Revista Dilogos

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Revista de Estudos da Modernidade e da Contemporaneidade Publicao Semestral do Curso de Letras da Faculdade So Bernardo - N. 1 - janeiro/junho-2006 ISSN: 1980-3060. So Bernardo do Campo - SP - Brasil Dois estudos que abordam questes da contemporaneidade artstica : Cimara Salmazo Brabo estuda as implicaes semiticas na transposio de Macunama para a Dana em: Expresses em Macunama: Da Escrita Dana; Cristina de Ftima Loureno Marques estuda as relaes entre a poesia visual portuguesa e o concretismo brasileiro em: O Concretismo Brasileiro e a Poesia Experimental Portuguesa. Leia nesse nmero de Dilogos dois artigos acerca da obra de Haroldo de Campos: Crisantempo: A Parafsica de um Tesseract Potico de Jayro Luna Haroldo de Campos (Neo)barroco de Snia Melchiori Galvo Gatto

Dois artigos discutem a questo das novas tecnologias e sua insero no espao literrio e cultural: Produo de Sentido no Hipertexto--por Sandra da Silva Mitherhofer; Literatura Brasileira e as Novas Tecnologias--por: Snia Melchiori Galvo Gatto.Haroldo de Campos autografando

Dilogos

EDITORIAExpediente Revista Dilogos uma publicao semestral do Curso de Letras da Faculdade So Bernardo do Campo. Revista On-Line Rua Amrico Brasiliense, 449 So Bernardo do CampoSP Fone: 11-4335-4875 Secretaria da faculdade: 0800-193277 E-mail: fasb@facsaobernardo.com.br dialogos@facsaobernardo.com.br AOS COLABORADORES: A Revista Dilogos aceita proposta de artigos, mas todas as colaboraes no encomendadas so submetidas ao conselho editorial, a quem cabe a deciso final sobre sua publicao. O Conselho editorial reserva o direito de sugerir ao autor modificaes de forma, com o objetivo de adequar os artigos s dimenses da revista ou ao seu padro editorial e grfico. A publicao de um artigo no exprime endosso do Conselho e todas as afirmaes feitas pelo autor. INSTRUES AOS COLABORADORES para o envio de artigos para publicao na Revista Dilogos: 1. Os artigos devem ser apresentados em laudas de vinte linhas de 70 toques, os textos devem ser acompanhados de cpia em disquete flexvel (3,5) de computador padro IBM PC ou compatvel, utilizando um programa de edio de textos compatvel com o formato extenso .doc ou . .rtf ou ainda .txt 2. O texto deve ser digitado em fonte Arial 10 em espao duplo; 3. Grficos, tabelas e figuras devem ser compatveis com formato .xls para grficos e tabelas e formato .pps ou .jpg para figuras. 3. As referncias bibliogrficas devem ser includas em notas de rodap ou em notas de final de texto e redigidas conforme padro das normas da ABNT. 4. Com o artigo deve ser enviado resumo, com at dez linhas, relao de palavras-chave para efeito de classificao bibliogrfica e breve informao curricular do autor 5. Os Artigos podem ser enviados por e-mail ou para o endereo da Faculdade So Bernardo do Campo.

Revista Dilogos Publicao semestral do Curso de Letras Faculdade de So Bernardo do Campo ISSN: 1980-3060Editora Chefe Prof.a Dr.a Sonia Melchiori Galvo Gatto lasgatto@uol.com.brProf.a Dr.a Elosa Cerdn D. Barbieri Prof. Ms. Gessamy Aparecida de Almeida - Prof. Dr. Jairo N. Luna jayrus@uol.com.br - Prof. Ms. Helba Carvalho-augustomatraga@yahoo.com Prof. Dr. Pablo Gasparini - Prof. Dr. Ricardo Baptista Madeira ricardo_madeira@terra.com.br Conselho Consultivo Prof.Dr. Biaggio D'Angelo, Univ. Catlica do Peru, Prof. Dr. Jairo Nogueira Luna, FASB, So Paulo - Prof. Dr. Jos Amalio de Pinheiro Branco, PUC, So Paulo - Prof. Dr.a Irene Machado, PUC, So Paulo - Prof. Dr. Pablo Gasparini, FASB, So Paulo - Prof. Dr. Raul Pschel, UNIFIEO, So Paulo - Prof. Dr. Ricardo Baptista Madeira, FASB, So Paulo - Prof.a Dr.a Sonia Melchiori Galvo Gatto, FASB, So Paulo Projeto grfico Prof. Jayro Luna, FASB, So Paulo jayrus@uol.com.br

Comisso Editorial

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Dilogos

Sumrio1. Editorial 2. Crisantempo: A Parafsica dum Tesseract Potico Jayro Luna 3. Haroldo de Campos (Neo) Barroco Sonia Melchiori Galvo Gatto 4. O Concretismo Brasileiro e a Poesia Experimental Portuguesa Cristina de Ftima Loureno Marques 5. Produo de Sentido no Hipertexto Sandra Maria Mitherhofer 6. Literatura Brasileira e as Novas Tecnologias: Leitura e Produo Sonia Melchiori Galvo Gatto 7. Expresses em Macunama: Da Escrita Dana Cimara Salmazo Brabo 4 5 18

