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Joana Filipa Duarte Ferreira Gomes Os Rankings Nacionais Espanhóis e a sua aplicabilidade em Portugal Dissertação de Mestrado em Informação, Comunicação e Novos Media, orientada pela Doutora Maria Manuel Borges da Universidade de Coimbra e coorientada pelo Doutor Elias Sanz Casado da Universidade Carlos III de Madrid, apresentada ao Departamento de Filosofia, Comunicação e Informação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra 2015

Os Rankings Nacionais Espanhóis e a sua aplicabilidade em Portugal

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  • Joana Filipa Duarte Ferreira Gomes

    Os Rankings Nacionais Espanhis e a sua

    aplicabilidade em Portugal

    Dissertao de Mestrado em Informao, Comunicao e Novos Media, orientada pela Doutora

    Maria Manuel Borges da Universidade de Coimbra e coorientada pelo Doutor Elias Sanz Casado da

    Universidade Carlos III de Madrid, apresentada ao Departamento de Filosofia, Comunicao e

    Informao da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

    2015

  • Faculdade de Letras

    Os Rankings Nacionais Espanhis e

    a sua aplicabilidade em Portugal

    Ficha Tcnica:

    Tipo de trabalho Dissertao de Mestrado

    Ttulo Os Rankings Nacionais Espanhis e a sua

    aplicabilidade em Portugal

    Autor Joana Filipa Duarte Ferreira Gomes

    Orientador Doutora Maria Manuel Lopes de Figueiredo Costa

    Marques Borges

    Coorientador Doutor Elias Sanz Casado

    Jri

    Presidente: Doutora Maria da Graa Melo Simes

    Vogais:

    1. Doutora Daniela De Filippo

    2. Doutora Maria Manuel Lopes de Figueiredo

    Costa Marques Borges

    rea cientfica Cincia da Informao

    Data da defesa 22-10-2015

    Classificao 17 valores

  • i

    Sumrio

    Agradecimentos ......................................................................................................................................... iii

    Resumo ....................................................................................................................................................... vii

    Abstract ....................................................................................................................................................... ix

    Introduo .................................................................................................................................................... 1

    1. A Universidade como recurso estratgico ....................................................................................... 5

    1.1 Ensino superior ................................................................................................................................ 6

    1.1.1 Ensino Pblico Universitrio ................................................................................................ 7

    1.1.2 Ensino Pblico Politcnico .................................................................................................... 10

    1.1.3 Ensino Superior Privado........................................................................................................ 13

    1.2 A I&D+i no Ensino Superior ....................................................................................................... 17

    2 Rankings Universitrios ........................................................................................................................ 19

    2.1 Os diferentes tipos de rankings e as suas metodologias ...................................................... 19

    2.2 Rankings Universitrios Nacionais ............................................................................................. 25

    1.2.1 Ranking I-UGR ........................................................................................................................ 28

    2.2.2 Ranking ISSUE.......................................................................................................................... 32

    2.2.3 Ranking IUNE .......................................................................................................................... 35

    3 Aplicabilidade dos Rankings Nacionais em Portugal ...................................................................... 39

    3.1 Modelo proposto ........................................................................................................................... 41

    3.2 Anlise e discusso dos dados obtidos ..................................................................................... 47

    3.2.1 Nmero de estudantes ......................................................................................................... 47

    3.2.2 Oferta formativa ..................................................................................................................... 50

    3.2.3 Nmero de Docentes ........................................................................................................... 52

    3.2.4 Nmero de diplomados ........................................................................................................ 54

    3.2.5 Oramento proveniente do Estado Portugus ................................................................ 56

    3.2.6 Oramento por distrito ........................................................................................................ 58

    3.2.7. Patentes ................................................................................................................................... 60

    3.2.8 Publicaes WoS .................................................................................................................... 63

    3.2.9 Unidades de Investigao ...................................................................................................... 65

  • ii

    3.2.10 Spin-offs .................................................................................................................................. 68

    3.3 Correlao de Dados ................................................................................................................... 71

    3.4 Possveis entidades parceiras ...................................................................................................... 75

    Concluso ................................................................................................................................................... 76

    Referncias bibliogrficas ........................................................................................................................ 81

    Lista de Siglas e Abreviaturas ................................................................................................................. 85

    ndice de Figuras ....................................................................................................................................... 87

    ndice de Grficos ..................................................................................................................................... 89

    ndice de Tabelas ...................................................................................................................................... 91

  • iii

    Agradecimentos

    Universidade de Coimbra e Universidade Carlos III de Madrid, por todas as

    oportunidades e desafios.

    Professora Doutora Maria Manuel Borges e ao Professor Doutor Elias Sanz Casado por

    toda a confiana e inteira disponibilidade e dedicao na orientao desta dissertao.

    Ao Grupo LEMI da UC3M e Professora Doutora Maria Luisa Lascurain, pela forma como

    nos receberam, em especial ao Andrs Pandiella por toda a pacincia e ensinamentos.

    A todos os professores e colegas da Licenciatura de Cincia da Informao Arquivstica e

    Biblioteconmica e do Mestrado de Informao, Comunicao e Novos Media por todos os

    ensinamentos e experincias.

    Aos meus Pais, por sempre acreditarem que eu era capaz; ao meu irmo, aos meus

    sobrinhos, titi e ao tio Z Manel peo desculpas por no ter podido estar sempre presente

    e agradeo todas as oportunidades, mesmo quando elas se tornavam impossveis.

    Ao Fernando, por ter sido um companheiro de excelncia nesta viagem de quase seis anos e

    por ser sempre o meu porto de abrigo. Pela histria que escrevemos e pelas estrias que

    vivemos! Sempre.

    Vera pela compreenso e ajuda em todos os momentos. Mafalda, por ter sempre um

    sorriso pronto para me fazer esquecer o que so os problemas e por mostrar que h

    amizades que valem mais do que prometem! Sandra, por conseguir aturar-me quando nem

    eu mesma sabia como o fazer, e por ter estado sempre perto mesmo quando eram

    muitos os quilmetros que nestes ltimos seis anos nos separavam.

    Anita, ao Carlos, Catarina, Daniela, Filipa, Luna, Snia e Tnia pela amizade que

    ficou. Aos amigos que deixei em Barcelos, quando iniciei esta aventura, por toda a

    compreenso e espera, e por me fazerem ver que uma amizade vale sempre a pena!

    Obrigado por ainda ser tudo igual!

    Dnia Baptista e Eliana Bahia pela amizade e carinho com que sempre nos trataram e por

    terem sido uma tima ajuda na adaptao a Getafe.

    No dejes de Soar!

  • iv

  • v

    A cincia , ao fim e ao cabo, o conhecimento do mundo e, para conhecer o mundo

    preciso agarrar, mexer, experimentar.

    Carlos Fiolhais

  • vi

  • vii

    Resumo

    A grande questo sobre a avaliao internacional acerca das prestaes das Universidades

    no um assunto recente mas , atualmente, muito discutido no panorama nacional. No

    entanto, a avaliao proposta pelos principais rankings internacionais est desajustada

    realidade portuguesa.

    So j vrios os pases europeus que se reorganizaram para que fosse possvel obterem

    resultados mais claros. A criao de um ranking nacional em Portugal viria colmatar a falta de

    informao que existe neste campo e ao mesmo tempo enriquecer as fontes de informao

    disponveis para a sociedade.

    Em Espanha, existem j distintas opes para que se possam ver os resultados das suas

    universidades sob diferentes pontos de vista.

    Este trabalho visa apresentar alguns dos modelos de rankings usados em Espanha mais

    especificamente os modelos I-UGR, ISSUE e IUNE e o estudo sobre e para a construo de

    um modelo que poderia ser aplicado realidade portuguesa com base nos casos estudados.

    Como metodologia, apresentada uma anlise sobre cada ranking e, a partir desse ponto,

    analisam-se os indicadores que poderiam ser ajustados realidade portuguesa. Procurando

    responder a questes do foro prtico, - Qual a rea em que mais se destacam as nossas

    instituies, o nmero de alunos e corpo docente, o nvel de financiamento de cada

    instituio - a criao e a adoo de uma srie de indicadores que visassem a criao de um

    instrumento de anlise que avaliasse as nossas instituies de forma igual e justa. A criao

    de um instrumento de investigao desta natureza alm de ser uma valiosa fonte de

    informao seria tambm uma forma de progresso das instituies nacionais nas avaliaes

    e posicionamento por parte de Rankings Internacionais.

    Palavras- Chave

    Rankings Universitrios, Universidades Portuguesas, Ensino Superior Portugus, Rankings

    Domsticos Espanhis, I-UGR, ISSUE, IUNE.

  • viii

  • ix

    Abstract

    The big bustle about the international evaluations upon the universities performances is not

    a subject from today but is nowadays much discussed in the national panorama. However

    the evaluation proposed by the international rankings is inadequate for the Portuguese

    reality.

    Several European countries have already reorganized it to make possible to obtain clearer

    results. The creation of a national ranking in Portugal would fulfil the lack of information and

    at the same time enrich the information resources available to the society.

    In Spain, there are already several options that make possible the observation of universities

    results through different points of view. Spanish universities are evaluated upon stronger

    norms and weaker points and organized in a clearer simpler ranking.

    This thesis aims to present some of the Spanishs national ranking templates, more

    specifically the I-UGR, ISSUE and IUNE templates and a study for the construction of a

    theoretical and practical idea that could be applied in Portuguese reality based on studied

    cases. As methodology, it is present an analysis of each ranking and which ones of their

    indicators could be adjusted to the Portuguese reality. Looking for an answer to practical

    questions, - in which field do our institutions excelled in the most, the ideal number of

    students and universities faculty, the fundings level of each institution the creation and

    adoption of a series of indicators that aimed to the creation of an analysis tool that could

    evaluate our institutions equally and fairly. An investigation tool of this sort as well being a

    valuable source of information, it could also be a way of progress for the national institutions

    in the evaluations and position by the international ranking.

    Keywords

    National Universities Ranking, Portuguese Universities, Portuguese Higher Education,

    Spanish Domestic Rankings, I-UGR, ISSUE, IUNE.

