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Tempos Modernos – A 3ª Revolução Industrial - Revolução Técnico · PDF file 2019. 12. 8. · A 3ª Revolução Industrial - Revolução Técnico-CientíficaA 3ª Revolução

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    3.º trimestre | 2019 | informarep

    TRIBUNA arep Tempos Modernos – As Grandes Revoluções Industriais A 3ª Revolução Industrial - Revolução Técnico-Científica

    A 3ª Revolução Industrial – também conhecidacomo Revolução Técnico-Científica – inicia-se emmeados do século XX, no período após o fim da Segunda Guerra Mundial e vem até aos nossos dias.

    A caraterística fundamental desta fase do desenvolvi- mento da humanidade, tem que ver com o uso sistemá- tico do conhecimento científico e tecnológico como su- porte dos processos industriais e dos sistemas produti- vos, alcançando-se desta forma níveis de avanço e ino-

    vação nunca an- tes experimen- tados. São elementos estruturais as chamadas in- dústrias de alta tecnologia e os profundos avan- ços nas áreas da g e n é t i c a ,

    biotecnologia, robótica, informática, telecomunicações e eletrónica. Este quadro de desenvolvimento exige uma mão-de- obra e meios humanos altamente qualificados capazes de assegurar o conhecimento e a complexa organização dos modernos processos de produção, onde o uso ge- neralizado dos circuitos lógicos digitais e das tecnologias daí derivadas são essenciais. Surgiram novos e poderosos meios de comunicação, cri- aram-se novas máquinas e instrumentos, substituiu-se mão-de-obra por robôs, a eficiência dos processos pro- dutivos atingiu níveis elevadíssimos com impacto muito positivo na redução dos custos de produção de bens e serviços, que em termos finais se traduziu num acrésci- mo da melhoria das condições de vida da população. O desenvolvimento científico transformou a medicina, pelo avanço na genética, pela criação de novos medica-

    mentos e pela introdução de novas formas de preven- ção. A 3ª Revolução Industrial caracterizou-se também por profundas alterações no relacionamento entre os po- vos e as pessoas – as formas de comunicação e de difu- são da informação tornaram-se globais e instantâneas à escala planetária. Este rompimento de barreiras tradu- ziu-se numa grande interligação social, económica, po- lítica e cultural que ficou conhecida como a Globalização. O enorme desenvolvimento industrial desta fase conju- gado com elevados níveis de consumo, determinou um substancial acréscimo nas emissões poluentes com o consequente agravamento do efeito de estufa. As Alterações Climáticas constituem uma caraterística perturbadora da 3ª Revolução Industrial e são hoje pre- ocupação da humanidade e tema urgente de investiga- ção pela comunidade científica, na procura e introdu- ção de alternativas energéticas sustentáveis.

    Citam-se seguidamente alguns marcos referenciais des- te período:

    1944 - Acordos de Bretton-Woods 1.º exemplo mundial da criação de uma ordem negocia- da com regras para o campo monetário e para as rela- ções comerciais e financeiras entre os países industriali- zados.

    1946 – Criação do 1º Computador Eletrónico Digital – (USA) Lançamento do ENIAC – Eletronic Numerical Integrator and Computer. 1947 – Invenção do Transístor Componente fundamental para a revolução da eletrónica digital nas décadas de 50 e 60.

    As Alterações Climáticas consti- tuem uma caraterística pertur- badora da 3ª Revolução Industri- al e são hoje preocupação da hu- manidade e tema urgente de in- vestigação pela comunidade ci- entífica, na procura e introdução de alternativas energéticas sus- tentáveis.

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    TRIBUNA arep

    A 4ª Revolução Industrial No final do século XVIII com a 1ª Revolução Industrial deu-se a passagem das primitivas formas de produção

    manual da fiação e tecelagem para a então avança- da produção me- canizada – inova- ção que tanto as- sustou os traba- lhadores desse tempo. A 2ª Revolução Industrial surgiu em meados do século XIX e trouxe consigo o uso e benefício da eletricidade, dos transportes mecanizados e

    da produção em massa de alguns bens de consumo. Presentemente vivemos a 3ª Revolução Industrial – inicia- da no fim da 2ª guerra mun- dial que, beneficiando do ex- traordinário desenvolvimen- to científico então surgido, in- duziu notáveis avanços nos campos da eletrónica, das tecnologias da informação e das telecomunicações com efeitos muito positivos na melhoria das condições de vida da população.

