente todo o ensaio, ocorrendo a estabilizao somente nos trinta

minutos finais de teste. Verifica-se que a taxa mdia de escoamento estabilizada

em Ap1 foi aproximadamente 12,8 vezes maior que a verificada em Pp1. Essa

diferena da taxa de escoamento superficial dos solos est relacionada

principalmente diferena de gnese dos solos o que caracteriza a eles

propriedades fsicas, fsico-hdricas e mineralgicas distintas.

44

FIGURA 11. Taxa de liberao de sedimentos (Di) e taxa de escoamento superficial

(Es0), em funo do tempo de aplicao de chuva artificial Pasto ponto 1 (A);

Pasto ponto 2 (B); Agrcola ponto 1 (C); Agrcola ponto 2 (D); Cerrado 1 (E) e So

Vicente 1 (F).

O teor de argila na rea Ap1, conferiu ao solo menor macroporosidade, o que

reduz expressivamente a velocidade de percolao da gua nessa rea e aumenta

a possibilidade de ocorrncia do escoamento superficial. Mesmo aps o preparo

inicial desse solo e a construo de uma maior macroporosidade, o seu teor de

argila dispersa em gua possivelmente favoreceu o selamento superficial e

comprometeu a continuidade dos poros, dificultando a infiltrao de gua no solo.

Di

Es0

45

Reichert e Norton (1995) tambm verificaram reduo na infiltrao de gua no solo

devido a formao de selamento superficial, causado pelo preenchimento dos poros

da camada superior do solo por finas partculas oriundas da disperso de

agregados.

Na rea Ap2, no incio do teste, a quantidade de sedimentos contido no

escoamento superficial, aumentou rapidamente, at um valor estvel. Nessa

mesma rea foi obtido um valor mdio de taxa de liberao de sedimentos, superior

as demais reas. O que pode ser explicado pelo acmulo do teor de silte nos

primeiros 10 cm de solo e maior percentual de argila dispersa.

O acmulo de silte nos primeiros 10 cm de solo, em Ap2, causou a perda de

estabilidade dos microagregados e permitiu maior liberao da quantidade de

sedimentos no escoamento. Mbagwu et al. (1993), afirmam que em solos com

maior quantidade de silte ocorre o favorecimento da disperso dos agregados em

gua. E consequentemente a erodibilidade do solo tende a aumentar com

incremento do contedo de silte (WISCHMEIER et al., 1971).

Em Pp1, Pp2 e C1 a taxa de liberao de sedimentos praticamente no

aumentaram com o decorrer do teste, porm nas demais reas de estudo o

escoamento e a taxa foram crescentes. Em Pp1 e Pp2 os sedimentos que

chegaram ao canal coletor foram exclusivamente pelo salpicamento das partculas

causado pelas gotas de chuva, a qual tinha precipitao constante. Enquanto em

C1 o ocorrido atribudo a estabilidade de agregados reas, dessa forma a

liberao de sedimentos foram constantes ao longo teste.

As concentraes de sedimentos no incio dos testes foram maiores, em

Ap1, Ap2 e SV1, devido a taxa de escoamento superficial ser baixa, e ter menor

lmina para promover a conduo das partculas.

Atravs do comportamento da taxa de liberao de sedimentos na Ap2

(Figura 11D), foi possvel verificar que a quantidade de partculas de solo

desprendida resultado principalmente do preparo inicial do solo e no dos

impactos das gotas da chuva. Na curva de escoamento superficial da rea Ap2

observa-se que ao longo do teste, houve aumento na taxa de escoamento

superficial, desta forma elevou a sua capacidade de transporte, tornando-se

possvel a conduo de todo material desagregado instantaneamente e, tambm,

quele remanescente do perodo inicial. Porm, aps a retirada das partculas

remanescentes, o escoamento superficial passa a transportar unicamente as

46

partculas desagregadas instantaneamente, entretanto ocorreu a diminuio de

partculas desprendidas.