  • x

  • 1

    Introduo

    Por muitas crticas que especialistas, investigadores, universidades e governos

    possam tecer sobre os rankings universitrios, j muitos anos se passaram desde a

    publicao do Americas Best Colleges por parte do News and World Report e do

    Academic Ranking of World Universities (ARWU) publicado pela Shanghai Jiao Tong

    University. Estes dois gigantes da avaliao das instituies a nvel internacional

    continuam a ter uma grande fora e importncia. Por essa razo, as universidades

    portuguesas foram-se moldando para que o seu trabalho fosse reconhecido alm-

    fronteiras. As boas prticas do ensino superior em Portugal tm resultado em prmios

    e reconhecimentos em vrias reas. Apesar disso h algumas questes s quais

    importante responder; como se podem comparar as universidades portuguesas umas

    com as outras? Como podero os rankings internacionais compreender as peculiares

    caractersticas das universidades portuguesas? A criao de um ranking de domnio

    nacional seria uma forma de estimular as universidades portuguesas a obter uma

    melhor classificao internacional atravs do fomento da competitividade.

    Numa poca de competio entre as instituies, que procuram ser cada vez

    mais atrativas para captar mais estudantes, necessrio termos um instrumento de

    medio que seja efetivo na sua comparao em distintas vertentes contemplando

    todas as instituies de ensino superior. A verdade que os rankings internacionais

    contemplam apenas uma pequena parte das instituies de ensino superior.

    Este estudo centra-se principalmente na necessidade da criao de um Ranking

    Nacional em Portugal, onde sejam abarcadas todas as instituies de ensino superior

    universitrio pblico, com indicadores e variveis adequados, e, onde seja permitido

    avaliar as diferentes dimenses de cada Universidade atravs do seu desempenho e

    ajustadas sua realidade.

    O principal objetivo deste trabalho justifica-se, assim, pela necessidade da

    criao de um ranking que contemple as universidades portuguesas em todos os seus

    domnios e visa apresentar um modelo que responda a essa necessidade. A criao de

    um Ranking nacional iria anexar a informao que os rankings internacionais no

    contemplam, j que so poucas as universidades que conseguem entrar nos seus

    lugares cimeiros. A competio para entrar nos principais lugares dos rankings

    envolvem clculos bastante complexos, bem como modificaes de algumas arestas e a

  • 2

    maior parte das universidades portuguesas no faz parte dessas listagens pois no

    rene o conjunto dos elevados requisitos aos quais os rankings internacionais se

    prendem. necessrio avaliar as universidades portuguesas atravs de variveis e

    indicadores que espelhem a nossa realidade.

    Este tema ainda pouco desenvolvido em Portugal e esta a altura certa para

    darmos um avano nesta rea. O principal objetivo deste estudo diz respeito anlise

    de rankings nacionais existentes em Espanha de modo a propor um modelo de

    Ranking para Portugal. Para responder a este objetivo geral elegemos os seguintes

    objetivos especficos:

    (i) Anlise e caraterizao do Ensino Superior em Portugal com

    destaque para o Ensino Superior Universitrio pblico, incluindo no

    apenas a Docncia mas tambm a investigao;

    (ii) Anlise dos principais rankings nacionais espanhis para

    identificar indicadores e variveis utilizadas;

    (iii) Construo do modelo;

    (iv) Aplicao do modelo ao Ensino Superior Universitrio pblico.

    A metodologia adotada para a elaborao deste trabalho subdivide-se em duas

    fases. A primeira fase comtemplou a recolha e anlise de fontes bibliogrficas sobre o

    tema face aos objetivos pretendidos neste trabalho, de modo a poder cumprir a

    necessria etapa da reviso da literatura; numa segunda fase, foram obtidos e

    analisados dados referentes ao contexto portugus, apresentadas propostas para a

    criao de um Ranking para as Universidades Portuguesas a partir de um modelo que

    inclui os indicadores, as metodologias e as variveis que mais se enquadram no

    contexto universitrio da atualidade e com a necessidade de informao existente.

    Este modelo foi aplicado modo a verificar a sua adequao para obter a cartografia das

    universidades pblicas portuguesas.

    Esta dissertao encontra-se estruturada em trs captulos. No primeiro

    captulo abordamos o ensino superior portugus. Nesta primeira parte apresentamos

    o modelo de ensino superior que ministrado em Portugal, as instituies que dele

    fazem parte e o seu contexto histrico e social. No segundo captulo apresentamos

    trs modelos de Rankings de avaliao nacional que esto implementados em Espanha.

    So eles o ISSUE, I-UGR e o IUNE. No terceiro e ltimo captulo analisamos os

  • 3

    resultados obtidos atravs deste estudo e apresentamos um modelo que testmos

    para obter um primeiro mapa do Ensino Superior Pblico em Portugal.

    Uma das grandes limitaes na construo deste modelo foi o acesso aos dados. As

    informaes que fazem parte deste trabalho encontravam-se muito dispersas e nem

    sempre eram claras e objetivas. Infelizmente, ainda no so muitas as universidades

    que dispem de uma pgina online com estes dados. Espera-se que num futuro

    prximo as instituies venham a dar mais valor a informaes deste gnero que so

    recursos e indicadores para produo de informao.

  • 4

  • 5

    1. A Universidade como recurso estratgico

    Os rankings podem ajudar a definir metas e a estabelecer objetivos estratgicos

    que nos possam levar mais alm.

    O reconhecimento nacional deve ser medido de forma justa para que possamos falar

    abertamente de posicionamentos no mbito universitrio. Se ainda no sabemos se

    somos ou no superiores nacionalmente como podemos focar e direcionar as nossas

    sinergias para um melhor posicionamento no panorama internacional? Com a

    implementao de um ranking nacional as instituies podero preparar-se melhor

    para o panorama internacional.

    Mesmo com os principais rankings globais a no mencionarem uma grande

    maioria das universidades portuguesas, isso no significa que estas no se devem

    preocupar com o que est a acontecer no panorama das avaliaes. Este tipo de

    projeto viria a criar uma competio saudvel entre as vrias instituies com o intuito

    de que ests se focassem no seu prprio sucesso. Mesmo que existisse um grupo de

    elite (como por exemplo, as universidades com mais rendimentos) que mais se

    destacasse, todas as instituies teriam hipteses de crescimento e desenvolvimento

    em prol da sociedade.

    So vrias as formas que podero ajudar na construo de uma ideia que

    incremente o crescimento das Instituies de Ensino Superior em Portugal. Uma das

    formas que podemos considerar como uma forma de todas as instituies ser, o

    modo de como as instituies colaboram entre si, no s atravs de programas de

    mobilidade de alunos e professores mas tambm com a colaborao entre grupos de

    investigao e agncias de informao.

    A ideia de que as anlises SWOT sejam tambm direcionadas a este tipo de

    estudo ser completamente conveniente uma vez que esta anlise j se encontra

    realizado em todas as instituies.

  • 6

    1.1 Ensino superior

    A histria universitria portuguesa comea a 1 de Maro de 1290 com a

    criao do Estudo Geral / Universidade de Coimbra.

    O ensino era administrado em alguns mosteiros e escolas mais modestas que

    ensinavam a contar, a escrever e a ler. Designada primeiramente como Estudo Geral

    fundada em Lisboa por D. Dinis a primeira universidade portuguesa, que foi

    alterando a sua morada conforme as necessidades da corte at se fixar em Coimbra

    durante o reinado de D. Joo III. Devemos referir tambm a doutrina de pedagogia

    dos Jesutas, pois eram eles que dominavam a ministrao do ensino entre o sc. XVI e

    XVII visto que forneciam um ensino gratuito. Apenas durante as reformas aplicadas

    pelo Marqus de Pombal que o ensino religioso comeou a ter como concorrncia a

    educao formal que o Estado se preparava para comear a aplicar.

    No incio do sc. XX so institudas tambm no mbito do ensino superior e,

    com o intuito de que a Universidade de Coimbra no fosse nica, as Escolas do Ensino

    Superior em Lisboa e no Porto. So igualmente criadas a Escola Politcnica de Lisboa e

    a Academia Politcnica do Porto. Assim se mantm o estado do ensino superior em

    Portugal at data da Implantao da Repblica em 1910. Com as novas reformas em

    1911 d-se a criao da Universidade do Porto e da Universidade de Lisboa, e o

    reforo da formao tcnica e comercial com a criao do Instituto Superior Tcnico

    e do Instituto Superior do Comrcio e anos mais tarde a fundao da Universidade

    Tcnica de Lisboa. durante os anos 70 do sculo passado que se acentua, a

    necessidade de profissionais qualificados para as mais diversas reas tendo sido criado

    um grande grupo de novas universidades, entre elas: a Universidade do Minho,

    Universidade de Aveiro, Universidade do Algarve e a reabertura da Universidade de

    vora (que embora tenha sido criada em 1559 esteve sempre entregue aos cuidados

    eclesisticos, tendo sido uma das escolas fechadas pelo Marqus de Pombal). A partir

    da revoluo de Abril, comeou ento a ampliao do ensino superior numa

    perspetiva mais diversificada e mais organizada.

    O ensino superior est dividido em duas vertentes: o pblico e o privado.

    O ensino pblico/privado est organizado segundo o sistema binrio constitudo pelo

    subsistema Universitrio e pelo subsistema Politcnico. Esta diviso fixada segundo a

    seguinte orientao: o ensino superior pblico adota uma perspetiva de investigao e

  • 7

    confere uma slida preparao cientfica e cultural visando assegurar as competncias

    para o exerccio de funes com uma forte componente de inovao e anlise crtica.

    Enquanto, o ensino superior Politcnico est mais focalizado no carcter prtico e

    vocacional, procurando responder resoluo e compreenso de problemas e

    questes pontuais. Ressalva-se que todas as instituies de ensino em Portugal j se

    encontram enquadradas no chamado modelo Bolonha.

    Atualmente existe um total de 49 instituies de ensino superior pblico e 79

    instituies de ensino superior privado.

    1.1.1 Ensino Pblico Universitrio

    Fazem parte do ensino pblico universitrio 14 universidades. Neste grupo est

    includa tambm a Universidade Aberta e o ISCTE.

    A Universidade de Coimbra a universidade portuguesa com mais anos de existncia

    e foi a nica instituio a promover o ensino superior em Portugal at Implantao

    da Repblica. As Universidades de Lisboa e do Porto foram criadas, em 1911, e a

    Universidade Tcnica de Lisboa foi criada em 1930. Estas quatro universidades seguem

    o modelo clssico, e encontram-se organizadas em escolas, faculdades ou institutos.

    Foi no incio dos anos setenta que foi definido um amplo plano de expanso e

    diversificao do ensino superior, tendo sido criadas mais nove instituies de ensino

    superior universitrio: as Universidades do Algarve, Aores, Aveiro, vora, Minho,

    Trs-os-Montes e Alto Douro, Beira Interior e Madeira. Estas instituies esto

    organizadas em moldes diferentes e encontram-se organizadas por departamentos,

    institutos e unidades orgnicas.

