Revista Debate Sindical - Edi§£o n 8

  • View
    224

  • Download
    8

Embed Size (px)

DESCRIPTION

4º CONCUT

Text of Revista Debate Sindical - Edi§£o n 8

  • Ng 8 - JUNHO/JULHO/AGOSTO 1991

    Cr$ 1.000,00

  • Debate Sindical EXPEDIENTE

    A revista Debate Sindical e uma publi-cao do Centro de Estudos Sindicais .(CES). Sede: Rua Najor Quedinho. 300. Bela Vista, Sao Paulo. SP. CEP . 01050 CGC, n 54.609.953 0001-80

    Colaboram nessa edio: Ronald Freitas Altamiro Borges Bernardo Joffily Jose Carlos Ruy Rogerio Siqueira Marcos Aurelio Ruy Sandra Luiz Alves

    Ilustraes e fotos: Arquivo do jornal "A Classe Operaria

    Foto da capa: Cibele Arago NSA NDICE

    3 Apresentao Impresso e acabamento: Grafica Brasi liana 4

    Produo grafica: Arnaldo Tateishi

    Past-up: Rodrigo

    O significado da greve geral de 22 e 23 de maio

    6 Fotolito: Jose Roberto T. Souza (Ted Boy) O quadro politico nacional e internacional que marca o 42 Concut

    Compotio: PAZ Fotocomposio e Fotolito Lida.

    A luta de bastidores para filiar a CUT Ciosl

    Congresso de So Bernardo: laboratrio das teses da Articulao

    A origem e as concepes trotskistas de sindicalismo

    Nasce a Fora Sindical, a nova central do patronato

    Rio Maria: o foco da violncia do latifndio

    Entrevista indita com Expedido, o lider rural assassinado

    Lnin analisa os reflexos da Comuna de Paris

    12 21 26 34 36 38 40

    Tiragem da edio: 4 000 exemplares

    Jornalista Responsvel: Altamiro Borges

    Observao: Os artigos assinados no refletem obri-gatoriamente o ponto de vista da diretoria do CES.

  • APRESENTAO

    Companheiro sindicalista

    A revista Debate Sindical ressurge nesse ano com um objetivo bem definido: contribuir com as discusses com vistas ao 42 Concut. Esse evento, marcado para o inicio de setembro, tende a ser um dos acontecimentos mais importantes de 1991 fadado a entrar para o livro de histria do movimento sindical brasileiro. Nele, milhares de delegados, eleitos nos congressos estaduais em todo o pas, definiro os rumos dessa central, que hoje a mais representativa e respeitada pelos trabalhadores.

    042 Concut ser palco de um rico embate de concepes e propostas. Nesse processo, que j teve inicio com a tirada de delegados nas assemblias das entidades de base e nos congressos regionais e que prosseguir nos congressos estaduais, marcados para junho/julho, os assalariados brasileiros definiro a linha estratgica de suas lutas. O 42 Concut ter profundos reflexos no futuro do sindicalismo de nosso pas.

    Os artigos dessa revista visam contribuir com essa discusso. Eles se inserem no projeto editoral da Debate Sindical publicao que estimula a polmica franca e fraternal, que se preocupa em aprofundar a anlise dos temas sindicais mais palpitantes e que promove o intercmbio de experincias no terreno sindical. Com essa edio,

    a de nmero oito, reafirmamos o nosso compromisso de trabalhar para garantir a periodicidade dessa revista especializada nas questes do sindicalismo e das lutas dos trabalhadores.

    DEBATE SINDICAL

  • Foto

    : M

    arco

    Aur

    lio

    Mon

    teiro

    FO

    to

    LTIMA HORA

    Metr paralisado: ponto alto do protesto

    "A greve geral de maio cumpriu o seu objetivo"

    Na manh de 24 de maio, ao dar os ltimos retoques no fechamento dessa edio na grfica, a Debate Sindical fez uma rpida entrevista com Srgio Barroso coordenador da Corrente Classista da CUT e integrante do comando nacional da greve geral dos dias 22 e 23. Afinal, a revista no poderia ser impressa sem qualquer comentrio sobre esse primeiro protesto unificado contra a politico econmica do governo Collor. Ainda mais quando se observa a gritaria furiosa, hidrfoba, das classes dominantes!

    DS: Qual a avaliao, mesmo que parcial, da greve de 22 e 23 de maio?

    Barroso: Ainda cedo para se realizar um balano mais definitivo. Agora, uma coisa certa: o protesto nacional cumpriu o seu objetivo. Foi a primeira manifestao unificada dos trabalhadores, a nvel nacional, contra a poltica de arrocho, recesso, desemprego e entreguismo de Collor de Mello. A prpria reao do governo, dos patres e de seus meios de comunicao comprova essa afirmao. Ningum fica to irritado quando no atingido. E a greve geral atingiu, com fora, o governo!

    Nos dias 22 e 23 de maio ns tivemos um amplo protesto nacional, marcado por greves

    DEBATE SINDICAL

    dc vrias categorias e por manifestaes de rua. Isso ocorreu em todo o pas, sem exceo, inclusive em Rorama e Rondnia. Em algumas capitais, a adeso greve geral foi maior como nos casos de Porto Alegre, Florianpolis, Salvador, Joo Pessoa e, em certa medida, em So Paulo e no Rio de Janeiro. Levantamento inicial da CUT d conta de mais de 19 milhes de assalariados que no compareceram ao trabalho.