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DilogosEDITORIAL: Dilogos Interdisciplinares, Intertextuais e Intersemiticos. A Revista Dilogos surge para expressar o ponto de vista do grupo de estudos do Curso de Letras da Faculdade So Bernardo do Campo. Liderado pela Prof. Dr. Snia Melchiori Galvo Gatto o grupo se constitui de professores e pesquisadores que tm uma viso contempornea e moderna da Literatura, das Artes, da Cultura e da Sociedade, em especial a brasileira. Sediado no municpio de So Bernardo do Campo, este grupo de estudos, desenvolve variados projetos de pesquisa, buscando dentre outras coisas, criar uma linha de dilogo terico e prtico entre a regio do ABC paulista e as demais regies e micro-regies do estado e do pas com vistas a permitir o desenvolvimento sincrnico do pensamento contemporneo nas suas especificidades locais e universais. Superando dificuldades econmicas, polticas e gerenciais para manuteno deste veculo de comunicao, a presente edio se mostra desde j vitoriosa, galgando agora como necessidade veemente do projeto a periodicidade e a continuidade das publicaes. No ser sem esforo que isso se cumprir, porm, a abnegao e o intuito de manter o dilogo e a discusso das idias norteiam esse mesmo esforo. Nesse primeiro nmero, artigos de Jayro Luna, Cimara Salmazo, Cristina de Ftima Loureno Marques, Sandra da Silva Mitherhofer e de Snia Melchiori G. Gatto formam um panorama das reas e intenes tericas e prticas que dominam no momento as pesquisas e projetos que envolvem esta revista. O Hipertexto, a poesia concreta de Haroldo de Campos, as novas tecnologias comunicacionais, a poesia concreta brasileira e portuguesa, as multilinguagens presentes em Macunama do essa medida. Com destaque, a figura de Haroldo de Campos, poeta, crtico, ensasta, tradutor se apresenta nesse primeiro nmero de Dilogos como smbolo das perspectivas dos estudos da contemporaneidade. E assim, a cada nmero, um autor contemporneo ser o destaque. Por ora, esperamos contribuir para o dilogo polifnico e multidisciplinar do tempo presente. Os Editores.

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Jayro Luna - Crisantempo: A Parafsica dum Tesseract PoticoCRISANTEMPO: A Parafsica dum Tesseract Potico Jairo Nogueira Luna (Jayro Luna) Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH/USP Doutor em Literatura Portuguesa pela FFLCH/USP Professor de Literatura Portuguesa na Fac. So Bernardo e de Literatura Brasileira na Universidade Cruzeiro do Sul. Resumo: Nesse artigo se analisa o livro de poesia Crisantempo, de Haroldo de Campos. Busca-se demonstrar a importncia dos conhecimentos em fsica para a confeco e para a leitura dos poemas. Em Haroldo de Campos a fsica moderna vista como a cincia que apresenta conceitos estranhos ao senso de comum referentes s noes de dimenso, tempo e espao. Na poesia haroldiana esses novos conceitos so elementos que interferem no processo de composio potica, em que o que antes na sua poesia era definido como visualidade e concretismo, passa agora a ser parte integrante de um processo de superao da fisicalidade do signo lingstico. Este inserido num universo de visualidade potica que compreende uma virtualidade para alm das possibilidades do olhar no mundo de trs dimenses de espao e uma de tempo. 1.Introduo: Crisantempo, livro de poesias de Haroldo de Campos (Col.Signos 24, Ed.Perspectiva, 1998) desses volumes que de imediato chama-nos a ateno pela beleza da produo grfica bem como pelo fato de vir acompanhado de um cd em que o poeta declama 21 dos poemas do livro. Neste breve artigo pretendo de forma ousada para uns, descuidada para outros mostrar um dado que parece tem sido relegado ao segundo plano, que a questo da associao entre poesia e fsica na poesia de Haroldo de Campos, e mostrar ainda, como essa relao mais do que simples metfora de uma bela maneira conotativa de tratar da poesia multicultural e plurissignificativa de Haroldo, quando, na verdade, acreditamos que a poesia de Haroldo de Campos constri um universo em que o conhecimento da moderna fsica acerca de tempo, espao, energia e matria transformado num conjunto de parmetros para uma potica que supera a noo tradicional de linearidade e mais, a prpria noo concretista de que o poeta foi um dos fundadores de visualidade.

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Jayro Luna - Crisantempo: A Parafsica dum Tesseract PoticoO livro vem com 23 ilustraes. So fotos com tratamento que imita a descolorao das antigas fotos em preto e branco e compem um ilustrativo panorama visual das mltiplas preocupaes do poeta. Um poema visual japons, uma gravura do Rei Davi, outra pintura retratando a tabuinha e o estilete da escrita da antiguidade greco-romana, uma pintura de Jan Van Eyck, o autor com Lady Bi (uma gata que com os olhos brilhantes faz uma analogia visual com os olhos do poeta, tambm bem abertos, insinuando a viso caadora do felino que v na escurido) e uma foto de Carmen de Arruda Campos. Sob o tpico das fotos gostaria de observar que a da capa que se repete no frontispcio, nas 21 sees de poemas e na abertura das notas com variaes de luz a de um crisntemo num prato de porcelana decorada com motivos em xadrez e ornamentos de leve estilo barroco alude flor que representa o extico e o orientalismo1. A ilustrao uma verso do poema Parafsica, que, conforme se l na entrevista dada a Ricardo Arajo2, foi dedicado ao professor e fsico Mrio Schenberg. Na verso trabalhada para o livro de Ricardo Arajo a flor substituda por uns crculos concntricos azuis escuros com um ponto negro ao centro, sugerindo tanto a forma de uma galxia quanto a provvel existncia de um buraco negro no seu centro. Nas duas verses vem inscrita a frase/lema: No espao curvo nasce um Crisantempo. ndice j capital para desconfiarmos do quo importante os conceitos fsicos m