    Posteriormente, a Universidade do Algarve passou a englobar tambm o ensino

    superior politcnico, estruturando-se em unidades orgnicas, para efeitos de ensino e

    de investigao cientfica e de servios.

    A Universidade Aberta, sediada em Lisboa, foi criada em 1988, encontrando-se

    vocacionada para exercer as suas funes atravs do ensino a distncia.

    Em 2012 ocorreu a fuso entre a Universidade de Lisboa (Clssica) e a Universidade

    Tcnica de Lisboa. Esta fuso respeita as lgicas de participao e de deciso

    democrtica no seio das duas universidades, estipula a integrao do Estdio

  • 8

    Universitrio na nova Universidade e resolve problemas existentes h dcadas com o

    patrimnio da UL e da UTL. Os seus estatutos foram publicados em Dirio da

    Repblica, no dia 19 de Abril de 2013.

    Tabela 1: Ensino Superior Pblico Universitrio

    (Fonte: DGES)

    Para alm da identificao das universidades portuguesas pblicas,

    consideramos que a visualizao da sua posio geogrfica pode ajudar a esclarecer

    algumas assimetrias que existem em Portugal.

    Ensino Superior Pblico Universitrio:

    Universidade dos Aores Universidade Nova de

    Lisboa

    Universidade do Algarve Universidade do Minho

    Universidade de Aveiro Universidade do Porto

    Universidade da Beira

    Interior

    Universidade de Trs-os-

    Montes e Alto Douro

    Universidade de Coimbra Universidade da Madeira

    Universidade de vora Universidade Aberta

    Universidade de Lisboa ISCTE - Instituto

    Universitrio de Lisboa

  • 9

    Fig. 1: Distribuio geogrfica do ensino superior pblico (Fonte: DGES)1

    A anlise da imagem permite observar que embora as universidades cubram

    todo o pas, existem eixos principais marcados, nomeadamente norte-sul e litoral-

    interior. As universidades mais antigas ou de maior dimenso situam-se na regio

    Centro e Norte com uma forte concentrao na capital portuguesa.

    1 Distribuio geogrfica do Ensino Superior Universitrio - ( data que esta imagem foi elaborada, ainda no tinha ocorrido a fuso entre a Universidade de Lisboa e a Universidade Tcnica de Lisboa -

    publicada em Dirio de Repblica a 19 de Abril de 2013).

  • 10

    1.1.2 Ensino Pblico Politcnico

    O Ensino Superior Politcnico organiza-se em Institutos Politcnicos, Escolas

    que se integram nesses mesmos institutos e Escolas no integradas em qualquer

    instituto. Ressalva-se que algumas Escolas Politcnicas encontram-se integradas em

    Universidades. A oferta formativa neste subsistema engloba essencialmente as reas

    das tecnologias, do turismo, da sade, da educao, da agricultura e do desporto e das

    artes.

    As instituies de ensino politcnico cumprem um papel relevante no

    desenvolvimento das regies em que se inserem, pois so uma mais-valia no que diz

    respeito resposta dos desafios especficos de cada regio, contribuindo assim para a

    formao de quadros tcnicos, criando riqueza e sendo uma forte fonte de inovao.

  • 11

    Tabela 2: Ensino Superior Pblico Politcnico

    Institutos Politcnicos:

    Instituto Politcnico de Beja Instituto Politcnico de Portalegre

    Instituto Politcnico de Bragana Instituto Politcnico do Porto

    Instituto Politcnico de Castelo Branco Instituto Politcnico de Santarm

    Instituto Politcnico do Cvado e do Ave Instituto Politcnico de Setbal

    Instituto Politcnico de Coimbra Instituto Politcnico de Tomar

    Instituto Politcnico da Guarda Instituto Politcnico de Viana do Castelo

    Instituto Politcnico de Leiria Instituto Politcnico de Viseu

    Escolas Superiores de Sade Pblica:

    Escola Superior de Tecnologia da Sade

    de Lisboa

    Escola de Superior de Tecnologia da

    Sade do Porto

    Escola Superior de Enfermagem de Ponta

    Delgada

    Escola Superior de Enfermagem de Vila

    Real

    Escolas Artsticas e Musicais:

    Escola Superior de Dana de Lisboa Academia da Fora Area

    Escola de Teatro e Cinema de Lisboa Escola Naval

    Escola Superior de Msica de Lisboa Escola Nutica Infante D. Henrique

    Escola de Msica e Artes do Espetculo Escola Superior de Polcia

    Outras Escolas:

    Escola Superior de Hotelaria e Turismo

    do Estoril

    Escola Superior de Educao de Lisboa

    Instituto Superior de Contabilidade

    de Lisboa

    Instituto Superior de Contabilidade do

    Porto

    Instituto Superior de Engenharia de Lisboa Escola Superior de Desporto de Rio

    Maior

    Escola Superior de Tecnologia de Setbal Escola Superior Agrria de Elvas

    Escola Superior de Educao de Lisboa

    (Fonte: DGES)

  • 12

    Fig. 2: Distribuio geogrfica do Ensino Superior Pblico Politcnico (Fonte: DGES)

    Analisando a imagem relativa distribuio geogrfica possvel concluir que a

    malha desta tipologia mais larga mas que, ainda assim, revela as mesmas assimetrias

    territoriais.

  • 13

    1.1.3 Ensino Superior Privado

    O Ensino Superior Privado em Portugal tambm designado como Particular e

    Cooperativo. Este sistema est sujeito tutela do Ministrio da Educao, tendo assim

    o Estado Portugus a responsabilidade de assegurar uma ampla e harmoniosa

    integrao na rede do sistema de ensino superior e garantir a sua eficcia e unidade de

    ao. Atravs de normas e protocolos estas instituies aplicam taxas prprias

    mediante o nvel de ensino que pretendemos alcanar. O ensino privado no nosso pas

    conta com um total de 79 instituies. Deste conjunto, 27 pertencem ao Ensino

    Superior Privado Universitrio e 52 ao Ensino Superior Privado Universitrio

    sumariados nas tabelas seguintes.

    Tabela 2: Ensino Privado Universitrio

    Ensino Superior Privado Universitrio:

    Escola Superior

    Artstica do Porto

    Instituto Superior de Lnguas

    e Administrao

    Instituto Superior de Estudos Interculturais e

    Transdisciplinares

    Escola Superior de

    Atividades Imobilirias

    Instituto Superior de Servio

    Social do Porto

    Universidade Autnoma de Lisboa Lus de

    Cames

    Escola Superior Gallaecia Instituto Superior Manuel

    Teixeira Gomes Universidade Catlica Portuguesa

    Escola Universitria das

    Artes de Coimbra

    Instituto Superior Miguel

    Torga Universidade Europeia

    Escola Universitria

    Vasco da Gama

    ISPA - Instituto Universitrio

    de Cincias Psicolgicas,

    Sociais e da Vida

    Universidade Fernando Pessoa

    Instituto de Arte, Design

    e Empresa - Universitrio Universidade Atlntica Universidade Lusada

    Instituto Superior Bissaya

    Barreto

    Instituto Superior de Cincias

    da Sade Universidade Lusfona

    Instituto Superior D.

    Afonso III

    Instituto Superior de Cincias

    da Sade Egas Moniz

    Universidade Portucalense Infante D.

    Henrique

    Instituto Superior da Maia Instituto Superior de

    Educao e Trabalho Instituto Superior de Gesto

    (Fonte: DGES)

  • 14

    Tabela 4: Ensino Privado Politcnico

    Ensino Superior Privado Politcnico:

    Academia Nacional Superior de

    Orquestra

    Instituto de Estudos Superiores

    Financeiros e Fiscais

    CESPU - Instituto Politcnico de Sade do

    Norte

    Instituto Portugus de Administrao de

    Marketing

    Conservatrio Superior de Msica de

    Gaia

    Instituto Superior Autnomo de Estudos

    Politcnicos

    Escola Superior Artstica do Porto Instituto Superior D. Dinis

    Escola Superior de Artes Decorativas Instituto Superior de Administrao e

    Gesto

    Escola Superior de Artes e Design Instituto Superior de Administrao e

    Lnguas

    Escola Superior de Educao de Almeida

    Garrett

    Instituto Superior de Cincias da

    Administrao

    Escola Superior de Educao de Fafe Instituto Superior de Cincias da

    Informao e da Administrao

    Escola Superior de Educao de Joo de

    Deus

    Instituto Superior de Cincias Educativas

    Escola Superior de Educao de Paula

    Frassinetti

    Instituto Superior de Cincias

    Empresariais e do Turismo

    Escola Superior de Educao de Torres

    Novas

    Instituto Superior de Comunicao

    Empresarial

    Escola Superior de Educao Jean Piaget Instituto Superior de Educao e Cincias

    Escola Superior de Educadores de Infncia

    Maria Ulrich

    Instituto Superior de Entre Douro e

    Vouga

    Escola Superior de Enfermagem da Cruz

    Vermelha Portuguesa de Oliveira de

    Azemis

    Instituto Superior de Espinho

    Escola Superior de Enfermagem de S. Jos

    de Cluny Instituto Superior de Gesto Bancria

    Escola Superior de Enfermagem de Santa

    Maria Instituto Superior de Novas Profisses

    Escola Superior de Enfermagem Dr. Jos

    Timteo Montalvo Machado Instituto Superior de Paos de Brando

    Escola Superior de Enfermagem S.

    Francisco das Misericrdias Instituto Superior de Sade do Alto Ave

  • 15

    Escola Superior de Sade da Cruz

    Vermelha Portuguesa

    Instituto Superior de Tecnologias

    Avanadas de Lisboa

    Escola Superior de Sade do Alcoito Instituto Superior Politcnico do Oeste

    Escola Superior de Sade Egas Moniz Instituto Superior Politcnico Gaya

    Escola Superior de Sade Jean Piaget ISLA - Instituto Superior de Gesto e

    Administrao

    Escola Superior de Sade Ribeiro Sanches Universidade Atlntica - Escola Superior

    de Sade Atlntica

    Escola Superior de Tecnologia e Gesto

    Jean Piaget

    Universidade Catlica Portuguesa - Escola

    Superior Politcnica de Sade

    Escola Superior de Tecnologias de Fafe

    Universidade Fernando Pessoa - Escola

    Superior de Sade

    Escola Superior de Tecnologias e Artes de

    Lisboa

    Universidade Fernando Pessoa (unidade

    de Ponte de Lima - ensino politcnico)

    (Fonte: DGES)

  • 16

    Relativamente distribuio geogrfica do Ensino Superior privado, as assimetrias j

    assinaladas para o Ensino Superior pblico tornam-se aqui mais visveis,

    particularmente no que concerne ao Ensino Superior Politcnico, praticamente sem

    expresso no Sul do pas.

