Tosa Nikki - Seminario

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    12-Dec-2015

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Informaes sobre O Dirio de Tosa, de Kino Tsurayuki

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TOSA NIKKI

TOSA NIKKI1Ki no Tsurayuki (872-945)Poeta da corte representante do waka no sculo IX. Participou na organizao de Kokinsh, sendo autor do Kanajo (prefcio em kana). Contribuiu, no total, com 451 poemas para as antologias imperiais de waka. Influenciou consideravelmente a poesia de geraes subsequentes.Proveniente de uma famlia de grande influncia poltica no Perodo Nara (cujo alcance foi rapidamente perdido com a ascenso do cl Fujiwara). Recuperou relativamente sua relevncia atravs de vrios de seus membros que trilharam seus caminhos na academia ou nas artes.Foi governador da provncia de Tosa (931-934). O retorno Quioto no trmino de seu mandato culminou na composio do Dirio de Tosa ou Tosa Nikki

Ki no Tsurayuki por Kikuchi Ysai (1781-1878)2O gnero Dirio: precedentesAs obras anteriores de Ki no Tsurayuki tratavam o gnero dirio enquanto compilao de registros oficiais escritos em lngua e escrita chinesa e calcados em uma perspectiva objetiva e detalhista de eventos, locais e costumes.Nagae (2007) - "O desenvolvimento dessa nova forma literria clssica s se tornou possvel dentro de um contexto especfico: o desabrochar de uma cultura autctone japonesa, aps 894, com o encerramento das dispendiosas expedies culturais japonesas ao continente chins mantidas desde 607 pela iniciativa de Shtoku Taishi, Prncipe Regente da Imperatriz Suiko, para desenvolver o Japo por meio da importao intencional da cultura chinesa. Com o distanciamento do Continente, surge uma literatura japonesa propriamente dita desencadeada pela inveno da nova escrita em fonogramas (kana), que gera um aumento e uma diversidade na produo literria na qual se inserem os Dirios Literrios".3O gnero Dirio: precedentesNa Era Clssica: Nitt Guh Junrei Kki , de Ennin (Jikaku Daishi ) (793-864): relato da peregrinao do monge China de Tang e a Coreia de Silla junto s misses diplomticas japonesas. Anterior em cem anos composio do Dirio de Tosa, a obra caracterizada pelo uso da escrita e lngua chinesa e por um contedo imparcial, contido, preciso e detalhista no registro de cenrios e costumes. Narrador masculino.Prof. Jesse Palmer: apreciao da obra como fonte descritiva do budismo no perodo Heian: http://dissertationreviews.org/archives/810 Traduo para o ingls pelo Prof. Edwin O. Reischauer (1955)

ItinerrioEsttua de Ennin

4A obraA narrativa, composta em um perodo posterior viagem, tem incio com trmino do mandato de Ki no Tsurayuki como governador de Tosa e seu retorno, junto de sua comitiva, para a Capital, Quioto.O dirio tem incio no dia 21 de dezembro de 934, data em que ele deixa o palcio do governo aps a recepo do novo governador e a cerimnia de posse, e termina com a chegada a sua residncia em 16 de fevereiro de 935, cinquenta e cinco dias depois.Relato subjetivo, em que se expressa a nostalgia e a ansiedade pela chegada Capital, a crtica irnica aos interesseiros e levianos encontrados durante o trajeto e uma perspectiva subjetiva em relao s tradies culturais, ora vindas tona na dimenso da composio potica suscitada pela lembrana, ora na tentativa de prtica da comitiva, apesar das condies adversas presentes durante toda a viagem. 5Itinerrio de Tosa a Quioto

6Aspectos formais

Excerto de cpia fiel do Dirio de Tosa por Fujiwara no Teika (1162-1241) 7Humor e ironiaRitual e contextoNo dia vinte e dois, rezamos aos deuses tranquilamente, desejando chegar at Izumi no Kimi. Fujiwara no Tokizane, apesar de ser uma viagem de barco, fez um Muma no Hamamuke. (Muma no Hamamuke = festa de despedida. Vem do ritual de virar o focinho do cavalo na direo correta, desejando que a pessoa fizesse uma viagem tranquila e segura)BebedeiraTodos, ricos e pobres e at crianas ficaram embriagadas e aqueles que no sabiam nem mesmo uma palavra, seus ps, enquanto brincavam, formavam o kanji de nmero dez, como pegadas de uma ave.(hiptese = o kanji para bbado - apresenta como componentes, alm do saqu, os nmeros nove e dez. Bebeu nove ou dez doses de saqu e ficou bbado )8Humor e ironiaBebedeiraTodos, sem distino de hierarquia, ficaram bastante bbados, e muito estranho o fato de brincarem beira-mar.(trocadilho com o verbo azaru, que pode significar brincar ou estragar. O sal tem a caracterstica de preservar os alimentos, mas as pessoas ficaram to embriagadas que dava a impresso de que tinham lanado peixes podres)Exagero potico vs tempo hostilEu, que fui deixada, meu choro maior que o som das ondas brancas que se levantam frente.Deve ser um choro bem alto.#Temas da obra, espao material e espao psicolgico. Arte era claramente concebida como um transbordar espontneo de forte sentimento (MINER: 1968)No h aventuras emocionantes ou situaes romnticas; nenhuma mxima de sabedoria ou informaes novelsticas; seu nico mrito que ele descreve, em linguagem simples, porm elegante, e com uma veia de humor brincalho, a vida comum de um viajante no Japo na poca em que foi escrito. (ASTON: 1972) A nfase, desse modo, recai no contedo do poema, melhor dizendo, sobre as comparaes ou smiles como a espuma da onda do mar com a neve ou flores brancas e das prprias ondas como os ramos do salgueiro verde. Nota-se que em todos os poemas utilizados como exemplo, h uma valorizao da imagem visual da qual decorrem as inspiraes poticas que retratam a beleza da natureza e os devaneios das emoes humanas em ricas associaes. (NAGAE: 2007) A narradora desenvolve os dois temas principais: a centralidade da arte na vida e a tragdia da existncia, embora haja tambm momentos de humor, celebrao e fruio da vida (CORDARO: 2015) 10Comparaes e MetforasVeja, a costa est molhada Com a torrente de lgrimas que derrama das mangas de Quem em cima da praia deve ficar, Ou de quem segue seu caminho (19)

