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Preservação de madeiras

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Aulas escritas do professor Alexandre Florian da Universidade de Brasília. Disciplina: Secagem e preservação de madeiras

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Preservao de Madeiras

1a Aula 1. HISTRICO DA PRESERVAO DE MADEIRAS 1.1 - Principais Acontecimentos no Mundo 225 milhes de anos atrs Primeiros relatos sobre a existncia da rvore na terra. 2 milhes de anos atrs Primeiros vestgios sobre o aparecimento do homem na terra. 16 mil anos atrs Surgem os primeiros sinais sobre uso da madeira como combustvel e as primeiras utilizaes da madeira como arma de defesa e para fogo. 8 mil anos atrs Estudos comprovam a inveno do machado e incio do trabalho com a madeira. Idade da Madeira Uma poca que alguns pesquisadores admitem ter ocorrido antes da idade da pedra. Uso consciente da madeira preservada No existe uma poca precisa sobre o uso consciente de algum tipo de tcnica de tratamento contra a deteriorao da madeira. No Antigo Testamento O Livro Levtico narra fatos sobre o apodrecimento em habitaes de madeiras chamado de Lepra de Habitaes onde se utilizavam rituais para eliminao atravs do sacrifcio de pssaros. A Arca de No No foi instrudo por Deus para proteger o casco da arca com piche como impermeabilizante ou repelente de gua. 3500 anos atrs Os Fencios e Cartagineses j utilizavam o piche em suas embarcaes. Os Gregos usavam o alcatro, ceras ou chapas de chumbo. Arquimedes de Siracusa 287 a 212 a. C. e os Romanos Utilizavam chapas de chumbo em suas embarcaes para proteo contra brocas marinhas e tambm como proteo do casco nas batalhas. Os Gregos 1000 anos a. C. Tinham o costume de colocar pilares de madeiras sobre pedras. As civilizaes antigas Burma, da China, do Egito, da Grcia e da Itlia usavam leos vegetais, minerais e animais para proteo de madeiras de sarcfagos. Os Gregos e Romanos Injetavam leos no interior da madeira atravs de orifcios previamente feitos.

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At o Sculo XVI O progresso obtido na preservao de madeira foi lento. Durante os sculos XV at XVIII A proliferao das viagens martimas ocasionou um aumento considervel do ataque de brocas marinhas e um conseqente apodrecimento das embarcaes da poca. A Companhia das ndias orientais As suas embarcaes faziam viagens regulares ndia, as quais aps a quarta viagem deterioravam. A Armada Espanhola 1590 Perdeu mais de 100 embarcaes devido ao ataque de brocas marinhas. Vasco da Gama 1469 a 1524 Nesta poca tinha-se por hbito carbonizar os cascos das embarcaes como meio de proteo contra o apodrecimento. De 1500 at o Incio do Sculo Passado Muitos produtos qumicos que apresentavam alguma barreira fsica contra a deteriorao foram testados, porm a maioria fracassou. Em 1590 A inveno do microscpio. Em 1600 As primeiras observaes e caracterizaes de clulas de madeira ao microscpio. A Partir do Incio de 1800 Com o advento do desenvolvimento cientfico e industrial a preservao de madeiras apresentou seus primeiros sucessos. A Partir de 1830 J havia disponibilidade de creosoto, contudo no havia um processo eficaz para aplic-lo. Uma Evoluo Paradoxal Primeiro foram desenvolvidos processos mais sofisticados para depois serem desenvolvidos outros mais simples e rudimentares. Em 1831 Patenteado o primeiro processo de tratamento sob presso, pelo francs Jean Robert Brant. Em 1838 Inaugurada definitivamente a era industrial da preservao de madeiras com a descoberta do processo de Clula Cheia patenteado por John Bethell. Paralelamente o Dr. Auguste Boucherie patenteava o seu processo sem vcuo/presso. Neste Mesmo Perodo Surge o advento da Teoria da Gerao Espontnea que trouxe duas teorias sobre o apodrecimento de madeiras: (1a) Resultado de metamorfoses naturais que ocorrem durante o envelhecimento da madeira e (2a) Uma combusto lenta provocada pelo oxignio. Entre 1850 e 1860 Pasteur derrubava a Teoria da Gerao Espontnea.

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Em 1863 O alemo Hermann Schacht descobre que o fungo apodrece a madeira. Em 1881 O processo Boulton patenteado por Samuel Bagster Boulton. Em 1902 O processo Rueping patenteado por Max Rueping. Em 1906 O processo Lowry patenteado por C. B. Lowry. Em 1950 Descobrem-se os fungos da classe ascomicetos, fungos imperfeitos e bactrias deterioradoras de madeiras. Surgimento de uma nova fase nas pesquisas em preservao de madeiras que perduram at hoje. 1.2 - Principais Acontecimentos no Brasil Documento mais antigo 1587 Um senhor de engenho relata infestaes de cupins subterrneos em habitaes e faz observaes sobre brocas de madeiras e brocas marinhas. Faz observaes sobre a durabilidade natural de diversas madeiras em diferentes tipos de ambientes. Tambm verifica que o cerne mais durvel que o alburno. 3 Sculos mais Tarde em 1854 inaugurada a primeira ferrovia brasileira no RJ com abundncia de madeiras durveis prximo as ferrovias. De 1865 a 1868 A introduo do eucalipto no Brasil. De 1880 a 1884 Importao de aproximadamente 50 mil dormentes creosotados vindos da Inglaterra pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Em 1883 Campos - RJ a primeira cidade do Brasil e da Amrica Latina a receber iluminao eltrica. Em 1889 Criao do Gabinete de Resistncia de Materiais, futuro IPT. Em 1990 A antiga Companhia Estradas de Ferro Central do Brasil importa da Inglaterra a primeira usina de tratamento de madeiras sob presso. Entre 1902 e 1904 Entra em funcionamento na Estao Francisco Bernardino em Juiz de Fora -MG a primeira usina para tratamento de dormentes com 14,4m de comprimento e 1,82m de dimetro. A partir de 1905 Incio da utilizao de eucaliptos para postes na Fazenda Araras - SP.