Na rea Ap1 (Figura 11C) foi maior a taxa de escoamento superficial, porm

a maior taxa de liberao de sedimentos ocorreu na rea Ap2 (FIGURA 11D). A

rea Ap1, nos ltimos cinco anos, no sofreu revolvimento de solo ou tipo de

cultivo, o que resultou em maior relao carbono/argila, isto quando comparada a

rea agrcola ponto 2. A maior relao carbono/argila em Ap1 conferiu-lhe maiores

ndices de estabilidade de agregados, quando comparada com Ap2, o que dificultou

o desprendimento e carreamento das estruturas do solo pelo escoamento

superficial, proporcionando assim, menores taxas de liberao de sedimentos.

Utilizando os valores de taxa mxima de desprendimento para os solos em

estudo e a equao de Foster (1982), foram obtidos valores mdios de erodibilidade

entressulcos iguais a 1,56x105; 2,47x105; 2,44x105; 1,32x106; 8,56x104 e 5,93x105

kg.s.m-4 para as reas Pp1, Pp2, Ap1, Ap2, C1, SVp1, respectivamente.

Pelo teste de Kruskal-Wallis (p0,05), verificou-se que h diferena

significativa da erodibilidade entressulcos nas reas estudadas (TABELA III).

TABELA III: Erodibilidade entressulco para as diferentes reas de estudo.

Tratamento

(reas)

Erodibilidade entressulco (Mdia)

(kg.s.m-4)

Pasto ponto 1 (Pp1) 1,56x105 (2,04x104) ab

Pasto ponto 2 (Pp2) 2,47x105 (4,14x104) ab

Agrcola ponto 1 (Ap1) 2,44x105 (8,32x103) ab

Agrcola ponto 2 (Ap2) 1,32x106 (1,82x105) b

Cerrado 1 (C1) 8,56x104 (2,06x103) a

So Vicente 1 (SV1) 5,93x105 (1,47x105) ab

Mdias seguidas de letras iguais minsculas na coluna no diferem entre si estatisticamente no nvel de 5 % de probabilidade pelo teste de KRUSKAL-WALLIS; valores entre parnteses representam o desvio padro.

Somente a rea Ap2 se diferencia da C1, a erodibilidade entressulcos foi

maior para Ap2. A erodibilidade entressulcos depende de atributos do solo como,

condutividade hidrulica efetiva, estabilidade de agregados e tamanho de partculas

e considerando que o Ap2 combina as caractersticas de menor Ke, maior proporo

47

de argila dispersa em gua e, dentre os solos argilosos, menor estabilidade de

agregados, os resultados encontrados esto adequados. Implicaes semelhantes

foram encontrados por Martins Filho (1999), onde foi verificado que solos com

agregados mais estveis em gua apresentaram menores valores de erodibilidade

entressulcos. E por Lima (2001), que percebeu que solos com maiores teores de

argila dispersa em gua tiveram valores maiores para erodibilidade entressulcos.

3.4. Concluso

A erodibilidade em entressulcos para as reas de estudo so iguais a

2,44x105, 1,32x106, 1,56x105, 2,47x105, 8,56x104, 5,93x105 kg.s.m-4 para Ap1, Ap2,

Pp1, Pp2, C1 e SVp1 respectivamente.

A condutividade hidrulica efetiva determinada, nas reas de estudo so

iguais a 81,52; 109,94; 30,63; 24,49; 48,31; e 28,37 mm h-1 para Pp1; Pp2; Ap1,

Ap2, C1 e SV1, respectivamente.

A erodibilidade entressulcos foi diferente (p0.05)somente entre as reas

Ap2 e C1.

A condutividade hidrulica foi diferente (p0.05) somente entre Pp2 e Ap2

(p0.05).

3.5. Referncias bibliogrficas

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4. CORRELAO DA CONDUTIVIDADE HIDRULICA EFETIVA E

ERODIBILIDADE ENTRESSULCOS COM OS ATRIBUTOS FSICOS E FISICO-

HDRICOS DE SOLOS DO CERRRADO

RESUMO - A utilizao de mtodo indireto para estimar os valores da

condutividade hidrulica efetiva (Ke) e erodibilidade entressulcos (Ki) torna-se uma