    Fig. 3: Distribuio Geogrfica do Ensino Superior Privado (Fonte: DGES)

  • 17

    1.2 A I&D+i no Ensino Superior

    A Unesco afirma a importncia da liberdade de investigao cientfica e dos

    benefcios decorrentes dos progressos da cincia e da tecnologia, salientando ao

    mesmo tempo a necessidade de que essa investigao e os consequentes progressos

    se insiram no quadro dos princpios ticos e respeitem a dignidade humana, os direitos

    humanos e as liberdades fundamentais.

    Em Portugal a investigao cientfica tardou em encontrar o seu lugar mas,

    desde que foi implementada que, tem vindo a crescer e a conquistar o seu espao no

    panorama nacional. Carlos Fiolhais (2011) associa este atraso ao atraso na educao,

    mas com o crescimento da formao em Portugal esse fosso tem vindo a tornar-se

    mais pequeno. Embora com toda a instabilidade de polticas econmicas e sociais o

    desenvolvimento da investigao cientfica em Portugal levou a que de uma forma

    peculiar, fossem organizados os pilares em que assentam as bases da investigao

    (Borges, 2006).

    Com uma grande parte da produo do mundo cientfico (ou at mesmo a

    maior parte) associada s universidades, estas fazem com que os seus recursos

    humanos partilhem tarefas: Docncia e Investigao. Estas tarefas fazem com que a

    investigao possa ser levada em forma de part-time, o que prejudica seriamente os

    resultados quando encarados do ponto de vista da produo cientfica. Apesar disso,

    tem havido, at muito recentemente, a criao e implementao de cada vez mais

    unidades de investigao e a formalizao de contratos de trabalho de exclusividade

    investigao e produo cientfica.

    Carlos Fiolhais (2011) diz-nos que estes indicadores de crescimento da

    investigao e desenvolvimento esto associados economia, o que significa que o

    aumento das despesas em investigao e os cortes oramentais dos ltimos anos tm

    ameaado a sobrevivncia dos centros de investigao e constituem ameaas cada vez

    mais reais sua subsistncia.

    Uma das solues seria um maior envolvimento das empresas privadas na

    investigao. Esta privatizao, segundo Mariano Gago (1990) deveu-se ao facto de as

    empresas contratarem diretamente trabalhos de investigao s universidades e

    centros de investigao e isso acabou por fomentar ainda mais a cooperao entre

    cientistas universitrios e empresas. Sendo as universidades a sustentarem os sistemas

  • 18

    de investigao desenvolvimento e inovao (I&D+i) o financiamento privado aos

    projetos de I&D+i permitiria ultrapassar os problemas decorrentes dos cortes de

    financiamento que se tm vindo a agravar.

    Com a elevada formao dos recursos humanos e com uma maior formao

    acadmica da sociedade portuguesa, a produo cientfica tem em Portugal um

    ambiente cada vez mais favorvel ao seu crescimento. O idioma em que publicam,

    onde publicam, os resultados obtidos e os prmios que conquistam passam a fazer

    parte tambm da histria da I&D+i em Portugal. Isso reflete-se na produo que

    ultimamente os dados de I&D+i tm registado.

    Neste trabalho sero analisados os dados relativos a:

    Patentes - O registo nacional e internacional de novas patentes pelas

    instituies de Ensino Superior Pblico Universitrio;

    Publicaes na WoS O nmero de artigos publicados na Web of Science em

    nome das instituies de Ensino Superior Pblico Universitrio;

    Unidades de investigao O nmero de unidades de investigao por

    instituies de Ensino Superior Pblico Universitrio;

    Spin-offs O nmero de empresas com esta designao que nasceram sobre a

    alada de instituies de Ensino Superior Pblico Universitrio.

    Os dados obtidos neste ponto de Investigao, Desenvolvimento e Inovao no

    existem de uma forma sistematizada e foram os mais difceis de ter acesso.

  • 19

    2 Rankings Universitrios

    2.1 Os diferentes tipos de rankings e as suas metodologias

    Com a criao de Rankings, as universidades foram ordenadas de modo a que

    fosse permitido compar-las utilizando indicadores capazes de ordenar a informao

    de forma homognea, isto , de acordo com os seus resultados e as suas

    caractersticas. Os indicadores surgem tambm com a funo de simplificar a

    complexidade. uma tarefa difcil que no est isenta de crticas, e, por isso no seu

    desenvolvimento necessrio rigor e transparncia, juntando, sempre que possvel, as

    informaes que diferenciam as principais misses das Universidades (o ensino, a

    investigao, a inovao e o desenvolvimento tecnolgico) para que seja possvel

    comparar as realizaes de cada instituio na dimenso em que est inserida.

    Ao longo deste trabalho, o termo Ranking ser tomado como uma

    hierarquizao, no sentido que lhe d a Nova Enciclopdia Larousse (1994): Hierarquizar

    significa Classificar as coisas segundo os graus de uma hierarquia, segundo uma ordem

    de importncia. Esta definio permite centrarmo-nos definitivamente nos conceitos

    de listas ordenadas e graus de hierarquia segundo uma ordem de importncia, ou

    ento:

    Ranking is positioning comparable objects on an ordinal scale based on a (non

    strict) weak order relation among (statistical) function of, or a combination of

    functions of measures or scores associated with those objects (Glnzel &

    Debackere, 2009).

    Para falarmos de como os rankings universitrios surgiram, cresceram e se

    expandiram devemos recuar at ao ano de 1870 nos Estados Unidos da Amrica com

    a publicao do Relatrio de Dados Estatsticos pelo United States Bureau of Education

    (Webster, 1981). Contudo, com o crescimento exponencial de dados a serem

    analisados e com o fato de algumas instituies comearem a ser analisadas

    individualmente, esses relatrios deixaram de ser publicados em 1890 (Stuart, 2005).

    Com o crescimento exponencial da oferta universitria, comearam-se a

    construir e implementar ideias sobre a sua organizao. O trabalho desenvolvido pelas

    instituies comeou a ser mais observado, a misso para o qual estavam predispostas

    comeou cada vez mais a ser posta prova. Estamos perante instituies que formam

    profissionais e pensadores mas que tambm contribuem para o desenvolvimento da

    sociedade em que esto inseridas com a investigao, com a empregabilidade e com

  • 20

    progresso a vrios nveis. Nesta fase foi necessrio que se clarificasse o trabalho de

    todas as instituies de ensino superior para que o seu trabalho fosse explcito a toda

    a comunidade. de realar que, nesta frase, devido aos diversos conflitos

    socioculturais presentes poca, a avaliao das Instituies de Ensino Superior

    tinham como resultados informaes baseadas em informaes quantitativas (Ordua

    Malea, 2011).

    Com a publicao e aclamao do U.S. News & World Report em 1933 como o

    primeiro ranking universitrio de mbito nacional finalmente impulsionada a ideia de

    desenvolver rankings domsticos nos restantes pases. A multiplicao desses rankings

    nos EUA, impulsionada pela sua prpria cultura, acabou por interiorizar uma dinmica

    de competitividade em sistemas nacionais, o que foi visto como uma influncia

    (positiva) no comportamento institucional, capaz de levar melhora da qualidade

    (Hazelkorn, 2010).

    A proliferao que aconteceu nos EUA atuou como fonte de inspirao para

    que outros pases criassem os seus prprios rankings domsticos e tambm para a

    criao dos mesmos sistemas ao nvel internacional, permitindo assim a comparao

    entre Instituies de Ensino Superior de diferentes pases como o ARWU, THE, QS.

    O primeiro ranking internacional de instituies de ensino superior foi

    organizado pela Shanghai Jiao Tong University em Shangai na China em 2003.

    Denominado Academic Ranking of World Universities (ARWU). A sua primeira

    publicao teve um grande impacto, sendo as Universidades dos Estados Unidos e do

    Reino Unido que dominavam as listas das 20 melhores e das 100 melhores

    universidades a nvel internacional.

    Em 2004, surgia no Reino Unido o Times Higher Education Supplement World

    University Ranking, que de 2004 at 2010 era executado em parceria com a consultora

    internacional Quacquarelli Symons (QS) que construa a parte metodolgica deste

    projeto. Contudo, aps surgirem algumas dvidas acerca dos resultados a parceria que

    existia entre o THE e o QS chega ao fim, e assim a agncia Thomson Reuthers passa a

    contribuir para a parte metodolgica do THE. A partir deste ponto, a agncia QS

    passa a produzir e promover o seu prprio ranking separadamente do THE (Ordua

    Malea, 2011).

    Tendo em conta que a maioria dos Rankings Internacionais s incluem cerca de

    1% a 3% das Instituies, os Rankings Domsticos ou Nacionais vm colmatar a falta

  • 21

    de informao que existe no posicionamento das universidades no mbito dos

    diferentes pases. Um Ranking Domstico torna-se uma das ferramentas mais teis ao

    possibilitar que as Instituies sejam todas classificadas de forma idntica, j que

    partem do mesmo ponto de partida, a realidade socioeconmica em que esto

    inseridas.

    No que diz respeito sua representao, existe uma certa preferncia pelos

    rankings que so ordenados como se de uma competio desportiva se tratasse,

    conhecidos como League Tables. Contudo, existem tambm outras maneiras de reunir

    e ordenar os vrios indicadores, como classificar as instituies por ordem de

    excelncia, o nvel qualitativo do corpo docente e as suas publicaes em revistas de

    prestgio e os dados referentes aos alunos e infraestruturas que formam o conjunto da

    instituio (Ordua Malea, 2011).

    Os rankings tm a vantagem de nos mostrar aquilo que lhe pedimos!

    Inicialmente respondiam apenas a perguntas do foro mais bsico como: qual a

    melhor universidade? Onde est presente o maior desenvolvimento cientfico? No

    entanto, com o passar do tempo a informao que tinham passou a ser cada vez mais

    questionada.

    Desde a necessidade da sua criao at aos dias atuais os rankings foram-se

    moldando. Moldaram-se principalmente s sociedades que cada vez esperam mais e

    mais dos seus resultados. A informao que contm de tal forma detalhada e

    esmiuada que quando temos acesso a essa informao j tratada temos perante ns

    um produto que j foi alvo de grandes anlises e passado a pente fino por algoritmos

    matemticos que produzem o resultado final que nos so apresentados das mais

    variadas formas. Grficos e tabelas desde as mais ou menos apelativas graficamente.