    Nessa avaliao preliminar, vale tambm ressaltar o papel desempenhado pelos companheiros do setor de transportes, como os metrovirios e os condutores de nibus. So categorias estratgicas, como demonstraram na prtica, que hoje esto

  • LTIMA HORA

    organizadas principalmente na CUT. Ao contrrio do que esbravejam os patres, a ativa participao desses trabalhadores no foi um ponto negativo do movimento. E um mrito da nossa central, mostra sua fora nesses setores vitais da economia. Isso que causa tanto pnico nas classes dominantes. Nesse sentido, um dos pontos altos da greve geral foi a adeso organizada dos metrovirios de So Paulo.

    DS: Apesar do xito do protesto, a mobilizao tambm enfrentou dificuldades. Ela ficou aqum do esperado. Por qu?

    Barroso: Ser necessrio estudar melhor as dificuldades e tambm as nossas debilidades nesse movimento. Entre outras coisas, preciso lembrar que o governo promoveu mudanas na sua equipe econmica. A convocao da greve geral se deu num perodo em que o governo federal marchava para uma grave crise institucional. Por variados interesses, amplos setores da sociedade estavam contestando a sua poltica econmica, que era personificada pela ministra Zlia. A troca de ministros, mesmo que no v alterar a orientao desastrosa do Palcio do Planalto e tende inclusive a pior-la, criou certas expectativas na sociedade.

    As razes da greve geral, que tinha como alvo a poltica econmica do governo, mantiveram-se com a queda da ministra

    A paralisao nacional agitou o pas

    Zlia. Seu carter era eminentemente poltico. E a CUT no tinha condies de reavaliar a convocao do protesto nacional. Nesse sentido, ela cumpriu o seu papel. Ela demonstrou sua capacidade como organismo unificador dos trabalhadores, centralizando suas lutas que at ento se davam de maneira isolada como forma de responder ofensiva neoliberal do governo Collor. Se a paralisao no foi maior e esbarrou em dificuldades, no sentido poltico ela atingiu seus objetivos. Foi uma vitria parcial!

    Ainda no tocante aos fatores externos, necessrio tambm dar nfase e denunciar a violncia da polcia. Em alguns locais, a represso lembrou os perodos truculentos do regime militar. Na Bahia, por exemplo, o governador Antonio Carlos Magalhes colocou mais de 18 mil soldados na rua. Eles bateram sem d, soltaram bombas, prenderam e arrebentaram. Agiram de forma selvagem e orquestrada contra lideranas sindicais e parlamentares dos partidos de esquerda.

    DS: E quanto as prprias debilidades encontradas no meio sindical?

    Barroso: Em primeiro lugar necessrio denunciar a conduta pelega, patronal, do sr. Lus Antonio Medeiros, presidente da chamada Fora Sindical. Ele jogou abertamente contra a greve geral. Durante os dois dias de protesto, o superpelego fez turismo na Europa. Como prmio por sua conduta traidora, recebeu da Caixa Econmica Federal a importncia de Cr$ 504 milhes. Mostrou que um sustentculo do governo, um capataz dos grandes empresrios, um vendido!

    Quanto as dificuldades no campo da CUT, foi visvel o baixo engajamento no processo de uma parcela de dirigentes e ativistas sindicais. Predominou a viso estreita do corporativismo, do economismo. No entenderam a importncia poltica dessa greve para o futuro de nossa classe. Tambm tivemos o episdio de So Bernardo do Campo, que uma referncia de luta dos trabalhadores no pas. Considero que o companheirismo Vicentinho cometeu um equvoco poltico ao no participar ativamente da greve geral, ao no realizar qualquer tipo de protesto em So Bernardo. Houve ainda a conduta estranha dos sindicalistas da Convergncia Socialista, que no se empenharam na mobilizao e ainda deram declaraes confusas, desmobilizantes. Preferiram, mais uma vez, ficar apenas na crtica direo nacional da CUT.

    DEBATE SINDICAL

  • 6

    0 42 Congresso Nacional da CUT, de 4 a 8 de setembro, ocorrer num perodo de profundas alteraes no cenrio internacional e tambm de mudanas na realidade poltica do pas. Esse artigo analisa as mutaes em curso e opina sobre quais devem ser as principais tarefas do movimento sindical combativo para enfrentar os novos desafios.

    As mudanas mundiais e nacionais que marcam as discusses do 42 Concut

    CONJUNTURA

    DEBATE SINDICAL

    Ronald Freitas*

    ..

    1 4

  • CONJUNTURA

    Vive o mundo um momento particular-mente efervescente. A guerra do Golfo

    Pr-sico trouxe a tona com fora as mltiplas e complexas contradies que atravessamos nos dias de hoje.

    O capitalismo, como sistema hegemnico, tudo faz para se mostrar como o fim e o objetivo do desenvolvimento social e hist-rico da humanidade. O antigo bloco socia-lista, que desde meados da dcada de 50 foi dominado por idias capitalistas que revisa-ram sua orientao operria revolucio-nria, j no joga papel saliente na arena internacional.

    No Brasil, o governo anti-nacional e anti-popular de Collor debate-se no meio de uma situao econmico e social dificlima. Der-rotado nas eleies de 1990, manobra procu-rando evitar uma crise de governabilidade.

    O pano de fundo dessa situao o agrava-men