NÍVEL DE DANO ECONÔMICO COMO CRITÉRIO PARA ?· Threshold Level as a Criterion for Beggartick Control…

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  • Planta Daninha, Viosa-MG, v.21, v.21, n.2, p.273-282, 2003

    273Uso de nvel de dano econmico como critrio para ...

    1 Recebido para publicao em 1.4.2002 e na forma revisada em 11.8.2003.2 Eng.-Agr., Dr., Prof. da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinria da Universidade de Passo Fundo - UPF, Caixa Postal611, 99001-970 Passo Fundo-RS, . 3 Eng.-Agr., Ph.D., Prof. da Faculdade de Agronomia da UniversidadeFederal do Rio Grande do Sul UFRGS, Porto Alegre-RS; 4 Eng.-Agr., M.S., aluno do Programa de Ps-Graduao em Fitotecniada UFRGS.

    NVEL DE DANO ECONMICO COMO CRITRIO PARA CONTROLE DEPICO-PRETO EM SOJA1

    Threshold Level as a Criterion for Beggartick Control in Soybeans

    RIZZARDI, M.A.2, FLECK, N.G.3 e AGOSTINETTO, D.4

    RESUMO - A adoo do conceito de nvel de dano econmico (NDE) no manejo de plantasdaninhas avalia suas populaes de modo que medidas de controle sejam implementadassomente quando as infestaes superarem os NDEs. O objetivo deste trabalho foi definir oNDE para infestaes mistas das espcies Bidens pilosa e Bidens subalternans na cultura dasoja. Foram conduzidos experimentos em campo em dois locais: Passo Fundo e Eldorado doSul, RS. Os tratamentos constaram de densidades mistas das espcies de pico-preto esemeadura da soja aos 3, 7 e 11 dias aps dessecao da cobertura vegetal. Obtiveram-sevalores para NDE variveis de 0,4 a 33 plantas m-2. Foram verificadas respostas diferentesnas relaes de interferncia cultura-plantas daninhas entre os locais estudados. O atrasona semeadura da soja em relao dessecao da cobertura vegetal incrementa o grau deinterferncia de pico-preto na cultura. Detectou-se que aumentos na perda de rendimentopor unidade de planta daninha, no potencial de rendimento da cultura, no valor do produtocolhido e na eficincia do herbicida diminuem os valores de NDE, tornando potencialmentemais econmico o controle; j aumento no custo do controle das plantas daninhas faz elevaros NDEs. Constatou-se que as sementes produzidas por plantas no-controladas, ocorrendoem densidades abaixo do NDE, comprometem a adoo da tomada de deciso de controlecom base neste critrio.

    Palavras-chave: Bidens pilosa, Bidens subalternans, manejo de plantas daninhas, tomada de deciso.

    ABSTRACT - Adoption of the threshold level (TL) concept for weed management evaluates weedpopulations to implement control measures only when infestations overcome the TL. The objectiveof this research was to define TL for mixed infestations of Bidens pilosa and Bidenssubalternans in the soybean crop. Field experiments were conducted in Passo Fundo andEldorado do Sul, RS, Brazil. Treatments consisted of mixed densities of the beggartick speciesand soybean seeding at 3, 7, and 11 days after cover crop desiccation. TL variable values wereobtained from 0.4 to 33 beggartick plants m-2. Different responses were obtained for crop-weedinterference relations between the two locations evaluated. Delaying soybean seeding in relationto cover crop desiccation increases beggartick interference in this crop. Increases in yield lossper weed unit, in crop yield potential, harvested product value and herbicide efficiency werefound to decrease TL values, making control potentially more economic. On the other hand,higher weed control cost increases TL values. It was also verified that seeds produced by non-controlled weeds below TL could compromise adoption of control decision based on this criterion.

    Key words: Bidens pilosa, Bidens subalternans, weed management, control decision.

  • RIZZARDI, M.A. et al.

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    INTRODUO

    O controle qumico constitui o componentedominante do manejo de plantas daninhasadotado na produo de culturas nas ltimasdcadas. Contudo, aspectos ambientais e eco-nmicos aumentaram a preocupao com seuuso e o interesse na reduo da aplicao deherbicidas (Klingaman et al., 1992).

    As interaes de plantas daninhas e cul-turas geralmente so difceis de modelar porqueo rendimento pode variar em funo do seugrau de competitividade em perodos crticosda estao de crescimento e da variao dasespcies que compem a comunidade (Kinget al., 1986). Na tentativa de modelar essasinteraes, diferentes trabalhos de pesquisaenfatizam as estratgias do manejo de plantasdaninhas com base no conceito de nvel de danoeconmico - NDE (Oliver, 1988; Onofri & Tei,1994; Vandevender et al., 1997; Pester et al.,2000).

    O NDE um conceito simples que integrafatores biolgicos e econmicos e que se destinaa tornar lucrativa a tomada de deciso paracontrole tanto de plantas daninhas quanto depragas e patgenos (Cardina et al., 1995). Autilizao de NDE comum no manejo de pra-gas, em que este orienta a regulao da popu-lao tima de pragas ao indicar o nvel dapopulao abaixo do qual os custos de controleexcedem seus benefcios (Jordan, 1992). Entre-tanto, em contraste com os insetos e patgenosque atacam as culturas em ciclos epidmicos,as plantas daninhas so endmicas, regene-rando-se a partir de sementes e/ou propgulosvegetativos que so introduzidos no solo(Norris, 1999); alm disso, possuem capacidadede ajustar seu desenvolvimento ao espaodisponvel, no ocupado por plantas da cultura.

