Patologias Abdome e Pelve Achados de Imagem

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    Patologias do Abdome e da Pelve: Achados de Imagem

    Neysa Aparecida Tinoco Regattieri1

    Rainer Guilherme Haetinger2

    1 INTRODUO

    As modalidades diagnsticas utilizadas pela Radiologia para o estudo da cavidade

    abdominal so a radiologia convencional (RC), a tomografia computadorizada (TC),

    a ressonncia magntica (RM) e a ultrassonografia (USG). Esta, na maioria das

    vezes, a primeira modalidade de exame a ser solicitada, pois oferece informaes

    de qualidade, no utiliza radiao ionizante, encontrada na maioria dos servios de

    imagem, alm de ser um mtodo no invasivo. Muitas vezes o exame de

    ultrassonografia solicitado para complementar uma avaliao prvia. Esta pode ter

    sido realizada por uma radiografia simples do abdome ou como primeiro exame

    aps avaliao clnica. Apesar de ser um mtodo largamente utilizado na avaliao

    da cavidade abdominal, esta modalidade de exame no ser aqui abordada, pois

    no faz parte do processo de trabalho do tcnico em radiologia.

    Outras modalidades diagnsticas incluem a tomografia por emisso de psitrons

    associada tomografia computadorizada (PET-CT) e exames por medicina nuclear.

    Estes mtodos, porm, no sero abordados neste captulo.

    O mdico assistente escolher a modalidade de diagnstico por imagem a ser

    utilizada, na dependncia da suspeita clnica, aps realizao de um exame fsico

    criterioso.

    1Mdica Radiologista. Membro Titular do Colgio Brasileiro de Radiologia. Doutora em Cincias, rea de concentrao

    Anatomia Morfofuncional pela Universidade de So Paulo. Mestre em Medicina, rea de concentrao Radiologia pela

    Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professora da Universidade Tecnolgica Federal do Paran do curso Superior deTecnologia em Radiologia.

    2Mdico Radiologista na rea de Cabea & Pescoo e coordenador da Tomografia Computadorizada da Med Imagem,

    Hospital Beneficncia Portuguesa de So Paulo. Membro Titular do Colgio Brasileiro de Radiologia. Doutor em Cincias narea de Anatomia Morfofuncional pela Universidade de So Paulo. Professor da Ps-graduao no Departamento de

    Anatomia do Instituto de Cincias Biomdicas da Universidade de So Paulo.

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    Os exames diagnsticos obtidos tanto pela radiologia convencional quanto pela

    tomografia computadorizada e pela ressonncia magntica podem oferecer mais

    informaes quando utilizados meios de contraste, na dependncia da indicao

    clnica.

    O estudo por ressonncia magntica do abdome pode ser utilizado de maneira

    complementar a alteraes encontradas previamente em um exame de tomografia

    computadorizada ou ultrassom. O exame de imagem obtido pela tomografia

    computadorizada realizado em menor intervalo de tempo e menos oneroso

    economicamente do que aqueles obtidos pela ressonncia magntica1.

    2. MODALDADES DIAGNSTICAS

    2.1 Radiologia Convencional

    Os exames de radiologia convencional do abdome, com ou sem a utilizao de

    meios de contraste, podem complementar o exame de ultrassonografia ou o examefsico.

    2.2 Tomografia Computadorizada

    O exame de tomografia computadorizada revolucionou a avaliao da cavidade

    abdominal, constituindo o mtodo mais abrangente para a avaliao da maioria das

    doenas que acomete esta regio. Muitas vezes, utilizada como mtodocomplementar de uma avaliao prvia realizada por meio de um exame de

    ultrassonografia. Esta utilizada como mtodo de triagem na avaliao dos quadros

    clnicos relacionados s queixas das estruturas abdominais e plvicas2,3.

    Ao receber-se um indivduo para a realizao de um exame de tomografia

    computadorizada, devem ser colhidas algumas informaes, tais como2:

    Uma histria sucinta de seus sintomas atuais, ou seja, o que o levou a

    procurar o mdico que solicitou este exame;

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    A presena de alergias que sejam alimentares ou aos meios de contraste;

    Alteraes cardacas e renais;

    Cirurgias abdominais j realizadas;

    Exames j realizados que estejam relacionados condio atual.

    Essas informaes ajudaro o mdico radiologista a tomar decises visando

    realizao de um exame que responda s dvidas do mdico solicitante, como, por

    exemplo2:

    O contraste a ser administrado ser introduzido por que via?

    Endovenosa, endorretal, endovaginal, oral?

    Quais os reparos anatmicos que determinaro a extenso do exame;

    Quais os parmetros tcnicos concernentes espessura e ao

    incremento dos cortes.