Rpido minhas lgrimas caem, Mas torcer um fio de seda Certamente seria em vo; Quem poderia juntar prolas to frgeis? Toda a minha habilidade seria intil. (42)

Aqui no mais vamos desviar Buscando por wasure-gai; Mas uma prola delicada Pura e branco pode servir para falar Da criana que ns amamos tanto.(43)

#Tosa Nikki: um utaawase Utaawase encontro potico caracterizado pela execuo de uma espcie de jogo literrio no qual os cortesos submetem suas produes avaliao de um juiz.Nagae (2007) Tosa Nikki enquanto um manual prtico para jovens iniciantes do waka ao arrolar 61 poemas como modelos poticos para serem ou no seguidos. Abordagem prescritiva.

Toyohara Chikanobu (18381912). Ilustrao (ukiyo-e) de um utaawase (1895).12Crtica literria: preceitos poticosKi no Tsurayuki, no prefcio de Kokinsh:

Henj se supera na forma, mas a essncia deixa a desejar. A emoo profunda por essa poesia se esvanece, e pode ser comparada com aquilo que vivenciamos vista de uma bela mulher em uma pintura. Narihira transborda em sentimento, mas sua linguagem deficiente. Seu universo como uma flor a qual, mesmo murcha e sem brotos, ainda retm sua fragrncia. Yasuhide habilidoso no uso das palavras, mas elas se associam de forma dbil com sua matria, como se um comerciante fosse vestir a si mesmo com finas sedas. Kisen intenso, mas a conexo entre o incio e o fim indistinta. Ele pode ser comparado com a Lua de outono, a qual, ao nos fixarmos nela, obscurecida pelas nuvens da madrugada... (apud ASTON, 1972:67)13Crtica literria: preceitos poticosO homem tomado por numerosas atividades; entre elas, a poesia aquela que consiste em expressar os sentimentos de seus coraes atravs de metforas tomadas do que eles veem ou escutam. "Ao escutar o rouxinol cantando entre as flores ou o coaxar lamentoso do sapo que vive na gua, ns reconhecemos a verdade que, entre todos os seres vivos, no h um que no exprima uma cano. (ibidem, p. 64)

Quando seus coraes transbordaram de prazer, quando eles [os poetas da corte] sentiram seu amor ser eternizado como a fumaa que paira sobre o Monte Fuji, quando eles procuraram pelo amigo com a pungncia do choro do matsumichi, quando o suspiro do par de conferas de Takasago e Suminoye sugestionou um marido e uma esposa envelhecendo juntos, quando eles pensaram em seus dias pretritos de vigor viril, ou ressentidos por passada a nica vez de uma flor em boto, isso foi com a poesia que eles confortaram os seus coraes. Novamente, quando eles olharam por cima das flores separadas de seus caules em uma manh de primavera, ou escutaram as folhas caindo s vsperas do outono, ou todo ano lamentaram a neve e as cs refletidas em um espelho; ou, vendo o orvalho sobre a grama ou a espuma sobre a gua, foram incitados a reconhecer neles emblemas de suas prprias vidas... (idem, p. 65-66)#Crtica literria: avaliaoEm Tosa Nikki:

Vendo esta imagem, vem lembrana o poema de Narihira que diz: 'que a borda da montanha fuja e no deixe a lua se esconder'. Se fosse composto beira do mar, seria dessa maneira: 'que as ondas se levantem e no permitam que a lua mergulhe no mar'. Agora, lembrando esse poema, certa pessoa comps o seguinte:Vendo o feixe do brilho da lua mergulhando no mar,a voz da Via-Lcteadeve ser o mar.

A impresso que se tem ao se ver o pinheiral de que a cegonha pensaque os pinheiros so amigos milenares.Este poema no consegue superar a beleza da paisagem.

Crtica literria: avaliaoPor ser Ano-novo, algum se referiu ao dia da criana da Capital assim: 'oh, como desejo um pinheiro'. Mas, como estamos no mar, isto se torna um desejo difcil de ser atendido. Eis o poema que uma mulher escreveu:Como estou ansiosa pelo dia do ne. Sendo um pescador, dever-se-ia colher um umimatsu.Como possvel recitar um poema do dia do ne em pleno mar?Acabei passando quarenta, cinquenta longos dias de primavera com a corda que reboca o barco.As pessoas que o ouviram certamente devem estar pensando: Por que ser que um poema to trivial?. um poema que o chefe do barco fez com muita dificuldade e pensa que ficou bom. Teremos um problema srio se ele nos ouvir e ficar ressentido.

RepercussoObra precursora do Dirio enquanto gnero literrio (Dirio Potico)