Revista fitos

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Revista fitos

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  • Revista Fitos Vol.3 N03 setembro 200714

    Lamiaceae Family: Important Essential Oils with Biological and Antioxidant Activity

    Famlia Lamiaceae: Importantes leos Essenciais com Ao Biolgica e Antioxidante

    *Lima, R. K.; Cardoso, M. G

    Departamento de Qumica, Univer-sidade Federal de Lavras, Campus

    Universitrio, C.P. 3037, 37200-000, Lavras, MG, Brasil.

    *Correspondncia: E-mail: rafakarin@yahoo.com.br

    Unitermos: Bioatividade; Produtos Naturais; Terpenides;

    FenilpropanidesKey words: Bioactivity; Natural

    Products; Terpenoids; Phenylpropanoids

    Resumo

    Essa reviso teve como objetivo reunir artigos recentes sobre atividades biolgicas de leos essenciais de algumas plantas da famlia Lamia-ceae, uma vez que o Brasil rico em plantas desta famlia e estas so pouco estudadas. Entre as bioatividades relatadas esto: antioxidante, bactericida, fungicida e inseticida.

    Abstract

    The objective of this review was the collection of recent articles on the biological activities of the essential oils of some plants of the Lamiaceae family, since Brazil is rich in plants of this family and they have not been extensively studied. The antioxidant, bactericidal, fungicidal and insecti-cidal activities are among the bioactivities reported for these plants.

    Introduo

    Em todas as plantas podem ser encontrados princpios ativos importantes, sintetizados pelo metabolismo secundrio, que do origem a uma srie de substncias conhecidas como alcalides, flavonides, cumarinas, sa-poninas, taninos, leos essenciais entre outras (CARVALHO, 2004). A de-terminao da atividade biolgica de plantas e de seus derivados muito importante na rea de produtos naturais. Os leos essenciais esto sendo cada vez mais estudados como agentes antioxidantes; e tambm para o controle de microorganismos. So utilizados na indstria de alimentos, como tambm na indstria farmacutica e de cosmticos, conferindo a estes produtos, alm da proteo contra o processo de oxidao e a dete-riorao pelos microorganismos, um sabor e odor peculiar de cada essn-cia (TAINTER; GRENIS, 1993). Na agricultura, os leos essenciais e extratos vegetais vem sendo empregados como um mtodo alternativo para o controle de inseto-praga e de doenas causadas por fungos, nematides, vrus ou bactrias. As medidas atuais de controle de insetos envolvem o uso de defensivos de origem sinttica. Estes, alm de apresentarem um elevado custo, persistem no meio ambiente de maneira deletria e o seu tempo de uso contnuo e prolongado vem induzindo formao de esp-cies resistentes (AGARWAL et al., 2001; PAULA et al., 2003).

    Estado da Arte/State of the Art

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    Estado da Arte/State of the ArtFamlia Lamiaceae: Importantes leos Essenciais com Ao Biolgica e Antioxidante

    Os leos essenciais so constitudos por inmeros com-postos, s vezes se destacando alguns majoritrios, e a sua atividade na maioria das vezes est relacionada a este conjunto de substncias (VANDAR-NL et al., 2003). A composio qumica dos leos essenciais de-pende de fatores ambientais, perodo de colheita, tc-nica de extrao e de fatores genticos, portanto estes fatores devem ser levados em considerao quando se trabalha com leos essenciais (LIMA et al., 2003; SANTOS, 2004). As espcies da famlia Lamiaceae apresentam importantes compostos biossintetizados pelo metabolismo secundrio, dentre os quais esto os leos essenciais. Sendo assim, essa reviso prope levantar alguns trabalhos recentes com principais atividades biolgicas de alguns leos essenciais, res-saltando seus componentes majoritrios.

    A famlia Lamiaceae

    As plantas da famlia Lamiaceae pertencem ordem Tubiflorae Lamiales, abrangendo cerca de 200 gne-ros e, aproximadamente, 3.200 espcies, distribudas em todo o mundo. A maioria das espcies conhecida pelo seu uso condimentar, e muitas delas possuem atividade biolgica j relatada na literatura, por diver-sos autores (LORENZI; MATOS, 2002). Dentre algumas espcies brasileiras que mais se destacam est a Hyp-tis suaveolens L. (alfavaco), H. mutabilis e H. atroru-bens; Lavandula angustifolia Mill (alfazema); Leonotis nepetaefolia L. (cordo-do-frade); Leonurus sibiricus L. (maca) L. cardiaca e L. sibiricus; Leucas martinicensis (Jacq.) R. Br.(catinga-de-mulata) Marrubim vulgare L. (hortel-grande), Melissa officinalis L. (cidreira), Mentha avensis (hortel-do-Brasil), M. piperita L. (hortel), M. pulegium L. (poejo), Ocimum basilicum L. (majerico), O. selloi Benth., O. vulgare L. (organo), Rosmarinus officinalis L. (alecrim), Salvia officinalis L. (slvia) (DE LA CRUZ, 1997; JOLY, 1983; LORENZI; MATOS, 2002)