    Os rankings so uma realidade que j no se pode negar e que neste momento se

    pode tornar um grande aliado de todas as instituies de ensino superior.

    Ordua Malea diz-nos que at 2010 figurou uma classificao de rankings

    construda por Merisotis que dividia os rankings da seguinte forma:

    Por tipo de ranking Baseado em toda a instituio e em todas as disciplinas;

    Pela sua estrutura Numrica, Top Level ou Cluster;

    Pela sua frequncia Anual, bienal, trienal ou irregular;

    Pelo tipo de ordenao rea geogrfica, idade, tipo de instituio e misso;

    Pela fonte de dados Originais ou existentes (Pblicos ou Privados)

  • 22

    No entanto uma das principais falhas neste tipo de diviso tinha a ver com o

    fato de se poder confundir o tipo de ordenao com os tipos de cobertura e a sua

    estrutura com aspetos de apresentao e visualizao.

    A partir deste ponto e com base em tudo o que foi escrito e defendido por

    vrios autores e tambm pelos rankings que foram sendo publicados, fomos obtendo

    uma viso multidimensional de modo a poder propor um modelo de ranking

    universitrio. A sua correta descrio e catalogao estaro sempre associadas ao

    propsito para o qual o seu conceito original foi desenhado, no podendo, contudo,

    correr o risco de ultrapassar as medidas e cair no erro de complexificar de tal forma

    que mais atrapalham do que esclarecem medida que a abrangncia do ranking for

    aumentando.

    A estrutura apresentada por Ordua Malea (2011) proporciona um estado de

    conhecimento muito completo quando aplicado. Esta proposta est dividida em 10

    indicadores que passamos a apresentar:

    1) Unidade de Estudo a unidade principal de anlise do ranking

    i. A unidade universitria como um todo ou como partes

    independentes de estudo (Faculdades, Departamentos, Grupos

    de investigao)

    2) Cobertura do estudo

    i. Temporal a antiguidade das instituies;

    ii. Geogrfica de abrangncia Nacional, Internacional ou Global;

    iii. Tipolgica Somente Universidades, ou unidades ou sistemas

    que esto classificados como universidades (ex: ISCTE);

    iv. Estado legal da Instituio Pblica ou Privada;

    v. Temtica Geral ou especfica;

    vi. Ciclo de Ensino Licenciatura, Mestrado ou Doutoramento;

    vii. Misso Unidimensional, quando a misso da instituio assenta

    apenas sobre a docncia, a investigao, a transferncia e em

    caractersticas especiais, ou Multidimensional, quando se centra

    em mais do que uma misso anteriormente referidas;

  • 23

    3) Modo de Publicao via de publicao do ranking como produto final

    i. Meio de comunicao;

    ii. Grupo de investigao ou Universidade;

    iii. Publicaes oficiais do Governo;

    iv. Agncia de Avaliao ou de qualidade;

    v. Artigo cientfico;

    vi. Relatrio;

    4) Frequncia da publicao Frequncia com que ser publicada uma nova

    edio.

    i. Intervalos regulares;

    ii. Intervalos irregulares;

    iii. Sempre que se justifique uma nova atualizao;

    5) Obteno de dados o seu estado legal e a sua procedncia

    i. Pblico ou privado;

    ii. Exgena ou Endgena;

    6) Estrutura Modo de publicao dos resultados finais em funo dos

    indicadores

    i. Uniranking apenas se publica uma tabela final;

    ii. Multiranking no existe uma tabela final, so publicadas tabelas

    para cada indicador ou categorias de indicadores;

    7) Indicadores

    i. Pela relao com o sistema (entrada, processo, sada);

    ii. Pela estrutura (simples ou composta);

    iii. Pela natureza dos dados;

    iv. Pelo processo de obteno de dados;

    v. Pela sua orientao (centrada no utilizador ou na universidade);

    8) Forma de apresentao forma de como as Universidades so apresentadas

    nas tabelas finais

    i. Numricas posicionam-se numericamente seguindo uma

    determinada ordem;

    ii. Clusters posicionam-se atravs de intervalos de diferentes

    nveis;

  • 24

    iii. Nvel de incerteza posicionam-se numericamente mas um nvel

    de incerteza adicionado sobre cada instituio.

    9) Cobertura da Apresentao Nmero total de instituies analisadas.

    i. Integral Todas as universidades so posicionadas e publicadas;

    ii. Top Level Apenas so publicadas as universidades que se

    posicionem at um certo nvel numrico fixo.

    10) Nvel de Interatividade Possibilidade oferecida para que o utilizar possa

    adequar a pesquisa s suas necessidades.

  • 25

    2.2 Rankings Universitrios Nacionais

    Em Espanha existem cerca de 88 instituies que ministram o ensino superior.

    Os rankings que atualmente ainda produzem informao deste gnero pertencem

    tanto ao domnio pblico como ao domnio privado. Todas as universidades esto

    includas nestes estudos e partem todas do mesmo ponto onde so tratadas por igual.

    Um ranking isso mesmo, o posicionamento sem interesses e sem ambiguidades. Os

    rankings apresentados neste estudo so rankings multidimensionais que abrangem as

    principais necessidades informativas de quem procura informao neste tipo de

    ferramentas.

    Os rankings universitrios de dimenso nacional focam-se na realidade em que

    esto inseridos e na sua tradio. Por exemplo, um pas que tenha uma forte

    componente em Investigao tende a privilegiar esse recurso como um forte indicador

    de comparao entre as instituies.

    A diviso geral do sistema de ensino superior em Espanha muito semelhante

    ao que se aplica em Portugal2. As instituies esto divididas por pblicas e privadas e

    o ensino em prticas de registo universitrio e politcnico. Em Espanha existem cerca

    de 88 instituies que ministram o ensino superior. Em todas as instituies aplicado

    o sistema europeu de crditos3 (implementado em toda a Unio Europeia), os trs

    ciclos de estudos so:

    O primeiro ciclo - o grado (o equivalente Licenciatura em Portugal) tem a

    durao de 240 crditos repartidos por 4 anos, onde est includo um trabalho de final

    de curso.

    O segundo ciclo - o Mster (o equivalente ao Mestrado em Portugal) tem

    como durao 60 ou 120 crditos repartidos por 1 ou 2 anos. Este ciclo de estudos

    tem como finalidade a especializao dos estudantes na sua formao acadmica,

    profissional ou de investigao.

    2 Para obter informao sobre o sistema de ensino superior em Portugal pode apontar para a pgina da DGES: http://www.dges.mctes.pt/DGES/pt/Reconhecimento/NARICENIC/Ensino%20Superior/Sistema%20de%20Ensino%2

    0Superior%20Portugu%C3%AAs

    3 Os crditos ECTS (European Credit Transfer System) so uma unidade padro adotada por todas as universidades

    do Espao Europeu de Educao Superior que garante a convergncia dos diferentes sistemas europeus de

    educao superior. Os crditos ECTS baseiam-se no trabalho pessoal do estudante e cada crdito equivale a cerca

    de 25 horas de trabalho.

  • 26

    Os graus de Grado e Mster esto vinculados s seguintes reas do

    conhecimento:

    Artes y Humanidades. (Artes e Humanidades)

    Ciencias. (Cincias)

    Ciencias de la Salud. (cincias da Sade)

    Ciencias Sociales y Jurdicas. (Cincias Sociais e Jurdicas)

    Ingeniera y Arquitectura. (Engenharia e Arquitetura)

    O terceiro ciclo o Doctorado (o Doutoramento que dever ter um prazo

    entre 3 anos- tempo integral e 5 anos tempo parcial). Tem como finalidade a

    formao avanada em tcnicas de investigao, est dividido em dois ciclos: um ciclo

    de estudos de pelo menos 60 crditos que poder ser parte do ciclo de mestrado e

    um ciclo de investigao que culmina com a apresentao e defesa pblica do trabalho

    de investigao original. Neste terceiro ciclo poder tambm ocorrer o Doctoramento

    Europeo possibilidade de que se inclua a meno de Doctor internacional.

    As Escuelas de Doctorado so escolas que as universidades podem construir

    que permitem canalizar de uma forma mais adequada a atividade de formao doutoral

    que se desenvolve em cada universidade. Poder tambm promover mecanismos de

    colaborao com entidades pblicas e privadas de investigao ou empresas nacionais

    e internacionais.

    Fig. 4: Sistema Europeu de Transferncia de Crditos (ECTS) (Fonte: Ministerio de

    Educacin, Cultura y Deporte)

  • 27

    So as universidades que tm a autonomia para decidir os ttulos oficiais de

    grado e mster que devem administrar assim como a sua durao. A existncia de

    duplas licenciaturas uma realidade j implementada pelo sistema espanhol, mas, em

    Portugal, apenas agora se comeam a registar os primeiros casos de duplas

    licenciaturas, ministradas de momento apenas pelo ensino universitrio superior

    privado. Esta opo de dupla licenciatura um processo onde se podem harmonizar

    unidades curriculares comuns a duas licenciaturas de forma a obter aprovao num

    tempo menor do que a simples soma da durao de dois cursos. Trata-se de um

    sistema flexvel que permite tomar vrias opes em funo das necessidades

    educativas de cada estudante, para que estes se possam adequar da melhor forma ao

    mercado laboral ou continuao da sua formao para nveis de estudo superiores.

    No ensino superior as classificaes aparecem na forma de listas ordenadas.

    Esta ordenao resulta da combinao de fatores que orientados por ordens de

    preferncia (o que estudar, onde estudar e os fatores mais importantes ou longo da

    sua formao docncia, investigao e inovao e desenvolvimento tecnolgico) nos

    facultam os resultados. Estes mesmos resultados para alm de serem uma forma de

    documentar o posicionamento de cada instituio tambm uma ferramenta de

    escolha para quem pretenda aceder ao ensino superior. A maior tradio de ranking

    surgiu nos Estados Unidos, no entanto o Reino Unido impulsionou bastante este tipo

    de estudo com a criao das League Tables4. O primeiro ranking espanhol publicado

    em 2001, sendo apresentado em forma de relatrio por o Centro de Investigaciones

    Sociologicas a partir da anlise de dados oficiais do Ministerio de Educacion e do Instituto

    Nacional de Estadistica (Miguel, Cais y Vaquera, 2001). A partir desta altura comeam

    ento a surgir novos estudos que apontam para diferentes necessidades informativas e

    da nascem novos projetos que acabam por se tornar nos atualmente conhecidos

    rankings que medem e organizam a informao do ensino superior espanhol.