alternativa vivel devido ao elevado custo e morosidade da obteno destes

atributos no campo. So empregados a esse mtodo, modelos matemticos que

utilizam atributos do solo de mais fcil determinao como variveis preditoras da

Ke e da Ki. Desta forma, objetivou-se com este trabalho identificar quais as

caractersticas fsicas e fsico-hdricas que melhor se correlacionam com os

parmetros Ki e Ke. O trabalho foi realizado em trs etapas: a primeira para

determinar algumas caractersticas fsica, fsico-hdrica e mineralgica dos solos de

seis reas localizadas na regio de Campo Verde e Santo Antnio de Leverger,

ambos municpios do estado de Mato Grosso; a segunda para obter a

condutividade hidrulica efetiva (Ke) e a erodibilidade entressulcos (Ki) das reas de

estudo, seguindo a metodologia proposta pelo Departamento de Agricultura dos

Estados Unidos e pelo Servio de Pesquisas Agrcola Americano; a terceira etapa

consistiu em correlacionar os parmetros Ke e Ki com as caractersticas fsica e

fsico-hdricas dos solos estudados. Os atributos areia total, matria orgnica e

argila apresentaram correlao significativa com a condutividade hidrulica efetiva

independente da classe textural do solo estudado, Para solos arenosos os atributos

areia grossa, areia muito fina e ndice de estabilidade de agregados apresentam

maior potencial de predio da erodibilidade entressulco. Enquanto para os solos

argilosos os atributos areia grossa, areia mdia, dimetro mdio ponderado,

dimetro mdio geomtrico e ndice de estabilidade de agregados.

Palavras-chave: Bacia do rio das Mortes, Eroso hdrica, WEPP.

CORRELATION HYDRAULIC CONDUCTIVITY EFFECTIVE AND ERODIBILITY

INTERRILL WITH PHYSICAL ATTRIBUTES AND HYDRO PHYSICAL IN SOILS

OF CERRRADO

ABSTRACT The use of indirect method to estimate the values of effective

hydraulic conductivity (Ke) and erodibility interrill (Ki) is a viable alternative because

of the costs and time used to obtain these attributes in the field. The objective of this

study was to identify the physical and physical-hydric characteristics that best

correlate with Ki and Ke parameters. The study was conducted in six areas located

in Campo Verde and Santo Antnio do Leverger, both municipalities in the state of

Mato Grosso; and divided into three stages: I - determination of characteristics,

physical , physical-hydric and mineralogical the soil, II - Obtaining the effective

hydraulic conductivity (Ke) and rill erodibility (Ki) of the study areas, III - consisted of

correlating Ke and Ki parameters with physical and physical and hydraulic

characteristics of the soils. The attributes sand total organic matter and clay better

correlated with the effective hydraulic conductivity, independent of the textural class

of the studied soil. For sandy soils attributes coarse sand, very fine sand and

aggregate stability index present greater potential for predicting erodibility interrill.

As for clay soils attributes coarse sand, medium sand, average diameter, geometric

mean diameter and aggregate stability index.

Keywords: Bacia dos Rios das Mortes, Water erosion, WEPP

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4.1. Introduo

A determinao de um atributo do solo a campo requer, geralmente a coleta

de grande nmero de informaes, o que implica em ensaios de campo

dispendiosos, que vinculam e exigem um longo tempo de execuo do experimento,

principalmente quando se trata de caractersticas hidrodinmicas dos solos, como a

condutividade hidrulica efetiva (Ke), (SOUZA, 2008). A morosidade na

determinao da Ke est vinculada complexidade dessa propriedade, pois o

grande nmero de fatores que a influencia, dificulta sua avaliao.

A condutividade hidrulica efetiva influenciada pela textura, densidade,

estabilidade de agregados, umidade do solo, distribuio e tamanho de poros

(CARVALHO, 2002). De acordo com Libardi et al. (1986 Apud Eguchi et al. 2002), a

textura considerada uma das propriedades mais estveis do solo. Desta forma,

fraes da textura do solo, tornam-se variveis preditoras relevantes para o estudo

da condutividade hidrulica efetiva.

Outro parmetro do solo de difcil determinao a campo a erodibilidade

entressulco (Ki), pois influenciada por diversos atributos fsicos, qumicos e

mineralgicos, os quais determinam sua amplitude e ao mesmo tempo revela a

existncia de uma distino de valores entre as classes morfolgicas dos solos

(LIMA, 2001). Dentre os atributos do solo que influenciam a erodibilidade

entressulcos pode-se citar teor de argila, matria orgnica, estabilidade de

agregados, mineralogia, xidos de ferro e alumnio, porosidade, densidade e

umidade