NICHOLAS SPARKS E MICAH SPARKS - glups.leya.· impossível de imaginar. Também sentimos igual gratidão

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NICHOLAS SPARKS E MICAH SPARKS

TRS SEMANAS COM O MEU IRMO

TRADUZIDO DO INGLS POR

CARMO VASCONCELOS ROMO

Um amigo sempre leal e um irmo nasce para ajudar em tempos de necessidade

Provrbios 17,17

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AGRADECIMENTOS

Quando se escreve um livro h sempre muitas pessoas a quem agradecer e, como sempre, os nomes so praticamente os mesmos.

Em primeiro lugar, temos de agradecer s nossas mulheres, Cathy e Christine, sem as quais este livro nunca teria sido possvel.

E aos nossos filhos Miles, Ryan, Landon, Lexie e Savannah (de Nicholas) e Alli e Peyton (de Micah). A vida sem eles seria impossvel de imaginar.

Tambm sentimos igual gratido para com Theresa Park da Sanford Greenburger e Jamie Raab da Warner Books, nossa agente e editora, respetivamente. Foi um sonho trabalhar com elas.

Larry Kirshbaum e Mayreen Egen, CEO e presidente da War-ner Books, que tiveram a bondade de acreditar neste projeto, mere-cem tambm os nossos agradecimentos.

Jennifer Romanello, Edna Farley, Emi Battaglia, Julie Barer, Shannon OKeefe, Peter McGuigan, Scott Schwimer, Howie San-ders, Richard Green, Flag, Denise DiNovi, Lynn Harris, Mark Johnson, Courtenay Valenti e todos os outros, merecem tambm os nossos agradecimentos, pelos papis que desempenharam no projeto.

E, por fim, o nosso obrigado a todo o pessoal e equipa da TCS, bem como aos nossos companheiros de viagem, incluindo os maravilhosos Bob e Kate Devlin. Foi maravilhoso viajar com todos vs.

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PRLOGO

O livro surgiu por causa de uma brochura que recebi no correio na primavera de 2002.Foi um dia como tantos outros em casa da famlia Sparks. Pas-

sara boa parte da manh e princpio da tarde a trabalhar no meu romance O Sorriso das Estrelas, mas no correra bem e estava a ter dificuldade em ultrapassar a frustrao. No escrevera tanto como tencionara, nem fazia ideia do que escreveria no dia seguinte, por isso no estava de muito bom humor quando por fim desliguei o computador e dei o trabalho por terminado nessa tarde.

No fcil viver com um escritor. Sei-o porque a minha mulher j mo dissera e f-lo de novo nesse dia. Para ser franco, no a coisa mais agradvel de ouvir e, embora fosse fcil ficar na defensiva, acabara j por compreender que discutir com ela no resolvia nada. Assim, em vez de o negar, aprendi a pegar-lhe nas mos, olh-la nos olhos e responder com as quatro palavras que todas as mulheres querem ouvir:

Tens razo, meu amor.

H quem pense que, como sou um autor de relativo xito, escrever no deve requerer esforo da minha parte. Muitas pessoas

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imaginam que durante umas horas por dia aponto as ideias medida que vo surgindo e passo o resto do tempo com a minha mulher junto piscina, a discutir as nossas prximas frias exticas.

Na realidade, as nossas vidas no so diferentes das de uma qualquer famlia de classe mdia. No temos um exrcito de cria-dos nem viajamos constantemente e, embora tenhamos uma pis-cina nas traseiras rodeada de espreguiadeiras, no me lembro destas serem muito usadas, simplesmente porque nem eu nem a minha mulher temos muito tempo para l nos sentarmos durante o dia, sem fazer nada. Para mim, a razo o trabalho. Para a minha mulher, a razo a famlia. Ou, mais especificamente, os midos.

Temos cinco filhos, sabem? No seria uma famlia numerosa se fssemos pioneiros, mas hoje em dia um nmero que chega a surpreender algumas pessoas. O ano passado, quando eu e a minha mulher estvamos em viagem, entabulmos conversa com outro casal jovem. Um assunto levou a outro e, por fim, o tema dos filhos surgiu. O casal tinha dois filhos e disse-nos os seus nomes; a minha mulher desfiou o nome dos nossos.

Durante algum tempo a conversa foi interrompida, enquanto a outra mulher tentava perceber se tinha ouvido corretamente.

Tm cinco filhos? perguntou por fim a mulher. Sim.Pousou uma mo no ombro da minha mulher, num gesto soli-

drio. Vocs so loucos?Os nossos filhos tm doze, dez e quatro anos; as gmeas vo

fazer trs, e se h muitas coisas neste mundo que no sei, sei de cer-teza que as crianas tm um modo engraado de nos ajudar a relati-vizar as coisas. Os mais velhos sabem que escrevo romances para viver, embora por vezes duvide que qualquer deles compreenda o que significa criar uma obra de fico. Por exemplo, quando pergun-taram ao meu filho de dez anos durante uma apresentao na aula o que fazia o pai, inchou o peito e declarou orgulhoso: O meu pai brinca com o computador o dia inteiro! Por outro lado, o meu filho

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mais velho diz-me frequentemente com a mais completa soleni-dade que Escrever fcil. S a parte de teclar que difcil.