    Neste estudo apresentaremos 3 dos principais rankings: o I-UGR, o ISSUE e o IUNE.

    4 Tabelas de posicionamento com base em vrios critrios http://www.thecompleteuniversityguide.co.uk/league-

    tables/methodology/

  • 28

    2.2.1 Ranking I-UGR

    O I-UGR um ranking de universidades espanholas, pblicas e privadas, criado

    com o intuito de analisar a investigao publicada em revistas internacionais de maior

    impacto e visibilidade.

    Este ranking est associado Universidade de Granada e Universidade de

    Navarra e conta com a colaborao para o seu desenvolvimento de dois grupos de

    trabalho, o EC35: avaliao da cincia e da Comunicao cientfica e o SCI2S6: Soft

    Computing and Intelligent Information Systems.

    Est organizado por 12 campos e 37 disciplinas cientficas. Desta forma no so

    apresentadas as grandes vertentes do conhecimento e so diludos os vrios perfis de

    investigao que existem nas universidades, para que se possa captar melhor as reas

    em que so mais ativos e influentes.

    Prope um mtodo de classificao que sintetiza seis indicadores

    bibliomtricos7 de produo que medem os aspetos qualitativos e quantitativos da

    produo cientfica das universidades atravs de um algoritmo matemtico de anlise

    bidimensional, o ndex. 8

    NDOC: N de documentos citados indexados no Journal Citation Reports;

    NCIT: N de citaes recebidas por documentos citados;

    H-INDEX: ndice H segundo a frmula de Hirsch;

    1Q: % de documentos citados indexados no primeiro quartel do Journal Citation

    Reports;

    5 Grupo especializado em bibliometria com membros de diferentes universidades. O seu principal foco de pesquisa est na avaliao de revistas cientficas e no estabelecimento de sistemas de avaliao e informao cientfica.

    6 Integrado no Departamento de Cincia da Computao e Inteligncia Artificial da Universidade de Granada

    dedica-se ao desenvolvimento de tcnicas de computao suave e aplica-os a problemas prticos. Tem como

    investigadores Daniel Torres Salinas, Francisco Herrera Triguero, Emilio Delgado Lpez Czar, Jose Garca

    Moreno-Torres, Nicols Robinson Garca e Isaac Triguero. (I-UGR Ranking)

    7 Bibliometric method should always be used as a support instrument for peer based evaluation procedures.

    Although peer review in seen a typical quantitative assessment of research performance, it is evident that

    quantitative elements are also present. (VAN RAAN, 1999).

    8 The proposed ranking has as its primary goal to capture the international research of highest impact and visibility;

    for this reason the calculation of the IF Q2A index has to be made from international citation tools that also include

    journals impact assessment; so a similar ranking could also be extracted from the Scopus database instead of the ISI-

    Web of Knowledge. Also, given its exclusively bibliometric nature, there are two points to clarify: 1 The IF Q2A

    index is applicable only to fields that can be configured from the categories present in the JCR or similar. 2 The

    period of study should encompass at least five years so that the citation indicators are consistent and significative.

    (Torres-Salinas, Moreno-Torres, Delgado-Lopez-Cozar and Herrera)

    http://dicits.ugr.es/rankinguniversidades/http://dicits.ugr.es/rankinguniversidades/

  • 29

    PCIT: Mdia de citaes dos documentos citados;

    TOPCIT: % de documentos altamente citados.

    Estes indicadores foram assinalados a cada uma das dimenses: a Quantitativa (DCUAN) e

    a Qualitativa (DCUAL). Estes indicadores normalizam-se entre 0 e 1 representando a

    instituio que tenha alcanado o valor mais elevado. As dimenses so calculadas

    mediante uma mdia geomtrica:

    DIMENSO QUANTITATIVA (DCUAN)= 3 DOC X NCIT X H

    DIMENSO QUALITATIVA (DCUAL) = 3 1Q X PCIT X TCIT

    O IFQ2A-INDEX o resultado da multiplicao das duas dimenses:

    IFQ2A=DCUAN X DCUAL

    Usa como fonte de informao as bases de dados de Thomson-Reuters: Web

    of Science e Journal Citation Reports. Estes produtos so uma seleo das melhores

    revistas de todo o mundo e so uma referncia bsica para as agncias de avaliao de

    desempenho investigador a nvel internacional e nacional (CNEAI ANECA).

    So utilizados amplos perodos de tempo: perodos de 10 anos (2003-2012) e

    de 5 anos (2008-2012). Pretende-se proporcionar assim uma estabilidade nos

    resultados e detetar mudanas na atividade cientfica.

    Por ltimo, o principal objetivo deste ranking descobrir os pontos fortes e

    fracos da investigao do sistema universitrio espanhol em diferentes reas do

    conhecimento. Assim, o "I-UGR Rankings de Universidades Espanholas segundo

    Campos e Disciplinas Cientficas" um produto de interesse para os responsveis da

    poltica cientfica e gestores de investigao vinculados ao mundo universitrio.

    Os 12 campos que fazem parte deste ranking so: Cincias Agrrias; Cincias

    Biolgicas; Cincias da Terra e Meio Ambientais; Economia, Empresas e Negcios;

    Fsica; Engenharias; Matemticas; Medicina e Farmcia; Outras Cincias Sociais;

    Psicologia e Educao; Qumica e Engenharia Qumica; e, Tecnologias da Informao e

    Comunicao. A tabela seguinte mostra-nos de forma mais ordenada como as

    matrias esto organizadas.

  • 30

    Tabela 3: I-UGR campos e disciplinas cientficas.

    Ciencias agrarias

    Agricultura e Pecuria; Agricultura Multidisciplinar; Pesca; Engenharia Agrcola;

    Agronomia; Agricultura; Agricultura do Solo; Silvicultura; Horticultura;

    Ciencias

    biolgicas

    Veterinria; Biologia reprodutiva; Biologia; Zoologia; Micologia; Botnica; Ornitologia;

    Entomologia; Biologia miscelnea; Biofsica; Biologia evolutiva; Biologia marinha e

    aguas controladas; Bioqumica e biologia molecular; Engenharia celular e de tecidos;

    Biomtodos; Virologia; Microbiologia; Anatomia e morfologia; Biotecnologia e

    microbiologia aplicada; Biologia celular; Biologia do desenvolvimento; Gentica;

    Ciencias de la

    Tierra y

    Mediombientales

    Geologia; Minerao; Mineralogia; Engenharia Ambiental; Estudos sobre o meio

    ambiente; Cincias Ambientais; Engenharia geolgica; Geografia; Meteorologia e

    cincias atmosfricas; Limnologia; Engenharia do petrleo; Oceanografia; Geoqumica

    e geofsica; Geocincias multidisciplinares; Geografia fsica; Recursos hdricos;

    Conservao da Biodiversidade; Paleontologia; Ecologia;

    Economa,

    Empresa y

    Negocios

    Poltica e Economia Agrcola; Negcios e Finanas; Economia; Administrao e

    Gesto; Planeamento e desenvolvimento; Relaes laborais; Negcios;

    Fisica

    Espectroscopia; Fsica multidisciplinar; Fsica matemtica; Fsica de partculas e

    campos; Fsica nuclear; Fsica de fluidos e plasma; Fsica aplicada; tpica; Astronomia e

    astrofsica; Fsica atmica, molecular e qumica; Mecnica; Acstica; Fsica do estado

    slido; Termodinmica;

    Ingenierias

    Engenharia civil; Nano cincia e nanotecnologia; Engenharia aeroespacial; Engenharia

    industrial; Engenharia multidisciplinar; Engenharia naval; Cincia e tecnologia dos

    transportes; Engenharia mecnica; Energia e tecnologia nuclear; Ergonomia;

    Instrumentos e instrumentao; Engenharia eltrica e eletrnica; Sistemas de

    automatizao e controlo; Engenharia da fabricao; Cincia biomateriais; Cincia de

    Materiais Txteis; Cincia de materiais, papel e madeira; Energia e combustveis;

    Robtica; Cincia de materiais compostos; Cincia de materiais revestimentos e

    peliculas; Engenharia ocenica; Tecnologia da construo; Cincia dos materiais

    cermicos; Controlo remoto; Cincia de materiais multidisciplinares; Metalurgia e

    engenharia metalrgica; Cincia da imagem e tecnologia fotogrfica; Cincia de

    materiais de caracterizao e ensaios;

    Matemticas

    Matemticas e biologia computacional; Estatstica e probabilidade; Aplicaes

    interdisciplinares das matemticas; Matemticas aplicadas; Matemticas; Investigao

    operativa e cincias da administrao;

  • 31

    Medicina y

    Farmacia

    Farmacologia e farmcia; Enfermagem; Engenharia biomdica; Gastroenterologia e

    hepatologia; Ortopedia; Otorrinolaringologia; Parasitologia; Patologia; Medicina

    experimental; Doena vascular perifrica; Doenas infecciosas; Oncologia; Psiquiatria;

    Informtica medica; Tecnologia de laboratrios mdicos; Medicina general e interna;

    Medicina legal; Toxicologia; Biomedicina e cincias sociais; Corao e sistema

    cardiovascular; Toxicodependncias; Medicina intensiva; Odontologia e cirurgia oral;

    Neurologia clinica; Psiquiatria; Endocrinologia e metabolismo; Reabilitao; Medicina

    de urgncias; Geriatria e gerontologia; Servios de Sade; Hematologia; Imunologia;

    Dermatologia; Alergia; Sade pblica, ambiental e trabalhista; Sade pblica, ambiental

    e trabalhista SSCI*; Reumatologia; Microscopia; Neurocincias; Anestesiologia;

    Nutrio e diettica; Enfermagem; Obstetrcia e ginecologia; Radiologia e medicina

    nuclear; Fisiologia; Poltica e servios de sade; Oftalmologia; Sistema respiratrio;

    Gerontologia; Cincia do Desporto; Cirurgia; Urologia e nefrologia; Medicina tropical;

    Vcios; Transplantes; tica mdica; Medicina alternativa e complementar; Neuro

    imagem;Pediatria; Andrologia;

    Otras ciencias

    sociales

    Transportes; Estudos por reas geogrficas; Relaes internacionais; Trabalho social;

    Cincias sociais multidisciplinares; Estudos Feministas; Administrao pblica; Cincia

    politica; Historia das cincias sociais; Historia; Criminologia; Urbanismo; Sociologia;

