Revista edi§£o 01

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Edição 01 da revista

Text of Revista edi§£o 01

  • Cataalores ale sonhos

    EDIO

    0 12 SEMESTRE

    2012

    Cotidiano de catadores de materiais reciclveis tema deensaio realizado por fotgrafo que j foi morador de rua

    Gana: a histria desconhecida do pas africano no relato de um escritor-viajante

    porque navegar preciso

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    Educao: a emoo da educadora que reconhece o progresso em um estudante com decincia

    E a inverso de valores no ensino com o passar das dcadas no Brasil

  • Mande seus textos, ilustraes, ensaios, comentrios e sugestes de pauta para:redacao@revistacaravela.com. E acesse nosso blog: www.revistacaravela.com

  • Bem-vindos a bordo desta da edio n 1 da Caravela. Aps a edio ex-perimental, lanada em janeiro deste ano, demos um passo a mais na con-cepo do nosso perfil editorial, sem, no entanto, nos fecharmos em padresautoritariamente definidos. A ideia que a Caravela seja sempre um meio deexperimentao e debate sobre cultura, sociedade, arte e comunicao.

    uma grande alegria contar, nesta edio, com a cola-borao do escritor Antonio Lino, que cedeu uma entre-vista sobre o seu livro Encaramujado para a edio zero.Ele nos disponibilizou uma bela crnica publicada original-mente em seu blog sobre sua passagem por Gana, que publica-mos nesta edio.

    Nas prximas pginas, apresentamos o trabalho do fotgrafoe atualmente conselheiro tutelar de So Bernardo do Campo(SP) Leonardo Duarte, que busca denunciar e retratar situaesde violao de direitos. O seu diferencial est justamente nasensibilidade do seu trabalho, fruto da expe-rincia de excluso que viveu durante a in-fncia, como menino em situao de rua.

    Leonardo faz da fotografia um instru-mento de debate poltico sobre desigualdade social e direi-tos humanos. A excluso o fez crtico e militante na defesade meninas e meninos que vivem na rua. Confira a entrevistacom ele na seo Papo na Proa e na sequncia um de seustrabalhos mais significativos, o ensaio Catadores de Sonhos,que retrata o dia a dia de pessoas que tiram seu sustento dacoleta de materiais reciclveis.

    Boa viagem!

    Bruno FerreiraEditor

    Fotografia politizada

    Tripulaao

    EditorBruno Ferreira

    Projeto grficoManuela Ribeiro

    ArteManuela Ribeiro

    Colaboradoresdesta edioAntonio Lino

    Eric SilvaGabriela Pessoa

    Hugo PazLeonardo DuarteMarize CastilhoRafael MartiniRodrigo Nazca

    Rozane GuilhemVanessa Balsanelli

    JornalistaRespons velBruno Ferreira

    (MTb 62552/SP)

    -

  • 06. Papo na Proa. Ex-menino em situao de rua que hoje fot-grafo e conselheiro tutelar fala sobre seus trabalhos sobre violao dedireitos e vulnerabilidade social

    12. CATADORES DE SONHOSCotidiano de catadores de materiais reciclveis tema de ensaio realizadopor fotgrafo que j foi morador de rua

    16. Rozane Guilhem faz uma homenagem Para o Sidney, umaluno muito especial

    18. E Rafael Martini destaca a importncia de Whitney Houstonpara a msica

    20. Bruno Ferreira explica a ideologia contida Nas Entrelinhasda Mdia

    23. Toda relao movida pelo interesse, segundo Eric Silva24.Antnio Lino aborda suas impresses tupiniquins de Gana, um pe-queno pas africano.

    28. Gabriela Pessoa identifica uma Inverso de valores na edu-cao brasileira

    31. Rodrigo Nazca descobre os Esqueletos que enterramossem perceber

    32. O pretinho bsico pode ser sustentvel na constatao deVanessa Balsanelli

    34. Marize Castilho mostra a necessidade de nos desarmarmosno dia a dia

    35. E Hugo Paz revela a fora do seu Peito de ao.

    Servio de Bordo

  • EDIO 01 | 2 SEMESTRE DE 2012

    Caravela05

    Ponto de Partida

    Diferenciando conceitos

    Os conceitos de liberdade de expresso e liberdade de imprensa confundem-se am-plamente. O primeiro diz respeito ao indivduo e o segundo, s empresas de comuni-cao, que se apropriam do direito individual para justificar sua atuao. O livroLiberdade de expresso X Liberdade de imprensa, de Vencio A. de Lima, abordacom base em 23 artigos, diferentes aspectos dessa relao. A publicao ainda traz im-portantes documentos internacionais, como a Declarao Universal dos Direitos Hu-manos, Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Polticos, Declarao Universal dosDireitos do Homem e do Cidado, entre outros que tratam sobre direitos humanos,inclusive sobre direito humano comunicao e liberdade de expresso.

    Educar para o sonho

    Rubem Alves sugere que a Educao estimule o sonho a fim de construir um pasmelhor no livro Conversas sobre a Educao. De forma descontrada, o autor le-vanta reflexes importantes como o futuro da escola, a cooperao entre estudantesde diferentes faixas etrias e a importncia de respeitar e conviver com a diversidade.O livro um convite a pais, estudantes e educadores reflexo sobre o atual modelode Educao formal do Brasil, questionando sua eficcia na formao de seres hu-manos conscientes e ticos.