    Agora e em sobreposição com esta 3ª fase de desenvol- vimento, estamos perante uma emergente 4ª Revolu- ção Industrial em ascensão, marcada pela poderosa con- vergência das tecnologias da informação com a biotecnologia e as neurociências, trazendo consigo uma tendência para a automatização total e inteligente dos meios de produção. Automatização feita através de sis- temas cíber-físicos combinando máquinas com proces- sos digitais capazes de tomar decisões descentralizadas, cooperando entre si e com os humanos. Especialistas e pensadores no âmbito de Fóruns Inter- nacionais onde se produz estudo e reflexão sobre a so- ciedade em que vivemos e sobre o seu potencial devir, com a segurança dos estudiosos dizem-nos que estamos perante uma revolução tecnológica que transformará a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos e isto numa escala, alcance e complexidade muito dife- rente de tudo o que o ser humano antes conheceu. Os receios de que a automatização dos meios de pro- dução deem origem a um desemprego maciço datam

    1954 – 1ª Central Elétrica Nuclear – (Obninsk - Rússia) Para produção comercial de energia elétrica com liga- ção à rede de distribuição. 1954 – Introdução da Contentorização Padronizada para Navios O contentor surge nos Estados Unidos na década de 50, com dimensões normalizadas. Este acessório levou à re- dução dos custos de transporte ao criar condições para a introdução de processos automáticos de manipulação. O processo foi globalizado à escala mundial na década de 80.

    1969 – Dois Homens Atingem a Lua – (USA) Voo espacial tripulado - Apolo-11 – com 1º pouso na Lua por Neil Armstrong e Buzz Aldrin 1981 – Lançamento do Computador Pessoal Conduziu à massificação do seu uso em casa e na em- presa. 2002 – O Telemóvel atinge mais de 1000 Milhões de utilizadores no mundo

    Os receios de que a automatização dos meios de produção dê origem a um de- semprego maciço datam da 1ª revolução industrial, no entan- to até ao presente tais receios não se concretizaram. Bem ao contrário, nas sucessivas fases de avanço tecnológico, muitos tipos de trabalho desaparece- ram de facto, mas sempre sur- giram outros trabalhos, nume- rosos, mais evoluídos que per- mitiram empregos mais inte- ressantes e qualificados.

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    mecânico, tem hoje paralelo e a compreensão solidária do homem/trabalhador do século XXI quando este ago- ra, também, se vê confrontado com a ameaça de algo chamado inteligência artificial cujo possível impacto no seu trabalho sente, com preocupação. Apesar de algum ceticismo e dificuldades as condições de vida no século XXI apresentam-se mais esperanço- sas do que as do século XVIII. O sis- tema democráti- co funciona asse- gurando a difusão das ideias, conhe- cimento, e justiça social. O surgimento desta fase de desenvolvimento com caraterísticas que prefiguram tão profundas alterações na vida em sociedade e no mundo do trabalho – desen- cadeou a nível mundial um amplo e preocupado movi- mento de estudo, reflexão e debate visando, atempadamente, a procura de enquadramento e solu- ções corretas para os problemas que se anunciam. Informação sobre esta temática está hoje disponível para o cidadão comum e surge com grande regularidade nos meios de comunicação generalistas e especializados do mundo civilizado. Fóruns internacionais enquadrados pelos países desen- volvidos, dotados com os especialistas e estudiosos mais qualificados debruçam-se sobre esta potencial nova re- alidade procurando soluções para que a imensa riqueza representada pelo progresso científico seja posta ao ser- viço da humanidade, sempre com o foco no respeito, bem-estar e dignidade do ser humano.

    ... A 4ª Revolução Industrial

    Apesar de algum ceticismo e di- ficuldades as condições de vida no século XXI apresentam-se mais esperançosas do que as do século XVIII. O sistema demo- crático funciona assegurando a difusão das ideias, conhecimen- to, e justiça social

    (sistematização e síntese do associado António Garcia)

    da 1ª revolução industrial, no entanto até ao presente tais receios não se concretizaram. Bem ao contrário, nas sucessivas fases de avanço tecnológico, muitos tipos de trabalho desapare- ceram de facto, mas sempre surgiram outros trabalhos, numerosos, mais evoluídos que per- mitiram empregos mais interessantes e qualificados. No entanto nas con- dições que se perfilam para esta fase de desenvolvimen- to, surgem fundados receios de que as condições e efei- tos decorrentes se apresentem com caraterísticas mui- to diferentes e difíceis, fugindo aos padrões mais cor- rentes e tradicionais. Neste contexto seguramente que muitos trabalhos, se vão perder – sendo certo e seguro, como sempre, que outros vão surgir, mas em número expectavelmente mais reduzido e caracterizados por um muito elevado nível de especialização e qualificação. Esta situação levanta uma questão fundamental: - Que resposta dar em termos de mercado de trabalho às massas de trabalhadores – numerosos e menos qua- lificados? Eis uma questão candente a que o século XXI tem de responder - questão que levanta interrogações no pla- no ético e geopol