    Questes sociais; Histria e filosofia da cincia-sci*; Histria e filosofia da cincia-

    ssci*; Cincias sociais, mtodos matemticos; Lingustica; Turismo, lazer e desporto;

    Biblioteconomia e documentao; Direito; Estudos da famlia; Estudos tnicos;

    Demografia; Comunicao; Antropologia;

    Psicologa y

    Educacin

    tica; Educao e investigao educativa; Psicologia clinica; Psicologia do

    desenvolvimento; Psicologia educativa; Psicologia mtodos matemticos; Psicanalises;

    Psicologia social; Psicologia experimental; Educao em disciplinas cientficas;

    Psicologia; Cincias do comportamento; Educao especial; Psicologia multidisciplinar;

    Psicologia aplicada; Psicologia biolgica;

    Qumica e

    Ingeniera

    Qumica

    Polmeros; Qumica multidisciplinar; Qumica fsica; Engenharia qumica; Eletroqumica;

    Qumica orgnica; Cincia e tecnologia dos alimentos; Qumica inorgnica e nuclear;

    Qumica mdica; Qumica analtica; Cristalografia; Qumica aplicada;

    Tecnologas de

    la Informacin y

    la Comunicacin

    Aplicaes interdisciplinares da informtica; Telecomunicaes; Engenharia e

    desenvolvimento de software; Sistemas de Informao; Hardware Arquitetura;

    Inteligncia Artificial; Ciberntica; Teoria e Mtodos da Informtica;

    Fonte: I-UGR

  • 32

    2.2.2 Ranking ISSUE

    Este projeto uma iniciativa da Fundao BBVA9 e do grupo Ivie10 que

    formaram uma cooperao para gerar informaes e desenvolver anlises sobre os

    problemas sociais e econmicos relevantes e a sua influncia na trajetria de uma

    universidade num ranking. Este projeto conta tambm com a colaborao do grupo

    Alianza 4U11 e um comit de especialistas para consulta e discusso de problemas e

    abordagens metodolgicas do projeto, no entanto todos os resultados so da

    responsabilidade do Ivie.

    O que o projeto U-Ranking?

    O projeto U-Ranking construiu um conjunto de Indicadores Sintticos do

    Sistema Universitrio Espanhol (ISSUE), tendo em conta vrios critrios e seguindo as

    recomendaes da literatura especializada e dos especialistas em criao de

    indicadores.

    Os indicadores do projeto U-Ranking representam quatro contribuies importantes

    que o tornam numa ferramenta til, de fcil acesso e fcil de manusear tanto para

    gestores e especialistas no ensino superior como para os estudantes e orientadores

    vocacionais.

    So elas:

    Ordenao de Universidades tanto pelos seus resultados (ISSUE-V) como pela

    sua produtividade (ISSUE-P), avaliando assim o efeito do tamanho das

    universidades;

    9 A Fundao BBVA expressa a responsabilidade social corporativa do Grupo BBVA. Assumindo assim a responsabilidade e compromisso em gerar bens pblicos no plano do conhecimento.

    10 O Instituto Valenciano de Pesquisas Econmicas (Ivie) visa a promoo e desenvolvimento da

    pesquisa econmica e a projeo do mesmo em nvel nacional e internacional.

    11 O grupo Alianza 4Universidades uma associao estratgica, constituda em 2008 por quatro

    universidades pblicas espanholas: a Universidad Carlos III de Madrid, a Universidad Autnoma de

    Barcelona, a Universidad Autnoma de Madrid e a Universidad Pomeu Fabra de Barcelona. Todas estas

    universidades tm em comum uma acreditao de Campus de Excelncia Internacional.

    http://www.u-ranking.es/analisis.php

  • 33

    Contempla as trs misses da Universidade: Docncia Investigao

    Inovao e Desenvolvimento tecnolgico, oferecendo um ranking para cada um

    deles;

    Disponibiliza rankings para os distintos graus, proporcionando uma ferramenta

    muito til e fcil de manusear para a escolha da universidade que mais se

    enquadra nos seus requisitos;

    Permite aos utilizadores expressar as suas preferncias: o que estudar, onde e

    quais as atividades que as universidades oferecem, e assim, construir o seu

    ranking pessoal.

    Para criar um ranking necessrio selecionar variveis e tentar homogeneizar e

    adicionar informaes diversas. O processo do projeto U-Ranking pode resumir-se da

    seguinte forma:

    1. Depois de selecionar as variveis relevantes e analisadas as fontes, so

    adicionados os valores de dados em falta atravs de um processo de estimativa

    automatizada.

    2. Os indicadores so normalizados para que a sua magnitude seja comparvel.

    3. Os indicadores so ponderados e agregados para a construo de indicadores

    sintticos de nvel 1 nas quatro reas -Recursos, Produo, Qualidade e

    Internacionalizao - de cada uma das trs dimenses - Ensino, Investigao e,

    Inovao e Desenvolvimento Tecnolgico.

    4. So ponderados e acrescentados os mbitos de cada dimenso para a

    construo de trs indicadores de nvel 2: Ensino, Investigao e

    Desenvolvimento Tecnolgico.

    5. No caso dos rankings de grado, o utilizador solicitado pelas suas preferncias

    em relao importncia de cada uma dessas trs dimenses.

    6. So ponderados e acrescentados as trs dimenses para obter um indicador

    sinttico nico de nvel 3 ou ranking final.

  • 34

    Fig. 5:Indicadores, mbitos e dimenses do ISSUE

    (Fonte: ISSUE)

  • 35

    2.2.3 Ranking IUNE

    O observatrio IUNE o resultado do trabalho realizado pelo Grupo Alianza

    4U. Este grupo formado pela Universidade Carlos III de Madrid, Universidade

    Autnoma de Madrid, Universidade Autnoma de Barcelona e pela Universidade

    Pompeu Fabra. O projeto financiado pelo governo espanhol e tem no Ministrio da

    Educao uma parceria para o Observatrio IUNE.

    A sua coordenao est a cargo do professor Elias Sanz-Casado, professor catedrtico

    de Documentacin da UC3M e diretor do Research Institute for Higher Education and

    Science (INAECU12).

    Os principais objetivos do Observatrio IUNE esto resumidos na tabela seguinte.

    Tabela 4: Objetivos do Observatrio IUNE

    Contribuir para o conhecimento e anlise da atividade cientifica e tecnolgica do

    sistema universitrio espanhol;

    Oferecer informao atualizada e fivel sobre os distintos aspetos da atividade

    investigadora das universidades espanholas;

    Desenvolver um conjunto de variveis e indicadores de Investigao,

    Desenvolvimento e Inovao (I&D+i) para determinar com preciso a atividade de

    universidades pblicas e privadas nas suas diversas reas, como: o corpo docente, o

    reconhecimento cientfico, a atividade investigadora, a inovao, a capacidade

    competitiva e a atividade formativa de investigadores;

    Permitir a elaborao de perfis de universidades em funo da sua atividade cientfica.

    (Fonte: IUNE )

    12 O INAECU um instituto interuniversitrio que tem como principal atividade a pesquisa cientfica e tcnica. Fazendo como sua principal atividade a avaliao da atividade cientifica e tecnolgica e as

    polticas de gesto das instituies do ensino superior espanhol.

    http://www.iune.es/http://www.inaecu.es/http://www.inaecu.es/

  • 36

    A filosofia deste observatrio est assente em quatro pilares fundamentais:

    Caracterizao da atividade cientfica das universidades a partir de uma ampla

    gama de indicadores, ponderada (na sua maioria), pelo corpo docente de cada

    instituio.

    Uso de fontes de informao oficiais, comprovadas e fiveis.

    Anlise de dados legtimos e de fcil acesso

    Discusso e oposio dos indicadores selecionados e dos resultados obtidos a

    partir de especialistas

    Ressalvando que os indicadores relacionados com a atividade cientfica (produo,

    visibilidade, impacto) foram calculados com base nas publicaes cientficas de cada

    universidade.

  • 37

    Tabela 5: Fonte de informao e definio dos indicadores

    Indicador Fonte de Informao Definio de indicador

    Corpo Docente INE (Instituto Nacional de

    Estadstica).*

    Nas Universidades pblicas: o corpo docente

    oficial.

    Nas Universidades privadas: os professores com

    contrato permanente.

    Reconhecimento CNEAI (Comisin Nacional

    de Evaluacin de la Actividad

    Investigadora) / Ministerio de

    Ciencia e Innovacin.*

    Foram obtidos a partir do nmero de anos

    (aplica-se o sexnio13, no caso das instituituies

    espanholas) concedidos a universidades no

    perodo em anlise, bem como prmios nacionais

    de pesquisa obtidos pelo corpo docente da

    universidade.

    Atividade

    Cientifica

    Plataforma Web of Science

    (Science Citation Index,

    Social Science Citation Index,

    y Arts & Humanities Citation

    Index).

    Os registros foram descarregados pelo menos

    um endereo espanhol no campo de endereo e,

    em seguida, filtrados pelo tipo Universidade

    Institucional. Isto inclui:

    Produo, Colaborao (nacionais,

    internacionais), impacto (citaes) e visibilidade

    (% das publicaes no primeiro quartil e as trs

    primeiras revistas cada disciplina).

    Inovao Red OTRI (Encuesta anual a

    las universidades) / INVENES

    (creada por la Oficina

    Espaola de Patentes y

    Marcas).*

    Tm em conta as patentes e modelos de

    utilidade das universidades espanholas aos

    documentos publicados no perodo analisado.

    Incluem-se as licenas, contratos e projetos de

    I+D e o nmero de spin off.

    O nmero de patentes corresponde as patentes

    concedidas a casa universidade no ano

    correspondente.

    Competitividade CDTI (Centro para el

    Desarrollo Tcnico

    Industrial) / MICINN

    (Ministerio de Ciencia e

    Innovacin).*

    Projetos de investigao europeus e do Plano

    Nacionais obtidos por diferentes universidades

    em chamadas pblicas competitivas.

    Capacidade

    Formativa

    Ministerio de Educacin /

    INE (Instituto Nacional de

    Estadstica).*

    determinado a partir do nmero de teses

    apresentadas em cada uma das universidades, o

    nmero de bolsas de estudo para formao de

    professores e contratos de investigao de ps-

    doutoramento (Juan de la Cierva* e Ramn y

    Cajal*).

    Fonte: IUNE

    13 Perodo de 6 anos

  • 38

    A agregao em reas temticas foi feita considerando-se a classificao disciplinar

    realizada pela Web of Science para cada uma das revistas indexadas.