    Direitos Humanos em Vdeo

    Est disponvel no site Youtube um documentrio de cerca de nove minutos chamado A Histria dos Di-reitos Humanos. O vdeo em ingls com legenda em portugus apresenta o percurso histrico, desde a anti-guidade ao ps-segunda Guerra Mundial, do entendimento dos povos sobre direitos que julgavam naturais atque se consolidaram, com as Naes Unidas, em Direitos Humanos. O documentrio ainda apresenta uma re-flexo sobre como esses direitos ainda so violados nos dias de hoje e a importncia de lutar pela igualdadeefetiva entre os seres humanos na Terra. Para assistir ao vdeo, basta digitar o nome do documentrio no campode pesquisa do site Youtube.

  • Na lente da cmerae na prpria pele

    ENTREVISTA: BRUNO FERREIRA |IMAGENS DO ENSAIO A PERIFERIA COMO ELA , DE LEONARDO DUARTEPapo na Proa

    Aquele menino que at pouco tempo dormia jogado nas ruas, estavafotografando, com uma grande ferramenta de comunicao. Isso medeu notoriedade, fazendo com que hoje eu seja conselheiro tutelar

  • So Bernardo do Campo. 20de abril de 2012. Do Termi-nal Metropolitano de nibus

    do centro do municpio paulista ca-minho por cerca de 20 minutos atchegar na sede da Secretaria Muni-cipal de Direitos Humanos. Se-guindo as placas das ruas e pedindoinformaes s pessoas nas ruas,percorri um caminho longo e des-necessrio. A secretaria fica a pou-cos metros do terminal. Havia maisde um ano que no ia a So Ber-nardo, e no me dei conta de quoprximo do local onde desembar-quei estaria o meu entrevistado.

    Chegando secretaria, mais al-guns minutos de procura. Preci-sava chegar ao conselho tutelar,um dos departamentos do rgopblico. Estava atrasado para aconversa com um dos conselhei-ros, Leonardo Duarte, o mais vo-tado para o cargo de 2012.

    Mas o motivo da conversa noera, exatamente, o interesse pelocargo que exerce hoje. Na verdadeno apenas por isso. O cearensenatural de Juazeiro do Norte, de32 anos, fotgrafo. Sua militn-cia pelo direito moradia tradu-zida em ensaios que realizou emsua maioria em So Bernardo doCampo sobre desigualdade sociale violao de direitos.

    Seu engajamento social nasceuda vivncia em situao de rua du-rante a infncia e adolescncia, oque o motivou a buscar e partici-par ativamente de espaos pbli-cos de discusso e denncia.Dessa forma, chegou a Braslia e

    ao Uruguai para representar me-ninas e meninos em situao derua em conferncias nacionais einternacionais.

    Confira a seguir os principaispontos da entrevista que fiz como fotgrafo e conselheiro tutelarde So Bernardo do Campo, cujotrabalho emociona no apenaspelo que retrata, mas principal-mente pela sensibilidade possvelapenas a quem viveu na pele as si-tuaes que registrou.

    O que te motivou a ser con-selheiro tutelar? Na sua infn-cia voc viveu situaes deviolao de direitos?

    Eu tive a experincia de ter vi-vido em situao de rua. Quandoeu vim do Cear para So Pauloeu fiquei em situao de rua poralguns anos. Com 12 anos eu vimpara c, mas l no Cear eu jtinha uma relao com o trabalhoinfantil. Eu trabalhava cuidandode carro na frente de uma pizzariae s vezes ficava a noite inteira nafrente da pizzaria para arrumar di-nheiro para levar para casa. Mas aminha primeira experincia com otrabalho infantil foi aos nove anosde idade vendendo fruta para osromeiros que iam para a cidadeonde eu nasci para pagar pro-messa para o Padre Ccero.

    Voc de Juazeiro, n?Juazeiro do Norte.

    Foi onde voc viveu antes devir para So Paulo?

  • Sim. Eu vim para So Paulo dentro de um Goltransportado por uma cegonha, eu, minha me emeu sobrinho de seis meses, uma irm e um irmo.Cinco pessoas dentro de um Golzinho quadrado...

    O que seria cegonha?Cegonha um daqueles caminhes que transpor-

    tam carros. Tinha um rapaz que morava prximo anossa residncia. Esse rapaz trabalhava trazendo car-ros de So Paulo para o Cear e quando ele vinha paraSo Paulo com o caminho descarregado, ele pegavaservios paralelos, trazendo carros usados para c. Elecobrava a metade do valor da passagem. E foi assimque ns conseguimos vir para So Paulo.

    Era muito forte para as pessoas da minha cidade essa esperanade encontrar em So Paulo alternativas para sair da pobreza.

    O que aconteceu de fato que viemos para c e as dificuldades colo-cadas foram as mesmas durante um grande perodo.

  • EDIO 01 | 2 SEMESTRE DE 2012

    Caravela09

    discutiam os direitos humanos e fui em 1996 parao 4 Encontro Nacional de Meninos e Meninas deRua, representando todos os meninos de rua do es-tado de So Paulo, fui para Montevidu, no Uru-guai, representar os meninos de rua do Brasil, estivepor trs vezes no Frum Social Mundial, tambmrepresentando os meninos de rua do estado de SoPaulo. E foi a partir da que eu fui absorvendo in-formao, entendendo melhor porque existe pobree porque a maioria dos pobres negra, comecei aparticipar com mais efetividade da luta por mora-dia, por garantia de direitos e coisas