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Em 1907 Importao de aproximadamente 80 mil dormentes tratados na Austrlia para construo da Estrada de Ferro Madeira-Mamor em plena selva amaznica. Em 1916 Utiliza-se pela primeira vez madeira de Eucalyptus longifolia para telefonia, sem tratamento. Durou aproximadamente 6 anos. De 1922 at 1929 Ocorre um aumento no uso de postes de eucalipto ainda no tratados devido a expanso da energia eltrica, telefonia e telegrafia. Incio da Dcada de 30 A usina da Estrada de Ferro Central do Brasil j trata dormentes com creosoto. Em 1931 O Gabinete de Resistncia de Materiais passa a chamar-se Laboratrio de Ensaios de Materiais e inicia as primeiras pesquisas em preservao de madeiras. Primeira Pesquisa Avaliao da penetrao de preservativo hidrossolvel pelo mtodo de imerso em estacas. O efeito nas propriedades mecnicas e o aumento da vida mdia. Segunda Pesquisa Efeito do tratamento de Banho Quente-Frio com creosoto em peas de eucalipto rolio. Edmundo de Andrade Navarro - Rio Claro - SP, 1935. Os mesmos aps 26 anos 1961 encontravamse em bom estado de conservao. Em 1936 Fundao da primeira empresa de capital privado chamada Preservao de Madeiras Ltda. Fornecia madeira tratada com creosoto pelo mtodo de Banho Quente-Frio. Aps Dificuldades na obteno do produto mudou para o mtodo de Boucherie utilizando produto base de Fluoreto Dicromato - Dinitrofenol. Terceira Pesquisa Ensaio de Campo sobre a resistncia natural de vrias espcies de madeiras contra o ataque de cupins e a eficincia do pentaclorofenol. Djalma Guilherme de Almeida em 1939. Incio da Dcada de 40 Primeiros ensaios em laboratrio Avaliao da Eficincia de Produtos qumicos contra fungos. Avaliao de ensaios de campo sobre a resistncia natural de madeiras contra o ataque de cupins e ensaios sobre a eficincia de preservativos. Mesmo Perodo Entrou em funcionamento a primeira usina do setor privado utilizando vcuo-presso. Inaugurao da usina de tratamento do IPT - ex. Laboratrio de Ensaio de Materiais. Em 1944 A empresa Preservao de Madeiras Ltda. pe em funcionamento a primeira usina de tratamento usando vcuo-presso e o mesmo produto qumico Fluoreto - Dicromato- Dinitrofenol. Aps 1961 passou a utilizar o CCB.

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Incio da Dcada de 50 Novos estudos e testes de campo sobre a durabilidade natural de madeiras em contato com o solo e tambm sobre a eficincia de preservativos. Mesmo Perodo Pesquisas sobre a preservao do bambu, sobre a durabilidade natural de madeiras em ambiente marinho e a eficincia de preservativos. Em 1958 Entra em funcionamento a segunda usina de tratamento de madeiras sob vcuo-presso em Governador Valadares - MG preservando dormentes para a CVRD. Final da Dcada de 50 3 usinas de tratamento de capital privado entram em funcionamento preservando postes, moires, etc. Inicia-se a fabricao de produtos qumicos preservativos no Brasil. Incio da Dcada de 60 Aumento das pesquisas e a primeira tese de mestrado e doutorado em preservao de madeiras. Mesmo Perodo Mais de 10 usinas de tratamento inauguradas Aquidauana - MS, Mateus-Leme - MG, Cruz Alta - RS, Ponta Grossa - PR, Juiz de Fora - MG, Fortaleza - CE, Goinia - GO, Iau - BA, Casimiro de Abreu - RJ e Tubaro - SC. De 1965 a 1967 Promulgao dos decretos Lei 58.016 de 18/08/66 e 61.248 de 30/05/67 obrigando o uso de madeira tratada. Em 1967 28 de fevereiro criado o IBDF, o qual passa a aplicar as Leis e Decretos. Em 1969 25 de agosto fundada a ABPM, sociedade civil de direito privado. Incio da Dcada de 70 Uma retrospectiva sobre os trabalhos de pesquisa na rea. Mesmo Perodo Incio do ensino de preservao de madeiras em universidades. Aumento dos problemas com postes tratados inadequadamente, de usinas funcionando sem respaldo tcnico, ausncia de especificaes tcnicas e um rgido controle de qualidade ocasionaram uma queda no uso de madeiras tratadas especialmente os postes de eucalipto. Perodos 1910 1919 1920 1929 1930 1939 1940 1949 1950 1959 1960 1969 Trabalhos 01 01 10 16 16 37

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1970 1979

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Em 1972 Regulamentada a produo de madeira preservada e de preservativos de madeira atravs das portarias do IBDF 2474 - DN e 2748 - DN de 16/03. celebrado o convnio entre IBDF/IPT/ABPM. Em 1973 Divulgadas as normas ABNT EB-569 Postes de Eucalipto Preservados Sob Presso e MB790 Penetrao e Reteno de Preservativo em Postes de Madeir

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