nas tramas da cidade - .Vera Lcia Amaral Ferlini Sueli Angelo Furlan Victor Knoll Beth Brait

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1Introduo

NAS TRAMAS DA CIDADE:

trajetrias urbanas e seus territrios

Nas tramas da cidade: trajetrias urbanas e seus territrios2

Foi feito o depsito legal na Biblioteca Nacional (Lei n 1.825, de 20/12/1907)

Agosto 2006

ASSOCIAO EDITORIAL HUMANITAS

Valria de Marco

Vera da Silva Telles

Osvaldo Humberto Leonardi Ceschin

Tel.: 3091-2920 / Telefax: 3091-4593

http://www.fflch.usp.br/humanitas

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Proibida a reproduo parcial ou integral

desta obra por qualquer meio eletrnico, me-

cnico, inclusive por processo xerogrfico, sem

permisso expressa do editor (Lei n. 9.610,

de 19.02.98).

Vice-Presidente

Titulares

Jorge Mattos Brito de Almeida

Caetano Ernesto Plastino

Paula Montero

Fbio Rigatto de Souza Andrade

Presidente

Moacir Amncio

Bernardo Ricupero

CONSELHO EDITORIAL

Vera Lcia Amaral Ferlini

Sueli Angelo Furlan

Victor Knoll

Beth Brait

Jos Jeremias de Oliveira Filho

Ccero Romo Resende de Arajo Filho

Antonio Dimas de Moraes

Beatriz Perrone-Moiss

Berta Waldman

Suplentes

Maria Lusa Tucci Carneiro

Wagner da Costa Ribeiro

Margarida Maria Taddoni Petter

Gildo Maral Brando

Vronique Dahlet

Diretor

Gabriel Cohn

Vice-Diretora

Sandra Margarida Nitrini

Rua do Lago, 717 Cid. Universitria

05508-080 So Paulo SP Brasil

UNIVERSIDADE DE SO PAULO

FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CINCIAS HUMANAS

ASSOCIAO EDITORIAL HUMANITAS

e-mail: editorahumanitas@usp.br

3Introduo

NAS TRAMAS DA CIDADE:

Robert Cabanes (Org.)

trajetrias urbanas e seus territrios

Vera da Silva Telles e

ASSOCIAO EDITORIAL

HUMANITAS

Jos Csar de Magalhes Jr.

Estudos Urbanos

Daniel Veloso Hirata

Eliane Alves da Silva

Nas tramas da cidade: trajetrias urbanas e seus territrios4

Copyright 2006 dos autores

Coleo Estudos Urbanos

Direo: Vera da Silva Telles

Editor Responsvel

Prof. Dr. Moacir Amncio

M. Helena G. Rodrigues MTb n. 28.840

Projeto Grfico

Marcelo Berg

Fotos areas

Jorge Hirata

Arte da capa

Andreia Nunes P. Moriz

Silvia Carvalho de Almeida

442 p. (Estudos urbanos).

1. Sociologia urbana So Paulo (SP) 2. Urbanizao (sociologia) So Paulo (SP) 3. So Paulo (SP) (aspectos socio-econmicos) I.Telles, Vera da Silva II. Cabanes, Robert II. Srie

Servio de Biblioteca e Documentao da FFLCH/USP

Coordenao Editorial

Diagramao

Marcos Eriverton Vieira

Fabio Braga

Reviso de prova

Fotos

ASSOCIAO EDITORIAL HUMANITAS

T684 Nas tramas da cidade : trajetrias urbanas e seus territrios / organizadopor Vera da Silva Telles, Robert Cabanes. So Paulo : AssociaoEditorial Humanitas, 2006.