    Atividade antioxidante

    No organismo humano so formados compostos que contm um ou mais eltrons no pareados, conheci-dos como radicais livres. So molculas extremamente reativas, que causam danos oxidativos nas clulas e tecidos, os quais tm sido relacionados com a citolo-

    gia de varias doenas, dentre aquelas degenerativas como o cncer, aterosclerose e cardiopatias, dentre outras. O desequilbrio entre molculas oxidantes e antioxidantes resulta em danos celulares, e conhe-cido como estresse oxidativo. Assim, a utilizao de elementos antioxidantes na alimentao e em bebidas pode ajudar a combater os radicais livres. Vrios com-postos presentes em plantas possuem esta atividade, como so os exemplos das vitaminas (-tocoferol, -caroteno, cido ascrbico), clorofilina, curcumina, fla-vonides e tambm alguns leos essenciais (BIANCHI; ANTUNES, 1999; RUBERTO; BARATTA, 2000).

    Na alimentao, as plantas condimentares e seus derivados tm sido utilizados para preservao da oxidao de alimentos. Ozkan et al. (2007), pesqui-sando a atividade antioxidante do leo essencial de Satureja cclica (Lamiaceae) em margarina, consta-taram que este leo pode ser usado como antioxi-dante natural e aromatizante. Segundo este autor, o processo de oxidao dos alimentos que contm leo (fixo) e gordura, podem ocorrer durante o pro-cessamento e a estocagem, devido presena de insaturaes na cadeia dos cidos graxos. Mesmo em se tratando de produtos naturais, requerem nor-malmente o uso de antioxidantes sintticos, com a finalidade de retardar sua autooxidao. Dentre os mais utilizados esto o BHA (2-ter-(butil-4)-me-toxifenol) e BHT (2,6-di(ter-butil)-p-cresol), os quais apresentam alta toxicidade em doses elevadas (MO-RAIS et al., 2006; OZKAN et al., 2007).

    Os compostos responsveis pela atividade antioxi-dante conferida a alguns leos essenciais, so princi-palmente aqueles que possuem um ou mais grupos hidroxila (OH) ligados ao anel aromtico, instaura-es e eltrons disponveis para serem doados (CAR-VALHO, 2004). O timol (1) e o carvacrol (2) (Figura 1), comumente encontrados em leos essenciais do gnero Tymus e Origanum, da famlia Lamiaceae, so exemplos de terpenides antioxidantes (possuem um grupo hidroxila ligado ao anel aromtico). Estes compostos apresentam um fraco carter acido, sen-do portanto, capazes de doar tomos de hidrognio com um eltron desemparelhado (H), um radical que estabilizado pelas estruturas de ressonncia resul-

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    tante da deslocalizao dos eltrons na molcula (Fig-ura 2). Contudo, quando testados separadamente do leo essencial, estes compostos apresentaram baixa atividade, indicando que outros constituintes com es-trutura qumica diferente podem contribuir para esta atividade (VANDAR-NL et al., 2003).

    Outros compostos estudados que apresentam ativi-dade antioxidante so os fenilpropanides, que apre-sentam em sua estrutura os qrupos metxi (CH3O) e hidroxila (OH). Dentre estes, citam-se o trans-anetol (3), miristicina (4), apiol (5), eugenol (6) e metil-eu-genol (7). Por outro lado, o -pineno (8), -pineno

    (9), -terpineno (10) e p-cimeno (11) citados por RU-BERTO; BARATTA (2000); ZHANG et al. (2006), apre-sentam baixa atividade, sendo entretanto capazes de aumentar a atividade ao agir sinergisticamente com outros compostos (DORMAN et al., 1995) (Figura 1).

    No Brasil os leos essenciais, principalmente da regio Nordeste, esto sendo cada vez mais estudados como agentes antioxidante, porm deve ser avaliada a preferncia ou no preferncia do leo quando pre-sente em um determinado alimento, j que haver impacto tambm no seu sabor. (BERTINI et al., 2005; MORAIS et al., 2006; OZKAN et al., 2007).

    Figura 1 Constituintes dos leos essenciais com atividade antioxidante

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    Figura 2 Carvacrol reagindo com um radical livre (R) gerando radical estabilizado pelo anel aromtico

    Atividade bactericida

    Nos ltimos anos, registrou-se um aumento significa-tivo no nmero de bactrias, que eram reconhecida-mente sensveis s drogas de rotina usadas em clnicas, mas que se apresentam resistentes a quase todos os frmacos disponveis no mercado. Este fato se agra-vou devido s dificuldades para se desenvolverem e se lanarem novos antimicrobianos com o uso da me-todologia tradicional de triagens, a partir de fungos e bactrias (COWAN, 1999; HUYCKE et al., 1998). As-sim, o problema da resistncia microbiana tem indu-zido durante dcadas os estudos de novos compostos sintticos e naturais originados de plantas.

    Muitos leos essenciais apresentam alguma atividade antimicrobiana. Segundo Carriconde et al. (1996), esta atividade deve-se principalmente a presena de terpe-nos, como o exemplo do citral (mistura de ismeros neral e geranial) encontrado no capim limo (Cymbo-pogon citratus), que possui propriedades teraputicas como bactericida e fungicida. Pereira (2006) avaliou o efeito do leo essencial de duas plantas condimen