    Modelos bioeconmicos que simulamestratgias de manejo de plantas daninhas emps-emergncia esto sendo usados paratornar mais flexveis as decises de aplicaode herbicidas (Lybecker et al., 1991). Por meiodesses modelos, a perda de rendimento decor-rente da interferncia pode ser prevista a partirde estimativas da densidade de plantas dani-nhas presentes, a fim de determinar se o seucontrole em ps-emergncia se justificaeconomicamente e, tambm, para identificar otratamento timo quando o controle se fizer

    necessrio (Wiles et al., 1992). Do ponto de vistaprtico, o uso de herbicidas em ps-emergnciapermite ao produtor aplic-los somente emreas especficas, onde a densidade de plantasdaninhas exceder o NDE (Coble & Mortensen,1992). Nesse contexto, se a densidade de plan-tas daninhas dentro de uma unidade de reada propriedade exceder a densidade equivalenteao NDE, ento o produtor pode selecionar umtratamento econmico para aplicar nesta rea(Lindquist et al., 1998).

    O sucesso na utilizao dos modelos depreviso do resultado da interferncia cultura-plantas daninhas e, tambm, dos programasde manejo das plantas daninhas relacionadoscom NDE depende da habilidade em se prevera funo dano, a qual descreve o impacto dapopulao de plantas daninhas sobre o poten-cial de rendimento da cultura (Jones & Medd,2000), e a funo controle, que descreve o im-pacto de herbicidas ps-emergentes sobre apopulao de plantas daninhas (Dielemanet al., 1996). A fim de prever estas funes,devem-se estimar os dados relativos ao efeitoque as plantas daninhas ocasionaro cultura,ao rendimento da cultura na ausncia daplanta daninha, eficincia do mtodo de con-trole utilizado, ao custo do mtodo de controlee ao preo a ser recebido pelo produto colhido(Dieleman et al., 1996; Bosnic & Swanton,1997). Para Berti & Zanin (1997), o conceitode NDE incorpora as relaes existentes entredensidade, poca relativa de emergncia,eficcia de controle e rendimento da cultura;contudo, ele bastante influenciado porvariveis climticas (McDonald & Riha, 1999).

    O objetivo deste trabalho foi definir NDEspara as espcies Bidens pilosa e Bidenssubalternans, em infestaes mistas, calcu-lados na base de um nico ano, que justifiquema aplicao econmica de medidas para seucontrole na cultura da soja.

    MATERIAL E MTODOS

    Dois experimentos foram conduzidos emcampo, na Universidade de Passo Fundo (UPF),em Passo Fundo, regio fisiogrfica do PlanaltoMdio do Rio Grande do Sul, e na UniversidadeFederal do Rio Grande do Sul (UFRGS), no mu-nicpio de Eldorado do Sul, regio fisiogrficada Depresso Central. Um experimento foi

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    conduzido em 1998/99 em Passo Fundo(ambiente 1) e outro em 1999/00 em Eldoradodo Sul (ambiente 2). Os solos das reas experi-mentais so classificados como LatossoloVermelho Distrfico tpico e Argissolo VermelhoDistrfico tpico, para Passo Fundo e Eldoradodo Sul, respectivamente (EMBRAPA, 1999).

    A disposio dos tratamentos, nos doisexperimentos, foi completamente casualizada,em esquema fatorial, sem repetio. Nos doisambientes, os tratamentos representativos dofator A constaram de densidades de pico-preto(Bidens pilosa e B. sulbalternans, ocorrentesem infestaes mistas), e os do fator B consis-tiram de pocas de semeadura da soja em rela-o data de dessecao da cobertura vegetalexistente nas reas. Nos dois ambientes, asemeadura da soja foi realizada aos 3, 7 e11 dias aps a dessecao (DAD).

    As densidades das plantas daninhas foramalocadas aleatoriamente no campo, de acordocom nveis populacionais encontrados natu-ralmente nas reas. No ambiente 1, utili-zaram-se 17 unidades em cada poca desemeadura, cujas densidades variaram entre1 e 180 plantas m-2, totalizando 51 unidadescom infestao. No ambiente 2, foram utili-zadas 10 unidades em cada poca de se-meadura, com densidades variveis de 1 a110 plantas m-2, totalizando 30 unidades cominfestao. Em ambos os experimentos manti-veram-se de quatro a cinco unidades comausncia de plantas daninhas, em cada umadas pocas de semeadura da soja. Cada uni-dade experimental mediu 6 m2 (2 x 3 m),constando de cinco fileiras de soja espaadasde 0,4 m.

    Os experimentos foram implantados utili-zando-se o sistema de semeadura direta, emreas contendo cobertura vegetal composta poraveia-preta (Avena strigosa) e algumas espciesdaninhas. O manejo da cobertura vegetal foirealizado com os herbicidas glyphosate (900 gde equivalente cido ha-1) e 2,4-D (670 g deequivalente cido ha-1), efetuado por ocasiodo florescimento das plantas de aveia-preta.Em ambos os experimentos foi efetuada umasegunda dessecao com paraquat (300 g ha-1),trs dias a