Patologia e Cl­nica das Doen§as Parasitrias

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1. Coelhos 1.1. Ectoparasitoses 1.1.1. Pulgas 1.1.1.1. Spilopsyllus cuniculi Ocorre nas orelhas. Tem hbitos mais sedentrios que a maioria das pulgas e permanece na orelha mesmo quando esta manipulada. comummente encontrada junto s bordas dos pavilhes auriculares de ces e gatos que frequentam habitats de coelhos. Ciclo de vida (19-36 dias): Pulgas fmeas ingerem sangue da coelha gestante ativam ovrios cpula ovos frteis larvas (mastigadoras) pupas adultos premergentes adultos Estgio Ovos Larvas Pupas Adultos % 50 35 10 5 Localizao Coelho ninho solo Ninho solo Solo Coelho A sada do adulto pr-emergente para o exterior mais rpida se houver dixido de carbono e movimento Outras informaes Quanto mais quente e hmido mais depressa surge; alimenta-se no solo pode ingerir de ovos de Dipylidium (importante em pequenos animais)

Impacto: Principal vector de mixomatose. Alimento em vez de estar a ser transformado em msculo est a ser transformado em sangue + prurido (mais gasto de energia) atraso no crescimento. Vector de cstodes, tularemia. Teraputica profilctica: Quarentena (sobretudo em sistemas de produo intensivos). Controlo de ces e gatos no os deixar ter acesso explorao nem ao local de depsito das raes (ovos e larvas ficam no saco de rao que depois levado para dentro do pavilho). Tratador muda de roupa quando entra no pavilho. Teraputica curativa: Ivermectina SC (0,1 mL/coelho) fazer a 2 administrao 10 dias depois da 1 e cada 6 meses. Queimar pelo nas jaulas livres. Inibidor de crescimento de insectos nas fossas.

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1.1.1.2. Ver 7.1.3.1.

Ctenocephalides canis e felis

1.1.2. caros Ciclo de vida: Todo no animal e rpido (temperatura, humidade e alimento favorveis). Impacto: Prurido Leses (possvel aparecimento de miases), queda de pelo (animais com mau aspecto), atraso no crescimento (perdas econmicas). Teraputica profilctica: Quarentena. Controlo de vectores (co, gato, roupa dos funcionrios). Ambiente (humidade, temperatura), queima do pelo nas jaulas. Ectoparasiticidas (ivermectina SC 0,1 mL/coelho cada 6 meses). Teraputica curativa: Remoo de crostas (para o produto aderir ao caro). Banhos prvios (clorohexidina, outros) s em sistemas caseiros com poucos animais (no entanto, pode levar ao aparecimento de tinhas). Ectoparasiticidas: o Benzoato de benzilo tpico cada 3 dias (2-3 vezes) s em sistemas caseiros com poucos animais (aps remoo de crostas). o Ivermectina SC cada 10 dias (2 vezes). o Imidacloprida. o Frontline depresso, anorexia, tremores, morte.

1.1.2.1. Notoedres cati cuniculi (caro escavador) Sarna da face e da cabea (focinho e volta dos olhos). No muito frequente. 1.1.2.2. Sarcoptes scabiei cuniculi (caro escavador) Cabea e patas importante diferenciar de pateira* (tm leses semelhantes). *Pateira: Leses produzidas pela presena permanente dos dedos nos arames das jaulas: os dedos inflamam o animal lambe-se muito para aliviar inflamao cada vez inflama mais. Tal como a sarna das patas, comea por produzir leses avermelhadas e com prurido no meio dos dedos e na parte ventral das patas. Resolve-se colocando uma superfcie de apoio diferente: superfcie plstica com orifcios (prende-se no fundo da jaula). A superfcie tem de ter os orifcios porque, como o animal se sente bem no local, urina e defeca nessa superfcie (se no houvesse orifcios ficaria todo molhado).

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1.1.2.3. Psoroptes cuniculi (caro no-escavador) Nas colnias de coelhos, P. cuniculi localiza-se nas orelhas, pavilho auricular (sarna da orelhas), onde os caros usualmente so quiescentes mas ocasionalmente proliferam, causando grave sarna, em que o canal auditivo pode ficar completamente bloqueado por resduos; a infeco pode estender-se pelo resto do corpo, com crostas, queda de pelos e escoriaes por arranhaduras. 1.1.2.4. Chorioptes bovis cuniculi (caro no-escavador) Conduto auditivo (dentro da orelha, s se visualiza quando em grande nmero). 1.1.2.5. Demodex cuniculi (caro escavador) No muito comum. 1.1.3. Moscas (Simulium) e Mosquitos (Culicoides) Impacto: Importante em produo de campo e coelhos de caa na transmisso de doenas virais (principalmente Doena Hemorrgica Viral - DHV). Na produo intensiva (com boas condies) no tem muita importncia. Teraputica profilctica: Pavilho: o Manter condies de humidade e temperatura. o Fossas secas. o Repelentes (colocados nas horas de maior atividade dos mosquitos de manh muito cedo e tarde; tem pouco efeito residual por isso no funciona sozinho). o Ventoinha perto do animal (mosquito da leishmaniose no voa se estiver vento). Campo: o Armadilhas no ambiente (insecticidas com feromonas) eficcia relativa.

1.2. Helmintoses 1.2.1. Nemtodes 1.2.1.1. Passalurus ambiguus Ciclo de vida direto (PP = 56-61 dias): Ovos (embrionados no ambiente) ingesto dos ovo (com larva infectante no seu interior) ecloso (de L3) L4 L5 adultos Patologia: Pouco patognico (elevado nmero de parasitas podem no causar doena). Inflamao da mucosa do ceco e Intestino Grosso (IG) meteorismo (produo de gs abdmen inchado). Diarreia e atraso no crescimento (grandes infeces em animais jovens).