301.36

ISBN 85-98292-87-7

CDD 307.76098161

5Introduo

Sumrio

11 Introduo

Primeira parte: pontos e linhas

35 Captulo 1 Debates: a cidade como questoVera da Silva Telles

69 Captulo 2 Trajetrias urbanas: fios de umadescrio da cidadeVera da Silva Telles

Segunda parte: cenas urbanas, histrias eseus personagens

139 Captulo 3 Nas franjas da cidade global: tudocerto, tudo em ordem?

Vera da Silva Telles

189 Captulo 4 Ao lado, o outro lado: veredas incertasDaniel Veloso Hirata, Jos Csar de

Magalhes Jr., Vera da Silva Telles

243 Captulo 5 No meio de campo: o que est emjogo no futebol de vrzea?

Daniel Veloso Hirata

291 Captulo 6 No outro extremo da cidade:aqui tudo ocupao

Vera da Silva Telles

Nas tramas da cidade: trajetrias urbanas e seus territrios6

327 Captulo 7 Territrios em disputa: a produo doespao em ato

Eliana Alves e Vera da Silva Telles

389 Captulo 8 Espao privado e espao pblico: ojogo de suas relaes

Robert Cabanes

Terceira parte: os lugares da famlia

433 Concluso

9Introduo

INTRODUO

11Introduo

Introduo

COMO OUTRAS GRANDES cidades, So Paulo vem passando por trans-formaes de fundo. Em uma paisagem urbana muito alterada, ganham formae evidncia tangvel as transformaes que, nas ltimas dcadas, afetaram Es-tado, economia e sociedade. Em seus espaos e artefatos esto cifrados osmodos de circulao e distribuio da riqueza (desigual, mais do que nunca),as mutaes do trabalho e das formas de emprego (e as legies de sobrantes domercado de trabalho), a revoluo tecnolgica e os servios de ponta (e asfortalezas globalizadas da cidade), os grandes equipamentos de consumo e oscircuitos de ampliados do mercado (e a privatizao de espaos e serviosurbanos). Junto com os intensos deslocamentos inter e intra-urbanos, que acom-panham as atuais mutaes do trabalho e dos espaos urbanos, so transfor-maes que tm alterado tempos, espaos e ritmos da experincia urbana. Al-teram-se escalas de distncia e proximidade, mudam padres de mobilidade eacesso aos espaos urbanos e seus servios, redefinem-se os agenciamentos davida cotidiana, ao mesmo tempo em que a vida social atravessada por umcrescente universo de ilegalidades, que passa pelos circuitos da tambm expan-siva economia (e cidade) informal, o chamado comrcio de bens ilcitos e otrfico de drogas (e seus fluxos globalizados) com suas sabidas (e mal conheci-das) capilaridades nas redes sociais e prticas urbanas.

nesse cenrio contrastado que crescem a pobreza, o desemprego e aprecariedade urbana. Tambm a violncia, quer dizer, a morte violenta, mortematada, como se diz em linguagem popular. E a tragdia concentra-se nasperiferias da cidade. Mas como bem sabemos, todo cuidado pouco quandose trata de lidar com as proximidades da pobreza e criminalidade, sobretudonesses tempos em que a nossa velha e persistente, nunca superada, criminalizaoda pobreza vem sendo reatualizada sob formas renovadas, algumas sutis, ou-tras nem tanto, na maior parte dos casos, aberta e declarada. Mas todo cuida-

Nas tramas da cidade: trajetrias urbanas e seus territrios12

do pouco tambm porque no coisa simples entender o que anda aconte-cendo por esse lado da cidade de So Paulo (no s nela). O fato quetambm aqui, no lado pobre (e expansivo) dessas recomposies, o mundosocial est muito alterado. As realidades do trabalho precrio e do desempregoprolongado convivem com uma crescente e diversificada rede de integrao noscircuitos de bens culturais e simblicos, ao mesmo tempo em que a sociedadede consumo (e a lgica do mercado) vai se estendendo por todos os cantos,atingindo regies tradicionalmente consideradas como lugares paradigmticosda pobreza desvalida. Mesmo nas regies mais distantes da cidade, os cir-cuitos do mercado e os grandes equipamentos de consumo compem a paisa-gem urbana, provocando mudanas importantes nas dinmicas familiares e naeconomia domstica, nas formas de sociabilidade e redes sociais, nas prticasurbanas e seus circuitos. Por outro lado, ao mesmo tempo e no mesmo passoem que ganha forma a verso brasileira das metamorfoses da questo social,os programas sociais se multiplicam pelas periferias afora e, entorno deles, vose proliferando, por todos os cantos, associaes ditas comunitrias que tratamde se converter lgica gestionria do chamado empreendedorismo social, secredenciar como parceiras dos poderes pblicos locais e disputar recursosnas fundaes privadas (e a chamada filantropia empresarial) e agncias mul-tilaterais, isso em interao com mirades de prticas associativas e ao lado dosmovimentos de moradia e suas articulaes polticas, partidos e seus agencia-mentos locais, igrejas evanglicas (tambm proliferantes) e suas comunidadesde fiis e, claro, a quase onipresena de organizaes no-governamentais vin-culadas a circuitos e redes de natureza diversa e extenso variada. um feixede mediaes em escalas variadas que desenha um mundo social mil anos luzde distncia das imagens de desolao das periferias de trinta anos atrs, mastambm perpassado por toda sorte de ambivalncias, entre formas (velhas enovas) de clientelismo e reinvenes do direito cidade, convergncias edisputas, prticas solidrias e acertos (ou desacertos) com mfias locais e otrfico de drogas.

Se as evidncias so tangveis, nem por isso coisa simples decifrar adinmica dessas transformaes. O fato que o ponto de clivagem dos temposque correm em relao s dcadas anteriores est no centro de uma j extensaagenda de estudos urbanos. Em sintonia com o que vem ocorrendo em outrasregies e pases do planeta, na pauta dos debates esto as relaes entre cidadee os fluxos globalizados do capital, produo do espao e financeirizao daeconomia, reconfiguraes espaciais e segregao urbana, economia urbana e

13Introduo

a nova geografia da pobreza, reestruturao econmica e vulnerabilidade so-cial. As pesquisas vm se multiplicando sob diversas abordagens tericas, dife-rentes procedimentos e escalas de observao, vrias medidas da cidade e seusproblemas. No entanto, ainda se sabe pouco sobre o modo como os processosem curso redefinem a dinmica societria, a ordem das relaes sociais e suashierarquias, as mediaes sociais e o jogo dos atores, as prticas urbanas e osusos da cidade. Vistas por esse lado, as realidades urbanas vm apresentandodesafios considerveis. As referncias gerais sobre emprego e desemprego, so-bre transformaes sociodemogrficas e formas de segregao urbana esclare-cem pouco sobre configuraes societrias que fizeram embaralhar as clivagenssociais e espaciais prprias da cidade fordista, com suas polaridades bemdemarcadas entre centro e periferia, entre trabalho e morad