Trabalho em casa como muitos escritores, mas a termina a nossa semelhana. O meu escritrio no um santurio retirado no andar de cima; pelo contrrio, a porta abre diretamente para a sala. J li que alguns escritores s se concentram com a casa em silncio, mas eu tenho a felicidade de nunca ter precisado de silncio para trabalhar. uma coisa boa, suponho eu, seno nunca teria escrito uma palavra. Compreendam que a nossa casa literalmente um turbilho de atividade, desde o momento em que eu e a minha mulher nos levantamos da cama, at ao momento em que camos nela, ao final do dia. Passar o dia em nossa casa o suficiente para cansar qualquer um. Em primeiro lugar os nossos filhos tm ener-gia, imensa energia, uma quantidade incrvel de energia. Multipli-cada por cinco energia suficiente para fornecer eletricidade a toda a cidade de Cleveland. E, como que por magia, os midos devoram e refletem a energia uns dos outros. Acontece o mesmo com os nos-sos trs ces e a prpria casa parece alimentar-se dela. Um dia nor-mal inclui: pelo menos uma criana doente, brinquedos espalhados de uma ponta outra da sala que reaparecem como que por magia, depois de terem sido guardados, ces a ladrar, midos a rir, o tele-fone sempre a tocar, entregas da FedEx e da UPS, midos a chorar, trabalhos de casa perdidos, eletrodomsticos avariados, projetos escolares para o dia seguinte e de que os nossos filhos se esqueceram de nos avisar at ao ltimo minuto, treino de baseball, treino de ginstica, treino de futebol, treino de Tae Kwon Do, idas e vindas de pessoas que vm arranjar aparelhos, portas a bater, midos a cor-rer pelo corredor, midos a atirar coisas, midos a irritarem-se uns aos outros, midos a pedir comida, midos a chorar porque caram, midos a treparem-nos para o colo para serem consolados, ou mi-dos a chorar porque precisam de ns imediatamente!

Quando os meus sogros se vo embora depois de uma visita, esto ansiosos por chegar ao aeroporto. Partem com olheiras pro-fundas e com a expresso abatida e traumatizada dos veteranos que

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sobreviveram invaso de Omaha Beach. Em vez de nos dizer adeus, o meu sogro abana a cabea e murmura: Boa sorte, que bem precisam.

A minha mulher aceita toda esta atividade dentro de casa como normal. paciente e raras vezes se irrita. Parece mesmo gostar dela a maior parte do tempo. Tenho de acrescentar que a minha mulher uma santa.

Ou isso ou talvez seja mesmo louca.

Na nossa casa sou eu que trato do correio. Afinal, uma tarefa que tem de ser executada e uma das pequenas responsabilidades que me caiu no colo, no decurso do nosso casamento.

O dia em que recebi a brochura no correio foi um dia como os outros. Lexie, que tinha seis meses, tinha uma constipao e s queria estar no colo da minha mulher; Miles pintara a cauda do co com tinta fluorescente e mostrava-o orgulhosamente; Ryan precisava de estudar para um teste, mas esquecera-se do livro na escola e decidira resolver o problema tentando ver que quanti-dade de papel higinico podia ser metida na sanita, puxando o autoclismo; London pintava as paredes mais uma vez e j no me lembro o que Savannah estava a fazer, mas seria sem dvida qualquer coisa aflitiva, pois, com seis meses, j aprendia com os irmos. Acrescente-se a isso a televiso aos gritos, o jantar a fazer--se, os ces a ladrar e o telefone a tocar e o rudo catico parecia estar a atingir um ponto febril. Parecia-me que at a minha santa mulher estava a atingir o ponto de rutura. Afastando-me do com-putador, respirei fundo e levantei-me. Dirigindo-me para a sala, olhei em volta para observar o mundo enlouquecido, e com ins-tintos que apenas os homens parecem possuir soube exatamente o que fazer. Aclarei a garganta, fiz com que todas as atenes se voltassem para mim e anunciei calmamente:

Vou ver se j chegou o correio.No instante seguinte, sa porta fora.

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*

Como a nossa casa bastante afastada da rua, levo geralmente cinco minutos a ir caixa do correio e voltar. No momento em que fechei a porta atrs de mim, o caos deixou de existir. Caminhei lentamente, saboreando o silncio.

Quando voltei para casa, reparei que a minha mulher tentava limpar da blusa a baba cheia de migalhas de bolacha, enquanto segurava ao mesmo tempo os dois bebs. Landon estava diante dela, puxando-lhe os jeans, tentando que ela lhe desse ateno. Ao mesmo tempo ajudava os mais velhos a fazer os trabalhos de casa. O meu corao encheu-se de orgulho pela capacidade que ela tinha para se desdobrar com tanta eficincia, e ergui o monte de corres-pondncia para que o pudesse ver.

Tenho aqui o correio declarei.Ela ergueu os olhos. No sei o que faria sem ti respondeu. Ds-me uma ajuda

to grande!Acenei com a cabea. S estou a fazer a minha obrigao disse. No precisas de

me agradecer.Como toda a gente, recebo a minha parte de correio que no

interessa a ningum e separei o importante do que no interessava. Paguei as contas, passei os olhos pelos artigos de algumas revistas e preparava-me para deitar fora tudo o resto quando reparei numa brochura que inicialmente lanara para o monte do lixo. Viera do gabinete de anti