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Diagnstico: Tcnica de flutuao (desagregar bem as fezes para que os ovos no interior das fezes secas sejam expostos soluo). Teraputica (PO): Fenbendazol - 5 dias (25-50 ppm). Mebendazol (20 mg/kg). Febantel (10 mg/kg). Piperazina - repetir 14 dias aps a 1 administrao (200 mg/kg). 1.2.1.2. Trichostrongylus retortaeformis Raramente um patognio primrio em regies temperadas. Ciclo de vida direto; no migratrio (PP = 20 dias): Ovos (embrionados; no ambiente) L1 L2 L3 ingesto mucosa duodenal (desencapsulamento de L3) L4 L5 adultos Patogenia: Aps a ingesto, as L3, penetram entre as glndulas epiteliais da mucosa, com formao de tneis sob o epitlio alteram mucosa duodenal (L4 L5). Quando os tneis subepiteliais (contendo os vermes em desenvolvimento) se rompem e libertam os vermes jovens, h hemorragia e edema, com perda de protenas plasmticas para o lmen intestinal. Macroscopicamente, h gastrite catarral e enterite (sobretudo no duodeno); as vilosidades tornam-se deformadas e achatadas, reduzindo a rea vivel para absoro de nutrientes e lquidos. Onde os parasitas se agrupam numa pequena rea, evidente a eroso da superfcie mucosa (mucosa com zonas necrticas). Nas infestaes macias, ocorre diarreia que, juntamente com a perda de protenas para o lmen intestinal, resulta em reduo de peso (e anemia). H registo tambm de deposio diminuda de protena, clcio e fsforo. No induzem imunidade. Sintomatologia clnica: Infeces macias: o Perda de peso rpida. o Diarreia. Nveis mais baixos de infeco (frequentemente difcil distinguir de subnutrio): o Inapetncia. o Baixos ndices de crescimento. o Fezes amolecidas (s vezes). Epidemiologia: Os ovos embrionados e as L3 infectantes possuem alta capacidade de sobreviver em condies adversas (sejam de frio extremo ou dessecao).

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Em reas temperadas as L3 resistem bem ao Inverno (s vezes em nmeros suficientes para desencadear problemas clnicos na Primavera). Mais comummente, as quantidades de larvas aumentam no pasto no Vero e no Outono (dando origem a problemas clnicos durante estas estaes). Em regies temperadas, a hipobiose desempenha um papel importante na epidemiologia (ocorre hipobiose no estgio L3). Diagnstico: Sintomatologia clnica. Ocorrncia sazonal. Leses no exame ps-morte. Prova de flutuao (contagem de ovos) pode ser necessrio fazer coprocultura de L3 (para diferenciar de outros parasitas que tenham L3 infectante).

Teraputica profilctica: Cortar a erva/legumes/feno deixar murchar (ao ar livre) dar s no dia seguinte para perder humidade secando L3 (mais fcil profilaxia ambiental deste parasita que de Passalurus). Teraputica curativa (PO): Fenbendazol repetir 14 dias aps a 1 administrao (10 mg/kg). Albendazol (10 mg/kg). Mebendazol (20 mg/kg).

1.2.1.3. Graphidium strigosum Parasitas vermelhos. Nos coelhos s so patognicos em quantidades exageradas; nas lebres causam grandes problemas digestivos. 1.2.1.4. Strongyloides papillosus Parasitas comuns do intestino delgado de animais muito jovens e, embora geralmente de pouca significncia patognica, em determinadas circunstncias podem dar origem a grave enterite. Ciclo de vida - direto (PP = 8-14 dias): nico nemtode capaz de ciclos reprodutivos parasitrio e de vida livre.

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Fmeas no intestino delgado partenognese ovos larvados saem para o ambiente L1 L2 L4 adultos de vida livre (machos e fmeas) ovos larvados L1 L2* L3 L3

Penetrao cutnea/ingesto migrao via sistema venoso, pulmes e traqueia fmeas adultas no intestino delgado

*Estas L2 (resultantes da vida livre) no conseguem fazer outro ciclo de vida livre. Patogenia: A penetrao cutnea (migraes) por larvas infectantes pode provocar uma reao eritematosa (eczemas nas patas sinal mais importante). A passagem de larvas atravs dos pulmes (migraes) resulta em pequenas hemorragias mltiplas visveis sobre a maior parte das superfcies pulmonares. Os parasitas maduros so encontrados no duodeno e no jejuno proximal e, se presentes em grandes quantidades, podem causar inflamao com edema e eroso do epitlio (alteraes mucosa digestiva) enterite catarral com diminuio da digesto e da absoro. Sintomatologia clnica: Diarreia. Timpanismo. Anorexia (inapetncia). Apatia. Perda de peso (caquexia). Taxa de crescimento reduzida. Epidemiologia: As larvas infectantes no so encapsuladas susceptveis a condies climticas extremas. No entanto, o calor moderado, a maior humidade e a alta densidade animal favorecem o desenvolvimento e contgio a outros animais e permitem o acmulo de grandes quantidades de estgios infectantes os ciclos acontecem sempre (importante). Maior carga parasitria porque no depende tanto das condies ambientais. Possibilidade de reinfestao superior de Trichostrongylus retortaeformis.

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Diagnstico: Sintomatologia c