    Os agentes de contraste utilizados na tomografia computadorizada do abdome e da

    pelve possuem vrias finalidades, dependendo do objetivo a ser alcanado. Assim,

    por uma questo didtica, sero abordados a seguir os sistemas e estruturas que

    compem as cavidades abdominal e plvica, tecendo consideraes especficas a

    respeito de cada uma.

    2.2.1 Trato Gastrointestinal e rgos Acessrios

    Os exames de tomografia computadorizada do trato gastrointestinal (TGI)

    complementam, muitas vezes, exames prvios de ultrassonografia ou exames

    contrastados realizados pela radiologia convencional. As estruturas que compemesse sistema so demonstradas em toda sua extenso, e podem ser avaliadas

    quanto ao seu grau de comprometimento, eventuais extenses a rgos

    circundantes e complicaes, como abscessos e fstulas.

    Para que seja realizado um estudo adequado da luz desses rgos necessria sua

    distenso. Esta pode ser obtida pela administrao de contraste iodado aps

    preparo adequado, ou seja, jejum e, quando necessrio, preparo intestinal. Ocontraste iodado por via endovenosa reala leses e permite o estudo de estruturas

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    vasculares.

    Alas intestinais no distendidas podem simular massas tumorais ou

    linfonodomegalias2. Esses estudos podem ser melhorados mediante a presena de

    ar, promovendo distenso adicional onde h suspeita de comprometimento

    patolgico, uma vez que uma das caractersticas mais comuns encontradas nas

    alteraes do TGI o espessamento parietal de seus componentes.

    A espessura normal da parede intestinal, quando distendida, de um a dois

    milmetros e, quando colapsadas, de trs a quatro milmetros. Exceo a essa regra

    observada prximo juno gastresofgica, que pode chegar a uma espessura devinte milmetros, quando no distendida2.

    O aspecto do espessamento parietal, quando presente, pode servir como marco de

    orientao na diferenciao entre leses benignas e malignas. Geralmente, doenas

    benignas apresentam espessamentos parietais de at dez milmetros de espessura

    e impregnam de forma homognea pelo meio de contraste iodado. As neoplasias

    malignas, via de regra, apresentam espessamentos maiores, entre dez e vintemilmetros e sua impregnao se d de forma heterognea. As margens das

    neoplasias malignas podem ter aspecto lobulado ou apresentarem espculas.

    As principais doenas benignas que acometem o TGI so processos inflamatrios e

    aqueles secundrios a alteraes vasculares como, por exemplo, a isquemia

    intestinal e as hemorragias intramurais. As alteraes causadas por processos de

    natureza maligna geralmente so produzidos por adenocarcinomas e linfomas

    2

    .

    O estudo dos rgos acessrios do trato gastrointestinal pela TC otimizado pela

    injeo endovenosa do meio de contraste iodado. Este deve ser precedido por uma

    fase do estudo, sem contraste, visando identificao de eventuais calcificaes2.

    O estudo do fgado, em geral, obedece a uma padronizao. A tcnica ideal para o

    estudo desse rgo aquela obtida em trs fases. A primeira, sem a injeo do

    meio de contraste, seguida de uma fase arterial inicial e uma portal. Em algumas

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    situaes especiais, faz-se uma fase tardia, como, por exemplo, na suspeita de um

    hemangioma cavernoso ou na investigao de ndulos hepticos2.

    Para um estudo adequado do pncreas pelo exame de tomografia computadorizada,

    o enchimento do estmago e do duodeno por um meio de contraste, quer seja ele,

    ar, gua ou iodo, imprescindvel para seu estudo adequado.

    Deve-se injetar contraste iodado por via endovenosa, visando intensificao do

    parnquima tanto pancretico quanto heptico, pois este ltimo pode estar

    acometido por uma doena de origem pancretica. Os vasos localizados adjacentes

    ao parnquima pancretico so avaliados, quanto ao seu envolvimento eperviedade, aps a injeo do meio de contraste endovenoso2.

    Quanto ao acometimento das vias biliares, o exame de tomografia computadorizada

    pode evidenciar a dilatao dos ductos biliares extra ou intra-hepticos. Isso ocorre

    aproximadamente em 96% dos casos diagnosticados como obstruo biliar. Em

    90% das vezes, permite a determinao do nvel em que a obstruo ocorreu, com

    uma acuidade diagnstica de 70% em relao a sua causa.

    Em casos onde h comprometimento generalizado do parnquima heptico, como

    nas cirroses e fibroses periductais, uma patologia obstrutiva das vias biliares pode

    passar despercebida, pois uma dilatao das vias biliares pode no ser detectada.

    A dilatao das vias biliares no exame de TC vista como estruturas tubulares

    ramificadas de baixa densidade que se dirigem ao hilo heptico2.

    O mtodo de diagnstico por imagem de escolha para avaliao da vescula biliar

    a ultrassonografia.

    2.2.2 Sistema Urinrio

    O exame de tomografia computadorizada do