    Tabela 6: Classificao Disciplinar da WoS

    Cdigo rea Disciplinas

    ART-

    HUM

    Artes e

    Humanidades

    Arte, estudos clssicos, folclore, literatura, msica, filosofia, poesia,

    religio, teatro, arqueologia, geografia, histria, lingustica e

    paleontologia.

    BIO Cincias da Vida

    Anatomia, biologia, bioqumica, biofsica, biotecnologia, entomologia,

    gentica, microbiologia, micologia, ornitologia, cincias das plantas,

    medicina veterinria, virologia e zoologia.

    EXP Cincias

    Experimentais

    Acstica, astronomia, qumica, cristalografia, meio ambiente,

    geoqumica, geofsica, geologia, limnologia, matemtica, mecnica,

    meteorologia, mineralogia, a oceanografia, tica, fsica, cincia de

    polmeros, cincia do solo, espectroscopia, estatstica e termodinmica.

    ING

    Arquitetura,

    Engenharia e

    Cincias da

    computao.

    Agricultura, agronomia, automao e controle, arquitetura, cincia da

    computao, eletroqumica, energia, engenharia, ergonomia, pesca,

    cincia dos alimentos, horticultura, as tecnologias de imagem,

    instrumentao, cincia dos materiais, metalurgia, minerao,

    nanotecnologia, cincia e tecnologia nuclear, robtica,

    telecomunicaes, cincia e tecnologia do transporte

    MED Medicina e

    Farmacologia

    Alergia, andrologia, anestesiologia, cardiologia, odontologia,

    dermatologia, emergncia, endocrinologia, gastroenterologia,

    gerontologia, poltica de sade, hematologia, imunologia, doenas

    infeciosas, tica mdica, medicina interna, microscopia, neuro imagem,

    neurocincia, enfermagem, nutrio, obstetrcia, oncologia,

    oftalmologia, ortopedia, parasitologia, patologia, pediatria, farmacologia,

    fisiologia, psiquiatria, radiologia, reabilitao, reumatologia, toxicologia,

    transplante, urologia.

    SOC Cincias Sociais

    Cincia comportamental, biodiversidade, negcios, finanas,

    comunicao, criminologia, demografia, ecologia, economia, cincias da

    educao, estudos tnicos, desporto e lazer, rdio e televiso,

    biblioteconomia e cincia da informao, direito, cincia poltica,

    psicologia, gesto, sociologia, servio social, planeamento urbano e

    estudos femininos.

    Fonte: IUNE

  • 39

    3 Aplicabilidade dos Rankings Nacionais em Portugal

    Uma universidade , acima de tudo, um local de transferncia de conhecimento

    onde devemos privilegiar a transparncia de informaes e dados que faam parte do

    seu quotidiano. Se num dado ano se quiser saber o nmero de publicaes e

    confront-las com o nmero de alunos inscritos nesse ano, esses dados devem estar

    disponveis e o seu acesso dever ser simplificado. Um ranking, alm de ser uma

    ferramenta de anlise do conhecimento dever estar poder ser utilizado por qualquer

    cidado.

    A nvel das Escolas dos outros ciclos de estudos (bsico, ensino secundrio e 3

    ciclo), a Direo Geral do Ensino Superior (DGES) promove um ranking em

    conformidade com os resultados obtidos em vrios exames, ordenando as instituies

    conforme as notas obtidas. Uma ideia assim no seria de todo exequvel para o Ensino

    Superior, mas adaptadas as frmulas poderamos utilizar (por exemplo) como o Jornal

    Pblico uma ordenao das Universidades e dos seus cursos conforme as classificaes

    do ltimo colocado.

    Uma ideia deste gnero no seria totalmente descabida, uma vez que j esteve

    fomentada e durante uns anos foi usada como fonte de informao para quem

    tencionava ingressar no Ensino Superior em Portugal.

    A Agncia Nacional de Avaliao e Acreditao do Ensino Superior (A3ES) e a

    DGES so plataformas de excelncia de acesso a informao que, em conjunto com os

    gabinetes de informao de cada instituio, seriam capazes de formalizar todos os

    dados.

    Um Ranking desta natureza poder surgir tanto de uma oferta pblica como de

    uma oferta privada. Em Espanha existem estes dois tipos de vertentes. Rankings de

    domnio pbico mas tambm rankings de domnio empresarial privado.

    Atualmente existem cerca de 140 instituies de ensino superior em ativo

    divididas na sua vertente de Ensino Superior Universitrio (pblico e privado) e Ensino

    Superior Politcnico (pblico e privado).

  • 40

    Grfico 1: Nmero de Instituies por Distrito

    Com este grfico podemos concluir que a maioria das instituies se encontra

    nos principais centros urbanos do pas, sendo Lisboa e Porto as cidades com mais

    instituies de ensino superior. Com a tendncia da descentralizao, as instituies

    do interior esto igualmente a conseguir captar mais estudantes do que o que se

    registava em anos anteriores. Esta forma de diviso est assente sobre a histria

    natural do pas que passou a registar mais focos de produtividade junto das cidades do

    litoral. Coimbra um caso diferente devido sua histria. A Universidade de Coimbra

    foi a primeira universidade portuguesa. Contando j mais de sete sculos de histria a

    Universidade de Coimbra conta com um patrimnio material e imaterial nico, pea

    fundamental na histria da cultura cientfica europeia e mundial, atualmente Patrimnio

    Mundial da UNESCO.

  • 41

    3.1 Modelo proposto

    A crise financeira em Portugal foi muitas vezes a desculpa para que os avanos

    no se concretizassem. Apesar disso, existem boas prticas que foram sendo

    implementadas. O aumento de estudos publicados, de patentes registadas, e de

    descobertas cientficas so um motor que continua a impulsionar o ensino superior.

    Tambm o nmero crescente de parcerias e a criao de novas empresas em

    incubadoras ou spin-offs so uma forte aposta para o aumento de postos de trabalho e

    um estmulo na continuao de projetos universitrios.

    Em Portugal o sistema de ensino superior de natureza binria e compreende

    o Ensino Superior Universitrio e o Ensino Superior Politcnico. O n 1 do Art. 3 da

    Lei n 62/2007 de 10 de setembro relativa ao Regime jurdico das instituies de

    ensino superior define deste modo a misso de cada um dos subsistemas:

    O ensino superior organiza -se num sistema binrio, devendo o ensino

    universitrio orientar -se para a oferta de formaes cientficas slidas, juntando

    esforos e competncias de unidades de ensino e investigao, e o ensino

    politcnico concentrar -se especialmente em formaes vocacionais e em

    formaes tcnicas avanadas, orientadas profissionalmente.

    No entanto, os dois subsistemas assentam sobre um princpio justo de

    transferncia e criao de conhecimento procurando responder misso para o

    ensino superior.

    no ensino universitrio que se encontram os maiores grupos de produo de

    conhecimento e apenas recentemente que se comea a falar de gabinetes de

    produo de conhecimento no ensino politcnico. tambm no ensino superior

    universitrio, e muito particularmente no pblico, que se regista o maior crescimento:

    As universidades pblicas tm dado um forte contributo para o esforo de

    qualificao nacional e tem vindo a aprofundar o seu peso no contexto do

    ensino superior, tendo visto crescer o peso percentual dos seus alunos em

    relao totalidade dos inscritos, especialmente aps 2010. Com efeito,

    o subsistema universitrio viu crescer o peso percentual dos seus inscritos,

    tendo passado de um peso de 46% em 2007/8 para 52% em 2012/13. Se

    tivermos em considerao os estudantes que se encontram inscritos em

    unidades de ensino politcnico integradas em universidades (cerca de 9000

    estudantes), o peso das universidades pblicas de 55% em 2012/13.14

    14 CRUP, http://www.crup.pt/pt/ensino-universitario/estatisticas

  • 42

    As instituies que ministram o ensino superior pblico Universitrio em

    Portugal partem de um mesmo princpio e tm a sua misso bem delineada.

    No entanto, no que diz respeito a esta ideia de ranking universitrio, alguma

    das instituies ter de ficar em primeiro lugar e o fomento desta competitividade

    poder ser uma fora estratgica comum a todas as instituies. Uma ideia simples e

    competitiva, dever ser essa a forma de como as organizaes devero posicionar o

    ranking no seu dia-a-dia.

    cada vez mais constantes a presena de algumas instituies portuguesas em

    Rankings Internacionais mas no podemos, nem devemos, alimentar a ideia de que a

    instituio que ficou melhor posicionada internacionalmente seja a que est

    nacionalmente melhor classificada. Por isso devemos criar critrios, os Indicadores,

    que sejam um espelho comum a todas a instituies e que nos mostrem o que de

    melhor e pior tm dentro de si.

    A proliferao deste tipo de ferramentas dever ser de acesso pblico e

    ilimitado. No deveremos restringir pblicos, e, por essa razo, deveremos procurar

    criar um modelo simples e inteligvel a todos os nveis. Deveremos tambm

    preocupar-nos com:

    A forma de como a informao ser interpretada;

    A forma como a metodologia ser aplicada;

    A forma de como os dados recolhidos sero tratados;

    No comparar instituies com diferentes tipos de misso. Ex:

    nunca comparar uma Universidade com um Instituto Politcnico.

    Grupos de interesse que sero abrangidos pelo ranking:

    Estudantes (atuais e futuros principais utilizadores);

    As prprias universidades (que sero os objetos de estudo);

    Entidades do Estado Portugus (como financiadores mas tambm como

    utilizadores);

    Numa primeira fase o ranking que mea e organize as instituies portuguesas

    poder comear como sendo apenas um relatrio, tal como comearam os primeiros

    rankings de avaliaes.

  • 43

    Num primeiro esforo e no que diz respeito nossa realidade, poderia ser

    implementado um primeiro projeto que fosse construdo com base numa metodologia

    multicritrio, onde fossem aplicados os seguintes indicadores:

    1. O tamanho relativo da instituio (nmero de alunos, professores, oferta

    formativa);

    2. Os recursos informticos e bibliogrficos (Fsicos e Digitais);

    3. Recursos financeiros obtidos (OE, fundos prprios e parcerias externas);

    4. I&D+i (patentes, unidades de investigao, spin-offs, publicaes);

    5. Nvel de xito dos estudantes, nvel acadmico de investigadores e

    publicaes premiadas.

    Estes indicadores seriam explicitamente parte dos objetivos entre

    universidades e os seus reitores, como se de exerccios